O prefeito de Araripina, Evilásio Mateus, cumpriu ontem (8) uma agenda de bate-volta ao Recife com foco na divulgação do São João 2025 do município. Acompanhado da deputada estadual Roberta Arraes e de secretários municipais, como Kilon Alencar (Planejamento) e João Dias (Meio Ambiente), o gestor entregou convites e kits com produtos típicos da região, em uma ação que valoriza a identidade cultural do Sertão do Araripe.
Entre os que receberam pessoalmente o material promocional do evento estão a governadora Raquel Lyra, o presidente do Tribunal de Contas do Estado, Valdecir Pascoal, os conselheiros Rodrigo Novaes e Eduardo Porto, o secretário estadual de Turismo, Kaio Maniçoba, e o secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, André Teixeira Filho, da Adepe. A comitiva reforçou a importância do apoio institucional à festa, que é uma das mais tradicionais do Sertão.
Segundo o prefeito, a ação integra os esforços da gestão para consolidar Araripina como destino junino de referência em Pernambuco. “Araripina tem uma festa que é símbolo de tradição, alegria e oportunidades. E nada mais justo do que levar um pouco desse encanto diretamente às lideranças que ajudam a construir o desenvolvimento de Pernambuco”, afirmou Evilásio.
O Instituto de Previdência do Município de João Alfredo (JOÃOALFREDOPrev) alcançou um feito histórico para a gestão pública municipal. A instituição foi destaque no 8º Prêmio Nacional de Inovação de Previdência, organizado pela Associação Nacional de Entidades de Previdência de Estados e Municípios (ANEPREM).
Concorrendo na categoria “Segurados” com institutos de todo o país, o JOÃOALFREDOPrev garantiu a 5ª colocação nacional. O destaque da premiação foi o programa inovador “Viver Bem Servidor”, implantado em 2023. O projeto foca em oferecer um olhar acolhedor e humanizado para os aposentados e pensionistas do município.
Com uma pontuação de 67,30, o instituto de João Alfredo superou municípios de grande porte das regiões Sul e Sudeste, além de ficar à frente até de instituições estaduais, como o Instituto de Previdência do Estado de Roraima.
O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) realiza, no próximo 18 de março, às 9h, o 5º Encontro do Ciclo de Estudos Mulheres e Política, com o tema “Violência política de gênero”. A atividade integra a programação da Semana da Mulher do TRE-PE e será realizada na Sala de Sessões da sede do Tribunal, localizada na Av. Governador Agamenon Magalhães, nº 1.160, bairro do Derby, no Recife. O evento é aberto ao público.
A iniciativa tem como objetivo promover reflexões e debates sobre a participação das mulheres na política, abordando desafios, experiências e dados relacionados à violência política de gênero. A proposta também inclui discutir ações afirmativas e estratégias voltadas à promoção da igualdade de gênero e étnico-racial no cenário político.
Participam do encontro a professora de Direito e vice-diretora da UFPE, Antonella Galindo; a promotora de Justiça Fernanda Nóbrega; a professora pós-doutora do Departamento de Ciência Política da UFPE Gabriela Tarouco; a advogada, professora e sócia-fundadora do Instituto Enegrecer, Manoela Alves, e a servidora do TRE-MG e integrante da Comissão de Promoção de Igualdade Racial na Justiça Eleitoral, Sabrina de Paula Braga, que compartilharão conhecimentos e experiências sobre o tema.
O evento é aberto a todas as pessoas interessadas no tema e poderá também ser acompanhado de forma on-line, pelo canal do TRE-PE no YouTube. As inscrições devem ser realizadas por meio do Sistema de Gestão de Eventos (SIGE).
O encontro integra a programação da Semana da Mulher do TRE-PE, realizada pela Escola Judiciária Eleitoral de Pernambuco (EJE-PE), Ouvidoria e Seção de Benefícios da Secretaria de Gestão de Pessoas (SGP).
As demais atividades da programação da Semana da Mulher são voltadas ao público interno do Tribunal. No dia 17 de março, às 9h, será realizada a 10ª edição do Prêmio Mulheres que Fazem a Diferença. Já no dia 19 de março, às 10h, acontece a palestra “O poder da imagem: como a aparência fortalece a presença e a confiança da mulher”, ministrada pela consultora de moda e imagem Mayara Sales. Encerrando a programação, no dia 20 de março, será realizada a palestra relacional “A ordem precede o amor”, conduzida por Chrisleide Karine.
Durante décadas, guerras e disputas políticas foram narradas por discursos oficiais, reportagens e debates públicos. Hoje, porém, grande parte dessas narrativas nasce e circula primeiro nas redes sociais — e cada vez mais com linguagem inspirada no cinema, nos videogames e na cultura pop digital.
A política contemporânea começa a adotar códigos narrativos típicos do entretenimento: trilhas épicas, cortes rápidos, estética cinematográfica e elementos visuais inspirados em jogos. Líderes são apresentados como protagonistas de grandes batalhas simbólicas, enquanto adversários são retratados como antagonistas de uma história em disputa. O resultado é uma comunicação mais emocional, dramática e altamente viralizável.
Essa tendência já aparece com força em conflitos internacionais. Na recente escalada de tensão envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, a disputa não se limita ao campo militar. Ela também ocorre no terreno das narrativas digitais. Vídeos divulgados nas redes sociais utilizam estética semelhante à de trailers de filmes ou jogos de ação para dramatizar ataques, exibir poder militar e mobilizar apoio público.
Em alguns casos, a propaganda digital chega a utilizar referências diretas à cultura gamer, com montagem dinâmica, linguagem visual de jogos e elementos típicos da estética dos videogames de guerra. A estratégia é clara: falar com uma geração que cresceu consumindo esse tipo de conteúdo e que hoje vive conectada em ambientes digitais.
O outro lado do conflito também investe na disputa simbólica. Produções audiovisuais com estética de animação, simulações de ataques e representações dramatizadas do adversário circulam nas redes como peças de propaganda moderna. Mais do que informar, esses conteúdos procuram criar narrativas emocionais capazes de mobilizar opinião pública e reforçar identidades políticas.
Essa lógica — que mistura entretenimento, propaganda e disputa ideológica — está cada vez mais presente também na política eleitoral. No Brasil, sinais desse fenômeno já aparecem na fase de pré-campanha para 2026. Vídeos políticos editados como trailers de cinema, montagens que retratam adversários como personagens de histórias épicas e memes inspirados em jogos circulam com frequência nas redes sociais.
A política passa, assim, a dialogar com o imaginário da cultura digital. Não se trata apenas de comunicar propostas ou defender posições. Trata-se de construir narrativas capazes de capturar atenção em um ambiente dominado por vídeos curtos, imagens fortes e disputas simbólicas permanentes.
Nesse contexto, a chamada “guerra de narrativas” ganha uma dimensão inédita. Cada postagem, cada vídeo e cada meme torna-se uma peça dentro de um grande jogo de percepção pública. A batalha política acontece tanto nas urnas quanto nas telas dos celulares.
Para as equipes de comunicação das campanhas, essa transformação exige uma mudança estratégica profunda. A propaganda tradicional, baseada apenas em peças institucionais ou discursos formais, tende a perder espaço diante de conteúdos que dialogam com a linguagem da cultura digital contemporânea.
Dominar storytelling audiovisual, compreender a lógica dos algoritmos e saber utilizar referências culturais do universo gamer e cinematográfico passam a ser habilidades fundamentais para quem disputa atenção nas redes.
As eleições de 2026 podem ser as primeiras no Brasil em que essa estética narrativa se consolide como elemento central da comunicação política. Mais do que uma disputa de propostas, será também uma disputa de histórias, símbolos e imagens.
Em um ambiente onde a política começa a ser contada como se fosse um filme — ou até um videogame — vencer a eleição pode depender, cada vez mais, de quem souber contar melhor a própria história.
No último encontro que o prefeito do Recife, João Campos (PSB), teve com o presidente Lula (PT), ouviu do petista uma sugestão: a ida dele a capital pernambucana, antes de João se afastar em 4 de abril, para disputar o Governo do Estado.
Lula quer participar da inauguração do Hospital da Criança, uma das vitrines da gestão João em parceria com União, via recursos do PAC. Se a agenda vier a se concretizar, Lula pode estar presente também na entrega de títulos em Brasília Teimosa e na inauguração de uma creche batizada com o nome do neto do presidente, Artur Lula da Silva.
O neto, de apenas de 7 anos, faleceu em 1º de março de 2019, em Santo André (SP), devido a um quadro de meningite. A morte ocorreu enquanto Lula estava preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Ele obteve autorização judicial para acompanhar o velório e a cremação no dia 2 de março, sob forte esquema de segurança.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou um mal-estar a precisou de atendimento médico, hoje. A informação foi divulgada pelo filho dele, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Bolsonaro está preso na Papudinha, em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
“Acabo de receber a notícia de que meu pai Jair Bolsonaro está a caminho do hospital, mais uma vez Informações preliminares de que acordou com calafrios e vomitou bastante”, diz o texto. Segundo a equipe médica do ex-presidente, ele está a caminho do hospital DF Star, em Brasília. As informações são do portal G1.
Num ato de desrespeito à lei eleitoral, a governadora Raquel Lyra (PSD) fez, ontem, em Tabira, no Sertão do Pajeú, a 400 km do Recife, uma carreata eleitoral, antecipando a campanha de reeleição. Desfilou em carro aberto, ao lado do prefeito Flávio Marques (PT), aliado do primeiro-secretário da Câmara dos Deputados, Carlos Veras.
Em ano eleitoral, tal manifestação só é permitida quando a campanha de rua é autorizada pela justiça eleitoral, dentro de um calendário de regras determinado pelo Tribunal Regional Eleitoral. Da forma como ocorreu em Tabira, a gestora cometeu desobediência às regras eleitorais e pode ser punida.
Os discursos confusos de Carlos Lupi e Marília Arraes
Por Larissa Rodrigues – Repórter do blog
O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, reuniu a imprensa no Recife, ontem (12). Falou muito, mas não disse quase nada. Confirmou que a ex-deputada Marília Arraes, que vai ingressar na sigla, andou conversando com a governadora Raquel Lyra (PSD) sobre uma possível vaga na chapa da gestora para disputar o Senado, o que todo mundo já sabia.
Disse que Raquel manifestou interesse nessa composição, o que também não é novidade, uma vez que a governadora ainda não conseguiu começar a circular com nenhum pré-candidato à Casa Alta, enquanto seu adversário, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), vem há meses aparecendo em agendas ao lado de dois ou três nomes dispostos a subirem no palanque dele.
Essa é uma queixa da própria Raquel a aliados, alguns do PP. Por isso, a pressão da governadora para que o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) resolva logo sua vida. Voltando a Lupi, o presidente do PDT também disse que falou com João Campos, mas não saiu animado da conversa.
“Não fiquei animado, porque ele já colocou uma posição que praticamente… Ele até disse que não está nada certo depois, mas já estava colocado o fechamento dele, o vice e as duas vagas do Senado. Então, não me quer”, afirmou Lupi. Na mesma conversa, disse que João Campos o telefonou reforçando que o diálogo sobre Marília ainda está aberto, deixando a dúvida se ainda existe chance ou não para Marília na chapa do prefeito.
Lupi ainda caiu em uma contradição, na confusa entrevista, quando afirmou que a situação de Marília é incomum, porque em nenhum estado da federação um candidato que lidera as pesquisas é rejeitado, ou subtraído. Sugeriu que os jornalistas pesquisassem para comprovar o que estava ressaltando.
No entanto, alguns minutos depois, garantiu: “Hoje todo mundo quer Marília no palanque. Se ela não tivesse importância nenhuma, se não tivesse força política, por que tanta gente queria ela?”, enfatizou. “Ela pode não ser muito benquista em parcela do mundo político, mas tem povo. Quem não vive de povo não ganha eleição”, acrescentou.
Como é que Marília estaria sendo subtraída nas composições, mesmo sendo líder nas pesquisas, algo que não é visto em outro lugar do Brasil, mas, ao mesmo tempo, todo mundo quer Marília no palanque? Lupi não conseguiu explicar essa matemática para os jornalistas. Marília, por sua vez, não quis conversar com a imprensa na ocasião, dizendo apenas que a entrevista era só com o presidente.
O discurso de Lupi, ontem, foi confuso, assim como está confusa a articulação de Marília. Em 2020, protagonizou uma eleição duríssima contra o primo, João Campos, pela Prefeitura do Recife, com trocas de acusações pesadas e difíceis de esquecer. Saiu derrotada, mas o tempo passou, fez as pazes com João, o eleitorado aceitou e o jogo continuou. Há meses, inclusive, aparece ao lado de João em agendas, com direito a registros postados em blogs e redes sociais.
Em 2022, protagonizou outra dura campanha, dessa vez contra Raquel Lyra, pelo Governo de Pernambuco. Inclusive, não aceitou, na época, o pedido feito pela equipe de Raquel para adiar o início do guia eleitoral, uma vez que a então candidata Raquel Lyra vivia um momento de luto após a perda do marido, Fernando Lucena, que morreu no dia da eleição. E, hoje, na eleição seguinte, Marília estaria prestes a rodar o Estado em campanha ao lado justamente de Raquel? Aquela mesma Raquel que não moveu um dedo em prol da eleição do presidente Lula em 2022, mesmo com todo o universo sabendo qual seria o significado para Pernambuco de Lula ou Bolsonaro vencer? Ninguém sabe quem está mais confuso nesse jogo, que mais parece oportunismo eleitoreiro: Lupi, Marília ou a própria Raquel.
Gleide Ângelo na federação – A deputada estadual Gleide Ângelo se filiou à Federação União Progressista, ontem (12). A ficha de filiação foi assinada pelo presidente da federação em Pernambuco, deputado federal Eduardo da Fonte (PP/UP), e pelo deputado federal e segundo secretário da Câmara dos Deputados, Lula da Fonte (PP/UP). Em vídeo postado nas redes sociais, Gleide Ângelo ressaltou: “A gente precisa salvar a vida das mulheres. A gente não pode mais ver filhos órfãos da violência e achar que é normal, porque não é normal”. Os parlamentares festejaram a chegada de Gleide, que entra no grupo para fortalecer o combate à violência de gênero.
Pegou mal demais – O vídeo de Raquel Lyra em homenagem ao aniversário das cidades-irmãs Recife e Olinda, narrado com sotaque paulista, repercutiu mal demais. Este blog fez um alerta e, minutos depois, a peça, que nunca deveria ter ido ao ar, foi removida das redes da gestora. O chefe, titular deste blog, declarou: “Estou feliz em poder ajudar a garantir que cidades com históricos tão revolucionários não sejam tratadas com um descaso assim”.
Por falar em Raquel – Não se passa um mês sem que a gestão da governadora pernambucana não esteja imersa em escândalos. O mais recente, divulgado pelo portal Metrópoles, indica que o governo dela já repassou mais de R$ 160 milhões à Cetus Construtora, uma empreiteira de Minas Gerais contratada quando já estava inscrita no Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS), o que torna ilegal a formalização de novos vínculos com a administração pública. Nos bastidores, o caso já vem sendo apelidado de “Raquelão da Educação”, em referência ao Petrolão ou ao Mensalão.
Alinhamento – O senador e candidato à reeleição Humberto Costa (PT) reuniu-se, ontem (12), com o presidente Lula (PT), no Palácio do Planalto, em Brasília. Na pauta, as prioridades do governo para este ano no Congresso Nacional, além da análise de conjuntura e dos cenários político e eleitoral. Segundo o senador, o presidente e ele discutiram, do ponto de vista político e eleitoral, tanto o contexto nacional quanto a situação política em Pernambuco. Humberto afirmou que há plena convergência de posições entre ambos. “Ouvir o presidente Lula, as ideias dele, é sempre muito bom. Estamos em total sintonia. Sou candidato à reeleição pelo PT e vamos seguir trabalhando juntos por Pernambuco e pelo Brasil”, declarou.
Pisômetro da Educação – A vereadora do Recife Liana Cirne (PT), professora de Direito da Universidade Federal de Pernambuco, lançou, ontem (12), o Pisômetro da Educação de Pernambuco, iniciativa que pretende fiscalizar o cumprimento do piso salarial nacional do magistério nos municípios do Estado. A proposta é reunir informações enviadas por professoras e professores sobre o pagamento do piso em suas cidades, criando um levantamento público que identifique quais prefeituras estão descumprindo a legislação que garante a valorização dos profissionais da educação.
CURTAS
ExpoGaranhuns – O deputado estadual Izaías Régis participou, na noite da última quarta-feira (11), da abertura oficial da ExpoGaranhuns 2026, realizada no Parque Acauã, em Garanhuns. O evento segue até o dia 15 de março.
Recursos – “Desde o início, tivemos o compromisso de trabalhar para que a ExpoGaranhuns saísse do papel. Buscamos os recursos necessários junto ao Governo do Estado porque sabemos da importância que um evento como esse tem para fortalecer o agronegócio, gerar oportunidades e movimentar a economia de toda a região”, afirmou Régis.
Novo comando – A Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe) terá um novo presidente. Na próxima terça-feira, 17 de março, às 9h, em assembleia extraordinária de prefeitos e prefeitas, o prefeito de Aliança, Pedro Freitas, assumirá o comando da entidade. Ele assume o lugar de Marcelo Gouveia, ex-prefeito de Paudalho que estava à frente da Amupe.
Perguntar não ofende: Raquel Lyra não prestava, segundo Marília, porque não apoiou Lula. Mas, se ela abrir uma vaga na chapa, vai passar a prestar?
Um grave acidente envolvendo uma motocicleta e uma Fiat Strada foi registrado na noite desta quinta-feira (12) na BR-232, nas proximidades da fábrica de postes, em Belo Jardim, no Agreste de Pernambuco. Segundo as primeiras informações, duas pessoas que estavam na moto, o piloto e a passageira, identificados como neto e avó e moradores da localidade Volta do Rio, na zona rural do município, morreram no local. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) e equipes de socorro estão no local da ocorrência. Com informações do Blog Belo Jardim News.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconsiderou sua decisão e rejeitou a visita do assessor do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Darren Beattie, ao ex-presidente Jair Bolsonaro na Papudinha, onde o antigo mandatário está preso. Em sua decisão, Moraes citou o ofício do Ministério das Relações Exteriores que comunicou que a concessão de visto para o assessor de Trump não tinha qualquer pedido de visitação a Bolsonaro.
Segundo o documento assinado pelo chanceler Mauro Vieira, o visto concedido a Beattie previa apenas sua participação no Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos, que será realizado em São Paulo. Segundo Moraes, a visita do assessor a Bolsonaro não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro e também não foi comunicada previamente às autoridades brasileiras. As informações são do jornal O GLOBO.
“Ressalte-se que, somente após a solicitação de informações ao Ministro das Relações Exteriores, a Embaixada dos Estados Unidos da América solicitou a realização de novos compromissos diplomáticos pelo Darren Beattie em Brasília, que seriam realizados, se eventualmente confirmados, no dia 17 de março”, afirmou Moraes.
No documento, o chanceler Mauro Vieira afirmou que a visita poderia ser vista como indevida ingerência em ano eleitoral.
“Diante do exposto, nos termos do artigo 4º, IV da Constituição Federal e dos artigos 21 e 341 do Regimento Interno do STF, reconsidero a decisão anterior e indefiro a visita requerida pela Defesa de Jair Messias Bolsonaro”, afirmou Moraes.
Era segunda-feira, 9 de março de 2026, quando o padre Pierre El Raii, pároco maronita de Qlayaa, no sul do Líbano, ouviu o bombardeio que atingiu a casa de um paroquiano. Sem hesitar, correu com dezenas de jovens para socorrer os feridos. Foi então que um segundo ataque atingiu o mesmo local. O sacerdote de cinquenta anos ficou gravemente ferido. Morreu quase à porta do hospital, para onde foi levado sem conseguir entrar.
A operação militar israelense que matou o padre chama-se “Rugido do Leão” — uma ofensiva lançada contra o Irã e que se estendeu ao Líbano, pretensamente contra posições do Hezbollah. Por sua vez, o Papa Leão XIV, líder máximo da Igreja Católica, da qual os maronitas do Líbano fazem parte, expressou, por meio da Sala de Imprensa da Santa Sé, “profunda dor”. Na hora do Angelus, implorou que “cesse o barulho das bombas”. Palavras justas, mas que soam como um débil sussurro diante do rugido dos caças e das bombas.
Foi nesse contexto que outras vozes da hierarquia católica se ergueram. O Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano, foi contundente: “Se aos Estados fosse reconhecido o direito à ‘guerra preventiva’, o mundo inteiro correria o risco de ser incendiado. A justiça deu lugar à força; a força do direito foi substituída pela lei da força.”
O Cardeal Robert McElroy, arcebispo de Washington, também não se calou. Em entrevista ao The Guardian, o cardeal americano revelou a ansiedade dos fiéis e disparou: “Uma das mais importantes doutrinas católicas sobre a guerra é que as nações têm a obrigação de acabar com um conflito o mais rápido possível. Isto é particularmente verdade quando a decisão de ir à guerra não era moralmente legítima.”
A frase é uma bomba. McElroy, no coração do império, disse claramente que a guerra em curso é moralmente ilegítima. Sem rodeios.
Se Parolin e McElroy podem falar com essa firmeza, o que impede o Pontífice de fazer o mesmo? A pergunta é ainda mais pertinente porque Leão XIV é o primeiro papa estadunidense da história. Precisamente por isso, ele conhece a linguagem do poder em Washington. Sabe que palavras como as de McElroy, se fossem ditas pelo Sumo Pontífice, teriam ainda mais autoridade moral.
A “profunda dor” e os apelos genéricos são o mínimo. Mas o mínimo, quando um padre é morto enquanto socorre feridos, é manifestamente insuficiente. A comunidade maronita, que sempre olhou para Roma como mãe e protetora, vê-se órfã de uma palavra forte.
Tão preocupante quanto o relativo silêncio do Papa foi o que se passou no Vatican News. No dia 10 de março, o site oficial do Vaticano publicou um artigo do Padre Stefano Caprio intitulado “A ortodoxia russa como religião universal”. O texto é uma peça de ironia corrosiva contra o Patriarca Kirill, líder da Igreja Ortodoxa Russa. Caprio ridiculariza as condolências de Kirill pela morte do aiatolá Khamenei, insinua que o patriarca serviu “fielmente ao regime ateu de Brejnev” e compara números de fiéis para concluir que a fé russa é “vazia”.
O problema não é a crítica teológica. É o local e o momento. O Vatican News é a voz oficial do Papa. Publicar um ataque pessoal a um líder ortodoxo, precisamente quando o Oriente Médio está em chamas e o diálogo ecumênico deveria ser prioridade, é um erro monumental. Mais que erro: é uma contradição quanto ao discurso de fraternidade que o próprio Papa defendeu no início de seu pontificado, inclusive ecoando a postura do seu antecessor, Papa Francisco, que fez do diálogo inter-religioso uma das marcas de seu ministério.
Quando o Patriarca Kirill expressou condolências pela morte de Khamenei, não estava fazendo apenas um gesto político. Estava reconhecendo a dor de uma comunidade de fé pela perda de seu líder espiritual. Tal gesto deveria ser acolhido por uma instituição que se propõe a construir pontes entre religiões. Em vez disso, o que se viu foi escárnio, o que não condiz com a abertura preconizada pelo próprio Papa no início de seu pontificado, ao se reunir com líderes religiosos do mundo inteiro.
Num mundo globalizado, onde a informação corre em segundos, o sussurro é interpretado como cumplicidade. Os católicos do Líbano não precisam de “profunda dor” institucional. Precisam de uma voz que grite: isto é inaceitável. Precisam de um pastor que aponte o dedo aos agressores e diga, como McElroy disse, que esta guerra não é moralmente legítima.
Parolin e McElroy mostraram que é possível falar com coragem sem sair da doutrina. Mostraram que a Igreja tem palavras para este momento. O que falta é que essas palavras saiam da boca de quem tem a autoridade suprema para dizê-las.
O deputado federal Pedro Campos (PSB-PE) e o ex-candidato a prefeito de Olinda Vinícius Castello se reuniram, nesta quarta-feira (12), em Brasília, com a ministra da Cultura, Margareth Menezes, e com o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, para discutir a restauração e reabertura do Cine Olinda. O equipamento cultural é considerado um espaço histórico para o município e para o audiovisual pernambucano. Segundo os participantes, as reuniões buscaram discutir caminhos institucionais e técnicos para viabilizar a recuperação do local.
Durante a audiência no Ministério da Cultura, também participaram a secretária do Audiovisual, Joelma Gonzaga, além de representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Agência Nacional do Cinema (Ancine). “Olinda tem uma história profunda com o cinema e com a cultura. A restauração do Cine Olinda significa recuperar um espaço simbólico para a nossa gente e criar novas oportunidades para a produção e difusão cultural”, afirmou Pedro Campos.
Vinícius Castello destacou a importância da reabertura do equipamento cultural para a cidade. “O Cine Olinda precisa voltar a ser um ponto de encontro da cultura. Queremos um espaço vivo, que dialogue com a produção contemporânea e também preserve a história do cinema na cidade”, disse. Segundo os participantes, também foram discutidas possibilidades de articulação entre órgãos do governo federal para estruturar o projeto de requalificação do espaço.
Música de protesto não derruba governo; serve mais para agregar a oposição contra um regime ditatorial, como aconteceu no período militar com as obras de Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Geraldo Vandré, entre outros. Mas, neste estranho Brasil de hoje, um comediante de esquerda, Murilo Couto, criou uma canção para debochar do pré-candidato presidencial da direita Flávio Bolsonaro que se transformou, contra a vontade do autor, no seu hino de campanha pré-eleitoral. Em poucos dias chegou a ser um dos temas mais comentados nas redes sociais por milhões, e a canção “Meu amigo Flávio” foi apresentada em muitas versões e ritmos.
O tiro saiu pela culatra. O que seria um deboche ganhou o ciberespaço espantosamente. Ao lançar a música, Murilo Couto disse que compôs depois que Flávio Bolsonaro passou a segui-lo nas suas redes sociais. Disse também que passou a considerar a possibilidade de segui-lo de volta. “O filho do Bolsonaro quer ser meu amigo. Flávio. O meu amigo Flávio. Ele é muito sábio. Flávio Bolsonaro”, cantou no seu stand-up.
“Eu não sei o que fazer/ Não sei o que responder/ O filho do Bolsonaro quer ser meu amigo/ Amigo/ Ele já tá me seguindo/ Seus amigos perseguindo/ O filho do Bolsonaro quer ser meu amigo/ Esse mundo gira, esse mundo dá volta/ Ontem eu tava xingando/ Hoje eu tô pensando em seguir de volta/ (Será que eu sigo de volta?)”.
Depois, arrependido pela canção e pressionado pela militância de esquerda, ele disse que a repercussão foi uma coisa perturbadora. “Fiz o jingle de campanha de Flávio em 2026 e não voto nele, nem o apoio”, revelou apreensivo. Seu desmentido não valeu de nada. Zoaram com versões novas da música, vídeos produzidos por Inteligência Artificial abraçando o pré-candidato e até desenhos animados em companhia do ex-presidente e sua família.
Do mesmo modo, o compositor e militante de esquerda Chico Buarque não pode controlar a cantoria popular das suas composições por qualquer campo político. Ele compôs nos anos 1970, em pleno regime militar, a música “Apesar de Você”, criticando em versos o arbítrio brasileiro da época, estranhamente liberada pela censura.
Cantava Chico: “hoje você é quem manda/ Falou, tá falado/ Não tem discussão/ A minha gente hoje anda/ Falando de lado/ E olhando pro chão, viu/ Você que inventou esse estado/ E inventou de inventar/ Toda a escuridão/ Você que inventou o pecado/ Esqueceu-se de inventar/ O perdão”
“Apesar de você/ Amanhã há de ser/ Outro dia/ Eu pergunto a você/ Onde vai se esconder/Da enorme euforia/ Como vai proibir/ Quando o galo insistir/Em cantar/ Água nova brotando/ E a gente se amando”, completava.
E muitas destas obras antiautoritárias não perderam a atualidade. Se Chico Buarque profetizava na época que apesar dos ditadores haveria um dia para a mudança de regime, a metáfora também vale para os dias de hoje no Brasil. A obra do compositor, admirador em Paris, onde passa temporadas, de ditaduras de esquerda e de Lula, pode ser cantada hoje, para chateação de Buarque, no “sereno” do STF, da Polícia Federal ou do presídio onde o ex-presidente Bolsonaro está cumprindo pena por uma tentativa inexistente de golpe de estado.
Já em outra música de protesto a favor da liberdade de criação artística durante o regime militar, o mesmo Chico Buarque, que hoje se cala diante da censura à liberdade de expressão imposta por togados e petistas, compôs nos anos 1970 a música “Cálice”, numa alusão ao silêncio forçado. Dizia numa das estrofes: “ Como é difícil acordar calado/ Se na calada da noite eu me dano/ Quero lançar um grito desumano/ Que é uma maneira de ser escutado/ Esse silêncio todo me atordoa/ Atordoado eu permaneço atento/ Na arquibancada pra a qualquer momento/ Ver emergir o monstro da lagoa”.
Enquanto o histérico Caetano Veloso e sua turma do dendê gritam hoje em shows “sem anistia” para os condenados do 8 de janeiro, o baiano tem no portfólio do seu passado de compositor libertário a música “É proibido proibir” de 1968, um hino à desobediência. “E eu digo não/ E eu digo não ao não/ Eu digo: É proibido proibir/ É proibido proibir”. Hoje, Caetano diz ‘sim’ às verbas públicas e só quer proibir quem o critica.
Paulinho da Viola, compositor de sambas críticos ao regime militar, pedia humildemente à censura para não cortar seus versos: “Tá legal, eu aceito o argumento. Mas não me altere o samba tanto assim”. E recomendava na música “Argumento” que o artista deve ser como um velho marinheiro durante o nevoeiro que tem que levar o barco devagar. Sua composição continua atual no regime autoritário de hoje, mas Paulinho da Viola sumiu da cena artística. Com o arbítrio não se dialoga ou pede favores, aprendeu o compositor.
A canção de protesto mais forte contra o regime militar veio do paraibano Geraldo Vandré, com a irônica “Pra dizer que não falei de flores”. Cantava que caminhando e cantando os brasileiros eram todos iguais e com braços dados ou não, exortando no palco “vem, vamos embora que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Fez a hora. Foi preso, exilado, voltou e ficou deprimido pela má recepção da esquerda. Mergulhou no ostracismo artístico.
Tudo o que vem acontecendo no Brasil autoritário de hoje é uma repetição do passado recente. Foi trocada a farda pela toga. E a bandeira até agora é vermelha. É isso.