Quinze dias após este blog cobrar da governadora Raquel Lyra (PSDB) notícias do seu cão adotivo, batizado, por ironia do destino, como Magno, por haver sumido das postagens dela pelas redes sociais, finalmente o animal de estimação reapareceu.
Para deleite dos que estavam saudosos do “Magno”, levado para ser adestrado em Caruaru pela sua dona adotiva, a governadora postou, há pouco, este simpático e “comovente” vídeo. Confira!
O ano legislativo no Congresso Nacional começa oficialmente no dia 2 de fevereiro e, no Senado, já há expectativa de apreciação de temas considerados sensíveis e de forte impacto social e político. Entre eles está a proposta que reduz a jornada semanal de trabalho para 36 horas, com garantia de dois dias de descanso remunerado, uma das 19 propostas de emenda à Constituição (PECs) que já estão aptas a entrar na pauta de deliberação da Casa. As informações foram publicadas no portal da Casa Alta.
Além da mudança nas regras trabalhistas, os senadores poderão discutir projetos que alteram o sistema político-eleitoral, como a PEC que extingue a reeleição para presidente da República, governadores e prefeitos no mandato imediatamente seguinte e unifica em cinco anos a duração dos mandatos no Executivo e no Legislativo. Também está pronta para análise a proposta que assegura a presença feminina nas Mesas Diretoras do Senado e da Câmara dos Deputados em proporção ao tamanho da bancada de mulheres em cada Casa.
As PECs alteram diretamente a Constituição Federal e podem ser apresentadas pelo presidente da República, por um terço dos deputados ou senadores, ou por mais da metade das assembleias legislativas estaduais. Para avançarem, precisam do apoio de três quintos dos parlamentares em dois turnos de votação: 49 votos no Senado e 308 na Câmara. No Senado, o rito exige cinco sessões de discussão antes do primeiro turno e três antes do segundo.
No campo das relações de trabalho, a PEC 48/2015, já aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), prevê a redução gradual da jornada semanal máxima, hoje fixada em 44 horas, até atingir o limite de 36 horas. O texto também substitui a escala 6×1 pela 5×2, garantindo dois dias consecutivos de descanso remunerado, preferencialmente aos fins de semana.
A transição ocorreria ao longo de quatro anos, sem redução salarial, mantendo o limite diário de oito horas e respeitando acordos coletivos de compensação. Para o autor da proposta, senador Paulo Paim (PT-RS), a mudança tende a melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e a organização do setor produtivo.
Outra proposta com grande repercussão política é a PEC 12/2022, que trata do fim da reeleição no Executivo. O texto amplia para cinco anos os mandatos de presidente, governadores, prefeitos e parlamentares e estabelece a unificação das eleições a partir de 2034. A versão aprovada na CCJ, relatada pelo senador Marcelo Castro (MDB-PI), também reduz o mandato dos senadores de oito para cinco anos e prevê que todos os 81 sejam eleitos no mesmo pleito a partir de 2039, com regras de transição. A justificativa central é reduzir as vantagens de quem ocupa cargos no Executivo e estimular a renovação política.
Na agenda institucional, volta ao debate a PEC 38/2015, que garante representação proporcional de homens e mulheres nas Mesas Diretoras e comissões permanentes e temporárias do Congresso Nacional. A proposta, de autoria da deputada Luiza Erundina (PSol-SP), busca enfrentar a histórica sub-representação feminina nos espaços de poder e assegurar, no mínimo, uma vaga para cada sexo nesses colegiados.
Também está pronta para votação a PEC 1/2019, que torna obrigatório o voto aberto nas eleições das Mesas do Congresso, reforçando o princípio da transparência. Na área penal, a PEC 54/2023 propõe tornar imprescritível o crime de tráfico de pessoas. Uma emenda aprovada na CCJ ampliou o alcance do texto para abranger vítimas de qualquer idade, diante dos altos índices de exploração, especialmente de mulheres, crianças e adolescentes.
Outras propostas aguardam definição de pauta pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), após consulta aos líderes partidários. Entre elas estão PECs que tratam da gratuidade do transporte em dias de votação, da distribuição de recursos da CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), do funcionamento de fundos públicos, da inclusão da segurança alimentar como direito fundamental, da educação inclusiva, das regras para militares da ativa concorrerem a cargos eletivos e da valorização por tempo de serviço de magistrados e membros do Ministério Público.
Faz 11 anos que o jornalista e escritor José de Souza Alencar, o Alex, natural de Água Branca, Alagoas, fez a “grande viagem”. Menino de origem humilde, o filho de Dona Sinhá (uma guerreira alagoana na melhor acepção da palavra) formou-se em Direito, foi crítico de cinema, assistente do filme “O Canto do Mar”, de Alberto Cavalcanti, colunista social, coordenador do concurso Miss Pernambuco, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras.
Eu sempre lia religiosamente sua coluna dominical no Jornal do Commercio e aprendi muito a refletir sobre a condição humana ao mergulhar em suas sábias crônicas. Tenho num álbum de recortes uma crônica de Alex, onde ele afirma: “É tão estranha a vida, tão curiosa. E a morte, com sua realidade imponderável, deve ser, será sem nenhuma dúvida, um momento de mais absoluta solidão. Sim, será a morte um momento de solidão, do homem sozinho consigo mesmo, se não tiver fé, se não tiver o conforto e o consolo subjetivo de que existe algo mais além da vida.”
Alex sabia que existia algo além da vida. O eterno menino de Água Branca, que completaria 89 anos de idade em 5 de agosto de 2015, seguiu na luz ao encontro de outra missão no dia 24 de janeiro de 2015.
*Advogado, poeta e editor da revista Timbaúba em Foco
O Gabinete de Segurança Institucionais (GSI) recolocou as grades de proteção no entorno do Palácio do Planalto neste sábado (24) como medida de segurança para a caminhada de protesto do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). A manifestação convocada pelo parlamentar em protesto à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e dos envolvidos no 8 de Janeiro completa neste sábado seis dias. O percurso de cerca de 240 km começou no interior de Minas Gerais e será finalizado em Brasília neste final de semana.
Em nota, o GSI afirmou que a medida integra protocolos de segurança do Palácio do Planalto. “O GSI informa que, em virtude da possibilidade de manifestações programadas em locais próximos à instalação presidencial, as grades são utilizadas como medida de reforço, conforme os protocolos de segurança”. As informações são do jornal O Globo.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) tem feito alertas pois vê riscos na aglomeração de pessoas durante o trajeto, e a reclamações sobre ferimentos feitas por participantes. Em nota, a corporação confirmou o envio de um ofício ao deputado que “destaca a necessidade de adoção de ações para mitigação de riscos à segurança, observada a responsabilidade do parlamentar na condição de organizador da caminhada”.
Ontem, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o governo do Distrito Federal remova os acampamentos montados nas proximidades do Complexo Penitenciário da Papuda. Em 15 de janeiro, Jair Bolsonaro foi transferido para o 19º Batalhão de Polícia Militar, prédio vizinho ao complexo e conhecido como “Papudinha”.
A decisão de Moraes atende ao pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), após um grupo de apoiadores instalar barracas no local, exibindo faixas pedindo anistia para o político.
Partidos de oposição no Distrito Federal protocolaram um pedido de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha, após ele ser citado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, nas investigações sobre a tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB).
Os pedidos foram apresentados pelo PSB-DF e pelo Cidadania-DF e também pelo PSOL. As legendas apontam supostos crimes de responsabilidade relacionados à atuação do governo local em operações envolvendo o banco público. Os partidos afirmam que houve “atuação temerária” do Executivo, com risco ao erário e violação de princípios da administração pública.
Entre os pontos citados estão a compra de títulos considerados de baixa qualidade e origem irregular, a criação de dívidas fora do orçamento, negociações sem transparência com o banqueiro e possível influência indevida do governador em decisões internas do BRB.
O governador nega. Em declarações à imprensa ontem (23), Ibaneis afirmou que nunca tratou da operação BRB–Master com Vorcaro e que todas as negociações foram conduzidas por Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB. Ele confirmou encontros sociais com o banqueiro, incluindo um almoço na casa de Vorcaro “organizado por um amigo em comum”, mas disse que não discutiu assuntos relacionados ao banco.
Ibaneis também afirmou que “tudo era conduzido” pelo ex-presidente do BRB, demitido após a deflagração de operações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público. Em 2024 e 2025, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master, transferências que são alvo de investigação por suspeita de gestão fraudulenta.
“Em momento algum nas quatro vezes que o encontrei tratei de assuntos relacionados ao BRB–Master. Entrei mudo e saí calado. O único erro meu foi ter confiado demais no Paulo Henrique [Costa]”, disse Ibaneis Rocha.
Acusações
Segundo as investigações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, o Banco Master teria vendido ao BRB cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras inexistentes, numa tentativa de evitar a quebra da instituição privada, que enfrentava crise de liquidez. O caso resultou na liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro.
O rombo estimado no BRB chega a R$ 4 bilhões. Segundo os jornais Folha de S.Paulo e Valor Econômico, o Banco Central (BC) determinou que o BRB faça um provisionamento (reserva para cobrir prejuízos) de pelo menos R$ 2,6 bilhões. Até agora, o BC não confirmou a informação.
Ex-executivos das duas instituições foram intimados a prestar depoimento no fim de janeiro e início de fevereiro. As apurações indicam falhas graves de governança e possíveis ilícitos administrativos nas operações.
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Vorcaro afirmou à Polícia Federal ter conversado “algumas vezes” com Ibaneis sobre as negociações. A informação veio a público após acesso da publicação ao depoimento prestado pelo banqueiro à PF em 30 de dezembro, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli.
Situação das apurações
As investigações indicam que, ao longo de 2025, o BRB tentou adquirir uma fatia relevante do Banco Master, iniciativa que contou com apoio do governo do Distrito Federal, acionista controlador do banco público, mas acabou barrada pelo Banco Central. Paralelamente, a Polícia Federal apura se o BRB comprou carteiras de crédito de alto risco da instituição privada, avaliando eventuais falhas nos processos internos de análise, aprovação e governança.
Em novembro, uma operação conjunta da PF e do Ministério Público afastou do cargo o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, posteriormente demitido. Além das apurações conduzidas por esses órgãos e pelo Banco Central, a nova gestão do BRB e uma auditoria independente também analisam as transações, mas ainda não divulgaram conclusões oficiais.
A empresa Auto Viação Progresso assumiu, neste sábado (24), as quatro linhas de ônibus que eram administradas pela Logo Caruaruense, ligada ao ex-governador e pai da governadora Raquel Lyra (PSD), João Lyra Neto. A Logo Caruaruense encerrou as atividades após a revelação de que não era fiscalizada há três anos.
A Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal (EPTI), que gerencia o sistema, informou por nota que assinará um Termo de Autorização e Compromisso para que a Progresso siga administrando as linhas. As quatro linhas são: Recife/Caruaru (executivo e convencional), Caruaru/Santa Cruz do Capibaribe, Caruaru/Bezerros e Caruaru/São Caetano.
Nas redes sociais, circulam vídeos do último dia de operação da Logo Caruaruense. Motoristas fizeram um buzinaço ao levar os ônibus para a garagem da empresa pela última vez. Em nota de anúncio do encerramento das atividades, a empresa informou que todos os funcionários receberão integralmente os direitos trabalhistas e que fará o pagamento dos tributos devidos.
Irregularidades e crise
Um relatório técnico da EPTI apontou que os veículos da Logo Caruaruense passaram pela última inspeção em 2022, ano em que Raquel Lyra foi eleita governadora. Os veículos devem ser submetidos a vistorias técnicas anualmente.
O Diário Oficial do Estado da última quarta-feira (21) trouxe a exoneração “a pedido” do então presidente da EPTI, Antônio Carlos Reinaux. Yuri Coriolano, que era secretário-executivo da Casa Civil, foi nomeado para a função.
A denúncia também motivou o pedido de impeachment de Raquel. O autor, deputado Romero Albuquerque (UB), argumenta que a governadora agiu com interesses pessoais ao liberar a Logo Caruaruense para transportar passageiros em situação irregular. Além disso, o Governo do Estado vinha subsidiando a transportadora.
O pedido será avaliado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Álvaro Porto (PSDB), que faz oposição à governadora.
Na terça (20), na reunião com prefeitos no Agreste, a governadora reagiu ao pedido de impeachment apresentado na Assembleia Legislativa. Ao discursar diante de 70 prefeitos e outras lideranças políticas na Assembleia Extraordinária da Amupe, Raquel afirmou que tem um legado de caráter e retidão na família e não tem qualquer receio de discutir qualquer assunto.
“Apresentaram um pedido de impeachment. A trajetória da minha família fala por mim. Eu não tenho nenhum receio de responder sobre tudo aquilo que diz respeito à minha vida e à minha gestão. Não tenho receio de falar sobre isso. Você pode olhar no meu olhar e saber que eu estou tranquila, que eu continuo tranquila, mas sabe o que é que não vão tirar o meu foco um minuto sequer? É daquilo que eu tenho pactuado com o povo de Pernambuco, é para o trabalho que eu tenho que entregar a esse povo. Não vou esmorecer, não vou chorar, não vou me desgastar”, declarou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem (23) que a política mundial atravessa um momento crítico, “com o multilateralismo sendo jogado fora pelo unilateralismo”. Durante o encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Salvador, Lula disse que a carta da Organização das Nações Unidas (ONU) está sendo rasgada e criticou a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criação de um Conselho de Paz. Para o presidente brasileiro, Trump quer criar uma nova ONU para ser o dono.
“Está prevalecendo a lei do mais forte, a carta da ONU está sendo rasgada e, em vez de a gente corrigir a ONU, que a gente reivindica desde que fui presidente em 2003, reforma da ONU com entrada de novos países [como membros permanentes no Conselho de Segurança], com a entrada de México, do Brasil, de países africanos… E o que está acontecendo: o presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU, em que ele sozinho é o dono da ONU”, afirmou Lula.
O presidente dos Estados Unidos convidou Lula para compor o chamado Conselho da Paz, que será criado para supervisionar o trabalho de um Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês).
Lula disse ainda que está telefonando para vários líderes mundiais para discutir o tema, entre eles o presidente da China, Xi Jinping; da Rússia, Vladimir Putin; o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi; e a presidenta do México, Claudia Sheinbaum.
“Estou conversando para fazer com que seja possível a gente encontrar uma forma de se reunir e não permitir que o multilateralismo seja jogado para o chão e que predomine a força da arma, da intolerância de qualquer país do mundo”, pontuou.
O presidente voltou a criticar a ação dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da deputada e primeira-dama, Cilia Flores.
“Eu fico toda a noite indignado com o que aconteceu na Venezuela. Não consigo acreditar. O Maduro sabia que tinha 15 mil soldados americanos no mar do Caribe, ele sabia que todo dia tinha ameaça. Os caras entraram na Venezuela, entraram no forte e levaram o Maduro embora e ninguém soube que o Maduro foi embora. Como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país? Não existe isso na América no Sul. A América do sul é um território de paz, a gente não tem bomba atômica”, disse.
Citando os Estados Unidos, Cuba, a Rússia e a China, como exemplos, Lula disse ainda que o Brasil não tem preferência de relação com qualquer país, mas que não vai aceitar “voltar a ser colônia para alguém mandar na gente”.
O presidente também criticou a postura de Trump, que, segundo ele, toda vez que aparece na televisão se gaba de ter o exército e as armas mais poderosas do mundo. Lula disse querer fazer política na paz, no diálogo e não aceitando imposição de qualquer país.
“Eu não quero fazer guerra armada com os Estados Unidos, não quero fazer guerra armada com a Rússia, nem com o Uruguai, nem com a Bolívia. Quero fazer guerra com o poder do convencimento, com argumento, com narrativas, mostrando que a democracia é imbatível; que a gente não quer se impor aos outros, mas compartilhar aquilo que a gente tem de bom”, defendeu. “Não queremos mais Guerra Fria, não queremos mais Gaza”, completou.
Encontro do MST
O 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) terminou com um ato marcando os 42 anos do MST, celebrados no dia 22 de janeiro e que contou com a presença de autoridades, parlamentares, representantes de movimentos sociais e sindicais, além de apoiadores do movimento.
O encontro, que começou na segunda-feira (19), reuniu delegações de todo o Brasil, com mais de 3 mil trabalhadores e trabalhadoras sem terra. Durante os cinco dias, membros do MST debateram reforma agrária, produção de alimentos saudáveis, agroecologia, agricultura familiar, a conjuntura política atual, seus desafios e o papel do movimento neste contexto.
Ao final, uma carta do movimento foi entregue ao presidente. No texto, o MST também critica a tentativa de impedir o avanço do multilateralismo e do imperialismo no continente, citando a invasão da Venezuela e o ataque à soberania dos povos. No documento, o movimento alerta que ações como essa têm como pano de fundo o “saque” de bens comuns da natureza como petróleo, minérios, terras raras, águas e florestas.
O texto reafirma ainda os princípios do movimento: a luta pela reforma agrária e pelo socialismo; a crítica ao modelo do agronegócio, da exploração mineral e energética; a luta anti-imperialista e o internacionalismo; além da solidariedade, em especial com a Venezuela, Palestina, Haiti e Cuba.
“Assim convocamos toda a sociedade brasileira para: – lutar por melhores condições de vida e trabalho e em defesa da paz e da soberania contra as guerras e as bases militares; avançar na luta em defesa da natureza e contra os agrotóxicos. Contamos com a participação de todos e todas que nos apoiam e à classe trabalhadora a se somarem na luta pela Reforma Agrária Popular, rumo à construção de outro projeto de país”, finaliza o documento.
Para surpresa de rigorosamente ninguém, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), foi vaiado por militantes do PT durante um evento institucional realizado nesta semana ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A reação do governador à violência retórica lulopetista no ato, no entanto, ofereceu a um país cansado de vandalismo político e analfabetismo cívico uma valiosa aula de civilidade e espírito público.
O episódio ocorreu em Rio Grande, no sul do Estado, durante cerimônia oficial do governo federal destinada à assinatura de contratos ligados à construção de navios para a Petrobras. As vaias começaram quando o nome de Leite foi mencionado pelo cerimonial, prosseguiram durante o discurso da prefeita da cidade, a petista Darlene Pereira, e se intensificaram quando o governador foi chamado ao microfone. Como se viu, Leite teve dificuldade para iniciar sua fala. E protestou conjugando serenidade e firmeza: “Este é o amor que venceu o medo? Não, né? Vamos respeitar, por favor. Estou aqui cumprindo meu dever institucional. Eu e o presidente fomos eleitos pelo mesmo povo. Somos diferentes. Mas a gente não precisa pensar igual”.
As manifestações hostis partiram de apoiadores do presidente e se repetiram ao longo da fala do governador, interrompendo seu discurso e constrangendo o ambiente — hostilidade dirigida a um chefe de Executivo estadual legitimamente eleito e convidado a participar de um ato que, em tese, deveria se ater aos limites republicanos da institucionalidade. A atitude de Leite, marcada pelo autocontrole e pela defesa do respeito às diferenças e à etiqueta republicana, contrastou com o mau comportamento de parte da plateia.
O episódio diz menos sobre o governador gaúcho do que sobre o estado de degradação cívica a que chegou parcela expressiva da militância política no Brasil, sobretudo a petista. O governador não foi vaiado por ter cometido um desvio administrativo, por afrontar a democracia ou por atacar adversários. Foi hostilizado simplesmente por existir politicamente fora do universo lulopetista, por representar uma alternativa que não se submete à liturgia do governismo militante. O constrangimento não foi do governador, mas de quem confundiu um ato oficial da República com um comício partidário.
O comportamento da militância do PT foi revelador. Ao hostilizar um governador em pleno exercício do cargo, num evento oficial, repetiu exatamente o padrão que o próprio partido diz combater: intolerância política, patrulhamento ideológico e tentativa de silenciar vozes dissonantes. Na prática, trata-se do mesmo impulso autoritário travestido de virtude moral, legitimado pela sensação de pertencimento ao campo “do bem”. Para o PT, democracia só vale quando se presta a aplaudir Lula.
Não deixa de ser sintomático que o próprio presidente tenha convertido o evento em palanque, exatamente o que Eduardo Leite disse que não deveria acontecer numa cerimônia estritamente institucional. Mas aí não tem jeito: trata-se da natureza de Lula. O presidente, ao contrário do governador, discursou em tom de campanha, recorreu a slogans eleitorais e falou diretamente à base militante. Fez, afinal, o seu comício de sempre. É verdade que o petista tentou contemporizar, fazendo algumas mesuras ao governador. E, não raro, tenta pregar a ideia de que a democracia exige convivência com quem pensa diferente. Seus gestos são protocolares diante de um discurso claramente eleitoral. Não se pode estimular a polarização como método e depois surpreender-se com seus efeitos colaterais. O tribalismo militante aprende pelo exemplo dos seus morubixabas, não pelas notas de rodapé.
O contraste entre os protagonistas é eloquente. De um lado, um governador que reafirma o valor das instituições, da civilidade e do pluralismo. De outro, uma militância que age como se a democracia fosse propriedade privada de um campo político.
Num Brasil exausto da política do grito e da permanente guerra moral, a atitude de Eduardo Leite aponta para uma alternativa cada vez mais rara: a de que é possível discordar sem destruir, competir sem desumanizar e fazer política sem transformar o adversário em inimigo. A lição está dada. Resta saber quem está disposto a aprendê-la.
A folia de Momo em Pernambuco também é palco para a disputa por visibilidade política de pré-candidatos ao governo estadual. Neste ano, as movimentações em torno da organização do Carnaval já deixam clara uma polarização entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), que podem se enfrentar nas urnas no pleito de outubro.
A disputa entre os gestores, que já vinha se desenhando nos últimos meses, ganhou mais uma nuance esta semana. No mesmo dia em que o prefeito João Campos realizou evento para divulgar a programação do Carnaval da cidade, que pode ser o seu último como gestor da capital, a governadora Raquel Lyra divulgou a campanha publicitária do carnaval do estado, inspirada no filme “O Agente Secreto”, que concorre em quatro categorias do Oscar.
O anúncio das indicações do longa-metragem ao prêmio também foi realizado no mesmo dia e acabou sendo celebrado tanto pela governadora quanto pelo prefeito.
Simbolismo
A convergência na data não passou despercebida e reforçou que a festa é também um espaço de afirmação política. Na visão do cientista político Alex Ribeiro, o simbolismo do Carnaval para a cultura pernambucana é enxergado como capital político importante pelos postulantes.
“O carnaval vai aparecer em rede nacional e, por vezes, internacional. Um político sabe desse alcance e quer criar uma associação direta, conectada com as tradições daqui e com a participação popular, a cultura local. Então isso é um capital simbólico bastante significativo”, avaliou.
A presença na folia também é vista como uma forma de medir a popularidade, e, além disso, reforçar alianças e demonstrar força de articulação. De acordo com Ribeiro, aparecer ao lado de outros políticos locais e nacionais é uma forma de mostrar força política. A visibilidade proporcionada pela ampla cobertura da mídia, tradicional e digital, faz cada movimento político reverberar ainda mais.
Nesse aspecto, eventos com grande participação popular, como o desfile do bloco Galo da Madrugada, considerado como maior agremiação carnavalesca do mundo, se torna uma obrigatoriedade quase institucional ao reunir políticos de todos os lados, até mesmo opositores.
“O galo, por si só, é um evento que é quase a obrigatoriedade de qualquer gestor público, seja prefeito, governador. Todos estão lá independentemente de ano eleitoral. E não só eles como as alianças deles. A mídia está bastante presente, gente de todo o país. Então, é significativo marcar presença”, reforça Alex Ribeiro.
Gestão
Outro aspecto que costuma ser explorado pelos gestores é a própria organização da festa, que tende a ser pensada como uma vitrine administrativa. A busca por uma festa com eficiência, segurança, atrações culturais que tenham o gosto da maioria dos foliões, entre outros aspectos, vão além de meros esforços de gestão.
“Eles vão mostrar no balanço como foram eficientes, quantos turistas trouxeram, quanto a economia conseguiu alavancar no período. Esse é um ponto significativo, a capacidade de gestão. Antes, perto do Carnaval, durante, e, principalmente, depois. Capacidade de gestão é um ativo eleitoral significativo’, considera ainda Alex Ribeiro.
A antecipação da disputa eleitoral também se reflete na possibilidade de o gestor poder circular pelos principais polos da folia. Isso porque, por ter o cargo de governadora, Raquel Lyra poderá se deslocar por todo o território pernambucano com facilidade, ampliando a visibilidade para além da capital.
Já o prefeito do Recife, apesar de comandar uma festa com projeção nacional, terá a circulação como anfitrião limitada à cidade. Isso não impede, porém, que João Campos atenda a convites de aliados de outras cidades, ampliando também a sua presença.
Imagem
O cientista político Alex Ribeiro considera, no entanto, que o carnaval por si só não é capaz de construir uma imagem política positiva para a eleição. Ele lembra que nos seis meses seguintes que antecedem a eleição, é preciso continuar mantendo o esforço para consolidar a imagem.
“O carnaval não sustenta o projeto político sozinho. É forte no início do ano eleitoral, ajuda lideranças a serem conhecidas, mas a continuidade política é significativa. Depois do carnaval ainda tem seis meses pela frente, então tem muita coisa”, explicou Alex Ribeiro.
Morreu, na manhã deste sábado (24), o fundador e presidente do conselho de administração da Gol, Constantino Júnior. O empresário da aviação tinha 57 anos e lutava contra um câncer há anos.
“Neste dia de enorme tristeza, a companhia se solidariza com os familiares e amigos, expressando seus sentimentos e reconhecendo seu legado”, afirma nota da Gol Linhas Aéreas Inteligentes.
Constantino Júnior e família iniciaram a Gol há 25 anos. “Os princípios estabelecidos por seu fundador fizeram a companhia crescer e hoje fazer parte de um grupo internacional”, acrescenta a empresa.
Além de ocupar a liderança na Gol, o empresário também era membro do Conselho de Administração e um dos fundadores do Grupo ABRA, uma holding de aviação que controla a Gol e a Avianca, companhia colombiana de aviação.
Constantino Júnior era filho do empresário Nenê Constantino e irmão do também empresário Henrique Constantino.
Apaixonado por aviação, ele fundou a Gol em 2001, assumindo o cargo de Diretor-Presidente (CEO) da companhia aérea. Em 2004, tornou-se membro do Conselho de Administração da empresa e, em 2012, assumiu o cargo de Presidente do Conselho de Administração.
Constantino Júnior também era apaixonado por automobilismo e foi piloto na Porsche GT3 Cup Challenge Brasil, chegando a vice-campeão na categoria em 2008, e campeão em 2011.
No percurso das férias, que se prolonga ao longo deste sábado pela paradisíaca e cultural Tiradentes, conheci, ontem, a casa na qual o ex-presidente Tancredo Neves morou em São João Del-Rei e também estive na casa em que Juscelino Kubitscheck nasceu e morou até os 16 anos, em Diamantina.
Que emoção! Sentei no batente da histórica casinha de JK e saí com este registro feito pela minha Nayla, que me acompanha junto com suas primas Tayse e Kelly Lira, esta com o esposo Cid Severo, de Sertânia.
Juscelino Kubitschek nasceu no dia 12 de setembro de 1902 na cidade de Diamantina, Minas Gerais. Oriundo de uma família humilde, estudou no seminário diocesano de Diamantina, dirigido por padres lazaristas. Em 1922, ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), concluindo em 1927.
Foi telegrafista até iniciar a carreira médica como interno na enfermaria da clínica cirúrgica da Santa Casa. JK especializou-se em urologia em Paris e, em 1931, tornou-se médico do Hospital Militar da Força Pública de Minas Gerais, atuando na Revolução Constitucionalista de 1932, onde conheceu Benedito Valadares.
Li sua biografia e por ele tenho profunda admiração. Quando chegou ao poder, uma das primeiras proposições políticas foi o lançamento do Plano Nacional de Desenvolvimento, chamado de Plano de Metas. Composto por 31 metas distribuídas entre energia, transporte, alimentação, indústria e educação, o Plano de Metas objetivava estimular a diversificação e o crescimento da economia brasileira, principalmente, em crescimento industrial.
A era JK foi marcada pelo lema “cinquenta anos de progresso em cinco de governo”. Durante o período desse governo, a produção industrial cresceu 80%, resultado de um amplo mercado interno, da capacidade de produção de ferro e de aço e pela disposição externa de investimento.
Apesar dos excelentes resultados na expansão industrial, a política econômica dos anos JK gerou contradições, como o favorecimento à concentração de capital, com a entrada de empresas multinacionais, que deixou poucas oportunidades para o pequeno capital. Durante o período presidencial, Juscelino pediu o fim do estado de sítio e aboliu a censura à imprensa.
Construiu as usinas hidrelétricas “Três Marias” e “Furnas”, em Minas Gerais, e gerou o aumento na produção de petróleo. Seu grande marco foi Brasília. A ideia de construir uma nova capital federal era o objetivo central do Plano de Metas do governo e marcou a história e a política brasileira.
A construção de Brasília foi uma das maiores obras do século XX. Em 1957, Oscar Niemeyer organizou um concurso para eleger quem formularia o plano-piloto de Brasília, no qual foi escolhido o projeto do urbanista Lúcio Costa.
A União Democrática Nacional (UDN) foi contra a transferência da capital nacional do Rio de Janeiro para Brasília, convocando uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar irregularidades na construção de Brasília, contudo essa CPI foi adiada.
Construída em tempo recorde, após mil dias de obras, Brasília foi inaugurada em 21 de abril de 1960, tornando-se um exemplo da arquitetura moderna. Considerada uma das obras mais importantes da arquitetura e do urbanismo contemporâneos, foi tombada pela Unesco e registrada como patrimônio histórico e cultural da humanidade.
Em 1961, Juscelino Kubitschek entregou o poder ao novo presidente eleito, Jânio Quadros. Com o fim de seu mandato, elegeu-se senador pelo PSD por Goiás. Posteriormente, disputaria mais uma vez a presidência da República, quando eclodiu o golpe de 1964.
JK teve seu mandato cassado pelo governo militar e os direitos políticos suspensos por dez anos. Kubitschek foi um dos formadores do movimento denominado “Frente Ampla”, que reunia políticos de renome em oposição ao regime militar.
Permaneceu exilado por alguns anos, retornando ao Brasil em 1967. Após a extinção da “Frente Ampla”, em 1968, Juscelino Kubitschek passou a dedicar-se à escrita de suas memórias. Em 1975, tornou-se membro da Academia Mineira de Letras.
Juscelino Kubitschek faleceu 22 de agosto de 1976, aos 73 anos, em um acidente automobilístico, na Rodovia Presidente Dutra, até hoje não esclarecido, o que levanta suspeitas de um atentado.
Ele passou de um momento a uma era. Está no caminho do trabalho, no trânsito, no elevador, no grupo da família, na notificação do celular, na conversa no bar, nas manchetes, nas redes sociais, nos palácios e nos barracos, nos gritos e nos sussurros “você viu o que aconteceu?” ou “você ainda está aí?”. O medo está em toda parte, em corações e mentes. Mergulhamos na era do medo industrializado, absoluto, solene e perene.
Antes, ele chegava em ondas: no jornal da manhã, no telejornal à noite. Agora é fluxo. A tecnologia criou o grande aquário da ansiedade, iluminado 24 horas por dia, borbulhando. Quem está dentro não dorme; cochila. A exceção agora é regra. Alerta virou rotina; prudência e paranoia se confundem. E o mundo, que sempre foi perigoso, agora parece estar à beira do apocalipse.
Urgência é modelo de negócio. A internet não premia a verdade, premia a audiência. E nada prende mais um ser humano do que a ameaça, a sensação de insegurança. O algoritmo é pastor do pânico: conduz seus rebanhos pela trilha programada, porque sabe que, na sua métrica, o medo vale mais que a esperança. A esperança exige tempo, comparação, paciência, sonho. O medo exige um clique. É rápido, instintivo, rentável, fecha a mente e faz a pessoa se entregar inteira. Nada é realidade, apenas barulho.
A grande mídia não inventou a tragédia. Mas integra o mercado da tragédia cotidiana, seja na Ucrânia, em Minneapolis, São Paulo, Rio, Paris ou Adis-Abeba. No mundo da concorrência brutal por cliques e audiência, a política só tem dois lados, a notícia virou espetáculo e o espetáculo vive de sangue, escândalo e desgraça. O fato passou a ter formato. Paz não rende, é invisível. A percepção coletiva se deforma e a violência chega até nós cada vez mais violenta, seja em filmes, séries, stories, memes, na política, no esporte ou na arte. Está sempre lá.
Entre o medo contemporâneo e o antigo há uma diferença essencial: antes era apenas emocional, agora é estrutural. Uma parte da sociedade teme menos o assaltante do que o mês que vem. Teme não ter dinheiro para o aluguel, o mercado, os boletos acumulando, o hospital que não atende, a escola que não ensina, o Estado que não chega, os impostos que não param de subir. Um medo que trabalha em silêncio como ferrugem. Carcomendo.
A insegurança econômica virou estilo de vida. Quando o futuro deixa de ser construção para virar aposta, a mente entra em modo sobrevivência. Difícil planejar, cooperar, confiar. Pressa agora é virtude. Cautela, desconfiança.
Crime é muito mais que o batedor de carteira ou o assaltante armado. É engrenagem a controlar territórios, mercados, transportes, gás, internet, água, votos, proteção e tem até tribunal próprio. Marcha à ré civilizatória. Homem lobo do homem. Violência administrada faz o cidadão falar baixo e aprender a ser cego. Mordaça coletiva. Não precisa prender jornalista, basta fomentar a sensação de que perguntar custa caro, como quem assopra brasas no leito da fogueira.
Confiança virou artigo de luxo. Terreno perfeito para a política do medo, o atalho mais antigo do manda quem pode e obedece quem tem juízo. No poder do medo, ou você está comigo ou com meu inimigo. Sem meio termo. Reto e direto. O inimigo pode ser o comunismo, o fascismo, o golpe, o sistema, o globalismo, o Estado policial, a ditadura do Judiciário, a ditadura militar, os diferentes, LGBTQIA+, não importa. O medo é a arma mais democrática que existe: serve a qualquer ideologia.
A indústria do medo vende soluções para si mesma. Seja grande ou pequeno, caro ou barato, fugaz ou duradouro. Na vitrine está o medo de perder a reputação, o que nesta era digital significa perder a identidade. Qualquer um é destruído em minutos pelo recorte fora de contexto, a acusação vazia ou mentira bem editada. O pavor de ser cancelado, exposto, ridicularizado, perseguido.
Medo agora é cultura, linguagem, hábito. Gente se alimentando dele vorazmente: é ruim, mas é energia imediata, adrenalina pura. Viver do medo e com medo. Há aqueles com medo de Trump, os que temem globalistas, fascistas, islamitas, Deus, o diabo e há os apavorados com a perversão e a pedofilia. Para aplacar temores, uns consomem barbitúricos, outros cocaína, muitos preferem álcool, uns poucos oram. E assim o mundo vai sendo conduzido por fantasmas.
Nesta época tão desgastante e cansativa, onde a contemplação perde para a ansiedade, o vício é estar sempre conectado, ligado, alerta. O medo é a essência do sistema. Move dinheiro, elege, dá e tira poder, vende produto, justifica abuso, sustenta narrativas, aprisiona corações, amores, afetos. Esvazia a inteligência coletiva. E uma sociedade emburrecida é uma sociedade de joelhos.
Aos poucos as pessoas começam a entender que é preciso domar o medo. Tratá-lo não como realidade absoluta, mas como parte dela. Entendê-lo como um sentimento tão humano quanto a coragem, o amor ou a alegria. Shakespeare escreveu que “de todas as paixões vis, o medo é a mais maldita”. Juscelino Kubitschek sabia disso quando disse que Deus o havia poupado do sentimento do medo. Não por acaso ele se tornou o símbolo dos anos dourados do Brasil.
Reeleição de Lula não está garantida, indicam pesquisas
Por Larissa Rodrigues – Repórter do blog
O presidente Lula (PT) afirmou, ontem (23), que, enquanto estiver vivo, “os cidadãos que ajudaram a destruir esse país não voltarão a governar”. A declaração foi dada em Maceió (AL), em cerimônia do Minha Casa, Minha Vida. Lula não citou o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas enfatizou que “essas pessoas” negaram a compra das vacinas contra a covid e prometeram “emprego, casa e comida e não deram”.
Embora lidere as intenções de voto na maioria das pesquisas, um levantamento divulgado pela Futura/Apex, na última quinta-feira (22), indicou que talvez Lula tenha um caminho mais difícil do que imagina, neste momento, na busca pelo quarto mandato como presidente. O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece como vencedor em um possível segundo turno.
De acordo com a pesquisa Futura/Apex, enquanto Flávio tem 48,1% das intenções de voto, o chefe do Executivo tem 41,9% — uma diferença de 6,2 pontos percentuais. O estudo também sugeriu que, no segundo turno, o presidente perderia em cenários contra Tarcísio de Freitas (RP-SP), Ratinho Jr. (PSD-PR) e Ronaldo Caiado (UB-GO).
O petista só venceria Romeu Zema (Novo-MG) e Eduardo Leite (PSD-RS). A pesquisa ouviu 2.000 brasileiros de 15 a 19 de janeiro deste ano. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais e para menos. O intervalo de confiança é de 95%.
Os números da Futura/Apex destoam de pesquisas como a Quaest, que, no primeiro levantamento do ano eleitoral, divulgado no último dia 14, apontou que, no segundo turno, Lula venceria todos os adversários, embora com margens diferentes. A disputa contra Tarcísio seria a mais apertada: cinco pontos de diferença (44% a 39%). Em dezembro, eram 10 pontos (45% a 35%). Em relação a Flávio Bolsonaro, segundo a Quaest, a vantagem de Lula é de sete pontos (45% a 38%). Em dezembro, era de dez pontos (46% a 36%).
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 8 e 11 de janeiro, com poucos dias de diferença da realização da pesquisa Futura/Apex. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
A pesquisa Futura/Apex aponta derrota de Lula, enquanto a Quaest indica uma leve queda do favoritismo do presidente, com a diminuição das distâncias em um eventual segundo turno. São sinais de que, mesmo estando na dianteira e com a direita ainda indefinida sobre qual nome vai unir todos os projetos, a corrida presidencial não pode ser considerada resolvida em favor de Lula.
Urnas – No mesmo discurso em Maceió, o presidente Lula mencionou as urnas eletrônicas e disse não existir “nada mais honesto” no Brasil, em uma referência às críticas de Bolsonaro e de aliados. “Se a urna eletrônica permitisse roubar, o Lulinha não seria presidente da República desse país. A elite brasileira já teria roubado há muito tempo”, declarou. O chefe do Executivo participou da entrega de unidades do Minha Casa, Minha Vida no Residencial Pedro Teixeira Duarte 1 e 2, em Maceió (AL). A cerimônia celebrou 2 milhões de moradias contratadas pelo programa desde 2023, batendo a meta estabelecida com um ano de antecedência, segundo o governo. As informações são do portal Poder360.
Por falar em Lula – O presidente Lula anunciou que concederá isenção de algumas categorias de vistos de curta duração a cidadãos chineses, em reciprocidade à medida de isenção adotada pela China desde 2025. Lula informou a decisão ao presidente da China, Xi Jinping, em conversa por telefone, na noite da última quinta-feira (22). Em nota divulgada ontem (23), o Palácio do Planalto explicou que a isenção ocorre no contexto da ampliação da cooperação em áreas da “fronteira do conhecimento”. As informações são da Agência Brasil.
Boas notícias para Ipojuca – O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (RP), anunciou, ontem (23), um pacote de investimentos em infraestrutura e pavimentação para o município de Ipojuca. Ao lado do prefeito Carlos Santana (RP) e da deputada estadual Simone Santana (PSB), o ministro detalhou ações para preparar o entorno do Porto de Suape para novos aportes, como o novo terminal de contêineres de R$ 1,6 bilhão da APM Terminals. Na reunião, também foi anunciado o investimento em 38 mil metros quadrados de vias contempladas.
Apoio a Dueire – O prefeito de Ibimirim (Sertão), Welliton Siqueira (PSDB), formalizou apoio à reeleição do senador Fernando Dueire (MDB), destacando o trabalho e o empenho do parlamentar em favor do município e de toda a região. A decisão reforça a parceria construída ao longo do mandato. “Fernando Dueire é um senador trabalhador, que olha para Ibimirim, que conhece nossas necessidades e que tem compromisso verdadeiro com a cidade e com o povo. Além disso, é um homem honesto, correto, que faz política com seriedade e respeito aos municípios”, afirmou Welliton Siqueira.
Causa animal – O deputado estadual Romero Albuquerque (UB) criticou, nas redes sociais, a decisão da governadora Raquel Lyra (PSD) de promover uma vaquejada na Arena Pernambuco. A final do Campeonato Nacional de Vaquejada está marcada para novembro de 2026. “O Governo de Pernambuco, que não investe nada na causa animal, que criou uma secretaria que levou anos para fazer quase nada, ou melhor, nada, que abandonou cachorro dentro de presídio que está desativado, que não investe na única delegacia que investiga todos os crimes de maus-tratos contra animais em Pernambuco, agora decidiu fazer história. A Arena de Pernambuco vai virar palco de circuito de vaquejada”, disparou.
CURTAS
Mais uma baixa no PL 1 – O deputado estadual Renato Antunes confirmou sua saída do PL para se filiar ao Partido Novo durante a janela partidária, com previsão para 12 de março. Segundo o parlamentar, a decisão foi construída ao longo de meses e fortalece o campo da direita em Pernambuco.
Mais uma baixa no PL 2 – Renato reafirmou apoio à pré-candidatura de Anderson Ferreira ao Senado e disse que a mudança de sigla foi muito bem construída com André Ferreira e com o próprio Anderson, líderes do PL. Antunes agradeceu a acolhida do Novo, na pessoa do presidente estadual Técio Teles.
Alepe Cuida – Em dois dias de ação, o programa Alepe Cuida realizou, em Abreu e Lima, na Região Metropolitana, 3.923 atendimentos em diversas especialidades médicas e serviços de cidadania. Os moradores tiveram acesso a consultas de dermatologia, clínica geral, ginecologia, otorrino, urologia e odontologia.
Perguntar não ofende: Lula vai conseguir manter a vantagem nas intenções de voto até outubro?