Diego Cabral (Republicanos) foi eleito prefeito de Camaragibe com 41.603 mil votos, o que representa 45,40%. Jorge Alexandre (Podemos) terminou em segundo lugar com 33.114 mil votos e o percentual de 36,13%. Segundo o TRE-PE, 99,14% das urnas foram apuradas.
Por Jorge Henrique Cartaxo* Especial para o Correio Braziliense
O Hotel Cassino Higino, em Teresópolis, foi, durante a Era Vargas, um dos recantos cultivados pela elite do Rio de Janeiro e, de certa forma, de todo o país. Esplendoroso como o Copacabana Palace e o Palácio Quitandinha, em Petrópolis, o Higino — todo feito em estilo enxaimel — oferecia, comme il faut, luxo e sociabilidade.
Foi no Higino — entre os dias primeiro e seis de maio de 1945 — que se realizou a Primeira Conferência das Classes Produtoras brasileiras (I Conclap). Aquele encontro histórico tinha boas e claras inspirações. No almoço daquele domingo de maio de 1945, enquanto as elites empresariais brasileiras encerravam a conferência contemplando as montanhas da Serra dos Órgãos, os canhões começavam a silenciar na Europa.
Iniciavam-se ali os dois pilares que marcariam a macropolítica mundial nas décadas seguintes: a Guerra Fria (a divisão geopolítica do mundo entre os EUA e a União Soviética) e o Welfare State (o Estado de Bem-Estar Social), que iria definir a reconstrução da Europa com o Plano Marshall e, apesar das institucionalizações distintas, orientar as políticas macroeconômicas no Ocidente.
Em 35 páginas, subscritas por mais de duas centenas de empresários (comerciantes, industriais e produtores rurais) de todo o Brasil, na “Carta Econômica de Teresópolis”, aprovada no I Conclap, a elite empresarial brasileira se colocava, com rara lucidez, como protagonista da reorganização da economia e do Estado brasileiro.
Diante das mudanças e dos desafios do pós-guerra, apresentava o seu entendimento sobre o Estado de Bem-Estar Social e como se posicionaria na Guerra Fria, já em curso. Definia-se ali o que iria prevalecer na Constituinte de 1946, no desenvolvimentismo da década de 1950, no governo de Juscelino Kubitschek (1956–1960) e, ainda que indiretamente, na sua meta-síntese: a construção de Brasília.
Em setembro de 1946 seriam criados o Senac — Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial — e o Sesc — Serviço Social do Comércio. A recém-criada Federação Nacional do Comércio divulgou ainda, nos termos da Carta de Teresópolis, a também histórica Carta da Paz. Nascia um dos mais distintos e exitosos sistemas de serviço social de todo o mundo.
O Sesc instala-se em Brasília em 1967, com a realização de diversos cursos e a promoção das Bibliotecas Ambulantes. Em seguida, depois da inauguração da unidade de Taguatinga, organiza uma programação de férias para crianças, com foco nos amplos espaços de uso comum da cidade. Em 1973, o Sesc realiza a primeira Semana da Criatividade de Brasília, com apresentações musicais, peças teatrais e dança. Em 1974, na Praça 21 de Abril — nas quadras 707/708 Sul —, teve lugar a Primeira Feira do Livro de Brasília. No mesmo período, realizou-se também o primeiro Encontro de Livreiros, Bibliotecários e Escritores da cidade.
A partir daí, as Unidades Móveis do Sesc intensificaram suas atividades culturais, recreativas e esportivas nas cidades-satélites. Em Planaltina, essa integração inspirou a criação do Museu da Cidade, em 1974. Hoje, no velho casarão que pertenceu à família do líder político local e ex-primeiro presidente da Câmara Legislativa de Brasília Salviano Guimarães, está instalado o Museu de Planaltina.
Em 1974, entra em cena a diligente Maria de Souza Duarte, então chefe da Coordenação Socioeducativa, responsável pela redefinição e uso do Núcleo de Treinamento e Recreação (Nutre), na 913 Sul, ainda em fase de construção. Ampliavam-se, na capital, sob a coordenação do Sesc, as festas e espetáculos nos fins de semana; oficinas de teatro, música, cinema, artes plásticas, literatura e artesanato; além de encontros, debates e seminários.
Depois de sua experiência parisiense, em 1976, quando participou de seminários, cursos, visitas e estágios em Casas de Cultura na França, Maria de Souza Duart convidou Chico Expedito, Humberto Pedrancini, Nivaldo Silva e Michel Bongiovanni para elaborarem o projeto que transformaria a garagem do Sesc 913 Sul em um espaço teatral.
No dia 28 de janeiro de 1978, na primeira página do Caderno 2, o Correio Braziliense comunicava a Brasília: “Teatro Grande — uma nova proposta cultural” era o título da matéria de página inteira. Na legenda da foto da garagem do Sesc em reforma lia-se: “Hoje, uma garagem vazia. Amanhã, um Teatro Garagem”.
Finalmente, no dia 5 de julho de 1979, com a peça A capital da esperança, trabalho de criação coletiva do grupo Carroça, dirigido por Humberto Pedrancini, o Teatro Garagem foi inaugurado em grande estilo. O primeiro texto teatral brasiliense que olhava para a história da própria cidade. O impacto e o sucesso foram extraordinários.
Existe uma cultura candanga? Essa indagação, tão comum no incipiente meio artístico da cidade a partir da segunda metade da década de 1970, havia sido posta, como construção, na UnB entre 1960 e 1968; depois, como resistência, na fundação do Teatro Galpão (Galpazinho), inaugurado em junho de 1975; agora encontrava o espaço que lhe daria os traços de sua primeira identidade perceptível: o Teatro Garagem.
A partir dali os novos — e ainda tateantes — movimentos culturais e políticos da cidade teriam, direta ou indiretamente, uma interlocução privilegiada com o Teatro Garagem: o teatro amador, o cineclubismo, o Cuca (Centro Universitário de Cultura e Arte), o Concerto Cabeças, as bandas de rock, o choro; os movimentos negros, feminista, da terceira idade, LGBTQI+, literário e político.
*Jornalista, mestre em História pela Universidade Paris-Sorbonne, sócio fundador do Instituto Histórico do Tocantins, sócio correspondente do Instituto Histórico de Goiás e diretor de Relações Institucionais do IHG-DF.
A 57ª edição da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém registrou um aumento significativo no público oriundo das regiões Sudeste e Sul do país. Segundo dados de uma pesquisa realizada pela organização, o percentual de visitantes dessas regiões dobrou, passando de 7% na estreia do ano passado para 15% neste ano. Esse crescimento é um indicativo do crescente interesse nacional pelo espetáculo, que atraiu cerca de 10 mil espectadores na noite de ontem (28), no maior teatro a céu aberto do mundo.
Robinson Pacheco, coordenador geral do evento, celebrou o entusiasmo do público, que pôde vivenciar uma apresentação com forte carga dramática e inovações tecnológicas. O espetáculo, além de contar com um elenco de peso, proporcionou uma cena final da ascensão de Jesus aos céus que deixou a audiência emocionada. Esta inovação foi aprovada por 28% dos entrevistados na pesquisa. As informações são do Giro Blog.
Os personagens da trama foram interpretados por renomados artistas da dramaturgia nacional, como Dudu Azevedo no papel de Jesus, Beth Goulart como Maria, Marcelo Serrado como Pilatos e Carlo Porto como Herodes. Juntos, eles atuaram em nove cenários monumentais, acompanhados por centenas de figurantes e talentosos artistas pernambucanos, que apresentaram cerca de 2 mil figurinos produzidos com rigor histórico.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, pediu ontem (28) que governos e instituições estrangeiras acompanhem o processo eleitoral brasileiro e façam “pressão diplomática” para garantir o que chamou de eleições livres e justas. A declaração foi feita durante discurso na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), no Texas.
“Meu apelo aqui, não só aos Estados Unidos, mas a todo o mundo livre, é este: observem as eleições do Brasil com enorme atenção, entendam o nosso processo, monitorem a liberdade de expressão do nosso povo e apliquem pressão diplomática para que nossas instituições funcionem corretamente”, disse Flávio, sem especificar a que tipo de “pressão diplomática” se referia. As informações são do jornal O Globo com o UOL.
O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro ressaltou que não quer interferência nas eleições brasileiras, mas acompanhamento externo para assegurar que “a vontade do povo seja preservada”. Flávio condicionou o resultado eleitoral à liberdade nas redes sociais e à contagem dos votos. “Se o nosso povo puder se expressar livremente nas redes sociais e se os votos forem contados corretamente, nós vamos vencer”, disse.
Ao longo do discurso, o senador criticou o sistema político e judicial brasileiro e afirmou que seu pai foi condenado por motivos políticos. Disse que Bolsonaro é o maior líder político do Brasil e está preso “por defender nossos valores conservadores”. Flávio não mencionou que a condenação foi por tentativa de golpe de Estado.
Jair Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses. Na denúncia, a Procuradoria-Geral da República (PGR) citou que o ex-presidente e outros sete aliados tentaram derrubar a democracia e impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entre o fim de 2022 e o início de 2023. O STF entendeu que Bolsonaro é culpado por todos os cinco dos quais era acusado: golpe de Estado; tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito; organização criminosa armada; dano qualificado contra patrimônio da União; e deterioração de patrimônio tombado.
Flávio, no discurso, associou o governo do presidente Lula ao avanço do crime organizado e criticou a atuação do país na área de segurança. Em um dos principais pontos da campanha da direita brasileira, retomou a defesa da classificação de CV e PCC como organizações terroristas pelos EUA. A causa tem mobilizado o irmão Eduardo há meses, em conversas junto a autoridades em Washington. O governo Lula se opõe à medida porque vê na classificação potencial pretexto para ataques militares dos EUA em território brasileiro ou aplicação de sanções financeiras contra empresas do país, além de interferência em um assunto referente à soberania nacional.
“Ele [Lula] usou lobby pesado com certos conselheiros americanos para evitar que os dois maiores cartéis de drogas do Brasil fossem classificados como organizações terroristas. Sim, o presidente do meu país faz lobby nos EUA para proteger organizações terroristas que oprimem meu povo e exportam armas, lavam dinheiro e exportam drogas para os Estados Unidos e o mundo”, disse Flávio, em referência às conversas recentes sobre o assunto entre o chanceler brasileiro Mauro Vieira e o secretário de Estado Marco Rubio. O governo Lula tem proposto uma parceria com Trump para combater a lavagem de dinheiro do crime organizado brasileiro nos EUA e coibir a importação de armas por esses grupos de fornecedores americanos. Lula pretende visitar Trump na Casa Branca. A expectativa era que o encontro acontecesse em março, mas o governo americano ainda não definiu uma data.
Na área econômica e geopolítica, o senador destacou o papel estratégico do Brasil para os EUA, especialmente no fornecimento de minerais críticos. Disse que o país pode ajudar a reduzir a dependência americana da China, que hoje domina a produção e o processamento de terras raras.
Ele também criticou a política externa do governo Lula, que classificou como contrária aos interesses americanos, afirmou que o Brasil se aproximou da China e de países como Irã e Cuba e associou o presidente brasileiro ao venezuelano Nicolás Maduro.
Flávio encerrou a intervenção, salpicada de referências religiosas, prometendo que estaria de volta ao palco da CPAC no ano que vem, mas como presidente do Brasil. “Trump 2.0 está sendo muito melhor que Trump 1.0, certo? Bolsonaro 2.0 também será muito melhor, graças à experiência adquirida durante a presidência do meu pai. E os EUA também terão seu aliado de volta”, afirmou, prometendo construir a “maior aliança conservadora do continente” na história caso seja eleito.
A participação no evento ocorre no momento em que Flávio intensifica a agenda internacional como pré-candidato. O CPAC é um dos principais fóruns do movimento conservador nos Estados Unidos e reúne lideranças políticas alinhadas à direita global.
André de Paula será empossado ministro da Agricultura, na próxima terça-feira (31), em ato reservado no Palácio do Planalto, comandado pelo presidente Lula (PT). Na quarta-feira, ele transmitirá o cargo ao sucessor Édipo Araújo, pela manhã, e à tarde substituirá Carlos Fávaro, que estava no cargo também por indicação do PSD.
O pernambucano está à frente do Ministério da Pesca e Aquicultura desde 2023, mas o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, cobrava um espaço melhor para André de Paula. Carlos Fávaro é senador e foi exonerado para votar na CPMI do INSS e tentará a reeleição neste ano. As informações são do Blog Dantas Barreto.
O deputado estadual Romero Albuquerque anunciou sua filiação ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), legenda do prefeito do Recife e pré-candidato ao governo de Pernambuco, João Campos. A confirmação veio pelo próprio João Campos, que publicou nas redes sociais uma postagem em colaboração com Romero e sua esposa, a vereadora Andreza Romero, que já integra o PSB. “Me filio ao PSB porque acredito no projeto de João Campos para Pernambuco. Um projeto sério, comprometido com as pessoas e com os animais”, disse o deputado.
Nas últimas semanas, o União Brasil, partido que Romero deixa, declarou apoio à governadora Raquel Lyra. Romero tem protagonizado uma série de embates com a gestão Raquel Lyra na Alepe: foram dele as denúncias sobre irregularidades no contrato da Cetus Construtora com a Secretaria de Educação, da suspensão de cirurgias eletivas no sistema estadual de saúde, do superfaturamento de cirurgias de castração, e o pedido de impeachment da governadora pelo esquema de favorecimento à Logo Caruaruense, empresa de transporte do pai da governadora que circulava irregularmente e sem vistorias desde o início da atual gestão.
Para Romero, portanto, a filiação não é apenas uma mudança de legenda, é a formalização de um posicionamento que já vinha sendo construído nas tribunas da Alepe.
A pauta da causa animal também fortalece o vínculo com o projeto de João Campos. Recentemente, o prefeito e o casal inauguraram o Hospital Veterinário 24 horas no Recife e anunciaram outras políticas de proteção e bem-estar animal. “Estamos com João Campos desde a eleição em 2020. O que construímos desde então não são ações de campanha, mas políticas permanentes, que existem independente do calendário eleitoral. É isso que separa quem governa com responsabilidade”, concluiu Albuquerque.
A primeira fotografia mais ampla da corrida pelo Governo do Rio Grande do Norte em 2026 mostra um cenário de pré-campanha já configurado, mas ainda longe de definição. Na pesquisa estimulada, em que os nomes dos pré-candidatos são apresentados ao entrevistado, Álvaro Dias (PL) aparece na liderança com 30,8% das intenções de voto, seguido por Allyson Bezerra (UP), com 27,2%. Em seguida vêm Cadu Xavier (PT), com 10,8%, e Robério Paulino, com 2,1%. Brancos e nulos somam 6,3%, enquanto 22,8% disseram não saber ou preferiram não responder.
Evolução dos números
Na comparação com a rodada anterior, realizada em dezembro de 2025, o movimento mais importante é o crescimento de Álvaro Dias e a retração de Allyson Bezerra. Álvaro sobe de 25,7% para 30,8%, avanço de 5,1 pontos percentuais, enquanto Allyson recua de 31,8% para 27,2%, queda de 4,6 pontos.
Cadu Xavier também cresce, saindo de 9% para 10,8%, e Robério Paulino passa a pontuar com 2,1%. Ao mesmo tempo, o índice de não sabe/não respondeu cai de 29,1% para 22,8%, o que sugere alguma acomodação inicial do eleitorado em torno dos nomes já postos no debate público. Em outras palavras, parte da indefinição começa a se converter em intenção de voto, e essa conversão, neste momento, favorece mais Álvaro do que os adversários.
Probabilidade de voto e rejeição
A pesquisa também mediu a probabilidade de voto e rejeição, indicador importante para avaliar o potencial de crescimento e os limites de cada pré-candidato. Nesse bloco, Álvaro Dias e Allyson Bezerra aparecem novamente em patamar semelhante.
Entre os entrevistados, 29,3% dizem que com certeza votariam em Álvaro, e 11,8% afirmam que poderiam votar nele. Somados, os dois índices levam seu potencial de voto a 41,1%. Já 21,9% dizem que não votariam nele de jeito nenhum, 13,9% afirmam não conhecê-lo o suficiente para avaliar e 24,0% não souberam ou não responderam.
No caso de Allyson, 27,2% dizem que votariam com certeza e 13,9% afirmam que poderiam votar, o que lhe dá potencial de 40,5%. Já sua rejeição direta está em 19%, com 14,1% dizendo não conhecê-lo o suficiente e 26,3% sem resposta.
Cadu Xavier, por sua vez, registra 8,8% de voto certo e 14,0% de voto possível, alcançando potencial de 22,8%, mas enfrenta rejeição mais elevada, de 32,2%, além de 22,0% de eleitores que dizem não conhecê-lo o suficiente.
Já Robério Paulino aparece com 1,6% de voto certo e 4% de voto possível. Ele tem 17,2% de rejeição e um índice elevado de desconhecimento: 34% afirmam não conhecê-lo o suficiente para avaliar, enquanto 43,2% não souberam responder.
Cenário espontâneo
No cenário espontâneo, que é o primeiro apresentado ao eleitor, o entrevistado é perguntado sobre sua preferência sem o auxílio de uma lista com prováveis candidatos. Neste cenário, Allyson Bezerra permanece na liderança, marcando 15,5% diante dos 15,4% de Álvaro Dias, em empate absoluto dentro de qualquer leitura estatística.
Cadu Xavier aparece com 6,6%, Styvenson Valentim com 3,4%, Ezequiel Ferreira com 1,3% e Walter Alves com 0,6%. Brancos e nulos somam 7,4%, mas o principal dado é o percentual de 49,8% de não sabe ou não respondeu.
2º turno
Os cenários de segundo turno mantêm a lógica de disputa aberta observada no primeiro. No confronto entre Álvaro Dias e Allyson Bezerra, Álvaro tem 38,2% e Allyson, 35,9%, com diferença de 2,3 pontos percentuais, o que também configura empate técnico dentro da margem de erro. Nesse cenário, 16,3% não sabem ou não respondem e 9,6% declaram branco ou nulo.
Nos demais cenários testados, Álvaro Dias abre vantagem mais ampla. Contra Cadu Xavier, ele marca 38,5%, ante 21,6% do adversário. Ainda assim, chama atenção o tamanho da indefinição: 29,8% não sabem ou não respondem, e 10,1% indicam branco ou nulo.
No cenário entre Allyson Bezerra e Cadu Xavier, Allyson também abre importante vantagem, somando 37% contra 23% de Cadu, com 30,8% de não sabe/não respondeu e 9,2% de branco ou nulo.
A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número RN-07240/2026. O levantamento foi realizado pelo Media Inteligência em Pesquisas, contratado pela Potengi Comunicação Ltda. Foram ouvidos 2.000 eleitores entre 23 e 26 de março de 2026, em 82 municípios do Rio Grande do Norte. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Nos últimos anos, tornou-se comum nas redes sociais a exibição de imagens impactantes por parte de profissionais da odontologia: bocas mutiladas, dentes em estado avançado de deterioração, dentaduras, pacientes desdentados ou em condições de extrema vulnerabilidade. Publicações que, muitas vezes, são apresentadas sob o argumento de “antes e depois”, “conscientização” ou “resultado clínico”, mas que levantam uma questão incontornável: até que ponto isso é informação e a partir de quando se torna exploração?
A fronteira entre educação e sensacionalismo parece cada vez mais tênue. O que se vê, em muitos perfis profissionais, é espetacularização da miséria bucal. Imagens cruas, por vezes degradantes, são utilizadas como estratégia de engajamento, convertendo sofrimento humano em moeda de visibilidade digital.
Não se trata de negar o valor científico ou educativo de casos clínicos. A odontologia, como ciência da saúde, exige registro, estudo e compartilhamento de experiências. O problema reside na forma, no contexto e, sobretudo, na intenção. A lógica algorítmica das redes sociais baseada em impacto visual e choque tem influenciado práticas que deveriam ser regidas por princípios éticos, não por métricas de curtidas.
Surge, então, um questionamento legítimo. Onde está o compromisso com a dignidade do paciente? Ainda que haja consentimento formal, é preciso refletir sobre a assimetria existente na relação profissional-paciente. O indivíduo exposto, muitas vezes em situação de fragilidade social ou econômica, compreende plenamente o alcance daquela divulgação? Está ciente de que sua imagem pode circular indefinidamente, sujeita a julgamentos, ridicularizações ou estigmatização?
Nesse cenário, causa estranheza o silêncio — ou, no mínimo, a atuação tímida dos Conselhos Regionais e do Conselho Federal de Odontologia. Órgãos que têm, entre suas atribuições, zelar pela ética e pela dignidade da profissão. A regulamentação existe, mas sua aplicação parece irregular diante da crescente banalização dessas práticas.
A omissão institucional, quando percebida pela sociedade, corrói a credibilidade da categoria. Afinal, se a própria entidade fiscalizadora não atua de forma firme, que mensagem está sendo transmitida? Que vale tudo em nome da autopromoção?
É urgente retomar o debate ético com profundidade. A odontologia não pode se permitir cair na armadilha da desumanização. Pacientes não são vitrines. Não são “cases de marketing”. São pessoas com história, dignidade e direito à preservação de sua imagem.
Mais do que nunca, é necessário que os Conselhos assumam um papel ativo, não apenas punitivo, mas também educativo. Que estabeleçam diretrizes claras, fiscalizem com rigor e promovam uma cultura profissional alinhada aos princípios da bioética. A saúde não pode ser transformada em espetáculo. E a dor, muito menos, em propaganda.
Dei uma de intruso na Maratona do Frevo, há pouco, pelas ruas do Recife Antigo e cumpri minha jornada diária de 8 km. Nem sabia que seria hoje. Só percebi quando cheguei no Recife Antigo e encontrei uma multidão de corredores.
Conhecida como “Maratona Internacional do Frevo”, a largada foi no Cais da Alfândega, com percursos de 5km, 10km, 21km (Meia) e 42km (Maratona), com trajetos planos e rápidos que unem o Recife e Olinda, passando por pontos históricos, áreas litorâneas e com forte presença cultural.
Dormir bem não é apenas uma questão de “descanso” ou luxo; é uma necessidade biológica fundamental que atua como a espinha dorsal da nossa regulação emocional e cognitiva. Quando negligenciamos o travesseiro, não estamos apenas ficando cansados, estamos comprometendo a química do nosso cérebro.
Aqui está uma visão detalhada de como essa relação funciona:
O cérebro em repouso: mais do que desligar
Durante o sono, especialmente na fase REM (Rapid Eye Movement), o cérebro processa experiências emocionais e consolida memórias. É como se houvesse uma “limpeza neuroquímica” que organiza as informações do dia e reduz a carga de estresse. Sem sono adequado, a comunicação entre o córtex pré-frontal (o centro lógico do cérebro) e a amígdala (o centro do medo e das emoções) é prejudicada.
Na ausência do sono: A amígdala torna-se hiper-reativa. Isso explica por que ficamos mais irritáveis, ansiosos ou propensos a explosões emocionais após uma noite em claro.
O ciclo de feedback negativo
A relação entre sono e saúde mental é bidirecional. Isso significa que:
Problemas de saúde mental (como depressão e ansiedade) dificultam o ato de dormir.
A privação de sono agrava os sintomas de transtornos mentais preexistentes ou aumenta o risco de desenvolvê-los.
Impactos diretos da má qualidade do sono
Dicas para uma higiene do sono eficaz
Para proteger sua saúde mental, é preciso tratar o sono como uma prescrição médica:
Consistência é rei: Vá para a cama e acorde no mesmo horário todos os dias, inclusive nos fins de semana. Isso regula seu ritmo circadiano.
Desconexão digital: A luz azul dos smartphones inibe a produção de melatonina. Tente ler um livro físico 30 minutos antes de dormir.
Ambiente adequado: O quarto deve ser um “santuário” — escuro, silencioso e, preferencialmente, com uma temperatura amena.
Cuidado com estimulantes: Evite cafeína após as 14h e o uso de álcool à noite (que, embora ajude a pegar no sono, destrói a qualidade das fases profundas do descanso).
Se você sofre de insônia crônica ou se sente constantemente exausto mentalmente, não hesite em procurar um profissional de saúde. Às vezes, o que parece ser “apenas cansaço” pode ser o sinal de alerta de algo que precisa de suporte terapêutico ou médico.
*Médico com Pós Graduação em Psiquiatria e Neurologia Clínica
O tempo, temática da crônica deste domingo, é o senhor da razão, aprendi com meus sábios pais, que Deus já levou cada um no seu tempo, primeiro minha flor Margarida, depois Gastão, meu conselheiro, amigo e companheiro de todas as horas, quase dez anos depois. Aceitei e compreendi ainda mais o tempo da vida.
Na Bíblia já havia aprendido que há tempo para tudo. A palavra de Deus nos diz no livro de Eclesiastes que há um tempo para cada coisa debaixo do sol: tempo de plantar, de colher, de nascer, de viver e de morrer.
Li muito ainda sobre o tempo devorando os clássicos da literatura do movimento modernista à luz de candeeiro em Afogados da Ingazeira, minha terra natal. Lá, garoto de pés descalços, a luz elétrica de um velho motor a querosene nos enfiava no mundo das trevas por volta das 22 horas. O companheiro para iluminar meus olhos que comiam livros era o candeeiro, muitas vezes um lampião e até velas que hoje romantizam os encontros de enamorados em restaurantes chiques.
O passar dos anos nunca me fez infeliz, porque aprendi que o tempo envelhece o corpo, mas não envelhece a emoção de viver em toda plenitude cada momento. Dentre os clássicos, nunca esqueci Machado de Assis: “O tempo é um rato roedor das coisas, que as diminui ou altera no sentido de lhes dar outro aspecto”.
Cada segundo é tempo para mudar tudo para sempre, aprendi depois com o eterno Charles Chaplin. Mas foi a Mário Quintana que recorri também para compreender a velocidade do tempo, o ir e vir, as mutações da lua e do sol.
“O mais feroz dos animais domésticos é o relógio de parede: conheço um que já devorou três gerações da minha família”, escreveu ele. Quintana foi um dos principais expoentes da segunda geração do modernismo brasileiro. Conhecido como “o poeta das coisas simples”, sua obra é marcada pela linguagem simples e pela abordagem de temas cotidianos e contemplativos.
Ele dizia que o tempo é a moeda da vida. “É a única moeda que você tem e só você pode determinar como ela será gasta”, escreveu. Com ele, se aprende também que não se deve esconder nada, porque o tempo vê, escuta e revela tudo. O tempo é o que vivemos aqui e agora. Ele prova que a vida é uma jornada, com começo, meio e fim. É de Victor Hugo, romancista francês, a maior de todas as lições do tempo: não só cura, mas também reconcilia.
Em muitas crônicas, cito Cora Coralina, porque ela era maravilhosa, curta e dura: “Todos estamos matriculados na escola da vida, onde o mestre é o tempo”. Que lindo! É dela também o ensinamento de que o tempo de Deus é diferente do nosso e que temos que aprender a esperar. Para ela, o tempo não para nem volta atrás justamente para que sempre sigamos em frente.
Muitas vezes, a ansiedade dos novos tempos do mundo globalizado nos faz atropelar a hora certa para tudo na vida, mas convenhamos: o tempo consegue colocar tudo no devido lugar. Cada experiência age em silêncio e deixa ensinamentos valiosos para a vida.
O tempo ensina ainda que é preciso seguir, amadurecer e se fortalecer. Meu pai, com aquele ar de sabedoria sertaneja, me ensinou a gastar o tempo com sabedoria, a valorizar os momentos, dos mais simples aos mais especiais, buscando um propósito em tudo o que se faz, porque, dizia ele, o tempo é implacável, nunca volta.
Vista pelos jovens, a vida é um futuro infinitamente longo; vista pelos mais maduros, cabelos embranqueados, um passado muito breve. Mas papai tinha razão: o tempo é o conselheiro mais sábio de todos.
Rubem Alves, meu cronista que amolece meu coração e ao mesmo tempo enxuga minhas lágrimas, também escreveu muito sobre o tempo como um recurso escasso e precioso, defendendo a necessidade de priorizar o essencial e desfrutar o presente. Em suas frases, ele sugere aprender a “abrir mão” e valorizar o tempo, evitando a pressa e focando no que realmente importa.
Certa vez, ele se perguntou: “Resta quanto tempo?” E ele mesmo respondeu: “Não sei. O relógio da vida não tem ponteiros”. Suas reflexões frequentemente abordam a necessidade de viver com mais presença e menos pressa, valorizando a essência em detrimento da quantidade de tempo.
“O prazer demanda tempo. A vida serve para gastar tempo”. Eis a grande lição de Rubem Alves.
Dicas importantes para mulheres que querem comprar um carro
Você sabe quanto custa, de verdade, o carro dos seus sonhos? Ou quanto ele vai custar a longo prazo, incluindo manutenções? Isso tudo encaixa no seu orçamento? Em 2026, ter um carro, seja para trabalhar, organizar a rotina diária ou garantir liberdade de deslocamento, segue entre os principais objetivos financeiros dos brasileiros. Levantamentos recorrentes do setor automotivo e de crédito indicam que a compra do veículo próprio continua entre os três principais bens de desejo das famílias — ao lado da casa própria e da estabilidade financeira.
Porém, não basta só querer. É preciso colocar os números na mesa antes de decidir, já que o cenário é de uma economia desafiadora, com juros altos e preços elevados. “O carro não pode ser uma decisão emocional. Ele precisa caber no orçamento hoje e, caso seja financiado, continuar cabendo daqui a dois ou três anos”, afirma Vittória Gabriela, goiana de 28 anos, empreendedora e fundadora da “Dona Meu Destino”, uma das maiores comunidades digitais de mulheres motoristas do Brasil, que reúne quase 1 milhão de seguidoras.
Focada em empoderamento, troca de experiências e educação financeira no universo automotivo, a “Dona Meu Destino” reforça que educação e planejamento financeiro são aliados poderosos também para mulheres que querem conquistar o primeiro carro com autonomia e sem armadilhas. “O planejamento financeiro é tão importante quanto escolher o modelo do carro. Saber negociar, comparar taxas e aprender a ler contratos faz diferença, seja comprando ou vendendo.” Para ela, o momento do mercado é de maior consciência sobre o endividamento e, principalmente, sobre como a negociação pode fazer a diferença a longo prazo.
Por isso, Vittória atua ajudando mulheres a entender melhor de carros, conquistar autonomia e tomar decisões mais conscientes. Ela integra a ascensão de comunidades femininas voltadas à mobilidade, um movimento que sinaliza uma mudança estrutural no mercado automotivo. Não se trata apenas de dirigir, mas de decidir, negociar e planejar com segurança e informação. “Nosso foco é tirar o medo da decisão financeira, atuando na oferta de informações que ajudem nesse processo. Quando a mulher entende dele, ela deixa de depender da opinião alheia, que pode levá-la a ser ludibriada, e passa a conduzir a própria escolha.”
Segundo Vittória, saber como proceder em uma decisão tão importante quanto essa é essencial, principalmente em ocasiões em que a compra envolve carros usados, já que é nesse mercado que se encontram a maioria das negociações. Em 2025, o país registrou 18,5 milhões de transferências de veículos usados e seminovos, contra cerca de 2,5 milhões de carros 0km licenciados, segundo a Fenauto, a federação dos revendedores de veículos.
Consumo automotivo – Na prática, o brasileiro comprou sete carros usados para cada novo, consolidando uma inversão estrutural no consumo automotivo, tendência que se mantém em 2026. “Isso acontece devido ao encarecimento do zero-km. Em apenas cinco anos, o preço dos modelos de entrada saltou de cerca de R$ 53 mil, em 2021, para até R$ 81 mil em 2026, elevando a barreira de acesso ao carro novo”, explica ela. Mas, é no mercado de seminovos, que passou a operar em patamares recordes, se encontra o perigo, segundo a goiana, principalmente para as mulheres, que sofrem discriminação no mercado.
“Muitos acham que podem empurrar carros com problemas, por exemplo, ou com financiamentos longos e caros, pela falta histórica de experiência das mulheres nessa área.” Contudo, isso está mudando. Especialmente por ações como a da Vittória, que ajudam na tomada de decisão das mulheres. Ela explica em suas redes, por exemplo, a importância de buscar a opinião de um mecânico de confiança, que pode fazer toda a diferença na hora da compra de um veículo usado.
“Tive acesso ao caso de uma mulher que adquiriu um carro financiado que havia sofrido avarias em um alagamento. Ela não foi informada sobre esse histórico no momento da compra e, logo após sair da loja com o veículo, precisou realizar diversos reparos mecânicos nele. Se tivesse buscado uma segunda opinião técnica antes da compra, poderia ter escolhido um veículo em melhores condições. Agora, além dos custos constantes de manutenção, terá de arcar por um longo período com uma dívida elevada por um carro que se desvaloriza rapidamente e terá pouco valor em uma futura troca.”
Reputação das lojas – Para Vittória, é igualmente fundamental buscar informações sobre a reputação das lojas e contar com indicações de consultores que realmente auxiliem na escolha de um bom veículo. Também é importante ter noções básicas sobre as condições ideais de um carro e saber quais perguntas fazer no momento da compra. Além disso, muitas lojas, inclusive, oferecem garantia para carros usados, o que funciona como um indicativo adicional da qualidade do automóvel comercializado. “Carro é meio, não fim”, resume Vittória. “Quando ele é bem planejado, vira liberdade. Quando não é, vira peso.”
Pesquisa inédita – A comunidade liderada por Vittória — “Dona Meu Destino”— realizou uma pesquisa em suas redes sociais, que reúnem quase um milhão de mulheres, revelando como elas encaram a decisão de comprar ou trocar de carro. O levantamento ouviu participantes de diferentes regiões do país e indica que, para a maioria, esse processo ainda é marcado por insegurança e forte dependência de apoio externo na tomada de decisão. Quando questionadas se pensam em comprar ou trocar de carro, 23,2% das mulheres afirmaram que pretendem fazer isso em até um ano. Outras 12,6% disseram que o plano é para até dois anos, enquanto 8,9% projetam a compra em até três anos. Um grupo expressivo, de 36,8%, afirmou que deseja comprar ou trocar de carro, mas sem prazo definido. Já 18,4% disseram que não pretendem adquirir um veículo.
Veículo próprio – Em relação à posse do carro, 62,1% afirmaram que têm veículo próprio e o utilizam sozinhas. Outras 23,07% disseram que o carro é da família e dividido com outras pessoas. Já 12,6% não possuem carro atualmente, mas afirmaram que gostariam de ter um. Uma parcela menor declarou que divide o uso do veículo com quem não é da família. O histórico de compra também revela diferenças importantes. 18,04% das entrevistadas afirmaram que já compraram um carro sozinhas.
Outras 50,5% disseram que já passaram pelo processo de compra com a ajuda de alguém, enquanto 26,3% ainda não compraram, mas pretendem fazê-lo. Um grupo menor afirmou que nunca comprou e não pretende comprar no momento. Quando o assunto é sentimento, a decisão de compra desperta emoções diversas. Para 26,3%, o principal sentimento é a confusão diante de tantas opções disponíveis no mercado. Já 24,2% relataram empolgação, enquanto 23,2% disseram sentir medo de errar. A insegurança aparece para 14,7%, e a ansiedade para 8,4%. Uma parcela menor afirmou sentir confiança ao pensar na compra de um carro.
Ajuda da família – O apoio na tomada de decisão também se mostrou relevante. Para 39,5%, a família é quem mais ajuda ou ajudaria no momento da compra. Outras 23,7% disseram contar principalmente com o parceiro ou parceira, enquanto 16,8% recorrem a pesquisas na internet. Apenas 10,5% afirmaram que tomam a decisão sozinhas, e o restante se divide entre quem busca apoio de amigos ou ainda não sabe por onde começar. As respostas vieram de mulheres de diversas regiões do país: 56,3% são do Sudeste, 16,8% do Sul, 8,9% do Nordeste e 14,2% do Centro-Oeste. O percentual restante se divide entre participantes do Norte e mulheres que moram fora do Brasil.
Dicas – Checklist para a compra de um carro
Para quem está transformando o desejo do carro próprio em uma decisão planejada, seguem quatro dicas antes de comprar (ou trocar) de carro:
O primeiro passo não é o test-drive, é o orçamento
Antes de qualquer visita à concessionária ou clique em anúncio, a pergunta central é objetiva e, muitas vezes, ignorada: Quanto eu posso gastar sem desorganizar minha vida financeira? Especialistas em finanças pessoais recomendam olhar além do valor do carro e considerar o Custo Total de Propriedade (TCO), que inclui:
IPVA e licenciamento
Seguro
Manutenção preventiva e corretiva
Combustível
Depreciação
Uma regra prática é não comprometer mais que 10% a 15% da renda líquida mensal com os custos totais do veículo (parcelas, combustível e manutenção). Isso ajuda a manter o orçamento equilibrado e evita o famoso “carro come salário”. “O erro mais comum que vemos na comunidade é a pessoa conseguir pagar a parcela, mas não conseguir sustentar o carro”, explica Vittória. “Planejamento não é só comprar. É manter.”
Dinheiro na mão, consórcio ou financiamento: o que vale mais a pena?
Pagamento à vista
É a opção mais barata no longo prazo, pois elimina juros.
Para quem conseguiu formar reserva ou vender outro bem, pode significar economia de dezenas de milhares de reais.
Vale a pena considerar carros usados mais recentes ou até negociar desconto no zero-km.
Consórcio
Tem ganhado espaço entre consumidores mais organizados.
Não há juros, apenas taxa administrativa.
Funciona melhor para quem não tem urgência e prioriza previsibilidade.
Opera como um plano de compra coletiva, com parcelas mensais e possibilidade de contemplação por sorteio ou lance.
“Muitas mulheres entram no consórcio como forma de se comprometer com um objetivo sem cair em armadilhas de crédito caro”, afirma Vittória.
Financiamento
Segue sendo o caminho mais utilizado no Brasil.
Em 2025, o financiamento de veículos atingiu 7,3 milhões de unidades, segundo a B3, o maior volume em 14 anos.
Desse total, 4,6 milhões foram de veículos usados e 2,6 milhões de veículos novos.
“Aqui, comparar taxas, prazo e CET é decisivo. Pequenas diferenças podem representar milhares de reais a mais no custo final”, destaca Vittória.
Dica: simule financiamento em diferentes instituições antes de fechar. Taxas que parecem pequenas podem representar milhares de reais a mais no total.
Escolher o carro certo é reduzir risco
Quilometragem e histórico
A quilometragem é um indicador importante, mas sozinha não garante bom negócio.
Verifique:
Histórico de revisões e manutenção
Existência de batidas ou reparos estruturais
Recalls e pendências documentais
Inspeção técnica
Levar o carro a um mecânico de confiança antes da compra pode revelar defeitos ocultos que o test-drive não mostra.
Modelos com bom custo-benefício
Honda Civic e Toyota Corolla: entre R$ 85 mil e R$ 120–130 mil.
Chevrolet Onix, Hyundai HB20 e hatches similares: entre R$ 50 mil e R$ 80–90 mil.
Volkswagen Gol: entre R$ 35 mil e R$ 60 mil ou mais, conforme versão e quilometragem.
Fiat Mobi, Renault Kwid e compactos: faixas perto de R$ 50 mil ou menos.
Até R$ 40 mil: versões mais antigas de Gol, Palio e Fiesta.
Entre R$ 40–80 mil: veículos urbanos de 5 a 10 anos, comuns para primeira compra ou troca.
“Modelos com boa revenda reduzem risco na saída”, destaca Vittória.
Dicas de ouro na compra e na venda
Na hora de comprar
Não se apaixone pelo visual; foque no estado geral e procedência.
Faça test-drive e revisão mecânica antes de fechar negócio.
Pesquise o valor médio do modelo (tabela FIPE é referência).
Desconfie de preços muito abaixo da média.
Exija documentação e histórico.
Na hora de vender
Mantenha a documentação atualizada e revisões em dia; isso aumenta o valor do carro.
Anúncios detalhados, com quilometragem correta e fotos de qualidade, ajudam a vender mais rápido.
Transparência evita problemas jurídicos.
Chinesa Jetour chega ao Brasil focada nos SUVs – Mais uma marca chinesa desembarca oficialmente no Brasil. Desta vez, é a Jetour, vinculada ao grupo Chery. Seus dirigentes estão de olho no segmento de SUVs, hoje responsáveis por mais de 50% das vendas de automóveis e comerciais leves. Serão três modelos à venda inicialmente: o S06, o T1 e o T2. E pelo menos mais três até o fim do ano. Com filial em Brasília, na região do Aeroporto JK, a Jetour já vendeu, desde fevereiro, quando abriu pré-venda, 500 unidades – todas com preços promocionais que seguem até o fim de abril.
S06 – R$ 200 mil (Advance) – R$ 230 mil (Premium)
T1 – R$ 250 mil (Advance) – R$ 264,9 mil (Premium)
T2 – R$ 289,9 mil (Advance) – R$ 300 mil (Premium)
Em maio, esses preços serão reajustados em R$ 5 mil e R$ 10 mil, respectivamente, para as versões Advance e Premium. A versão mais cara do S06 mantém o preço inalterado. Os modelos, no geral, são confortáveis e sofisticados, com acabamentos premium e atenção aos detalhes.
SUV T2 – A campanha de lançamento do Jetour T2 baseia-se na concepção de que ele existe ‘para ir além do deslocamento cotidiano’, sendo para ‘explorar diferentes caminhos’ sem abrir mão de conforto, tecnologia e qualidade. As duas versões do T2 têm sistema híbrido plug-in que combina o motor a combustão 1.5 turbo de injeção direta (135 cv) a dois motores elétricos adicionais, de 75 kW (102 cv) e 90 kW (122 cv). Combinados, resultam em torque máximo de 62,2 kgfm.
O sistema é gerenciado pela transmissão Super Hybrid de três marchas (3-DHT), que permite múltiplos modos de operação, mantendo o motor a combustão e os motores elétricos sempre operando em suas faixas mais eficientes. O Inmetro atesta que o SUV percorre, no modo elétrico, 27,6 km/l na cidade e 23,4 km/l no ciclo rodoviário. O consumo combinado é de 25,7 km/l. O alcance de bateria é de 75 quilômetros. Considerando o modo híbrido, o consumo combinado é de 11 km/l (10,5 km/l na estrada e 11,4 km/l na cidade). Com entre-eixos de 2,8m, o T2 tem comprimento de 4.785mm.
SUV T1 – O modelo também usa um conjunto híbrido plug-in que combina um motor 1.5 turbo a gasolina, que entrega 135 cv e 20,4 kgfm de torque, a um motor elétrico de 150 kW (204 cv) e 31,6kgfm. Ele tem bateria de 26,7 kWh e percorre, no modo elétrico, 34,7 km/l na cidade e 26,8 km/l no ciclo rodoviário. O consumo combinado é de 31,1 km/l.
SUV S06 – Este modelo combina o motor 1.5 turbo com um motor elétrico, oferecendo alcance de até 1,2 mil quilômetros. É um SUV médio, com 4.616 mm de comprimento, 1.910 mm de largura e 1.690 mm de altura. O modelo — considerado o de entrada da marca — oferece garantia combinada de 8 anos para bateria e motor elétrico e 7 anos para o veículo completo.
As duas versões usam transmissão automática de uma marcha (1 DHT), sendo que o motor elétrico entrega 150 kW (204 cv) de potência e 31,6 kgfm de torque instantâneo. Combinados, fornecem torque de 52 kgfm. A aceleração de 0 a 100 km/h acontece em 7,9 segundos. O Inmetro informa que o S06 percorre, no modo elétrico, 36,2 km/l na cidade e 28,9 km/l no ciclo rodoviário. O consumo combinado é de 32,9 km/l. Tem classificação “A” (nota máxima). A Jetour tem a intenção de produzir no Brasil e também desenvolver motores híbridos flex. Ela já conta com 14 lojas (algumas apenas de exposição de produtos), mas tem planos de ampliar para 100 concessionárias até o fim de 2026. O centro de distribuição de peças fica em Cajamar (SP) e tem capacidade de armazenar peças por seis meses.
Novo Tiguan custa R$ 300 mil – A terceira geração do VW Tiguan, fabricada no México, chega aos concessionários da marca alemã em 7 de maio. Ele tem motor 2.0 que entrega 272cv de potência e 35,7 kgfm de torque e desembarca por aqui em versão única, a R-Line, com teto solar. O modelo custa R$ 300 mil e é baseado na plataforma MQB Evo. A transmissão é de oito velocidades. A tração é integral, a tradicional 4Motion. Vale lembrar que o SUV, lançado há 18 anos, é o mais vendido pela Volkswagen no mundo.
São 8 milhões de unidades comercializadas neste período, sendo que no Brasil foram mais de 65 mil unidades emplacadas até agora. O destaque é o conjunto de 12 sistemas ativos de segurança, como o Emergency Assist, que conduz o carro para uma parada de emergência em caso de perda de consciência do condutor. O Travel Assist junta o Lane Assist, o Front Assist e o Controle de Cruzeiro Adaptativo (ACC) para uma condução semiautônoma nível dois, freando, acelerando e mantendo o carro centralizado na faixa, aumentando o conforto e segurança.
MG4 Urban chega ainda este ano – A montadora chinesa MG, que está no Brasil desde o fim do ano passado, confirmou a decisão de trazer para o mercado brasileiro o MG4 Urban, uma versão menos sofisticada do elétrico MG4, já oferecido por aqui. Aliás, ela também será elétrica e mira o GWM Ora, o BYD Dolphin e o Geely EX2. Deve ter preço abaixo dos R$ 150 mil. O Urban terá duas opções de bateria – com autonomias “entre as maiores do segmento”, segundo os gestores da marca.
A MG Motor é originalmente centenária que foi vendida à chinesa SAIC — e já esteve no Brasil, por sinal, mas com importador intermediário. Agora, de maneira independente, ela traz três modelos 100% elétricos — o hatch MG4, o SUV MGS5 e o esportivo MG Cyberster, cada um com propostas distintas e posicionamento de produto sofisticado. O portfólio inclui o SUV elétrico MGS5 Luxury, de tração traseira, com motor elétrico de 305 cv e torque de 36kgfm. Este promete 351 km de autonomia pelo padrão Inmetro e custa em torno dos R$ 240 mil
Volvo Cars e os carros com software central – A Volvo Cars acaba de ser nomeada a montadora líder na produção de carros com utilização de software central. A marca sueca, que produz alguns dos modelos mais seguros do mundo desde 1927, recebeu o Nível 5 de capacidade SDV (software-defined vehicle, ou, em português, veículo definido por software) pelo S&P Global Mobility. O reconhecimento destaca a capacidade da Volvo Cars de aprimorar praticamente todas as funções do veículo, ao longo de seu ciclo de vida e oferecer maior valor aos clientes por meio do uso do software.
Por exemplo: a empresa pode usar atualizações remotas (over-the-air) para adicionar recursos de segurança, desbloquear velocidades de carregamento mais rápidas, aumentar a autonomia e aprimorar a experiência do usuário. Carros com utilização de software central têm o poder de continuar aprimorando suas funcionalidades nas estradas e elevar ainda mais seu padrão de segurança. O sistema central desenvolvido internamente pela Volvo Cars, o HuginCore, apresenta arquitetura elétrica, um computador central, controladores de zona e software. Presente no coração dos três veículos da empresa com tecnologia definida por software — o EX90, o ES90 e o EX60 — esse sistema possibilita melhores experiências para o cliente, inovação mais rápida e melhorias escaláveis em toda a linha de veículos.
Velas de motos: manutenção caseira põe segurança em risco – A busca por manutenção de baixo custo leva muitos motociclistas a recorrer a tutoriais online para que possam realizar, de maneira autônoma, falhas no sistema de ignição e dificuldade na partida da moto. Embora vídeos e fóruns prometam soluções rápidas para problemas relacionados à dificuldade na partida ou alto consumo de combustível, a ausência de ferramentas adequadas para a identificação do problema pode transformar uma pequena economia em um prejuízo grande. Isso porque a associação entre atuação autônoma e a falta de conhecimento técnico são elementos que, quando combinados, podem provocar danos a componentes caros, como o próprio motor da motocicleta, e comprometer a segurança do condutor. Por isso, a Niterra, multinacional japonesa detentora das marcas NGK e NTK, juntou os três erros mais comuns (e perigosos) encontrados como recomendação de boas práticas na internet.
1 – O perigo da centelha exposta: Um dos testes mais comuns consiste em retirar a vela de ignição, encostá-la no cabeçote e acionar a partida para observar a faísca. A prática, de acordo com Hiromori Mori, consultor de Assistência Técnica da Niterra, é altamente desaconselhável. “A cor da centelha é um indicador preciso, ela indica a energia da centelha. Porém, é preciso conhecer qual a coloração normal para o sistema de ignição da motocicleta em questão. Outro problema é que falhas no centelhamento provocadas por falta de aterramento podem gerar danos ao CDI e bobina de ignição e o combustível não queimado irá contaminar o óleo lubrificante do motor e pode comprometer o catalisador da motocicleta.
2 – Limpeza com escova de aço: Remover a carbonização com escovas de aço não prolonga a vida útil da vela. O atrito do metal da escova deixa resíduos microscópicos no isolador cerâmico da vela, o que reduz a capacidade de isolação da parte cerâmica da vela. Além de aumentar o desgaste dos eletrodos da vela pelo atrito dos eletrodos com o metal da escova. Outro problema que provocamos é a remoção do banho de proteção que é aplicado ao castelo metálico da vela (parte metálica onde temos a rosca). A falta de proteção permite a oxidação do metal podendo provocar danos à rosca do cabeçote (parte superior) do motor. A recomendação da Niterra é abolir o hábito da limpeza abrasiva, preferindo a substituição preventiva da peça. A grande maioria das motocicletas vendidas no Brasil são monocilíndricas (possui somente um pistão). Desta forma, a substituição de uma vela de ignição possui um custo muito baixo.
3 – A precisão do multímetro e do calibrador: A inspeção visual permite avaliar as condições de queima (mistura ar/combustível), presença de resíduos de uso de combustível de má qualidade e presença de contaminação por óleo lubrificante (motor com desgaste). O uso de ferramentas de medição como calibradores de folga, multímetro e megômetro permitem uma avaliação do desgaste da vela de ignição, da resistência interna da vela e da isolação elétrica. Velas desgastadas dificultam o centelhamento provocando falhas, dificuldade na partida e comprometem a vida útil da bobina e do sistema de ignição. A Niterra reforça que medir a resistência ôhmica da vela e do terminal supressivo (cachimbo) com um multímetro garante o correto funcionamento do motor. Por isso, verifique visualmente também o estado das borrachas seladoras dos terminais, no caso de ressecamento ou trinca, e substitua o terminal evitando falhas em dias chuvosos.
4 –A vela como o termômetro da sua moto – Para o motociclista, a vela de ignição funciona como um relatório de saúde do motor. Dificuldade na partida a frio, oscilações na marcha lenta ou falhas em acelerações rápidas são alertas vermelhos. “A vela de moto é o termômetro do motor. Analisar o estado da ponta ignífera após o uso revela não apenas o desgaste da peça, mas a qualidade do combustível utilizado e a saúde da mistura ar-combustível”, afirma Hiromori. A manutenção preventiva, realizada por um mecânico de confiança, evita paradas inesperadas no trânsito, garantindo a eficiência e reduzindo o consumo de combustível. O custo de combustível é muito representativo para quem utiliza a motocicleta profissionalmente.
Renato Ferraz, ex-Correio Braziliense, tem especialidade em jornalismo automobilístico.