O deputado federal e presidente estadual do PP, Eduardo da Fonte, e o deputado estadual Kaio Maniçoba se reuniram com o pré-candidato a prefeito de Taquaritinga do Norte pela legenda, Gena Lins, para discutir demandas de infraestrutura do município. O foco da reunião foi abordar questões críticas relacionadas à infraestrutura, como demandas hídricas do município e de telefonia na comunidade de Vila do Socorro.
Além disso, discutiram a necessidade de realizar a operação Tapa Buraco no entroncamento da BR-104 no sentido do distrito de Gravatá do Ibiapina. “É inaceitável que a população sofra com a escassez de água devido a problemas de gestão enfrentados pelo município. Estamos em busca de soluções ao lado do pré-candidato à Prefeitura de Taquaritinga do Norte, Gena Lins, para que a população tenha acesso a necessidades básicas e condições dignas de vida”, disse Eduardo da Fonte.
Alvo de críticas após se filiar ao PSD para viabilizar uma pré-candidatura ao Senado, Túlio Gadelha tem sido questionado pela aproximação com a governadora Raquel Lyra (PSD) por todos os lados. A tentativa de associação com o presidente Lula (PT), apostando na transferência de simpatia de eleitores ligados ao petista, não tem surtido o efeito esperado e, ao contrário, vem desgastando o capital político do deputado.
Nesse cenário, a estratégia mais recente de Raquel parece apostar no apelo de imagem. Em visita recente à feirinha da Rua da Aurora, ao lado da jornalista Fátima Bernardes, Túlio e Raquel chamaram atenção do público, numa tentativa de ampliar visibilidade e engajamento a partir da popularidade da apresentadora.
O transtorno bipolar é uma condição psiquiátrica crônica caracterizada por oscilações entre episódios de depressão e períodos de elevação do humor, como mania ou hipomania. Embora seja amplamente reconhecido pelo impacto emocional e funcional, um aspecto frequentemente negligenciado é sua associação com redução da expectativa de vida.
Evidências científicas consistentes demonstram que pessoas com transtorno bipolar podem apresentar uma redução média de 8 a 15 anos na expectativa de vida em comparação com a população geral. Esse dado se mantém em diferentes países e sistemas de saúde, indicando que não se trata de um fenômeno isolado, mas de um padrão global. No entanto, essa redução não ocorre apenas por causas psiquiátricas diretas — ela resulta de uma interação complexa entre fatores biológicos, comportamentais e sociais.
Entre as principais causas de mortalidade, destacam-se as doenças cardiovasculares, que representam o maior risco nessa população. A maior prevalência de hipertensão arterial, obesidade, diabetes e alterações metabólicas contribui diretamente para o aumento de eventos como infarto e acidente vascular cerebral. Paralelamente, o risco de suicídio é significativamente mais elevado, especialmente durante episódios depressivos ou estados mistos, sendo uma das causas mais impactantes em termos de anos potenciais de vida perdidos.
Outro ponto relevante é a alta frequência de comorbidades com uso de substâncias, incluindo álcool, tabaco e drogas ilícitas, que agravam tanto o curso do transtorno quanto as condições clínicas gerais. Além disso, muitos pacientes enfrentam barreiras no acesso ao cuidado em saúde, menor adesão ao tratamento e acompanhamento clínico insuficiente, o que favorece o diagnóstico tardio e o controle inadequado de doenças crônicas.
Apesar desse cenário, a expectativa de vida em pacientes com transtorno bipolar não deve ser encarada como um desfecho imutável. Fatores como diagnóstico precoce, tratamento contínuo e bem conduzido, acompanhamento multiprofissional e a adoção de um estilo de vida saudável têm impacto direto na redução de riscos. O manejo adequado inclui não apenas estabilização do humor, mas também monitoramento rigoroso da saúde física, com atenção especial aos fatores cardiovasculares.
Além disso, o enfrentamento do estigma associado aos transtornos mentais é fundamental. O preconceito ainda contribui para atrasos no diagnóstico, abandono do tratamento e fragmentação do cuidado, dificultando intervenções precoces e eficazes.
Dessa forma, o cuidado moderno em transtorno bipolar exige uma abordagem integrada, que considere o paciente em sua totalidade. Ao alinhar tratamento psiquiátrico, prevenção clínica e promoção de saúde, é possível não apenas melhorar a qualidade de vida, mas também impactar de forma significativa a sua duração.
*Médico com pós-graduação em Psiquiatria e Neurologia Clínica
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, visitou ontem (18) Serra Talhada, onde anunciou investimento de R$ 40,5 milhões para o Aeroporto Santa Magalhães. Os recursos serão destinados à ampliação do terminal de passageiros, melhoria do pátio de aeronaves e adequação do estacionamento.
Durante a visita ao equipamento, o ministro destacou a atuação da prefeita Márcia Conrado na articulação para viabilizar as obras. “Márcia é alguém que sempre cobra e reivindica. É uma gestora que defendeu e trabalhou por esse aeroporto”, afirmou. Segundo o ministro, a iniciativa integra o Programa AmpliAR, voltado ao fortalecimento da aviação regional.
A prefeita ressaltou a importância do investimento para o desenvolvimento local. “O aeroporto tem o papel de impulsionar o desenvolvimento e ampliar oportunidades. Estamos trabalhando para melhorar a estrutura e atrair novos investimentos”, disse. Por fim, Márcia Conrado também destacou impactos na economia do município, com geração de empregos ao longo da gestão. “Mais de 50% das vagas foram ocupadas por mulheres”, afirmou.
O governador da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP), resgatou um vídeo da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD) para brincar sobre a rivalidade entre as festas juninas em Pernambuco e na Paraíba. Em suas redes sociais, ele reproduziu uma fala da gestora pernambucana enaltecendo o São João do seu estado como melhor da região.
Em resposta, o gestor paraibano rebateu que: “Quem conhece o São João da Paraíba não quer saber de outro lugar não. O melhor São João é aqui e o maior do mundo é em Campina Grande”. As informações são do Blog da Folha.
Sede do Festival de Cinema de Triunfo, o icônico Theatro Cinema Guarany, também conhecido como Cine-Theatro Guarany, tem mais de um século de história e é cartão-postal da região. O nome era um traço comum da época, que remetia a uma ideia de identidade brasileira ligada aos povos indígenas, e que se firmou em vários outros cinemas e teatros com o mesmo nome pelo Brasil.
No início de sua genealogia estão dois comerciantes locais: Manoel e Carolino Siqueira Campos que, em 1919, decidiram construir um grande espaço cultural para a cidade que trouxesse, ao mesmo tempo, cinema, teatro e eventos sociais para o Pajeú. Inaugurado em 1922, o edifício de arquitetura neoclássica se tornou símbolo do município, movimentando a elite local com sessões de cinema, bailes e formaturas.
Em 1952, foi adquirido pela província franciscana de Santo Antônio do Norte do Brasil. Mas com o avanço da televisão na década de 70, o Guarani acabou entrando em decadência e chegou a ficar desativado por anos. Em 1985, então, a prefeitura dá entrada no processo de tombamento do Cine-Theatro Guarany como patrimônio histórico estadual. Em 1988, o governador Miguel Arraes concluiu o tombamento e adquire o imóvel que passa a ser gerido pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). Um longo processo de restauração se iniciou e terminou em 1995, no último governo Arraes.
Após as reformas, o Guarany volta a movimentar a cidade e, em 2008, durante o governo de Eduardo Campos, O Festival de Cinema de Triunfo estreia no espaço, demonstrando a força do audiovisual e dos cinemas de rua no interior do Brasil. Sua cabine de projeção abriga um projetor de 35 mm, mas que hoje só é usado em sessões especiais.
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), por meio da Promotoria de Justiça de São Bento do Una, emitiu uma Recomendação Administrativa ao prefeito Alexandre Batité. O documento solicita a exoneração de quatro ocupantes de cargos na gestão municipal e a implementação de medidas para combater o nepotismo.
A recomendação pede a exoneração, em um prazo de vinte dias, dos secretários Lucas Medeiros (Infraestrutura), Caique Batité (Cultura e Esportes) e Vilma Medeiros (Administração), além do assessor Carlos César Oliveira. O MPPE aponta que os mencionados são, respectivamente, sobrinho, filho, esposa e afilhado do prefeito. As informações são do jornal Última Hora (São Bento do Una).
Recomendação do MPPE ao prefeito de São Bento do Una. Disponível no Diário Oficial a partir da página 7 (documento na íntegra abaixo)
Adicionalmente, o MPPE solicitou a exoneração, no mesmo período, de todos os detentores de cargos não eletivos, em comissão, funções de confiança ou contratos temporários que possuam relação familiar com autoridades ou servidores de outras entidades, com destaque para a UNATRAN. A medida visa evitar nomeações por reciprocidade ou troca de favores.
No que se refere à legislação municipal, o MPPE requisitou que, em até trinta dias, o prefeito encaminhe à Câmara de Vereadores um projeto de lei. Este projeto deve proibir a nomeação de cônjuges, companheiros ou parentes (até o terceiro grau) para cargos não eletivos, em comissão, funções de confiança ou contratos temporários, seja da autoridade nomeante ou de outro servidor da mesma pessoa jurídica. A proibição também abrange casos de reciprocidade com nomeações em outras entidades.
Outra solicitação do MPPE é a regularização imediata do Portal da Transparência, no mesmo prazo, com a inclusão de todos os dados financeiros e funcionais dos agentes públicos, com foco nas informações de Vilma Medeiros.
A Prefeitura de São Bento do Una deve comunicar ao Ministério Público, em dez dias, se acatará a recomendação, enviando a documentação comprobatória das providências, como os atos de exoneração. O MPPE alertou que o não acatamento da recomendação poderá resultar em medidas legais, incluindo o ajuizamento de ação civil pública por improbidade administrativa.
Os partidos que compõem a base aliada ao governo Raquel Lyra (PSD) na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) não atuarão como “blocão”. A decisão foi comunicada pela líder do Governo, deputada Socorro Pimentel (PSD), que justificou que PSD, Podemos e a Federação PT-PV-PCdoB têm representações significativas e com condições de garantir maioria nas comissões, que devem passar por uma reconfiguração nos próximos dias. As informações são da CBN.
“Diante das mudanças decorrentes da janela partidária, com a saída de algumas legendas e a incorporação de novas, esse formato também amplia a autonomia partidária e favorece uma integração mais orgânica entre seus membros. O ponto central, contudo, é a garantia de uma maioria parlamentar comprometida com a aprovação de matérias que contribuam efetivamente para o desenvolvimento do Estado de Pernambuco”, declarou em nota.
O movimento foi sinalizado após a Federação União Progressista – formada pelo União Brasil (UB) e pelo Partido Progressistas (PP) – e o Partido Liberal (PL) indicarem que atuariam de maneira independente na Casa de Joaquim Nabuco. Passada a janela partidária, o PSD, presidido pela governadora Raquel Lyra (PSD) em Pernambuco, conta com 9 parlamentares. Já o Podemos tem 7, enquanto que, dos 8 deputados que integram a Federação PT-PV-PCdoB, 5 costumam votar com o governo.
A OAB Pernambuco realizou, em Garanhuns, o III Colégio de Presidentes das Subseções, reunindo representantes do interior para discutir pautas estratégicas da advocacia. A Subseção de São José do Egito participou do encontro, destacando avanços como leis de valorização da classe e iniciativas locais já implementadas ou em tramitação. Também entraram na pauta a articulação com poderes municipais e demandas estruturais, como a instalação de parlatórios e melhorias na cadeia pública do município.
O colegiado ainda tratou do lançamento da advocacia dativa, da ampliação de ferramentas tecnológicas e do reforço de campanhas contra o “golpe do falso advogado”. Entre os encaminhamentos, estão o mutirão de precatórios previsto para maio de 2026 e a agilização do registro de sociedades, com prazo de até 48 horas. A subseção também apresentou projetos como capacitações itinerantes, um podcast institucional e eventos que integram a Festa Universitária, reforçando o protagonismo do interior nas discussões da advocacia pernambucana.
Mensagens encontradas nos celulares dos ex-sócios do Banco Master, Daniel Vorcaro e Augusto Lima, revelam os bastidores da articulação para salvar a instituição com apoio do BRB (Banco de Brasília) — movimento que levou à Operação Compliance Zero e à prisão dos presidentes dos dois bancos.
A investida para capturar o BRB resultou, na última quinta-feira (16), na prisão do ex-presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, suspeito de receber R$ 140 milhões para favorecer o grupo de Vorcaro. O ex-banqueiro está preso desde março e negocia um acordo de delação premiada.
As conversas obtidas pelo UOL mostram a proximidade entre os então sócios do Master e detalham a estratégia de criação de R$ 7,2 bilhões em carteiras de crédito oferecidas ao BRB. As mensagens também indicam que as tratativas entre os bancos começaram ainda em 2024 — cerca de um ano antes do anúncio oficial do banco público sobre a negociação. Elas revelam que, mesmo fora do banco desde maio de 2024, o baiano Augusto Lima ainda participava dos negócios feitos com o BRB.
As mensagens reforçam a tese da PF de que os diretores dos dois bancos sabiam que a situação do Master era crítica e mostram como Vorcaro e sua equipe tentaram, de toda forma, criar uma aparência de legalidade e saúde financeira enquanto praticavam crimes contra o sistema financeiro nacional.
Uma das conversas de Vorcaro indica que, já em novembro de 2024, o banqueiro falava sobre visitas de pessoas do BRB a imóveis. O recebimento de imóveis de alto padrão foi um dos motivos para a PF prender Costa, ex-presidente do BRB, na 4ª fase da operação Compliance Zero. “Precisa liberar a turma do BRB para visitar o imóvel”, diz Vorcaro a Augusto Lima.
Além dos bastidores da pré-formalização dos negócios com o BRB e durante a estruturação das carteiras de crédito fraudulentas, as conversas também revelam o desespero entre sócios e funcionários do Master para evitar que as falcatruas fossem expostas. “Irmão, se não mandarmos essas CCBs [cédulas de crédito bancário] até meio-dia, não vamos ter opções mais”, diz Daniel Vorcaro, em mensagem a Augusto Lima, em 5 de maio de 2025.
Por fim, quando o Banco Central barra o negócio, no início de setembro, e a PF passa a investigar o caso, uma conversa entre Augusto Lima e sua companheira deixa claro que o ex-sócio de Vorcaro sabia que o banco estava quebrado. “Não tem como ficar em pé”, disse Augusto a Flávia Péres (PL), ex-ministra do governo de Jair Bolsonaro e ex-deputada federal.
Procurada, a defesa de Vorcaro e a de Flávia não se manifestaram. A defesa de Augusto Lima afirma que não teve acesso aos dados extraídos de celulares e não reconhece as mensagens atribuídas a ele. Diz ainda que ele não participou das operações investigadas nem teve contato com a cúpula do BRB (leia a íntegra ao final do texto).
Antes da compra
O Master iniciou o ano de 2024 em uma situação financeira complicada. O Índice de Basileia, que mede a solvência do banco, fechou o ano anterior em 11,5%, contra 12,3% em 2022 — no Brasil, o mínimo aceito pelo Banco Central é 11%. Sem o índice controlado, a saída é a liquidação ou graves complicações para a logística diária de captação de dinheiro.
Em busca de recursos para aliviar o caixa, Vorcaro e sua equipe passaram a se valer de relações políticas para tentar captar. É dessa época a busca por recursos em previdências estaduais, como no caso da RioPrevidência e da Amprev (Amapá), e a tentativa de vender R$ 500 milhões em letras financeiras para a Caixa. Todas essas instituições estão sob tutela de políticos do centrão.
Enquanto essas frentes avançavam, o banco também já buscava negócios com o Banco de Brasília. Uma conversa entre Augusto Lima e Alberto Félix Neto, da diretoria financeira do Master, mostra como, em maio de 2024, o banco já se valia do BRB para tentar sobreviver.
Em 6 de maio daquele ano, Félix diz estar conversando com alguém do BRB e que a estratégia prevista não daria certo. “Vou ver se temos algum crédito além do consignado que daria pra fazer”, disse Alberto Félix, em mensagem para Augusto Lima. Em julho, eles voltam a falar sobre o BRB e negociações de compra de créditos envolvendo o banco.
Em agosto de 2024, Augusto Lima e o próprio Vorcaro voltam a falar do BRB. No dia 22, Vorcaro pede “notícia do BRB” a Augusto Lima e diz: “Apertei hoje e disseram que está travado na taxa. Que precisa ser maior”.
Em 29 de agosto, Vorcaro novamente manda: “Dá carga no BRB que é CCB importante sair hoje!”. Horas depois, Lima diz que cobrou cedo e que o BRB estava pronto: “Vendo só documentação”. Mas, dias depois, em 31 de agosto, Vorcaro pergunta se o sócio sabe que “deu merda no BRB”. “Não liquidou e parece que não vai”, afirma o banqueiro.
As conversas mostram que, naquele momento, Augusto Lima era o principal interlocutor de Vorcaro no BRB. No dia 3 de setembro de 2024, Vorcaro pergunta se “eles vão fazer ou não”. “Já tem 15 dias esse negócio de CCB. Se for agarrar e não sair agora, preciso saber, depois te explico”, envia Vorcaro.
“Falei hoje, disseram que iria. Estão trabalhando nisso. Está agarrado no risco”, responde Augusto Lima. Um mês depois, os ex-sócios do Master voltam a falar do BRB. Em 16 de outubro, Vorcaro diz: “Acho que resolvi BRB. Dei uma batida forte demais. PQP. E vc deve ter empurrado aí tb”. “Exatamente!! Falei até com FDP hoje”, responde Augusto Lima.
Um mês depois de “resolver o BRB”, Vorcaro fala com Augusto Lima sobre liberar a visita de pessoas do BRB a um imóvel. A mensagem mostra que, ao menos desde novembro de 2024, Vorcaro negociava a propina paga em imóveis com o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, segundo a PF.
Procurada, a defesa de Alberto Félix não se manifestou.
Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB | Foto: divulgação/BRB
Fraude nas carteiras de crédito
Em março de 2025, quando o processo de compra do Master pelo BRB estava em andamento, as conversas continuam, e Vorcaro e Augusto Lima falam das carteiras de crédito repassadas ao banco público. Segundo a PF, as carteiras de mais de R$ 12 bilhões não tinham lastro e não possuíam qualquer valor real. A suspeita é que foram fabricadas por meio do uso das empresas Tirreno e Cartos, ligadas a pessoas do Master.
Em 10 de abril, Alberto Félix diz a Augusto Lima que “DV [Daniel Vorcaro] pediu para mandar mais uma carteira ao BRB”. No dia seguinte, ele informa que o BRB havia comprado mais “750mm” [R$ 750 milhões] em carteiras. Dias depois, o chefe do financeiro do Master informa a Augusto Lima que duas pessoas do BRB iriam ao banco para “ver a conciliação dos financeiros”, com o objetivo de “tentar apurar as diferenças”.
Vorcaro, dias antes da formalização da intenção do BRB de comprar o Master, manda para Augusto Lima: “Irmão, BRB vai fazer 750 mais troca de carteira. Pode ir pra cima esse tema?”, no que Augusto Lima responde: “Estou com ele aqui agora e com Ângelo [funcionário da área financeira do Master] tratando exatamente isso”.
Em maio, apontam as mensagens, as fragilidades das carteiras de crédito bilionárias começam a surgir, e Alberto Félix manda para o sócio do Master: “Precisamos falar das operações Tirreno.”
Em 5 de maio, Vorcaro conversa com o sócio sobre o tema. “Turma no estress pq nem contrato Tirreno não apareceu. Já estão criando teorias. Precisamos mandar imediatamente”, diz. Horas depois, ele insiste: “Irmão, se não mandarmos essas CCBs e os contratos até meio-dia, não vamos ter mais opções. Contratos Tirreno.”
Troca de mensagens entre Vorcaro e Alberto Félix, funcionário da área financeira do Master
Vorcaro e as carteiras
Conversas encontradas no celular de Daniel Vorcaro mostram como o banqueiro tinha conhecimento sobre as fragilidades das carteiras de crédito oferecidas ao BRB e como atuou para reverter a situação. Os problemas nas carteiras foram os principais argumentos do Banco Central para vetar a compra do Master pelo BRB. O chefe do financeiro do Master era o interlocutor de Vorcaro sobre a situação das carteiras.
Em 13 de maio, Vorcaro cobra uma lista de informações necessárias para comprovar ao BRB a veracidade das carteiras de crédito. Félix diz então que o item 5, “Comprovantes de Averbações”, não seria fácil de arrumar. “Esse é difícil”, diz.
A averbação é necessária para validar um contrato, mas, como os créditos eram fraudulentos, segundo a PF, esses documentos não existiam. Vorcaro, dez dias depois, volta a cobrar Félix sobre as carteiras da Tirreno.
“Você consegue mobilizar todos aí para responderem esses pontos do BRB?”, diz o banqueiro. “Tô em cima da Thaisa [funcionária do Master] para liberar os contratos de cláusula de mandato. E aí emitir os CCBs. Esses são os mais críticos”, responde Félix.
O banqueiro então questiona se ele não havia emitido os CCBs, e o chefe do financeiro explica que “só algumas que foram de amostra” foram emitidas. “Eles querem todas, correto?”, replica Vorcaro, ao pedir um “mutirão de emissão no fds”.
Mensagens de Vorcaro para Alberto Félix, do financeiro do Master
As citações a CCBs, para os investigadores, indicam que, embora o Master diga ter adquirido as carteiras Tirreno, as transações não possuíam documentação nem haviam emitido as cédulas de crédito bancário. Além disso, os documentos fraudulentos foram produzidos por pessoas do próprio Master, e não da Tirreno.
As mensagens mostram que os créditos eram criados internamente no Master, sob a tutela de Alberto Félix e sob ordens de Vorcaro. Em junho, o banco ainda não havia provado a origem e a veracidade das carteiras de crédito. No dia 13, Alberto Félix manda para Vorcaro um print com um suposto CCB “com código da operação e, na sequência, documentos com o mesmo código de operação”.
“Envia urgente aí”, responde o banqueiro. Em 22 de junho, em uma das últimas conversas sobre o tema em um grupo do qual Vorcaro participava, Alberto Félix informa que enviaria, no final do dia, 1.785 amostras sobre os cadastros das carteiras. “Estamos na reta final nessas duas próximas semanas. E esse trabalho de hoje da turma será vital”, diz Vorcaro.
Às 21h, Alberto Félix informa ter enviado o material para a Tirreno, que fingiria ser a real criadora das carteiras e repassaria ao BRB. No dia seguinte, no entanto, Vorcaro volta a cobrar o envio dos dados e pede o extrato. “Pessoal. Saldo não pode ser 6.400!! Era 7.200. Valor da recompra”, cobra o banqueiro no grupo. Alberto Félix responde com o argumento de que “tem os débitos das PMTs”, mas Vorcaro replica: “Não interessa. Não fecha a conta. Vamos ter que colocar remuneração.”
Para os investigadores, as mensagens comprovam a tentativa de produzir R$ 7,2 bilhões em carteiras de crédito falsas para evitar uma decisão negativa do Banco Central e a liquidação do Master — que viria a ser decretada em novembro de 2025.
Sem conseguir provar a existência das carteiras, a situação do banco de Vorcaro tornou-se insustentável. Em 23 de julho de 2025, cerca de dois meses antes de o BC travar os negócios entre Master e BRB, Vorcaro recebe uma mensagem de Alberto Félix, responde com “pqp” e ordena: “Vai ter que segurar tudo, Alberto. Despesa. Câmbio. Imposto. Não dá para pagar nada. Senão vamos sucumbir. Não é pra liberar NADA mais. Nem consignado.”
“Não para de pé”
Augusto Lima, o ex-sócio de Vorcaro no Master, aparece em boa parte das mensagens como alguém com acesso ao BRB. Ele é marido de Flávia Péres, que já foi Flávia Arruda, quando esteve casada com o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda. Ela também foi deputada federal pelo PL e ministra no governo de Jair Bolsonaro (PL).
Flávia Péres, ex-deputada federal, discursa na Câmara | Imagem: Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Em 6 de outubro de 2025, quando o Banco Central já havia barrado a compra do Master e a PF investigava as suspeitas envolvendo a negociação, Augusto Lima conversa com Flávia Péres.
Após receber uma mensagem de Flávia, Augusto Lima responde, em três mensagens separadas, sobre um pagamento a vencer do Master de R$ 100 milhões. “É brincadeira. Não tem a menor condição de ficar de pé”, diz o ex-sócio de Vorcaro. Flávia então pergunta: “E como pagou isso hoje?” “BRB”, responde o ex-sócio do Master.
Naquele momento, o BC já havia negado a compra e, mesmo assim, o BRB, como indica a conversa, continuava na operação para salvamento do banco de Vorcaro.
A ex-deputada se mostra incrédula com a resposta de Augusto Lima e completa: “Tem coisa aí mesmo, viu”. Sem detalhar o que seria essa “coisa”, Augusto Lima reforça a frase da mulher: “Bote coisa nisso”. “Eles estão muito mais ligados do que qualquer um pode imaginar”, diz Flávia, sem explicar quem são essas pessoas.
Conversa entre Augusto Lima e a mulher, Flávia Péres
O casal também demonstra preocupação com a possibilidade de a informação sobre o pagamento da pendência de R$ 100 milhões do Master vazar. “A hora que isso vazar… Porque a imprensa vai querer saber quem pagou”, afirma Flávia em mensagem. “Ele fez algum rolo e o BRB deu o crédito”, diz Augusto Lima, sem apontar quem seria o responsável.
No mês seguinte, em 14 de novembro de 2025, quatro dias antes de Daniel Vorcaro e Lima serem presos na 1ª fase da Compliance Zero, o casal volta a falar da situação com o BRB. Augusto Lima manda para Flávia um print de uma conversa com o ex-diretor do Banco Central, Paulo Sérgio de Souza, alvo da PF por suspeita de receber propina para ajudar o Master no BC.
O print mostra o então diretor do BC perguntando a Augusto Lima, à época já fora do Master, se ele tinha caixa para comprar consignado Credcesta do banco de Vorcaro, que precisava de R$ 100 milhões.
“Impressionante o BC estar se metendo nisso pro Master não quebrar. Principalmente o Paulo, que tá enrolado nisso até o pescoço”, diz Flávia ao companheiro e pergunta: “E você falou o quê?” “Oi, amor, que não tinha como ajudar. Abs”, respondeu Augusto Lima.
Íntegra da defesa de Augusto Lima
“A defesa de Augusto Lima afirmou, em nota, que não teve acesso aos dados extraídos de celulares mencionados pela investigação e, portanto, não reconhece qualquer mensagem a ele atribuída.”
“De todo modo, os relatos investigativos só corroboram o que a defesa vem sustentando desde o início: Augusto Lima não participou das operações financeiras investigadas e não teve qualquer tratativa com a cúpula do BRB. As operações investigadas são posteriores à sua saída do banco, ocorrida em maio de 2024”, diz a nota.
Ainda segundo a defesa, Augusto Lima tem “trajetória reconhecida no mercado financeiro, construiu uma reputação sólida e sua atuação sempre foi orientada pelo estrito cumprimento da lei”.
Menos de um mês após a nomeação de Tadeu Alencar no Ministério do Empreendedorismo, o governo deve trocar novamente o titular da pasta após um pedido do presidente do PSB, João Campos. O favorito para assumir é o advogado Paulo Pereira, atualmente segundo secretário da sigla. Integrantes do partido dão a troca como certa e dizem que ela vai ocorrer em breve.
A nomeação de Alencar como ministro é atribuída a uma confusão ocorrida após a saída do ex-governador Márcio França (PSB), que pretende disputar uma vaga ao Senado por São Paulo. Embora Alencar fosse seu secretário-executivo, o segundo cargo mais importante, o ex-titular sugeriu que o então secretário nacional de Ambiente de Negócios, Maurício Juvenal, assumisse em seu lugar, mas não obteve apoio da cúpula do PSB. As informações são do jornal O Globo.
Em meio ao impasse, João Campos apresentou o nome de Pereira, seu braço-direito na direção do partido. O movimento teve o aval de França, uma vez que o advogado também é de São Paulo e transita bem entre as alas paulista e pernambucana da legenda. Antes de oficializar o nome a Lula, João Campos chegou a consultar Alencar sobre a possibilidade de ele permanecer na secretaria-executiva da pasta. Recebeu sinalização positiva.
A escolha então foi comunicada à Secretaria de Relações Institucionais, mas a cúpula do PSB foi surpreendida com a nomeação de Tadeu em 3 de abril, durante o feriado da Sexta-Feira Santa. A confusão é atribuída a uma regra definida pelo próprio Lula no início do ano, de que as pastas onde não houvesse outro nome iriam ser assumidas pelos respectivos secretários-executivos, com o objetivo de dar continuidade aos trabalhos que vinham sendo tocados.
Diante da confusão, Campos e o vice-governador Geraldo Alckmin entraram em campo para tentar contornar um início de crise no partido. O ex-prefeito de Recife e pré-candidato ao governo de Pernambuco se reuniu com Lula, em 10 de abril, para reafirmar sua indicação. O encontro aconteceu em São Paulo, onde o presidente cumpria agenda.
Ao mesmo tempo, o PSB também passou a costurar uma solução interna para contemplar Alencar. Uma das possibilidades em discussão é que ele assuma uma cadeira na Câmara. O atual ministro é suplente de deputado. Para isso, o deputado Felipe Carreras (PSB-PE) deve se licenciar para assumir a coordenação da campanha de João Campos ao governo de Pernambuco, enquanto Gonzaga Patriota (PSB-PE) deve ser convidado para ocupar um cargo em Recife.
O clima no partido azedou na sexta-feira, após Alencar demitir, sem comunicação prévia, o aliado de França, Maurício Juvenal, da Secretaria Nacional de Ambiente de Negócios. Procurado, Alencar não comentou.
Tomás Alencar, filho de Tadeu Alencar, é casado com Eduarda Campos, irmã de João Campos, mas o presidente da sigla tem uma relação de maior proximidade política com Pereira.
De perfil discreto, o advogado se tornou, nos últimos meses, um dos principais articuladores para reforçar os quadros do partido. Ele participou ativamente das negociações para que se concretizassem as filiações da ex-ministra do Planejamento Simone Tebet e do senador Rodrigo Pacheco ao partido.
No atual governo, Pereira foi secretário nacional do Consumidor, do Ministério da Justiça, durante a gestão de Ricardo Lewandowski, além de secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o Conselhão.
Na fala solene em agradecimento ao meu título de Cidadão Triunfense, quinta-feira passada, na Câmara de Vereadores do Município, comparei o amor de uma mulher a uma cidade. Ama-se cidades? Não se ama uma cidade como se ama uma mulher loucamente, apaixonadamente.
Amar uma cidade é vê-la num rosto com corpo de pedra, como definiu Machado de Assis, que amou o Rio, amou mulheres, amou a vida. Amar uma cidade é semelhante a sensualidade feminina. Seus encantos não se escondem, se revelam como um corpo estrutural de uma mulher.
Como uma cidade, uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza. Uma beleza que vem de se saber ser mulher, um molejo de amor que dá saudade, seja ela o princípio e o fim de todas as coisas.
Antes de amar qualquer cidade, amo minha Nayla, porque me ensinou a amar a vida, não desistir da luta, recomeçar na derrota. Depois dela, nunca escrevi uma palavra para lamentar a vida. Meu verso é água corrente, é tronco, é fronde, é folha, é semente, é vida!
Amo Triunfo desde o tempo em que o verbo me fez carne, me fez gente. Amo no coração do interior dela, no seu profundo silêncio, que me ensinou a ouvir o meu tempo, um tempo perdido e mais tarde achado em cada esquina dos seus casarões coloniais, que revelam a beleza simples de uma cidade que acolhe sem pressa, em forma de poesia.
O tempo também se encarregou de transformar seu solo seco, mas fértil, num refúgio poético, onde Deus colocou a mão e desenhou um paraíso. Nem de longe Triunfo se confunde com o chão de vidas secas, de Severinas e Joãos, de Marias e Josés.
Como não se render a beleza da névoa seca que escorre dos céus de Triunfo e repousa sobre telhados antigos como se o próprio céu suspirasse na cidade? O calendário do tempo de Triunfo de hoje e não o de ontem, que ficou para trás. É como a fotografia dolorida de Drumond na parede da sua Itabira, que dói muito.
A cidadania honorária é o laço de sangue que o coração escolheu para firmar com a cidade. Ninguém nasce cidadão de um lugar, torna-se cidadão através de suas ações e do amor pela comunidade.
Vasculhando meu livro do tempo encontrei um cabedal de declarações de amor a Triunfo. Serviço prestado a uma cidade não se traduz apenas em obras concretas, de pau e pedra. Se traduz também em palavras que o vento não leva.
Em palavras que difundem e a valorizam, que viram chama para atrair turistas e movimentar a economia. Como jornalista, foi assim que ajudei Triunfo, será no exercício deste ofício que prometo continuar o hoje e o amanhã, com uma caneta sempre recheada, que nunca vai secar.
Nos meus manuscritos amarelados pelo tempo escrevi que Triunfo é um pedaço do céu no mundo, poesia em cada botão que se abre. É a prova de que o Sertão também é verde, úmido e cheio de vida.
É o retrato da névoa dançando com o sol, o frio que aconchega o peito. Triunfo é estado de alma, um desses espaços em que a geografia se curva à poesia e o tempo parece andar de mansinho, com passos de neblina.
Em Triunfo, quando a névoa escorre dos céus e repousa sobre seus telhados antigos é como se o próprio céu suspirasse. E nesse suspiro, o mundo todo se cala para ouvir o sertão respirando, Pernambuco latejando.
Eu sou tão apaixonado por Triunfo que do alto de seus mirantes, com o som distante do sino da matriz rompendo o silêncio, a sensação que tenho é que o mundo parece se encolher. Se impõe por força, por grandeza geopolítica, pela altivez de sua beleza escondida, quase secreta.
Triunfo, envolta em brumas, como disse o poeta Flávio Chaves, é um altar erguido às tradições, à memória e à identidade nordestina em sua forma mais plena, mais sutil, mais sagrada. É como se o chão seco do Nordeste vestisse um casaco de inverno, só para nos surpreender. E o resultado não é contraste, é composição. É poesia.
Uma poesia que não se escreve com palavras, mas com neblina, pedras antigas, silêncio e cheiro de café coado na varanda. Em Triunfo, tudo vira poesia e encantamento: o histórico Teatro Guarany, o Teleférico, o Pico do Papagaio, os Caretas, o singular Lago João Barbosa, a Cachoeira do Pinga, o Museu do Cangaço, Engenho São Pedro, o Betos Bar, a Casa de Almas.
Eu não tenho dúvida de que os habitantes primitivos da Serra da Baixa Verde, antiga denominação de Triunfo, no final do século XVIII, os índios Cariris, também usavam o dialeto da poesia. No abraço com a natureza, eles introduziram cultura, uma rica história que se reflete na arquitetura colonial e na hospitalidade do povo triunfense.
Para ser adotado filho Triunfense, eu não vim de longe. Vim de Afogados da Ingazeira, do Pajeú das Flores, da terra onde as almas são todas de cantadores, parodiando Rogaciano Leite. Nasci entre garranchos e espinhos, ao som da viola de trovadores com suas calças riscadas, cantando a fome e o amor.
Vim da terra da força do sol, da beleza do rouxinol, da bravura do cangaço, da esperança da chuva, do silêncio profundo que ecoa a sabedoria da terra.
Como disse Guimarães Rosa: no sertão, o correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e afrouxa, sossega e desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.
Ter nascido por aqui é carregar no peito a força do sol, no coração o brilho da lua, a fé que não falha, a esperança que nunca morre. Podemos bater no peito e com orgulho proclamar: somos da terra onde o mandacaru floresce e a vida vence a seca.