Por Marlos Porto*
Em junho de 2020, o Brasil vivia o auge do primeiro ano da pandemia de COVID-19. Hospitais colapsavam, milhares de mortes diárias eram registradas e a população se agarrava a medidas sanitárias como o uso de máscaras, o distanciamento social e a higienização de superfícies. Foi exatamente nesse contexto que o WhatsApp anunciou o lançamento de seu sistema de pagamentos no país — o primeiro do mundo a receber a funcionalidade.
O que se viu na sequência foi uma atuação fulminante do Banco Central: no mesmo dia, 23 de junho, editou a Circular nº 4.031 e determinou às bandeiras Visa e Mastercard que suspendessem imediatamente as operações. O serviço, que mal completara oito dias de vida, estava travado. Ficaria assim por meses, enquanto o Brasil agonizava.
Leia maisA pergunta que ecoa até hoje — e que a polarização política insiste em enterrar — é múltipla: o BC agiu dentro da lei? Houve abuso de poder? O argumento sanitário foi desprezado? E, mais grave, o atual governo tem sequer interesse em examinar o caso com isenção, ou prefere abrigar-se num maniqueísmo rasteiro de “nós contra eles”?
O que diz a lei — e o que o BC fez
A Lei nº 12.865/2013, que regula arranjos de pagamento, confere ao BC poder de autorização e fiscalização. Mas seu artigo 8º impõe ao governo o dever de estimular a inclusão financeira por meio de mecanismos do setor de telecomunicações. O WhatsApp é, antes de tudo, um aplicativo de telecomunicação. Seu sistema de pagamentos era exatamente o tipo de inovação que a lei mandava incentivar.
Os parágrafos 4º e 5º do artigo 6º são ainda mais claros: a regulação mais rigorosa só se aplica a arranjos cujo volume de operações seja capaz de afetar o funcionamento do sistema de pagamentos de varejo. E, para verificar isso, o regulador deve solicitar informações ao interessado — não agir com base em conjecturas.
O BC fez isso? Não. Em vez de notificar o WhatsApp, a Visa e a Mastercard, conceder um prazo razoável para apresentação de dados e um plano de adequação, o órgão partiu diretamente para a suspensão. E, para dar lastro legal à medida, editou a circular no calor do momento — um típico caso de “norma de ocasião”.
O “juízo de futurologia” que paralisou uma inovação
Em oito dias de operação, não há como coletar e analisar dados de volume, abrangência e natureza dos negócios para determinar se a inovação oferece risco ao sistema. A suspensão não se baseou em evidências concretas de dano, mas no tamanho do WhatsApp (cerca de 120 milhões de usuários no Brasil) e na mera possibilidade de que, no futuro, o modelo pudesse gerar concentração.
Trata-se de um clássico juízo de futurologia — algo que o direito administrativo, especialmente em matéria sancionadora, não admite isso sem o devido processo legal. O BC agiu como se o risco fosse um fato consumado, ignorando que a própria lei exige comprovação.
Pandemia: o argumento sanitário que ninguém quis ouvir
Aqui reside um ponto cego do debate público que precisa ser resgatado. Em plena pandemia, um meio de pagamento que elimina o contato físico com maquininhas, cartões, cédulas e teclados compartilhados era não apenas uma conveniência, mas uma medida sanitária relevante.
O pagamento via WhatsApp dispensaria: tocar a maquineta (superfície contaminada por dezenas de pessoas); manusear dinheiro (notoriamente veículo de microrganismos); digitar senha em teclado público; entregar o cartão ao atendente. A transação seria feita inteiramente no celular do comprador — algo que ele já manipula o tempo todo. Para o vendedor, bastaria um QR Code ou uma solicitação de pagamento. Para o cliente, autorização com biometria. Nada mais.
Milhões de brasileiros que trabalham na informalidade — vendedores ambulantes, feirantes, pequenos comerciantes — teriam acesso a um sistema de pagamento sem contato, sem a necessidade de maquininhas caras ou cadastros complexos. O auxílio emergencial, distribuído à época, poderia ter fluido mais rapidamente.
Em vez disso, o país passou os cinco meses seguintes (junho a novembro de 2020) — período em que morreram cerca de 125 mil brasileiros de COVID — sem essa ferramenta. O BC, sob a justificativa de proteger a concorrência futura, optou por atrasar uma tecnologia que poderia ter salvado vidas indiretamente, ao reduzir uma via de contaminação.
O princípio da precaução, tantas vezes invocado, deveria ter operado em sentido oposto: diante de uma pandemia letal, a ausência de risco sanitário comprovado deveria prevalecer sobre o risco concorrencial teórico. Não foi o que ocorreu.
A ausência do contraditório e da ampla defesa
A suspensão foi uma medida cautelar, mas as cautelares mais gravosas — e suspender um serviço com potencial de alcançar dezenas de milhões de brasileiros é, sem dúvida, gravoso — devem ser precedidas de oportunidade de defesa. Não há registro de que o BC tenha instaurado processo administrativo, notificado previamente as empresas ou concedido prazo para ajustes.
A determinação foi uma ordem direta às bandeiras, sob ameaça de sanções. Isso fere o contraditório (art. 5º, LV, da Constituição) e a ampla defesa. A jurisprudência do STF e do STJ é firme ao exigir que mesmo as medidas cautelares, especialmente as que suspendem atividades econômicas, respeitem o devido processo legal.
A cronologia que alimenta suspeitas
Suspensão do WhatsApp Pay: junho de 2020. Regras finais do Pix: agosto de 2020. Lançamento do Pix: novembro de 2020.
A neutralização do principal concorrente estrangeiro nos meses críticos finais de desenvolvimento do sistema público de pagamentos garantiu ao Pix uma janela de mercado sem concorrência significativa. Quando o WhatsApp Pay foi finalmente liberado — após mais de um ano e só a partir de 2021 —, o Pix já era um fenômeno de adoção. Hoje, ironicamente, o próprio WhatsApp integra o Pix como seu principal método de transferência, num reconhecimento tácito de que a batalha estava perdida.
A declaração do WhatsApp no dia seguinte à suspensão
No dia 24 de junho de 2020, um dia após a suspensão, o WhatsApp divulgou nota oficial amplamente repercutida pela mídia. Dizia a empresa:
“Ficamos muito animados com a avaliação positiva das pessoas no Brasil com o lançamento de pagamentos no WhatsApp na semana passada. Fornecer opções simples e seguras para que as pessoas realizem transações financeiras é muito importante durante esse período crítico de pandemia e ajudará na recuperação de pequenos negócios. Nosso objetivo é fornecer pagamentos digitais para todos os usuários do WhatsApp no Brasil, com um modelo aberto e trabalhando com parceiros locais e o Banco Central. Além disso, apoiamos o projeto PIX do Banco Central, e junto com nossos parceiros estamos comprometidos em integrar o PIX aos nossos sistemas quando estiver disponível.”
A nota deixa claro, nas entrelinhas, qual era o verdadeiro temor do Banco Central. Ao afirmar que apoiava o Pix e que estava disposta a integrá-lo, o WhatsApp demonstrava boa-fé regulatória e disposição para cooperar com o sistema público. Se a intenção do BC fosse genuinamente garantir um ambiente competitivo e interoperável, teria acolhido essa oferta, concedido um prazo para ajustes e instaurado um processo administrativo com contraditório. Em vez disso, preferiu a via da força — o que só se explica pelo receio de que a plataforma da Meta, com seus 120 milhões de usuários, desviasse a atenção do Pix antes mesmo de o sistema público decolar.
A desonestidade intelectual como estratégia
Há, porém, um aspecto ainda mais grave nessa história. Durante a pandemia, grande parte da sociedade brasileira se mobilizou contra o governo Bolsonaro, que boicotava medidas sanitárias, negava a gravidade do vírus e atrasava a vacinação. Essa luta foi justa, necessária e salvou vidas.
Ocorre que, hoje, sob o governo Lula, o país se vê diante de uma investigação comercial aberta pelos Estados Unidos (USTR) sobre eventuais práticas desleais do Brasil, justamente relacionadas à suspensão do WhatsApp Pay. A reação do atual governo tem sido, no essencial, maniqueísta e superficial: trata-se o episódio como uma defesa da soberania nacional contra a ingerência americana, ou como um ataque ao próprio Pix — deslocando, convenientemente, o eixo da discussão.
A crítica norte-americana não é contra o Pix em si. Ninguém questiona a importância do Pix, que é uma conquista tecnológica e social notável. A insurgência dos EUA — e de qualquer observador minimamente isento — é contra a forma como o WhatsApp Pay foi barrado em 2020: sem contraditório, com edição casuística de norma, em meio a uma pandemia, com uma cronologia que favoreceu o sistema público de pagamentos.
Em vez de reconhecer que a conduta do BC à época merece ao menos uma análise isenta e aprofundada, o governo Lula refugia-se na narrativa fácil da polarização. Tudo o que vem dos EUA é tratado como agressão. Qualquer crítica à regulação brasileira é automaticamente rotulada como defesa do imperialismo.
Mais grave: o mesmo campo político que, durante a pandemia, cobrou com razão medidas sanitárias mais duras do governo Bolsonaro, agora silencia diante do fato de que o Banco Central, em 2020, barrou um meio de pagamento que reduziria o contato físico em pleno auge da COVID-19. A luta pela saúde foi esquecida. O que restou foi a luta pelo poder.
O reconhecimento dos méritos alheios e a briga pessoal com Campos Neto
É preciso registrar, com honestidade, que o Pix é um sucesso. Ele foi bem desenhado, bem executado e se tornou uma política de Estado que beneficia milhões de brasileiros. Os méritos são, em primeiro lugar, da equipe técnica do Banco Central, mas não se vive num país anarquista: há uma cadeia política de comando. O presidente da época, Jair Bolsonaro, e o presidente do BC, Roberto Campos Neto, tiveram sim participação e responsabilidade — e, portanto, merecem crédito por esse êxito.
Ocorre que o governo Lula, no período em que Campos Neto ainda estava no cargo, nutria uma briga pessoal com ele, sobretudo por causa da política de juros. As críticas ao presidente do BC frequentemente ultrapassavam o tom técnico e assumiam contornos belicosos, pessoais. Essa animosidade impedia que o governo reconhecesse os aspectos positivos da gestão de Campos Neto — inclusive na implantação do Pix.
Essa recusa em reconhecer méritos de adversários políticos não era apenas deselegante; era intelectualmente desonesta. E, mais do que isso, travava a análise isenta dos erros que também ocorreram. Pois se o governo não admitia que Campos Neto e Bolsonaro acertaram em algumas coisas, também não conseguia examinar com cuidado onde eles (ou o BC sob sua liderança) poderiam ter errado — como na suspensão precipitada do WhatsApp Pay.
A análise ficava refém do interesse eleitoral. Uma coisa é você, no período correto, apresentar-se ao eleitor como opção. Outra coisa é querer pautar todo o seu agir conforme o interesse eleitoral de curto prazo, distorcendo fatos, omitindo nuances e recusando-se a aprender com o passado. Isso, além de feio, é errado.
Com base nesse interesse menor, o governo atual terminou deixando de analisar, com isenção, os erros ocorridos nas fases anteriores à implantação do Pix — dentre eles, a decisão de junho de 2020 de barrar o WhatsApp Pay de forma precipitada, sem os dados necessários sobre seu volume e sua efetiva capacidade de interferir no sistema de pagamentos como um todo. Poderia ser que o impacto do WhatsApp Pay não fosse gigantesco, mas teria tido sim algum papel benéfico no controle da COVID-19. O BC, no entanto, preferiu a via da força, sem o devido processo legal, e o governo atual, por desonestidade intelectual, não apenas deixa de reconhecer esse erro como ainda se esconde atrás da soberania nacional para criticar qualquer questionamento externo.
Conclusão: legalidade formal versus abuso substantivo — e o preço da desonestidade intelectual
Sob o prisma estritamente formal, o BC tinha poder para regular. A Lei 12.865/2013 lhe confere ampla discricionariedade. Mas a forma como esse poder foi exercido — com suspensão imediata, sem contraditório, sem prazo para adequação, baseada em norma criada no calor do momento e em avaliações prospectivas de risco, em plena pandemia — indica um abuso substantivo.
O direito brasileiro não tolera que o Estado, sob o manto da precaução, paralise inovações sem dar ao inovador a chance de se explicar. O princípio da proporcionalidade exige que a medida mais gravosa seja o último recurso, não o primeiro.
Ao agir como agiu, o Banco Central não apenas prejudicou uma empresa que investiu bilhões em tecnologia, mas também privou a população de uma ferramenta sanitariamente relevante num momento de mortes em massa. E agora, o atual governo, em vez de ter a grandeza de revisar o caso com isenção — reconhecendo os méritos do Pix e, ao mesmo tempo, os erros processuais da suspensão — prefere abrigar-se na polarização e na desonestidade intelectual. Prefere atacar Campos Neto e Bolsonaro em tudo, negando-lhes qualquer mérito, e com isso deixa de examinar criticamente os próprios equívocos da regulação brasileira.
Não se trata de “entregar” o Brasil aos interesses americanos. Trata-se de ter grandeza para reconhecer que, às vezes, o regulador errou. E que, ao errar, causou danos sanitários, econômicos e competitivos. A soberania nacional não se defende com chavões nem com perseguições pessoais, mas com a capacidade de reconhecer os próprios acertos e os próprios erros — mesmo quando eles envolvem adversários políticos.
Se o objetivo era proteger o sistema financeiro, o resultado foi proteger o Pix. Se o objetivo era promover a concorrência, o resultado foi sufocá-la. Se o objetivo era apenas exercer o poder de polícia, o resultado foi um ato de polícia sem as garantias constitucionais. E se o objetivo, hoje, é defender a soberania, o resultado tem sido — infelizmente — um debate pobre, maniqueísta, movido por interesses eleitorais espúrios, que não honra a memória daqueles que morreram na pandemia enquanto o país se recusava a usar a tecnologia disponível para salvar vidas.
*Analista político
Leia menos
Guilherme Boulos (Psol) optou, nesta sexta-feira (24), por falar na condição de secretário-geral da Presidência da República, quando questionado se o presidente Lula (PT) terá um, dois ou três palanques em Pernambuco. O partido do ministro tem Ivan Moraes como pré-candidato a governador, o PT apoia João Campos (PSB) e a governadora Raquel Lyra (PSD) ainda não se posicionou nacionalmente. Porém, Boulos ressaltou a união proporcionada pelo mutirão de serviços do Governo do Brasil na Rua, numa parceria que envolveu o Governo de Pernambuco e a Prefeitura do Recife.
“Aqui se junta com o Governo do Estado com a governadora Raquel Lyra, se junta com a Prefeitura de Recife para trazer serviços a quem mais precisa, as políticas e os projetos do governo do Brasil”, disse o ministro. “Quero agradecer à governadora Raquel, que cedeu o espaço aqui da escola estadual. Agradeço ao prefeito Vitor Marques, que também trouxe o serviço da Prefeitura de Recife”, enfatizou Guilherme Boulos , na entrevista coletiva ao lado da governadora. O prefeito da Capital não participou. As informações são do Blog Dantas Barreto.
Leia maisBoulos respondeu assim sobre a possibilidade dos três palanques: “Eu não estou aqui como militante partidário. Estou como ministro da Secretaria-geral do presidente Lula, fazendo esse evento em que cabe todos aqueles que estão com o presidente Lula, que acreditam nesse projeto de Brasil, que é um projeto popular”.
Mas Guilherme Boulos não poupou críticas à oposição, justamente ao defender a unidade em torno dos projetos do Governo Lula. “É isso que junta todos os processos, os órgãos, as instituições, 11 ministérios, a Caixa Econômica, o Banco do Brasil, o SESI, o SEBRE, o INSS, levando para o povo esse serviço. E acho que isso mostra uma diferença. A diferença entre o governo do presidente Lula e daqueles que só fazem dancinha na rede social. Os nossos adversários adoram ficar fazendo dancinha, ataque, mas não entregam para o povo. Quem está entregando é o governo do presidente Lula. Quem criou o Pé de Meia, quem criou Agora tem Especialistas, quem pode agora retomar os programas sociais com três milhões de casas contratadas do Minha Casa Minha Vida foi o presidente Lula. Ao voltar, reconstruiu os programas sociais do Brasil que tinham sido devastados, destruídos pelo governo anterior do Bolsonaro”, disparou o ministro.
Leia menos
Em manifesto, o PT pretende defender a necessidade de partidos de centro e de esquerda se unirem contra o que chama de avanço da “extrema direita” no país.
O partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizará congresso nacional neste final de semana na capital federal para discutir a estratégia para o processo eleitoral deste ano. Segundo relatos feitos à CNN, uma das ideias principais será chancelar a estratégia iniciada pelo presidente, em agenda internacional, de tentar vincular ao pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, a pecha de radical. As informações são da CNN.
Leia maisO objetivo é fazer uma espécie de chamamento dos partidos de centro sobre a necessidade de se unirem contra uma nova ameaça democrática, no caso, uma nova tentativa de golpe como a ocorrida no 8 de janeiro.
Em conversa com a CNN, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, classificou a estratégia do PT de classificar Flávio como radical como uma “bobagem”. Valdemar disse que o primogênito do ex-presidente é moderado e que seu perfil tem ajudado a crescer inclusive no Nordeste.
O PT agora focará em fazer um enfrentamento maior, sobretudo nas redes sociais, contra o primogênito de Jair Bolsonaro, que tem pontuado na frente de Lula em pesquisas eleitorais recentes.
Leia menos
O prefeito de Garanhuns, Sivaldo Albino, afirmou em vídeo divulgado nas redes sociais que a condenação da Prefeitura ao pagamento de diferenças salariais a professores refere-se a períodos anteriores à sua gestão. “É importante dizer que isso se refere aos anos 2017, 2018, 2019 e 2020. Eu não era prefeito do município de Garanhuns ainda”, declarou.
Segundo o gestor, a decisão judicial tem origem em medidas adotadas em administrações passadas relacionadas à carga horária dos docentes. Ele afirmou que, ao assumir o cargo em 2021, a atual gestão revogou o decreto em questão e retomou os pagamentos. “Voltamos a pagar o que era e é de direito dos nossos professores”, disse. Albino também mencionou impacto financeiro estimado. “A justiça determina que a nossa gestão venha a pagar […] cerca de 11 milhões dos cofres públicos”, afirmou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu alta hospitalar nesta sexta-feira (24) após passar por procedimentos médicos no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, nesta manhã.
Sem intercorrências, as intervenções ocorreram na cabeça e no punho. Ele retirou uma queratose (acúmulo de pele) no couro cabeludo e, conforme os médicos, a ferida é um tipo comum de tumor. O material foi enviado para biópsia. As informações são da CNN.
Leia maisJá no punho, Lula fez uma infiltração para tratar uma tendinite no polegar direito.
Mesmo com após a alta, a agenda de Lula desta sexta-feira (24) está esvaziada. O retorno do presidente para Brasília está previsto para ocorrer no domingo (26).
O presidente sai do hospital sem restrições, apenas com a orientação de utilizar um chapéu para proteger o local onde houve a retirada da lesão.
Ainda conforme o cardiologista Robero Kalil, os procedimentos realizados nesta sexta-feira não atrapalharão a campanha pré-eleitoral de Lula.
Cirurgias de Lula
A queratose é considerada uma alteração da camada mais superficial da pele (camada córnea), com hipertrofia e aspectoes escamoso ou verrucoso. Há três tipos da condição: a queratose actínica, a seborreica e a folicular.
A actínica surge normalmente em áreas expostas ao sol como face, orelhas, couro cabeludo (em calvos), colo, dorso das mãos e antebraços. Quando localizada nos lábios, são chamadas queilite actínica.
A CNN conversou com a dermatologista Ana Carolina Sumam, que explica que este é o tipo mais preocupante. “A queratose que mais nos preocupa é a queratose actínica, pois ela pode evoluir para câncer de pele. Trata-se de uma lesão diretamente relacionada à exposição solar acumulada ao longo da vida.”
Indivíduos com pele mais clara, cabelos loiros ou avermelhados e olhos claros, como os azuis ou verdes, tendem a ter maior propensão ao surgimento dessas lesões. Elas geralmente se manifestam como manchas avermelhadas ou levemente amarronzadas, com uma textura áspera.
Já a queratose seborreica é uma alteração cutânea não-maligna, normalmente de formato circular ou assimétrico, com tonalidade que varia do castanho ao marrom-escuro ou preto, e superfície de aspecto verrucoso. Surge com maior frequência na face e no tronco, podendo aumentar de tamanho e tornar-se mais saliente. Em geral, está associada a fatores genéticos.
Ceratose pilar: A abordagem baseia-se no uso de agentes ceratolíticos, como o ácido salicílico, associado à hidratação adequada da pele.
Ceratose actínica: Por se tratar de lesões pré-malignas, recomenda-se tratamento. A escolha terapêutica varia conforme o tamanho e a profundidade das lesões. Entre as opções, estão: crioterapia com nitrogênio líquido; curetagem associada à eletrocoagulação; uso de cremes tópicos, como 5-fluorouracil (5-FU), que também atua em lesões subclínicas; imiquimode a 5%; mebutato de ingenol; e excisão cirúrgica com encaminhamento para exame anatomopatológico, especialmente quando houver suspeita de carcinoma espinocelular.
Leia menos
O Sextou, programa musical que ancoro às sextas-feiras no lugar do Frente a Frente, recebe hoje o cantor e compositor David Coelho, artista carioca que ganhou projeção nacional a partir das redes sociais, onde soma milhões de seguidores com vídeos de voz e violão interpretando clássicos da música brasileira.
Natural da Baixada Fluminense, David começou a tocar violão ainda criança, aos 9 anos, e construiu sua formação musical de forma autodidata. Antes da carreira solo, foi vocalista da banda La Nuova por mais de uma década, acumulando experiência em palcos, bares e festivais, base que ajudou a moldar seu repertório amplo e sua atuação como intérprete.
Conhecido por releituras de nomes como Vander Lee, Djavan, Fagner, Geraldo Azevedo, Jorge Vercillo e Alceu Valença, David conquistou o público com interpretações marcadas por voz aveludada e forte carga emocional. Ao mesmo tempo, vem consolidando seu trabalho autoral, com canções centradas no tema do amor e das relações humanas, eixo principal de sua produção musical.
Leia maisEm 2023, lançou o primeiro álbum autoral, Chave, reunindo músicas compostas ao longo de mais de uma década, com influências da MPB, bossa nova, samba e jazz. O projeto marca uma transição importante na carreira, ao buscar apresentar ao público não apenas o intérprete, mas também o compositor.
No programa de hoje, David Coelho fala sobre essa trajetória — da internet aos palcos —, o sucesso nas redes, o processo criativo e o desafio de firmar um repertório próprio dentro da música popular brasileira.
O Sextou vai ao ar das 18h às 19h, pela Rede Nordeste de Rádio, que reúne 48 emissoras em Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Bahia, tendo como cabeça de rede a Rádio Folha 96,7 FM, no Recife. Para ouvir pela internet, acesse o link do Frente a Frente no topo desta página ou baixe o aplicativo da Rede Nordeste de Rádio na Play Store.
Leia menos
Seis vereadores de oposição protocolaram um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar possíveis irregularidades nos gastos da Festa de São José 2026, em Vertentes. Assinam o requerimento os parlamentares Nen Cavalcanti, Natália Miranda, Dida de Elda, Marcone, Elba Leal e Sara Siqueira, que cobram esclarecimentos sobre a aplicação de recursos públicos no evento.

De acordo com o pedido, a investigação deve abranger contratos relacionados a artistas, estrutura, logística e fornecedores, além da execução financeira e orçamentária da festa. Os vereadores também apontam a necessidade de apurar eventuais práticas de promoção pessoal de agentes públicos durante o evento, com exposição de imagem de integrantes da gestão municipal.
O requerimento aguarda inclusão na pauta da Câmara Municipal para leitura na sessão prevista para o dia 6 de maio. Caso seja instalada, a CPI poderá convocar testemunhas, requisitar documentos e conduzir diligências no âmbito das investigações.
O projeto de requalificação da Praça do Arsenal, no Bairro do Recife, foi reconhecido na etapa nacional da premiação do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), na categoria Urbanismo, Arquitetura da Paisagem, Planejamento e Cidades. O anúncio ocorreu durante seminário realizado em Porto Alegre, e a cerimônia de entrega está prevista para agosto, no Congresso Brasileiro de Arquitetos, em Fortaleza.
A intervenção, executada pela Prefeitura do Recife por meio da Emlurb, com parceria da iniciativa privada, resultou na reinauguração do espaço em outubro de 2025. A proposta recupera o traçado original elaborado por Roberto Burle Marx em 1934, conciliando elementos históricos com adaptações voltadas à acessibilidade e ao uso contemporâneo.
Entre as mudanças estão a substituição da grama por granilite, ampliação do canteiro central, preservação da arborização e instalação de novos equipamentos urbanos. “O projeto de Burle Marx mantém sua essência ao adaptar-se à nova dinâmica do Bairro do Recife”, afirmou o arquiteto Celso Vinícius Sales, superintendente de Paisagismo da Emlurb.
Desde a morte do ex-deputado José Patriota (PSB), em 2024, o Sertão do Pajeú ficou com um grande vácuo de representação na Assembleia Legislativa. Para preencher essa lacuna nas eleições deste ano, o ex-prefeito de Flores, Marconi Santana (PSD), botou o bloco na rua, com amplas chances de emplacar o mandato em nome da região.
Sua pré-candidatura será lançada em grande estilo no final da tarde do próximo domingo, na casa de recepções 16 de Março, na presença de prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e lideranças empresariais de vários municípios do Pajeú, Sertão Central, Sertão do Araripe e do São Francisco, além do Agreste e até da Mata.
Por Zé Américo Silva*
A corrida presidencial de 2026 entrou definitivamente em uma nova fase — mais tensa, mais direta e, sobretudo, mais estratégica. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, até então operando em um registro mais moderado, recalibrou sua comunicação política diante de um fator que não pode ser ignorado: o crescimento consistente de Flávio Bolsonaro nas pesquisas de opinião, já configurando cenários de empate técnico tanto no primeiro quanto no segundo turno.
Essa mudança de postura não é apenas retórica. Trata-se de uma inflexão clara de estratégia, baseada em três eixos: confronto direto, polarização narrativa e internacionalização do debate eleitoral.
Leia maisO ponto de virada está diretamente relacionado ao reposicionamento de Lula no cenário global, especialmente após sua recente agenda internacional. Ao endurecer críticas ao presidente norte-americano Donald Trump — citando ameaças comerciais, medidas protecionistas e episódios de tensão diplomática — Lula não fala apenas como chefe de Estado. Ele constrói, deliberadamente, um ativo eleitoral doméstico.
A lógica é sofisticada, mas transparente: transformar conflitos internacionais em elementos de disputa interna. Ao enquadrar Trump como símbolo de instabilidade, agressividade comercial e desrespeito à soberania de outros países, o presidente brasileiro cria as condições para um movimento seguinte — associar esse mesmo campo político ao bolsonarismo.
É nesse ponto que Flávio Bolsonaro entra como alvo central.
Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e herdeiro político direto de seu capital eleitoral, Flávio passa a ser retratado, no ecossistema digital governista e aliado, como extensão de uma agenda internacional que teria prejudicado o Brasil. O chamado “tarifaço”, as tensões diplomáticas e o alinhamento ideológico com Trump são utilizados como insumos narrativos para consolidar essa associação.
Não se trata de um movimento improvisado. É uma estratégia clássica de enquadramento: transferir o desgaste de um ator global para um adversário local, criando uma equivalência simbólica que simplifica a escolha do eleitor.
Ao mesmo tempo, Lula abandona a cautela que marcou fases anteriores da pré-campanha. O discurso mais conciliador cede espaço a uma comunicação de contraste. A lógica do “nós contra eles” volta ao centro da arena, mobilizando bases, ativando identidades políticas e reduzindo a zona cinzenta do eleitorado.
Essa guinada também se reflete no comportamento do entorno político. Partidos aliados, influenciadores e lideranças públicas passam a operar de forma coordenada, amplificando ataques, explorando narrativas de soberania nacional e reforçando a ideia de que a eleição não é apenas uma disputa interna, mas uma escolha entre dois modelos de inserção do Brasil no mundo.
Do ponto de vista técnico, a estratégia tem méritos claros. Polarização mobiliza. Simplificação narrativa facilita a comunicação. E a associação com fatores externos pode deslocar o debate de temas domésticos sensíveis para um terreno mais favorável ao incumbente.
Mas os riscos são igualmente evidentes.
Ao intensificar a divisão, Lula pode encontrar dificuldades para dialogar com o eleitorado indeciso, que tende a rejeitar ambientes de confronto permanente. Além disso, a estratégia depende, em certa medida, da manutenção do desgaste internacional de Trump — uma variável que não está sob controle da campanha brasileira.
Há ainda o fator de reação. O campo bolsonarista já demonstrou, em ciclos anteriores, alta capacidade de resposta digital e narrativa. A tendência é que o confronto se intensifique, elevando o nível de tensão política e comunicacional ao longo dos próximos meses.
O que se consolida, portanto, é um novo desenho de disputa: menos centrado em propostas administrativas e mais estruturado em identidades, símbolos e alinhamentos globais.
A eleição de 2026 começa a ser travada em dois tabuleiros simultâneos — o nacional e o internacional. E Lula, ao que tudo indica, decidiu jogar nos dois.
*Jornalista e consultor de marketing político
Leia menos
Por Maurício Rands*
As pesquisas eleitorais representam uma fotografia do momento. Podem ter caráter científico se bem usados os métodos de estratificação das amostras e de tratamento estatístico dos dados. Mas isso não as isenta dos riscos do manejo interessado. Os incentivos vão desde axiomas antidemocráticos como os famigerados “em política o feio é perder” ou “os fins justificam os meios”, chegando à pura e simples corrupção.
Alguns não se importam com as manipulações, acreditando ingenuamente que a pesquisa relevante é apenas a do eleitor nas urnas. Não percebem que as pesquisas, ainda que falseadas, afetam a decisão do eleitor que, geralmente, é infenso a votar no candidato sem chances.
Nesses descaminhos, as pesquisas podem falhar voluntária ou involuntariamente. Tome-se o caso das últimas pesquisas para governador em Pernambuco. A do Datafolha apresentou dados em descompasso com os de outros institutos que vinham apontando empate técnico entre a governadora Raquel Lyra e o ex-prefeito João Campos.
Leia maisEspecialistas apontam que alguns institutos, mesmo gozando de reputação nacional estabelecida, cometem lapsos metodológicos, sobretudo quando a eleição ainda está distante. À medida que a data do pleito se avizinha, vão fazendo os ajustes na metodologia e na amostra.
No caso da Datafolha, em alguns estados, ela terceiriza as equipes de entrevistadores. E, no início, concentra as amostras de entrevistados nas capitais e regiões metropolitanas, visto que entrevistas em locais mais remotos têm maiores custos. No caso de Pernambuco, isso pode justificar a diferença em relação às demais pesquisas que vinham apontando empate entre os principais concorrentes ao governo.
Outro tópico que justifica a cautela com as pesquisas é o fato de que, até o momento, os eleitores que não escolheram seus candidatos ainda são muito numerosos, assim como é elevado o percentual dos que admitem mudar de voto.
Como lembrou Renato Meirelles, em O Globo de 16.4.26, nada menos do que 62% dos entrevistados na última pesquisa Quaest não souberam dizer em quem votariam para Presidente quando, inicialmente, indagados sem o estímulo do disco com as alternativas.
Isso significa 96 milhões de pessoas que não externam espontaneamente uma preferência. Trata-se de dado relevante porque a urna eletrônica funciona como o voto espontâneo. O eleitor, quando chega na cabine, não se depara com um disco com os candidatos.
Outro fator que recomenda cautela com os resultados das pesquisas atuais é o fato de que 43% dos entrevistados admitem mudar de voto. Ou seja, 67 milhões de pessoas que declaram voto em algum candidato, mas admitem mudar.
Acrescente-se a frequente discrepância entre os votos espontâneos e os votos na estimulada. Na última pesquisa Datafolha para Pernambuco, João Campos apresentou uma dianteira de 12%. Mas, na espontânea, Raquel Lyra apresentou índices superiores (28% a 26%).
Ainda um outro dado recomenda cautela nas apostas sobre quem será vitorioso em Pernambuco. Historicamente, é raro um governante com mais de 60% de aprovação na pré-campanha perder uma tentativa de reeleição.
No Brasil, o índice de aprovação acima de 50% funciona quase como um “porto seguro”, embora erros graves ou crises possam afetar essa tendência. Mesmo com índices menores de aprovação, alguns incumbentes ainda assim são competitivos.
Foi o caso de Jair Bolsonaro, que, em 2022, tornou-se o primeiro presidente a perder a reeleição. Embora seus índices de “ótimo/bom” oscilassem entre 25% e 35%, ele perdeu para Lula por pequena diferença. Isso também sugere que a força de quem está sentado na cadeira continua relevante.
Especialistas em marketing político afirmam que governantes com 60% de aprovação só perdem a reeleição se ocorrer uma unificação total da oposição em torno de um único nome; ou quando o incumbente é tragado em um escândalo ético pessoal intransponível; ou ainda quando a rejeição individual (o “não voto de jeito nenhum”) for maior que 30%, mesmo com o governo bem avaliado.
Nenhuma dessas exceções se aplica à candidatura da governadora Raquel Lyra. As pesquisas têm convergido ao apontar um índice de aprovação do seu governo acima de 60%. Isso pode lhe conferir uma vantagem com tendência a se consolidar à medida que as ações do seu governo forem ainda mais conhecidas.
No caso do presidente Lula, a maioria das pesquisas aponta empate técnico com Flávio Bolsonaro. Mas a maior polarização no plano nacional é um fator importante. Embora ele tenha aprovação menor que 50% e tenha elevados índices de rejeição, o debate sobre as realizações de seu governo pode contar em uma eleição que segue sendo um clássico imprevisível.
*Advogado, professor de Direito Constitucional e PhD pela Universidade de Oxford
Leia menos
Faltam apenas 24 dias para o start das comemorações dos 20 anos deste blog: o jantar de adesão no restaurante Sal e Brasa Jardins, da Rui Barbosa, marcado para o dia 18 de maio. Depois, teremos o 1º Forró do Magno, em Arcoverde, no dia 13 de junho, uma forma de valorizar e prestigiar a grande massa de leitores do Interior. Entrevistaspolíticas exclusivas
Será top! Com a Super Oara. Quanto ao jantar de adesão, o local só comporta 300 pessoas. Se você ainda não adquiriu o seu ingresso, ao valor unitário de R$ 250, faça agora no seguinte Pix: 87999579702.
Leia maisJá estão confirmados os cantores Alcymar Monteiro, Maciel Melo, Petrúcio Amorim, Almir Rouche, Josildo Sá, André Rio, Fabiana Pimentinha, Cristina Amaral, Irah Caldeira e Walquiria Mendes, mas outros amigos e parceiros ainda devem confirmar presença para nos proporcionar uma noitada muito descontraída, emocionante e em alto astral.
O terceiro será um jantar de adesão em Brasília, promovido em conjunto com a tradicional Confraria do Blog Candanga, à frente o meu amigo Aristeu Plácido Júnior, embaixador de Pernambuco na capital federal. Vamos reunir autoridades federais e a grande colônia nordestina na corte.
Por fim, reitero com as informações abaixo a necessidade da compra antecipada para que você, caro leitor e amigo, não fique de fora da nossa primeira comemoração pelas duas décadas do bom jornalismo.
GARANTA SUA VAGA!
Se você quer compartilhar comigo os momentos de alegria e descontração do jantar de adesão pelos 20 anos do meu blog, faça de imediato a compra do seu convite. Os ingressos são limitados: apenas 300 e não haverá venda de última hora no local do evento. Adquira agora!
Valor: R$ 250,00
Pix: (87) 9.9957-9702
Após a compra, envie o comprovante para o mesmo número do pix.
Obrigado pela compreensão e a colaboração!
Leia menos