Prezado Magno Martins,
Polêmico e de estilo próprio, você é um saudosista das origens e convicto apaixonado pela família e vem protagonizando importante papel na política brasileira.
Parabéns pelo aniversário do blog.
Delmiro Campos
Advogado
Prezado Magno Martins,
Polêmico e de estilo próprio, você é um saudosista das origens e convicto apaixonado pela família e vem protagonizando importante papel na política brasileira.
Parabéns pelo aniversário do blog.
Delmiro Campos
Advogado
Por Mariana Araújo – Movimento Econômico
No Agreste pernambucano, uma iniciativa pioneira começa a redesenhar a vocação econômica da região. Localizada em Buíque, porta de entrada para o Vale do Catimbau, a Vinícola Rupestre se apresenta como um projeto que combina inovação agrícola, valorização territorial e estratégia turística. A proposta vai além da produção de vinhos e busca inserir o Catimbau no mapa do enoturismo, ampliando a permanência dos visitantes e gerando novas oportunidades de renda.
A história da vinícola tem raízes familiares e um olhar de longo prazo sobre o território. “Minha família é entusiasta do Vale. A gente tem terra lá desde o início dos anos 2000 e sempre quis empreender na região”, conta a sócia da vinícola, Maria Cecília Peixoto. A virada veio há cerca de seis anos, quando surgiu a percepção de que as características naturais do Catimbau, como altitude e amplitude térmica, poderiam favorecer a produção de vinhos de qualidade.
Leia mais“Meu padrasto teve esse olhar e enxergou o potencial para vinhos finos. Desde então, começamos a estudar esse novo terroir”, explica. A implantação do projeto exigiu tempo, pesquisa e adaptação. O plantio teve início em setembro de 2021, e a primeira safra produtiva ocorreu em 2023, ainda em fase experimental. Somente em 2024 a vinícola lançou seu primeiro rótulo comercial, marcando oficialmente a entrada do Vale do Catimbau na vitivinicultura brasileira.
Um terroir em construção no Catimbau
Com 14 hectares já plantados e mais de 18 variedades de uvas viníferas em teste, o projeto da Vinícola Rupestre ainda está em fase de consolidação técnica. A diversidade de castas é estratégica, pois permite avaliar quais variedades melhor se adaptam às condições climáticas do Agreste.
“Somos os primeiros a plantar uva para vinho no Catimbau. Então, existe um trabalho muito forte de estudo para entender o que funciona, o que não funciona e por quê”, afirma Cecília.
Segundo ela, algumas variedades apresentam desafios iniciais, como o Chardonnay, que teve desempenho insatisfatório na primeira safra. “Mas é uma uva com grande potencial. Fizemos novos testes de manejo e vamos replantar com ajustes”, acrescenta.
O processo conta com suporte técnico especializado, incluindo um enólogo português, João Costeira, que acompanha as etapas mais críticas da produção, como colheita e vinificação. No campo, uma equipe de quase 30 trabalhadores atua diretamente no cultivo, além do acompanhamento de um engenheiro agrônomo trazido do Vale do São Francisco.
A produção regional é valorizada do início ao fim da produção. O envase dos vinhos é realizado em uma indústria no município de Belo Jardim.
Produção crescente e mercado regional do vinho
A vinícola opera atualmente com uma safra anual e já projeta expansão significativa. Em 2026, a estimativa é de envase de 60 mil garrafas, com a meta de atingir 100 mil por ano até 2027. Apesar da demanda crescente de outros estados, a estratégia inicial tem sido consolidar a presença no mercado pernambucano.
“A gente tem priorizado Pernambuco, com vendas concentradas para restaurantes no Recife, em Fernando de Noronha e também no Agreste, como Buíque, Arcoverde e Belo Jardim”, explica Cecília. A escolha não é casual. Além de facilitar a logística, permite fortalecer a identidade regional do produto e criar uma conexão direta com o território de origem.
Os rótulos também seguem essa lógica de valorização local. A linha “Vinhos do Catimbau” homenageia pontos turísticos da região, com imagens que remetem a ícones como a Igrejinha e o Santuário. “Cada vinho traz um cartão-postal do Catimbau. É uma forma de contar a história do lugar através da garrafa”, afirma.
Enoturismo como estratégia de desenvolvimento
A Vinícola Rupestre também aposta no enoturismo. A empresa prepara a abertura de um espaço para visitantes, prevista para junho, com proposta que integra degustação, cultura local e experiências imersivas.
“A ideia é que a pessoa vá além do vinho. Queremos trazer artistas da região, exposições, informações sobre trilhas e pinturas rupestres. Um espaço que funcione como ponto de apoio ao visitante”, detalha Cecília.
A estratégia dialoga com uma lacuna identificada no Catimbau, de baixa permanência dos turistas. Hoje, muitos visitantes fazem passeios rápidos, focados em trilhas e paisagens, sem explorar outras possibilidades.
“Falta ampliar a experiência. O turista vem, faz uma trilha e vai embora. A gente quer que ele fique mais tempo”, diz.
Outras culturas em estudo
A partir da experiência exitosa com o vinho, a família pretende expandir o plantio para outras culturas. Na fazenda já existe uma área dedicada à criação de gado nelore para corte e outra para plantação de figos, que são aproveitados para doces e geleias.
O próximo passo é testar o cultivo de café especial, uma cultura que já existiu na região e pode ser resgatada como atrativo adicional. “Estamos analisando solo e clima para entender essa viabilidade. O café pode ser mais uma experiência para o visitante”, afirma.
Outra aposta da família é no cultivo de oliveiras, onde o desafio é maior. “É uma planta que precisa de um período de frio prolongado por ano, o que não temos nessa região. Mas estamos apostando”, relata Cecília.
Potencial subexplorado
Apesar da beleza cênica e do valor histórico, o Vale do Catimbau ainda é pouco explorado turisticamente, inclusive pelos próprios pernambucanos. A estimativa é de menos de 2 mil visitantes por ano.
“É um destino pouco conhecido até por quem mora em Pernambuco. Isso precisa mudar”, defende Cecília. Para ela, o desenvolvimento do turismo na região passa por uma articulação mais ampla, envolvendo infraestrutura, promoção e integração de atividades econômicas.
A experiência da família no setor turístico, especialmente em Fernando de Noronha, onde administram quatro pousadas, tem servido como referência para o projeto no Catimbau. “A gente já trabalha com turismo há muitos anos. E estamos trazendo esse know-how para ajudar a estruturar melhor a experiência no Agreste”, afirma .
Impacto local e perspectivas
Além do potencial turístico, a vinícola já começa a gerar impactos diretos na economia local, com a criação de empregos e a valorização da região. Segundo Cecília, a iniciativa tem despertado entusiasmo entre moradores e guias turísticos.
“As pessoas enxergam a vinícola como algo que pode trazer renda, visibilidade e desenvolvimento. Existe um sentimento de expectativa muito positivo”, relata.
A longo prazo, a proposta é que o empreendimento funcione como catalisador de outras iniciativas, estimulando cadeias produtivas complementares, como artesanato, gastronomia e agricultura familiar.
“Existem muitas frentes que podem ser desenvolvidas. A vinícola é só uma parte. O importante é integrar essas potencialidades e criar um destino mais completo”, conclui.
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Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
Houve muita comemoração no Palácio do Planalto com o alto comparecimento de parlamentares do Centrão na posse de José Guimarães na Secretaria de Relações Institucionais da Presidência. Inclusive com a presença dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ambos, inclusive, com muitos elogios ao novo ministro. Mas, para além do otimismo do governo, há uma expectativa de que tanto Motta quanto Alcolumbre atuem na condução das duas Casas do Congresso dando uma no cravo, outra na ferradura. A verdade é que ambos, assim como seus liderados do Centrão, hoje observam as pesquisas e enxergam uma eleição aberta.
Há 6×1 e há dosimetria
Nessa linha, governo e oposição jogam as suas fichas. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou na quarta-feira (22) a constitucionalidade da PEC que acaba com a escala 6×1 de trabalho. Ainda não é uma discussão de mérito. Mas a verdade é que o governo já dá o tema como ganho. Isso, porém, não significa que o governo recuperou o controle do Congresso. Ganha na 6×1 e deve perder na dosimetria.
Aliados envolvidos na dosimetria
Se o governo estima que a oposição jogou a toalha quanto ao fim da escala 6×1, já sinaliza também ter, de certa forma, jogado a toalha quanto ao PL da Dosimetria. A oposição deverá derrubar o veto integral que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ao projeto que reduz as penas dos envolvidos na tentativa de golpe. No caso, os partidos que compõem o governo farão seus posicionamentos, ficarão contra, mas não deverão ter força para evitar. Até porque há aliados que se envolveram diretamente na construção do projeto.
Pacheco: oposição só queria anistia
O primeiro é o próprio Davi Alcolumbre, outro o senador Rodrigo Pacheco (PSB), que Lula quer disputando o governo de Minas Gerais. Pacheco envolveu-se na primeira proposta, que depois teve como relator final o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP). Pacheco gosta de lembrar, inclusive, que no começo a oposição era totalmente contrária a qualquer solução intermediária.
Duelo
De qualquer modo, deve se intensificar um duelo entre oposição e governo no Congresso em torno da aprovação das pautas de seu interesse. O que as pesquisas hoje mostram é que o elemento definidor das eleições deste ano é para onde caminhará o eleitor de centro. E é ele que se tenta conquistar.
Agenda
No caso do governo, prepara-se, para os próximos dias, uma intensa agenda de viagens de Lula pelo país. O caminho, como já dissemos por aqui, é atrair o centro a partir dos parlamentares do Centrão, integrando-os a essa agenda que o presidente fará, inaugurando obras e participando de eventos.
Obras
Como tínhamos adiantado aqui no Correio Político, começaram desde a semana passada a ser veiculados anúncios na TV e outros meios que mostram que muitas obras nos estados e no Distrito Federal que tinham a aparência de serem dos governos estaduais são obras federais.
DF
Como exemplo, no caso do Distrito Federal, a propaganda mostra que as obras viárias que estão sendo feitas, com a construção de diversos viadutos e corredores exclusivos para ônibus, são do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e não do GDF. Nos outros estados, propagandas semelhantes estão sendo veiculadas.
Emendas
Apesar de toda a controvérsia pela suspeita de desvios em muitos casos, muitas dessas obras foram irrigadas com recursos de emendas parlamentares ao orçamento. Assim, onde essa utilização do recurso orçamentário foi legítima, a ideia é envolver o parlamentar responsável pela emenda no anúncio.
Oposição
O governo se mexe, mas a oposição não fica parada. No caso da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), além da aprovação das suas pautas no Congresso, o próximo passo estará na escolha do seu candidato a vice. Até o momento, Flávio tem tido um problema: o PL estreita a possibilidade de alianças.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes (PT), é a convidada do meu podcast em parceria com a Folha de Pernambuco, o Direto de Brasília, da próxima terça-feira (28). No programa, ela deve comentar as ações recentes da pasta, com foco no enfrentamento à violência de gênero, especialmente no combate ao feminicídio, além de iniciativas voltadas à proteção e garantia de direitos das mulheres.
À frente do Ministério das Mulheres, Márcia Lopes tem defendido a ampliação de políticas públicas de prevenção à violência, o fortalecimento da rede de atendimento e a articulação com estados e municípios para ampliar o alcance dessas ações. A ministra também tem participado de campanhas e mobilizações nacionais voltadas à proteção das mulheres e à promoção da igualdade de gênero.
Leia maisAssistente social de formação, Márcia Lopes é natural de Londrina, no Paraná, e tem longa trajetória na gestão pública e nas políticas sociais. Foi ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome em 2010, no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de ter atuado como secretária-executiva da pasta e secretária nacional de Assistência Social.
Também coordenou o grupo interministerial do programa Fome Zero e integrou conselhos nacionais nas áreas de segurança alimentar, assistência social e direitos da criança e do adolescente.
Filiada ao PT desde 1982, foi vereadora em Londrina entre 2001 e 2004 e secretária municipal de Assistência Social. Ao longo da carreira, atuou na formulação de políticas para mulheres e na articulação de redes de proteção social no Brasil e na América Latina. Em maio de 2025, retornou ao governo federal como ministra das Mulheres.
O Direto de Brasília vai ao ar das 18h às 19h, com transmissão pelo YouTube da Folha de Pernambuco e do meu blog, e também em cerca de 165 emissoras de rádio no Nordeste. Retransmitem o programa a Gazeta News, do Grupo Collor, em Alagoas; a Rede Mais Rádios, com 25 emissoras na Paraíba; a Mais-TV, do mesmo grupo, sob o comando do jornalista Heron Cid; a Rede ANC, do Ceará, formada por mais de 50 emissoras naquele Estado; além da LW TV, de Arcoverde.
Os parceiros neste projeto são o Grupo Ferreira de Santa Cruz do Capibaribe, a Autoviação Progresso, o Grupo Antonio Ferreira Souza, a Água Santa Joana, a Faculdade Vale do Pajeú e o grupo Grau Técnico.
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A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) aprovou, nesta quinta-feira (23), o projeto de lei 4035/2026, que amplia a capacidade de remanejamento do orçamento do estado para 20%. A aprovação marca o fim de um impasse de quatro meses sobre a matéria, desde que a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 foi aprovada, no fim do ano passado, permitindo apenas 10% por unidade orçamentária. À época, a Comissão de Finanças havia fechado entendimento para limitar o gasto excedente no orçamento de R$ 60 bilhões previsto. As informações são da CBN Recife.
Nesta quinta-feira (23), a mesma Comissão de Finanças deu parecer favorável ao PL 4035/2026, por unanimidade, em plenário. Em seguida, a pauta foi aprovada por todos os parlamentares presentes na sessão. O tema foi pacificado após ligação do presidente da Alepe, Álvaro Porto (MDB), para a governadora Raquel Lyra (PSD), que enviou o segundo e último projeto, permitindo que o orçamento do estado chegue a cerca de R$ 63 bilhões. Uma comitiva formada por prefeitos e deputados esteve no Palácio do Campos das Princesas para alinhar o texto.
Por Antonio Magalhães*
O católico está confuso. Fiel da maior denominação do cristianismo que abriga mundialmente 2,6 bilhões de seguidores, vê internamente a maior parte do clero se bandeando para a esquerda e observa sem reação violenta a barulhenta e controvertida invasão do Islã no mundo ocidental como um risco ao futuro dos valores da nossa civilização. E pior é a negligência das lideranças cristãs em enfrentar este ataque externo e as contradições internas.
O próprio Papa Leão XIV pediu o fim da ofensiva militar dos EUA e Israel contra o Irã, mas não lamentou as 40 mil mortes de manifestantes em protestos contra o regime dos Aiatolás. Tido como um líder conservador, o papa americano tem agido com muita tolerância com os islâmicos, a ponto de autorizar a abertura de uma sala de orações voltada para muçulmanos dentro da Biblioteca Apostólica Vaticana, atendendo a pesquisadores daquela religião que frequentam o local. Uma iniciativa dessa em favor dos cristãos seria possível num país islâmico?
Leia maisA convivência tolerante da liderança católica e de outras denominações cristãs com o Islã — que martiriza fiéis na Nigéria, queima igrejas até mesmo na Europa, persegue e violenta mulheres, mata homossexuais em seus países — é apenas um trágico episódio do esgarçamento do mundo religioso ocidental diante de tantos ataques. Os Cruzados da Idade Média que foram libertar Jerusalém dos muçulmanos não imaginariam que milênios depois o cristianismo estivesse por um fio pela agressão dos descendentes de Saladino, seguidores de Alá e Maomé.
E pior são os falsos líderes infiltrados na Igreja Católica num momento religioso muito delicado. Sabe-se que há uma incompatibilidade insuperável entre a religião e o comunismo. Este último é baseado no materialismo histórico, que considera a religião uma “alienação” ou “ópio do povo” e que legitima a opressão de classe. Historicamente, regimes comunistas promovem ateísmo científico e perseguição religiosa. Pura verdade, com a conivência do Vaticano, por exemplo, a Igreja Católica só nomeia os bispos na China depois de aprovados pelo Partido Comunista (PCC).
O papado de Francisco foi um período de grande simpatia da Igreja Católica Romana pelo progressismo sem limite da esquerda mundial. O argentino recebeu em audiência no Vaticano os mais infames ditadores que, falsamente contritos, foram receber a bênção do pontífice. O então presidente boliviano Evo Morales foi além: deu de presente ao papa uma escultura dourada de uma foice e um martelo com um Cristo crucificado, simbiose incompatível com o catolicismo.
A escolha do Papa Leão XIV, depois da morte de Francisco, foi tida como a volta a uma igreja mais conservadora dos valores religiosos. Próxima à Igreja comandada por João Paulo II, com um papado tão marcante que foi declarado santo. Sobrevivente do Nazismo e do Comunismo na Polônia natal, Karol Wojtyla esteve à frente da batalha para derrotar os comunistas, favorecendo o fim da União Soviética. Um feito desprezado por Francisco, formado entre os mentores da Teologia da Libertação, a ala mais à esquerda do catolicismo.
Até agora, o papa americano, adversário de Donald Trump e amigo do esquerdista Barack Obama, tem agido como um verdadeiro “tucano”, em cima do muro, agindo com mais cautela do que o necessário. No caso do Brasil, ele trocou o arcebispo do Santuário de Aparecida na maior igreja católica do país. Destituiu Dom Orlando Brandes que, por sua militância progressista, teve estendida sua permanência no cargo pelo Papa Francisco, e escolheu Dom Mário Antônio da Silva, com perfil mais conservador, ex-bispo de Roraima e presidente da Cáritas Brasileira.
Até agora, pelo menos publicamente, Leão XIV, depois da mudança prioritária em Aparecida, não conseguiu desarticular o principal aparelho religioso progressista do país, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Esta entidade é sempre ouvida pelo papa para a nomeação de bispos brasileiros. Os rebeldes para a conferência ficam nos bispados mais distantes e pouco influentes. Os amigos, como o arcebispo Dom Paulo Jackson, ex-vice-presidente da CNBB, foi designado para o Recife, tradicional reduto de progressistas desde o bispado de Dom Hélder Câmara. Depois de sua aposentadoria, o escolhido por João Paulo II para a Arquidiocese de Olinda e Recife foi Dom José Sobrinho, de perfil conservador. Ele foi boicotado pela burocracia e imprensa até sua saída precoce.
Nesta Quaresma, a esquerda fez a festa na tradicional Campanha da Fraternidade, sempre lançada após o Carnaval. Os críticos da iniciativa da CNBB apontaram o viés ideológico e social em detrimento da espiritualidade quaresmal. Segundo eles, foram termos políticos em excesso (moradia social, políticas públicas) e falta de elementos teológicos (ausência de Eucaristia/Nossa Senhora), alegando inclusive desvio do sentido de penitência.
Por outro lado, esta CNBB, militante à esquerda, não deu qualquer acolhimento religioso aos condenados injustamente pelo STF por conta das manifestações de 8 de janeiro de 2023 em Brasília. Apenas os pastores evangélicos consolaram os detidos e só eles vêm prestando assistência espiritual a este pessoal. Nunca apareceu um padre católico para confortar espiritualmente o ex-presidente Bolsonaro, que tinha como lema de governo “Deus acima de todos”. Contudo, um pastor esteve com ele na sua cela.
“Os cristãos devem, portanto, orar e vigiar, de olhos bem abertos para tudo o que acontece, porque há muitos ingênuos de um lado, e muitas raposas velhas de outro, de olho em sua alma e em seu voto”, recomendam lideranças religiosas independentes. É isso.
Jornalista*
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O deputado federal Eduardo da Fonte (PP) voltou a defender a redução da jornada de trabalho após a aprovação da admissibilidade da PEC 221/2019 na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Coautor da proposta, o parlamentar tem atuado na articulação do tema, que prevê a diminuição gradual da carga horária e permite modelos como o regime 5×2.
Com o avanço na CCJ, o texto segue agora para análise de mérito em Comissão Especial antes de ser levado ao plenário da Câmara. A proposta altera a Constituição para abrir caminho a novos formatos de jornada, mantendo dois dias de descanso semanal.
Segundo Eduardo da Fonte, a medida trata de mudanças nas relações de trabalho. “É uma pauta que envolve saúde, produtividade e dignidade. O Brasil precisa acompanhar essa evolução com equilíbrio”, afirmou.
Novidade na corrida presidencial, o psiquiatra e escritor Augusto Cury (Avante) se coloca como o “candidato mais bem preparado” para resolver a questão da desigualdade no Brasil. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, o intelectual falou da postulação, da desesperança dos brasileiros e fez acenos ao Nordeste. “Muitos candidatos nunca plantaram uma horta e querem decidir o destino da agricultura”, ironizou.
Logo de cara, porque um escritor tão bem-sucedido resolve entrar para a política?
Muito obrigado pela pergunta. Quero dizer que não amo poder e não preciso do poder. Como psiquiatra mais lido do mundo, talvez eu jamais devesse entrar no teatro da política. Como escritor brasileiro mais lido no Brasil no século XXI, também não. Mas é porque eu não preciso que estou entrando. Estou me pré-candidatando porque sou contra a radicalização e a polarização, e porque sou a favor de 210 milhões de brasileiros. É o Brasil dos nossos filhos, dos nossos netos, é o Brasil dos nossos sonhos.
O Brasil é historicamente um país desigual, em especial com o Nordeste. Como enxerga a região?
O Nordeste brasileiro é mais do que uma região, é uma poesia. Conheço todos os estados do Nordeste, tenho um caso de amor com a população nordestina, que é uma das populações mais generosas, mais altruístas e mais solidárias do mundo. E o Nordeste, em destaque o semiárido, que preenche cerca de 12% a 15% do território brasileiro, sempre foi desprezado. Se eu sentar na cadeira de presidente, o Nordeste vai ser contemplado como jamais foi. Precisamos transformar o Nordeste em centro de proteína animal, de fruticultura, de horticultura. Tenho sonhado e escrito, enquanto tem muitos candidatos que nunca plantaram uma horta e querem decidir o destino da agricultura.
De que forma seria isso?
Nós precisamos transformar o Nordeste numa região de milhões de microempreendedores. Por isso também quero dizer que tenho desenhado o Banco do Empreendedor. Metade do BNDES não pode servir só às grandes empresas, tem que servir ao microempreendedor. Metade do dinheiro que vem da Petrobras, os dividendos do Banco do Brasil e da Caixa Econômica têm que suprir um Banco do Empreendedor. Temos que trazer dinheiro de fora também. Esse é o sonho que eu quero transformar em realidade no Nordeste brasileiro, e infelizmente não vejo nenhum candidato falando sobre isso. Os candidatos falam de partidos, brigam um com o outro, mas eles não pensam de maneira consistente como eu penso, porque conheci a dor humana de perto. Eu vi pessoas à beira do suicídio, pais desesperados que não conseguem alimentar os seus filhos, mães angustiadas porque não conseguem ver que seus filhos um dia terão uma oportunidade na sociedade porque não têm condições de estudar. Por isso me coloco como o candidato mais bem preparado para resolver essa gravíssima equação da desigualdade no Brasil.
Quando o seu nome foi colocado na discussão, muita gente fala de sua falta de experiência política. Como convencer o eleitor sobre isso?
Eu não tenho experiência política de fato, mas quem tem experiência levou o Brasil a esse estado. Será que quem tem experiência é de fato um bom administrador? Eu não tenho nem quero ter essa experiência política de conchavos, de proteção, de amigos, de projetos pessoais. Tenho experiência de gestão. Meus projetos abarcaram milhões de pessoas, de pais e professores. Sou empresário e não apenas intelectual, e tenho vários projetos também de prevenção de suicídio gratuitamente e de transtornos psíquicos em vários países do mundo. Não tenho a experiência clássica, mas tenha certeza de que eu tenho a experiência que os políticos tradicionais nunca tiveram. Não é um projeto Augusto Cury, é um projeto para o Brasil. E sou um colecionador de amigos, vou convidar as melhores mentes da política e as melhores mentes da iniciativa privada para construir o Brasil dos nossos sonhos.
Tem alguma estratégia para superar uma polarização em que dois candidatos somam quase 80% dos votos?
Minha mente tem o melhor do capitalismo, mas meu coração tem o melhor do social. Não o socialismo, o social, porque lidei e tratei da dor das pessoas a vida toda, fiz mais de 20 mil sessões de psicoterapia e atendimentos psiquiátricos. Eu sei o que é a dor, eu vi a dor de perto e quero comunicar para as pessoas que é possível ter um coração social, que cuida dos direitos humanos, que protege as crianças. Quero mostrar que é possível fazer uma política econômica, de Estado, educacional e industrial que contemple os 210 milhões de brasileiros. Acredito que o brasileiro é muito inteligente e vai entender a diferença de uma pessoa que não é radicalizada, que é contra a radicalização e a polarização, com mente capitalista e coração social, com 100% de projeto e 0% de ataques pessoais.
Sua obra mais famosa no mundo é “O Vendedor de Sonhos”, que inclusive foi adaptada para o cinema. O político é um vendedor de sonhos?
O vendedor de sonhos não é um vendedor de ilusões. O vendedor de sonhos no livro é alguém que ensina as pessoas a nunca desistirem da vida. A cada 40 segundos uma pessoa morre pelas próprias mãos. Suicídios, a cada 4 segundos, alguém pensa em suicídio. E toda pessoa que, na verdade, pensa em suicídio ou tenta o suicídio, na realidade, tem fome e sede de viver, não quer matar a sua vida, quer sim eliminar sua dor, sua angústia e sua ansiedade. Então o vendedor de sonhos na obra é alguém que resgata as pessoas. Eu não quero ser um vendedor de ilusão em hipótese alguma. Minha pré-candidatura é muito séria, foi muito pensada e não de hoje. Há mais de 12 anos eu tenho falado para minha família desse desejo.
Como foi a reação deles?
Quando comentei com as minhas filhas e com minha esposa, elas choraram. Em hipótese alguma elas queriam que eu enfrentasse essa batalha, que entrasse num ambiente onde há tantas pessoas que se digladiam, que criticam outros sem generosidade, que amam o poder e querem fazer de tudo para alcançar o poder. Eu não amo poder, não preciso do poder, eu tenho o que esses políticos sonham e talvez nunca alcancem, que é prestígio nacional e internacional. Portanto estou fazendo porque não preciso, estou fazendo porque eu tenho um caso de amor com a sociedade brasileira e com a humanidade. Temos que fazer o Brasil grande, mas temos que fazer também a humanidade grande, porque afinal de contas a vida é muito breve e nós devemos amar a nossa família chamada família humana.
O que apontaria como o grande diferencial da sua postulação?
A minha voz talvez seja a única que aborda 100% de projetos e 0% de ataques pessoais. Reitero, a minha voz como pré-candidato à Presidência da República é a única contra a polarização e contra a radicalização.
Caso eleito, já iria trabalhar pela reeleição, como é comum de se ver pelo Brasil?
Quero mudar a regra do debate. Se eu tiver o privilégio de ser o presidente do país, quero ser por quatro anos. Eu não sou contra a reeleição, porque o poder não me seduz. Mas eu quero preparar o caminho para novos líderes, para que façam melhor do que eu. Porque o culto à celebridade, o culto ao poder, para mim são sintomas de uma sociedade doente. Meu objetivo é preparar os alicerces para os próximos 25 anos do Brasil até 2050. Não um projeto de partido, de Augusto Cury. Eu passo logo. Daqui a pouco eu vou para a solidão de um túmulo, eu morro como qualquer mortal. Temos que deixar um legado para os nossos filhos, os nossos netos, para os estudantes, para as mulheres, para os adultos e também para os idosos.
Doutor, as campanhas presidenciais são cada vez mais caras, cifras de dezenas de milhões. Como lidar com isso, já que seu partido não figura entre os maiores de recursos financeiros?
Bom, eu quero fazer a campanha mais barata, sem fundo partidário, mais pacífica, mais inteligente e mais propositiva da história do Brasil. Este é o meu sonho, e eu tenho contagiado todo o meu time com a tese de 100% projetos e 0% de ataques pessoais. E vocês sabem, grande parte das pessoas rejeita os primeiros colocados. É talvez a política decidida pela rejeição. Como pode isso? É a era da desesperança. Eu quero mostrar que é possível fazer um novo tipo de política, elegante, generosa, inteligente e regada a propostas. Eu quero fazer 10 mil comitês, 10 mil clubes de empreendedorismo, 10 milhões de empreendedores, um Banco do Empreendedor para contemplar os sonhos dos jovens e dos adultos. Se eu anunciar isso, quem sabe cada vez mais a sociedade brasileira vai voltar a ter um romantismo para mudar esse país, e não vai ficar em duas famílias, a família Lula da Silva e a família Bolsonaro, dois grupos lutando entre si.
O senhor falou também que entrou em contato com a dor de muitas pessoas. Qual é a maior dor do Brasil hoje?
É não ter esperança, é saber que a comida está muito cara. Talvez mais de 100 milhões de brasileiros vão ao supermercado e percebem que seu salário não consegue nutrir suficientemente a família, não há esperança de oportunidade de trabalho. A maior dor hoje é saber que há 53 milhões de famílias no Bolsa Família, mas elas não podem assinar carteira ou ter uma microempresa para complementar sua renda, porque o governo federal pune com a perda do benefício. Eu ajustarei o Bolsa Família. É um notável projeto, mas precisa de ajustes. Há muitas dores que invadem o brasileiro, talvez a dor também do radicalismo e da polarização, ninguém aguenta mais duas famílias, dois grupos lutando contra si e esquecendo 210 milhões de brasileiros que estão no meio. Não é possível isso, por isso estou me colocando como pré-candidato, por amor ao brasileiro e à nação brasileira, por amor aos meus filhos, aos meus netos, aos filhos de vocês e aos seus netos.
Afastado do cargo há dois meses após abertura de sindicância por denúncias de assédio sexual, o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), continua recebendo a mesma remuneração de quando estava em atividade, cerca de R$ 100 mil líquidos, o que contraria decisão de 2024 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O CNJ determinou a suspensão do pagamento de verbas de natureza indenizatória, temporária ou extraordinária a magistrados afastados no curso de processos administrativos disciplinares ou sindicâncias, como no caso de Buzzi, que está afastado desde 10 de fevereiro. As informações são do g1.
Com base nas conclusões da sindicância, o STJ decidiu abrir Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o magistrado, e o ministro do STF Nunes Marques determinou a abertura de inquérito para investigar a conduta do ministro do STJ.
Leia maisA defesa do magistrado tem dito, em manifestações enviadas à imprensa, que Buzzi “não cometeu qualquer ato impróprio ao longo de sua trajetória”. E que as alegações apresentadas contra o ministro “carecem de provas concretas”.
Remuneração maior no mês em que foi afastado
Em valores brutos, sem considerar os descontos, o magistrado recebeu R$ 132 mil em fevereiro e quase R$ 127 mil em março, praticamente o mesmo montante pago em janeiro, quando ainda estava em atividade.
As quantias resultam da soma do salário fixo de R$ 44 mil, o subsídio, com adicionais registrados nos contracheques como “indenizações” e “vantagens pessoais”. Após os descontos de previdência, Imposto de Renda e do teto constitucional, o valor líquido foi de R$ 106 mil em fevereiro e R$ 100 mil em março, o mesmo patamar de janeiro.
A premissa do CNJ é que não se justifica indenizar gastos de quem não está no exercício efetivo das funções.
“O entendimento consolidado pelo Plenário reafirma que o afastamento cautelar justifica a interrupção do pagamento de verbas que não possuem natureza estritamente salarial, mantendo-se apenas o subsídio integral”, disse o CNJ em nota.
A regra, contudo, não foi aplicada pelo STJ. No contracheque mais recente de Buzzi, referente a março, constam R$ 66 mil em “indenizações”. Em fevereiro, mês em que foi afastado, o valor foi maior, de R$ 72 mil.
Questionado pelo g1, o tribunal informou que suspenderá os valores excedentes nos próximos contracheques. “O ministro receberá apenas a parcela remuneratória dos seus vencimentos, consoante o art. 15 da Resolução 135 do CNJ”, diz a nota do STJ.
O tribunal, no entanto, não informou quais indenizações e vantagens pessoais foram de fato recebidas por Buzzi nesses dois meses e por que esses itens seguiram sendo pagos após o afastamento do magistrado.
O contracheque não detalha a que se referem essas quantias. Segundo o portal da transparência do tribunal, indenização pode ser “auxílio-alimentação, auxílio-transporte, auxílio pré-escolar, auxílio-saúde, auxílio-natalidade, auxílio-moradia, ajuda de custo, além de outras parcelas desta natureza”.
Tanto em março como em fevereiro, além do salário fixo, o magistrado recebeu R$ 16 mil de “vantagens pessoais”.
Essa quantia pode se referir a adicionais identificados pelo STJ como “vantagem pessoal nominalmente identificada, adicional por tempo de serviço, quintos, décimos e vantagens decorrentes de sentença judicial ou extensão administrativa e abono de permanência”.
O g1 procurou a defesa do magistrado, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Por decisão do STJ, o ministro está proibido de entrar nas dependências do tribunal. Uma jovem de 18 anos o acusou de assediá-la no início do ano em Balneário Camboriú (SC), onde ela passava férias com a família na casa do magistrado. Ele nega as acusações.
Suspensão de benefício deve ser analisada caso a caso, diz CNJ
Embora o CNJ confirme que sua decisão sobre suspender benefícios de magistrados afastados permaneça “plenamente válida e em vigor” desde outubro de 2024, há outros casos de juízes que seguem recebendo os chamados “penduricalhos”.
Também denunciado por assédio sexual, o juiz Orlan Donato Rocha, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), foi afastado em junho de 2024, mas continuou recebendo auxílio-alimentação por mais de um ano. O benefício foi mantido com anuência do CNJ.
Segundo informações da seção judiciária do Rio Grande do Norte, o Conselho respondeu a um requerimento do magistrado, em 27 de setembro de 2024, e se manifestou favorável à continuidade do pagamento do auxílio-alimentação mesmo com ele afastado.
A regra do CNJ sobre a suspensão dos benefícios para magistrados afastados começou a valer alguns dias depois dessa manifestação, em 8 de outubro de 2024. Mesmo assim, o juiz do TRF-5 seguiu recebendo até ser punido com aposentadoria compulsória, em dezembro de 2025.
Em nota, o CNJ disse que, atualmente, a suspensão de cada benefício deve ser analisada caso a caso, e que deve ser levado em consideração o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), que definiu critérios para o pagamento de “penduricalhos” aos magistrados e integrantes do Ministério Público.
Segundo a decisão de março, o STF considerou inconstitucionais, inclusive para magistrados que estão na ativa, benefícios como auxílio-moradia, auxílio-alimentação, auxílio-creche, entre outros. Esses pagamentos devem “cessar imediatamente”.
O Conselho informou que garante o cumprimento das próprias regras por meio de suas atribuições de controle administrativo, financeiro e fiscalizador sobre os tribunais, “assegurando que as folhas de pagamento das cortes sigam os precedentes fixados pelo colegiado”.
O que diz a defesa do ministro Marco Buzzi
A defesa do ministro Marco Buzzi repudia a campanha sistemática de acusações veiculadas na imprensa, marcada por vazamentos seletivos, distorções e ausência deliberada do direito básico de defesa.
Os reveses jurídicos pontuais desta fase inicial não alteram a realidade dos fatos: o ministro não cometeu qualquer ato impróprio ao longo de sua trajetória. As alegações apresentadas até o momento carecem de provas concretas.
Chama atenção que parte dessas narrativas tenha origem em advogada com interesses diretos em processos e decisões no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o que agrava ainda mais a necessidade de cautela e responsabilidade na divulgação dessas informações.
É inaceitável que, sob o pretexto de uma causa relevante, se promova um verdadeiro linchamento moral, baseado em ilações, contra um magistrado com mais de quatro décadas de atuação irrepreensível e sem qualquer mácula em sua trajetória.
Maria Fernanda Ávila
Paulo Emílio Catta Preta
Nota do STJ
“O Processo Administrativo Disciplinar foi aberto pelo Pleno do Superior Tribunal de Justiça no dia 14 de abril.
Neste mês, o ministro receberá apenas a parcela remuneratória dos seus vencimentos, consoante o art. 15 da Resolução 135 do CNJ.
Ressalte-se que o magistrado já estava impedido de utilizar o seu local de trabalho e usufruir de veículo oficial e outras prerrogativas inerentes ao exercício da função, nos termos do §2º do art. 15 da referida Resolução.”
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A governadora Raquel Lyra (PSD) foi alvo de vaias e gritos de “mentirosa” durante a entrega de um condomínio da construtora Tenda, no bairro de Dois Unidos, no Recife. A reação ocorreu em meio à insatisfação de moradores, que questionaram a condução do evento e a divulgação do empreendimento, apontando que teria sido passada a impressão de que as unidades foram entregues pelo governo, apesar de serem financiadas pelos próprios compradores.
Entre as queixas, moradores relataram que a entrega das chaves estaria condicionada à chegada da governadora, o que teria provocado atraso e aglomeração no local. Diante das reclamações, a organização antecipou a liberação das chaves. A revolta também foi motivada por restrições durante o evento, com áreas do condomínio sendo utilizadas por comitivas políticas.
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Nas redes sociais, participantes relataram dificuldades como acesso limitado a banheiros e estacionamento. “Hoje era pra ser um dos dias mais felizes da nossa vida, dia de receber as chaves do nosso lar. Mas o que era sonho virou revolta”, escreveu um morador. “Nosso condomínio estava tomado por políticos. O espaço de festas foi bloqueado para a comitiva da governadora e a gente não podia usar nem o banheiro”, acrescentou.
Em um áudio enviado à página Dois Unidos Resenhoso, outro morador reforçou a indignação que o episódio gerou entre os presentes. “Foi momento de politicagem. A gente que tá pagando isso aqui não podia usar o espaço”, disse. Ele também falou sobre o atraso da governadora. “Ela marcou de três horas da tarde e chegou por volta das cinco e meia. E todo mundo esperando em pé, porque não tinha cadeira”
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Por Muciolo Ferreira*
Se alguém me perguntar quem é o santo padroeiro do Brasil, eu direi São Jorge ou São Pedro, nessa ordem. Lógico que a resposta é baseada nos milhões de devotos e seguidores espalhados por esse Brasil que os dois possuem. Isso sem falar das igrejas e monumentos dedicados a eles e os nomes de batismo nos cartórios.
ERREI. Na verdade, o padroeiro oficial do Brasil é São Pedro de Alcântara, cuja data é celebrada no dia 19 de outubro. O santo foi nomeado pelo Papa Leão XII, em 1826, atendendo a um pedido do Imperador Dom Pedro I. Até hoje é reconhecido pela CNBB, mas sem muita divulgação pela Igreja. Todavia, é São Jorge o padroeiro popular e afetivo dos brasileiros, pois, hoje, em todos os recantos do nosso país, especialmente no Rio de Janeiro, o 23 de abril é feriado estadual.
Leia maisO santo guerreiro, defensor e protetor dos seguidores de Jesus Cristo, é festejado e celebrado com júbilo e de várias formas e tradições: alvoradas com foguetório, cânticos e missas seguidas das procissões dos seguidores do Cristianismo e das religiões de matrizes africanas, que incluem muitas rodas de samba. Tendo a feijoada de São Jorge como o prato principal.
À noite, as tendas e os terreiros da Umbanda e do Candomblé saúdam o homenageado no sincretismo religioso pelo nome de Ogum. Confesso que o nome Jorge sempre me encantou e me fascinou desde criança. Não sei o motivo. Talvez pelo fato de ser um nome carregado de simbolismo religioso e, na cultura popular brasileira, representar força.
Na raiz, na etimologia da palavra, o nome vem do grego Georgius, associado ao agricultor, ao homem da terra. Mas, em nosso país, Jorge é sinônimo de força, garra, proteção e de muita sedução. Sedução e masculinidade ligados à energia, ao poder e à resiliência. Além de ser um nome charmoso, clássico e personalíssimo, que combina com qualquer sobrenome. É só observar ao seu redor quantos conhecidos, parentes, colegas de trabalho e pessoas amigas foram batizados e registrados. A lista é imensa: Ricardo Jorge, José Jorge, Jorge Fernando, Pedro Jorge, Jorge José, só para citar esses. Difícil encontrar uma família que não tenha um parente Jorge. Ou não conhecer uma jovem que não teve um namorado Jorge.
São muitas as histórias. Por exemplo, o primeiro namorado da minha eterna, saudosa e única irmã que tive, Madalena, chamava-se Jorge. Ela casou com um Antônio, mas costumava dizer ter sido Jorge sua grande paixão. O nome também é atrelado ao poder de sedução, associado à influência de fatores culturais e simbólicos.
Jorge transcende, vai muito além da sua raiz literária, que o coloca apenas como um simples “agricultor”, “trabalhador da terra”. É sinônimo de coragem, garra, proteção e valentia, características essas de atração e sedução. Esse nome, no Rio de Janeiro, é tão próximo e íntimo das pessoas como é o próprio São Jorge. Raríssima uma casa que não tenha a imagem do santo num cantinho do cômodo reservado a ele. Em terras cariocas, é comum os Jorges serem saudados e cumprimentados nas ruas por “compadre Jorge”.
E eu não poderia deixar de incluir na homenagem ao dia do mais popular santo brasileiro os versos iniciais do samba-enredo da Escola de Samba Estácio de Sá, no Carnaval de 2016, quando do desfile do Grupo Especial do Rio de Janeiro.
“Sou teu fiel seguidor, meu cavaleiro / Por dia mato um dragão / Sou brasileiro / Estácio veste o manto carregado de axé / Salve Jorge, o guerreiro na fé…”
E viva hoje os Jorges nossos de todo dia!
*Jornalista
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Depois de a Câmara dos Deputados aprovar, na quinta-feira (22), o fim da escala 6×1 na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se mobiliza nos bastidores para frear o risco de um impacto fiscal da proposta. A ordem agora é tentar frear a articulação por uma desoneração de impostos para os setores mais impactados pela medida.
O assunto pautou as conversas ao longo da quinta-feira entre líderes governistas envolvidos na tramitação do projeto. Segundo os relatos feitos à CNN, a ideia é investir prioritariamente no debate sobre uma regra de transição, como forma de aliviar os efeitos da redução da jornada para o empresariado. As informações são da CNN.
Leia maisEmbora admitam que há forte pressão por uma compensação, aliados do presidente Lula dizem que o avanço de uma desoneração poderia tornar “inviável” a redução da jornada de trabalho nos moldes em discussão. Mesmo que o impacto seja adiado com uma regra de transição, afirmam, a mudança daria origem a uma bola de neve com efeitos expressivos sobre o Orçamento nos próximos anos.
A CCJ da Câmara aprovou a proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala 6×1. O relatório do deputado Paulo Azi (União-BA) foi aprovado de maneira simbólica, limitando-se a analisar a admissibilidade da proposta, ou seja, sua adequação à regra constitucional. O debate sobre como viabilizar a redução da jornada ocorrerá agora na comissão especial que vai analisar o tema.
Embora olhe com preocupação para a discussão de uma compensação da redução da jornada, o governo se diz otimista quanto ao avanço da proposta, que é estratégica para o presidente Lula do ponto de vista eleitoral.
A avaliação entre aliados do petista é de que a disputa por protagonismo no projeto é questão superada, uma vez que Planalto e Câmara concordaram na tentativa de fazer andar a PEC.
O projeto de lei do governo que trata do mesmo assunto seguirá na manga, caso haja dificuldade de articular os votos necessários para aprovar uma mudança constitucional. Mas o entendimento na base governista é que o cenário é propício a um acordo com a oposição, dado o efeito eleitoral da medida.
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Redução da jornada tem impacto no PIB
Na pressão para se curvar a um projeto meramente eleitoreiro do Governo Lula, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados retomou, ontem, a discussão e votação da PEC que reduz a jornada de trabalho 6×1. A proposta contraria o empresariado e divide opiniões, porque gera despesas ao setor produtivo e também pode reduzir empregos formais.
Estudos indicam que o fim da escala 6×1 pode derrubar o PIB brasileiro em cerca de 0,82% no médio prazo. Setores como indústria e construção civil preveem impactos bilionários. As estimativas variam, com projeções de quedas mais acentuadas, chegando a 7,4%, dependendo da jornada adotada (36h), gerando temores de aumento de custos, inflação e desemprego.
Estimativas do Banco Inter apontam para uma retração de 0,82% no Produto Interno Bruto. Setores da construção civil, bares, restaurantes e comércio estão entre os mais afetados pela necessidade de novas contratações. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima impacto superior a R$ 70 bilhões no PIB.
Leia maisPara evitar a retração, seriam necessários ganhos elevados de produtividade que compensassem a redução da jornada sem redução de salário. O aumento do custo da mão de obra pode levar empresas a reduzir o número de funcionários. Embora apoiadores argumentem que a mudança pode gerar empregos, o debate no Congresso envolve propostas que variam de 40 a 36 horas semanais, o que determinará a intensidade do impacto econômico.
MUDANÇAS RADICAIS – A proposta de Emenda Constitucional apresentada pela deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) busca não apenas abolir a escala de trabalho 6×1, mas também reduzir a jornada semanal máxima de 44 para 36 horas. A iniciativa representa uma mudança significativa nas leis trabalhistas brasileiras, visando melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores ao proporcionar mais tempo para descanso e atividades pessoais, sem prejuízo da carga horária diária máxima de oito horas. Com a redução da jornada semanal, seria possível implementar modelos de trabalho como a semana de quatro dias, seguindo tendências globais que apontam para ganhos em produtividade e bem-estar dos funcionários, segundo a autora da proposta.

Brant coordena plano de Caiado – O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), pré-candidato à Presidência da República, escolheu, ontem, o ex-ministro Roberto Brant para trabalhar na construção de seu plano de governo na corrida ao Palácio do Planalto. Brant também foi deputado federal por 20 anos, entre 1987 e 2007. O escolhido foi ministro do governo de Fernando Henrique Cardoso na pasta da Previdência e Assistência Social. Ele assumiu o cargo em março de 2001 e permaneceu nele por um ano. Brant foi eleito primeiro pelo PMDB e passou pelos antigos partidos PRS, PTB e PFL, além do PSDB.
Energia mais salgada – A Aneel aprovou, ontem, reajustes nas tarifas de energia de oito distribuidoras das regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, o que deve elevar a conta de luz em diferentes regiões do país nas próximas semanas. Os aumentos variam entre 5% e 15%, dependendo da concessionária e da região atendida (CPFL Santa Cruz; Enel Ceará; Neoenergia Cosern; Energisa Sergipe; CPFL Paulista; Coelba; Energisa Mato Grosso; Energisa Mato Grosso do Sul). Por enquanto, Pernambuco não entrou, mas pode aparecer na próxima pauta da Aneel.
Remuneração menor – Ainda sobre a redução da jornada de trabalho, sete em cada dez trabalhadores celetistas no país têm jornada de 44 horas por semana. Eles ganham, em média, R$ 2.627,25 por mês, 58% menos que os trabalhadores com jornada de 40 horas semanais, cuja média salarial chega a R$ 6.211. A conta é feita com base no salário por hora trabalhada. As informações fazem parte do estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a partir dos dados da RAIS 2023. Em 2023, o país tinha cerca de 44 milhões de trabalhadores com carteira assinada, segundo a pesquisa. Apenas 3% não informaram a jornada. Entre os demais, a carga horária de 44 horas semanais predomina. Está presente em 74% dos vínculos, o equivalente a 31,8 milhões de trabalhadores.

Avante com Dudu da Fonte – Entre Miguel Coelho e Eduardo da Fonte, que disputam a indicação para o Senado pela Federação Progressista na chapa de Raquel Lyra (PSD), o líder do Avante na Câmara dos Deputados, Waldemar Oliveira, já fez sua opção: Da Fonte, que é o presidente da federação. “O Avante tem responsabilidade política e reconhece a importância de uma chapa competitiva. Eduardo da Fonte tem trajetória consolidada, reconhecimento e atuação em diversas regiões do Estado. É o nome mais competitivo da Federação União Progressista”, afirmou.
CURTAS
VOTAÇÃO – Do presidente da Alepe, Álvaro Porto (MDB), ao confirmar que coloca o orçamento estadual hoje em votação: quarta-feira (22). “É meu compromisso. Reforço que todo projeto enviado pelo Executivo é prontamente debatido e aprovado por esta Casa. Somos a gestão que mais rápido aprova as matérias enviadas”.
PAPARICOS – João Campos afagou Tadeu Alencar pelas redes sociais após ser confirmado o cancelamento da sua nomeação para o Ministério do Empreendedorismo: “Meu amigo Tadeu Alencar, após mais de três anos desempenhando um grande trabalho em áreas estratégicas do governo Lula, se prepara para retornar à Câmara Federal nos próximos dias, onde seguirá contribuindo com o país, com nosso partido e com o presidente Lula”, escreveu.
CIRURGIA – A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) solicitou ao ministro Alexandre de Moraes autorização para a realização de uma cirurgia no ombro direito. O procedimento pode ocorrer amanhã ou no sábado, segundo os advogados, que apontam dores contínuas e perda de função na região.
Perguntar não ofende: Em ano eleitoral, qual deputado terá coragem de votar contra a redução da jornada de trabalho?
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