Preços dos carros usados acumulam alta de 80,5% desde a pandemia

Quem acompanhou o mercado de veículos nos últimos anos percebeu que os carros usados tiveram uma valorização expressiva, sobretudo a partir da pandemia de Covid-19. A leitura do IBV Auto, índice que acompanha os preços dos veículos leves usados no país, em comparação com os valores dos carros 0km medidos no IPC-Fipe, mostra que a alta dos usados foi a mais intensa desde 2020.
Desde janeiro daquele ano, os preços dos usados passaram a subir em ritmo mais acelerado do que os dos carros novos. Nesse período, que compreende até novembro de 2025, os 0km acumularam alta de 51,9%, enquanto os usados avançaram 80,5%. Na comparação entre os índices padronizados, é visível que desde o início do movimento de alta o usado encareceu mais do que o novo. “Essa diferença tão expressiva entre a alta dos usados e dos carros novos reflete uma mudança clara no comportamento do consumidor ao longo dos últimos anos”, afirma Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV.
“Com fortes reajustes dos 0km, especialmente durante a pandemia, o mercado de usados passou a concentrar uma demanda maior do que o habitual, o que ajuda a explicar por que os preços avançaram de forma tão acelerada”, ressalta ele. Esse movimento está diretamente ligado ao avanço dos preços dos carros novos, que se intensificou durante a pandemia e reduziu o acesso de parte dos consumidores aos 0k. Diante desse cenário, muitos optaram pelo mercado de usados como alternativa, aquecendo ainda mais o segmento de seminovos.
Leia maisVariações – Mesmo caminhando juntos ao longo do tempo, os dois mercados não reagiram da mesma forma. A cada novo ciclo de reajustes nos preços dos carros novos, o mercado de usados respondeu com variações mais fortes, reflexo da alta sensibilidade do consumidor brasileiro ao preço do 0km. Hoje, mesmo com sinais mais recentes de acomodação, os valores seguem em patamares historicamente elevados, especialmente entre os usados, que ainda sentem os efeitos do forte movimento de alta observado nos últimos anos.
“Mesmo com um cenário mais estável recentemente, o consumidor ainda encontra preços elevados na hora de comprar um usado. Por isso, o papel do crédito, do planejamento financeiro e da escolha consciente do veículo se torna cada vez mais relevante para viabilizar a troca de carro sem comprometer o orçamento”, diz Jamil Ganan, diretor executivo de Varejo do banco BV
Metodologia – O IBV Auto (Índice BV Auto) é um indicador desenvolvido para medir, com precisão e base metodológica robusta, a variação de preços de automóveis leves usados no Brasil. Construído a partir da base de dados do banco BV, líder em financiamento de veículos no país, o índice reflete as tendências de valor de mercado a partir de um volume expressivo de transações reais. Sua metodologia incorpora critérios rigorosos de amostragem, ajustes por depreciação e agrupamento técnico de modelos, permitindo acompanhar mensalmente a dinâmica dos preços por região e tipo de propulsão — combustão, híbrido ou elétrico
Inflação dos usados em dezembro – Já no fim do ano, o índice que mede a variação de preços de automóveis leves usados no país registrou crescimento de 0,46%, contra 0,39% em novembro. No acumulado de 12 meses, o indicador aponta alta de 5,31%, sinalizando que o mercado de usados permanece aquecido mesmo diante da desaceleração gradual da economia e do recuo de preços dos veículos novos. Para o economista, os dados reforçam que o mercado de veículos usados segue resiliente, sustentado pelo desempenho do emprego mesmo em um cenário de juros elevados. A expectativa é que ao longo de 2026 os preços de usados sigam crescendo, mas em ritmo mais brando, fechando o ano com um avanço menor frente ao observado em 2025.
Descontos no 0km – Trocar de carro sempre volta ao radar do consumidor, principalmente no começo do ano. Com descontos mais agressivos nos modelos de entrada, o carro 0km reaparece como opção, mas os seminovos completos seguem competitivos em preço, tecnologia e conforto, reacendendo a dúvida sobre qual alternativa oferece melhor custo-benefício hoje.
Segundo o Estudo de Preços de Veículos 0km (PVZ), desenvolvido pela MegaDealer em parceria com a Auto Avaliar, o desconto médio no valor dos carros novos chegou a 7,3% entre janeiro e agosto e recuou para 7,1% em novembro. Ainda de acordo com o estudo, o preço médio dos veículos novos vendidos em novembro foi de R$ R$ 172.785. “Uma vez que poucas montadoras aumentaram seus preços em novembro, podemos dizer que as mudanças importantes no cenário se dirigiram mais fortemente aos veículos de maior valor. Paralelamente, houve um pequeno aumento no desconto médio, de 7% para 7,1% entre outubro e novembro”, explica Fábio Braga, Country Manager da Megadealer.
Os menores descontos praticados permanecem nos segmentos sedã médio (Corolla, Civic, Sentra etc.) SUVs e modelos hatchs pequenos (Mobi, Kwid, entre outros). Por outro lado, os descontos em pickups são os mais generosos. O movimento que está acelerando o giro de estoque e ampliando o acesso ao primeiro carro zero. Com o preço dos 0 km atrativo, muitos consumidores estão em dúvida entre um carro novo, porém sem opcionais, ou um seminovo completo, com conforto e tecnologia.
Novo Tera: 50 mil unidades emplacadas – O mais novo produto da Volkswagen no Brasil, o SUV Tera, fechou 2025 em grande estilo. Com apenas sete meses de mercado, o modelo terminou dezembro com 10.449 unidades emplacadas, sendo o segundo SUV mais vendido e o segundo carro de passeio com mais unidades emplacadas no último mês de 2025, atrás apenas do T‑Cross, que foi o líder nos dois quesitos, com 10.721 unidades. Em suma: o modelo fechou 2025 com 48.143 emplacamentos. Na comparação com os dois principais concorrentes, o Tera teve 8,4% a mais de vendas que o segundo colocado, e 148,8% a mais que o terceiro modelo mais vendido de sua categoria.

Ranger comemora 30 anos no Brasil – A Ford Ranger completou 30 anos no mercado brasileiro em 2025 com vários motivos para comemorar. A começar pelo recorde histórico de vendas: as mais de 30.000 unidades emplacadas até novembro representam um crescimento de 9% no ano, comparado aos 3,8% do segmento de picapes médias. O crescimento na demanda da Ranger no Brasil e outros mercados da América do Sul levou a Ford a investir US$ 40 milhões este ano no aumento da produção da fábrica de Pacheco, na Argentina, que abastece a região. A capacidade da planta foi ampliada para o recorde histórico de 80.000 unidades anuais, 30% maior que em 2024.
Esses números são exemplos do sucesso da picape que se tornou um dos produtos mais importantes da história da Ford no país e segue em constante evolução ao longo de cinco gerações. A primeira Ranger foi lançada nos EUA em 1982, como opção menor e mais econômica que a grande F-150. Inicialmente ela era equipada somente com cabine simples e motores a gasolina.
No Brasil, a Ranger foi apresentada oficialmente no Salão do Automóvel de São Paulo em 1994, já na segunda geração. E chegou ao mercado no ano seguinte, nas versões XL com cabine simples e STX com cabine estendida, importada dos EUA. Em 1996, ela começou a ser produzida na fábrica de Pacheco. A terceira geração estreou em 1998 com a opção de cabine dupla e, em 2012, a quarta geração chegou ao país com novo visual e mais tecnologia, agora como um produto global, estabelecendo novos padrões no segmento. A Ranger atual é a de quinta geração, lançada em 2023 no Brasil como modelo 2024. A próxima novidade da Ranger já foi anunciada: a híbrida plug-in, primeira versão eletrificada da picape.
O sucesso da Série F nos EUA – A linha de picapes norte-americana completou o 49º ano consecutivo como picape mais vendida na América do Norte – e 44 anos como veículo líder geral do mercado –, com mais de 800.000 unidades registradas no continente em 2025. Em todo o mundo, a Ford já vendeu mais de 41 milhões de unidades da Série F desde o lançamento em 1948. Se fossem enfileiradas para-choque a pára-choque, elas somariam mais de 241 mil km, o suficiente para dar mais de seis voltas ao redor da Terra.
BYD anuncia quarto modelo na Bahia – A fábrica da chinesa BYD em Camaçari, na Bahia, já produziu 18 mil veículos dos modelos Dolphin Mini, King e Song Pro em pouco mais de 2 meses. Agora, a marca anunciou que o SUV híbrido plug-in Song Plus será produzido no complexo baiano ainda em 2026. E vai manter, inicialmente, as mesmas configurações do modelo vendido hoje no mercado – que é importado da China.

Novo Mercedes-Benz Axor – O Mercedes-Benz Axor retornou ao mercado brasileiro, renovado, no meio do ano passado. E já superou as expectativas, com a meta inicial de 1.000 unidades para 2025. No geral, em duas décadas, foram mais de 100 mil vendidas no Brasil. O novo Axor, disponível nas versões 2038 4×2 e 2545 6×2, traz soluções para a realidade do transporte brasileiro. Entre os destaques estão as cabines leito de teto baixo ou alto, suspensão metálica de série e quinta-roda reforçada para aplicações que exigem até 68 toneladas de CMT, oferecendo assim mais disponibilidade e rentabilidade para operações com semirreboques de quatro eixos, por exemplo. No trem de força, o motor OM 460 BlueTec 6 de 13 litros, com potências de 380 e 450 cv, aliado à transmissão automatizada PowerShift de 12 velocidades. Recursos como freio motor Top Brake, controle de estabilidade e opção de Retarder reforçam a segurança, enquanto o volante multifuncional, partida por botão e banco pneumático com 11 ajustes elevam o padrão de conforto.


Fazer FZ25 2026 custa R$ 25 mil – A motocicleta Yamaha Fazer FZ25 Connected chegou à linha 2026 com poucas mudanças – como cores e grafismos. Mas manteve a faixa de preço na faixa dos R$ 25 mil. A moto tem painel 100% digital, com fundo escuro que melhora a visualização das informações e mostra também as rotações do motor de maneira mais envolvente e esportiva. A Fazer FZ25 conectividade Bluetooth da motocicleta com o smartphone por meio do aplicativo Yamaha Motorcycle Connect (Y-Connect).
Pelo app, o piloto acompanha o consumo de combustível médio, o histórico de viagens (com possibilidade de compartilhamento em redes sociais) e o cronograma de manutenção. O aplicativo também mostra a última localização de pareamento da motocicleta e um ranking ECO, que indica quão econômica e eficiente está a pilotagem comparada a de outros pilotos. O motor 250cc, atrelado ao câmbio de cinco marchas, tem 21,3cv e 2,1kgf de torque.
Honda Motos cresce 14% – A marca japonesa Honda Motos registrou em 2025 um crescimento de 14% nos emplacamentos, com mais de 1,4 milhão de motocicletas entre janeiro e dezembro. O volume supera o total de 2012, quando 1,3 milhão de unidades foram emplacadas. Este é o quarto ano consecutivo em que a Honda ultrapassa a marca de 1 milhão de motocicletas emplacadas. Não à toa, ela anunciou em outubro de 2025 um investimento de R$ 1,6 bilhão até 2029. O aporte permitirá ampliar a capacidade produtiva da fábrica de Manaus (AM) para 1,6 milhão de unidades por ano. O plano inclui ainda o lançamento de novos produtos, tanto modelos inéditos quanto atualizações de motocicletas consagradas, e melhorias nos processos industriais, aumentando a eficiência e a flexibilidade operacional.


Verão na estrada: por que os pneus merecem atenção – O início do ano marca um dos períodos de maior movimento nas rodovias brasileiras. Com as férias escolares, muitas famílias aproveitam janeiro para viajar, enfrentar trajetos mais longos e diferentes condições de estrada. Nesse cenário, itens como óleo, freios e documentação costumam entrar na lista de revisão dos motoristas, mas os pneus, único ponto de contato do veículo com o solo, muitas vezes acabam sendo deixados em segundo plano.
Para a Bridgestone, garantir que os pneus estejam em boas condições é um dos fatores essenciais para uma viagem mais segura durante o verão. O calor intenso e o aumento do uso do veículo em trajetos prolongados exigem atenção redobrada com esse componente. “Os pneus têm papel fundamental na segurança do veículo. São eles que garantem aderência, estabilidade e eficiência na frenagem. Antes de viajar, a checagem dos pneus deve ser prioridade”, afirma Roberto Ayala, gerente de Engenharia de Vendas da Bridgestone.
Antes de sair de casa – Um dos cuidados mais importantes antes de pegar a estrada é a pressão correta dos pneus, que deve ser feita sempre com os pneus frios, de preferência antes do início da viagem. Rodar com pressão inadequada pode causar desgaste irregular, reduzir a estabilidade do veículo e aumentar o consumo de combustível. “Quando o pneu está com pressão incorreta, ele tende a aquecer mais durante o uso. Isso acelera o desgaste e pode comprometer o desempenho do veículo em situações de frenagem ou curvas”, explica Ayala.
Sulcos abaixo do limite legal – A profundidade dos sulcos da banda de rodagem é um fator essencial para o desempenho e a segurança do pneu. Quando o desgaste atinge níveis avançados, a capacidade do pneu de manter contato eficiente com o solo é reduzida, impactando diretamente a estabilidade do veículo. “O limite legal de desgaste dos pneus é de 1,6 mm, mas quando os sulcos chegam próximos de 3 mm, o desempenho do pneu já começa a ser comprometido. Por isso, a substituição deve ser avaliada antes de atingir o limite legal”, alerta o especialista da Bridgestone. Esse desgaste pode ser identificado pelas marcações conhecidas como TWI (Tread Wear Indicator), ressaltos localizados nos sulcos que indicam o momento correto para a substituição do pneu.
Calor do asfalto acelera o desgaste – As altas temperaturas típicas do verão influenciam diretamente o comportamento dos pneus. O asfalto quente aumenta o atrito, eleva a temperatura interna do pneu e pode acelerar o desgaste da borracha, especialmente em viagens longas.
“O calor excessivo, aliado à pressão inadequada e ao veículo carregado, cria um cenário de maior exigência para o pneu. Por isso, manter a manutenção em dia é fundamental para evitar surpresas desagradáveis durante a viagem”, reforça Ayala.
Atenção aos sinais visuais – Além da calibragem e da verificação dos sulcos, uma inspeção visual simples pode ajudar a identificar problemas antes de sair de casa. Bolhas, cortes, rachaduras, rasgos ou desgaste irregular são sinais claros de que o pneu pode não estar apto para enfrentar longos trajetos.
“O desgaste irregular pode indicar problemas de alinhamento, balanceamento ou suspensão. Nesses casos, não basta apenas trocar o pneu; é importante investigar a causa para garantir segurança e evitar novos desgastes prematuros”, orienta o gerente da Bridgestone.
Renato Ferraz, ex-Correio Braziliense, tem especialidade em jornalismo automobilístico.
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