No podcast, Gilson foi além. Disse acreditar que Alexandre de Moraes será o primeiro ministro do Supremo a enfrentar um processo de impeachment e afirmou que outros integrantes da Corte também poderão entrar na mira da nova maioria parlamentar. “Contra Alexandre de Moraes tem mais de 100 pedidos de impeachment, e ele sabe disso. O primeiro deve ser ele”, afirmou. O tema já entrou na articulação bolsonarista no Senado: o coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), defende uma mudança regimental para que pedidos apoiados por 49 senadores sejam automaticamente abertos, sem depender da decisão do presidente da Casa.
E Alcolumbre também apareceu diretamente na mira de Gilson. O deputado eleito acusou o presidente do Senado de ter engavetado pedidos de impeachment contra ministros do STF e previu uma movimentação pela cassação do senador. “Muita coisa está vindo à tona e a gente vai ter que arrumar um bom sofá para assistir à TV Câmara e à TV Senado, que serão as maiores audiências da TV brasileira no ano que vem”, disse.
Gilson também projetou mudanças no comando da Câmara, hoje presidida por Hugo Motta (Republicanos-PB), e sustentou que a nova composição do Congresso abre espaço para uma agenda mais conservadora. Na entrevista, citou 283 deputados de direita, outros 123 de centro e afirmou que Flávio terá condições de articular uma nova maioria para acelerar as pautas de seu eventual governo.
O futuro deputado ainda defendeu uma revisão ampla da Constituição de 1988. “Acho que a nossa Constituição já passou do prazo de validade”, afirmou, ao citar mudanças nas relações de trabalho, tecnologia e licenciamento ambiental. A declaração de Gilson encontrou eco no próprio Flávio poucas horas depois, quando o candidato presidencial também colocou mudanças constitucionais entre os objetivos da direita fortalecida pelas urnas.
Na corrida presidencial, Gilson foi igualmente taxativo: prevê que Flávio vencerá Lula (PT) no segundo turno com cerca de 57% dos votos. Também descartou a hipótese de o candidato do PL evitar os debates nesta etapa da campanha. “Não tem nenhum problema em ir, acho que Flávio irá”, afirmou.
PP, UB e Caiado com Flávio – A federação formada pelos partidos União Brasil e Progressistas (União Progressista) anunciou, ontem, que vai apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa à Presidência da República. Segundo a senadora Tereza Cristina (PP-MS), a decisão foi tomada por unanimidade pela federação e pelas executivas dos partidos, que se reuniram nesta terça. Também ontem, o ex-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) declarou que vai apoiar a candidatura de Flávio no segundo turno. “Goiás vai dar a maior vitória ao Flávio Bolsonaro nessa eleição. A mobilização vai ser em tempo integral”, disse Ronaldo Caiado.
Lula recruta jovens eleitos e influencers – A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, quer organizar uma espécie de força-tarefa digital para tentar aumentar o desempenho do petista nas redes sociais para o segundo turno das Eleições 2026. Como parte da estratégia, o presidente Lula deve se reunir, amanhã, com candidatas eleitas para a Câmara dos Deputados, como Ana Elisa (PT-MG), Erika Hilton (PSOL-SP) e Sâmia Bomfim (PSOL-SP), entre outras. Desde a votação de domingo (4), a campanha do presidente tem recebido sugestões de mudanças de estratégia, principalmente nas redes sociais. Aliados afirmam que uma das possibilidades também é fazer alianças com influenciadores de esquerda, que têm se colocado à disposição de Lula para auxiliá-lo no segundo turno. Um dos nomes é Jones Manoel (PSOL-PE), segundo deputado federal mais votado em Pernambuco e com forte presença digital.
PL esvazia debate da 6×1 – A maioria dos senadores do PL não participou, ontem, da primeira discussão no plenário da PEC que acaba com a escala 6×1 sem redução salarial. Dos 15 integrantes da bancada, apenas seis registraram presença. Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, estava em Brasília, mas também não acompanhou a sessão, nem de forma remota. Aliados do presidenciável tentam evitar a votação do texto atual e defendem uma proposta alternativa que permite reduzir a jornada com diminuição proporcional do salário. Integrantes do PL e do Republicanos devem se reunir hoje para definir uma estratégia sobre a PEC.
Lula pressiona bancada – O presidente Lula (PT) acusou o PL de Flávio Bolsonaro de tentar impedir a votação da PEC e disse que o adversário terá de mostrar se sua bancada “tem coragem ou não” de apoiar o fim da escala 6×1. “Pelo que eu fui informado, eles estão tentando atrapalhar a votação para que essa votação não aconteça. E a sociedade brasileira está de olho”, afirmou. Lula disse ainda que a votação fará “a máscara” dos parlamentares cair e mostrará “quem efetivamente quer que o povo tenha uma vida mais digna, descanse mais e cuide mais da família”.
Flávio quer “mudar a Constituição” – O senador Flávio Bolsonaro (PL) comemorou o resultado das eleições para o Congresso Nacional e falou em “mudar a Constituição” para “redemocratizar o Brasil”. “Já temos maioria no Senado e na Câmara, para a gente mudar a Constituição para redemocratizar o país”, disse. A fala do candidato a presidente pelo PL foi feita ontem, durante evento em Goiânia para oficializar o apoio do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) a Flávio. O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também esteve no evento. Para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), são exigidos 3/5 dos votos na Câmara (o equivalente a 308 dos 513 deputados) e no Senado Federal (pelo menos 49 dos 81 senadores). Com isso, o PL ainda vai precisar de alianças para ter maioria nas duas Casas.
CURTAS
LULA VAI PROCURAR RAQUEL – A senadora eleita no último domingo, Marília Arraes (PDT), afirmou, ontem, em entrevista à Rádio Jornal, que a campanha do presidente Lula (PT) buscará o apoio da governadora reeleita Raquel Lyra (PSD) no segundo turno. Segundo ela, a aproximação foi discutida na reunião de Lula com aliados, na segunda-feira, em Brasília.
DANI QUESTIONA NEUTRALIDADE – A deputada estadual reeleita Dani Portela (PT) afirmou, em entrevista à Rádio Folha, ontem, que apoiar a reeleição do presidente Lula (PT) é uma responsabilidade com a história e questionou a neutralidade da governadora Raquel Lyra (PSD) em relação ao segundo turno.
HORA DE BAIXAR O PALANQUE – Ainda na Rádio Folha, Dani disse: “Lula se reuniu com lideranças do estado e botou isso (o nome de Raquel) na mesa. Então, acho que agora é hora de baixar o palanque. Não sou a pessoa para fazer essa conversa, acho que tem nomes do PT nacional que já estão tentando, inclusive via partido dela, (porque) é momento de unidade histórica dos nossos tempos. Se mais uma vez ela continuar insistindo na neutralidade, espero que a história cobre o preço e cobre rápido”, disse.
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