Na semana passada, aproveitando a data da Proclamação da República, escrevi sobre a possibilidade de o Brasil já estar se tornando um Narcoestado. No texto, apresentei reflexões baseadas em diversos eventos que vêm ocorrendo no país, os quais nos levam a ponderar se já ultrapassamos essa linha ou se estamos perigosamente próximos disso.
Esses episódios evidenciam uma questão urgente que não pode ser ignorada: o impacto crescente do crime organizado, que transcende os limites da segurança pública e se configura como uma grave ameaça à segurança nacional.
O avanço das organizações criminosas brasileiras é alarmante. Para muitos, pode ser surpreendente saber que facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) já são produtos de exportação, atuando além das fronteiras nacionais e diversificando suas atividades criminosas.
Esses grupos, que inicialmente concentravam suas operações em alguns estados do Brasil, hoje ocupam todas as cinco regiões do país e se expandiram para toda a América Latina e Europa. Essa internacionalização representa uma ameaça real que demanda atenção imediata.
A conexão entre a execução ocorrida no aeroporto de Guarulhos e uma possível ação de queima de arquivo envolvendo um delator do PCC exemplifica a complexidade dessa problemática. Enquanto a imprensa brasileira limitou sua cobertura ao aspecto local, veículos internacionais, como o jornal português (Público, 17 de novembro de 2024), aprofundaram a questão, revelando as ramificações transnacionais da facção.
Os desavisados podem achar que se trata apenas de tráfico de drogas, mas o PCC está inserido em atividades como lavagem de dinheiro por meio de apostas esportivas (Bets), aplicativos e plataformas online que oferecem serviços financeiros pelo computador ou smartphone (fintechs) e até tentativas de aquisição de clubes de futebol na Europa, usando “testas de ferro” e estratégias sofisticadas para legitimar capital ilícito.
Esse contexto transcende a esfera doméstica e exige atenção e resposta efetiva das autoridades nacionais e internacionais. Ignorar esse avanço perigosíssimo é subestimar uma ameaça real a sobrevivência do Estado de Direito.
É imperativo que as dimensões globais dessas atividades criminosas sejam amplamente exploradas e reveladas, não apenas para informar a sociedade, mas para pressionar governos e instituições a adotar ações coordenadas e eficazes que impeçam a consolidação desse poder transnacional do crime organizado.
De acordo com levantamentos realizados recentemente existem pelo menos 72 facções criminosas vinculadas ao narcotráfico atuando em todo o país, algo que de antemão já causa espanto para qualquer observador internacional. Todavia para chegar nesse estado de coisas atual, a ausência de estratégias para combater essas organizações contribuiu com essa evolução ao longo dos anos, e o pior, a não ser combatida, cresceu e adquiriu contornos mundiais.
Prova disso é que ainda no final dos anos 1990 e início dos anos 2000 o Comando Vermelho estabeleceu parceria com as FARC colombianas, fato que foi tornado público, apenas, com a prisão de Fernandinho Beira Mar na Colômbia em 2001, mas só o fato do traficante ter sido abrigado naquela nação, já demonstra que o Comando Vermelho havia estabelecido uma parceria com as FARC para a exploração de uma rota amazônica para o tráfico de cocaína.
E essa rota continua ativa, o que pode ser constatado com a apreensão, em agosto de 2023 pela Polícia Federal, de mais de uma tonelada de drogas em Rorainópolis, município com pouco mais de 200 mil habitantes dominado pelo CV, os agentes apreenderam também, dois fuzis AK-47, duas espingardas e um rifle com três colombianos e dois brasileiros.
Em setembro do mesmo ano, mais dois colombianos foram presos em uma embarcação na Ilha de Marajó com uma tonelada de skunk (droga conhecida como “supermaconha”) e segundo as forças de segurança mais de 6 toneladas de drogas (incluindo cocaína) tinham sido apreendidas só em 2023.
A ponto de a Promotora Ana Maria Magalhães de Carvalho, coordenadora do Gaeco do Pará dizer que “essa cocaína também abastece um mercado consumidor importante, de norte a sul do país. A presença de organizações criminosas estrangeiras tem se expandido no país”.
Além disso, o envolvimento do crime organizado com cartéis estrangeiros como os colombianos, mexicanos e albaneses, que já se estabeleceram em território nacional, agrava ainda mais o cenário. Um relatório recente produzido pelo Diálogo Interamericano e outras instituições destacou como esses grupos se aproveitam de territórios brasileiros sem a presença efetiva do Estado para expandir suas operações.
A promiscuidade entre facções brasileiras e cartéis internacionais fortalece estruturas criminosas transnacionais que colocam em xeque a possibilidade da atuação do Estado em determinados territórios.
Retornando ao ataque em Guarulhos com a participação do PCC em “empreendimentos” globais, a mídia portuguesa explorou bem o assunto, revelando situações que nos levam a acreditar que o que essa ORCRIM faz por lá, também faz por cá, é quase uma colonização às avessas.
No periódico citado anteriormente, foram exploradas as ramificações e as atividades que a facção desenvolve em Portugal, tornada do conhecimento das autoridades, como resultado da delação de Antônio Vinícius Gritzbach, morto no último dia 08 de novembro.
No bojo da delação ele revelou como o PCC tentou negociar a entrada no capital de três times de futebol da liga portuguesa, com o envolvimento de Ulisses de Souza Jorge, que também é agente do jogador da seleção brasileira de futebol, Éder Militão.
Ele revelou também, a maneira como a facção aborda clubes com débitos na federação de futebol portuguesa, para propor a criação de uma Sociedade Anônima Desportiva injetando dinheiro nesses clubes como forma de lavar o dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. Numa dessas transações, em virtude da impossibilidade de constar o nome de Ulisses numa empresa, foi montada uma empresa com 4 “testas de ferro” onde cada um tinha a participação de 25%, e mais uma vez o nome de outro conhecido jogador de futebol brasileiro aparece, nesse caso quem estaria atuando como “testa de ferro” seria o ex-jogador do Flamengo, Léo Moura.
O Promotor de Justiça Lincoln Gakiya, e um dos principais investigadores do crime organizado no Brasil, alertou ainda “Tenho dito às autoridades portuguesas que, a partir do momento que se identifica uma estrutura do PCC em Portugal com esse nível de organização interna e de integrantes, significa que está muito bem estruturada e com carácter de permanência”.
Essa afirmação do promotor sobre as ações do PCC , nos faz pensar, se lá na Europa a facção já atua em diversos ramos para lavar o dinheiro de atividades ilícitas, imaginem como estão suas atividades aqui no Brasil e o nível de permeabilidade que essas organizações já dispõem dentro do cotidiano brasileiro.
Ainda no artigo da semana passada eu expus a participação dessas organizações no apoio e financiamento de políticos, de pessoas para prestarem concursos para acessarem posições de influência dentro do sistema de justiça criminal e da burocracia estatal, esses fatos são muito graves e transcendem as ações de segurança pública, e demandam ações coordenadas de segurança nacional, haja vista que já atingiram um estágio de comprometer a funcionalidade do país.
Diante desse panorama, é imprescindível que se reconheça a gravidade do problema e que as autoridades brasileiras, em cooperação com a comunidade internacional, ajam com urgência, adotando medidas eficazes e integradas para conter o avanço do crime organizado.
A omissão nesse momento pode custar caro, não apenas para o Brasil, mas para toda a região e até para outros continentes. É hora de enfrentar esse problema com a seriedade e os recursos que ele exige, garantindo que a nação não sucumba ao domínio das organizações criminosas e que o Estado de Direito prevaleça sobre a corrupção e a violência.
*Bacharel em Direito e Especialista em Gestão de Políticas de Segurança Pública/ RENAESP-SENASP
Basalt, Dark Edition: na essência, vale o quanto pesa
O Citroën Basalt Dark Edition foi lançado no Brasil em setembro de 2025, já como 2026, para ser a versão topo de linha da marca no Brasil. Nela, o SUV cupê ganhou detalhes escurecidos e acabamento exclusivo — e alguns equipamentos de segurança e conforto a mais. Manteve o conjunto com motor 1.0 turboflex e câmbio CVT e, principalmente, ganhou um preço digno — principalmente por conta da ‘promoção’ quase permanente no site de ofertas da Citroën: de R$ 126 mil por R$ 116 mil na cor metálica preta, frete incluso e exclusiva na venda direta (1 unidade por CPF). Um adendo: caso escolha a cor metálica cinza Sting Gray com teto preto, o cliente tem que desembolsar R$ 3,9 mil extras — ou 3,4% do valor inicial do bem.
A iniciativa faz o modelo, testado por este colunista, uma boa, mas boa mesmo, alternativa no mercado. O Basalt é um SUV para quem está entrando no universo dos utilitários esportivos, mesmo que só para uso urbano, exatamente por unir preço e comodidades. Se você tinha ou tem preconceito com a Citroën, reveja seus conceitos — principalmente depois que ela passou a fazer parte do conglomerado Stellantis, também dona da Peugeot, Fiat, Ram, Jeep etc, compartilhando entre as marcas peças e conjuntos de motor e câmbio.
De diferente das demais, a Dark Edition vem com teto preto, rodas de liga leve de 16 polegadas, pedaleiras esportivas, soleiras personalizadas, logotipo escurecido e outros trecos visuais que os brasileiros adoram. É na verdade, uma customização para dar mais sofisticação e esportividade à base dos acessórios Mopar, outra empresa do grupo que oferta de carregador por indução à camêra de bordo, de capa para transporte de pets a subwoofer.
Acabamento – É melhor do que o oferecido na Shine, também testada por este colunista. Enfim: foi, felizmente, melhorado. Com, por exemplo, materiais mais agradáveis ao toque. Isso vale para forro das portas dianteiras e apoio de braço. Alguém lembra que critiquei os comandos de acionamento dos vidros dispostos no console central, ao lado dos bancos dianteiros? Não foi por minha causa, claro, mas a Citroën levou a ferramenta para as portas da Dark Edition — como deve ser, afinal. O interior é todo escurecido — se agrada ou não a maioria, tanto faz, mas parece ser um ambiente mais sofisticado do que é. Até por conta das costuras aparentes em bancos, câmbio e painel central.
O modelo mantém na Edition o painel de instrumentos digital de 7 polegadas e a central multimídia com tela de 10,25” bem horizontalizada. O sistema, enfim, não é topo de linha, mas resolve muito bem. Tem, por exemplo, conectividade com Android Auto e Apple CarPlay, seis alto-falantes e controle de áudio no volante. São oferecidas duas porta USB: uma do tipo A, tradicional, e duas portas USB-C de carregamento rápido para os ocupantes da segunda fileira. E, sim, uma tomada 12V, daquelas que serviam para colocar o acendedor de cigarros.
No geral, vem com ar-condicionado automático e digital, assistente de partida em rampa, banco do motorista com ajuste de altura (manual, claro), apoio de braço, bancos dianteiros com apoio de cabeça regulável, câmera de ré e controlador e limitador de velocidade. Mas um ponto positivo. A versão tem quatro airbags, mas merecia seis. E sistema Isofix para fixação de cadeirinhas infantis nos bancos traseiros.
Velho conhecido – O conjunto de motor e câmbio (automático CVT, que simula sete marchas e usa comando por corrente, dispensando correia dentada) é o mesmo adotado por outras marcas da Stellantis — como o Peugeot 2008 e o Fiat Fastback. É o 1.0 turbo, três-cilindros, com injeção direta, que rende até 130cv de potência e 20,4kgfm de torque. Como é um carro leve (1.190kg), tem desempenho bem satisfatório mesmo. Foi avaliado tanto em estrada quanto nas vias urbanas, demonstrando equilibrio entre agilidade e consumo e passando segurança ao condutor em ultrapassagens. Quanto aos números de consumo, o padrão: 12km/l na cidade e até 14km/l na estrada (com gasolina e dependendo, claro, da força do pé do motorista).
Stellantis terá seis híbridos este ano – O grupo global Stellantis terá 16 modelos (novos ou com alterações) já agora em 2026. Destes, seis serão híbridos, segundo informou o próprio presidente da empresa para a América do Sul, Herlander Zola. “Vendemos 906 mil veículos na América do Sul até novembro e devemos passar de 1 milhão em 2025, contra cerca de 950 mil em 2024”, informou o executivo. A participação da região nos negócios da Stellantis chega a 15%, enquanto o mercado total da região — de 4,4 milhões de veículos — responde por 5% nas vendas globais do setor.
Dos seis Bio-Hybrid programados para 2026, quatro serão produzidos em Goiana, em Pernambuco; um em Betim, em Minas: e um em Porto Real, no Rio de Janeiro. Segundo Zola, a produção dos primeiros Leapmotor em Goiana deverá ser iniciada no final de 2026 ou início de 2027. Zola diz que 2025 foi um ano especial em sua carreira — pela indicação ao cargo atual — e também para a empresa, que hoje conta com 1,2 mil fornecedores no Brasil, gera 35 mil empregos diretos e investe R$ 32 bilhões entre Brasil e Argentina.
Yamaha lança nova Aerox ABS Connected no Brasil – Após inovar com seu primeiro modelo elétrico do País (Neo’s Connected) e a primeira scooter com sistema híbrido leve do Brasil (Fluo ABS Hybrid Connected), a Yamaha dá mais um passo inovador: traz ao mercado brasileiro uma scooter que une esportividade, tecnologia e conectividade, a nova Aerox ABS Connected. O preço sugerido é de R$ 18.990 (além de frete), com quatro anos de garantia. As vendas começam agora em janeiro. O acabamento garante um visual premium ao modelo: assento com costuras aparentes, estampa em baixo-relevo e detalhes inspirados em motos de alta performance — como as aletas frontais com acabamento que simula fibra de carbono e a lanterna traseira com linhas angulares, que remetem à família R da Yamaha.
A Aerox ABS Connected vem equipada com motor de 160cc e tecnologia que garante mais torque em baixas rotações, potência máxima em altas, melhor eficiência de combustível e aceleração progressiva sem perder desempenho. O resultado? 15,4 cv e 1,4 kgfm, aliados à transmissão automática CVT. A nova Aerox ABS Connected está equipada com o sistema Stop & Start inteligente, que desliga o motor quando é identificada uma parada, religando automaticamente ao acelerar, reduzindo ainda mais o consumo de combustível e a emissão de poluentes. O modelo vem equipado com sistema de freios a disco, com ABS na roda dianteira.
A nova scooter da Yamaha também tem Sistema Smart Key, que permite ligar o modelo por aproximação, acompanhado do Sistema Answer Back, que permite encontrar o veículo por meio de um toque no botão da chave de presença: quando acionado, as setas piscam e um sinal sonoro é emitido. Para maior comodidade e praticidade para o motociclista, ela vem equipada com tomada USB Tipo-C e porta-objetos com tampa. A scooter tem conectividade Bluetooth com o aplicativo Yamaha Motorcycle Connect.
O Brasil dos trabalhadores em apps – O número de brasileiros que tem nas plataformas digitais sua principal fonte de renda atingiu um novo patamar histórico. Em 2024, cerca de 1,7 milhão de pessoas atuavam em aplicativos de transporte, entregas, serviços e táxi, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). O crescimento é expressivo: em apenas dois anos, o contingente saltou de 1,3 milhão em 2022, um acréscimo de 335 mil trabalhadores.
A dimensão do grupo impressiona. Hoje, o total de profissionais “plataformizados” já supera a população de capitais inteiras, como Recife (1,6 milhão), Goiânia (1,5 milhão), Belém (1,4 milhão) ou Porto Alegre (1,4 milhão). A comparação ilustra o tamanho de um fenômeno que se consolidou como uma das principais transformações do mercado de trabalho brasileiro. A pesquisa classifica a gig economy em quatro grandes frentes: transporte particular de passageiros (como Uber e 99), entrega de comida ou produtos (iFood, Rappi), prestação de serviços gerais ou profissionais (GetNinjas, Workana, 99Freelas) e táxi. Entre elas, o transporte particular de passageiros representa a maior fatia — 878 mil pessoas, mais da metade do total, um aumento de 29,2% em relação a 2022. Em seguida aparecem os entregadores (485 mil), os prestadores de serviços (294 mil) e os taxistas (228 mil).
Intensidade da jornada – Os ganhos desses profissionais variam amplamente e dependem da intensidade da jornada. De acordo com levantamento do GigU, um motorista de aplicativo que trabalha entre 50 e 60 horas semanais pode faturar entre R$ 77 mil e R$ 103 mil por ano. No entanto, os custos operacionais — como combustível, manutenção, seguro e impostos — reduzem significativamente a renda líquida. O lucro efetivo anual fica entre R$ 28 mil e R$ 51 mil, dependendo da cidade.
“A transformação do mercado de trabalho pelo avanço das plataformas digitais evidencia uma tendência global: a economia digital não apenas cria novos empregos, mas redefine o próprio conceito de trabalho”, afirma Luiz Gustavo Neves, CEO e co-fundador da fintech. “Para o Brasil, o desafio será aproveitar esse potencial integrando inovação, inclusão e sustentabilidade social. O crescimento dos apps mostra que é possível gerar ocupação e estimular o consumo de forma simultânea, mas é fundamental conduzir essa revolução de forma estruturada, garantindo que os benefícios alcancem trabalhadores e consumidores”, ressalta.
O avanço dos trabalhadores de plataformas revela tanto a flexibilidade e o apelo de autonomia que o modelo oferece quanto a vulnerabilidade estrutural que ainda o caracteriza. Com crescimento mais acelerado do que o emprego formal em diversos setores, o trabalho mediado por aplicativos se tornou não apenas uma alternativa, mas uma realidade econômica de escala urbana — capaz de redefinir as fronteiras entre emprego, renda e liberdade no Brasil contemporâneo.
Segurança viária: desigualdades entre estados – Condições das rodovias, fiscalização, gestão do trânsito e ações de educação foram os pilares avaliados pelo IRIS – Indicadores Rodoviários Integrados de Segurança, metodologia desenvolvida pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) para analisar o desempenho dos estados brasileiros no enfrentamento aos sinistros de trânsito.
O levantamento traz dados que ajudam a compreender as principais fragilidades do país e fornecem subsídios para gestores públicos implementarem medidas mais eficazes de segurança viária. O trabalho permite comparações entre estados e evidencia boas práticas, além de falhas que comprometem a redução de mortes no trânsito. Os resultados completos estão disponíveis no painel interativo do IRIS, com detalhamento por eixo de análise.
Gestão da segurança – Um dos pontos centrais da pesquisa é a Gestão da Segurança no Trânsito, que revela disparidades regionais em temas como a integração dos municípios ao Sistema Nacional de Trânsito (SNT), a qualidade das informações no Registro Nacional de Entidades de Trânsito (Renaest) e o nível de transparência dos Detrans. Mesmo com a exigência legal desde 1997, milhares de municípios permanecem fora do SNT, o que os impede de exercer funções básicas como fiscalização, engenharia de tráfego e educação para o trânsito.
Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul lideram a proporção de municípios integrados, enquanto Tocantins e Piauí registram os menores índices. A pesquisa também aponta que dados do Renaest estão desatualizados ou inconsistentes, dificultando diagnósticos locais e comprometendo a formulação de políticas públicas. Além disso, apenas sete estados mantêm informações claras e acessíveis em seus portais oficiais. No extremo oposto, Roraima e Pará sequer disponibilizam dados básicos sobre a estrutura de trânsito.
No ranking, os melhores desempenhos são do Distrito Federal, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Mato Grosso. Os mais críticos, Rio Grande do Norte, Roraima, Piauí, Pará e Amapá.
Condutores x frota: Santa Catarina e São Paulo apresentam bom equilíbrio entre habilitados e veículos. Já Maranhão e Piauí têm descompasso, o que pode indicar condução por não habilitados.
Alcoolemia ao volante: Acre, Rondônia e Mato Grosso lideram autuações por dirigir sob efeito de álcool. Já Ceará e Rio de Janeiro aparecem com baixos índices, que podem refletir falhas na fiscalização.
Excesso de velocidade: o Distrito Federal, Goiás e Rio de Janeiro, que contam com fiscalização eletrônica robusta, apresentam altas taxas de autuação.
Uso da cadeirinha: Roraima, Amapá e Mato Grosso registram mais flagrantes por falta de dispositivo de retenção infantil. Piauí, Maranhão e Acre quase não autuam.
Uso do celular ao volante: Goiás, Rio de Janeiro e Bahia lideram as autuações; Tocantins e Rondônia registram números próximos de zero.
Ranking Educação: Melhores desempenhos são do Rio Grande do Sul, Tocantins e Santa Catarina. Os piores, Piauí, Roraima e Amazonas.
Fiscalização deficiente em vários estados. Nessa área, o levantamento aponta que a presença de tecnologia de monitoramento e a capacidade de processar infrações variam muito pelo país. Três indicadores foram analisados:
Taxa de infração por frota: Distrito Federal, Rio de Janeiro e Goiás têm os maiores índices, sinalizando fiscalização ativa. Acre, Amazonas e Roraima registram baixíssimas autuações.
Taxa de câmeras por frota: o Distrito Federal, Goiás e Tocantins lideram em cobertura tecnológica, enquanto Amazonas, Acre e Rondônia têm estrutura mínima.
Velocidade x câmeras: Rio Grande do Sul, Tocantins e Roraima mostram uso eficiente da tecnologia, enquanto Amazonas, Rondônia e Rio de Janeiro apresentam pouca efetividade.
Ranking fiscalização: Os melhores desempenhos foram do Distrito Federal, Goiás, Ceará, Rio de Janeiro e Tocantins. Os mais críticos são Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima e Maranhão.
Ranking geral: Com base no cruzamento dos resultados de Gestão, Educação e Fiscalização, é possível identificar os estados que mais se destacam positivamente e aqueles que enfrentam maiores desafios. Os melhores desempenhos gerais foram do Distrito Federal, Goiás, Rio Grande do Sul, Tocantins, Santa Catarina e São Paulo. Piores desempenhos gerais: Piauí, Roraima, Amazonas, Pará, Amapá, Maranhão e Rio Grande do Norte. Esse ranking geral reforça que, enquanto algumas unidades da federação apresentam avanços consistentes em gestão e fiscalização, outras ainda carecem de estrutura básica para garantir a segurança viária.
Compra de autopeças: os riscos e prejuízos – A compra de autopeças pode parecer uma atividade banal, mas exige conhecimento e experiência de quem o faz. Ela é importante para a performance, durabilidade e segurança dos veículos reparados. Por isso, uma escolha equivocada ou realizada sem as devidas verificações pode trazer uma série de problemas, para reparadores que realizam os serviços e motoristas. Elas vão desde a impossibilidade de execução de um conserto, até falhas mecânicas graves, trazendo prejuízos que, muitas vezes, não podem ser recuperados. Marlon Silva, especialista da Takao, apresenta alguns dos principais fatores de risco na hora da compra e explica o que fazer para se prevenir.
Chegada do e-commerce – Isso facilitou a aquisição de autopeças, por meio de sites e aplicativos de vendas, que oferecem todo o tipo de produto automotivo. Dessa forma, se tornou muito fácil adquirir um novo componente, já que, basta selecionar o produto e realizar o pagamento. No entanto, diferente de um bem de consumo, uma autopeça é um item técnico, que desempenha uma função específica e por isso, exige um conhecimento prévio de quem compra: “Trata-se de uma compra técnica. É necessário que a escolha siga uma série de procedimentos que garantam a compatibilidade do produto com o veículo”, ressalta Marlon Silva.
Diferenças – O coordenador técnico da Takao alerta para diferenças em um mesmo modelo de um veículo, que podem trazer configurações distintas, com uso de componentes diferentes entre si. Variações como o ano de fabricação, motorização, tipos de versões, séries especiais, entre outras, podem trazer especificações distintas, mesmo que visualmente sejam semelhantes. “Numa atualização, mesmo que aparentemente tímida, uma montadora pode realizar mudanças na motorização de um veículo, substituindo um dispositivo por outro, com uma nova configuração. Nesse caso, se o reparador não estiver atento, pode adquirir a peça destinada a uma outra versão, que não servirá no carro do cliente”.
Especificações – Para evitar esse risco, Marlon recomenda que se cheque as especificações técnicas do veículo e da peça, por meio dos manuais do fabricante, é necessário identificar o código da peça, pois ele é utilizado para identificar o produto correto na hora da compra. A busca será ainda mais eficiente se o comprador verificar os dados no catálogo do fornecedor do componente, garantindo a aquisição exata para o veículo reparado.
Garantia – Outra questão importante em qualquer compra é a garantia oferecida pelo fornecedor. Todas as marcas devidamente homologadas oferecem garantia contra defeitos de fabricação. Por lei, o período mínimo é de 90 dias para defeitos de fabricação. Esse prazo pode ser maior, dependendo da política de cada marca. Recomenda-se checar essas informações junto ao fornecedor no momento da compra. É importante ressaltar que a garantia não cobre problemas causados por erros na aplicação do produto. Daí, a importância de se identificar corretamente a destinação da peça.
Paralelas – Por fim, o profissional da Takao ressalta a oferta de componentes não certificados, vendidos muitas vezes em valores muito abaixo aos praticados no mercado. Essas autopeças são vendidas como originais de fábrica, ostentando marcas consagradas que, na verdade, são falsificações ou, nos melhores dos casos, importações não oficiais. “Para que um componente automotivo esteja apto para ser comercializado, ele precisa receber a certificação do Inmetro, atestando sua qualidade e segurança. Sem isso, significa que o produto não foi devidamente testado e não oferece a garantia esperada”. Mesmo assim, ele reconhece que é muito fácil encontrar uma infinidade de dispositivos sendo comercializados, fora dos padrões. Se o consumidor não se sentir seguro, Marlon recomenda contatar os canais oficiais do fabricante ou fornecedor e checar as informações apresentadas nas ofertas.
Renato Ferraz, ex-Correio Braziliense, tem especialidade em jornalismo automobilístico.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, chegou a Nova York por volta das 18h30 deste sábado (3), após ser capturado por autoridades dos Estados Unidos. A prisão ocorreu durante a madrugada, em Caracas, de acordo com o governo americano.
Mais cedo, em entrevista coletiva, o presidente Donald Trump disse que avalia os próximos passos para o país sul-americano. Ele ainda afirmou que os EUA pretendem conduzir o país por meio de um “grupo” que está em formação até uma transição de poder, sem detalhar prazos nem como esse arranjo funcionaria. As informações são do portal g1.
Também neste sábado, a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, anunciou que Maduro será julgado pela Justiça americana em um tribunal de Nova York.
Segundo Bondi, o líder venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores — também detida pelas autoridades americanas —, foram formalmente acusados dos seguintes crimes: conspiração para narcoterrorismo; conspiração para importação de cocaína; posse de metralhadoras e dispositivos explosivos; e conspiração para posse de metralhadoras.
“Ataque de Trump à Venezuela é ilegal e imprudente”, diz o título de um editorial publicado pelo jornal “The New York Times” neste sábado (3), horas após a ação das Forças dos Estados Unidos que terminaram com a captura do presidente Nicolás Maduro.
Na abertura, o artigo cita que Donald Trump já havia “utilizado […] um porta-aviões, pelo menos sete outros navios de guerra, dezenas de aeronaves e 15 mil soldados americanos para ataques ilegais contra pequenas embarcações que, segundo ele, transportavam drogas”.
Em seguida, vem uma crítica ao líder venezuelano: “Poucas pessoas sentirão qualquer simpatia pelo Sr. Maduro. Ele é antidemocrático e repressivo, e desestabilizou o Hemisfério Ocidental nos últimos anos. A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou recentemente um relatório detalhando mais de uma década de assassinatos, tortura, violência sexual e detenções arbitrárias por seus capangas contra opositores políticos. Ele [Maduro] fraudou a eleição presidencial da Venezuela em 2024. Ele alimentou a instabilidade econômica e política em toda a região, instigando um êxodo de quase 8 milhões de migrantes”.
Outro trecho menciona: “O Sr. Trump ainda não ofereceu uma explicação coerente para suas ações na Venezuela. Ele está empurrando nosso país para uma crise internacional sem razões válidas. Se o Sr. Trump quiser argumentar o contrário, a Constituição [americana] define o que ele deve fazer: recorrer ao Congresso. Sem a aprovação do Congresso, suas ações violam a lei dos EUA”.
A publicação ocorreu antes do pronunciamento no qual o presidente americano detalhou o ataque. Ele afirmou que os Estados Unidos vão comandar a Venezuela até a transição de governo e também controlar o petróleo do país. Também voltou acusar Maduro de chefiar um cartel de narcotráfico na região.
O texto do “New York Times” é assinado pelo Conselho Editorial, descrito como “um grupo de jornalistas de opinião cujas visões são fundamentadas em conhecimento especializado, pesquisa, debate e certos valores consolidados” – trata-se de “uma entidade separada da Redação”.
O ataque deste sábado sucede meses de especulações e operações marítimas perto da costa da Venezuela. A ação atingiu diversos pontos de Caracas, a capital do país. Maduro e a esposa foram levados a Nova York em um navio de guerra dos Estados Unidos.
A pressão se intensificou em agosto, quando o governo Trump elevou para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à prisão do líder venezuelano. À época, os Estados Unidos reforçaram a presença militar no Mar do Caribe. Inicialmente, a Casa Branca afirmou que a mobilização tinha como objetivo combater o narcotráfico internacional. Com o tempo, autoridades passaram a dizer, sob anonimato, que o objetivo final seria derrubar Maduro.
Familiares de Fábio Vicente, de 48 anos, uma das vítimas do grave acidente que matou dois motociclistas na tarde de ontem (2), na Avenida Cruz Cabugá, em Santo Amaro, usaram as redes sociais para expressar luto. “Quero lembrar de você sempre sorrindo”, escreveu a irmã dele, Flávia Analine.
Fábio conduzia uma motocicleta acompanhado da esposa, 47, no momento da colisão. Em suas redes sociais, Flávia afirma que Fábio já estava planejando a festa de São João da família. “Você sempre queria reunir a família. Por que você se foi?”, lamenta.
Em outra publicação, ela informou que o velório e sepultamento de seu irmão será amanhã, no Cemitério Águas Compridas, em Olinda. A esposa de Fábio, que não teve a identidade informada, foi socorrida com vida para uma unidade de saúde.
Acidente
O outro motociclista foi identificado como Augusto Carneiro, de 56 anos, sogro do deputado federal Pedro Campos (PSB).
De acordo com testemunhas do sinistro, o casal que estava em uma moto vermelha aguardava o semáforo abrir para virar à esquerda para a avenida Cruz Cabugá, enquanto o outro motociclista vinha na direção contrária. Quando o semáforo abriu, os veículos colidiram. Todos usavam capacetes.
“O casal na moto vermelha ia fazer a conversão [para a Avenida Cruz Cabugá]. Eu tinha acabado de passar pelo local”, relata o entregador de aplicativo Tiago Felipe.
Adriana Barbosa, de 50 anos, contou que ouviu o barulho da colisão da casa de onde mora, na Rua Astronauta Collins. “Já tinha imaginado que tinha sido acidente, porque sempre tem acidente aqui nessa rua. Esse cruzamento é perigoso e os motoristas não respeitam o sinal. Meu filho também trabalha por aplicativo e a gente que é mãe pensa logo o pior”, conta.
O sinistro mobilizou quatro viaturas do Samu, quatro da Polícia Militar e uma do Corpo de Bombeiros, além do apoio da Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU). Em nota, a Polícia Civil de Pernambuco informou que as investigações foram iniciadas e “seguirão até a elucidação total dos fatos”.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, criticou a reação de governadores de oposição ao Governo Lula à captura de Nicolás Maduro. Gleisi escreveu em uma rede social que a euforia de bolsonaristas mostra um desejo de intervenção estrangeira no Brasil. Os governadores Ratinho Jr (Paraná), Tarcísio de Freitas (São Paulo), Ronaldo Caiado (Goiás) e Cláudio Castro (Rio de Janeiro) celebraram a ação do governo dos Estados Unidos.
Na avaliação de Gleisi, “é simplesmente vergonhoso que a oposição de extrema-direita tente se aproveitar dessa maneira da crise venezuelana”. A ministra afirmou que a situação “ameaça a estabilidade de todo o continente”. “A euforia de Ratinho Junior e outros bolsonaristas com a invasão da Venezuela pelos EUA não tem nada a ver com defesa da democracia. Ao contrário, reflete o desejo de uma intervenção estrangeira no Brasil, contra a nossa democracia”, diz Gleisi. As informações são do portal UOL.
A ministra de Lula relacionou ainda o caso ao deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). “Era o projeto do traidor Eduardo Bolsonaro, com o tarifaço e as sanções da Magnitsky, que fracassou e foi repudiado pela sociedade brasileira”, afirmou.
Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse que a operação norte-americana “abre uma janela de esperança”. Escreveu que “a prisão do ditador Maduro seja o primeiro passo no caminho da liberdade para a Venezuela”.
Claudio Castro (PL) declarou que “o povo da Venezuela tem motivos para comemorar a ação do presidente Trump”. “Maduro é um ditador que viola direitos humanos, persegue e silencia opositores. Não respeita os valores democráticos, tão caros a todos nós”, afirmou.
Ratinho Jr (PSD) parabenizou Trump “pela brilhante decisão de libertar o povo da Venezuela”. Escreveu ainda que os venezuelanos estavam sendo oprimidos “há décadas por tiranos antidemocráticos”.
Caiado, por sua vez, registrou que “este 3 de janeiro” deveria entrar “para a história” como “o dia da libertação do povo venezuelano”. “Que a democracia, a liberdade e a prosperidade se instalem no país”, disse.
Já o governador Romeu Zema desejou que “a queda de Maduro sirva para que o povo venezuelano finalmente reencontre paz, estabilidade e o caminho do desenvolvimento”. “Que a Venezuela possa se abrir novamente, com liberdade, responsabilidade, democracia e oportunidades reais para sua população reconstruir a própria história”, escreveu.
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), porém, manifestou “preocupação com a escalada de tensão” na América do Sul. “O regime ditatorial de Maduro é inadmissível. Viola direitos humanos, sufoca liberdades e impõe sofrimento ao povo venezuelano. No entanto, a violência exercida por uma nação estrangeira contra outra soberana, à margem dos princípios básicos do direito internacional, em especial o de não intervenção, é igualmente inaceitável”, disse.
O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, condenou, em suas redes sociais e nas do partido, a invasão dos Estados Unidos à Venezuela, ocorrida na madrugada deste sábado (3), que terminou com a captura de Nicolás Maduro e da esposa, Cilia Flores. Em nota, Aécio escreve que a ação fere princípios básicos do direito internacional e da soberania entre nações.
“A violação da soberania de um país e o uso da força como instrumento político são inaceitáveis e não podem ser legitimados sob nenhuma circunstância”, afirmou. Aécio ressaltou ainda que a crítica à operação não significa apoio ao governo venezuelano, que classificou como uma ditadura responsável por suprimir liberdades e aprofundar a crise humanitária no país.
Na declaração, o dirigente tucano também atacou o Partido dos Trabalhadores (PT), acusando a sigla de ter sido conivente com os abusos do regime de Maduro. Ao final, defendeu uma solução pacífica e negociada para a crise venezuelana. “Ao mesmo tempo, [o PSDB] alerta para a necessidade de vigilância da comunidade internacional para que os interesses estratégicos e as riquezas do país pertençam, soberanamente, ao seu povo e não sejam explorados por regimes autoritários ou interesses externos”
Em um cenário de forte tensão política, venezuelanos passaram a enfrentar filas em mercados de diversas cidades do país após uma ofensiva militar de grande proporção realizada pelos Estados Unidos na madrugada deste sábado (3). O receio de desabastecimento levou a população a comprar e estocar alimentos e itens básicos.
A ação norte-americana inaugura um novo capítulo na longa história de intervenções diretas de Washington na América Latina. Antes disso, a última incursão militar dos EUA na região havia ocorrido em 1989, no Panamá, quando tropas americanas capturaram o então presidente Manuel Noriega, sob a acusação de envolvimento com o narcotráfico.
No cenário atual, o governo dos Estados Unidos sustenta que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, estaria à frente de um suposto esquema conhecido como cartel De Los Soles. No entanto, especialistas em tráfico internacional de drogas colocam em dúvida a existência do grupo e apontam a ausência de provas concretas que sustentem a acusação.
Durante o governo de Donald Trump, autoridades americanas chegaram a anunciar uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro, reforçando a pressão política e judicial sobre o líder venezuelano.
O prefeito do Recife, João Campos (PSB), e a depútada federal Tábata Amaral (PSB) compartilharam nas redes sociais, hoje, uma nota de pesar pela morte de Carlos Augusto Carneiro, de 56 anos. Conhecido como Guto, ele era pai de Augusta Carneiro (Guta), esposa do deputado federal Pedro Campos (PSB), irmão do gestor municipal.
Na publicação, João Campos descreveu o dia como “muito difícil” para a família e prestou homenagem a Carlos Augusto. “Uma pessoa incrível, que deixa a lembrança de amor partilhado, de presença constante e de ensinamentos silenciosos que permanecem vivos na memória e no coração de todos”, escreveu.
O prefeito também manifestou solidariedade aos familiares, citando nominalmente parentes próximos, e desejou serenidade, conforto e força para enfrentar o momento de luto. “Estaremos juntos, atravessando unidos este período tão duro”, afirmou.
Guto faleceu ontem (2), após um grave acidente envolvendo duas motocicletas no bairro de Santo Amaro, área central do Recife. Além dele, outro motociclista, identificado como Fábio Vicente, de 48 anos, também morreu.
Sob a ótica de um analista internacional, uma guerra na Venezuela não atende aos interesses do Brasil nem da sociedade brasileira. Conflitos armados em países vizinhos raramente ficam restritos às suas fronteiras. Pelo contrário, costumam gerar efeitos colaterais diretos, sobretudo nas áreas humanitária, econômica e na estabilidade regional.
Os recentes bombardeios à capital Caracas e a alegação, divulgada pelo presidente norte-americano Donald Trump, de que o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa teriam sido sequestrados configuram uma grave violação do Direito Internacional. Em termos jurídicos, trata-se de um crime de agressão, comparável ao que a Rússia cometeu ao invadir a Ucrânia.
Da mesma forma, são ilegais os bombardeios realizados pelos Estados Unidos em águas internacionais sob a justificativa de combate ao narcotráfico, especialmente diante de relatos de que pescadores civis também teriam sido alvejados.
É fundamental compreender que a retirada forçada de um chefe de Estado não produz, automaticamente, democracia. A experiência internacional demonstra que esse tipo de ação tende a gerar o efeito contrário. O cenário mais provável é a ascensão de um sucessor ligado ao mesmo grupo político, agora legitimado por um discurso de defesa da soberania nacional, o que pode resultar em maior endurecimento do regime e no aprofundamento da já fragilizada democracia venezuelana.
A retórica de intervenção estrangeira costuma agravar ainda mais o quadro. Conflitos recentes, como o da Ucrânia, mostram que guerras prolongadas interrompem processos eleitorais, enfraquecem instituições e ampliam crises sociais. Caso a sucessão de poder na Venezuela não ocorra de forma institucional e organizada, é plausível o surgimento de um vácuo de poder, com disputas internas, aumento da instabilidade política e econômica e maior sofrimento da população.
Outro ponto que precisa ser destacado é o forte enraizamento social tanto do madurismo quanto da oposição. O governo venezuelano conta, inclusive, com milícias e grupos organizados financeiramente estruturados. Isso evidencia que regimes políticos não se desmantelam simplesmente com a retirada de um líder. Pelo contrário, intervenções externas tendem a despertar sentimentos nacionalistas e de união contra uma ameaça estrangeira, inclusive entre setores críticos ao governo.
Diante desse cenário, é razoável prever dias de maior caos, deterioração econômica e social e intensificação da crise humanitária. Como consequência direta, novos fluxos migratórios devem ocorrer, sobretudo em direção a países vizinhos como o Brasil. Isso impõe desafios adicionais ao nosso sistema de acolhimento, às políticas públicas e à organização social nas regiões de fronteira.
A instabilidade no continente não favorece a economia brasileira, enfraquece o papel do Brasil como ator regional e prejudica nossas relações comerciais e diplomáticas. Celebrar uma invasão ou o sequestro de um chefe de Estado, portanto, além de imprudente, revela falta de visão estratégica, independentemente do posicionamento ideológico de quem defende esse tipo de ação.
Mais do que paixões políticas, o momento exige responsabilidade, análise fria e compromisso com a estabilidade regional. O Brasil ganha mais ao defender o diálogo, o respeito ao Direito Internacional e soluções políticas do que ao aplaudir ações que aprofundam o sofrimento de povos vizinhos e aumentam os riscos para toda a América do Sul.
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, classificou a operação dos EUA que capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro de “ato de guerra” e uma violação dos direitos internacional e federal.
Maduro e sua esposa, que foram capturados durante a noite em Caracas, estão sendo transportados de volta aos Estados Unidos. Espera-se que o líder autoritário fique sob custódia federal na cidade de Nova York, onde enfrenta uma acusação federal. As informações são da CNN.
Mamdani, que está há três dias em seu mandato como prefeito, disse que foi informado sobre a operação, bem como sobre a “prisão planejada sob custódia federal de Maduro aqui em Nova York”.
“Atacar unilateralmente uma nação soberana é um ato de guerra e uma violação dos direitos federal e internacional. Essa busca descarada por uma mudança de regime não afeta apenas os que estão no exterior, mas impacta diretamente os nova-iorquinos, incluindo dezenas de milhares de venezuelanos que chamam esta cidade de lar”, disse Mamdani.
“Meu foco é a segurança deles e a de todos os nova-iorquinos, e minha administração continuará monitorando a situação e emitindo orientações relevantes”, continuou.
Nova York abriga uma grande comunidade venezuelana, que cresceu significativamente nos últimos três anos, à medida que centenas de milhares de pessoas fugiram do país. Muitos deles se estabeleceram em Nova York, ajudando a impulsionar uma enorme crise migratória na cidade em 2022.
Mamdani, um socialista democrático, enfrentou algumas críticas durante a campanha para prefeito por hesitar em se referir a Maduro como ditador durante uma entrevista. Posteriormente, ele esclareceu sua posição, dizendo que acreditava que Maduro era um ditador.
Durou pouco o teatro americano para justificar a intervenção militar na Venezuela. Donald Trump iniciou o pronunciamento deste sábado repetindo acusações não comprovadas de que Nicolás Maduro estaria por trás de um cartel de “narcoterrorismo”.
Em poucos minutos, escancarou que o real interesse americano está no subsolo do país. “Vamos tomar o petróleo de volta. Francamente, já deveríamos ter tomado há muito tempo”, declarou, em seu resort na Flórida.
A Venezuela detém as maiores reservas de petróleo do mundo, estimadas em 303 bilhões de barris. Isso coloca o país à frente de petroestados como Arábia Saudita e Irã.
Por muitas décadas, os recursos venezuelanos foram explorados por petroleiras americanas. Isso começou a mudar em 1976, com a criação da estatal PDVSA, até a nacionalização total em 2009, no governo de Hugo Chávez.
Neste sábado, Trump anunciou que os americanos vão governar provisoriamente a Venezuela após a derrubada de Maduro. Ele não detalhou os planos, mas afirmou que os gastos públicos serão cobertos por petroleiras americanas.
“Nossas gigantescas companhias petrolíferas americanas, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares e consertar a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado”, afirmou.
Em outro momento, Trump reclamou que a indústria petrolífera da Venezuela é “uma bagunça”, e prometeu aumentar o volume de petróleo extraído no país.
Derrubado depois de 13 anos no poder, Maduro comandava um regime autoritário, que censurava a imprensa, reprimia a oposição e manipulava eleições. Isso não justifica a intervenção militar americana, que violou o direito internacional e a Constituição dos Estados Unidos.
A Carta das Nações Unidas só autoriza ataques em caso de legítima defesa ou sob autorização do Conselho de Segurança, que não foi sequer consultado sobre o bombardeio a Caracas. E a Constituição dos EUA exige que o governo peça autorização ao Congresso antes de intervir militarmente em outros Estados soberanos.
Ao ser questionado sobre isso, Trump voltou a mostrar desprezo pelas instituições do país que governa. “O Congresso ia vazar (a operação). E nós não queremos vazadores”, disse.
O Sesc informou que parte do telhado do Hotel Sesc Triunfo foi atingida pela forte intensidade dos ventos registrados no município causando apenas danos materiais. Segundo a instituição, não houve feridos nem prejuízos a hóspedes ou colaboradores, e a operação hoteleira segue funcionando normalmente, com equipes já atuando nos reparos e no restabelecimento do serviço de internet, temporariamente interrompido.
O Sesc informa que, devido à forte intensidade dos ventos registrados em Triunfo nesta data, parte da estrutura de telhado do Hotel Sesc Triunfo foi atingida.
Os danos foram apenas materiais, sem qualquer ferimento ou prejuízo aos hóspedes e colaboradores. A área afetada foi imediatamente isolada e equipes já estão atuando na retirada dos materiais e nos reparos necessários no telhado.
O incidente não comprometeu a operação hoteleira, que segue funcionando normalmente. A única consequência temporária é a interrupção do serviço de internet, que já está em processo de restabelecimento.
Vale registrar que este episódio é considerado um caso fortuito, ou seja, um acontecimento inesperado e inevitável, ligado a riscos naturais e que não poderia ser evitado, mesmo com todos os cuidados habituais que a instituição mantém.
Por fim, o Sesc reafirma seu compromisso com a segurança e o bem-estar de todos.“