Por André Correia*
Enquanto o Brasil tenta respirar em meio a escândalos, CPIs inacabadas e um rastro de bilhões desviados dos cofres públicos, a política nacional parece mergulhada em um pântano de conveniências. Mais recentemente, discute-se a formação de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) para investigar desvios bilionários que atravessam diferentes governos. Mas eis o grande mistério: por que tantos parlamentares da base do atual governo se recusam a assinar a criação dessa comissão?
É uma pergunta incômoda, mas inevitável.
Somente no caso do INSS, os dados são alarmantes: estima-se que mais de R$ 90 bilhões tenham sido desviados por meio de fraudes, pagamentos irregulares e esquemas de corrupção. Isso representa quase um orçamento anual inteiro da saúde pública. E, no entanto, o silêncio em Brasília é ensurdecedor.
Leia maisEnquanto isso, manchetes surgem com cifras absurdas. Um parque em Recife, por exemplo, está estimado em mais de R$ 120 milhões – com sucessivos aditivos contratuais que levantam sérias suspeitas. A capital pernambucana, que já enfrenta inúmeros desafios sociais e estruturais, parece ter se tornado um terreno fértil para a multiplicação de contratos turbinados por aditivos. Não é exagero dizer que a cidade está entregue a esse modelo.
A sensação é de que a corrupção se tornou parte do projeto de poder – seja de quem for. A política, hoje, gira menos em torno de ideologias e mais em torno da proteção mútua. Todos sabem demais uns dos outros.
Em meio a isso tudo, vemos figuras como a atual primeira-dama, Janja, sendo promovidas a posições de protagonismo midiático e político sem representar qualquer mandato popular. O Brasil precisa repensar o que espera de seus líderes e de quem está ao seu redor. O personalismo que impera no Palácio do Planalto hoje se difere tanto de gestões anteriores, apenas muda de roupa e discurso.
Quem tem medo da verdade? A resposta parece clara: aqueles que têm algo a esconder. E é por isso que a criação de uma CPMI que realmente vá fundo nos escândalos – incluindo os do atual governo – é vista como uma ameaça e não como um dever constitucional.
Talvez os fantasmas do passado ainda assombrem o presente. E talvez, como disse um cidadão recentemente, “papai esteja assustado com a tropa com quem você se juntou”. O país precisa de líderes com coragem. Que se inspirem nos grandes homens e mulheres que construíram com dignidade sua trajetória, e não nos pequenos cavaleiros que trocam a verdade por conveniências políticas.O Brasil merece mais. O povo exige respostas e a história cobrará de cada um o que fez ou deixou de fazer, quando teve a chance de mudar os rumos da nação.
Todos as nossas empresas públicas, operando no prejuízo. Mas a propósito, onde estão a picanha e a cervejinha?
*Cientista Político
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