Perdi a noção do tempo que viajo de avião, não só de carreira. Já voei de Sênica (bimotor), Xingu, Bandeirantes e muito de helicóptero também. Foi num helicóptero, acompanhando uma visita a uma obra com o então governador Joaquim Francisco, de quem fui secretário de Imprensa, que por pouco não perdi a vida.
O piloto não havia visto um fio de alta tensão e fez um procedimento emergencial depois de um grito do governador. Na manobra, meu estômago embrulhou. Vindo do Chile, enfrentei um temporal passando pela Cordilheira dos Andes com tamanhas turbulências que as aeromoças, servindo o jantar, viram as bandejas serem jogadas longe e por pouco não se feriram.
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Em outra oportunidade, num monomotor que levava o então governador Marco Maciel, uma vaca surgiu de repente na pista de pouso, o piloto arremessou com uma habilidade louvável. Num outro voo, indo para o Rio, o piloto fez uma manobra radical para desviar de pássaros no Santos Dumont.
Hoje passei por mais um perrengue. Vindo de Brasília com destino ao Recife pela Latam, o piloto teve que suspender o pouso já na cabeceira da pista porque chovia torrencialmente. Aliás, caia um dilúvio no Recife.
Depois da manobra, 40 minutos sobrevoando o Recife na esperança da chuva dar uma trégua. E nada! O engraçado é que o comandante não nos informou nada. Após 20 minutos, comunicou que iria tentar pousar em João Pessoa. Mas, como o Recife, a capital paraibana também havia virado um mar.
Foi quando o comandante resolveu comunicar que iria pousar em Natal, para alívio de todos nós, passageiros, com os nervos à flor da pele. Por mais de 40 minutos, o uso do toalete foi proibido. Uma senhora, entretanto, aparentando uns 60 anos, levantou-se e correu em direção ao toalete, gritando para a tripulação que estava apertada e não iria fazer xixi na roupa.
Quando o tempo melhorou na chegada a Natal, a tripulação permitiu usar o toalete e se formou logo uma grande fila. A tortura não acabou. No pouso, os passageiros foram proibidos de desembarcar em Natal, sob a alegação de que a aeronave seria reabastecida e uma nova tentativa de pouso iria ser tentada.
Eu só consegui deixar a aeronave porque não havia despachado mala e informei que iria pegar um táxi por conta própria até o Recife. Fui escoltado pelo pessoal de terra até a saída do aeroporto. Confesso que não soube do desfecho final: se o avião voltou ao Recife e conseguiu pousar.
Que dia, meu Deus!
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