Se Raquel Lyra (PSD) apostava no Carnaval para reverter a baixa popularidade no Recife, esses dias de folia não trouxeram boas notícias para sua pré-campanha à reeleição. As iniciativas de seu governo foram tão pífias na capital pernambucana que, em vários momentos, nem a governadora pareceu botar muita fé naquilo que suas equipes prepararam para os foliões.
Por várias noites, o palco do Festival Pernambuco Meu País, montado no Recife Antigo por iniciativa do Governo de Pernambuco, foi flagrado com baixa adesão do público, enquanto, a poucos metros dali, o Marco Zero fervilhava. O polo municipal teve recorde de público, sacramentando o sucesso de mais uma condução da festa pela Prefeitura do Recife, comandada por João Campos (PSB), líder nas pesquisas e potencial adversário de Raquel nas eleições deste ano.
Leia maisO Carnaval promovido pela gestão do prefeito do Recife deu tão certo que até Raquel fez questão de postar uma foto na abertura da festa na noite da quinta-feira (12), junto com a multidão presente no Marco Zero. As redes sociais dela e do governo também exaltaram a montagem da escultura gigante do Galo sobre a Ponte Duarte Coelho, outra ação da Prefeitura.
Na despedida, não foi diferente. Em vez de prestigiar o Festival Pernambuco Meu País, Raquel preferiu terminar o Carnaval em um camarote privado em Olinda, junto a aliados como o ministro André de Paula (PSD) e os deputados Mendonça Filho (União Brasil) e Joãozinho Tenório (PRD). Em paralelo, João Campos valorizou os polos municipais. Esteve várias vezes no Marco Zero ao longo do reinado de Momo e, na terça (17), passou por polos em Jardim São Paulo, Ibura e Casa Amarela.
Se nem a governadora se animou com a estrutura que preparou, não tinha por que o público reagir diferente. O fracasso do Pernambuco Meu País no Recife Antigo foi uma demonstração disso, além de um flagrante gasto de recursos públicos de forma mal dimensionada, a poucos metros de um polo já consolidado. E mesmo em cidades sem tradição de Carnaval e administradas por aliados de Raquel, os relatos foram parecidos. Em Jaboatão Centro, o festival do governo só reuniu gente no dia em que a governadora esteve presente. Já na praia de Candeias, foram sucessivas noites de público minguado.
Dizem que o ano só começa após o Carnaval, inclusive para os políticos, que passam a falar de maneira mais explícita sobre articulações e pré-candidaturas. Para Raquel, pelo visto, é hora de repensar estratégias no Recife e na Região Metropolitana, já que o termômetro da folia não trouxe resultados animadores para tudo o que ela já tentou nos últimos quatro anos.
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