Na frente e bem mais próximo de Lula
A relação política do prefeito do Recife, João Campos (PSB), com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode se tornar um dos principais ativos eleitorais na disputa pelo Governo de Pernambuco nas eleições de outubro. Em um cenário nacional no qual o Palácio do Planalto mantém forte capacidade de articulação federativa e influência sobre investimentos e políticas públicas, a proximidade entre Lula e João desponta como um fator que tende a influenciar no resultado do pleito.
Afinal, quem não lembra da dobradinha em Pernambuco de Lula com Eduardo Campos? Pelas fotos divulgadas ontem, a proximidade do pai é a mesma do filho. Em evento no Recife, o próprio presidente mencionou que, lá de cima, “Eduardo deve estar muito orgulhoso do filho, que tem tudo para ser muito melhor do que ele”.
Leia maisNos bastidores, interlocutores políticos avaliam que João conseguiu construir, ao longo dos últimos anos, uma relação institucional sólida com o presidente, o que pode facilitar o alinhamento entre projetos estaduais e programas estratégicos da União. Esse componente se soma a um dado que tem chamado atenção no ambiente político: João Campos aparece em posição de liderança nas pesquisas mesmo antes do início formal da campanha.
Levantamentos recentes indicam uma vantagem consistente sobre a governadora Raquel Lyra (PSD), com diferença que gira em torno de 20 pontos percentuais em alguns cenários, como apontou a BigData de ontem. Trata-se de uma margem que, embora ainda sujeita a oscilações naturais do processo eleitoral, representa um capital político expressivo para quem ainda sequer oficializou candidatura.
Outro elemento que reforça a leitura sobre o potencial competitivo do prefeito é o estágio da sua pré-campanha. João ainda não iniciou uma agenda sistemática de circulação pelo interior do Estado — movimento tradicional para candidatos ao governo em Pernambuco. Historicamente, a interiorização das campanhas costuma ampliar o nível de conhecimento do eleitorado e consolidar alianças regionais.
Caso consiga transferir para o interior o capital político acumulado na Região Metropolitana do Recife, a tendência é de expansão do alcance eleitoral. A baixa taxa de rejeição também aparece como variável relevante. Em disputas majoritárias, candidatos que iniciam a corrida com imagem menos cristalizada tendem a possuir maior margem para crescimento, sobretudo quando enfrentam adversários com avaliação de gestão já consolidada — positiva ou negativa.
Nesse aspecto, João parece partir de uma posição estratégica, combinando reconhecimento público com espaço para ampliação de aprovação. Do outro lado, Raquel mantém a força da máquina administrativa e a visibilidade natural do cargo, fatores tradicionalmente decisivos em disputas por reeleição.
Governadores costumam ampliar entregas e investimentos em anos pré-eleitorais, o que pode reconfigurar cenários e reduzir diferenças ao longo do tempo. No entanto, o fato de João chegar ao ano eleitoral com liderança consolidada e com forte interlocução nacional é um indicador que dificilmente passa despercebido na análise estratégica.
Em Pernambuco, onde campanhas costumam ser intensas e competitivas, iniciar a corrida com esse conjunto de fatores representa uma vantagem política significativa, o que pode começar a trazer ainda mais prefeitos e lideranças políticas que hoje estão com Lyra por conveniência.
Ainda há muito calendário pela frente, alianças a serem costuradas e movimentos a surgirem. Mas, no atual estágio, João demonstra reunir condições que o colocam como protagonista natural da disputa. E, em eleições estaduais, largar tão na frente — especialmente antes mesmo da campanha começar — costuma ser um sinal político que merece atenção redobrada dos adversários.
QUEM ERROU? – Os números da pesquisa BigData divulgados não batem com o levantamento contratado pela CBN-Caruaru da semana passada. Há uma diferença de oito pontos percentuais na vantagem de João sobre Raquel. Enquanto a pesquisa anterior mostra a governadora numa crescente de cinco pontos, na de ontem, aparece estagnada, enquanto o pré-candidato revela estabilidade, abrindo uma frente bem folgada, de 20 pontos percentuais. Se as eleições fossem hoje, Raquel seria derrotada no primeiro turno.

Operação segura Alckmin – Na conversa que teve com o presidente Lula, na última terça-feira, João Campos, agindo na condição de presidente nacional do PSB, tentou convencer o chefe da Nação sobre a importância estratégica de manter Geraldo Alckmin na vice na chapa da reeleição. Além de fortalecer Lula em São Paulo, maior colégio eleitoral do País, onde governou o Estado em quatro ocasiões, Alckmin se revelou um grande aliado do Governo, correto e prestativo, revelando-se também um notável apagador de incêndio, como Marco Maciel na era FHC. “Não se mexe em time que está ganhando”, advertiu João.
Presidente na dianteira – Levantamento divulgado, ontem, pela Genial/Quaest mostra que, na disputa pelo Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera todos os cenários de 2º turno testados. A pesquisa estudou embates do petista contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), os governadores Ratinho Júnior (PSD), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Eduardo Leite (PSD), Aldo Rebelo (Democracia Cristã) e Renan Santos (Missão). O estudo também testou possíveis cenários de 1º turno. O presidente Lula lidera em seis dos sete cenários testados. Só empata contra Flávio Bolsonaro em um dos cenários, quando o segundo candidato da direita é o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD).
Rejeição no mesmo patamar – Os resultados desta rodada confirmam o que já indicava pesquisas anteriores: sem Tarcísio, Flávio se consolida como candidato mais competitivo da oposição. Num eventual segundo turno entre Lula e Flávio, o petista teria 43% e o liberal 38%. Lula e Flávio também têm as maiores taxas de rejeição entre os nomes testados. Segundo a pesquisa, entre os que afirmam conhecer os candidatos, 55% dizem que não votariam em Flávio e 54% rejeitam Lula.

Mala de dinheiro pela janela – O fato que mais repercute nas redes sociais: um homem investigado na Operação Barco de Papel jogou, ontem, uma mala com dinheiro pela janela ao perceber a chegada da Polícia Federal a um apartamento em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. O episódio ocorreu durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão relacionados a uma investigação sobre investimentos do Rioprevidência em títulos do Banco Master. O Rioprevidência é o fundo responsável pela gestão dos recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro. A operação apura a aplicação desses recursos em papéis da instituição financeira.
CURTAS
RECOLHIDA – Segundo a investigação, as ordens judiciais foram expedidas diante de indícios de obstrução das apurações e tentativa de ocultação de provas. A mala arremessada pela janela foi localizada e recolhida pelos agentes. A Operação Barco de Papel chegou à sua terceira fase.
DESTAQUE – No próximo domingo, a Acadêmicos de Niterói vai homenagear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mas será a primeira-dama Janja Lula da Silva que será destaque na Marquês de Sapucaí, no Rio. Ela será a protagonista no último carro alegórico que a escola de samba apresentará na avenida. Com o mote “Amigos de Lula”, terá, além da primeira-dama, ministros, artistas e personalidades.
SENADO – O ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), confirmou, ontem, sua pré-candidatura ao Senado por Alagoas. O alagoano realizará em Maceió, na 1ª quinzena de março, um evento com políticos da capital e de todos os municípios de Alagoas. A data e o local do evento serão divulgados nos próximos dias.
Perguntar não ofende: Por que tanta discrepância de uma pesquisa para a outra em Pernambuco na mesma semana?
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