A crônica domingueira

Nasci no mato, na caatinga, entre o avelós e o mandacaru, mas nem por isso tenho razão de não me apaixonar pelo azul infinito do mar. Já minha Nayla nem de sargaço gosta, é pura flor do mandacaru, mulher guerreira, presa às suas raizes. Tem cheiro de marmeleiro, a beleza e sensualidade de um beija-flor.

É daquelas sertanejas com alma que flerta os lírios do campo. Valoriza a vida, a simplicidade da gente que tem paz fazendo a conexão com a natureza. Que se encanta e se emociona com a beleza do nascer do sol, o canto dos pássaros, a satisfação de plantar e colher. No pomar de nossa choupana em Arcoverde rega as plantas com um sorriso largo.

Câmara Municial Recife - O Recife que amamos

O jornalismo é feito de emoções. Já vivi muitos momentos de coração pulsante. Estive frente a frente com figuras emblemáticas, como Fidel Castro, em Cuba, na residência oficial do ex-presidente cubano. Já tive o privilégio de almoçar com o poderoso Roberto Marinho, do alto do seu salão oval das Organizações Globo, no Rio, avistando o Corcovado.

Entrevistei Barbosa Lima Sobrinho em sua casa em Laranjeiras, no Rio. De José Sarney até Lula, entrevistei com exclusividade todos os presidentes da República. Na arte, Luiz Gonzaga me deu três entrevistas. Quem tem alma de repórter, faro de pedigree, a notícia é trazida pelo vento.

Toritama - Tem ritmo na saúde

No jornalismo, não sou uma ave solitária na contribuição de um pouco, uma gota no oceano, no resgate da história política de Pernambuco com “Os Leões do Norte”, 22 minibiografias de governadores. Acabei de ler, de um só fôlego, “Visionárias, a presença das mulheres na história de Pernambuco”, da minha amiga jornalista Danielle Romani.

Num trabalho de garimpagem raro, minucioso e sintético, Danielle traz ao público e, principalmente, às novas gerações, um minúsculo perfil de 40 mulheres revolucionárias, que deram o seu sangue em busca dos direitos das mulheres, na defesa intransigente do Estado, colocando em risco as suas vidas contra inimigos invasores, como os holandeses.

Caruaru - Primeiro lugar no IDEPE

Petrolina é uma cidade diferenciada no Nordeste. Plana, bem iluminada, com uma orla na beira do Rio São Francisco repleta de bons restaurantes, equipamentos de lazer e esportes. A parte urbana nada lembra os cenários dos grotões do sertão, com seus bolsões de miséria. No hotel encontrei meu amigo Pedro Pires, um dos melhores médicos em ultrassom e Medicina Fetal.

Ele está em Petrolina um final de semana por mês para dar aula em uma faculdade da cidade. Entusiasmado, pegou seu celular para exibir um vídeo noturno em Petrolina, com suas largas avenidas e viadutos iluminados. “Não estou no Nordeste, mas nas Bahamas”, sapecou.

Cabo de Santo Agostinho - Vem aí

Desde que botei o pé em Brasília, nos anos 80, como jornalista, uma larga avenida se abriu à minha frente. Viajar virou uma rotina. Atuando em diversos jornais, estive nos Estados Unidos, boa parte da Europa e em quase todos os países da América do Sul. No Brasil, conheço todas as capitais.

Não esqueço da experiência pelo jornal O Globo, no Norte, como repórter itinerante do Acre a Manaus. Já escapei da morte em pousos de emergência no Mato Grosso do Sul, quando fui fazer uma reportagem especial sobre o Pantanal. Antes da internet, do mundo globalizado, repórter vivia nas ruas.