Por Edgar Lisboa – Repórter Brasil
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, confirmou, em entrevista ao jornalismo da Novabrasil, que já comunicou à cúpula do União Brasil sua decisão de deixar a legenda para viabilizar uma candidatura própria à Presidência da República nas eleições de outubro. O movimento, segundo ele, é irreversível caso o partido não assegure apoio claro ao seu projeto.
Caiado afirmou que o presidente nacional da sigla, Antônio Rueda, e o secretário-geral ACM Neto já foram oficialmente informados. “É algo a ser resolvido nos próximos dias”, disse o governador, sinalizando que a definição está em estágio avançado.
Leia maisNegociações em curso e silêncio estratégico
Sem revelar nomes, Caiado confirmou que já negocia filiação com outros partidos e que o entendimento é avançar rapidamente para a campanha presidencial. O silêncio sobre as siglas não é casual: o governador busca manter margem de manobra enquanto o cenário da direita segue fragmentado e instável.
“Eu entendo a dificuldade do partido… só que, nessa situação, eu já estou buscando também uma alternativa para ter outro partido para me candidatar”, afirmou, deixando claro que não aceitará ficar fora da disputa por imposição interna.
União Brasil entre Bolsonaro e Caiado
Nos bastidores, o pano de fundo da crise é o possível alinhamento do União Brasil à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL). No início do mês, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro declarou publicamente que Antônio Rueda seria entusiasta de seu nome para a sucessão presidencial.
Para Caiado, essa inclinação inviabiliza sua permanência na legenda. A leitura é pragmática: não há espaço para dois projetos presidenciais concorrentes dentro do mesmo partido e o governador não pretende abrir mão do seu.
Estratégia da direita: pulverizar para sobreviver
Ao contrário do discurso predominante em setores do campo conservador, Caiado defende a pulverização de candidaturas de direita no primeiro turno. Na avaliação do governador, a ideia de um único nome favorece diretamente o presidente Lula (PT).
“Só um candidato da direita é o que Lula quer”, afirmou. Segundo ele, enfrentar “toda a máquina de um governo” com um único postulante tornaria o caminho até 4 de outubro praticamente inviável. Para Caiado, múltiplas candidaturas ampliam o debate, testam lideranças e evitam a concentração prematura de forças.
Bolsonaro pesa, mas não transfere tudo
Caiado também relativizou o poder de transferência de votos do ex-presidente Jair Bolsonaro. Reconheceu o prestígio político do líder conservador, mas fez uma distinção clara entre candidatura própria e indicação.
“Ninguém nega o prestígio dele, mas são duas coisas distintas: uma coisa é ele candidato e outra é um indicado dele candidato”, afirmou. Segundo Caiado, nenhum líder político consegue transferir integralmente sua base eleitoral, um recado direto ao entorno bolsonarista.
Ainda assim, o governador fez questão de sinalizar unidade no segundo turno, prometendo apoio a Flávio Bolsonaro caso o senador chegue à fase final da disputa.
Um movimento calculado, não um rompante
A decisão de Caiado não é um gesto impulsivo, mas um movimento calculado de sobrevivência política em um campo conservador cada vez mais fragmentado. Ao se antecipar e romper com o União Brasil, o governador tenta evitar o isolamento e manter protagonismo num tabuleiro em que o bolsonarismo busca hegemonia.
Mais do que uma disputa partidária, o episódio revela o dilema da direita brasileira: entre a fidelidade a um líder carismático e a construção de alternativas eleitorais capazes de enfrentar Lula com mais de um caminho possível. Caiado aposta que, neste jogo, diversidade no primeiro turno pode ser força e não fraqueza.
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