Em meio à possibilidade de ser expulso das Forças Armadas, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) completou seis meses de prisão. Ele cumpre a condenação por tentativa de golpe de Estado no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, local conhecido como “Papudinha”, enquanto seus aliados pleiteiam a transferência para o regime domiciliar.
A primeira determinação para a prisão de Bolsonaro ocorreu no dia 4 de agosto de 2025, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Àquela altura, a ação penal que apurou a tentativa de golpe ainda estava em curso na Primeira Turma do STF, mas o ex-presidente foi detido por outras razões. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisDe casa até a Papuda
Moraes determinou a prisão preventiva de Bolsonaro devido ao descumprimento das cautelares impostas a ele no dia 18 de julho, motivadas pela suspeita de cometimento dos crimes de coação no curso do processo, obstrução à Justiça e ataque à soberania nacional por Bolsonaro e seu filho Eduardo Bolsonaro. O ex-deputado federal atuou nos Estados Unidos para a aplicação de tarifas ao Brasil e sanções contra autoridades brasileiras — como a Lei Magnitsky contra o próprio Moraes, posteriormente revogada pelo presidente americano Donald Trump.
Bolsonaro deveria cumprir recolhimento domiciliar noturno, não usar redes sociais diretamente ou por meio de terceiros, vedar a comunicação com diplomatas e réus da ação penal da trama golpista e usar tornozeleira eletrônica. Após o descumprimento de uma série dessas medidas, com a participação em lives na internet, o ministro decretou a prisão domiciliar do ex-presidente.
No dia 22 de novembro, Bolsonaro foi levado para a Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, ainda em prisão preventiva, após tentar romper a tornozeleira eletrônica utilizando um ferro de solda. Três dias depois, Moraes decretou trânsito em julgado da ação penal da trama golpista, e Bolsonaro passou a cumprir sua pena de 27 anos e três meses de prisão.
Desde então, aliados e familiares do ex-presidente questionaram suas condições na prisão devido ao quadro de saúde de Bolsonaro. Após precisar passar por novas cirurgias no final do ano para impedir as crises de soluços, o ex-presidente chegou a retornar para a PF. No dia 6 de janeiro, ele chegou a ser submetido a exames médicos após cair e sofrer traumatismo craniano leve, mas retornou ao mesmo local.
No dia 15 de janeiro, Bolsonaro chegou à “Papudinha”. Moraes afirmou que o cumprimento da pena de na PF já vinha ocorrendo com o “absoluto respeito à dignidade da pessoa humana e em condições extremamente favoráveis em relação ao restante do sistema penitenciário brasileiro”, mas considerou que a “total ausência de veracidade nas reclamações” não impedia a transferência “para uma Sala de Estado Maior com condições ainda mais favoráveis”.
Em ano eleitoral, a cela de Bolsonaro passou a funcionar como um ponto de conversas importantes para os rumos de seu projeto político, com visitas do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), além de aliados como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Na semana passada, Moraes autorizou as visitas dos senadores Bruno Bonetti (PL-RJ) e Carlos Portinho (PL-RJ), além dos deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Ubiratan Sanderson (PL-RS).
Foi da prisão, ainda na PF, que Bolsonaro escreveu uma carta para afirmar ter escolhido Flávio como o seu sucessor na corrida eleitoral. Apesar do senador, de início, sinalizar que poderia desistir da candidatura caso houvesse anistia ao pai, ele já ressaltou que seu plano para disputar o Planalto é definitivo.
Estratégia por domiciliar
Com a expectativa de convencer o STF a conceder prisão domiciliar a Bolsonaro, a primeira-dama Michelle Bolsonaro e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, orientaram aliados a baixar o tom das críticas aos ministros da Corte, conforme mostrou o GLOBO. Segundo parlamentares e dirigentes do partido, o pedido circulou em conversas reservadas, mas também de forma explícita em grupos internos.
No mês passado, Michelle esteve com os ministros Alexandre de Moraes, relator da ação da trama golpista, e Gilmar Mendes, decano da Corte, para tentar sensibilizá-los e passou a sustentar internamente que o ambiente político precisa estar menos tensionado. A leitura no entorno de Bolsonaro é que a linha humanitária, centrada em condições de saúde, ganha mais força se o discurso público estiver alinhado a essa estratégia.
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