Revista Veja
Há exatos dez anos, o país atravessava uma imensa turbulência. A Lava-Jato avançava sobre a classe política, e o Congresso, acuado pelas investigações, dava os primeiros passos em direção à cassação do mandato da presidente Dilma Rousseff, afastada em maio de 2016. O vice-presidente Michel Temer assumiu o governo sob a pressão de uma profunda crise política e econômica.
Foi bem-sucedido ao conseguir aprovar reformas estruturais importantes, mas sua passagem pelo Palácio do Planalto acabou ofuscada pela impopularidade derivada das revelações de corrupção que atingiram o MDB, o seu partido, alguns de seus ministros e aliados. Temer garante que as feridas desse período estão totalmente cicatrizadas, incluindo a maior delas: sua prisão – ou “sequestro”, como ele a define.
Leia maisSuperar o passado, segundo ele, é a única receita para o Brasil sair do atoleiro político em que se encontra hoje. Nesta entrevista, o ex-presidente afirma que não houve tentativa de golpe de Estado, defende a redução das penas para os envolvidos no 8 de Janeiro e diz que as eleições de outubro podem pôr um ponto-final na polarização do país.
Ha muita diferença entre os conflitos políticos de hoje e os enfrentados há uma década?
Houve nesse espaço de tempo muita polarização, que chamo de radicalização. Muitas vezes não há discussão de ideias. Ha discussões de natureza pessoal e muita coisa ligada ao passado. Vejo as pessoas olhando pelo retrovisor. Gosto de repetir: ou superamos o passado ou não teremos futuro. E importante que as autoridades públicas trabalharem com essa concepção. No meu tempo havia oposição, mas não havia essa radicalização de posições.
E qual é a alternativa para cessar essas hostilidades?
Temos as eleições deste ano porque é um momento em que os candidatos podem lançar projetos para o país. Se isso acontecesse, ao invés da disputa Lula e Bolsonaro, teríamos uma disputa de projetos para chegar ao poder. Essa pregação parece de certa ingenuidade, eu sei, mas não é. O ideal seria o centro e a centro-direita terem um programa para o país para se opor a outro programa e daí nos melhoramos as relações político-eleitorais-administrativas no país. Já fui procurado pelos govenadores que pretendem disputar a Presidência e dei a eles essa sugestão. Qualquer um deles que vier a ser candidato representa muito adequadamente o meu pensamento. O eleitorado está cansado dessa disputa de nome contra nome.
O seu partido, o MDB, terá candidato próprio à Presidência ou vai se aliar a outra candidatura?
O MDB é uma federação. Uma coisa é o MDB no Nordeste, outra coisa é o MDB do Sul, Sudeste, Centro-Oeste. É preciso saber coordenar essas várias correntes. O ideal dos ideais é que o MDB lançasse um programa para o país. O ideal seria ter uma candidatura representativa desse projeto. Mas acho complicado, porque toda vez que você quer apresentar um candidato se depara com essas dificuldades federativas. Por isso, o MDB acaba entrando nessa coisa do chamado centro, centro-direita, para que cheguem todos unidos, se não no primeiro turno, pelo menos no segundo.
A candidatura do senador Flávio Bolsonaro pode unir essa centro-direita?
Se o senador Flávio Bolsonaro for candidato e chegar ao segundo turno, acho que a opção do chamado centro, da centro-direita e, claro, da direita radical será ele.
O que achou do fato de Flávio Bolsonaro ter insinuado em uma rede social que, se o senhor estivesse no lugar de Jair Bolsonaro, Alexandre de Moraes decidiria de forma diferente sobre a prisão do pai dele?
Primeiro, se fosse eu do outro lado, não haveria tratamento diferente. Tenho a impressão que o ex-presidente vai acabar indo para a prisão domiciliar. Acho isso útil como um gesto de pacificação para o país. Ninguém vai dizer que a prisão domiciliar é uma maravilha. Ficar trancado em casa é prisão do mesmo jeito.
Além de Bolsonaro e Fernando Collor, que estão presos, o presidente Lula já foi preso e o senhor também. O que há de errado?
Primeiro, um esclarecimento: fui sequestrado. Fiquei quatro dias na Polícia Federal, fruto de um sequestro de um juiz lá do Rio de Janeiro que foi expulso da magistratura. Prisão e sequestro são coisas distintas. Respondendo à pergunta, nosso sistema jurídico é perfeito. A Constituição traz critérios extremamente democráticos, participativos, que têm sido utilizados nas várias decisões judiciais. É claro que, vez ou outra, você pode contestar o mérito de certas decisões, mesmo decisões do Supremo Tribunal Federal, mas não pode contestar a competência que a Constituição deu ao Judiciário para essas decisões.
A oposição anuncia que buscará eleger o maior número de senadores para cassar ministros do STF. Não é algo que vai na contramão da necessidade de pacificação que o senhor defende?
Não acho uma boa pregação, porque ela remete à ideia de que você está pensando apenas no passado. Toda vez que há, de um lado, ultrapassagem de alguns limites, o retruque também ultrapassa os limites. Palavras de harmonia são fundamentais. Dizer que nós vamos eleger senadores para cassar ministros do Supremo não colabora para superar o passado e garantir o futuro. Isso cria instabilidade no país.
A anistia defendida pelos bolsonaristas ajudaria ou dificultaria a proposta de pacificação?
Esse tema já saiu da pauta e não se pode cogitar retomá-lo. O Congresso encontrou um meio-termo, que é a nova dosimetria. Cogitar anistia agora é incentivar essa divisão, mas apoiar a dosimetria é caminhar para a pacificação.
Como um constitucionalista como o senhor avalia as críticas que têm como alvo o ministro Alexandre de Moraes?
Conheci o ministro muito antes de ser ministro de Justiça do meu governo. Não conheço os autos que embasaram suas decisões, mas, num dado momento, comentou-se que havia um certo excesso na dosagem das penas. O que o Congresso fez legitimamente? “Vamos redosar essas penalidades.” O mecanismo democrático, portanto, está funcionando. Dei palpites sobre a questão da dosimetria. Se tivesse havido um bom diálogo entre Executivo, Legislativo e Judiciário, essa questão teria sido resolvida. Não vejo com bons olhos o veto do presidente Lula ao projeto. Mas ainda há tempo para um pacto republicano entre os Poderes.
O senhor não usa a palavra golpe quando se refere aos episódios que redundaram no 8 de Janeiro e na condenação dos envolvidos. Por quê?
Houve uma agressão enorme aos Poderes. Vou dizer uma obviedade: um golpe só existe como mecanismo de força. Mecanismo de força nos sistemas golpistas só se dá com a presença das Forças Armadas. Aqui, não houve a presença da instituição. Pode ter havido um ou outro membro das Forças Armadas que tenha imaginado ou pensado nisso. Houve uma agressão muito forte aos Poderes – não aos prédios, apenas. A intenção era desmoralizar os órgãos do Poder. Por isso, merecia punição – punição que foi dada.
Ainda incomoda ser chamado de golpista, particularmente pelo presidente Lula?
Conheço bem o presidente Lula. Sempre me dei muito bem com ele e ele comigo. Mas ele faz isso para agradar a uma ala do PT. Não deveria fazê-lo. Muita gente diz que, como fizemos grandes reformas, como recuperamos as estatais, como reduzimos juros, como recuperamos o PIB, como reduzimos inflação – se foi golpe, foi golpe de sorte. Não me incomodo minimamente mais com isso. Compreendo essas coisas e, com toda a franqueza, fico acima dessas palavras inteiramente inadequadas.
O senhor foi contratado no ano passado para fazer uma mediação entre o Banco Master e o Banco de Brasília, o BRB – operação, sabe-se hoje, cercada de ilegalidades. Qual sua avaliação sobre o caso?
Fui procurado para fazer essa mediação, mas vi que era um pouco difícil. Aliás, quando fui contratado, não tinha sequer sido decretada a liquidação pelo Banco Central. Fiquei surpreso. No entanto, é apressado dizer, desde já, sem uma decisão final do Judiciário, qual é a culpa e qual é o tamanho do delito.
Como político o senhor defenderia a criação de uma CPI para investigar o caso Master?
O primeiro resultado das CPIs é a divulgação um pouco escandalosa dos fatos. Quando você conclui uma CPI, tem que mandar o relatório final para o Ministério Público dizer se tem alguma questão penal ou cível a ser apurada. É simplesmente uma pré-elaboração de um eventual processo penal ou civil. Não tenho objeção às CPIs, porque essa também é uma tarefa do Poder Legislativo que a Constituição já lhe entregou. Mas não sei se ela é necessária nesse caso.
Como avalia este terceiro mandato do presidente Lula?
Ele já esteve numa posição eleitoralmente mais delicada depois do tarifaço, mas recuperou a popularidade. Não posso negar que ele é um líder, tem prestígio, mas lhe falta um pouco de capacidade de diálogo. Eu fiz uma reforma do sistema trabalhista no país. Nós levamos quatro meses para mandar o projeto para o Congresso. Pegue agora o exemplo recente do IOF. Como não houve diálogo, a Câmara apresentou um decreto legislativo, suspendendo a eficácia do decreto governamental. Foi para o Supremo, que manteve uma parte desse decreto legislativo e eliminou uma outra parte. Ou seja, gerou-se um conflito entre os Poderes, fruto da ausência do diálogo.
Recentemente a revista The Economist publicou um texto dizendo que o presidente Lula não deveria concorrer em 2026, entre outras coisas, por causa da idade avançada. O eleitor deve levar essa preocupação em conta?
Não posso concordar. Essa não é uma razão impeditiva da candidatura. Nos dias atuais, aumentou muito a faixa etária, a longevidade dos indivíduos. Eu, por exemplo, tenho 85 anos. A não ser que se revele que o presidente tem deficiências cognitivas, deficiências de saúde, aí sim. O simples fator etário não pode impedir uma candidatura.
Dez anos depois de sua posse como presidente da República, o senhor se arrepende de algo ou faria algo diferente?
Não me arrependo nem minimamente. Ao contrário. Assumi em um momento conturbado e tive de enfrentar uma oposição rigorosa, feroz, mas legítima. Sabia que deveria ser ousado. E ser ousado significava produzir reformas para o país. Fui um presidente muito impopular, mas hoje sou um ex-presidente popularíssimo. As pessoas reconhecem o que fizemos. Fiz o que deveria fazer e saí com certa dignidade.
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O Sextou de hoje, programa que ancoro as sextas-feiras, no lugar do Frente a Frente, faz um tributo a um dos maiores compositores do Brasil: o poeta Accioly Neto. Ele é autor de inúmeras canções de sucesso, como “Espumas ao Vento”, que ganhou fama interpretada por Raimundo Fagner, “Quando bate o coração” e “Me diz, amor”. A convidada é Tereza Accioly, viúva do cantor e compositor.
O programa vai ao ar das 18h às 19h, pela Rede Nordeste de Rádio, formada por 48 emissoras em Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Bahia, tendo como cabeça de rede a Rádio Folha 96,7 FM, no Recife. Se você deseja ouvir pela internet, clique no link do Frente a Frente em destaque no alto do blog ou baixe o aplicativo da Rede Nordeste de Rádio na play store.
Blog da Folha
Falta uma semana para o primeiro mutirão de coleta biométrica do ano. Nos dias 29, 30 e 31 de janeiro, os pontos de atendimento do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) em todo estado estarão funcionando em horário ampliado para receber as eleitoras e eleitores que precisam cadastrar a sua digital, tirar o primeiro título, entre outros serviços. A biometria vai agilizar o processo de identificação dos eleitores no dia 4 de outubro, data do primeiro turno das Eleições Gerais 2026.
Durante o mutirão, o funcionamento das unidades de atendimento do TRE-PE será das 8h às 16h, inclusive no sábado. Para participar, será necessário fazer o agendamento prévio. Antes de agendar, o Tribunal recomenda que o eleitor verifique se já possui biometria coletada, acessando aqui. Dúvidas podem ser esclarecidas por meio da atendente virtual Júlia ou pelo Disque Eleitor: (81) 3194-9400.
Leia maisPostos de Atendimento
Em cidades com níveis baixos de biometria, o TRE Pernambuco abriu postos de atendimento descentralizados, reforçando sua rede de cartórios eleitorais e centrais de atendimento ao eleitor. A medida tem como objetivo facilitar o acesso aos serviços, especialmente em municípios do interior, onde a sede de um cartório eleitoral atende mais de uma localidade.
No caso do Recife e Olinda, além das centrais de atendimento, há a possibilidade de agendamento nos Expressos Cidadão nos shoppings Riomar e Patteo, respectivamente. Já no caso de Jaboatão dos Guararapes, além da central de atendimento e do Shopping Guararapes, seis outros postos de atendimento estão disponíveis.
Serviços
Durante o mutirão, os servidores do TRE-PE estão a postos para além da biometria, fazer o alistamento eleitoral, ou seja, o primeiro título, realizar correções de cadastro (alterações de nomes ou outros dados), alterar o domicílio e resolver pendências, como a suspensão do título. Também será possível emitir certidões e solicitar transferências.
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O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (PT-RJ), e o deputado Rogério Correia (PT-MG) protocolaram um pedido de providências à Polícia Rodoviária Federal (PRF) para interromper a caminhada organizada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que segue de Paracatu (MG) até Brasília (DF), onde planeja chegar domingo (25/1). Os deputados pedem a adoção de medidas para conter o que classificam como “risco concreto à segurança viária”.
No documento, eles afirmam que a manifestação é feita em uma rodovia federal de tráfego intenso, em grande parte de pista simples, com uso do acostamento e invasão da pista de rolamento por manifestantes. As informações são do portal Metrópoles.
Leia maisOs parlamentares também mencionam o uso de aeronaves para acompanhar o ato, inclusive com pousos nas margens da estrada, o que, segundo eles, aumenta o risco de acidentes. Para os deputados, a situação configura uma conduta “grave, inaceitável e irresponsável”.
Na segunda-feira (19/1), o congressista mineiro iniciou a chamada “caminhada pela liberdade”. Até agora, 22 parlamentares de direita se uniram a Nikolas. Segundo os deputados petistas, o ato foi feito sem comunicação prévia às autoridades e expõe participantes e motoristas a riscos à vida e à integridade física.
“Eles podem se manifestar onde quiserem, mas não podem colocar em risco a vida das pessoas. Façam essa mobilização onde quiserem, mas não desse jeito, sem autorização e colocando vidas em perigo”, disse Lindbergh.
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O agravamento da crise de imagem do Supremo Tribunal Federal (STF) levou o presidente do tribunal, Edson Fachin, a sair em defenda da instituição e do ministro Dias Toffoli, afirmando que o Supremo não se curvará a ameaças e que Toffoli está no seu papel “regular” de supervisão judicial. As informações são do blog do Valdo Cruz.
Isso não significa, porém, que Edson Fachin esteja tranquilo com tudo o que está acontecendo no tribunal que comanda. Pelo contrário, está preocupado. Foi por isso que divulgou a nota defendendo a instituição, mas ele não desistiu, por exemplo, de aprovar um código de conduta dos ministros da Corte. Fachin disse a interlocutores que está buscando apoio à sua proposta na base do convencimento pelo diálogo.
Leia maisO lema de Fachin é que democracia toma tempo, mas vale a pena, e que está fazendo diálogos abertos com todos, sem exceção. A decisão final, que não tem pressa para ser tomada, mas também não pode demorar demais por causa do agravamento da crise, será do colegiado do STF, que terá de definir o procedimento e o conteúdo no tempo apropriado.
Fachin já teria o apoio de pelo menos quatro ministros. A avaliação dentro do Supremo é que um código de conduta pode ajudar a debelar a crise de imagem, mas apenas ele não será suficiente a depender do rumo das investigações sobre as fraudes bancárias que teriam sido cometidas pelo banco Master.
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O que começou como mais um vídeo em rede social acabou se transformando em um episódio grave que está repercutindo em Pombos e em outras cidades de Pernambuco. O vereador Beto da Ambulância publicou um vídeo em tom agressivo no qual ataca uma cidadã chamada Geraldina e também destrata uma deputada federal, numa sequência de falas que ultrapassa qualquer limite aceitável na vida pública.
No vídeo, o parlamentar passa a ofender Geraldina com palavras como “catraia”, “bandida” e “vagabunda”, em um discurso marcado por humilhação e intimidação. Não se trata de crítica política nem de debate de ideias. Trata-se de agressão verbal e de um caso evidente de violência política de gênero, já que o ataque parte de um agente público contra uma mulher, usando xingamentos e tentativa de desmoralização pública.
Leia maisO mais grave é que não se trata de um cidadão comum em um momento de descontrole, mas de um vereador no exercício do mandato, alguém que jurou respeitar a Constituição, zelar pelo decoro e representar a população. No mesmo vídeo, ao também destratar uma deputada federal, o parlamentar deixa claro que o ataque não é isolado, mas dirigido a qualquer mulher que ouse contrariá-lo.
Esse tipo de conduta pode, em tese, se enquadrar em crimes contra a honra, como injúria e difamação, além de levantar questionamentos sobre abuso de autoridade e quebra de decoro parlamentar. Mandato não é licença para agredir, e imunidade não é salvo-conduto para ofender ou humilhar.
O episódio coloca a Câmara de Vereadores de Pombos e os órgãos de controle diante de uma responsabilidade inevitável: apurar os fatos e avaliar se esse comportamento é compatível com o exercício de um mandato parlamentar. Quando um representante do povo usa a tribuna digital para atacar e humilhar mulheres, não é apenas uma pessoa que ele atinge. É a própria democracia e o respeito às instituições.
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De olho no eleitorado do Nordeste – região em que aparece com índices de intenção de voto entre 12% e 18% nas pesquisas mais recentes –, Flávio Bolsonaro (PL) ganhou nesta semana o apoio do senador Rogério Marinho (PL-RN).
Ex-ministro de Jair Bolsonaro e líder da oposição no Senado, Marinho havia manifestado a intenção de disputar o governo do Rio Grande do Norte pelo PL, mas aceitou mudar de rota para ajudar a articular a candidatura presidencial de Flávio, seu colega no Congresso.
Leia maisMarinho era a aposta do PL para a disputa no estado, atualmente governado pelo PT, e disse na quarta-feira (21) que vai integrar a pré-campanha de Flávio a pedido de seu pai, que está preso em Brasília e escolheu o filho como candidato presidencial.
“Há alguns dias eu tenho dormido mal, tenho me sentido diferente, pela mudança de rumos que a vida me leva a tomar, mas eu não posso negar um pedido do presidente Bolsonaro. Não posso”, discursou Rogério Marinho, após anunciar a decisão.
O senador é quadro relevante no bolsonarismo e na oposição ao governo Lula. Eleito senador em 2022, concorreu à presidência da Casa no ano seguinte, quando perdeu para Rodrigo Pacheco (PSD), por 49 votos a 32. Ao desistir de concorrer no RN, Marinho declarou apoio à pré-candidatura de Álvaro Dias (Republicanos), ex-prefeito de Natal.
Ele foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a visitar Bolsonaro na Papudinha no próximo dia 4 de fevereiro.
Flávio Bolsonaro agradeceu publicamente o apoio. Em vídeo divulgado nas redes sociais, classificou Marinho como “um dos principais, mais preparados e mais competentes” quadros da política brasileira.
“Eu sei que vocês estão aí com o coração um pouco apertado pela decisão que ele tomou, mas tenho a consciência e a certeza de que ele está fazendo a escolha pelo Brasil”, disse Flávio. “Vamos fazer um trabalho fenomenal por todo o país, e o Rio Grande do Norte será ainda mais contemplado com o Rogério Marinho integrando esse grande time que eu pretendo montar”, afirmou.
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Logo Caruaruense continua produzindo trocas de acusações
Por Larissa Rodrigues – Repórter do blog
O episódio da Logo Caruaruense continua rendendo trocas de acusações entre deputados aliados da governadora Raquel Lyra (PSD) e a oposição, mesmo depois de a gestora anunciar o fim das atividades da empresa do pai, o ex-governador João Lyra Neto. A Logo Caruaruense foi objeto de reportagem do portal Metrópoles, este mês. O veículo expôs a falta de fiscalização nos ônibus da empresa há três anos.
Fiel à chefe do Poder Executivo e com uma experiência parlamentar de vários mandatos, o que impõe respeito entre os colegas, Antônio Moraes (PP) chamou os oposicionistas à responsabilidade. Disse que a oposição manipulou as informações a respeito do assunto para tentar atacar a governadora e tirar proveito político da situação.
Leia maisO deputado Romero Albuquerque (UB), que pediu o impeachment de Raquel Lyra por causa do episódio, reagiu. Segundo o parlamentar, Moraes cumpre o papel de alguém escalado pelo governo para tentar confundir a opinião pública em meio à falta de justificativas do Palácio do Campo das Princesas sobre as denúncias.
Moraes apresentou dados do Detran-PE e de outros órgãos para informar que não existem débitos pendentes dos veículos da empresa, nem em 2025, nem em anos anteriores, além de todos os veículos possuírem o CRLV 2025. Segundo Moraes, os levantamentos desta semana comprovam que todos os ônibus da Caruaruense passam sempre por revisões diárias e inspeções rigorosas, além de manterem as revisões periódicas em dia.
“Diante dos relatórios que recebi dos órgãos responsáveis pela fiscalização, a frota de ônibus da Caruaruense há anos é considerada a mais bem cuidada do setor, inclusive rodando mais de 400 mil quilômetros por mês, com um percentual de quebra extremamente mínimo e um índice de sinistralidade nas seguradoras ainda mais baixo, algo que pode ser comprovado documentalmente pela facilidade de renovação anual da apólice da empresa”, explicou Moraes.
O deputado foi duro e acusou os oposicionistas de anteciparem as eleições deste ano, algo sempre mencionado nos bastidores, tanto pelos aliados de Raquel quanto pelos do prefeito do Recife, João Campos (PSB), que vai enfrentar a governadora nas urnas. Os dois lados se acusam de antecipação. Mas Moraes foi além, acusou os aliados de João de promoverem um “Carnaval de mentiras”.
“Infelizmente, a oposição está cega, só pensa em política e eleição, sem ligar para as necessidades do povo de Pernambuco, que tanto usufruiu da Caruaruense, uma empresa que integrou as regiões do Estado. Hoje, eles só pensam em atacar a governadora, nem que, para isso, seja preciso manipular informações e esconder a verdade da população. Não adianta tentar montar um Carnaval de mentiras, porque, no final, o que sempre prevalece é a justiça”, declarou.
Romero Albuquerque lembrou que o CRLV é um documento exigido nacionalmente, inclusive por autoridades federais. Para ele, Moraes se esquivou de comentar sobre as infrações administrativas da empresa, que deveriam ser fiscalizadas pela EPTI, órgão estadual. “Havia taxas atrasadas, falta de vistorias e frota sucateada, tudo comprovado em documentos da própria EPTI. O deputado, que tenta explicar o inexplicável, está sugerindo que esses documentos são falsos? Está atuando para esconder a omissão da governadora Raquel Lyra”, disse Romero.
Contradição – Ainda segundo Romero Albuquerque, a fala de Moraes contradiz o único esboço de reação feito pelo governo até agora: a exoneração do presidente da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI), Antônio Carlos Reinaux. “Se estava tudo certo, se a empresa era a de melhor qualidade no setor, como ele diz, por que o presidente da EPTI foi exonerado? Os aliados tentam falar em cortina de fumaça da oposição, mas é o próprio governo que está tentando confundir a sociedade com desinformação. E isso nós não vamos permitir”, enfatizou Albuquerque.

Sem histórico na Justiça – Antônio Moraes também argumentou que a empresa Logo Caruaruense não tem histórico de processos judiciais, tanto na esfera cível como na trabalhista. Entretanto, reiterou que, por conta da crise financeira sofrida pela empresa – sobretudo pela dificuldade de concorrência com os transportes por aplicativo na esfera intermunicipal –, “lamentavelmente a Caruaruense, após 60 anos de atividade, foi obrigada a entregar suas linhas à EPTI, o que vai acarretar o fechamento e o desemprego de parte dos funcionários, da mesma forma como ocorreu, recentemente, com a empresa de transportes 1002, que fazia as rotas da Mata Norte do Estado”.
Alta nos feminicídios – Os dados oficiais divulgados sobre os feminicídios no Brasil em 2025 revelam uma realidade brutal. O país registrou 1.470 casos de mulheres mortas por razões de gênero ao longo do ano, superando o recorde anterior de 2024, que havia contabilizado 1.464 ocorrências. O número consolida uma média estarrecedora de quatro mulheres assassinadas por dia, segundo levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Frente a esses dados, o deputado federal Eduardo da Fonte (PP/UPB) afirmou que os números demonstram que o enfrentamento à violência de gênero exige ação permanente e efetiva do Estado brasileiro.
Comemoração – A indicação para o Oscar do filme “O Agente Secreto”, ambientado no Recife da década de 70, foi comemorada nas redes sociais pela governadora Raquel Lyra (PSD) e pelo prefeito do Recife, João Campos (PSB). Ambos fizeram questão de registrar a escolha do filme para a maior premiação do cinema mundial. “Momento histórico para Pernambuco! O filme pernambucano O Agente Secreto é indicado a quatro categorias do Oscar! É do Brasil, é de Pernambuco!”, disse Raquel. “O Recife é cinema, é arte, é criação pulsando. Ver nossa cidade, nossas histórias e nossos artistas brilhando na maior cerimônia do cinema mundial mostra que quando a cultura é valorizada, ela atravessa fronteiras”, publicou João Campos.

“Tem o molho” – Já o presidente Lula (PT) também comemorou nas redes sociais e, em uma das publicações, disse que o ator Wagner Moura, indicado à categoria de Melhor Ator, “tem o molho e tem talento”. “Wagner Moura tem o molho, tem talento de sobra, já levou o Globo de Ouro de melhor ator em filme drama e agora pode vir o Oscar de melhor ator”, escreveu Lula. O filme brasileiro “O Agente Secreto” foi indicado às principais categorias do Oscar: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator para Wagner Moura e Melhor Elenco.
CURTAS
Troca na Adepe – O Governo do Estado anunciou, ontem (22), a troca de comando na Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe). No lugar de Ana Luiza Ferreira, assumirá a advogada Roberta Andrade Figueirôa como diretora Geral de Fomento, Inovação e Arranjos Produtivos da agência. Ela também assumirá interinamente a presidência do órgão.
Aumento das tarifas – A Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Estado de Pernambuco (Arpe) homologou o aumento das tarifas de ônibus do Grande Recife. O valor do Anel A (Bilhete Único), o mais utilizado, foi arredondado de R$ 4,47 para R$ 4,50. A homologação foi publicada na edição de ontem (22) do Diário Oficial.
Assédio moral – O Estado do Rio Grande do Norte (RN) foi condenado ao pagamento de R$ 500 mil por dano moral coletivo em decisão da 6ª Vara do Trabalho de Natal, após ação movida pelo Ministério Público do Trabalho no RN. A sentença reconheceu a ocorrência de assédio moral organizacional no âmbito da Secretaria de Estado da Administração.
Perguntar não ofende: Quem antecipou primeiro as eleições de 2026, Raquel ou João?
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Moradores do Pina, na Zona Sul do Recife, denunciam alterações no sistema de videomonitoramento da Secretaria de Defesa Social que, segundo eles, reduziram a cobertura de segurança em um ponto estratégico do bairro.
De acordo com a comunidade, uma câmera da SDS que ficava em frente ao Restaurante Mingus, no cruzamento da Rua Amazonas com a Rua Atlântico, foi retirada. No local, ainda segundo os moradores, foi instalada outra câmera do tipo 360 graus na Rua Amazonas. No entanto, o equipamento estaria direcionado principalmente para a entrada e a saída da garagem do prédio onde mora a governadora Raquel Lyra.
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Moradores afirmam que o motivo da nova instalação seria a redução da presença da guarda civil no entorno, o que teria levado à adoção de um novo esquema de monitoramento. Ainda assim, a comunidade avalia que a mudança comprometeu a segurança coletiva.

Antes da alteração, a câmera possuía cobertura 360 graus e monitorava as duas vias. Com o novo posicionamento, a Rua Atlântico não estaria sendo monitorada integralmente, apesar de ser uma via bastante movimentada do bairro.

Diante da situação, os moradores cobram esclarecimentos da Secretaria de Defesa Social e do Governo do Estado sobre os critérios técnicos adotados. A pergunta que fica, segundo a comunidade, é se a segurança pública está sendo pensada para proteger os cidadãos e o espaço urbano ou se atende, prioritariamente, à governadora.
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O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) descartou, em conversas com interlocutores próximos, a possibilidade de concorrer ao governo de São Paulo ou ao Senado nas eleições de outubro.
A aliados, Alckmin manifestou preferência por manter o posto de vice na chapa pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo relatos à CNN, Alckmin disse que seu futuro é ficar na vice ou “capinar em Pinda” — em referência à sua cidade de origem, Pindamonhangaba (SP), onde foi vereador e prefeito nos anos 1970. As informações são da CNN.
Leia maisTrata-se de uma expressão literal. A família de Alckmin ainda tem um sítio em Pindamonhangaba, que o ex-tucano gosta de visitar e onde tem a roçada do mato como uma de suas atividades preferidas.
Capinar, gosta de dizer Alckmin aos amigos, é uma forma de se exercitar fisicamente, mas também um exercício mental e espiritual, uma forma de estar próximo da terra e de Deus.
Em termos políticos, o que importa é Alckmin fechar completamente as portas para uma eventual candidatura ao governo estadual ou ao Senado por São Paulo.
O PT flertava com essa possibilidade. Para o partido, a vaga de vice na chapa com Lula poderia ser oferecida a outros aliados que ajudassem em uma composição nacional, como o MDB.
Além disso, o Palácio do Planalto está preocupado com o desempenho de Lula em São Paulo.
Se o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) for candidato à reeleição, ele desponta como favorito e pode dificultar a atração de votos em Lula no maior colégio eleitoral do país. Por isso, o Planalto avalia que ter Alckmin na eleição em São Paulo seria uma boa estratégia.
No entanto, ministros próximos de Lula e a cúpula petista reconhecem que o vice tem a prerrogativa de escolher seu próprio futuro nas urnas em 2026.
“Na minha opinião, não é posição do PT, Alckmin será o que ele quiser ser. O vice-presidente Geraldo Alckmin é, na minha avaliação, hoje uma liderança nacional de primeira grandeza no Brasil”, afirmou, em dezembro, o presidente nacional do PT, Edinho Silva.
Lula costuma dizer que está satisfeito com a escolha de Alckmin, em 2022, como companheiro de chapa. Na semana passada, os dois tiveram uma conversa reservada, fora da agenda oficial.
Procurada, a assessoria do vice-presidente não fez comentários.
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Por Yuri Costa – Blog da Folha
Com a iminente candidatura para concorrer às eleições para o governo de Pernambuco, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), comentou sobre o seu possível último Carnaval como gestor da capital pernambucana.
O depoimento de Campos aconteceu após a apresentação da programação do Carnaval do Recife, no Museu Paço do Frevo, na área central da cidade, no começo da tarde desta quinta-feira (22).
Leia maisDurante sua fala, João Campos evitou cravar que esse será o seu último Carnaval como prefeito do Recife e afirmou estar animado para a festa.
“Tudo na minha vida eu faço com o ânimo da primeira vez e com a emoção da última […]. A gente nunca sabe quando é a última [vez]. O importante é como diz minha mãe, que a gente tem que estar em dia com a vida, porque é importante fazer e fazer bem feito. Eu tenho certeza que vai ser um grande carnaval e bem feito, em cada detalhe”, afirmou.
Durante sua fala, Campos também destacou o papel do Carnaval no Recife e admitiu que sempre tentou realizar uma boa festa durante os seus mandatos.
“Eu acho que o Carnaval do Recife é uma das grandes marcas da cidade. O Carnaval do Recife não pertence a um governo, a uma gestão, a um prefeito, é um Carnaval gigante, e eu sempre procurei fazer o melhor, desde fazer ele ampliado, aumentar os dias, colocar novos polos, trazer novas linguagens. Este ano a gente vai ter novas áreas aqui no Centro, praça de alimentação maior, novos polos. Então essas novidades a gente faz com muita alegria”, comentou.
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Recife teve um dia diferente hoje. O presidente da Heineken, Maurício Giamellaro, rodou pela cidade, visitando bares, sentindo o clima, observando balcões, copos e histórias. Mas, no fim das contas, o destino já estava traçado: o Bar do Xerém, em Setubal.
Não foi só uma visita institucional. Foi encontro. Foi curiosidade genuína. Foi respeito por quem faz bar do jeito certo. O Xerém, que já é parada obrigatória pra quem do Recife é de Pernambuco e descoberta feliz pra quem vem de fora, recebeu o visitante ilustre como manda a tradição: com conversa, acolhimento e comida que fala por si.
E o acaso caprichou. Justo hoje era dia da famosa “porcheta de Bebezinho” ou melhor, de Arnóbio, o dono da casa, figura central dessa história. Ao lado dos filhos, Vinícius e Vitor, ele fez o que sempre fez: abriu o bar, abriu a cozinha e abriu o coração.
Ali não tinha pose nem cerimônia. Tinha Pernambuco vivo. Tinha boteco raiz. Tinha aquela cultura que não se aprende em manual, só no balcão, no tempo e na insistência de fazer bem feito.
No fim, ficou claro: não foi a Heineken que escolheu o Xerém. Foi o Xerém que mostrou por que merece ser escolhido.
