Se o leitor não conseguiu assistir a exibição ao vivo do podcast ‘Direto de Brasília’ com o economista, professor, ex-governador do Distrito Federal e ex-ministro da Educação, Cristovam Buarque, clique no link abaixo e confira. Está imperdível!
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Do jornal O Globo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse ser grato à Acadêmicos de Niterói pela homenagem no enredo apresentado na Marquês de Sapucaí, mas se recusou a dar “palpite” sobre o desfile. A agremiação levou para a Avenida o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” e acabou rebaixada para a Série Ouro do carnaval do Rio.
Em entrevista a jornalistas em Nova Délhi, na Índia, o petista foi questionado sobre o que pensava da reação de evangélicos que criticaram uma das últimas alas da escola de samba, a “Neoconservadores em conserva”, com famílias estampadas em latas e adereços de referência religiosa. “Eu não penso. Porque primeiro eu não sou o carnavalesco, eu não fiz o samba-enredo, eu não cuidei dos carros alegóricos. Eu apenas sou homenageado em uma música maravilhosa”, disse.
Leia maisLula afirmou que o desfile foi mais uma homenagem à mãe dele, Dona Lindu. “É uma pena que a minha mãe já tenha morrido e não ouviu a música. A música é, na verdade, uma homenagem à minha mãe. É a saga dela de trazer a gente para São Paulo”, afirmou.
O presidente ainda disse que, quando voltar ao Brasil, irá pessoalmente agradecer à escola pela homenagem. “Cabia ao presidente da República aceitar se ele queria ser homenageado ou não, e eu aceitei e sou muito grato à escola. Muito grato”, destacou.
A ala dos conservadores “enlatados” gerou críticas de políticos da oposição e reações institucionais. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) prometeu acionar o Ministério Público contra Wallace Palhares, presidente da escola de samba Acadêmicos de Niterói, por “intolerância religiosa”. A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro manifestou “preocupação” com a utilização de símbolos da fé cristã e da instituição familiar em manifestações culturais de maneira “ofensiva”, e a Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB-RJ) também emitiu uma nota de repúdio.
Além disso, como mostrou a coluna de Malu Gaspar no Globo, o PL, partido de Jair e Flávio Bolsonaro, acionou na última quinta-feira (19) o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para investigar o financiamento do desfile da Acadêmicos de Niterói neste carnaval em homenagem ao presidente Lula. A agremiação, que levou para a Sapucaí o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, amargou uma 12ª colocação e foi rebaixada.
Para a legenda, a apresentação da Acadêmicos de Niterói foi uma “explícita peça político-eleitoral, em ano eleitoral”, se convertendo em “propaganda governamental e partidária escancarada em cada alegoria, além de ataques nítidos a opositores, em típico comportamento eleitoreiro”. O PL quer apurar a utilização da máquina federal para captação de financiamento para a escola de samba, além de investigar se houve interferência do Palácio do Planalto no conteúdo do desfile.
O desfile foi marcado por exaltação à figura de Lula e a programas sociais da administração petista, como o Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e o Luz para Todos — além de alfinetadas em Bolsonaro, retratado na comissão de frente como um palhaço que acaba preso. O samba-enredo remetia em seu refrão a um jingle de campanha de Lula, com os versos “Olê, olê, olá, Lula, Lula”. Em uma das alas, componentes estavam fantasiados com uma estrela vermelha, em alusão ao símbolo do PT.
O que disse o governo Lula
Procurada pelo blog de Malu Gaspar, a Embratur afirmou que destinou R$ 12 milhões aos desfiles do Grupo Especial do Rio, com “destinação igualitária de R$ 1 milhão” para cada uma das 12 agremiações.
A Embratur frisou “que não interfere na escolha de sambas-enredo, respeitando a autonomia artística e a liberdade de expressão das agremiações”.
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Por Leiliane Rebouças*
Do Metrópoles
O caso do Brasília Palace Hotel é hoje um dos exemplos mais graves de negligência institucional com o patrimônio moderno brasileiro. Primeiro hotel da capital federal, projetado por Oscar Niemeyer para receber autoridades, técnicos e visitantes durante a construção de Brasília, o edifício não é apenas uma peça de arquitetura: ele é parte constitutiva da memória fundadora da cidade.
No entanto, diante da proposta de duplicação e descaracterização do hotel, promovida pelo empresário Paulo Octávio, o Iphan optou pelo caminho mais cômodo: permitir, silenciar e se omitir — como se a defesa do patrimônio fosse um princípio flexível, aplicável apenas quando não interfere nos interesses econômicos.
Leia maisSegundo a análise técnica do próprio Iphan, a duplicação do tamanho do hotel “não prejudicaria o patrimônio cultural”, uma conclusão que beira o absurdo. Como é possível sustentar que dobrar a volumetria de uma obra moderna, concebida com rigor formal, escala precisa e relação direta com a paisagem, não compromete seus valores arquitetônicos e simbólicos?
Essa posição revela uma compreensão empobrecida do que significa patrimônio: reduzido a fachada, a linguagem estética superficial, e não um sistema integrado de forma, função, proporção, uso, memória e contexto urbano.
O Brasília Palace não é um prédio qualquer. Ele integra o conjunto simbólico da capital, ao lado do Palácio da Alvorada, do Congresso Nacional e da Esplanada dos Ministérios. Foi ali que se hospedaram Juscelino Kubitschek, arquitetos, engenheiros, artistas e jornalistas que acompanharam o nascimento de Brasília.
Sua arquitetura leve, horizontal e integrada à paisagem do Lago Paranoá expressa a utopia modernista de uma cidade pensada como obra coletiva, pública e civilizatória. Alterar esse edifício é interferir diretamente na narrativa histórica da capital — e duplicá-lo é negar sua própria lógica arquitetônica.
O problema é que essa interferência não começou agora. O hotel já sofreu um golpe profundo quando se permitiu a criação de um lote em frente, bloqueando a relação visual direta com o Palácio da Alvorada — um dos eixos simbólicos mais importantes do projeto urbano original.
Em seguida, foi construído um segundo hotel com uma arquitetura completamente alheia ao modernismo, um corpo alienígena de escala desproporcional cravado num dos sítios mais sensíveis da paisagem cultural de Brasília.
Cinismo
Agora, a situação se agrava: o mesmo empresário que, nos anos 1990, explorou intensamente a memória afetiva do Brasília Palace para promover sua restauração e valorização comercial, passa a defender sua duplicação e transformação, sob a lógica do “potencial construtivo” e da rentabilidade imobiliária. É o uso cínico da história: a memória como marketing quando convém, e como obstáculo quando limita o lucro.
Mais grave ainda é o arquivamento do pedido de tombamento do hotel no âmbito do governo local. Trata-se de uma decisão política que revela o desprezo pela dimensão imaterial do patrimônio.
O tombamento não é um capricho burocrático, mas um instrumento de proteção da memória coletiva, de garantia de que certas obras — especialmente aquelas fundadoras — não sejam submetidas à lógica predatória do mercado. Arquivar esse pedido é afirmar, implicitamente, que a história de Brasília é negociável.
O silêncio do Iphan diante desse processo é ensurdecedor. O instituto, criado justamente para proteger o patrimônio nacional, não apenas se omite, como também legitima a descaracterização, ao afirmar que a duplicação não gera impacto.
Trata-se de um precedente perigoso: se dobrar um edifício histórico não é considerado dano, então qualquer intervenção pode ser justificada em nome de uma suposta “compatibilidade formal”. Abandona-se a noção de integridade patrimonial e adota-se uma lógica de maquiagem estética, em que se preserva o nome, mas se destrói o sentido.
O exemplo de Niterói
O contraste com Niterói é revelador e constrangedor. Enquanto o município fluminense, ainda em vida de Oscar Niemeyer, construiu um projeto político e cultural consistente de valorização de seu legado — investindo na criação, preservação e promoção de equipamentos como o Caminho Niemeyer, transformando a arquitetura moderna em política pública de identidade urbana, turismo cultural e educação patrimonial — Brasília, justamente a cidade que concentra a obra mais densa e simbólica do arquiteto, opta pelo silêncio, pela omissão e pela conivência no caso do Brasília Palace.
Em Niterói, o patrimônio é entendido como ativo civilizatório e projeto de futuro; em Brasília, ele é tratado como entrave ao mercado, algo a ser flexibilizado, negociado ou descartado quando interfere nos interesses imobiliários.
A ironia histórica é brutal: a cidade que existe por causa de Niemeyer falha em protegê-lo, enquanto outra, que poderia prescindir dele, constrói em torno de sua obra uma política de Estado. Isso não é apenas negligência institucional — é uma falência simbólica da própria consciência patrimonial de Brasília.
O prejuízo é irreversível. Uma vez alterado, duplicado, inflado e reprogramado, o Brasília Palace deixa de ser documento histórico para se tornar apenas mais um produto imobiliário. Perde-se não só um edifício, mas um pedaço da narrativa de Brasília como projeto de país.
Perde-se a materialidade de um tempo em que arquitetura, política e utopia estavam articuladas. E consolida-se uma lógica perversa: a de que o patrimônio só merece ser defendido enquanto é rentável — e que, quando passa a impor limites, deve ser adaptado, flexibilizado ou simplesmente sacrificado.
*Acadêmica do Instituto Histórico e Geográfico do DF. Bacharel de Relações Internacionais, é especialista em turismo; autora do livro Vizinhos do Poder, História e Memória da Vila Planalto (2022); coautora do livro Café com Europa, Brasília 60, da editora UnB (2020); e coordenadora do Movimento Guardiões de Brasília.
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O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) afirmou ontem que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso em Brasília, está “confeccionando, inicialmente, uma lista de pré-candidatos ao Senado, aos governos estaduais e a outras participações políticas igualmente relevantes”. Em postagem nas redes sociais, o ex-parlamentar afirma que o pai pediu que a informação fosse divulgada por ele a aliados.
“Meu pai, preso político, continua soluçando intensamente e, ontem, apresentou uma crise severa de vômitos ao longo da tarde. Ainda assim, pediu que eu informasse aos senhores que está confeccionando, inicialmente, uma lista de pré-candidatos ao Senado, aos governos estaduais e a outras participações políticas igualmente relevantes”, escreveu Carlos. As informações são do jornal O Globo.
Leia maisO ex-vereador também afirmou que, “mesmo diante da evidente degradação de sua saúde”, o pai permanece “focado, lúcido e construtivo”. Além de Carlos, os deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Ubiratan Sanderson (PL-RS) também visitaram o ex-presidente ontem.
O ex-presidente cumpre a pena na Papudinha desde o dia 15 de janeiro, após ser transferido à unidade pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe.
Desde que Bolsonaro foi transferido para Papudinha, a unidade prisional se consolidou como ponto de validação política do bolsonarismo, onde cenários estaduais são apresentados, alianças são debatidas e decisões estratégicas recebem a chancela do ex-presidente.
O circuito é discreto, mas estruturado. Advogados e os filhos mantêm interlocução permanente com dirigentes partidários e recebem as ordens de Bolsonaro. A partir daí circulam avaliações sobre a montagem de palanques, alertas sobre movimentos autônomos de aliados e orientações para o pleito de outubro.
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Por Estadão Conteúdo
O Supremo Tribunal Federal (STF) formalizou, na última quinta-feira (19), a abertura de ação penal contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelos crimes de obstrução à Justiça e coação no curso do processo. Relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes conduz a ação. Com a decisão, Eduardo passa oficialmente à condição de réu.
A denúncia foi recebida por unanimidade pela Primeira Turma da Corte em novembro de 2025, no âmbito das investigações sobre a trama golpista. Ao aceitar a acusação, os ministros entenderam haver indícios suficientes para a abertura do processo.
Leia maisA reportagem procurou Eduardo Bolsonaro para comentar a decisão, mas não houve retorno até a publicação deste texto.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Eduardo e o blogueiro Paulo Figueiredo sob a acusação de articularem, nos Estados Unidos, a imposição de sanções contra ministros do STF. Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a iniciativa buscava pressionar a Corte a não condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no processo da tentativa de golpe.
Bolsonaro foi sentenciado a 27 anos e três meses de prisão no caso. Para Gonet, ficou comprovado que Eduardo e Figueiredo se valeram de interlocutores ligados ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para “constranger a atuação jurisdicional” do Supremo.
Com a formalização da ação penal, o processo entra agora na fase de instrução, com produção de provas e depoimentos.
Possível extradição
Com a abertura de uma ação criminal, o STF tem a opção de pedir a extradição do deputado antes mesmo do julgamento de mérito das acusações.
A extradição pode ser solicitada não apenas para o cumprimento de pena, mas também para fins de instrução do processo. Os trâmites dependeriam, no entanto, da colaboração do governo Trump.
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As chuvas registradas ontem em Garanhuns, no Agreste, por volta das 16h, chamaram a atenção pela força e intensidade, especialmente na região central da cidade. Apesar de ter sido rápida, a precipitação foi forte e acumulou cerca de 30 milímetros, segundo dados do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais).
Ruas como Capitão Tomaz Maia e Barão do Rio Branco ficaram alagadas, dificultando a circulação de pedestres e veículos. Imagens e vídeos que circulam nas redes sociais mostram enxurradas fortes, com correnteza intensa descendo por vias urbanas e invadindo calçadas. É possível ver nas imagens veículos como carros e motos arrastados pela força da água.
De acordo com a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), o estado está em “observação” para pancadas de chuva com intensidade moderada a forte hoje. O aviso meteorológico abrange regiões como o Agreste, o Sertão de Pernambuco, o Sertão do São Francisco e o arquipélago de Fernando de Noronha. A recomendação é que a população permaneça atenta às orientações da Defesa Civil e evite áreas de risco durante os períodos de chuva mais intensa.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF), ontem, parecer contrário ao pedido de prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No documento, Gonet argumenta que a unidade onde Bolsonaro está custodiado dispõe de estrutura médica adequada, com atendimento 24 horas e acesso a uma unidade avançada do Samu em caso de emergência. As informações são da TV Jornal.
Leia maisO ex-presidente cumpre pena no 19º Batalhão da Polícia Militar, instalado dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. O espaço, conhecido como “Papudinha”, é destinado a presos especiais, como policiais, advogados e magistrados.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão no processo relacionado à trama golpista.
Não é a primeira vez que a defesa tenta a mudança de regime. Em dezembro do ano passado, o ministro Alexandre de Moraes já havia negado outro pedido de prisão domiciliar. Na ocasião, o magistrado destacou que o ex-presidente pode receber atendimento médico particular sem necessidade de autorização judicial, além de contar com equipe médica disponível na unidade prisional. O novo parecer da Procuradoria reforça o entendimento de que, neste momento, não há justificativa para a concessão do benefício.
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Uma freira de 82 anos foi assassinada a pauladas ontem por um homem que invadiu o convento onde ela morava, provavelmente com a intenção de furtar objetos do local. O crime ocorreu no município de Ivaí, no Paraná.
A vítima se chamava Nadia Gavanski. Em nota, a congregação da qual ela fazia parte, as Irmãs Servas de Maria Imaculada, lamentou a morte da irmã e disse que “está colaborando plenamente com as autoridades de segurança pública para que as circunstâncias do crime sejam resolvidas”. O velório será hoje, a partir das 15h, em Prudentópolis, Paraná. As informações são do portal Metrópoles.
A Polícia Militar do Paraná (PMPR) confirmou o assassinato e informou que o suspeito foi detido durante a tentativa de fuga. O corpo de Nadia foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Ponta Grossa (PR). O caso continua sob investigação.
Por Estadão Conteúdo
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) analisará a decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que absolveu um homem de 35 anos por estupro contra uma menina de 12 anos por entender que havia “vínculo consensual”.
Em nota enviada ao Estadão, o MP afirma que identificou aspectos jurídicos passíveis de impugnação e adotará medidas processuais cabíveis para garantir a aplicação de jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.
Leia maisO MP reforçou que a legislação entende qualquer relação sexual com menores de 14 anos como estupro de vulnerável. “Tal diretriz normativa visa resguardar o desenvolvimento saudável e a dignidade sexual dessa população, tratando-os como bens jurídicos indisponíveis, que se sobrepõem a qualquer interpretação fundada em suposto consentimento da vítima ou anuência familiar”, completa.
A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Minas Gerais acompanha a situação. Em resposta ao Estadão, a Pasta garante que está em diálogo com o Ministério Público de Minas Gerais sobre os desdobramentos relacionados ao caso e analisará eventuais medidas.
A decisão foi proferida pela 9ª Câmara Criminal do TJMG. O órgão afirmou que o processo tramita em segredo de justiça e não se manifestará a respeito.
De acordo com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), mais de 34 mil crianças de 10 a 14 anos — majoritariamente meninas, pretas ou partas, de regiões vulneráveis — viviam em uniões conjugais no Brasil em 2022.
O Brasil se comprometeu internacionalmente a eliminar a prática, incluindo recomendações recentes do Comitê da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres para fixar a idade mínima para matrimônio em 18 anos.
Em nota, o MDHC ressalta que “quando a família não assegura essa proteção — especialmente em casos de violência sexual —, cabe ao Estado e à sociedade, incluindo os três Poderes, zelar pelos direitos da criança, não sendo admissível que a anuência familiar ou a autodeclaração de vínculo conjugal sejam usadas para relativizar violações”.
O Estadão aguarda manifestação do Conselho Nacional de Justiça e do Superior Tribunal de Justiça.
Caso gerou repercussão entre autoridades e políticos.
A deputada Erika Hilton (Psol-SP) anunciou, nas redes sociais, que apresentou denúncia ao Conselho Nacional de Justiça contra a decisão. Para a parlamentar, o TJMG “liberou a pedofilia”.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou um vídeo criticando a decisão: “Não importa se consentiu, não importa se já teve outros relacionamentos, não importa se ela disse que gosta dele. A lei é objetiva, mas o tribunal resolveu inventar uma exceção”.
O deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) afirmou que a decisão terá impactos na sociedade. “Em um país em que a violência sexual já é uma realidade persistente, decisões assim podem gerar um efeito pedagógico negativo, porque confundem o limite do que é inaceitável e enfraquecem a confiança na proteção institucional”, escreveu no X.
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Por Vianney Mesquita*
“O orgulho que almoça vaidade janta desprezo.” (Benjamin Franklin, cientista, diplomata, inventor e intelectual eclético dos Estados Unidos. 1706-1790).
“A importância sem mérito logra respeito sem estima.” (Sebastién-Roch Nicolas, Moralista, escritor e jornalista de França. Clermon-Ferrand, 06.04.1741; Paris, 13.04.1794.
O nome cabotino, adjetivo e substantivo de ambos os gêneros, significa, em acepção original, mau comediante, ator histrião, personagem bufo, cômico teatralmente desqualificado. Consoante sugere Antônio Geraldo da Cunha, no seu Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa (2. ed., Rio de Janeiro, 2001), “parece” aludir ao nome de um ator burlesco de categoria inferior (Cabotin), o qual teria atuado no tempo de Luís XIII, em França.
Figurativamente, entretanto – e esta é a significação preferida e mais conhecida no Brasil – denota a ideia de […] indivíduo presumido, afetado, que procura chamar a atenção, ostentando qualidades reais ou fictícias (Cunha, 2001), com registo lexicográfico no século XIX (1807), sendo controversa a origem dos seus sentidos expressos em glossários, segundo gizado no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (2001), de Mauro Salles Villar e Antônio Houaiss.
Leia maisEste escrito é a continuação de viagem feita na boleia de matéria veiculada há algum tempo, num medium brasileiro, sob o título de “Em qual cabeça assenta este chapéu?” — onde expressei indignação com os autores autoproclamados mentores da sociedade, os quais se louvam no expediente da apologia aos protagonistas de suas obras, sem desvinculá-los dos nomes reais como escritores, com vistas à obtenção do aplauso, atitude repreensível, mesmo se o louvor restar merecido, e — pior ainda —, se não sobrar o elogio justo.
A desqualificada significação desta unidade de ideia — cabotinismo — experimenta trajeto bastante comum no decurso na sociedade dos mais diversificados lugares e em tempos totais, conforme, amiúde, a História relata, submetendo ao risco de sua instalação todos aqueles que não se vacinaram contra a picada da mosca azul — consoante a reflexão de Frei Beto, no livro do mesmo nome — expondo-se, dadivosos, ao seu voraz apetite.
Soberba, importância e indispensabilidade quase patológicas dos afagos ao ego, consoante sugerido por Sigmund Freud, parecem invadir o controle da volição, determinante da vontade de cada qual, neste caso, concernente a orientar as pessoas na trilha certa, conduzindo-as ao comportamento adequado no âmbito moral, na contextura da decência e no contorno das atitudes saudáveis que devem presidir aos nossos procederes.
A isto a sociedade inteira almeja, porém, muitos se descuidam de armar anteparos e, com frequência, se descortinam subordinados a um inimigo oculto, o qual se arrima até na nossa inteligência, como, num exemplo, na capacidade de escrever bons textos, a fim de operar intentos literários, mas os alardeando nos media, com defeito de tanta monta, configurado no recurso nefasto do exibicionismo, sinônimo de ostentação, correspondente a encômio barato e presunção despropositada.
É determinante, por conseguinte, um cuidado redobrado, a fim de as pessoas não se subordinarem às investidas constantes do cabotinismo, maiormente quando são alçadas a posições de destaque, por via da Política, Religião, manifestações artísticas e demais haveres dotais impressos pela Providência Divina, como, exempli gratia, a Literatura, a Pintura e as outras quatro artes.
Estas expressões da indústria humana, por efetivo, consuetudinariamente, concedem visão pública e midiática aos produtores e intérpretes, granjeando para seus palcos de shows e outros ambientes de assistência, em catarse aristotélica — de cariz estético — uma multidão apaixonada, desorganizada e desprovida de pensamento racional, condutora do artista aos apogeus da glória, circunstância fácil de ligeiramente enviesar para o senhorio da cabotinagem, de atuação ligeira junto aos que não se abasteceram de defesas rápidas contra opositor de exercício tão desembaraçado e veloz.
O complexo inteiro da Humanidade está sujeito aos tentáculos dos comportamentos charlatães, de tal sorte que se deve permanecer em atalaia contínua contra suas arremetidas. Há que se postar avesso, entretanto, aos pruridos exagerados de simplicidade, como, exempli gratia, o autor deixar de assinar uma produção, resignar-se perante a omissão de seu nome de uma ficha técnica, calar-se ante a supressão de referência por parte de alguém em evento cuja efetividade dependeu de sua participação etc., ocorrências que somente atestam a bobice e a sujeição infantil, também doentias, no polo oposto da ideação do teor presumido.
Retenho, pois, sobrado cuidado com as acometidas desse vilão moral, deontológico e ético, para não ser vergado pelos seus impulsos poderosos (Flexo, sed non frango = envergo-me, mas não me quebro). Ele circula à solta em meio aos desavisados, em particular na ambiência dos inocentes e pretensos credores do reconhecimento e presumidos donos de uma arte maior, definitiva, quando, em muitos lances, representam apenas jejunos e claudicantes aprendizes, visitantes de assuntos sobre os quais estão ainda bastante apartados do domínio.
Estas pessoas merecem de seus próximos — parentes, amigos e circunstantes com quem tenham alguma ligação — os corretivos oportunos, as regulagens apropriadas, a fim de que não habitem o patamar dos deserdados morais artistas, os quais, mesmo sendo bons, ainda acham necessário aparecer, conforme expressei na matéria de entrada desta escrita, como os primeiros entre os pares, feitos luminares refalsados do preparo intelectual e notáveis ilusórios da sabedoria.
Lamentavelmente, não conhecem, ou jamais divisaram, a ideia do cientista de Österreich, naturalizado inglês, Karl Raimund Popper (Viena, 28.07.1902 – Kenley, 17.09.1994), para quem todos somos cegos convencidos de que saber e ignorância são vizinhos.
Minha esperança é, pois, de que os consulentes que por acaso leiam esta despresumida manifestação de incômodo, por intermédio do Blog do Magno — a maioria de cearenses, pernambucanos e brasileiros no geral — se tornem hábeis a se liberar desta tenebrosa luz dos holofotes.
*Escritor, professor e membro da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo
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Por Silvino Teles Filho*
O diagnóstico correto do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um passo fundamental para garantir cuidado adequado, reduzir sofrimento e promover o pleno desenvolvimento do indivíduo ao longo da vida.
O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por desatenção, hiperatividade e impulsividade, que podem se manifestar de formas distintas conforme a idade, o contexto e o perfil da pessoa. Por isso, um diagnóstico bem-feito vai muito além da observação de comportamentos isolados: exige avaliação clínica criteriosa, escuta qualificada, análise do histórico de vida, funcionamento escolar ou profissional, além da exclusão de outras condições que podem simular sintomas semelhantes.
Leia maisQuando o diagnóstico é impreciso ou precipitado, os prejuízos podem ser significativos. Um falso positivo pode levar ao uso desnecessário de medicamentos, estigmatização e impactos emocionais. Já um falso negativo — quando o TDAH existe, mas não é reconhecido — pode resultar em baixo rendimento escolar ou profissional, dificuldades nos relacionamentos, baixa autoestima, ansiedade, depressão e maior risco de comportamentos impulsivos ao longo da vida.
O diagnóstico correto também é essencial porque o TDAH frequentemente coexiste com outras condições, como transtornos de ansiedade, depressão, transtornos de aprendizagem e transtorno do espectro autista. Identificar essas associações permite um plano terapêutico individualizado, combinando intervenções psicossociais, educacionais e, quando indicado, farmacológicas.
Diretrizes internacionais, como as descritas no DSM-5-TR e na classificação da Organização Mundial da Saúde, reforçam que o diagnóstico deve considerar critérios claros, início dos sintomas na infância, persistência ao longo do tempo e prejuízo funcional em mais de um contexto da vida.
Por fim, um diagnóstico correto não é um rótulo, mas sim uma ferramenta de cuidado. Ele possibilita acesso a tratamentos eficazes, adaptações escolares ou profissionais, maior compreensão por parte da família e da sociedade, e principalmente, oferece ao indivíduo a chance de compreender seu funcionamento, desenvolver estratégias e alcançar seu potencial com mais qualidade de vida.
Diagnosticar bem é, acima de tudo, cuidar melhor.
*Médico com Pós Graduação em Psiquiatria e Neurologia Clínica
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Na virada de cada ano, cresci ouvindo que janeiro e fevereiro são meses perdidos no calendário, porque a corrida dos 365 dias só começa após o carnaval. Até lá, nada se resolve. Amigos, não se acham. Tiram férias. Políticos, fogem do Brasil. Vão desfrutar o frio, os vinhos e os encantos da Europa.
Tem gente com calendário anual de dez meses. Pulam janeiro e fevereiro, principalmente se o Carnaval acontece entre 15 e 20 de fevereiro. Esses ou são muito bem aquinhoados ou se enganam. Afinal, resultado não nasce de calendário, nasce de quem começa antes sem esperar o fim da folia.
Leia maisO Carnaval é frequentemente retratado na literatura como um tempo de suspensão da realidade, inversão de papéis e liberdade, um contraponto necessário ao cotidiano. Em Pernambuco, não há carnaval de quatro dias.
As prévias já começam em janeiro e Olinda vira uma passarela sem fim. Tem frevo todos os dias. E quando acaba o reinado momesco ainda tem o Bacalhau do Batata em plena Quarta-feira de Cinzas. Haja energia!
Já fui de um tempo assim: Carnaval encerrado, hora de focar nos planos que ficaram pausados. A alegria do Carnaval é muito boa, mas a realização dos sonhos é melhor ainda. A expressão “o ano só começa depois do carnaval” é muito popular no país. Diz respeito a pessoas que adiam seus compromissos e planos para depois do feriado.
Existem os que dizem que tudo começa depois do carnaval. Existem os que pensam que isso é uma grande bobagem. Para quem, como eu, que tenho que matar um leão todos os dias no embate ante as adversidades, a vida começa todos os dias, em um repetido ritual. Isso exige fé e coragem.
Estou numa fase da vida de enxergar tudo diferente do meramente convencional. Já passou da hora, entendo, de as pessoas perceberem que não são os grandes eventos que trazem a felicidade tão desejada. Também não são as férias, feriados, carnaval ou fins de semana que tiram o vazio. Chegou a hora de esperar demais disso tudo e começar a esperar mais em si mesmo.
A frase “o ano só começa depois do Carnaval” pode até funcionar na brincadeira, mas para negócio já começou faz tempo. Por isso, este momento é bom para entender como ficaram as finanças do início do ano, escolher poucas prioridades claras para os próximos meses e criar uma rotina mínima de gestão, em vez de deixar tudo pra “quando sobrar tempo”. Quanto mais cedo você olhar pra isso, mais preparado o negócio fica para aproveitar as oportunidades que vão surgir ao longo do ano.
No conto “Restos do Carnaval”, Clarice Lispector aborda a festa como uma mistura de euforia infantil e melancolia da realidade. Ela contrasta a fantasia da folia com a necessidade de se salvar da tristeza, descrevendo a vida real como o “desencantamento” após o carnaval, onde a criança fantasiada de rosa volta a ser apenas um “palhaço pensativo” na rua.
Jorge Amado, por sua vez, retratou o Brasil com uma mistura única de realismo social e lirismo popular. Em sua obra, especialmente no romance de estreia “O País do Carnaval” (1931), revela que o carnaval é frequentemente visto não apenas como festa, mas como um reflexo das contradições brasileiras: a alegria superficial escondendo a dura vida real.
O país do carnaval é o país das contradições, onde a fantasia da festa tenta mascarar as dificuldades da vida real. O carnaval é a máscara que o brasileiro usa para esconder a sua dor, mas é também a sua maneira de celebrar a vida e a esperança.
“O País do Carnaval”, escrito quando Jorge Amado tinha apenas 18 anos, já trazia esse olhar crítico sobre como o brasileiro usa a festa para esquecer os problemas, mas é na “Bahia de todos os santos” que ele encontra a verdadeira essência da vida real, no cotidiano do povo.
Chegou, portanto, para muitos, o novo ano. Tudo começa a partir de amanhã quando não se ouve mais o som do último bandolim. Prefiro a filosofia de Guimarães Rosa: “O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”
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Leapmotor C10 100% elétrico ou ultra-híbrido: qual escolher?

SUV trazido pela Stellantis em configuração única tem impressionantes mimos tecnológicos. Mas, antes de optar por uma das duas motorizações, pergunte-se: qual a sua necessidade?
O primeiro estranhamento de quem se aproxima de um Leapmotor C10 é: como abri-lo? Não há chave física tradicional. Nem mesmo o botão na maçaneta da porta. Ao comprá-lo, o novo dono leva um cartão NFC, que vem com um chip sem fio de curto alcance (até 10 cm) para permitir pagamentos e troca de dados por aproximação, por meio de criptografia. Para abrir e fechar o veículo, basta apróximá-lo da quase invisível saliência nas costas do retrovisor direito dianteiro. Ah, ele não desmagnetiza.
Entrando no veículo, outra dúvida: como ligá-lo? Basta pôr o cartão no console central, mover a alavanca de marcha ao lado do volante para D (ou R) e tocar a vida. E mais: você pode esquecer o cartão NFC e fazer tudo isso apenas com o seu celular, depois de baixar um aplicativo. Com o smartphone, além de destravar e ligar o veículo (sem tirar o aparelho do bolso), o motorista consegue controlar outras funções, como o ar condicionado. A partir daí, quaisquer ações são feitas a partir de comandos na central multimídia de 14,6 polegadas acessível ao toque: como, por exemplo, escolher a direção do vento do ar-condicionado, ajustar os modos de condução, alterar modos do áudio, criar cenários personalizados na tela ou até mesmo determinar a intensidade de resposta do freio. Ok, o Leapmotor C10 foi projetado para evitar o excesso de botões. Mas como isso afeta o consumidor, principalmente os mais velhos, não tão bem relacionados com a tecnologia? A ver. O processo não é necessariamente intuitivo, mas depois que se entende a lógica, funciona como um smartphone de última geração.
A coluna De Bigu testou ambas as versões por uma semana cada. Foi o suficiente para constatar que por R$ 205 mil (elétrico, BEV) ou R$ 220 mil (o ultra-híbrido, REEV) esse modelo vale muito a pena. O primeiro, claro, é mais urbano, dependente dos eletropostos; o segundo, dando mais liberdade para viagens, por ter uma autonomia total (tanque de combustível de 50 litros e a bateria elétrica) de até 950 km. Nos dois casos, a relação custo-benefício é muito boa. Sim, mesmo que seja um carro chinês novo — embora com uma carga empresarial ocidental pesada por trás, como a Stellantis (dona da Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën etc, com as marcas do grupo dando inclusive suporte à Leapmotor).
Leia maisInterior minimalista – Bem, o modelo já começa se diferenciar dos convencionais internamente — embora, à primeira vista, se destaque o console central com um carregador de indução para celulares, boa quantidade portas-trecos e dois conectores USB — sendo um do tipo C de recarga rápida. Tudo é bem minimalista, digamos assim. O acabamento reúne uma mescla de materiais macios de alta qualidade, que são ainda mais destacados por uma exclusiva iluminação ambiente em que as luzes na porta e painel, por exemplo, mudam de cor durante manobras (sinalizando a proximidade de objetos) ou podem até mesmo funcionar no ritmo da música ouvida pelos ocupantes.
Do jeito do dono – Os chineses da Leapmotor apostam na tese de que um carro deve se adaptar ao dono, e nunca o contrário. Por isso, há tantas configurações. É possível pedir verbalmente para o som abaixar quando a ré é engatada, acionar as câmeras de visão 360º ao se aproximar do meio-fio em manobras — com modo especial de visualização que foca individualmente as quatro rodas — ou mesmo transformar o carro estacionado em um refúgio: a um clique na tela o banco do condutor se reclina, janelas e a persiana do teto panorâmico se fecham e um som relaxante, complementado pela iluminação ambiente especial, permitem um descanso revigorante.
Mas há coisas mais úteis, na linha de automatização de rotinas, como em uma casa inteligente. Por exemplo: é possível programar o carro para que ele ligue automaticamente o ar-condicionado (mesmo quando estiver estacionado) sempre que a cabine chegar a uma determinada temperatura, ou fazer com que ele abra seu aplicativo de música favorito sempre que um passageiro se sentar e colocar o cinto de segurança. Para se precaver em caso de imprevistos no trânsito, é possível acionar as quatro câmeras posicionadas na carroceria e retrovisores para realizar uma gravação contínua de 360º ao redor do carro, com armazenamento das imagens sendo feitas diretamente em um pen-drive. E o navegador on-line integrado analisa a melhor rota até seu destino, levando em conta engarrafamentos, nível de carga da bateria ao fim do trajeto e até mesmo a quantidade de semáforos em seu caminho.
Bem, até pouco se falou neste texto do carro em si, mas essa parafernália tecnológica toda veio para ficar — pode apostar. Assim como a REEV, o sistema ultra-híbrido que tem um motor a combustão projetado exclusivamente para gerar energia para recarregar as baterias do carro – ou alimentar o motor elétrico de tração. É como se você tivesse um carro elétrico, mas com a independência de poder viajar a qualquer lugar. O C10, aliás, é o único SUV por aqui a oferecer tanto uma opção elétrica quanto a ultra-híbrida, ambas movimentadas exclusivamente por um motor elétrico. Em suma: o motor a combustão foi projetado somente para gerar energia, que pode ser usada tanto para recarregar as baterias do carro ou alimentar o motor elétrico de tração.

Visual idêntico – Quanto ao modelo em si, ambas as versões possuem visual idêntico, se diferenciando externamente somente pelo bocal de reabastecimento de combustível do C10 ultra-híbrido. O tem estilo imponente, com seus 4,74 m de comprimento, 2,13 m de largura (com retrovisores) e 1,68 m de altura. Na traseira, com o assoalho plano, mais espaço para as pernas. O entre-eixos, vale lembrar, é 2,82 metros.
Os passageiros de trás têm difusores de ar-condicionado exclusivos e dois conectores USB adicionais. Os faróis totalmente de leds com tecnologia adaptativa (que ajusta a luminosidade conforme condições climáticas e tráfego) se integram ao para-choque frontal. Na parte inferior, faróis de neblina (também de leds) emolduram a entrada de ar equipada com persianas móveis, que só se abrem quando necessário, melhorando ainda mais a eficiência energética.
Sistema de som – O Leapmotor C10 vem com 12 alto-falantes e subwoofer para criar um áudio envolvente no padrão 7.1 (iguais aos home-theater residenciais de primeira linha) com 840W de potência. Microfones posicionados em pontos estratégicos permitem diferenciar qual ocupante do veículo está falando. Então, por exemplo: quando o passageiro dianteiro pedir via comando de voz para reduzir a temperatura do ar-condicionado, somente o lado direito será alterado.
Performance – A tração do Leapmotor C10 é sempre traseira, algo que resulta em mais performance em diferentes tipos de piso inclinados. O moderno motor síncrono (de maior eficiência) com ímãs permanentes entrega 32,6 kgfm de torque de forma instantânea, gerando 218 cv de potência na versão elétrica e 215 cv na ultra-híbrida. O conjunto é alimentado por baterias LFP (tecnologia com maior durabilidade e resistência à fuga térmica) de alta densidade com controle eletrônico e arrefecimento a líquido.
Ah, o carro também permite o uso da bateria dele para alimentar diferentes dispositivos elétricos. Esse recurso permite usar computadores, cafeteiras ou até geladeiras mesmo em locais sem infraestrutura ou em situações inesperadas de falta de energia na rede. A recarga pode ser feita via conectores no padrão Type 2 (AC) e CCS2 (DC), sendo compatível com carregadores portáteis, wallbox e sistemas de recarga rápida de alta velocidade. O cliente também poderá, pelo sistema multimídia Leap One ou diretamente no app Leapmotor, programar o horário ideal de recarga em locais com tarifas diferenciadas ao longo do dia.

Pulse ganha edição Lollapalooza – Como patrocinadora master do Lollapalooza Brasil pelo segundo ano consecutivo, a Fiat lançou uma edição especial do seu primeiro SUV produzido no país: o Fiat Pulse. O modelo une as duas paixões dos brasileiros – carro e música. Exclusiva e limitada, a edição, que tem como base a versão Drive 1.3 CVT, contará com apenas 550 unidades – em referência aos 50 anos da Fiat no Brasil.
A edição especial do Lollapalooza Brasil traz elementos de design e tecnologia pensados para traduzir a energia jovem e urbana do festival. Entre os diferenciais estão acabamentos escurecidos no interior e exterior, teto bicolor, rodas de liga-leve de 16 polegadas em preto brilhante, nova soleira personalizada, adesivo exclusivo com o nome do festival nas laterais e badge numerado que garante autenticidade e exclusividade a cada unidade.
A edição também oferece recursos que elevam a experiência de condução e conforto do motorista, como câmera de ré e sensor de estacionamento traseiro para maior segurança, ar-condicionado automático e digital, faróis e lanternas em LED, sistema keyless e partida remota que trazem praticidade ao dia a dia, e central multimídia de 10 polegadas com conexão sem fio a Android Auto e Apple Carplay, proporcionando uma experiência tecnológica completa.
As vendas já começaram, mas o preço ainda não foi divulgado. Deverá, no entanto, ficar próximo dos R$ 119 mil.
Fiat comemora 500 mil Cronos – A montadora italiana vinculada à Stellantis está festejando a chegada do 500º Cronos, produzido em Córdoba, na Argentina. Recentemente, o sedã ganhou novo design, com a grade dianteira passando a ser formada por blocos tridimensionais distribuídos horizontalmente, acompanhando de para-choque que segue a mesma proposta. Em 2025, o modelo foi o segundo sedã mais vendido de toda América do Sul, além de ter sido o carro de passeio mais vendido na Argentina, evidenciando a sua força e a importância na região.
Telas dos carros, a nova máquina de receita publicitária – As montadoras estão acelerando a monetização das telas de infotainment como uma nova e promissora fonte de receita, impulsionadas pelo avanço dos carros conectados, pela coleta de dados dos motoristas e pela expansão de formatos de publicidade dentro dos veículos. Estimativas indicam que a chamada “in-car e-commerce” pode gerar até US$ 120 por carro ao ano até 2030, criando um mercado potencial superior a US$ 50 bilhões globalmente.
Ao mesmo tempo, fabricantes testam anúncios contextuais, parcerias com plataformas de mídia e até tecnologias capazes de personalizar ofertas com base no comportamento do motorista. A pauta pode explorar como a publicidade embarcada em veículos está se consolidando como uma nova linha estratégica de receita para montadoras, semelhante ao que ocorreu com smartphones, smart TVs e plataformas digitais.
O enfoque pode incluir a transformação do carro em um canal de mídia proprietário, o potencial de novos modelos de monetização baseados em dados, o risco de ruptura na experiência do cliente caso a publicidade seja percebida como invasiva, e as implicações para marcas anunciantes, seguradoras, varejistas e plataformas de tecnologia. Por que isso importa agora? Com telas conectadas presentes na maioria dos carros novos e montadoras reduzindo a dependência de sistemas como Apple CarPlay e Android Auto, o controle do ecossistema digital automotivo se torna um ativo estratégico, tanto para monetização quanto para fidelização do consumidor.
Importação de chineses cresce; de argentinos cai – As importações de carros têm tido um movimento inverso entre China e Argentina neste começo de ano. Enquanto as compras no país asiático evoluíram relevantes 61,5%, com 16,8 mil unidades em janeiro deste ano contra apenas 10,4 mil no mesmo mês de 2025, as compras no país vizinho recuaram 30,7%, baixando de 19,4 mil para 13,4 mil unidades no mesmo comparativo. Em suma: foi reforçado o movimento iniciado no ano passado de a China liderar as vendas de carros no mercado brasileiro, em detrimento do seu mais tradicional parceiro, a Argentina, que mantém acordo de livre comércio, sem pagamento de imposto de importação.
Vem a Tukan, a nova picape VW – A montadora alemã Volkswagen promete quatro novidades para os consumidores brasileiros em 2026. A primeira, o nome da nova picape a ser produzida no complexo industrial de São José dos Pinhais, no Paraná. Intermediária entre a Saveiro e a Amarok, ali no subsegmento da Fiat Toro, ela vai se chamar Tukan. E mais: Volks também anunciou o lançamento do novo Tiguan, para março; uma série especial Copa do Mundo 2026 (mais o modelo não revelado) e a volta da cor amarelo canário em seu portfólio em homenagem ao evento global de futebol. No geral, a Volks pretende chegar a 21 lançamentos na América do Sul até 2028, sustentada por investimentos de R$ 20 bilhões na região.

Creta N Line vira topo de linha – A Hyundai reposicionou as versões do SUV Creta, a partir da introdução do motor 1.6 turbo flex na linha 2027. A versão N Line, de visual esportivo, passa a ser a topo da gama ao receber o novo motor, substituindo o anterior 1.0 turbo flex. Abaixo dela, figura, a partir de agora, a opção Ultimate, que segue com os mesmos equipamentos e tem seu motor, que já era 1.6 Turbo, atualizado para flex. Além da motorização 1.6 turbo flex, a versão de visual esportivo N Line recebe novas rodas diamantadas exclusivas de 18” e o modo de direção “Smart”, que se adapta ao estilo de condução do motorista para oferecer a melhor combinação de potência e consumo.
Os modos “Sport”, “Eco” e “Normal” seguem disponíveis no seletor. Já a versão Platinum, com motor 1.0 turbo flex, ganha faróis e setas indicadoras de direção na dianteira em LED. A transformação para o sistema bicombustivel da motorização 1.6 turbo chega para melhor atender as regulamentações do programa nacional de Mobilidade Verde e Inovação (Mover), do governo federal, que incentiva maior eficiência energética e menores emissões.
O programa estabelece alíquotas de imposto (IPI) conforme a potência dos veículos, o que, no caso do Creta, justifica a recalibração do motor para a potência máxima de 176 cv com 100% de gasolina (ante os 193 cv da versão anterior) e para 173 cv com 100% de etanol. Pelo projeto do motor, a potência máxima com 100% de gasolina é ligeiramente superior. O torque permanece inalterado, em 27 kgfm. Confira versões e preços:
| Modelo | Ano-modelo | Motor | Versão | Transmissão | Preço (R$) |
| Creta | 26/27 | 1.0 TGDI 12V flex | Comfort | AT6 | 156.590 |
| Limited | 173.390 | ||||
| Platinum | 188.990 | ||||
| 1.6 TGDI 16V flex | Ultimate | 7DCT | 201.590 | ||
| N Line | 206.990 |


Linha 2026 da Lander Connected – A Yamaha acaba de apresentar a linha 2026 da Lander Connected, motocicleta aventureira. Agora, ela passa a contar com farol com projetor em LED bifuncional e luz de circulação diurna (DRL) embutida no para-lama superior. O preço começa em R$ 29.290. O conjunto óptico móvel com projetor e lanterna de LED proporciona maior controle da iluminação ao virar o guidão e oferece uma iluminação mais potente e nítida para uma condução mais tranquila em qualquer situação.
Ela vem com painel 100% digital no estilo “Blackout”. Isso significa que, além de garantir um visual diferente, facilita a visualização das informações exibidas. Também tem conectividade Bluetooth, que possibilita conectar a moto ao smartphone por meio do aplicativo Yamaha Motorcycle Connect (Y-Connect). Pelo app, o piloto acompanha o consumo de combustível médio, o histórico de viagens (com possibilidade de compartilhamento em redes sociais), o cronograma de manutenção, a última localização de pareamento da motocicleta e um ranking ECO, que indica quão econômica e eficiente está a pilotagem. O painel exibe ainda indicador de conexão do celular com o aplicativo, nível da bateria do smartphone e notificações de mensagem recebida e de chamada. A Lander ainda vem com tomada 12V acima do painel. O motor é o 250cc com 20,9 cavalos de potência e 2,1kgfm de torque. Ele aceita apenas gasolina. Os freios são a disco nas duas rodas.

O que fazer em caso de sinistro durante as viagens de Carnaval? – Acidentes, panes mecânicas, superaquecimento do motor e falhas elétricas estão entre os principais problemas enfrentados pelos motoristas durante viagens prolongadas em feriados. Congestionamentos, longos períodos com o carro em baixa velocidade e desgaste natural dos veículos contribuem para esse cenário, exigindo atenção redobrada antes e durante o trajeto.
O Carnaval deve provocar um dos maiores movimentos do ano nas rodovias. Com esse aumento significativo no fluxo de carros, também cresce a probabilidade de sinistros nas estradas. “Além de planejar a viagem, o motorista precisa estar preparado para lidar com imprevistos. Saber exatamente como agir em um evento — termo utilizado pelas associações de proteção veicular para se referir a sinistros, tanto a acidentes quanto a panes e outros eventos inesperados — reduzir riscos e evitar decisões precipitadas que podem colocar vidas em perigo”, afirma Hugo Jordão, especialista em proteção veicular e presidente da Atos Proteção Veicular.
Acidentes de trânsito: como proceder com segurança – Em caso de acidente, o primeiro passo é manter a calma e garantir a segurança dos ocupantes. Se não houver feridos, o veículo deve ser sinalizado imediatamente com o pisca-alerta ligado e o triângulo posicionado a uma distância segura — aproximadamente 30 metros em vias urbanas e ao menos 60 metros em rodovias, ampliando essa distância em curvas, aclives ou trechos com baixa visibilidade.
Local seguro – Sempre que possível, os ocupantes devem sair do veículo e permanecer em local seguro, afastados do fluxo de carros, como atrás de defensas metálicas ou em áreas protegidas. Permanecer dentro do automóvel, especialmente no acostamento, aumenta o risco de novos acidentes, comuns em períodos de tráfego intenso. “Um erro frequente é subestimar acidentes leves. Mesmo pequenas colisões exigem sinalização adequada e atenção ao ambiente ao redor. O risco maior muitas vezes vem dos outros veículos que continuam trafegando”, destaca Hugo.
Pane mecânica e problemas durante a viagem – Pane elétrica, superaquecimento do motor, falha na bateria e falta de combustível estão entre os problemas mais recorrentes nas estradas durante o Carnaval. Ao notar qualquer sinal de anormalidade — como luzes de alerta no painel, fumaça ou perda de potência — o motorista deve reduzir a velocidade e buscar um local seguro para estacionar.
Com o veículo parado, as regras de segurança são as mesmas: pisca-alerta acionado, triângulo corretamente posicionado e ocupantes afastados da pista. No caso de superaquecimento, é fundamental não abrir o reservatório de água ou o radiador com o motor quente, evitando riscos de queimaduras. “Tentar resolver o problema por conta própria, sem conhecimento técnico, pode agravar a situação. Em muitos casos, a melhor decisão é interromper a viagem e acionar assistência especializada”, orienta o especialista.
Como acionar a proteção veicular, guincho e serviços de apoio? – Em qualquer situação de sinistro, o motorista deve entrar em contato imediatamente com sua proteção veicular ou seguradora pelos canais oficiais, informando a localização exata do veículo e o tipo de ocorrência. A partir desse acionamento, podem ser disponibilizados serviços como guincho, auxílio mecânico, táxi ou transporte alternativo e, em alguns casos, carro reserva, conforme o plano contratado.
É importante aguardar o atendimento em local seguro e seguir as orientações repassadas pela central de assistência. Os prazos de chegada do guincho podem variar de acordo com a região e o volume de chamados, especialmente em feriados prolongados como o Carnaval, quando a demanda costuma ser maior. “Ter os contatos da proteção veicular à mão e conhecer os serviços disponíveis faz toda a diferença. Em momentos de estresse, essa informação traz tranquilidade e permite que o atendimento seja mais rápido e eficiente”, conclui Jordão.
Renato Ferraz, ex-Correio Braziliense, tem especialidade em jornalismo automobilístico.
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