O ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill passou noites em claro, iluminado pelos torpedeiros da Luftwaffe, a força aérea nazista, em busca de discursos que pudessem unificar o Reino Unido no combate ao ditador Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. Com Londres em chamas, escolhia minuciosamente cada palavra, por vezes recorrendo ao dicionário, para convencer os aliados – e os adversários – da importância de derrotar o sádico que exterminou mais de 6 milhões de judeus.
Dono de uma oratória inigualável, o Velho Buldogue tinha convicção, entre uma baforada no charuto e uma dose de uísque, vícios que os acompanhavam religiosamente, que precisaria das letrinhas para fazer frente à estrondosa campanha publicitária de Joseph Goebbels, o ministro da Propaganda da Alemanha – que balançou até parte do Parlamento britânico.
No Brasil, guardadas as devidas proporções, os bons exemplos não costumam ser levados em consideração. Temos visto em duas décadas a comunicação como arma de desconstrução e desinformação, destinada à exaltação do governante do momento. Esquece-se do princípio da impessoalidade previsto na Constituição Federal.
Nesse período, dois líderes carismáticos e populares arrastaram multidões por onde passaram, monopolizando as cores vermelha, verde e amarela. Uma luta constante do bem contra o mal, da esquerda contra a direita. De alguma forma, o brasileiro se acostumou a ter um corrupto de estimação, desprezando o conselho do ex-presidente Juscelino Kubitscheck: “Quero apenas ressaltar que recusamos a opção entre direita e esquerda. A humanidade não marcha para os lados, marcha para frente.”
Em uma dessas marchas laterais, o ex-presidente Jair Bolsonaro experimentou uma máquina poderosa de informação (ou desinformação, segundo seus críticos), que lhe rendeu vitória em 2018, com um discurso de defesa da família e da liberdade. Rodado nas urnas, tendo sido deputado federal por quase 30 anos, faturou na sua primeira eleição à Presidência. E inovou ao transformar as redes sociais no principal instrumento de diálogo com seu eleitorado.
Ainda sob efeito épico da única vitória ao Palácio do Planalto, Bolsonaro conduziu de forma errática a pandemia, debochou das 700 mil vítimas fatais, inoculou nos brasileiros o vírus do ódio, dividindo o país entre apoiadores e detratores, e se enrolou na rachadinha – repasse ilegal de parte dos salários de assessores para o parlamentar – envolvendo sua família. Faltou-lhe fôlego para abater o ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, que inaugurou em janeiro seu terceiro mandato presidencial.
Com parte da população incomodada com a guinada à direita, Lula ressurgiu após um período na prisão, condenação imposta no âmbito da Operação Lava Jato e revogada em seguida pelo Supremo Tribunal Federal, e venceu com a promessa de reunificar o país.
Ex-sindicalista, o filho de Garanhuns, cidade do interior de Pernambuco, conquistou adeptos com a forma simples de se comunicar com o eleitorado. Na primeira passagem pelo Planalto, recebeu a alcunha de pai dos pobres com o Bolsa Família, considerado o maior programa de transferência de renda do Brasil.
Lula quebrou recordes de popularidade, o que o levou a encerrar seu segundo mandato, em 2010, com aprovação de 87%. Porém, no governo, colecionou escândalos que levaram à descrença com a política petista: o mensalão, pagamento de propina a deputados da base aliada; os Aloprados, compra de dossiês contra adversários; e a Lava Jato, que desviou bilhões da Petrobras.
Agora, Lula estreia o segundo ano do terceiro mandato comparando o Holocausto, que tinha como claro objetivo dizimar os judeus da Europa e do mundo, com o massacre patrocinado por Israel na Faixa de Gaza contra os palestinos. Insiste na manutenção da divisão do Brasil. Embora ainda tenha quase três anos pela frente de governo, não parece disposto a cumprir a promessa de reunificar o Brasil. Churchill deu a senha: “A vida dá lições que só se dão uma vez”. Bolsonaro desperdiçou. Resta saber se Lula tirará algum ensinamento que não seja meramente eleitoreiro.
Nissan Kait é o antigo Kicks reestilizado — e isso é muito bom
Você provavelmente sabe a história do Nissan Kicks no Brasil. Ele era um SUV compacto, virou médio, ficou mais sofisticado e, claro, tornou-se mais caro — mas manteve o nome. O velho Kicks não desapareceu: ganhou o sobrenome Play, transformou-se numa espécie de versão de entrada da marca e continuou vendendo muito bem, até mais do que o agora irmão mais chique. Agora, o Kicks Play saiu de linha e nasceu o Kait. Mas o novo Kait é uma apenas uma reestilização do velho Kicks? A coluna De Bigu o testou por uma semana e constatou. Sim, é uma atualização visual, aquela aplicação de uma atraente roupagem. E isso é muito bom. Afinal, há várias razões pelas quais um novo produto, desde que tenha como base um mais antigo, costuma ter maior probabilidade de sucesso.
Ele passou, por exemplo, pelo que os profissionais de marketing classificam de validação, aprendizado e escalonamento. Lançado em agosto de 2016, o velho Kicks ofereceu à Nissan e seus clientes um histórico de uso capaz de gerar informações suficientes para melhorar funcionalidades e corrigir falhas. O Kait, por exemplo, manteve o que as famílias de classe média brasileiras (e, claro, taxistas, frotistas, motoristas de aplicativos etc) querem: tem bom espaço interno, proporciona conforto e, o melhor de tudo, tem um motor confiável (embora pouco ágil) e de baixo consumo de combustível. Enfim: o Kait preservou o que tinha de melhor e ainda ganhou uma repaginação no design.
A Nissan até tenta que o Kait não seja entendido comercialmente como apenas um produto reestilizado. Mesmo que estejam nele vários itens do modelo anterior — como teto, portas e até o para-lamas. Mas a Nissan deveria lembrar que reestilizar é aprimorar, requintar, aperfeiçoar. E que quaisquer eventuais defeitos comuns a um produto inédito têm menos chances de aparecer numa situação como essa. E, ainda, que o custo de produção seja bem mais em conta. Não à toa, o SUV brasileiro será exportado para pelo menos 20 países, incluindo o México. Confira o que ele tem de melhor.
As dimensões – O Kait tem 4,3m de comprimento, 1,76m de largura, 1,59m de altura — com entre-eixos de 2,62m de entre-eixos. Oferta mais espaço do que o Volkswagen Tera (2,56m) ou o Fiat Pulse, outro concorrente direto, com 2,53m. O porta-mala do compacto da Nissan tem capacidade para 432 litros de capacidade — um banho no do Tera, de apenas 350 litros.
O motor – Esse ponto pode (ou não) ser polêmico. O fato: a Nissan manteve o 1.6 aspirado flex de quatro cilindros e 16 válvulas. Ele gera até 113 cv e 15,5kgfm — o que, convenhamos, fica bem abaixo dos números dos concorrentes. O Fiat Pulse, só para ficar num exemplo já citado, tem propulsor 1.0, embora turbo, com até 130 cv e torque de 20,4 kgfm. A versão topo de linha do italiano, transformado em Abarth, traz motor 1.3 com 185 cv e 27,5 kgfm de torque. Isso não chega a ser um nó górdio, mas mesmo no trânsito urbano diário nota-se a falta de força do Kait. O carro fica pouco ágil. Numa ação de ultrapassagem, o barulho do motor vai às alturas. E não passa segurança nas rodovias, mesmo em retomadas. A falta de referência sobre os turbos nos 1.0 até pode deixar os clientes fiéis da Nissan satisfeitos, mas basta um teste rápido com um concorrente que eles sentirão a diferença. Ah, o câmbio automático é um CVT (continuamente variável) de seis marchas simuladas.
Consumo – O motor, por sua vez, é confiável – e está dentro daquele pacote que conquistou por méritos próprios. E, para aqueles motoristas de pé leve, cuidadosos, é bem econômico. Vale reforçar: dados de consumo devem ser vistos com parcimônia, levando em conta modo de condução, carga do veículo, condições da via e por aí vai. Mas, já que insistem, vejamos: o Kait tem médias públicas de 11,3 km/l na cidade e 13,7 km/l na estrada — com gasolina. Em estradas, pode chegar a 16 km/l. Posiciona-se, desta forma, na mesma faixa (talvez um pouco menos) dos 1.0 TSI do VW Tera ou mesmo do Fiat Pulse 1.3 AT.
Visual – Muitas peças do Kait são do Kicks antigo. De novidade, capô, faróis em LED na frente e na traseira — além de rodas, para-choques e tampa do porta-malas, uma mudança bem perceptível. Aliás, o conjunto óptico frontal e traseiro ficou muito bonito, fino, estiloso – e que chama a atenção à primeira vista. Isso inclui as DRLs (luzes de rodagem diurna), de três listras. E, como funcionalidade, ainda oferta o acendimento inteligente, o chamado sensor crepuscular com regulagem elétrica de altura. Por fim, vale lembrar do sistema “Follow me Home” (ou “siga-me para casa”). Essa função de segurança e conveniência mantém os faróis baixos ou lanternas do veículo acesos por um tempo determinado (geralmente 30 a 270 segundos) após desligar a ignição e fechar o carro. Ele ilumina o caminho em garagens ou locais escuros.
Preço – A versão testada, a Exclusive, tem preço sugerido de R$ 152,9 mil. Combate o Pulse Impetus, mas não o Hybrid, que custa pouco abaixo dos R$ 150 mil. Em relação ao VW Tera, só disputa com a versão High, pouco acima dos R$ 140 mil. No caso do Renault Kardian, seu rival é a Iconic, também na faixa dos R$ 150 mil.
Vida a bordo – O acabamento da versão topo de linha tem saídas de ar arredondadas, central de entretenimento com tela de 9 polegadas e conexão Apple CarPlay e Android Auto sem fio. Com a popularização dos chineses e suas grandes telas, o conjunto do Kait fica meio fora de moda, digamos assim. O quadro de instrumentos, por sua vez, é mais moderno, com duas telas digitais. Tem chave presencial para abertura das portas e partida por botão. Os bancos têm revestimento em couro, mas não são tão aconchegantes quanto deveriam para um carro de R$ 150 mil. Em termos de segurança, destaque para os seis airbags e para o alerta e assistente de frenagem e detecção de pedestre. Vale, ainda, destacar o assistente de permanência em faixa, a câmera com visão 360º, o alerta de ponto cego, a frenagem autônoma de emergência e o controle de cruzeiro adaptativo (ACC). O ar-condicionado desta versão é digital.
Vem aí o novo RAV4 – A Toyota acaba de confirmar a chegada do novo RAV4 ao Brasil. O SUV será apresentado oficialmente em abril, mas já começou a campanha prévia de lançamento junto aos clientes, que já podem se cadastrar no site oficial para indicar interesse e garantir prioridade na lista de espera. A nova geração do SUV mais vendido do mundo será oferecida em duas configurações. Na inédita versão S, o modelo se destaca pelo design moderno e interior que combina conforto e funcionalidade. Já a configuração SX tem acabamento refinado, sistemas inteligentes de assistência à condução e um conjunto de tecnologias avançadas. Todos os detalhes e preços serão divulgados em seu lançamento oficial, previsto para as próximas semanas.
SUV da GAC por R$ 130 mil – A chinesa GAC anunciou dois fatos no meio da semana passada: o lançamento do GS3 e a produção no Brasil. Em relação ao primeiro, são duas versões — e preços promocionais até o fim deste mês: a primeira parte de R$ 130 mil (com compras pelo Mercado Livre) e a segunda por R$ 160 mil. Quanto à produção, ela vai ser na planta da HPE Motors, em Catalão (GO), responsável pela montagem dos modelos Mitsubishi. A nacionalização do SUV compacto será feita por meio de processo do tipo CKD, com capacidade anual de 50 mil unidades em 2027.
Além da mão de obra local na produção, a GAC vai usá-la no desenvolvimento de produtos. O GS 3 nas versões Premium e Elite apostam em motorização turbo, pacote tecnológico avançado e boas dimensões. Ele tem 4,41m de comprimento, 1,85 m de largura, 1,60 m de altura e entre-eixos de 2,65 m – com porta-malas de 341 litros, expansível a 1.271 litros. Ambas as versões usam motor 1.5 turbo a gasolina capaz de entregar 170cv e 25,5kgfm de torque. O conjunto é acoplado a uma transmissão automatizada de dupla embreagem e tração dianteira. Segundo dados da marca, o SUV acelera de 0 a 100 km/h em 8,1 segundos. Já o consumo fica em 10,2 km/l na cidade e 11,6 km/l na estrada.
Foton apresenta sete novos veículos comerciais elétricos – A Foton acaba de anunciar a ampliação de seu portfólio com o lançamento no Brasil de sete novos veículos comerciais elétricos: o mini truck eWonder, as vans eView Connect, eView Grand e eToano Pro, além da linha de caminhões eAumark nas versões 6T, 9T e 12T. A chegada simultânea dos modelos marca um avanço estratégico da empresa na eletrificação do transporte comercial brasileiro, oferecendo soluções que atendem desde a logística urbana leve até operações com veículos de maior capacidade para aplicação intermunicipal. Os novos produtos foram desenvolvidos para responder à crescente demanda por eficiência energética, redução de custos operacionais e diminuição de emissões no transporte de cargas. Os modelos têm boa autonomia, tecnologia embarcada, ampla garantia e diferentes capacidades de carga e volume. A Foton vai passar das 100 concessionárias em todo o país ainda em 2026.
Toro ganha versão Lollapalooza – A Fiat aproveitou que é a patrocinadora master do Lollapalooza 2026, que acaba neste domingo, em São Paulo, para apresentar versão comemorativa da picape Toro desenvolvida exclusivamente para o festival. A edição especial, em cor roxa, também homenageia os 50 anos da Fiat do Brasil Na lateral, a logo comemorativa aos 50 anos da Fiat do Brasil está posicionada à frente de um conjunto de pixels que formam o mapa da América do Sul, reforçando a ligação da picape com o mercado da região.
Entre outras inovações, o modelo conta com uma nova grade superior com blocos que fazem menção ao novo estilo de design da marca, além de incorporar barra de proteção que combina resina e aço e uma nova iluminação em LED, que agora se estende à barra de teto. No interior, a novidade é a cor esmeralda nos revestimentos, com detalhes em verde cítrico. Há dez anos no mercado brasileiro, a picape da Fiat produzida no complexo industrial de Goiana, PE, já vendeu mais de 550 mil unidades.
Chevrolet convoca donos de S10 e Trailblazer – A marca norte-americana da General Motors no Brasil está chamando os proprietários de S10 e Trailblazer, versões 100 Anos, Brutal e Invencível, modelos 2025 e 2026, produzidos entre outubro de 2024 e maio de 2025, para irem a uma concessionária. Motivo: um problema no aplique do capô (instalado diretamente na fábrica ou como acessório na concessionária) pode se soltar em altas velocidades. Por isso, a peça precisa ser trocada.
Segundo a Chevrolet, o aplique do capô foi montado sem aplicação de um material que promove a sua adequada fixação. Com isso, em alta velocidade, a força aerodinâmica gerada pelo vento pode fazer com que a peça se desprenda. É possível perceber quando o aplique começa a se soltar, pois ele começa a vibrar de forma visível. Em caso de soltura, ela pode atingir e danificar outros veículos e/ou ferir motociclistas ou pedestres, com possibilidade de lesões físicas graves e até mesmo fatais. O serviço de substituição do aplique do capô, que é gratuito, pode ser realizado em cerca de duas horas e meia. Mais informações, no site da marca, pela Central de Relacionamento Chevrolet no 0800-702-4200 ou pelo WhatsApp no número (11) 99882-8157.
Os 10 carros dos anos 2000 mais buscados no Brasil – Um levantamento do Webmotors Autoinsights, ferramenta que fornece dados e informações sobre o mercado automotivo brasileiro, revela os veículos dos anos 2000 que recebem o maior número de buscas na plataforma atualmente. O estudo leva em consideração as buscas e visitas entre março de 2025 a fevereiro deste ano para os modelos fabricados entre 2000 e 2009 por usuários de todo o Brasil. O ranking é encabeçado pelo Honda Civic, um clássico da montadora japonesa que ainda hoje é um dos mais buscados do país tanto entre os 0KM quanto em versões anteriores. Na sequência, estão Volkswagen Gol, Honda Fit, Chevrolet Astra, Toyota Corolla, Chevrolet Corsa, Chevrolet Celta, Fiat Palio, Chevrolet Vectra e Volkswagen Golf.
Palio, o Fiat usado mais vendido – E outro levantamento, desta vez feito pela OLX, aponta o Palio como o modelo usado da Fiat mais vendido por meio da plataforma em 2025. O estudo, que analisa a demanda pelos veículos da fabricante, mostra o Uno em segundo lugar, seguido pelo Strada na terceira posição. Os dados são divulgados no ano em que a Fiat completa 50 anos de presença no Brasil. Completam os cinco primeiros colocados o Toro, em quarto, e o Siena, em quinto lugar.
Como cuidar de um carro com alta quilometragem? – Um mapeamento do Sindipeças mostra que a idade média dos veículos no Brasil é de 10 anos e 11 meses, dois anos mais velhos do que a frota registrada em 2015, cuja idade média era de 8 anos e 10 meses. O envelhecimento é resultado de uma série de fatores – que envolvem desde as dificuldades no acesso ao crédito até o custo dos veículos 0km, que levam os consumidores a recorrerem ao mercado de carros usados. Por esse motivo, a maioria dos carros circulando hoje no Brasil possui uma quilometragem alta e, portanto, necessita de cuidados e manutenções específicas, tendo em vista que, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal, 30% dos acidentes em rodovias são causados por veículos rodando em más condições.
Riscos de acidentes – Nesse sentido, a escolha do lubrificante se torna um passo fundamental para prolongar a vida do automóvel e diminuir os riscos de acidentes. Especialmente porque motores mais rodados podem sofrer com consumo excessivo de óleo, perda de potência e formação de borra, enquanto o sistema de suspensão, direção e freios tende a apresentar folgas e ruídos. Outras queixas comuns são que os sensores e partes elétricas perdem eficiência, comprometendo o desempenho e aumentando o consumo do combustível.
Tecnologias diferentes – Segundo José Cesário Neto, coordenador de Capacitação e Suporte Técnico dos Lubrificantes Mobil, o maior desafio de veículos mais antigos não é a quilometragem em si, mas as tecnologias deles, que são diferentes dos modelos atuais. “É recomendável uma avaliação completa do motor a cada 10.000 km (cerca de um ano de uso), além da consulta ao manual do veículo, verificando características específicas antes da troca de óleo”, orienta.
“Existe uma ideia popular de que, se o seu carro é mais velho, você deve usar um óleo mais viscoso. Mas isso não é necessariamente verdade”, aponta o coordenador Mobil. Ele recomenda sempre seguir as especificações indicadas no manual do proprietário. As montadoras realizam milhares de testes antes de determinar o lubrificante ideal para cada motor, levando em conta temperatura, pressão e o tipo de uso do carro, seguindo padrões internacionais (como SAE, API e ACEA), garantindo a performance e a durabilidade previstas pelo fabricante.
Reparos caros – O uso do óleo correto pode representar a diferença entre prolongar a vida útil do carro e antecipar reparos caros. “Independentemente da quilometragem do veículo, o uso de um lubrificante com características alinhadas com a recomendação da montadora mantém o nível de proteção e bom funcionamento do motor. É importante respeitar o intervalo de troca indicado e sempre usar filtros novos. Caso o motor esteja com um consumo anormal de óleo, a conduta correta é levar o veículo para uma oficina especializada para que sejam avaliados os possíveis causadores desta anormalidade. Utilizar um óleo mais viscoso não vai resolver o problema”, reforça Cesário Neto.
Outros sistemas – O especialista também recomenda atenção redobrada a outros sistemas do veículo. “Não basta cuidar apenas do motor. O fluido de freio, o fluído de arrefecimento e o lubrificante da transmissão também precisam ser revisados periodicamente, pois todos trabalham em conjunto para garantir segurança e desempenho”, explica. Além dos lubrificantes, as graxas também são itens importantes na manutenção, ao garantirem que a lubrificação adequada de componentes como rolamentos, juntas homocinéticas, e pinos de suspensão.
Em veículos mais antigos, esses pontos sofrem mais com o desgaste natural e a oxidação, o que pode gerar ruídos, vibrações e até falhas mecânicas. O uso regular de graxas de boa qualidade ajuda a reduzir o atrito entre as peças, evitar o ressecamento das borrachas de vedação e proteger contra a entrada de água e sujeira. A aplicação correta das graxas garante uma maior preservação do veículo, ajudando na economia com a prevenção de emergências e reparos mais complexos. “Manter a manutenção em dia é o segredo para a longevidade do veículo. Um motor bem cuidado não apenas funciona melhor, como ajuda a reduzir acidentes e custos inesperados”, reforça o coordenador.
Renato Ferraz, ex-Correio Braziliense, tem especialidade em jornalismo automobilístico.
A precarização dos vínculos de trabalho e a superlotação das emergências são hoje os principais entraves da rede pública de saúde em Pernambuco, na avaliação do cirurgião-geral João Veiga. Em entrevista ao blog, o médico afirmou que a chamada pejotização tem comprometido a continuidade do atendimento, o ensino médico e o vínculo dos profissionais com as unidades. “Perde a relação do profissional com a instituição (pois ele pode ser de São Paulo, pode ser do Ceará, ele não precisa ser de Pernambuco), e perde-se também a relação com o ensino”, disse.
Segundo Veiga, a mudança no modelo de contratação dentro das Organizações Sociais (OSs), responsáveis pela gestão de parte dos hospitais, agravou o problema nos últimos anos. Ele afirma que, antes, os vínculos eram majoritariamente regidos pela CLT, mas passaram a ser flexibilizados. “A OS contrata aquele médico, por um dia, dois dias. Existe caso de profissionais que ficaram 16 dias de plantão e aí foram embora pra São Paulo e nunca mais voltaram. Isso compromete a formação de residentes e a assistência”, criticou. Para o médico, a precarização da mão de obra, somada à alta ocupação das emergências, tem pressionado o sistema. Ele cita o caso do Hospital da Restauração, que, segundo dados recentes do Conselho Regional de Medicina do Estado de Pernambuco (CREMEPE), chegou a ultrapassar 300% de ocupação.
Além das relações de trabalho, Veiga aponta a falta de leitos como um dos principais problemas. Uma das soluções defendidas por ele é a ampliação dos chamados leitos de retaguarda, voltados para pacientes crônicos, o que liberaria vagas nas unidades de alta complexidade. “Você pactua com hospital de retaguarda pra ficar com pacientes crônicos. A Restauração tem 100 leitos de retaguarda, por exemplo, e a gente quer expandir essa estratégia para o interior também”, disse. Ele também defende o credenciamento de leitos na rede privada como alternativa imediata para ampliar a capacidade sem necessidade de novas construções.
A situação no interior, especialmente em Petrolina, é apontada como crítica. De acordo com o cirurgião, a cidade conta basicamente com a estrutura do hospital universitário ligado à Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), o Hospital de Ensino Dr. Washington Antônio de Barros, o que seria insuficiente para a demanda. “São 150 leitos no Hospital do Trauma, que é ligado à Univasf. Lá não tem hospital regional, nem municipal, nem estadual”, destacou. Como medida emergencial, ele propõe a instalação de um hospital de campanha voltado à traumatologia. “Não é possível que cidades como Petrolina e Juazeiro, [o paciente] tenha que se deslocar ou pra Salvador ou pro HR”, disse.
Apesar das críticas, Veiga reconhece avanços recentes na infraestrutura do Hospital da Restauração, com investimentos em equipamentos e melhorias estruturais. “O Hospital da Restauração, onde eu trabalho, está melhor. Os problemas tão sendo enfrentados. Mas ainda tem, claro”, avaliou. Ainda assim, ele defende medidas mais amplas. “A população precisa de ações maiores (…) Espero que fique melhor com quem quer que seja. Porque primeiro a gente vai para o HR. Pobre, rico, importante ou não, é a Restauração quem primeiro assiste, e que tá recebendo implementação de tecnologia como eu nunca vi antes”, concluiu.
Ainda, Veiga destaca que a posição do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) em relação à questão da pejotização das unidades públicas foi fundamental e uma medida importante para tratar o problema.
As comissões parlamentares de inquérito que passaram a investigar o Banco Master não conseguiram localizar e notificar Martha Graeff, ex-namorada do banqueiro Daniel Vorcaro, para que ela preste esclarecimentos. Tanto a CPI do Crime Organizado quanto a CPMI do INSS aprovaram a convocação da influenciadora, que mora nos Estados Unidos.
A CPMI do INSS marcou para a segunda-feira (23) o depoimento de Graeff. A oitiva deveria ser uma das últimas no colegiado, que deverá encerrar os trabalhos até o próximo dia 28. O presidente da comissão, Carlos Viana (Podemos-MG), disse que o relatório final será votado na quinta-feira (26). As informações são do portal Metrópoles.
Nascida no Rio Grande do Sul, Martha Graeff tem 40 anos e é empresária, ex-modelo e influenciadora. Mora nos EUA há 20 anos e hoje mora em Miami, na Flórida. Já foi casada com o astro da NBA (a liga de basquete dos Estados Unidos) Rony Seikaly, com quem tem uma filha de seis anos. Ela também já se relacionou com Aécio Neves (PSDB-MG) em 2017. Graeff e Vorcaro tiveram um relacionamento que foi, majoritariamente, à distância. Eles chegaram a noivar em 2024, em uma festa na Itália. O casal rompeu em 2025, pouco depois da primeira prisão do banqueiro.
Martha Graeff entrou no centro das investigações do Master após o vazamento de mensagens trocadas por ela e Vorcaro entre 2024 e 2025. Nos diálogos com a ex-noiva, Vorcaro citou políticos, ministros e integrantes do mercado financeiro.
As mensagens também levantaram suspeitas de que o dono do Banco Master tentou ocultar o patrimônio colocando imóveis e fundos em nome da namorada — algo que ela nega.
Como mostrado pelo Metrópoles, Graeff terminou o relacionamento com Vorcaro após a primeira prisão do banqueiro, em novembro de 2025, que se deu simultaneamente à liquidação do Master pelo Banco Central.
Após a veiculação das conversas, a socialite disse, por meio da assessoria, que terminou o relacionamento com o banqueiro “há alguns meses” e que mora nos Estados Unidos há mais de 20 anos.
Depois da CPMI, foi a vez da CPI do Crime Organizado aprovar a convocação da socialite. O depoimento foi marcado para a quarta-feira (25). Apesar da proximidade das datas, integrantes das cúpulas dos colegiados disseram à reportagem que não receberam retorno dos contatos com a defesa nem com Martha Graeff em si.
Com a ajuda da polícia do Senado, as equipes técnicas conseguiram localizar e-mails e alguns possíveis números da Martha Graeff. A estes endereços foram encaminhadas as intimações, ainda sem algum retorno.
A convocação exige a presença obrigatória de pessoas classificadas pelas CPIs como testemunhas. Ainda assim, a defesa dos convocados pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar tornar o comparecimento facultativo, sob o argumento de que o depoente, na verdade, figura como investigado — condição que o desobriga de comparecer. Essa estratégia foi adotada por Vorcaro quando ele foi convocado.
Morreu aos 81 anos Robert Mueller, ex-diretor do FBI e responsável por liderar a investigação sobre possíveis ligações entre a Rússia e a campanha presidencial de Donald Trump em 2016. A informação foi divulgada pela agência de notícias AP e confirmada pela família em comunicado neste sábado (21). “Com profunda tristeza compartilhamos a notícia de que Bob faleceu na noite de sexta-feira”, disse a família na nota, pedindo respeito à privacidade.
Mueller comandou o FBI por 12 anos, assumindo o cargo apenas uma semana antes dos ataques de 11 de setembro de 2001. Os atentados, que destruíram as torres do World Trade Center, em Nova York, e atingiram o Pentágono, perto de Washington, mudaram radicalmente as prioridades da agência, que passou a concentrar seus esforços no combate ao terrorismo. As informações são do jornal O Globo.
Nomeado pelo então presidente George W. Bush, Mueller permaneceu no cargo durante governos de partidos diferentes e se tornou o segundo diretor mais longevo da história do FBI, atrás apenas de J. Edgar Hoover. Seu mandato terminou em 2013, após ele aceitar permanecer por mais dois anos a pedido do presidente Barack Obama.
Investigação sobre Trump e Rússia
Depois de deixar o comando da agência e passar um período na iniciativa privada, Mueller voltou ao serviço público em 2017, quando foi nomeado procurador especial pelo Departamento de Justiça para investigar a interferência russa na eleição presidencial de 2016. A investigação, que durou quase dois anos, examinou se integrantes da campanha de Trump haviam coordenado ações com o governo russo para influenciar o resultado do pleito.
Durante o processo, a equipe de Mueller apresentou acusações criminais contra seis pessoas ligadas a Trump, incluindo o ex-chefe de campanha e o primeiro assessor de segurança nacional do governo.
O relatório final, com 448 páginas e divulgado em abril de 2019, apontou diversos contatos entre integrantes da campanha de Donald Trump e autoridades russas, mas não concluiu que houve uma conspiração criminosa entre os dois lados.
A prefeita de Casinhas, Juliana de Chaparral (União Brasil), assinou na manhã de ontem (20) a ordem de serviço para a construção da nova Escola Municipal Pedro Lourenço, no Sítio Catolé de Napoleão, na zona rural do município. A obra, orçada em mais de R$ 8 milhões e viabilizada por meio de convênio com o Governo de Pernambuco, substituirá a antiga unidade, construída há 48 anos.
A nova estrutura deve contar com salas climatizadas, refeitório, cozinha, parque infantil e quadra poliesportiva coberta. Durante o ato, a prefeita afirmou: “Será uma obra de mais de R$ 8 milhões, com salas organizadas, todas climatizadas, mobiliário novo e um espaço completo pensado para acolher melhor toda a comunidade. Com os equipamentos, esse investimento ultrapassa R$ 10 milhões”. Também estiveram presentes a secretária de Educação, Sandreane Domingues, demais secretários da gestão municipal, além do presidente da Câmara, Maciel Sales, vereadores da base aliada, lideranças locais, educadores, estudantes e moradores.
Uma empresa aberta recentemente pelo filho do deputado federal e ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), recebeu pagamento de R$ 250 mil da J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, pouco depois da constituição da empresa.
A transação foi considerada como “atípica” em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), obtido pelo Estadão. Um dos motivos do alerta do Coaf para esses pagamentos é que não envolvem fornecedores com atividade econômica compatível com a da J&F.
Procurada, a assessoria de Lira afirmou que seu filho prestou serviços de publicidade e marketing e possui “diversos clientes corporativos”. A J&F Participações afirmou que todos os pagamentos que faz se referem “a produtos ou serviços comprovadamente prestados, mediante emissão de nota fiscal e recolhimento de todos os tributos devidos”.
Os registros da Receita Federal apontam que a Archon S/A, pertencente a Arthur Cesar Pereira de Lira Filho, foi aberta em maio de 2025 com capital social de R$ 100 mil. O Coaf detectou que o pagamento de R$ 250 mil da J&F ocorreu entre fevereiro de 2025 e outubro de 2025, logo depois que a empresa foi aberta. O documento não cita uma data exata.
O relatório de inteligência financeira destaca que o filho do ex-presidente da Câmara possui apenas 26 anos e, segundo os dados do Coaf, tem residência registrada em Maceió. Mas a assessoria de Lira afirmou que ele já reside em Brasília há “quase dez anos”.
“Arthur Cesar Pereira de Lira Filho reside em Brasília há quase 10 anos e atua, há mais de 5 anos, no setor de publicidade e marketing, possuindo diversos clientes corporativos. Todos os pagamentos feitos a suas empresas são precedidos da emissão da respectiva nota fiscal e derivam de serviços regularmente prestados”, diz a nota.
Arthur Lira Filho tinha uma outra empresa do ramo de publicidade, que prospectou negócios em estatais durante o governo de Jair Bolsonaro. Ele tinha aquela empresa em sociedade com outra pessoa e, no ano passado, abriu um novo CNPJ para ficar à frente dos negócios.
A principal atividade econômica da nova empresa dele é de “Correspondentes de instituições financeiras”, de acordo com o cadastro na Receita Federal. As atividades secundárias são amplas e vão desde consultoria em publicidade, marketing direto a representante do comércio de jornais e holding de instituições não-financeiras.
Lira tem relações antigas com integrantes do grupo empresarial J&F. Como mostrou o Estadão, ele chegou a vender gado a um executivo do grupo em leilão organizado no ano de 2022.
A J&F entrou na mira da CPI do INSS depois de ter feito pagamentos a uma empresa de consultoria que tem como sócio oculto o empresário Danilo Trento, apontado como um dos beneficiários das fraudes a aposentados.
A JBS, uma das empresas da holding dos Batistas, apareceu na CPI do Crime Organizado porque a comissão mirou movimentações do Banco Master e encontrou pagamentos de ambos a uma mesma empresa de consultoria.
O Estadão revelou outros pagamentos da J&F listados como atípicos pelo Coaf:
O de R$ 25,9 milhões para a holding que comprou as cotas do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no resort que ele tinha no Paraná em sociedade com fundo ligado ao Banco Master.
O de R$ 11,3 milhões para uma empresa de consultoria que pagou R$ 281,6 mil ao filho do ministro Nunes Marques, do STF. O relatório também apontou que a Consult Inteligência Tributária recebeu outros R$ 6,6 milhões do Banco Master.
Um pagamento de R$ 25 milhões ao escritório de Ibaneis Rocha, em 2025, meses depois da celebração de uma parceria do governo do DF com o PicPay, banco digital do conglomerado.
Leia a íntegra da nota do grupo J&F:
Todo pagamento realizado pela J&F Participações se refere a produtos ou serviços comprovadamente prestados, mediante emissão de nota fiscal e recolhimento de todos os tributos devidos. Caso o relatório mencionado pela reportagem exista, configura um grave crime de quebra ilegal de sigilo bancário que as autoridades competentes têm o dever de investigar. A J&F mantém auditorias independentes que certificam e confirmam a governança e a retidão dos processos internos
O ex-prefeito de Petrolina, Júlio Lóssio, disse, há pouco, ao blog, que a homologação da federação progressista, formada pelo PP e União Brasil, tende a transformar o deputado Eduardo da Fonte, presidente da federação, num forte e disputado protagonista das eleições no Estado.
“Em se confirmando Dudu como dirigente da União progressista, este volta a ser uma peça fundamental no processo sucessório. Quem monta um exército como Dudu tem, com soldados espalhados nos quatro cantos de Pernambuco, não pode ser menosprezado, até porque guerra se ganha com exército e não com discurso”, afirmou.
A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, anunciou ontem (20) que deixará o cargo para disputar a reeleição como deputada federal por São Paulo. Segundo a ministra, o último dia à frente da pasta deve ser 30 de março. Eloy Terena, secretário-executivo do ministério e número dois da pasta, deve assumir o cargo após a saída de Sônia.
Em entrevista, a ministra falou sobre sua gestão e sobre os desafios dos últimos três anos, como o enfrentamento com o movimento indígena. “Eu acho que [o legado] é a retomada da demarcação das terras indígenas, a desintrusão de invasores dos territórios, mas eu acho que, sobretudo, é trazer a pauta indígena para a centralidade do debate público, para a centralidade da política pública”. As informações são do portal g1.
Sônia afirmou ainda que, por vezes, não entendia a paralisação de demarcações, que tem como pano de fundo o impasse jurídico entre Supremo Tribunal Federal (STF) e Congresso. Enquanto os ministros do Supremo negaram por maioria o marco temporal, o Congresso aprovou a lei sobre o tema.
O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) foi criado em janeiro de 2023, no começo do terceiro governo Lula (PT). O objetivo foi levar a questão indigenista ao primeiro escalão do Executivo, uma promessa do presidente, buscando garantir os direitos constitucionais de 1,7 milhão de pessoas e 305 etnias, assumindo a gestão direta de políticas de demarcação e a proteção de povos isolados.
Sônia destacou um avanço que considerou significativo nas políticas territoriais, com a homologação de 20 terras indígenas nos últimos três anos. O balanço supera o total da década anterior, que registrou 11 homologações.
Segundo o ministério, o cronograma de retomada teve início em 2023, com seis áreas oficializadas em abril daquele ano: Arara do Rio Amazônia (AC), Kariri Xocó (AL), Rio dos Índios (RS), Tremembé da Barra do Mandaú (CE), Uneiuxi (AM) e Ava Canoeiro (GO). Em setembro do mesmo ano, foram Rio Gregório (AC) e Acapuri de Cima (AM).
Em 2024, o ministério afirma que as ações contemplaram as TIs Cacique Fontoura (MT) e Aldeia Velha (BA) em abril, além de Potiguara de Monte-Mor (PA), Morros dos Cavalos (SC) e Toldo Imbu (SC) em dezembro.
Em 2025, o Ceará recebeu três novas áreas homologadas em agosto (Pitaguary, Lagoa Encantada e Tremembé de Queimadas), durante a 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas. Em novembro, durante a COP 30, em Belém, houve a homologação de quatro territórios: Kaxuyana-Tunayana (PA/AM), Parecis (MT), Uirapuru (MT) e Manoki (MT).
A prefeita de Serra Talhada, Márcia Conrado, assinou, ontem (20), a ordem de serviço para a construção de uma nova Unidade Básica de Saúde (UBS) no Residencial Vanete Almeida. O equipamento vai garantir o acesso à atenção básica para as 902 famílias que vivem na localidade. “O Residencial Vanete Almeida vai ter, sim, uma Unidade Básica de Saúde para cuidar de perto das nossas famílias. E ontem demos mais um passo importante: assinamos a ordem de serviço para essa conquista”, afirmou a prefeita.
A obra contará com investimento total de R$ 1,9 milhão de reais, sendo R$ 1,8 milhão oriundo de recursos federais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A unidade será classificada como Porte 1, com área construída de 389,78m², ampliando a estrutura da rede municipal e garantindo mais proximidade no atendimento à população.
“Com essa nova unidade, vamos fortalecer ainda mais a atenção primária no município, levando um serviço essencial para mais perto das pessoas e garantindo melhores condições de atendimento para a população”, destacou a secretária municipal de Saúde, Lisbeth Rosa.
Depois da internação de Jair Bolsonaro para tratar de uma broncopneumonia que o levou para a UTI, aliados de Alexandre de Moraes acreditam ter convencido o ministro, relator do processo da trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF), a enviar o ex-presidente para a prisão domiciliar. Moraes vinha resistindo a considerar os problemas de saúde um motivo para enviar Bolsonaro para casa, mas aliados relatam ter encontrado um argumento que ele estaria propenso a aceitar: o de que a situação de Bolsonaro mudou radicalmente desde que negou o primeiro pedido, em novembro.
Isso porque, de acordo com os médicos de Bolsonaro e o relatório enviado pelo Hospital DF Star ao ministro, a saúde do ex-presidente piorou muito, a ponto de ele ter chegado ao hospital em estado grave e passado por uma “injúria renal aguda”. Segundo a equipe da coluna apurou, foram usadas três classes diferentes de antibióticos até conseguir debelar a infecção, e ainda será necessário esperar até o dia 27 para que ele tenha alta, apesar de seu estado de saúde agora estar estável.
De acordo com seus próprios médicos, Bolsonaro precisa de acompanhamento 24 horas para evitar uma nova broncoaspiração como a que levou à internação.
Todos esses detalhes ajudaram a compor a linha de raciocínio que deve ser incorporada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) na resposta ao pedido de manifestação feito por Moraes nesta sexta-feira, depois que a defesa pediu que ele reconsiderasse a decisão de manter Bolsonaro no 19º Batalhão da Polícia Militar, localizado dentro do Complexo da Papuda e conhecido como “Papudinha”.
Em novembro, ainda antes do início do cumprimento da pena, o ex-presidente foi detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, quando tentou romper com uma solda a tornozeleira eletrônica que usava em casa. Desde então, ele foi condenado e enviado para a Papudinha, prisão do Distrito Federal. Apesar de já ter passado mal algumas vezes depois disso, Moraes sempre rejeitou enviá-lo para casa, alegando perigo de fuga.
Na última terça-feira (17), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o advogado do ex-presidente, Paulo Amador Bueno, tiveram uma audiência com Moraes em que apresentaram um pedido de reconsideração das decisões anteriores. A ex-primeira-dama, Michelle, também fez o mesmo pedido quando esteve pessoalmente com Moraes no início do ano, quando o ex-presidente se recuperava de uma queda na cela da PF.
Apesar de não ter nenhuma vontade de atender ao pleito dos advogados, Moraes recebeu vários apelos de outros ministros do Supremo e até de interlocutores de Lula, preocupados com o risco de Bolsonaro morrer na cadeia, o que impulsionaria a candidatura presidencial de Flávio.
Diante de todos esses apelos, Moraes parece mais disposto a atender ao pedido — desde que não fique patente que ele cedeu, mas sim que a reconsideração se deve a uma mudança drástica no cenário que se tinha até então.
Há momentos em que um debate público revela mais sobre a estrutura de poder de um país do que sobre o tema que está sendo discutido. O embate em torno do fim da escala 6×1 virou um desses espelhos. Em poucas semanas, a pauta se transformou na principal queda de braço política e econômica do primeiro semestre de 2026. De um lado, milhões de trabalhadores que querem simplesmente ter dois dias seguidos de descanso. Do outro, uma engrenagem poderosa tentando convencer o país de que isso seria quase uma ameaça à civilização.
O governo percebeu que havia capital eleitoral nesse movimento e decidiu entrar de vez no jogo, pressionando publicamente o Congresso Nacional pelo ritmo lento na tramitação da pauta. Como o Legislativo empurra as PECs com a barriga, o Planalto deve recorrer a um projeto de lei em regime de urgência. Isso obrigaria a Câmara a votar a matéria em até 45 dias, expondo a posição de cada deputado antes das eleições.
Lobistas do setor empresarial vêm a público reclamar que o assunto é sério demais para ser tratado em ano eleitoral. Ironicamente, é exatamente o contrário. Essa é a razão pela qual a proposta precisa ser votada em ano eleitoral. No Brasil, a vontade da população costuma ser respeitada apenas quando existe o risco de não reeleição de seus representantes.
Se a política se move por cálculo, a sociedade já deixou claro o que pensa. Pesquisa Datafolha divulgada na semana passada aponta que, do fim do ano para cá, o apoio ao fim da escala 6×1 cresceu de 64% para 71%. Entre jovens de 16 a 24 anos, chega a 83%. O tema atravessou fronteiras ideológicas e derrubou a polarização. Entre eleitores de Jair Bolsonaro (55%) e evangélicos (67%), a maioria se mostra favorável à mudança.
Ou seja, apesar de a pauta ter sido sendo pautada pelo campo progressista, tendo à frente nomes como o do vereador Rick Azevedo (PSOL-RJ) e da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), não se trata de uma demanda de esquerda ou de direita. Trata-se de uma exigência de quem trabalha.
Ao mesmo tempo, a proposta que ganha força no debate é bem menos radical do que seus críticos tentam fazer parecer. O foco agora está em uma transição para a jornada de 40 horas semanais com escala 5×2, sem redução salarial e com prazo de adaptação. Nada de revoluções produtivas instantâneas. Trata-se apenas de aproximar o Brasil de um padrão de descanso que já é comum em vários lugares do mundo e que milhões de trabalhadores brasileiros consideram o mínimo necessário para ter alguma qualidade de vida.
Esse apoio massivo ajuda a explicar a reação do setor empresarial nas últimas semanas. Entidades patronais ligadas ao comércio, serviços e indústria intensificaram uma ofensiva pública contra a mudança. Estudos encomendados por organizações do setor passaram a circular com previsões de queda no PIB, aumento da informalidade, expansão do chamado “duplo emprego”, chuva de rãs, ataques de gafanhotos, morte dos primogênitos. O roteiro é conhecido desde a Primeira Revolução Industrial: sempre que se discute garantir direitos trabalhistas, alguém aparece dizendo que o país vai quebrar.
Executivos do varejo entraram no coro. Lideranças empresariais passaram a afirmar que a medida poderia provocar prejuízos e que trabalhadores acabariam recebendo menos. A mensagem implícita é que o Brasil não poderia “evoluir trabalhando menos dias”. Melhorar a produtividade? Fez xibiu. Ninguém sabe, ninguém viu. Assim, a única forma possível de crescimento econômico passa a ser manter milhões de pessoas presas a jornadas que deixam pouco espaço para descanso, família ou vida pessoal.
Mas o lobby empresarial não atua sozinho. Ele conta com um grupo barulhento que aparece nas redes sociais e na imprensa repetindo esses argumentos como se fossem evidências incontestáveis. São os que gosto de chamar de Guerreiros do Capital Alheio. Gente que não é dona de empresa, não decide investimento e não lucra com dividendos, mas se dedica a convencer a classe trabalhadora de que sua felicidade depende diretamente da prosperidade do patrão.
Os Guerreiros do Capital Alheio têm uma missão curiosa: explicar para quem trabalha seis dias por semana que descansar mais seria ruim para ele mesmo. Em outras palavras, tentam convencer quem está na base da pirâmide de que questionar a lógica atual seria uma espécie de ingratidão econômica.
O problema é que essa narrativa começa a perder força quando confrontada com a vida real. Quem vive a escala 6×1 sabe o que ela significa: trabalhar quase a semana inteira para descansar apenas um dia, frequentemente usado para resolver tarefas acumuladas ou simplesmente se recuperar do cansaço. Não se trata de preguiça, como alguns insinuam. Trata-se de saúde física, mental e de dignidade.
O que está em jogo agora é uma corrida contra o tempo. O governo tenta transformar o apoio popular em pressão institucional para que a mudança avance ainda neste semestre. O lobby empresarial, por sua vez, aposta na velha estratégia de produzir pânico econômico para esfriar o debate ou empurrar qualquer mudança para um futuro distante.
Tudo isso revela algo importante: neste momento, parece que o país está dividido apenas entre esquerda e direita, mas, não raro, isso esconde outra diferença de interesses. De um lado, a classe trabalhadora, do outro, os donos do dinheiro — e seus assessores e vassalos. Parte da ultrapolarização política, aliás, vem sendo alimentada justamente por quem não quer que o debate mais importante aconteça: como garantir dignidade a quem, de fato, gera riqueza neste país.
Porque, no fim das contas, a pergunta que fica é simples: se uma sociedade não consegue garantir dois dias de descanso para quem trabalha, exatamente quem está servindo a quem nessa história?