Resultado de 90,67% das seções totalizadas até o momento para a presidência da República. Lula com 50,54% e Bolsonaro com 49,46%.
Resultado de 90,67% das seções totalizadas até o momento para a presidência da República. Lula com 50,54% e Bolsonaro com 49,46%.
A Frente Parlamentar da Cannabis Medicinal e do Cânhamo Industrial realiza, amanhã (16), uma audiência pública sobre a regulamentação da Lei que determina a distribuição gratuita de medicamentos à base de cannabis no Estado, com a participação inédita de representante da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O debate começa às 10h, no auditório Ênio Guerra, na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), e reunirá especialistas, instituições públicas, pesquisadores, associações de pacientes e representantes da sociedade civil.
Coordenada pelo deputado João Paulo (PT), a Frente Parlamentar promoverá o encontro com a participação de João Paulo Perfeito, gerente da Área de Medicamentos Fitoterápicos da Anvisa. Para o parlamentar, a presença do órgão regulador nacional representa um marco para o debate no Estado. “Ter um representante do principal órgão regulador da área de medicamentos no Brasil nesta audiência é o reconhecimento de que o debate amadureceu o suficiente para exigir interlocução direta com quem define as normas desse setor no país”, afirma João Paulo.
Leia maisO debate ocorre em um contexto de avanços recentes no plano nacional. Em janeiro, a Anvisa aprovou quatro resoluções que tratam de pesquisa, cultivo, produção e do novo ambiente regulatório para associações de pacientes, com entrada em vigor prevista para agosto deste ano.
Em Pernambuco, o tema também avançou nos últimos anos com iniciativas legislativas de autoria do deputado João Paulo: a Lei 18.124/2022, que autorizou associações de pacientes a cultivar e processar cannabis para fins medicinais, e a Lei 18.757/2024, que prevê o fornecimento gratuito de medicamentos à base de cannabis pelo Sistema Único de Saúde (SUS) estadual. Esta última ainda precisa ser regulamentada pelo Poder Executivo para que a distribuição dos medicamentos na rede pública possa ser efetivamente implantada.
Apesar dos avanços legislativos, João Paulo ressalta que ainda há desafios para que as normas se traduzam em acesso efetivo ao tratamento. “A audiência pública pretende reunir contribuições técnicas e institucionais para avançar na implementação das políticas de cannabis medicinal, garantindo segurança sanitária e ampliando o acesso de pacientes aos tratamentos”, observa o deputado.
A audiência contará ainda com representantes da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), do Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco (LAFEPE), da Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa), da Defensoria Pública do Estado, da Defensoria Pública da União e da Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB-PE).
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O ex-presidente Jair Bolsonaro voltou a apresentar um quadro de soluço, com voz fraca e aparência abatida. O relato foi feito aos jornalistas pelo seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que esteve no Hospital DF Star, em Brasília, ontem (14).
“Ontem não estava com soluços, mas hoje já estava. A aparência continua abatida. E você sente que ele não está com a voz forte, a voz normal. Está enfraquecida”, contou Flávio. “Ele, Jair Bolsonaro, não disse que estava se sentindo melhor, ele disse que estava ‘na mesma'”, acrescentou. O senador afirmou que vai aguardar a elaboração de um novo laudo médico para que os advogados do ex-presidente façam um novo pedido à justiça para cumprir prisão domiciliar. As informações são do Estadão.
Flávio ressaltou que Bolsonaro não pode ficar sem acompanhamento médico e familiar, pois há riscos de sofrer desequilíbrios e acidentes em virtude dos efeitos colaterais da sua medicação. “Ele é muito bem tratado no Batalhão. O problema é que ele dorme sozinho e passa muito tempo do dia sozinho (…) e pode sofrer acidente. Se tiver demora para atendimento, pode resultar na morte dele, isso é um fato”, argumentou.
Segundo relato de Flávio, os médicos reafirmaram que se o atendimento hospitalar inicial ao ex-presidente tivesse demorado mais uma ou duras horas, seu quadro poderia ter evoluído para uma infecção generalizada. “Isso reforça a importância de ele ter acompanhamento permanente”.
Editorial da Folha de S.Paulo
Foi abalado o pacto de silêncio tacitamente firmado nos últimos anos entre altas autoridades e a elite política do país em torno das evidências de alastramento da corrupção. A Polícia Federal, na esfera pública, e o jornalismo profissional, na sociedade, têm sido os responsáveis por fazer soar o alarme.
A esta altura, pode-se estimar o efeito da anestesia se ela ainda estivesse ativa com a sem cerimônia usada para suspender R$ 18,8 bilhões em multas da Lava Jato, Dias Toffoli teria enterrado qualquer investigação dos malfeitos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Leia maisPassaria incólume a relação multimilionária do escritório da mulher de Alexandre de Moraes com o Banco Master, bem como a comunicação do ministro do Supremo com Vorcaro horas antes de ele ser preso, e seu banco, liquidado. Público e aposentados do INSS teriam sido privados de saber do furto de R$ 6,3 bilhões por quadrilhas enquistadas no Executivo federal. Não teriam visto a luz do dia os indícios de conexão entre o desfalque e um filho do presidente da República.
Não que as tentativas de abafar os escândalos e suas repercussões tenham cessado. O ministro Gilmar Mendes anulou a quebra de sigilos, decretada pela CPI do Crime Organizado, da empresa de Dias Toffoli que recebeu pagamentos de um fundo ligado a Vorcaro.
Seu colega Flávio Dino aliviou a barra de Fabio Luis Lula da Silva ao derrubar a quebra de seus sigilos, decidida pela CPI do INSS. Não há assinatura petista no pedido de CPI para investigar Toffoli e Moraes no Senado.
Elevou-se o custo do abafa, no entanto. Com a ferida exposta, cada atitude de autoproteção de autoridades e políticos reverte em mais desgaste institucional. Abafar tornou-se quase impossível. A Polícia Federal deu mostras de independência suficientes para assegurar que as investigações vão prosseguir a despeito de haver pressão contrária nas altas esferas. A condução de André Mendonça dos dois inquéritos — Master e INSS— tampouco indica concessões à acomodação.
É uma lástima que o ânimo corporativista subjugue o republicano nessa crise grave, que pela primeira vez engolfa dois juízes da mais alta corte. A atitude correta da maioria dos ministros do STF seria favorecer investigação profunda e definitiva sobre as suspeitas, mesmo que isso implique atingir os próprios integrantes.
Esquivar-se da tarefa vai alimentar as correntes antissistema às portas da eleição nacional. E vai delegar a outros Poderes, de pendor plebiscitário, uma resposta que deveria vir embalada em diligência e equilíbrio.
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A Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara do Recife instaurou um processo administrativo contra o vereador Eduardo Moura (NOVO). Ele pode ser cassado por ter agredido moralmente o vereador Chico Kiko (PSB) durante uma sessão plenária, com gestos simulando “chifres” por trás da cabeça do colega de parlamento.
A denúncia partiu do próprio Kiko e foi acatada pela comissão. Uma subcomissão foi formada para analisar o caso (processo administrativo número 449/2026), configurando, segundo o denunciante, uma agressão moral e quebra de decoro parlamentar.

Na cara de pau, o agressor alegou ter sido uma “atitude infantil” e afirmou, em contrapartida, ter recebido ameaças de morte, apresentando também representações sobre o caso. No Conselho de Ética, presidido pelo vereador Carlos Muniz, a maioria deve se posicionar a favor da cassação.
A disputa por vagas ao Senado nas chapas do governador Elmano Rodrigues (PT) e do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) movimenta o cenário político cearense. No campo petista, a presidência estadual tenta acomodar um nome da legenda e outro de uma sigla da base para concorrerem à Casa Legislativa, mas uma definição deve ocorrer apenas entre junho e julho. Já a oposição tem como obstáculo a necessidade de destravar negociações entre o grupo de Ciro e o PL.
O governo Elmano é bem avaliado pela população, mas a ascensão de Ciro nas pesquisas de intenção de voto ao governo reforça a necessidade de fortalecimento da chapa majoritária. Para a vaga petista, são cogitados os deputados federais José Guimarães, ex-presidente da sigla, e Luizianne Lins, ex-prefeita de Fortaleza. O ministro da Educação e ex-governador Camilo Santana anunciou que deixará a pasta para se dedicar à campanha da legenda no Ceará. As informações são do jornal O Globo.
Leia maisA sigla avalia quatro outros nomes para a segunda vaga: o senador Cid Gomes (PSB), os deputados federais Eunício Oliveira (MDB) e Junior Mano (PSB), e o ex-senador Chiquinho Feitosa (Republicanos). Cid, no entanto, afirma publicamente que caso seu partido tenha só uma vaga na chapa majoritária, ela deve ser de Junior Mano.
“Vamos para a negociação na aliança pensando no projeto nacional de Lula, buscando assegurar que ele tenha maioria na Casa. Para a segunda vaga, todos os nomes discutidos têm história na política e legitimidade. Vamos considerar o alinhamento com o governo Lula para tomar a decisão”, afirma Antônio Filho, o Conin, presidente estadual do PT.
Há, no entanto, uma corrente do PT cearense que defende a escolha de uma chapa com Cid e Eunício ao Senado, visando evitar uma possível aliança dos irmãos Gomes posterior ao resultado eleitoral.
Guimarães nega a possibilidade de abrir mão da candidatura e defende ser necessário eleger senadores com compromisso com o estado e com a causa do governo Lula: “Meu nome está referendado por tudo que tenho feito no Ceará e na liderança do governo Lula”, defende.
Entrave para Ciro
No campo da oposição, o ex-deputado federal Capitão Wagner (União) lidera as pesquisas e deve emplacar a primeira vaga ao Senado na chapa de Ciro. A escolha do segundo nome passa pela negociação do ex-ministro com o PL, que foi travada em dezembro após manifestação contrária da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ela defende que a sigla apoie o senador Eduardo Girão (Novo) ao governo, e não Ciro.
O ex-ministro declarou, no início do mês, que mantém o desejo de aliança com o PL. Desde então, houve uma reaproximação. O senador e pré-candidato do PL à Presidência Flávio Bolsonaro (RJ) conversou com Ciro pelo telefone e deve ir a Fortaleza nas próximas semanas.
São cotados para a vaga no PL o deputado estadual Alcides Fernandes, pai do presidente estadual da sigla, André Fernandes, e a vereadora de Fortaleza Priscila Costa, apoiada por Michelle. Fora do PL, outro nome cotado é o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União).
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Na próxima quarta-feira (18), a partir das 8h até às 21h, o Pontão de Cultura Cabras de Lampião realiza o Seminário Dialogando Saberes, na Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina (FACAPE), em Petrolina, Sertão do Estado. A programação reúne mestres da cultura popular, pesquisadores e gestores públicos do Sertão do São Francisco para discutir tradições, processos criativos, políticas culturais e o impacto das mídias digitais nas culturas populares, além de contar com apresentações artísticas e contação de causos.
O Pontão de Cultura Cabras de Lampião tem incentivo da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), da Secretaria de Cultura de Pernambuco, da Política Nacional Aldir Blanc, do Governo de Pernambuco e do Ministério da Cultura. O seminário conta com o apoio e parceria da UPE, FACAPE, Secretaria Municipal de Cultura, Instituto Federal, UNIVASF, UNEB e Conselho de Cultura.
Confira programação:
Leia maisSEMINÁRIO DIALOGANDO SABERES
FACAPE – PETROLINA
18 de março de 2026
• Manhã
8h30 – Abertura
Mesa de abertura – Composição: UPE, FACAPE, SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA, IF, UNIVASF, UNEB E CONSELHO DE CULTURA (Breve fala dos representantes)
9h – Mesa de Diálogo com Mestres da Cultura Popular do Sertão do São Franscisco
Tema: “O processo criativo e tradições”.
Mediação: Karl Marx – Pontão de Cultura Cabras de Lampião e Professor Dr. Genivaldo Nascimento – Universidade de Pernambuco e FACAPE.
Convidados: Clênio Sandes, Contador de Causos e pesquisador (Santa Maria da Boa Vista) e Mestra Luzimar, especialista em geleia do umbu tradicional (Cabrobó).
11h – Contação de Causos com Clênio Sandes.
• Tarde
14h30 – Abertura
Mesa de Diálogo com Mestres da Cultura Popular do Sertão do São Franscisco
Tema: “Culturas Populares no Contexto das Mídias Digitais”.
Mediação: Karl Marx – Pontão de Cultura Cabras de Lampião e professor Dr. Moisés Almeida da FACAPE e da Universidade de Pernambuco.
Convidados: Romilda Sousa (artista plástica e artesã de Lagoa Grande) e Mestre Chagas Sales (Espaço Cultural e Artístico do Samba de Véio da Ilha de Massangano).
16h30 – Apresentação Samba de Véio da Ilha do Massangano.
• Noite
19 h – Abertura.
Mesa de Diálogo com Mestres da Cultura Popular do Sertão do São Franscisco
Tema: “Políticas Públicas para Mestres”.
Mediação: Anildomá Willans de Souza – Pontão de Cultura Cabras de Lampião e professor Dr. Thiago Dias – Universidade de Pernambuco.
Convidados: Mestra Maria Jacinta, Patrimônio Vivo de Pernambuco e Mestre Florêncio, com atuação em pífano, batuque e reisado (Santa Maria da Boa Vista).
21h – Apresentação da Banda de Pífano Raça Negra Boavistana.
Apresentação do Reisado de Maria Jacinta.
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A filha de Amado Batista, Lorena Batista, morreu ontem aos 46 anos. A informação foi confirmada pela família pelas redes sociais. Lorena estava internada no Hospital São Francisco, em Goiânia, e desde o ano passado lutava contra um câncer sem especificar o lugar do tumor.
Pelo Instagram, Amado Batista publicou uma homenagem à filha dizendo que a vida reserva “palcos iluminados e aplausos, mas também nos coloca diante de silêncios que parecem não ter fim”. As informações são do jornal O Globo.
“Perder a minha querida e amada Lorena é a dor mais profunda que já senti, uma música que se interrompe antes do refrão, um vazio que nem o maior dos sucessos pode preencher”, escreveu o cantor.
A família confirmou a causa da morte ao portal Leo Dias. Segundo eles, Lorena “estava em tratamento contra um neoplasia no fígado, que já estava em metástase. Infelizmente não resistiu”. Neoplasia é o termo médico usado para tumor e, que no caso de Lorena, já havia se espalhado para outras partes do corpo.
Por Italo Rocha*
O saudoso casal Hermilo Borba Filho e Leda Alves morava num dos andares mais altos do Edifício Dom João VI, no número 1353 km, na Rua dos Navegantes, em Boa Viagem. Hermilo era advogado, jornalista, escritor e teatrólogo. Leda era formada em Arte Dramática pela UFPE, foi atriz e dirigiu a Secretaria de Cultura do Recife, o Teatro Santa Isabel, a Fundarpe e a Companhia Editora de Pernambuco – Cepe.
Os dois se amavam e respiravam cultura por todos os poros. No apartamento, também vivia Maria Alves, sem parentesco com Leda. Maria era funcionária exemplar e o casal a idolatrava. Quando Neil Armstrong desceu na lua, em 20 de julho de 1969, Hermilo gritou bem alto:
— Maria, vem ver na TV o homem pisar na Lua!
Maria foi, olhou e não moveu um músculo sequer do rosto nem comentou nada.
Leia maisO tempo foi passando, chegou a década de 1970 e com ela veio um boato contagiante de que uma “perna cabeluda” estaria vagando por aí e assombrando as pessoas no Recife durante a madrugada. A cada dia, essa hoje chamada “fake news” só fazia aumentar.
Num fim de semana banal, o casal viveu uma situação mais do que inusitada. Logo após o café da manhã de um sábado de muito sol, Hermilo e Leda estavam abrindo a porta para ir à praia quando Maria apareceu na sala e fez uma exigência: eles deveriam gradear a área de serviço por dentro para evitar que a tal perna cabeluda entrasse e fizesse mal a ela. Caso esse pedido não fosse aceito, iria pedir demissão.
Os dois explicaram que essa história era mais uma invencionice da população e não existia a menor possibilidade de uma perna cabeluda ou careca andar por aí e entrar na residência das pessoas. Maria estava irredutível e não aceitou os argumentos do casal de jeito nenhum. E em seguida, deu um xeque-mate nos dois:
— Vocês acreditam que o homem foi à Lua e eu não posso acreditar que existe a perna cabeluda, né? Então, podem me dar as contas que eu vou embora agora mesmo!
Foi aquele estresse, aquele alvoroço e, nesse momento, Hermilo se rendeu e prometeu instalar o mais rápido possível a grade. Na segunda-feira, a obra teve início e em poucos dias a grade estava lá do jeito que Maria tinha exigido!
*Jornalista
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O socialista histórico e ex-prefeito de Carnaíba, Anchieta Patriota, criticou duramente o presidente estadual do PT e Deputado Estadual Carlos Veras, por sua postura junto à governadora Raquel Lyra em Tabira. “A política exige coerência. Quem defende a tese de ‘dois palanques’ no Estado, como fez o deputado Carlos Veras em entrevistas recentes, não tem autoridade para exigir palanque único no município”, disse.
E seguiu: “não dá para estender o tapete vermelho para a Governadora em Tabira e querer exclusividade no palanque de João Campos. A Frente Popular em Tabira seguirá dialogando e construindo um palanque sólido, com estreitamento de relações e foco em construções futuras”, afirmou. As informações são do Blog do Nill Júnior.
Patriota acrescentou que o grupo está e deve ser formado por forças que não têm dúvida de que lado estão. “João Campos terá, no Estado e em Tabira, uma votação grandiosa, consolidada por quem tem compromisso com o projeto da Frente Popular”, concluiu. Na cidade, João Campos buscou aliança com o ex-prefeito Dinca Brandino, depois que Flávio Marques, também do PT e aliado de Veras, sinalizou apoio à reeleição da governadora.
A discussão do PT, cujos setores têm negociado com João Campos de um lado e Raquel Lyra do outro, projetos classificados como de centro esquerda e centro direita por alguns, rendeu ao partido o apelido de “total flex”. Não são poucos os que acreditam que a definição do alinhamento estadual virá do PT nacional e do presidente Lula, dada a indefinição da legenda estadual.
Pesquisa Datafolha publicada ontem (14) mostra que a maioria dos brasileiros é favorável ao fim da escala 6×1, na qual o trabalhador trabalha seis dias seguidos e tem apenas um dia de descanso. O tema, que está sendo debatido no Congresso, ganhou força no cenário político nas últimas semanas.
De acordo com a análise, 71% dos entrevistados defende que o número máximo de dias de trabalho semanais no Brasil deveria ser reduzido, enquanto 27% afirmam que não deveria. Apenas 3% não responderam. O número mostra que o apoio à redução da jornada de trabalho cresceu em comparação ao resultado de uma pesquisa realizada entre 12 e 13 de dezembro de 2024, quando 64% disseram ser favoráveis ao fim da escala nesses moldes, enquanto 33% disseram ser contra. As informações são do jornal O Globo.
Leia maisO Datafolha fez as perguntas entre os dias 3 e 5 de março. Foram entrevistadas 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 137 municípios do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.
O fim da escala 6×1 defende uma redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução de salário. A nova escala seria de cinco dias de trabalho e dois de descanso, o que vem sendo chamado de escala 5×2.
O tema é tido como prioridade pelo governo do presidente Lula por sua potencial popularidade social — especialmente em um ano eleitoral. Em seu pronunciamento do Dia das Mulheres, Lula defendeu que redução da jornada de trabalho poderia ajudar sobretudo mulheres trabalhadoras, que muitas vezes acabam acumulando, além da jornada tradicional de trabalho, outras tarefas domésticas.
A pesquisa mostrou que as mulheres são as que mais apoiam a mudança na escala de trabalho: 77% das entrevistas se posicionaram a favor da redução, enquanto esse percentual entre os homens é de 64%. A margem de erro nesse caso é de três pontos percentuais.
O debate ganhou força após declarações públicas favoráveis de ministros, como o chefe da a Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.
A Câmara dos Deputados realizou, na última terça-feira (10), uma audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para discutir propostas sobre alteração do modelo da jornada de trabalho. A aprovação da matéria no colegiado é o primeiro passo para que o tema comece a andar no Legislativo.
Perfil dos entrevistados
A pesquisa mostra que, entre os entrevistados que trabalham até cinco dias por semana (53%) e os que trabalham seis ou até sete dias (47%), este segundo grupo é menos favorável à redução da jornada: 68% dessa fatia apoia a medida frente a 76% dos que já trabalham em uma escala menor.
O fenômeno, observa a análise, pode ser explicado porque a maior proporção de autônomos e empresários está nesse grupo (dos que têm uma jornada semanal maior). Na visão deles, trabalhar mais tempo pode significar uma renda maior.
Já entre aqueles que trabalham até cinco dias por semana há uma maior participação de funcionários públicos, para quem a duração da jornada não costuma influenciar na renda.
Entre os entrevistados, 66% trabalham até 8 horas por dia, 28% entre 8 horas e 12 horas, e 5% mais de 12 horas. Não soube responder: 1%.
Impactos e consequência na Economia
Quando questionados sobre o impacto para as empresas, os entrevistados se dividem: 39% dizem acreditar que o fim da escala 6×1 trará efeitos positivos, enquanto a mesma porcentagem acredita que terá impactos negativos.
Essa também é uma mudança em relação à pesquisa realizada em dezembro de 2024: naquela sondagem, 42% apontava efeitos negativos para as empresas.
Já quanto às consequências para a economia, 50% afirmam que o fim da escala 6×1 terá um efeito ótimo ou bom, enquanto 24% acreditam que terá um impacto ruim ou péssimo.
Quando questionados sobre os impactos para os trabalhadores, 76% dizem acreditar que a redução será ótima ou boa para a qualidade de vida. Esse índice é de 81% entre aqueles que trabalham até cinco dias por semana. Entre os que trabalham seis ou sete dias, cai para 77%.
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Por Silvino Teles Filho*
A maternidade de crianças com condições do neurodesenvolvimento ou doenças crônicas — frequentemente chamada de “maternidade atípica” — envolve demandas emocionais, financeiras e sociais significativamente maiores quando comparadas à maternidade típica. Entre as condições mais frequentemente associadas estão o Transtorno do Espectro Autista, o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, paralisia cerebral, síndromes genéticas e doenças raras. Nesse contexto, muitas mães assumem o papel central de cuidadoras, o que pode resultar em sobrecarga crônica e maior vulnerabilidade ao adoecimento mental.
A rotina de mães atípicas frequentemente inclui uma série de responsabilidades adicionais: acompanhamento em consultas médicas, terapias multiprofissionais, intervenções educacionais, além da necessidade constante de monitorar o desenvolvimento e o comportamento da criança. Essa dinâmica exige disponibilidade contínua e reduz significativamente o tempo destinado ao autocuidado, lazer e descanso.
Leia maisDo ponto de vista psicológico, essa sobrecarga prolongada pode gerar um estado de estresse crônico. A literatura em saúde mental demonstra que cuidadores de crianças com necessidades especiais apresentam níveis mais elevados de exaustão emocional, fadiga e sensação de isolamento. Diversos estudos mostram maior prevalência de transtornos psiquiátricos em mães de crianças com transtornos do neurodesenvolvimento. Entre os quadros mais frequentemente observados estão:
• Transtorno de Ansiedade Generalizada
• Transtorno Depressivo Maior
• Síndrome de Burnout
A exposição prolongada ao estresse, associada à incerteza quanto ao prognóstico da criança e às dificuldades de acesso a serviços especializados, contribui para o desenvolvimento desses transtornos. Muitas mães relatam sentimentos persistentes de culpa, medo do futuro e sensação de responsabilidade exclusiva pelo bem-estar do filho.
Além disso, existe um fenômeno descrito na literatura como “caregiver burden” (sobrecarga do cuidador), caracterizado por impacto emocional, físico e econômico decorrente do cuidado contínuo. Outro fator relevante é o impacto socioeconômico. Muitas mães precisam reduzir carga horária de trabalho ou abandonar a carreira para acompanhar o tratamento da criança. Isso pode resultar em:
• redução da renda familiar
• dependência financeira
• restrição da vida social
• aumento do estresse conjugal
A falta de redes de apoio estruturadas — tanto familiares quanto institucionais — amplifica essa vulnerabilidade. A maternidade atípica exige uma reorganização profunda da vida familiar e pessoal. Quando associada à ausência de suporte adequado, essa realidade pode resultar em sobrecarga significativa e aumento do risco de adoecimento mental. Reconhecer a vulnerabilidade dessas mães não significa questionar sua capacidade de cuidado, mas sim compreender que o cuidado de uma criança com necessidades especiais deve ser uma responsabilidade compartilhada entre família, sociedade e sistema de saúde.
A valorização da saúde mental das mães atípicas é um elemento essencial para o bem-estar de toda a família e para o desenvolvimento saudável da criança.
*Médico com Pós Graduação em Psiquiatria e Neurologia Clínica
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Não escolhi o jornalismo. Com o tempo, compreendi que o jornalismo me escolheu no momento em que nasci. Ao entrar na Unicap no início dos anos 80, para cursar Jornalismo, já tinha as mínimas noções da profissão atuando no Sertão. Meu laboratório foi o Diário de Pernambuco, meu primeiro chefe Gildson Oliveira, um potiguar que arrebatou vários prêmios Essos.
O velho DP foi minha verdadeira universidade em Afogados da Ingazeira, onde fui correspondente, com extensão depois para todo o Pajeú. Mas nos bancos escolares, mergulhei no mundo da teoria e fiz amizades duradouras. Entre os que levantaram para orgulho dos pais o diploma de Jornalismo comigo, Italo Rocha, que também dividiu a bancada da redação do DP na cobertura de assuntos urbanos e policiais.
Leia maisJá em Brasília, comemorei o ingresso dele nos quadros da Globo Nordeste. Também voltei a conviver com ele enquanto assessor do ex-governador Miguel Arraes. De vez em quando, ele escreve para este blog. Cícero Belmar, matuto como eu, vindo do Agreste, também estudou na minha turma. Atuou por muito tempo no JC, lançou livros e chegou a lecionar. Extremamente talentoso.
Alguns colegas enveredaram por assessorias de Imprensa, fizeram cursos de especialização e se deram bem. O exemplo mais bem-sucedido é Rosineide Oliveira, na coordenação de Imprensa da Compesa há mais de 30 anos. Já Rejane Modesto, depois de brilhar nos jornais de Pernambuco, se radicou na Espanha, sem notícias por onde atua no momento.
Também colaram grau comigo Jaimar Chedid e Rui Sarinho, este se especializou em cinema e rádio, tendo atuado por muito tempo no serviço de rádio do Governo do Estado. Boas lembranças ainda de Cristina Cadaval e Luciene Martins, que tratava de prima e que trabalha na Secretaria de Comunicação do Estado.
Outras boas lembranças: Liseani Morosini, hoje no Rio de Janeiro, Silze Anne, Bento Expedito e a bem-humorada e divertida Lourdes Alves. Um trio bem-sucedido ainda da minha turma: Daniele Romani, Alexandre Figueiroa e Christiane Cordeiro, esta recentemente a encontrei em Arcoverde, e que atuou na Globo. Já Dani, talentosa até na arte da pintura, conviveu comigo em Brasília na época em que eu dirigia a sucursal do DP e ela integrava a equipe de reportagem do JC.
Amizades de faculdade transformam colegas de sala em família, unindo pessoas através de estudos, perrengues e sonhos compartilhados. Essas conexões superam o tempo e a formatura, deixando memórias inesquecíveis e aprendizados para a vida toda. A gente entra sem se conhecer e sai com amigos que viram família.
E quando se consagram na profissão, dão-nos a alegria e a felicidade de compartilhar vitórias. Rosália Rangel, inesquecível colega de banco da faculdade, atuou por muito tempo na editoria de Política do JC. Não sei onde trabalha hoje, infelizmente nunca mais tive notícias dela. Regina Xavier, a baianinha de Juazeiro, que adorava Elvis Presley e se vestia de hippie, morreu precocemente. Foi casada com o jornalista Carlos Sinesio, a quem recorri para ser meu secretário adjunto de Imprensa no Governo Joaquim Francisco.
Que saudade do nosso tempo de universitário! Amizade de faculdade nos fortalece, é uma parceria na rotina, no estudo e na vida num momento de grande aprendizado. Hoje, só me resta agradecer por terem feito parte do meu percurso acadêmico e por cada conversa boa.
Conversa boa como tem meu amigo Idelfonso Fonseca, o mais teórico da turma, que trabalhou também no DP e na Rádio Clube, mas acabou se rendendo à vocação de professor. Deus também chamou muito cedo a colega Regina Lima, ex-Globo e TV Jornal, talentosíssima.
Saudades dela nas horas dos intervalos, das conversas bobas e casuais. O tempo e o amadurecimento, que chega com os cabelos brancos, nos ensina que a gente não faz amigos na faculdade, a gente reconhece-os brilhando na profissão, no mercado de trabalho. A melhor parte da faculdade não foi a matéria, foi o intervalo com os colegas.
Com o tempo, que é o senhor da razão, o contato vai ficando mais difícil, porque cada um vai cuidar da vida e dos seus propósitos, mas em pensamento estamos sempre perto, lembrando momentos inesquecíveis, de dias cinzentos de provas mais coloridas.
A faculdade de granjear amizades é de longe a mais eminente entre todas aquelas que contribuem para a sabedoria da felicidade. Nossa turma era pequena, mas bem unida, de prolongar o término das aulas nos botequins nas ruas, então pontos de agitos e boêmia em torno da Unicap.
Não dá para esquecer também professores que viraram amigos. Valdeluza Darc, que já se foi, Vera Ferraz, que dirigia o Jornalismo da Globo. Eduardo Ferreira, que por muito tempo assinou colunas no JC e DP, era um doce na aula. Continua um gentleman! E o querido Carlos Benevides, que nos levava para bebericar na sua casa no Alto da Sé, em Olinda. Tinha uma voz doce, capaz de acalmar a nossa curiosidade e incentivar o aprendizado.
A faculdade, tenho plena convicção e consciência, não é apenas um diploma, são as histórias que contamos com um sorriso no rosto anos depois. Aqueles corredores, aquele cheiro de café na biblioteca e a sensação de que o mundo estava só começando, tudo isso nos remete a um gostoso saudosismo.
Alguns colegas se foram, outros estão por aí para nos alegrar, mas esses tempos bons nunca serão encontrados novamente. Melhor viver o agora, o tempo do presente, com sabedoria e gratidão, pois tudo passa.
Li que tempo mal gasto é existência, tempo bem gasto é vida. O tempo voa sobre nós, mas deixa sua sombra. Se aqui falei também de saudade, aprendi com o grande Mário Quintana: “A saudade é o que faz as coisas pararem no tempo.”
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