Resultado de 90,67% das seções totalizadas até o momento para a presidência da República. Lula com 50,54% e Bolsonaro com 49,46%.
Resultado de 90,67% das seções totalizadas até o momento para a presidência da República. Lula com 50,54% e Bolsonaro com 49,46%.
Marqueteiro Edinho Barbosa defende união de Raquel Lyra e João Campos em prol da reeleição de Lula
Por Larissa Rodrigues – Repórter do blog
O palanque duplo em apoio à reeleição do presidente Lula (PT) em Pernambuco é quase como uma obrigação para os candidatos ao Governo do Estado, este ano. Essa é a opinião do marqueteiro em campanhas eleitorais no Brasil e no exterior, o jornalista e publicitário baiano Edson Barbosa, o Edinho.
Ele ganhou notabilidade como estrategista das eleições do ex-governador Eduardo Campos, pai do prefeito do Recife, João Campos (PSB), e foi o entrevistado de ontem (20) no podcast Direto de Brasília, comandado pelo titular deste blog em parceria com a Folha de Pernambuco.
Leia maisEdinho Barbosa disse que teve no Estado alguns dos seus mestres em ciência política, comunicação e política. “Miguel Arraes, Eduardo Campos, Fernando Lyra e Romeu Batista. Se os quatro estivessem vivos hoje, João e Raquel estariam unidos em apoio ao presidente Lula. Ofereceriam ao Brasil e ao mundo a maior vitória na reeleição do presidente Lula. Cuidariam do Estado e do Brasil juntos, mesmo ambos sendo candidatos a governador, fazendo o debate político, mas em defesa de Pernambuco”, ressaltou Barbosa.
O marqueteiro citou que os quatro políticos sempre estiveram unidos em defesa de Pernambuco e destacou não haver necessidade de confronto entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e João Campos. “Acho que pode haver um bom debate político com inteligência, ou seja, sem discutir o presidente Lula como candidato à reeleição. Lula é a vitória de Pernambuco diante do Brasil e diante do mundo. Pode ser a maior vitória político-eleitoral brasileira diante do mundo”, enfatizou.
Após a vitória do petista na reeleição, Pernambuco seria projetado economicamente, politicamente e socialmente “de maneira extraordinária”, com João ou Raquel comandando o Estado, na visão de Edinho.
Sem oposição – A reeleição de Lula (PT), inclusive, é algo irreversível e sem oposição à altura. “De um para um, não tem ninguém competitivo para encarar uma eleição contra Lula. E digo mais: não tem nenhum nome competitivo para encarar uma eleição contra Lula nem contra o Alckmin, que é o vice do Lula. O Lula é candidatíssimo à reeleição; seu campo de força está robusto e tende a crescer mais. Qual é o campo de força que vai dar sustentação a esse esfacelamento dos candidatos de direita?”, observou.
Questão de honra – A governadora Raquel Lyra (PSD) reagiu, ontem (20), ao pedido de impeachment apresentado na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), na última segunda-feira (19), pelo deputado Romero Albuquerque (UB). Ao discursar diante de 70 prefeitos e outras lideranças políticas na Assembleia Extraordinária da Amupe, a gestora afirmou que tem um legado de caráter e retidão na família e não tem nenhum receio de discutir qualquer assunto. Mas avisou: “Não se mexe com a honra de uma pessoa honrada”. As informações são do Blog Dantas Barreto.

Romero Albuquerque rebateu – O deputado Romero Albuquerque rebateu a declaração de Raquel. Segundo o parlamentar, a chefe do Executivo segue sem explicar a ausência de fiscalização à empresa de ônibus Logo Caruaruense. Em lugar de dar respostas à sociedade, na avaliação dele, ela tem preferido se esquivar ao fazer apelos emocionais. “Junto aos prefeitos, alguns de regiões afetadas pela operação irregular da Logo Caruaruense, tudo o que a governadora pediu foi para que olhassem nos olhos dela e vissem que ela é uma pessoa honrada. Ninguém está precisando de apelo emocional”, disparou.
Palavra do líder – Já o deputado estadual Cayo Albino (PSB), líder da oposição na Alepe, criticou, ontem (20), a atuação da governadora, que, na opinião dele, tem recorrido frequentemente ao Judiciário para resolver questões internas da Casa. Cayo indagou se ela tomará medidas legais contra a empresa de ônibus do seu pai, o ex-governador João Lyra Neto. Nos últimos três anos, a empresa operou sem as vistorias obrigatórias e sem o pagamento das taxas necessárias. “É preocupante que, enquanto a governadora busca judicializar assuntos da Assembleia, sua própria família esteja operando fora da lei. A EPTI, subordinada ao seu governo, também não cumpriu com a fiscalização necessária”, afirmou.

Relatoria da LOA – A Comissão de Finanças, Orçamento e Tributação da Alepe definiu, ontem (20), o deputado Antônio Coelho (União Brasil) e o deputado Diogo Moraes (PSDB), respectivamente, como relator e sub-relator do Projeto da Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026 para Pernambuco. A relatoria foi definida sem sorteio por conta de decisão regimental. O prazo para o envio de emendas está aberto e vai até o dia 27 de fevereiro. Já a votação em plenário só ocorrerá no dia 10 de março. De acordo com Coelho, presidente do colegiado, o orçamento de Pernambuco já está garantido e aprovado para áreas estruturantes, como saúde e educação.
CURTAS
Lula critica Trump – O presidente Lula (PT) afirmou, em agenda no Rio Grande do Sul, ontem (20), que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “quer governar o mundo pelo Twitter”. “No meu gabinete é proibido entrar com celular. Vocês já perceberam que o presidente Trump quer governar o mundo pelo Twitter? É fantástico. Todo dia ele fala alguma coisa e o mundo também fala uma coisa. É possível eu tratar o povo com respeito se eu não olhar na cara de vocês?”. As informações são da CNN.
Flávio x Michelle – O filho de Jair Bolsonaro (PL) pode enfrentar resistência à sua candidatura à Presidência da República se uma ala da direita achar que Michelle (PL), esposa de Jair, como vice de Tarcísio de Freitas (RP) é mais viável. O senador Flávio Bolsonaro (PL) tem tentado se cacifar, mas vai precisar convencer uma parte do próprio grupo político.
Acompanhando de perto – A prefeita de Olinda, Mirella Almeida (PSD), realizou, ontem (20), uma visita de monitoramento à Unidade de Saúde da Família (USF) Bonsucesso II, na Rua Dom Bonifácio Jansen, no Bonsucesso. A agenda integrou a rotina de acompanhamento das ações da prefeitura, com foco no fortalecimento da atenção básica e na melhoria contínua dos serviços ofertados à população.
Perguntar não ofende: Palanque duplo em PE para Lula ainda tem chance?
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Por Raíssa Ebrahim – Marco Zero Conteúdo
Spray de pimenta nos Quatro Cantos, confusão generalizada no Largo do Amparo e um folião baleado no bairro de Guadalupe. A violência, em alguns trechos do cortejo da tradicional Troça Carnavalesca Mista John Travolta, no último domingo (18), no Sítio Histórico de Olinda, é o retrato do que se repete todos os anos nas prévias de Carnaval. Porém, desta vez com um adicional: o aumento do abuso e da truculência por parte da Polícia Militar de Pernambuco, especialmente no desfile de bonecos mais populares.
Com frequência, mesmo sem qualquer motivo aparente, os “laranjinhas” — como é chamado o efetivo recém-egresso dos cursos de formação — atravessam as agremiações fazendo uma espécie de cordão e interrompendo não só a dança e a brincadeira, mas as próprias orquestras.
Leia maisQuando o desfile no boneco azul e branco de franjinha, no domingo (18), passava pelos famosos Quatro Cantos de Olinda, a PM chegou a parar o cortejo usando spray de pimenta na tentativa de conter a multidão, que cantava, em coro, “essa cidade vai tremer a galera vai suar, arrea, arrea, arrea, arrea arrea, arrea”. A substância atingiu até o maestro Oséas Leão, de 70 anos, à frente orquestra que desfila com o John Travolta, boneco reverenciado por muitas famílias e crianças.
O uso do spray de pimenta foi desproporcional, segundo observação da repórter que aqui escreve, presente em todo o desfile, e também de relatos colhidos pela reportagem. Não havia qualquer sinal de violência por parte do público naquele momento.
Um pouco mais à frente, no início da Rua do Amparo, membros da agremiação relatam que uma policial militar — que não foi identificada pela diretoria, mas se dizia no comando do efetivo — ameaçou acabar com a festa se o novo boneco não saísse da casa de Sílvio Botelho, “pai dos bonecos gigantes de Olinda”. Era um dia especial para o “Jontra”. Na comemoração de seus 47 anos, houve a apresentação do novo boneco, confeccionado por Sílvio. Mas, por questões inerentes às grandes festas carnavalescas, a homenagem aconteceu com alguns minutos de atraso.
Em vídeo ao qual a MZ teve acesso, dá para ouvir a PM gritando “porra” e “caralho” diversas vezes se dirigindo a membros da agremiação. Na sequência, ela esbraveja “se a porra do boneco novo não sair”.
Para o presidente da troça, Eraldo José Gomes, este ano houve um aumento da agressividade da corporação. E ele acrescenta: “a polícia abandonou o nosso cortejo no meio do caminho, como em 2023, e nunca termina o trabalho dela até o final do desfile. Isso dificulta o nosso trabalho com os foliões que gostam e amam o nosso John Travolta”.
Há três anos, após dois anos sem Carnaval por causa da pandemia de covid 19, músicos e foliões do John Travolta foram surpreendidos com um toque de recolher imposto pela PM encerrando o cortejo, sob ameaça de voz de prisão.

Filha do presidente Eraldo, Mayara Joanna Gomes, também da diretoria da troça, lamenta a atuação da PM no momento da troca dos bonecos, na rua do Amparo. “Eu lembro que a policial falou ‘ou bota a porra desse boneco para andar ou vou acabar com esse caralho’. Em algum momento, ela também falou ‘ou sai agora ou vai dar merda’. Não vi necessidade daquilo. Um momento que a gente esperou, que era para ser mágico e de alegria acabou se tornando um caos”, relata, frisando que houve muita agressão verbal e que o cacetete da policial terminou atingindo o bonequeiro.
“Tínhamos uma surpresa preparada para ser revelada naquele momento. Após meses de trabalho, o John ganhava, pela primeira vez, um irmão gêmeo. A missão era apresentar isso aos foliões durante o cortejo, em frente à casa de Silvio (Botelho). Houve contratempos, como acontece em qualquer manifestação popular de rua. Mas nada que justificasse o que veio a seguir”, avalia Vika Lima, que atua na troça.
“A partir daí, instalou-se o caos: pressão, ataques verbais, intimidação, medo. O clima era de completo descontrole. Em vários momentos, temi que essa policial partisse fisicamente para cima das pessoas. O que está acontecendo com a Polícia Militar? Estamos regredindo a cada dia? O mínimo respeito não está sendo garantido?”, questiona.

A agremiação publicou uma carta aberta, nesta segunda (19), em suas redes sociais, sobre os ocorridos do domingo (18).
Confira trecho da carta do John Travolta
“Repudiamos todo e qualquer tipo de violência. Seja a violência praticada por agentes da Polícia Militar, que desrespeitaram foliões, a diretoria e o nosso boneco símbolo maior da nossa festa, seja por pessoas que provocam brigas e colocam em risco quem está na rua para celebrar. Infelizmente, não foi possível encerrar o cortejo como gostaríamos. A interrupção do percurso aconteceu diante de episódios de violência ao longo do trajeto, e nos solidarizamos profundamente com a pessoa ferida, um folião presente em nossa história, que merece todo respeito e cuidado. Aproveitamos para compartilhar que a grande surpresa deste ano era a chegada do segundo boneco. Um gesto de continuidade e expansão, pensado para que o John Travolta possa alcançar ainda mais espaços.”
O final do cortejo foi bruscamente interrompido após um folião e morador do Sítio Histórico ser baleado na rua Severino Judeu Ramalho, no Guadalupe. Ele fraturou o braço com o impacto do projétil e segue hospitalizado, com quadro estável, aguardando uma cirurgia ortopédica. Em resposta à reportagem, a Polícia Militar informou que “até o momento, não há identificação de autoria”. Disse também que “o caso foi devidamente registrado e encaminhado à Polícia Civil de Pernambuco, que instaurou procedimento investigativo para apurar as circunstâncias do fato”.
O rapaz foi acolhido e protegido, durante alguns minutos, por um cordão formado por amigos e outros foliões, porque o Samu, apesar de rapidamente solicitado, não chegou. Somente após pedido do secretário-executivo de Cultura de Olinda, Alexandre Miranda, que acompanhava o desfile, é que integrantes do 1º Batalhão de Polícia Militar, já presentes no local, socorreram a vítima para a UPA de Tabajara e posteriormente encaminharam ao Hospital Miguel Arraes. Nesta terça (20), o folião ferido foi transferido para o Hospital Santo Amaro, área central do Recife.
“Poder público um passo atrás de organizar a festa”
Diretor da Troça Carnavalesca Mista Cariri Olindense, Patrimônio Vivo de Pernambuco, fundada em 1921, João Nires diz que a truculência da Polícia Militar de Pernambuco nas prévias e no Carnaval não é novidade. Mas ele percebe que o abuso “tem se intensificado no ruge-ruge na frente das orquestras”. “Qualquer coisinha a polícia já chega e já bate. Nas agremiações mais periféricas, isso tem sido uma prática constante”, diz.

“Mesmo a gente sendo os criadores, organizadores e idealizadores, a festa tem problemas sociais que não cabem a gente resolver, como o controle urbano, de trânsito e de garrafas e a violência. Esses são papéis da prefeitura e do governo do estado. Mas parece que todo ano é uma surpresa quando o Carnaval está chegando. Todo ano tem Carnaval e prévia, mas parece que o poder público sempre é pego de surpresa e está um passo atrás de organizar a festa”, opina João.
Para ele, também falta mapear e agir nas “zonas de perigo”: “há locais onde a gente sabe que vai ter problema e confusão. A gente já foge desses locais, mas só quem não vê isso é a polícia, só quem não vê isso é o Estado na hora de nos proteger. Esses e outros fatores são uma eterna ameaça para a festa”.
No domingo (18), uma pessoa também foi baleada no Recife, durante o bloco CDU na Folia, quando 20 pessoas foram detidas pela Polícia Militar na capital. No dia seguinte, o secretário de Defesa Social de Pernambuco, Alessandro Carvalho, comentou os casos do Recife e de Olinda. Segundo ele, como são eventos que reúnem muitas pessoas, “em determinados momentos, pode ser que aconteça algum tipo de ocorrência”.
“É uma festa que reúne muitas pessoas. Então, em determinados momentos, pode ser que aconteça algum tipo de ocorrência. Nós trabalhamos para prevenir ou, em ocorrendo, para que a gente dê uma resposta o mais rápido possível”, afirmou.
Quem também foi a público comentar os fatos, na segunda (19), foi o diretor de planejamento operacional da PM, coronel João Barros. Ele falou que “organizadores de eventos exercem grande influência sobre a segurança pública”. Barros garantiu que as ocorrências não tiveram relação com falta de efetivos nas ruas.
“Alguns fatos atribuídos a blocos não ocorreram, de fato, durante os desfiles. Um exemplo é o caso de uma pessoa baleada no Vasco da Gama, que aconteceu após o encerramento do bloco, quando já não havia mais foliões no local. O mesmo ocorreu em Olinda, na Joaquim Nabuco, onde o bloco já havia se encerrado. Esses casos estão sob investigação da Polícia Civil, e ainda não há autoria definida”, afirmou. Sobre Olinda, no entanto, isso não é verdade, o cortejo do John Travolta seguia ainda seu curso.
Efetivo da PM cresce sem qualidade
Folião e morador de Olinda, Igor Travassos, mostra o que mudou, na opinião dele, em relação a anos anteriores: “A diferença para os últimos anos é a quantidade. Não tem como negar que agora o efetivo aumentou, mas a qualidade não seguiu o mesmo caminho. Formam inúmeros policiais e os colocam na rua sem qualquer experiência, parece que eles foram treinados para bater independente de qualquer coisa. O que se viu, em diversos momentos, foram policiais completamente despreparados. E, se você pedisse calma ou tentasse qualquer diálogo, ouvia gritos e mais truculência. A pergunta que fica é: se nas prévias está assim, imagina durante o Carnaval?”.
“Me espanta a quantidade de efetivo policial sem qualquer inteligência. As câmeras espalhadas pelo Sítio Histórico de Olinda não deveriam ajudar o trabalho policial? Se todo final de semana tem prévias, por que os postos de observação só são colocados no carnaval?”, questiona.
E acrescenta: “Um outro ponto importante é sobre gestão urbana. Em vários momentos, o empurra-empurra, natural do Carnaval, se intensifica não por causa do frevo ou da multidão, mas por falta de ordenamento urbano, com carros estacionados em vias importantes, ambulantes parados em locais de muita movimentação sem qualquer orientação e inúmeros buracos em todo o Sítio Histórico. Na esquina das ruas José Ramalho e Orlando Silva, onde aconteceu o tumulto e os disparos, eu vi três policiais caindo seguidamente numa vala aberta. Pode parecer que não, mas tudo isso contribui para que a violência se instaure”.
Para a foliã e advogada popular Luana Varejão, somente a presença de efetivo policial não garante a segurança. “É importante o policiamento, é importante a segurança pública durante o Carnaval, mas é importante isso ser feito com estratégia, não com a polícia ficando parada, fazendo cordão de isolamento e agredindo as pessoas gratuitamente porque não podem chegar perto dela, mesmo numa situação em que todo mundo está extremamente imprensado”.
Ela defende que é possível um outro ordenamento da PM, com o efetivo estrategicamente posicionado perto das paredes e nas laterais dos desfiles, e não no meio dos blocos empurrando as pessoas com cacetete.
O que diz a Polícia Militar de Pernambuco
Em nota à Marco Zero, a PMPE informou que “as prévias carnavalescas de Olinda ocorrem desde o dia 7 de setembro, com planejamento operacional contínuo e integrado” e justificou o uso de spray de pimenta.
Confira a nota da PMPE na íntegra
A Polícia Militar de Pernambuco informa que as prévias carnavalescas de Olinda ocorrem desde o dia 7 de setembro, com planejamento operacional contínuo e integrado. Em média, cerca de 250 policiais militares são empregados por evento, com reforço aproximado de 40% no efetivo no Sítio Histórico durante o período pré-carnavalesco, ampliando a presença policial e a capacidade de resposta.
Nos fins de semana e em eventos de maior porte, a atuação proativa da PMPE resulta em intervenções e detenções relacionadas a práticas delituosas e condutas incompatíveis com a ordem pública, com encaminhamento dos envolvidos às autoridades competentes. Sobre o uso de espargidores químicos segue-se a doutrina do uso progressivo da força e é empregado de forma pontual para conter tumultos e evitar agressões mais graves, sempre de maneira escalonada e proporcional.
Sobre a ocorrência registrada no domingo (18/01), até o momento não há identificação de autoria. O caso foi devidamente registrado e encaminhado à Polícia Civil de Pernambuco, que instaurou procedimento investigativo para apurar as circunstâncias do fato. A vítima foi socorrida por uma viatura do 1º BPM para a UPA de Tabajara e, posteriormente, encaminhada ao Hospital Miguel Arraes.
A corporação, no entanto, não respondeu a alguns questionamentos da reportagem: se a policial militar que agiu com violência, segundo os relatos, foi identificada, qual seu nome e patente, o que justifica a prática dos cordões dos “laranjinhas” no meio dos desfiles e por que ela seria eficaz na avaliação da PM e, por último, por que, durante as prévias, não há, em Olinda, a instalação de postos de observação, como acontece no Carnaval.
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O cantor e compositor André Rio lançou no YouTube o clipe da música “Frevo ao Pé do Ouvido”, disponível em seu canal oficial. A produção em parceria com Luciano Magno conta com a participação especial da multiartista Maria Flor. O trabalho apresenta uma leitura mais intimista do frevo, destacando a escuta e a relação direta entre intérprete e público. Confira:
A faixa é assinada por André Rio e Luciano Magno, com letra de André Rio, que também responde pela direção musical e pelos arranjos. A produção musical, mixagem, masterização e percussões são de Vanutti Macedo. O registro conta ainda com Fábio Valois no piano, Bráulio Araújo no baixo, Rodrigo Barros na bateria e Gilberto Pontes no sax soprano. A captação foi realizada por César Maia, com pós-produção e finalização de Luigi Marchi.
Tão decisiva quanto a disputa presidencial deste ano deverá ser a eleição para o Senado Federal, onde estarão em disputa 54 mandatos, sendo duas cadeiras por cada unidade da Federação. Essa é a análise do marqueteiro Edson Barbosa, o Edinho, que prevê que a conjuntura poderá gerar muitas mudanças, sobretudo se o presidente Lula (PT) se mantiver à frente nas pesquisas de intenções de voto e com reais chances de vitória no primeiro turno.
Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, Edinho sugeriu que os principais nomes da oposição, que não pontuam tão bem nas pesquisas, podem recuar de projetos presidenciais, a exemplo dos governadores Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Eduardo Leite e Ratinho Júnior, além do próprio senador Flávio Bolsonaro, cujo mandato majoritário encerra este ano.
Leia mais“Sinceramente, eu sempre achei, em qualquer circunstância, que, não sendo o pai, o candidato era Flávio. Eles têm que segurar o roçado que têm, o que representam. Agora, o Flávio vai ter talento político expressivo, organização, capacidade de agregar para ampliar essa base que significa o clã Bolsonaro? Isso é uma pergunta. Ainda tem muita água; a velocidade vai aumentar intensamente.
“Hoje a situação é muito delicada, porque alguém combinou com o Tarcísio de que ele vai deixar São Paulo para disputar contra Lula? O Zema vai abrir mão de ter um mandato de senador para disputar, mais dificilmente, o cenário de presidente? Esse é um ponto. A eleição mais importante ou tão importante quanto a eleição de presidente da República, que, para mim, vai dar pano pra manga, é a eleição de dois terços do Senado Federal”, pontuou Edinho.
A Casa Alta, como é chamado o Senado, tem importantes atribuições, entre elas a análise de pedidos de impeachment contra o próprio presidente da República e contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além de também sabatinar nomes indicados para agências reguladoras. “São oito anos, o Senado é muito sério. Essa vai ser a grande batalha para dar estabilidade ao governo que virá; espero eu que seja um governo democrático, progressista e comprometido com a continuidade das coisas positivas que o Brasil tem construído”, completou Barbosa.
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O prefeito de Toritama, Sérgio Colin (PP), assinou, nesta terça-feira (20), a ordem de serviço para a construção de uma nova Unidade Básica de Saúde (UBS) no bairro Campo Alegre. O equipamento amplia a rede de atenção básica do município e integra os investimentos voltados à melhoria do acesso da população aos serviços públicos de saúde. A obra prevê investimento de quase R$ 2 milhões.
A unidade foi projetada para oferecer atendimento médico, odontológico e ginecológico, além de contar com salas de vacinação, curativos, medicação, acolhimento, amamentação e práticas coletivas. A estrutura também incluirá farmácia, escovário para ações de saúde bucal, sala lilás e áreas administrativas, com o objetivo de atender às demandas da comunidade e reforçar a assistência básica em Toritama.
A reeleição do presidente Lula (PT) para um quarto mandato é cristalina na visão do marqueteiro Edson Barbosa, o Edinho. Com a experiência de quem coordenou campanhas em diversos estados do Brasil, entre eles Pernambuco, e também em outros países, o profissional avalia que os nomes do campo oposicionista não terão êxito, pois não há “robustez” na sociedade para favorecer nomes como os governadores Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ratinho Júnior (PSD-PR) e Eduardo Leite (PSD-RS).
“De um para um, não tem ninguém competitivo para encarar uma eleição contra Lula. E digo mais: não tem nenhum competitivo para encarar uma eleição contra Lula nem contra o Alckmin, que é o vice do Lula. O Lula é candidatíssimo à reeleição; seu campo de força está robusto e tende a crescer mais. Qual é o campo de força que vai dar sustentação a esse esfacelamento dos candidatos de direita?”, disparou Edinho, em entrevista ao podcast Direto de Brasília.
Leia mais“Imagina o tamanho da briga dentro do União Brasil. Olha como fritaram o Ronaldo Caiado, pelos interesses do centrão. Olha a dificuldade do Eduardo de sair candidato a presidente. E o Tarcísio vai correr o risco de enfrentar um território minado desse, tendo uma possibilidade muito mais consistente de se reeleger governador de São Paulo e preparar-se com mais qualidade para disputar em 2030? Não creio. Então vai acabar rodando para enfrentar o Lula uma candidatura para cumprir tabela. É como eu vejo a preço de hoje. O que vai acontecer de fato nós sabemos, não somos futurólogos”, completou o marqueteiro.
Edinho ressaltou que o cenário atual é completamente diferente de 2018, quando Jair Bolsonaro (PL) chegou à Presidência da República. Mas reforçou que o lado petista ainda precisa de avanços na área da comunicação digital, um dos pontos responsáveis pela campanha do ex-presidente, que hoje está preso e inelegível, tendo lançado seu filho, Flávio Bolsonaro (PL), como candidato contra Lula.
“Nós ainda precisamos avançar muito e temos avançado na consciência da sociedade democrática a respeito do mundo digital, da necessidade de tratar as coisas no mundo virtual. Acho que o cenário de hoje não é o cenário de 2022, como o de 2022 não foi o cenário de 2018. Em 2018 foi um susto, uma coisa que derrubou não apenas o PT e o Lula. Os setores democráticos, mesmo os conservadores de direita, não contavam que fosse Bolsonaro, e deu Bolsonaro sobretudo por dominar de uma maneira, como os demais não se perceberam, o mundo digital, o mundo da tecnologia. Eu penso que a coisa hoje é outra, há muito mais equilíbrio no enfrentamento”, concluiu.
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta terça-feira (20) que convidou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o Conselho da Paz de Gaza.
O líder dos EUA afirmou que espera que o brasileiro tenha um “grande papel” no grupo, pontuando que gosta do petista.
De toda forma, fontes disseram à CNN Brasil que o governo federal resiste ao convite de Trump. De acordo com apuração de Caio Junqueira, a avaliação é a de que, da forma como está concebido, o grupo deixa poder excessivo nas mãos do presidente americano. As informações são da CNN.
Leia maisPresidido por Trump, o “Conselho Executivo fundador” do Conselho de Paz também inclui o enviado de política externa de Trump, Steve Witkoff, o vice-conselheiro de segurança nacional, Robert Gabriel, e o genro de Trump, Jared Kushner, bem como o empresário bilionário Marc Rowan e o diretor-geral do Banco Mundial, Ajay Banga.
Diversos países foram convidados, incluindo Argentina, Canadá, Paraguai, Turquia, Egito, entre outros.
De acordo com apuração de Gustavo Uribe, âncora da CNN Brasil, Lula deve discutir sobre o assunto com Emmanuel Macron, presidente da França. Na segunda-feira (19), um porta-voz do governo francês pontuou que o líder do país recusará o convite.
Acordo Mercosul-União Europeia
Durante a coletiva, Trump também foi questionado sobre o acordo entre Mercosul e União Europeia, assinado no dia 17 de janeiro.
Porém, ele desconversou, apenas exaltando os Estados Unidos e a situação comercial do país.
“Acho que temos um comércio como nunca tivemos antes. Estamos nos saindo melhor no comércio do que jamais estivemos. Não estamos sendo explorados por todos os países do mundo como antes. Estamos alcançando números que ninguém jamais imaginou serem possíveis. Somos mais ricos do que nunca”, disse.
“Isso se deve às tarifas e ao uso adequado delas, e também somos os mais seguros”, finalizou.
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Por Rinaldo Remígio*
Há homens cuja biografia não se impõe pelo acúmulo de cargos, mas pela densidade dos compromissos assumidos ao longo da vida. O professor José Batista da Gama insere-se nesse seleto grupo de sertanejos que fizeram da coerência um método, do serviço público uma missão e da educação um instrumento permanente de transformação social.
Sua trajetória começa antes mesmo da formação acadêmica formal. No início da década de 1970, ainda jovem, iniciou sua vida profissional como professor de Língua Portuguesa, entre 1971 e 1974, na então EMAAF. Ali já se revelava uma vocação que o acompanharia por toda a vida: ensinar com responsabilidade, formar consciências e respeitar o tempo e a realidade de cada aluno. Não era apenas o domínio do conteúdo, mas o compromisso humano com o outro que marcava sua presença em sala de aula.
Leia maisA formação em Agronomia, concluída em 1974, ampliou seus horizontes e lhe deu novos instrumentos de atuação. Como extensionista agrícola, iniciou em 1975 no município de Orocó, vivendo de perto os desafios enfrentados pelos pequenos produtores rurais. Transferido posteriormente para Belém do São Francisco, aprofundou essa experiência prática, sempre com um olhar atento à produção, à organização e, sobretudo, à dignidade do homem do campo.
Conheço o professor José Batista da Gama desde que cheguei a Petrolina. Fui apresentado a ele por seu irmão, o saudoso Juvêncio Gama, que já não está mais entre nós, mas cuja memória permanece viva pela retidão e pelos laços fraternos que construiu. Outro irmão é Jacinto Gama, casado com Sônia, irmã de minha cunhada Auxiliadora Remígio, vínculo que reforçou a proximidade e permitiu conhecer ainda melhor a dimensão humana de José Batista. Sempre muito pragmático em tudo o que faz, nunca foi homem de improvisos ou de discursos vazios. Sua trajetória familiar carrega forte simbolismo: foi o primeiro filho de uma numerosa prole a conquistar o acesso à Universidade, abrindo caminhos e servindo de referência para que outros irmãos seguissem o mesmo percurso acadêmico, numa clara demonstração de liderança silenciosa e valorização do saber como instrumento de ascensão e transformação social.
O reconhecimento pelo trabalho sério e pelos resultados concretos veio naturalmente. Promovido para atuar na Coordenadoria da antiga Emater-PE, em Afogados da Ingazeira, na área de Cooperativismo e Comercialização, consolidou sua reputação como profissional equilibrado, conhecedor da realidade regional e capaz de dialogar com agricultores, lideranças e gestores públicos. Em 1979, assumiu a função de Coordenador Regional da Emater-PE em Bonito, permanecendo até 1982. Na sequência, foi convidado a coordenar a regional de Caruaru, onde permaneceu por nove meses, ampliando sua experiência administrativa e seu conhecimento das dinâmicas do Agreste e do Sertão.
Um dos momentos mais emblemáticos de sua vida profissional ocorreu com a implantação do Convênio EMATER-PE/CODEVASF, no Projeto Senador Nilo Coelho. Convocado para coordenar o assentamento de cerca de 1.500 colonos, exerceu a função por três anos e meio, conduzindo um processo complexo de organização social, produtiva e humana. Ali, mais do que técnicas agrícolas, aplicou princípios de justiça, planejamento e respeito às famílias assentadas, deixando uma marca duradoura naquele território.
A vocação para educar nunca se afastou de sua trajetória. Como professor da então Escola Técnica Federal — hoje Instituto Federal do Sertão Pernambucano, Campus Petrolina Zona Rural — dedicou-se à formação técnica e cidadã de gerações de jovens. Para muitos, foi mais que professor: foi orientador, conselheiro e exemplo de ética profissional, sempre associando conhecimento técnico à responsabilidade social.
A entrada na vida política não foi fruto de ambição pessoal, mas de reconhecimento público. Em março de 1988, convidado pelo então prefeito Augusto Coelho para disputar uma vaga na Câmara Municipal de Petrolina, hesitou diante da responsabilidade. A resposta que ouviu — “não é cedo, é tarde” — sintetizou o sentimento de quem via em José Batista um homem preparado para servir também no Parlamento. Aceitou o desafio, foi eleito em seu primeiro mandato e iniciou uma trajetória que se estenderia por cinco legislaturas consecutivas.
Na Câmara, manteve a mesma postura que sempre o caracterizou: independência, firmeza e fidelidade às próprias convicções. Nunca foi político de recados nem de meias palavras. Seu discurso, direto e por vezes considerado duro, jamais se afastou da verdade. Atuou com atenção especial aos menos favorecidos e contribuiu decisivamente para a aprovação de projetos estruturantes em benefício do povo petrolinense. Preferiu o confronto honesto à conveniência silenciosa, entendendo a política como instrumento de serviço, e não de autopromoção.
Essa postura lhe rendeu respeito, inclusive entre adversários. Sabiam que ali estava um homem público que não se escondia atrás de discursos fáceis nem se deixava conduzir por interesses circunstanciais. No campo social, sua atuação extrapolou o mandato eletivo, participando de iniciativas comunitárias relevantes e recebendo reconhecimentos institucionais que refletiam uma vida pública exercida com discrição, equilíbrio e compromisso.
Na dimensão familiar, construiu um legado igualmente sólido. Homem de valores, pautou sua trajetória pelo respeito, pelo trabalho e pela responsabilidade social, princípios transmitidos às novas gerações. A continuidade desse engajamento manifesta-se, inclusive, na trajetória de seu filho, Wenderson Batista, o “Pé de Galo”, que também chegou à Câmara Municipal, dando sequência a uma tradição em que a política é compreendida como extensão do dever cívico.
Revisitar a vida pessoal, familiar, profissional, social e política do professor José Batista da Gama é reencontrar um Sertão que acredita no trabalho sério, na educação como base do desenvolvimento e na política exercida com verdade. Sua história não é marcada por alardes, mas por constância; não por vaidades, mas por propósito. Um exemplo de que educar, servir e fazer política com coerência continuam sendo caminhos legítimos para a construção de uma Petrolina mais justa e de um Sertão mais desenvolvido.
Professor universitário aposentado e memorialista*
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A iminente disputa eleitoral entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), deveria ser evitada. Essa é a visão do publicitário Edson Barbosa, que já atuou com os pais de ambos os políticos, os ex-governadores João Lyra Neto e Eduardo Campos, respectivamente. Para ele, os dois gestores devem se unir na defesa da reeleição do presidente Lula (PT).
“Eu tive em Pernambuco muitos mestres, como Miguel Arraes, Eduardo Campos, Fernando Lyra e Romeu Batista. Se os quatro estivessem vivos hoje, João e Raquel estariam unidos em apoio ao presidente Lula (PT), e ofereceriam ao Brasil e ao mundo a maior vitória na reeleição dele. Cuidariam do Estado e do Brasil juntos. Mesmo ambos sendo candidatos a governador, fazendo o debate político, mas em defesa de Pernambuco. Eles sempre juntaram. Eu não vejo nenhuma necessidade de um confronto entre Raquel e João”, disparou Barbosa, em entrevista ao podcast Direto de Brasília, apresentado por este blogueiro.
Leia maisAinda assim, o publicitário acredita que o confronto pode proporcionar “um bom debate político, com inteligência”, desde que o apoio de ambos ao presidente Lula não esteja em discussão. “Lula é a vitória de Pernambuco diante do Brasil e diante do mundo. Pode ser a maior vitória político-eleitoral brasileira diante do mundo. E depois da vitória de Lula, com Raquel e João fazendo o que têm feito, dentro das suas responsabilidades, projetando Pernambuco econômica, política e socialmente de uma maneira extraordinária”, concluiu.
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Por Cleber Lourenço – ICL Notícias
A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou generais condenados pela tentativa de golpe a exercerem atividades dentro das Forças Armadas como forma de remição de pena acendeu um alerta no meio militar e jurídico. Para especialistas em direito militar ouvidos pelo ICL Notícias, a medida ultrapassa o caso concreto e cria um precedente institucional que pode produzir efeito em cascata dentro das três Forças.
A preocupação se intensifica diante do pedido encaminhado pela Marinha ao STF para que o almirante Almir Garnier, ex-comandante da Força, também possa exercer atividades internas, apesar de já ter sido condenado na esfera penal. Caso a autorização seja concedida, avaliam juristas, o precedente deixará de ser excepcional e passará a alcançar Exército, Marinha e Aeronáutica, com potencial de multiplicação de pedidos semelhantes.
Leia maisNa prática cotidiana das Forças Armadas, o padrão sempre foi o oposto ao agora chancelado judicialmente. Militares condenados criminalmente costumam ser expulsos, desligados ou impedidos de retornar ao serviço. Em muitos casos, além da exclusão da tropa, perdem benefícios, aposentadoria e outras prerrogativas associadas à carreira. A lógica interna é direta: a condenação penal rompe o vínculo de confiança indispensável ao exercício da atividade militar.
Contradições
Segundo o advogado criminalista Pedro Henrique Rocha Ferreira, especialista em Direito Penal Militar, esse rigor sempre foi formalizado nos próprios regulamentos administrativos das Forças. “Os normativos que disciplinam a prestação de tarefa por tempo certo são claros: não podem ser contratados militares que tenham antecedentes criminais, que estejam sub judice ou que não apresentem conduta civil e militar irrepreensível”, afirmou.
Pedro Rocha ressalta que a contradição se torna ainda mais evidente quando se observa o tratamento dispensado aos militares temporários. “Desde a Lei nº 13.954/2019, basta que o militar temporário seja indiciado em inquérito policial ou responda a ação penal para ser automaticamente licenciado, mesmo sem condenação. Ou seja, a mera existência de investigação já impede a permanência na Força”, explicou.
Para o advogado, a autorização concedida pelo STF escancara um paradoxo jurídico. “Aquilo que a norma administrativa proíbe, a execução penal viabiliza. Se esse general estivesse em situação administrativa regular, estaria legalmente impedido de exercer exatamente a mesma atividade que hoje desempenha por força de uma autorização judicial”, disse ao ICL Notícias.
Na avaliação de Pedro Rocha, a decisão tensiona diretamente o princípio da isonomia, previsto no artigo 5º da Constituição. “Enquanto um militar temporário é afastado preventivamente apenas por responder a procedimento investigatório, um oficial-general já condenado recebe autorização para exercer atividade técnica estratégica vinculada à própria instituição. A desigualdade é evidente e não se sustenta do ponto de vista constitucional”, afirmou.
Efeito simbólico
O advogado também chama atenção para o impacto concreto da medida, independentemente da classificação jurídica adotada. “Ainda que se alegue que não se trata de contratação administrativa, o efeito simbólico e prático é inegável. O trabalho ocorre dentro de estruturas militares, envolve conteúdo sensível à doutrina da Força e tem impacto direto na produção institucional. Na prática, isso esvazia o critério de idoneidade moral que sustenta as restrições internas”, avaliou.
Para o advogado e militar da reserva Cláudio Lino, presidente do Instituto Brasileiro de Análise das Legislações Militares (IBALM), o principal risco da decisão não é apenas jurídico, mas disciplinar e psicológico.
“A tropa e a família militar não fazem essa leitura por tese jurídica; elas enxergam a mensagem prática: quando é na base, qualquer pendência disciplinar ou judicial inviabiliza permanência, contratação temporária ou reconvocação; quando é no topo, mesmo com condenação, abre-se espaço para atuar em áreas sensíveis, como doutrina e regulamentos”, afirmou.
‘Idoneidade ou o posto’
Segundo Lino, essa assimetria corrói a confiança na aplicação uniforme das regras e afeta diretamente o cotidiano da caserna.
“O militar passa a se perguntar se o critério real é a idoneidade ou o posto. Quando a confiança na regra enfraquece, enfraquece junto o que sustenta a instituição no dia a dia: previsibilidade, correção e consequência para todos”, disse.
Com base em sua experiência profissional, Lino afirma que o precedente cria condições objetivas para uma onda de judicialização. “Eu conheço casos de militares que não conseguiram entrar ou foram retirados de tarefas por tempo certo porque tinham processo judicial, inclusive na área cível. Diante desse cenário, é possível sim que militares afastados ou expulsos passem a ingressar com ações pedindo reintegração ou autorização para voltar a trabalhar”, afirmou.
Para especialistas, a tendência é que o STF passe a ser acionado para arbitrar casos individuais de retorno ou atuação de militares condenados, substituindo, na prática, os próprios mecanismos internos de controle disciplinar das Forças Armadas. Esse deslocamento compromete a previsibilidade normativa e fragiliza a autoridade institucional da caserna.
Procurados, o Exército e a Marinha não comentaram sobre como será a eventual forma de contratação dos oficiais. O STF também não se manifestou.
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Por Cristiane Ribeiro – JC
O metrô do Recife receberá um investimento de R$ 500 milhões para a sua recuperação, conforme anunciado em vistoria realizada na última sexta-feira (16) pelo ministro das Cidades, Jader Filho, em companhia com a governadora Raquel Lyra.
O engenheiro civil e presidente da Associação Brasileira de Engenheiros Civis (ABENCPE), Stênio Cuentro, participou do programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, e fez uma análise crítica sobre o anúncio e as condições atuais do sistema metroviário da capital pernambucana.
Leia maisInvestimento necessário, mas insuficiente
Para Stênio Cuentro, o investimento é positivo, mas ele questiona a falta de um plano estruturado. “Cadê o plano que levou 4 anos para ser feito e não foi feito?”, referindo-se ao detalhamento inicial do aporte anunciado.
O especialista enfatizou a importância de planos claros para aplicação dos recursos, com prioridades definidas conforme o valor disponível: “tem que ter um plano A, B e C”.
Segundo ele, do valor total de R$ 500 milhões, apenas R$ 57 mi serão destinados diretamente ao metrô, sendo o restante à compra de 100 ônibus elétricos e melhorias no sistema como um todo.
Trens seminovos são solução temporária
O anúncio incluiu a chegada de 11 trens seminovos de Belo Horizonte e Porto Alegre. Para o engenheiro, trata-se de um “presente de grego”, que serve apenas para ganhar tempo até que a concessão seja formalizada.
“Se esses trens prestassem, o próprio concessionário teria interesse em reformar e colocar em operação. São trens com diferenças técnicas, não é certeza que vão se adaptar ao nosso sistema”, disse.
Problemas estruturais e manutenção
Cuentro destacou que os principais problemas do metrô do Recife são relacionados à manutenção e à operação do sistema, mas que não é observado, até então, um problema grave de estrutura.
“Temos uma máquina de R$ 5 milhões que nivela os trilhos diariamente, mas também instalações elétricas antigas e vulnerabilidades de segurança, como pessoas acessando indevidamente a linha e roubando cabos. Mas não me parece que haja risco grave de acidentes”, explicou.
Concessão e investimentos futuros
O governo federal estima que a concessão do metrô terá prazo de 30 anos, com investimentos da União estimados em R$ 4 bilhões nos cinco primeiros anos após a assinatura do contrato.
Para Cuentro, esses recursos, caso bem aplicados, poderão modernizar efetivamente o transporte metroviário, mas somente se houver planejamento e acompanhamento técnico rigoroso.
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Se o leitor não conseguiu assistir a exibição ao vivo do podcast ‘Direto de Brasília’ com o jornalista e publicitário baiano Edson Barbosa, o Edinho, um dos maiores nomes do marketing político no Brasil, clique no link abaixo e confira. Está imperdível!
