Resultado de 1,16% das seções totalizadas até o momento para a presidência da República. Bolsonaro com 56,68% e Lula com 43,32%
Resultado de 1,16% das seções totalizadas até o momento para a presidência da República. Bolsonaro com 56,68% e Lula com 43,32%
Por Bernardo Mello Franco
Do jornal O Globo
No dia 19 de março, Ivan Valente subiu à tribuna da Câmara para pedir a cassação de deputados do PL que desviaram dinheiro de emendas. Conhecido pelo tom combativo, aproveitou para provocar os “capachos da elite”, criticar as guerras de Donald Trump e descer a lenha em Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira.
O deputado do PSOL não mencionou, mas era seu último discurso após oito mandatos em Brasília. Suplente da federação com a Rede, ele teria que devolver a cadeira à titular Marina Silva. Sem alarde, despediu-se dos aliados e avisou que não seria mais candidato. Estava encerrando a carreira parlamentar.
Leia mais“Outro dia, ouvi o Martinho da Vila dizer que saber parar é uma virtude. Eu também estou nessa”, brinca Valente, que fará 80 anos em julho. “Foi uma decisão bem pensada. A idade pesa, e a política precisa de renovação”, defende.
Em 2023, o veterano se submeteu a um transplante de rim, que o afastou da Câmara por três meses. A doadora foi sua mulher, Vera Lúcia. Perseguidos pela ditadura, os dois se conheceram na clandestinidade. Valente passou sete anos nas sombras até ser capturado em 1977, quando militava no Movimento pela Emancipação do Proletariado (MEP). Preso no DOI-Codi do Rio, apanhou no pau de arara, levou choques elétricos e ficou na geladeira, cubículo onde os presos eram confinados sem luz, água ou comida.
A tortura deixou sequelas físicas, mas não abalou suas convicções socialistas. Depois da Anistia, ele dirigiu o jornal alternativo Companheiro e ajudou a criar o PT. Elegeu-se para o primeiro mandato em 1986, como deputado estadual. Mais tarde, deixaria o partido para participar da fundação do PSOL. Tachado de radical, incorporou a palavra ao slogan de campanha.
Como outros parlamentares de sua geração, Valente andava desanimado com o Congresso. “O nível caiu muito, a mediocridade está grande. Até o convívio com os adversários já foi mais civilizado”, lamenta. “Sempre tive amigos no PSDB. Hoje a Câmara está cheia de deputados toscos, extremistas, napoleões de hospício. Com muita gente, não dá nem para conversar”.
Na quinta-feira, ele assistiu pela TV à derrubada do veto ao projeto que reduz as penas de Jair Bolsonaro e seus comparsas. “É um escárnio. Estão normalizando uma tentativa de golpe que não se consumou por um triz”, indigna-se.
O decano do PSOL prega que o governo dê um “giro à esquerda” para tentar sair da lona. “O Centrão já escolheu seu candidato. Se Lula quiser ganhar a eleição, terá que virar a chave, defender pautas que interessem aos trabalhadores e convocar a militância para voltar às ruas. A gente precisa perder o pudor de fazer o enfrentamento”, defende.
Há três anos, a Comissão de Anistia reabriu o processo de Valente, que havia sido arquivado no governo passado. Ele ouviu um pedido formal de desculpas pela tortura e recebeu indenização de R$ 332 mil pelo período em que foi impedido de trabalhar como engenheiro e professor de matemática. Na cerimônia, quebrou o protocolo e pediu para não discursar no local reservado, à direita da plateia. “Como jacobino, falo sempre pela esquerda”, justificou, arrancando risadas do público.
“Em 29 anos na Câmara, nunca usei a tribuna da direita, nem em sessão solene”, orgulha-se o agora ex-deputado. Sem mandato, ele promete continuar ativo nas redes e nas ruas. Na sexta, participou de live e bateu ponto em ato pelo Dia do Trabalhador. “Posso ficar na retaguarda, mas não vou deixar de fazer política”, promete.
Leia menos
Por Genivaldo Henrique – da Folha de Pernambuco
“Muito querido e amado por todos”. Foi assim que Ranielly Santos, 24 anos, descreveu o pai, Edvaldo Pinto dos Santos, 70, encontrado sem vida neste domingo (3). Ele estava desaparecido desde a sexta-feira (1º), quando pulou em uma enchente no bairro do Beberibe, Zona Norte do Recife, e foi arrastado por uma correnteza.
Em entrevista à Folha de Pernambuco, Ranielly informou que, além dela, Edvaldo deixa mais três filhos. Ele era conhecido no bairro por seus personagens e seu bom humor, já que atuava como palhaço e animava celebrações locais.
Leia mais“Meu pai era muito querido, muito querido mesmo, de verdade. Todo mundo gostava dele, muita gente amava ele. Ele era muito brincalhão. Tinha personagens como o palhaço ‘Pitombinha’, fazia animação em mercados, lojas… só coisas boas”, contou.
‘Foi uma brincadeira e acabou em fatalidade’
O momento em que o idoso foi arrastado pela enchente foi registrado em vídeo que circula nas redes sociais. Nas imagens, é possível ver Edvaldo pulando na água, mas sem encontrar força para retornar.
Segundo Ranielly, o pai morava sozinho e, portanto, a família não estava no local para impedir que ele pulasse. Antes de ser arrastado, inclusive, ele já havia pulado uma vez e conseguido voltar à superfície.
“Ele já tinha feito algumas vezes, algumas enchentes atrás. Ele sempre gostava de pular, fazer essas coisas no meio da vizinhança. Na sexta, ele pulou uma vez, voltou e pulou de novo. Foi uma brincadeira e acabou numa fatalidade”, disse.
Família suspeitava doença de Alzheimer
Segundo a filha, a família suspeitava que Edvaldo tinha princípio da doença de Alzheimer. A família havia, inclusive, marcado exames para o próximo dia 15 de maio, em busca de um laudo que comprovasse a efermidade para que pudessem lhe dar o tratamento devido.
“Eu estava na minha casa e ele morava sozinho. Ele nunca quis morar conosco, morava há mais de 10 anos nessa comunidade. A gente não tinha documentos para interditar ele, mas suspeitávamos da doença. Estava tudo marcado para os exames, mas infelizmente não tinha como fazer nada porque ele não queria nos ouvir. Estávamos tentando conseguir o laudo”, afirmou.
Após dias de angústia, a filha, assim como toda a família, está aliviada em finalmente ter obtido uma resposta para a angústia que sentiam.
“A gente está devastado. Não esperávamos, mas estamos aliviados porque encontramos. Estávamos muito angustiados. Graças a deus encontramos e poderemos dar a ele um enterro digno”, relatou a filha.

O que dizem os bombeiros
Procurada, a assessoria de comunicação do Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE) informou que tenta contato com as equipes de resgate e que deve trazer atualizações sobre o caso em breve. O canal segue aberto.
Leia menos
Neste domingo (3), começaram a chegar aos municípios pernambucanos afetados pelas chuvas, na Região Metropolitana do Recife (RMR) e na Mata Norte, as máquinas e os equipamentos disponibilizados pelo Governo de Pernambuco. Eles vão reforçar as ações emergenciais de abertura de estradas, retirada de lama e entulhos, além de apoiar a recuperação das áreas impactadas.
A ação acontece 24 horas após a reunião realizada ontem (2), que reuniu mais de 20 prefeitos da RMR e da Mata Norte e definiu um plano emergencial de trabalho conjunto para reduzir os efeitos das chuvas. Na ocasião, ficou estabelecida a publicação de decreto de emergência para os municípios atingidos, além da atuação conjunta das equipes técnicas do Estado e das prefeituras no mapeamento dos principais impactos e na estruturação de um plano de ação emergencial para atender às cidades afetadas.
O presidente da Amupe e prefeito de Aliança, Pedro Freitas, destacou a rapidez da resposta institucional e agradeceu à governadora Raquel Lyra pelo apoio aos municípios. “Em nome dos municípios pernambucanos, agradeço à governadora Raquel Lyra pela pronta resposta e pela disponibilização desses equipamentos, que serão fundamentais para acelerar os trabalhos emergenciais e ajudar as cidades a retomarem a normalidade o quanto antes”, afirmou Pedro Freitas.
O município de Goiana passou este domingo (3) sem registro de chuvas. De acordo com a Defesa Civil, além da ausência de precipitações ao longo do dia, também não há previsão de chuva no curto prazo. Apesar da melhora nas condições climáticas, a cidade segue em estado de atenção, com equipes mobilizadas para atender a população atingida.
As famílias continuam sendo atendidas em seis abrigos temporários, que atualmente acolhem 626 pessoas, distribuídas da seguinte forma: Manoel Borba (225 pessoas/61 famílias), IV Centenário (82 pessoas/35 famílias), Augusto Gondim (95 pessoas/43 famílias), André Vidal (95 pessoas/35 famílias), José Pinto (91 pessoas/34 famílias) e ETE (38 pessoas/25 famílias). Além desses números, o município também contabiliza 220 pessoas desalojadas.
As estruturas foram organizadas para garantir atendimento emergencial, oferecendo acolhimento, alimentação e segurança às famílias desabrigadas e desalojadas pelas chuvas. Mesmo com a redução do nível da água em algumas áreas, regiões ribeirinhas ainda permanecem alagadas, o que impede, por enquanto, o retorno seguro dos moradores às suas residências.
Um levantamento realizado por uma equipe técnica do município avaliou os prejuízos causados pelo evento climático. De acordo com os dados, cerca de 10 mil unidades habitacionais foram danificadas e cinco destruídas, além de cinco unidades públicas de ensino afetadas. O impacto mais significativo foi registrado nas obras de infraestrutura pública, com 700 estruturas danificadas e 250 destruídas, gerando prejuízos estimados em aproximadamente R$ 50 milhões. Esse tipo de infraestrutura inclui itens essenciais como ruas e estradas, pontes, sistemas de drenagem, bueiros, galerias pluviais e acessos públicos.
Caciques da política do Rio que ficaram fora das eleições de 2022 por inelegibilidade, e que resolveram pendências judiciais, preparam candidaturas neste ano na tentativa de retornar ao Legislativo. Nomes como o ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) e os ex-deputados estaduais Paulo Melo (União) e Edson Albertassi (MDB) devem concorrer aos mesmos cargos que ocupavam antes de serem alvo de investigações, posteriormente arquivadas.
O retorno às urnas, porém, ocorre em meio a dificuldades em seus antigos redutos, além da tentativa de surfar no prestígio de outros candidatos a cargos majoritários. As informações são do jornal O Globo.
Leia maisGarotinho tenta se lançar a governador, mas dirigentes do Republicanos já sinalizaram que vão priorizar uma candidatura do ex-prefeito de Miguel Pereira, André Português. Com isso, uma alternativa para Garotinho é concorrer a deputado federal, o último cargo eletivo que ocupou, até 2014.
Desde então, o ex-governador foi preso cinco vezes e sofreu condenações por improbidade administrativa na Justiça estadual, e por compra de votos, na Justiça Eleitoral, que o deixaram inelegível em 2018 e 2022. No mês passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou a condenação eleitoral, o que deixa Garotinho apto a voltar às urnas. Em 2024, ele já havia conseguido suspender os efeitos da outra sentença, por improbidade.
Caso concorra a deputado, Garotinho poderá enfrentar o próprio filho, Wladimir (PL), por uma vaga na Câmara. Ex-prefeito de Campos dos Goytacazes e hoje aliado do senador Flávio Bolsonaro, Wladimir tem tido rusgas com o pai por discordar dos ataques que ele tem feito tanto ao pré-candidato do PL ao governo, Douglas Ruas, quanto a seu rival na disputa estadual, Eduardo Paes (PSD). Procurado pelo O Globo, Garotinho não retornou os contatos.
Voto “Bolsopaes”
Outro que voltará a disputar uma eleição estadual é o ex-deputado Edson Albertassi, que ainda cumpria prisão domiciliar no pleito de 2022, em decorrência da Operação Cadeia Velha. O caso, que tramitava na Justiça Federal, foi remetido para a Justiça do Rio, que arquivou o processo em definitivo no mês passado. A decisão também beneficiou o ex-presidente da Alerj Paulo Melo, que deve concorrer, assim como Albertassi, a deputado estadual neste ano.
Em entrevista neste mês a uma rádio de Volta Redonda (RJ), Albertassi frisou que “não deve nada à Justiça”. Para concorrer à Alerj, ele busca se equilibrar entre apoios a Paes e a Flávio Bolsonaro, e lembrou ter feito algo similar em 2014, quando apoiou a candidatura presidencial de Aécio Neves (PSDB); o MDB, à época, estava coligado a Dillma Rousseff (PT).
“O alinhamento do partido no Rio é pela campanha do Bolsonaro, com os senadores também apoiados pelo PL, e com o Eduardo Paes. Quando Pezão era candidato (ao governo, em 2014), fizemos no Rio uma dissidência, que era o “Aezão”. Agora sugeri criar o “Bolsopaes”, que é a campanha do Bolsonaro com Eduardo Paes”, disse Albertassi na entrevista.
Paulo Melo, por sua vez, se prepara para fazer campanha fora de Saquarema, cidade da Região dos Lagos que sempre foi seu reduto. Em 2024, quando recuperou a elegibilidade e foi candidato a prefeito, ele teve larga desvantagem na disputa contra o grupo do também ex-prefeito Antonio Peres (PL). A avaliação na cidade é que o cenário deve se repetir neste ano, quando Peres apoiará a candidatura da ex-mulher, Manoela, ao Legislativo.
“Eu sabia que a campanha de 2024 seria difícil, mas teve a importância de mostrar para as pessoas que eu estava elegível, apesar das mentiras que falavam sobre mim”, afirma Melo.
A eleição deste ano também contará com herdeiros de personagens tradicionais da política fluminense, como os ex-deputados Marco Antônio Cabral (Solidariedade), filho do ex-governador Sérgio Cabral, e Leonardo Picciani (PV), filho do ex-deputado Jorge Picciani, falecido em 2021. Ambos deixaram o MDB para tentar um resultado melhor do que há quatro anos, quando não se elegeram à Câmara.
Leia menos
Por Leonardo Sakamoto
Do UOL
Quando interesses se unem não para governar, mas para conter investigações e evitar consequências, o problema deixa de ser um nome barrado e passa a ser a República em risco. O forno que derrubou Jorge Messias continua aceso e não falta lenha.
Sim, quem assou a candidatura do escolhido por Lula ao STF pode deixar a democracia queimar por interesses pessoais, como venho dizendo aqui desde a última quinta. A questão não é ele ter sido reprovado por currículo, mas o currículo ter sido o menos importante de tudo.
Leia maisOs protagonistas seguem por aí com a fornalha acesa pelo Banco Master. Davi Alcolumbre (com apadrinhado que entregou R$ 400 milhões da aposentadoria dos servidores públicos do Amapá para o Master queimar), Ciro Nogueira e o centrão bolsonarista (e suas relações promíscuas com os donos do banco e, por que não, os de bets), Alexandre de Moraes (e a falta de explicação plausível para o contrato de R$ 129 milhões de sua esposa com o Master), Flávio Bolsonaro (que quer instabilidade até as eleições, mas sem que lembremos que o clã do banco foi o maior doador individual de seu pai) e Daniel Vorcaro e família (o ponto de convergência onde grupos e pessoas ideologicamente distintas passam a cooperar para que o verdadeiro inquérito do fim do mundo desapareça).
Não há ideologia aqui, não há projeto de país, apenas proteção mútua. Tenho repetido feito maritaca com cãibra que as investigações do banco poderiam explodir o sistema. Cairiam pessoas ligadas ao governo Lula, mas o grande estrago seria no fisiologismo do Centrão e na direita bolsonarista.
Com isso, enterraram a CPI do Master e derrubaram vetos contra a redução da punição aos golpistas. O problema é que, quando os pizzaiolos tomam gosto pela coisa, o cardápio não para com Messias servido.
Discute-se agora como fazer outros sabores. Por exemplo, o que poda a prerrogativa presidencial de indicação de ministros ao STF, o que permite proteção a todos os envolvidos no escândalo do Master, o que tira golpistas da cadeia, o que ameaça Flávio Dino de impeachment por estar à frente do processo de moralização das emendas parlamentares, o que interfere na corrida eleitoral porque Lula resolveu não ser sócio da pizzaria.
Ou seja, a próxima coisa a sair desse forno pode ser a própria democracia, tostada por fora, vazia por dentro, servida como se ainda estivesse inteira.
O fim do jantar ainda está longe e tudo pode acontecer. Mas se a fumaça começar a sair pela chaminé, não adianta fingir surpresa. Democracias não costumam morrer de forma dramática, elas vão sendo cozidas em fogo baixo, enquanto acordos inconfessáveis garantem que ninguém mexa no recheio do outro.
Leia menos
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) mantém boa evolução clínica após a cirurgia no ombro direito, segundo boletim médico divulgado pelo Hospital DF Star neste domingo (3). O procedimento foi realizado na sexta e durou cerca de cinco horas, incluindo o pré-operatório. Ele ocorreu sem intercorrências.
De acordo com o informe do hospital, Bolsonaro segue internado após ser submetido ao procedimento de reparo artroscópico do manguito rotador. Os médicos disseram, no comunicado, que o ex-presidente mantém boa evolução clínica e com bom controle da dor. As informações são do jornal O Globo.
Leia mais“O hospital DF Star informa que o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro encontra-se internado após ser submetido a cirurgia de reparo artroscópico do manguito rotador à direita. Mantém boa evolução clínica e com bom controle da dor. Segue internado em apartamento para analgesia, medidas de prevenção de trombose e para reabilitação motora e funcional”, diz a nota.
Nas redes sociais, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também deu atualizações sobre o estado de saúde do marido. Segundo ela, Bolsonaro tem “boa evolução, com dor controlada”, mas não consegue ainda se alimentar sozinho.

A nota é assinada pelos médicos Alexandre Firmino Paniago, Claudio Birolini, Leandro Echenique, Brasil Caiado e Allisson B. Barcelos Borges. Segundo Paniago, ortopedista responsável pelo procedimento. A princípio, a alta está prevista para amanhã (4).
Bolsonaro está em prisão domiciliar desde o fim de março, após ter sido internado anteriormente para tratar uma broncopneumonia. A cirurgia no ombro foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após pedido da defesa, que apontou lesões e dores persistentes decorrentes de uma queda.
Leia menos
Por Paulo Edson Ramos*
A liberdade de imprensa não é um luxo das sociedades modernas — é um dos seus alicerces mais essenciais. Onde ela floresce, a democracia respira; onde é sufocada, o autoritarismo encontra terreno fértil para se expandir. Neste Dia Mundial da Liberdade de Imprensa é preciso refletir.
Desde o Iluminismo, pensadores já alertavam para a centralidade da livre circulação de ideias. Voltaire, frequentemente associado à defesa da tolerância, deixou uma das máximas mais lembradas do pensamento liberal: “Posso não concordar com uma palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-la.” A frase sintetiza o espírito de uma sociedade que compreende que o direito à divergência é condição básica para a liberdade.
Leia maisDa mesma forma, John Stuart Mill, em sua obra “Sobre a Liberdade”, advertia que silenciar uma opinião é “roubar a humanidade”. Para ele, mesmo ideias consideradas erradas têm valor, pois permitem o confronto, o aprimoramento e a reafirmação da verdade. Uma imprensa livre, nesse sentido, não é apenas um veículo de notícias, mas um espaço vital de debate público.
A democracia depende dessa engrenagem funcionando plenamente. Sem imprensa livre, não há fiscalização do poder, não há transparência, não há contraditório. E, sem contraditório, o poder tende ao abuso.
É justamente nesse ponto que reside o perigo latente do fascismo — não apenas como regime histórico, mas como prática social que se infiltra no cotidiano. Hannah Arendt analisou com profundidade os mecanismos do totalitarismo e alertou para sua capacidade de transformar a mentira em verdade oficial, corroendo o senso crítico da sociedade. Para ela, quando as pessoas deixam de distinguir fatos de opiniões, abre-se caminho para a manipulação em larga escala.
Esse processo, muitas vezes, não começa nos grandes palcos da política institucional. Ele se manifesta nas pequenas esferas: nas conversas de esquina, nos grupos de mensagens, nas redes sociais. Ali, discursos autoritários ganham forma, repetidos como verdades absolutas, frequentemente ancorados na figura de “grandes líderes”, cujas ideias são tratadas como inquestionáveis. O que deveria ser debate vira imposição; o que deveria ser pluralidade se transforma em intolerância.
A hostilidade à imprensa costuma ser um dos primeiros sinais desse ambiente. Jornalistas passam a ser desacreditados, veículos são atacados, a informação é substituída por versões convenientes. E, nesse cenário, prosperam as chamadas fake news — conteúdos falsos ou distorcidos que não apenas desinformam, mas também alimentam o ódio e a polarização.
Defender a liberdade de imprensa, portanto, não é defender uma classe profissional. É proteger o direito coletivo à informação de qualidade, à apuração responsável e ao contraditório. Isso exige compromisso ético também por parte dos próprios veículos e jornalistas, que devem atuar com rigor, responsabilidade e transparência.
Mas exige, sobretudo, uma postura ativa da sociedade. É preciso questionar, verificar, desconfiar do que chega pronto demais, fácil demais, alinhado demais a crenças pessoais. A liberdade de imprensa não se sustenta apenas por leis — ela depende de uma cultura democrática viva, vigilante e participativa.
Em tempos de desinformação e radicalização, o alerta é claro: silenciar vozes divergentes, atacar a imprensa ou relativizar a verdade são caminhos perigosos. A história já mostrou onde eles levam.
Defender uma imprensa livre, responsável e plural é, em última instância, defender a própria democracia — com todas as suas imperfeições, mas também com toda a sua capacidade de garantir que nenhuma verdade seja imposta à força e que nenhuma voz seja calada.
Uma democracia forte depende de informação livre, plural e confiável. Onde a imprensa é silenciada, a liberdade também é.
*Jornalista
Leia menos
Pré-candidato a presidente da República, Romeu Zema (Novo) indicou em uma entrevista que pode propor mudanças na legislação para ampliar as hipóteses em que jovens podem trabalhar no Brasil, caso seja eleito para comandar o País. Atualmente, a idade mínima é de 16 anos, que cai para 14 anos nos casos dos jovens aprendizes.
Ao comentar sobre o assunto, Zema utilizou o termo “criança” ao defender a medida. Após a repercussão, ele publicou um novo vídeo, no qual mantém o posicionamento, mas passa a utilizar o termo “adolescente” em vez de criança. As informações são do Estadão.
Leia mais“Quando eu era criança, era permitido tirar uma carteira de trabalho aos 14 anos. Infelizmente, no Brasil se criou essa ideia de que jovem não pode trabalhar. Sei que o estudo é prioritário, mas toda criança pode estar ajudando com questões simples, que estão ao alcance dela”, disse Zema no podcast Inteligência Ltda na sexta-feira, 1.º, Dia do Trabalhador.
Ele relatou que, quando era criança, ajudou o pai a contar parafusos e porcas e a embrulhar os produtos em jornal. “A esquerda criou essa noção de que trabalhar prejudica a criança. Lá fora, nos Estados Unidos, criança sai entregando jornal, recebe lá não sei quantos cents por jornal entregue, no tempo que tem. Aqui, proibido, você está escravizando criança. Mas tenho certeza que nós vamos mudar isso aí”, continuou o ex-governador de Minas Gerais.
Após a declaração ao podcast, a assessoria de imprensa do pré-candidato do Novo divulgou uma nova fala de Zema, na qual ele diz querer dar “oportunidades de trabalho” para adolescentes “No Brasil, isso já é permitido a partir dos 14 anos como aprendiz, mas precisamos ampliar essas oportunidades, com proteção e sem atrapalhar a escola”, afirmou Zema.
Segundo ele, a medida é necessária pois o trabalho digno forma caráter e disciplina e evita que os jovens ingressem no crime organizado.
Ex-diretora global de educação do Banco Mundial, Cláudia Costin vê problemas na proposta de Zema, seja ela para crianças ou para adolescentes. “A proposta vai prejudicar as crianças e vai contra a Organização Internacional do Trabalho, que diz com toda clareza que durante idade escolar obrigatória, que no Brasil é até os 17 anos, não deveria haver trabalho. A gente até admite algumas exceções, mas são raríssimas”, disse.
Costin aponta que o Brasil hoje tem um problema com adolescentes de 16 a 18 anos. A legislação permite que eles trabalhem desde que não seja em condições insalubres, perigosas ou durante a noite. Por causa dessa última limitação, muitos jovens têm se matriculado na escola noturna para trabalharem durante o dia.
“A carga horária escolar no período noturno no Brasil é até menos que as cinco horas (previstas no ensino médio regular). Acaba sendo três horas e muitas vezes não tem aula na sexta”, afirmou. “Em um mundo em que a inteligência artificial vem substituindo o trabalho num ritmo sem precedentes, esses jovens são candidatos a serem trabalhadores precarizados”, acrescentou
A especialista lembra que o Brasil enfrenta hoje uma estagnação na produtividade do trabalho, porque as gerações anteriores tinham baixa escolaridade — o acesso ao ensino fundamental só foi universalizado no início dos anos 2000.
Para combater o problema, Costin defende uma solução distinta da de Zema: aumentar o tempo que os jovens passam nas escolas. “Não vamos enfrentar problemas de aprendizagem fazendo com que as aulas de escola sejam tão baixas quanto são hoje. Muitos Estados já estão caminhando para a escola em tempo integral”, disse.
No Brasil, a idade mínima para o trabalho já foi de 12 anos conforme a Constituição de 1967, promulgada durante a ditadura militar. A partir de 1988, subiu para 14 anos e, dez anos depois, na Reforma da Previdência aprovada no governo Fernando Henrique Cardoso, chegou aos atuais 16 anos.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o País tinha 1,6 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos em situação de trabalho infantil em 2024. O trabalho infantil é caracterizado como aquele que interfere na escolarização e é prejudicial para a saúde e o desenvolvimento mental, físico, social ou moral. Desde 2016, houve queda de 21,4% de pessoas nessa situação.
Além da questão sobre o trabalho, Zema também defende a redução da maioridade penal, hoje em 18 anos, para “16 anos ou menos”, de acordo com as diretrizes do seu plano de governo que foram publicadas em um site ligado ao Partido Novo e que tem sido divulgado por sua pré-campanha.
A pré-candidata ao Senado Marília Arraes visitou, neste domingo (3), o articulador político Adilson Gomes, quadro histórico do PSB e aliado do ex-governador Miguel Arraes.
Adilson atuou nos bastidores das campanhas vitoriosas de Miguel Arraes ao Governo de Pernambuco, em 1986 e 1994, e de Eduardo Campos, em 2006 e 2010, quando integrou a coordenação no interior do estado.
Reconhecido como arraesista histórico, Adilson consolidou-se ao longo dos anos como um dos principais nomes da articulação política do PSB em Pernambuco. O encontro reforça o alinhamento de quadros históricos da Frente Popular em torno da pré-candidatura de Marília Arraes ao Senado.
Desde maio de 2025, quando recebeu do presidente Lula a missão de comandar a pasta do Ministério da Previdência Social, Wolney Queiroz iniciou um período de intenso trabalho, diálogo e entregas. “São 365 dias dos mais intensos de toda minha vida”, descreve o ministro ao completar um ano de atuação na pasta.
Em um ano, mais de 3 bilhões foram devolvidos a quem teve descontos indevidos. Com o Novo PrevBarco, 115 mil atendimentos foram levados a comunidades brasileiras. Quase 2 mil famílias com crianças vítimas do zika vírus conquistaram pensões vitalícias e 7,6 milhões de benefícios foram concedidos no país. “É o maior programa de proteção social do mundo”, ressalta Wolney.
O ministro Wolney também sancionou a lei que amplia a licença-paternidade para 20 dias, com o respectivo salário-paternidade, fortaleceu o debate da previdência no âmbito internacional, além do diálogo com os servidores. Também deu posse a 500 novos peritos médicos para melhorar o atendimento. “Eu quero cumprir o compromisso que foi assumido pelo presidente da República de zerar a fila do INSS no seu governo. E vou zerar”, assegura Wolney.
