Resultado de 23,05% das seções totalizadas até o momento para a presidência da República. Bolsonaro com 51,36% e Lula com 48,64%.
Resultado de 23,05% das seções totalizadas até o momento para a presidência da República. Bolsonaro com 51,36% e Lula com 48,64%.
A queda de parte do teto da emergência do Hospital da Polícia Militar de Pernambuco, no Derby, reacendeu críticas à situação estrutural da unidade e motivou posicionamento do deputado estadual Coronel Alberto Feitosa (PL) na tribuna da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).
O incidente ocorreu no último dia 16 e, segundo relatos, por pouco não atingiu pacientes que estavam no local. Para Feitosa, o episódio escancara um problema antigo que segue sem solução. Durante o pronunciamento, o parlamentar, que é policial militar da reserva, demonstrou indignação e apresentou registros de outros problemas estruturais no hospital, como infiltrações, novos pontos com risco de queda, elevador com fiação exposta e extintores de incêndio vencidos.
“Um local que atende bombeiros militares estar com extintores de incêndio vencidos é um completo contrassenso. É um verdadeiro absurdo”, afirmou. Além das falhas na estrutura física, o deputado também denunciou a falta de profissionais de saúde e a demora no atendimento, com consultas ambulatoriais levando meses para serem realizadas.
Feitosa destacou que os problemas não são recentes. Em maio do ano passado, uma comitiva de deputados estaduais realizou vistoria na unidade e identificou as mesmas irregularidades. Na ocasião, o Governo do Estado anunciou a liberação de R$ 60 milhões para reestruturação e reforço no atendimento, medidas que, segundo o parlamentar, parece que não saíram do papel. “Um ano depois, a situação continua praticamente a mesma. Agora, com agravante: o risco deixou de ser teórico e passou a colocar vidas em perigo”, criticou.
O deputado afirmou que irá formalizar um Pedido de Informação ao Governo do Estado, encaminhando também as imagens apresentadas na tribuna, e cobrando explicações sobre a aplicação dos recursos anunciados e as medidas adotadas até agora. Feitosa também reforçou o posicionamento em suas redes sociais.
Moradores da zona rural de Belém do São Francisco denunciam que a prefeitura estaria utilizando água retirada diretamente do Rio São Francisco para abastecimento por meio de carros-pipa, sem qualquer tipo de tratamento prévio.
Imagens enviadas a este blog mostram estruturas improvisadas de captação às margens do rio, com encanamentos expostos e sem indícios de filtragem ou desinfecção antes da distribuição à população. De acordo com um leitor que prefere não se identificar, a água estaria sendo destinada diretamente aos moradores da zona rural, o que gera preocupação quanto ao risco de doenças.
Se estivesse vivo, meu pai Gastão Cerquinha faria hoje 104 anos beijando a pedra do seu Pajeú das flores, cantinho adorável, refúgio da sua serena passagem por este planeta Terra. Fincou raizes sólidas por lá. Contrariou a canção “Último pau de arara”, resistiu a todas as tentações da busca pela sua Canaã, a terra prometida.
Era um ser humano exemplar, diferenciado. Um doce na relação com a humanidade. A todos, tratava carinhosamente de “beleza”. Indistintamente, enxergava no próximo a beleza da vida, o amor verdadeiro e cristão.
Leia maisNão gostava de celebrar aniversários. Fugia da velhice como o diabo da cruz. Conservou-se com a mentalidade jovem até a sua morte, aos 100 anos e sete meses, em novembro de 2022. Morreu de velhice, como se diz no Sertão. Foi saudável até o último suspiro.
Sofri para fazer a cabeça dele quando inventei de festejar seus 90 anos. Acabou cedendo. A festa entrou para a história. Levei meus melhores amigos para cantar os parabéns para ele em Afogados da Ingazeira, como Eduardo Monteiro, Américo Lopes, Branca Góes e tantos outros.
Agarrado a sua flor Margarida, dançou a noite inteira ao som da Super Oara, tomou até uma taça de vinho. Diferente de mamãe, grande apreciadora de vinhos — “quer vinho, venha”, dizia, brincando — papai nunca bebeu. Certa vez, tomou um gole de cerveja e reprovou. Achou amarga que nem jiló.
Também nunca fumou, mas namorou muito. Deixou uma penca de filhos neste mundo de Deus — nove ao todo — cinco homens e quatro mulheres. Adorava política. Aliás, a maior paixão da sua vida: quatro mandatos de vereador, um de vice-prefeito.
Quando iria concretizar o sonho de ser prefeito, o tombo: a traição do líder do seu grupo político se traduziu na maior frustração da sua vida pública. Papai também foi comerciante no ramo de miudezas em geral, servidor público federal dos Correios, criador de gado e caprinos.
Escreveu três livros sobre Afogados da Ingazeira e seus mais ilustres filhos, puxando o perfil dessa gente da sua memória de elefante. Papai foi, enfim, um exemplo de honestidade e dedicação, um trabalhador incansável que sempre colocou a família em primeiro lugar.
Sua força e determinação me inspiram a cada dia a ser uma pessoa melhor. De tudo que vivi ao seu lado, fica o exemplo de perseverança. Como filho, agradeço as lições do valor do amor que me ensinou. Eu sempre digo aos meus filhos que a persistência de um pai é o alicerce para o sucesso dos filhos.
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O PT começou a avaliar a ex-senadora e ex-ministra Simone Tebet (PSB) como o nome mais competitivo na chapa de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo. Por isso, vai manter em aberto a definição da segunda vaga ao Senado pelo maior tempo possível.
Tebet apresentou o melhor desempenho entre os nomes testados em cenários internos, superando outras opções avaliadas pelo partido. A leitura é de que a pessebista ampliaria o alcance da chapa junto ao eleitorado de centro — e, sobretudo, ao público feminino, considerado estratégico pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As informações são do Poder360.
Leia maisTebet já confirmou em 12 de março que iria para a disputa de uma das duas vagas na chapa de Haddad para a Casa Alta em 2026. Ela lidera as intenções de voto ao Senado. O partido intensifica articulações para ampliar alianças. A estratégia passa por atrair siglas de centro e centro-direita, como MDB, PSDB, União Brasil e PSD.
O PT mantém conversas abertas. Um dos nomes também sondados para vice de Haddad é o do ex-prefeito de Araraquara Marcelo Barbieri (PDT). Ele é citado como exemplo da tentativa de ampliar o diálogo para além da base tradicional da sigla. Mas Tebet se mostra mais forte.
A sigla também buscou interlocução com o agronegócio. A pecuarista Teresa Vendramini, conhecida como Teca, ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira, foi sondada para vice, mas recusou o convite. Apesar disso, petistas confiam que ela estará junto, de alguma forma, nessas eleições.
A indefinição sobre a segunda vaga ao Senado faz parte desse desenho ao centro. Dirigentes avaliam que manter o posto em aberto aumenta o poder de barganha e permite ajustar a composição da chapa mais adiante.
A primeira vaga ao Senado na chapa de Haddad, por sua vez, deve ficar com o ministro Márcio França (PSB). Ex-governador de São Paulo, França é visto como um nome com trânsito entre empresários e forte presença no interior do Estado. Ele também se apressou e se lançou pré-candidato à frente da colega de Esplanada, Marina Silva (Rede).
A ex-ministra segue no radar como alternativa, sobretudo pelo apelo entre eleitores mais jovens. Integrantes da campanha afirmam que ela ainda pode compor a chapa, mas admitem que sua situação se enfraqueceu depois do revés que teve com o próprio partido. O PT tentou puxá-la no imbróglio, e sua permanência na Rede acabou sendo mal vista.
A estratégia também estabelece divisão de esforços na campanha. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) tem ampliado agendas no interior paulista, enquanto Haddad deve intensificar compromissos ao seu lado em regiões metropolitanas.
A expectativa no partido é levar a definição das candidaturas até o limite do calendário eleitoral, como forma de maximizar o potencial de alianças e ajustar a chapa ao cenário político.
Integrantes da campanha também acompanham pesquisas que testam diferentes composições contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), inclusive cenários com seu atual vice, Felício Ramuth (MDB), que o governador tenta manter na chapa.
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Por Marcelo Damasceno*
Desde meados dos anos 1970, o operário de origem pernambucana, Luiz Inácio Lula da Silva, liderou no ABC paulista um movimento que pedia um cumprimento mais justo das relações trabalhistas e um horizonte mais confortável aos trabalhadores. Seu discurso inflamou as massas e nascia naquele ambiente a candidatura presidencial do político mais popular em terras brasileiras.
Como presidente, praticou uma administração nacional com programas de inclusão de massas mais pobres e um conjunto constitucional de direitos, que produziu resultados inequívocos no amparo social desde a escola gratuita, com direito a formação superior, a casa própria e saúde pública universal. Uma modernidade que rompeu preconceitos e alcançou o Brasil mais profundo.
Leia maisNesse ambiente político em transição, ainda conduzido por Lula, uma nova geração política assegura respaldo para a juventude que acaba de aterrissar em postos estratégicos e decisivos para o futuro. Nesse contexto, se revela, por exemplo, Lucas Ramos, nessa safra de altíssima sintonia com uma modernidade que preserva conceitos de justiça social.
Lucas Ramos é essa geração que recebe de Lula um reordenamento político no qual a prioridade é o ser humano. Lucas, com liderança política em Pernambuco desde 2014, exercida por meio de mandatos eletivos e funções executivas, como secretário de Ciência e Tecnologia, em pouco tempo passou a liderar, na Câmara Federal, políticas públicas estratégicas. Essas iniciativas apontam para um novo Brasil civilizado, nas concepções de trabalho e nas ofertas auspiciosas da inovação tecnológica.
Essa travessia assegura uma nova geração que vai assumir Pernambuco e o Brasil, sem expedientes autoritários ou corporativos, mas sensíveis ao conjunto de oportunidades e garantias sociais e democráticas.
*Radialista na Rádio Ponte FM
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Do Gov.br
A Diretoria-Geral de Parcerias com a Sociedade Civil marcou presença no 1º Seminário Todos por Itaparica, realizado nos dias 11 e 12 de abril em Petrolândia (PE). O evento reuniu um público de pelo menos 920 pessoas, incluindo agricultores familiares, indígenas, quilombolas, comunidades de fé, associações, cooperativas e representantes sindicais, além de gestores públicos. Representando a Secretaria Geral da Presidência, o Coordenador-Geral de Parcerias com a Sociedade Civil, Ramon Jung Pereira, acompanhou os debates voltados à superação de crises históricas que atingem a região do Sistema Itaparica, no Sertão do São Francisco.
O histórico da região remete a 1986, quando a construção da Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga (Barragem de Itaparica) inundou cerca de 83 mil hectares de terras férteis. O empreendimento exigiu o remanejamento de diversas famílias, o que alterou profundamente a dinâmica produtiva e social do território. Embora o modelo de reassentamento tenha previsto a criação de perímetros irrigados para compensar a perda das áreas agricultáveis, o processo foi marcado por lacunas diversas, como na infraestrutura hídrica e na assistência técnica, o que comprometeu a perenidade econômica dos novos núcleos habitacionais ao longo das últimas décadas.
Leia maisA programação contou com mesas de diálogo sobre a desenvolvimento e sustentabilidade regional, a gestão dos perímetros irrigados e as responsabilidades institucionais quanto aos projetos públicos do sistema. As atividades buscaram discutir formas de desenvolvimento que respeitem a realidade da região e garantam os direitos das populações atingidas.
Nesse contexto, a Diretoria de Parcerias com a Sociedade Civil conduziu a oficina “Economias plurais e alternativas econômicas a partir dos territórios” que propôs uma leitura panorâmica sobre o papel das organizações da sociedade civil e da sociedade política na expansão do fazer econômico. Foram apresentados caminhos sobre oportunidades de fomento, editais e parcerias estratégicas, utilizando o Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC) como ferramenta para oferecer suporte jurídico e viabilidade às iniciativas que emergem do próprio território.
Refletindo sobre o modelo de desenvolvimento da região, Ramon Jung Pereira destacou que Itaparica é o retrato de uma economia que historicamente excluiu os trabalhadores e os povos tradicionais. “Itaparica, infelizmente, é o retrato de um modelo de economia e desenvolvimento que não incluiu os pobres, os trabalhadores, os povos indígenas e os agricultores em seu processo. É urgente pensarmos novos modelos integrais, que incluam essas pessoas e que sejam construídos por elas, em seus próprios territórios. Um caminho fundamental nesse momento é fortalecer as parcerias com associações e cooperativas que já realizam outras economias e experiências sustentáveis no território, e o MROSC também pode ajudar nisso”, afirmou o Coordenador-Geral.
A força da mobilização popular também foi celebrada pelo Padre Luciano Aguiar, principal articulador do evento e liderança local, que ressaltou a qualidade da participação e o resgate da confiança entre a sociedade e o Estado. “O evento mostrou uma qualidade muito grande na participação. Estiveram presentes pelo menos 920 pessoas, principalmente trabalhadores e trabalhadoras, mas também a sociedade civil organizada e a sociedade política. Além dessa força na participação, o seminário apontou sinais muito importantes de retomada do diálogo e da confiança entre agricultores e governo. A Igreja tem o papel de construir pontes e o seminário fez exatamente isso”.
O seminário encerrou sinalizando frentes de trabalho prioritárias para o fortalecimento da sociedade civil da região. Além da continuidade do acompanhamento institucional por parte da DPSC, o encontro apontou a necessidade de investir em processos de formação para a elaboração de projetos e na formalização técnica das entidades locais. Essas medidas são compreendidas como passos fundamentais não apenas para o estabelecimento de novas parcerias com o Estado, mas para a própria sustentabilidade e autonomia das atividades desenvolvidas pelas organizações em seus territórios.
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Por Marcelo Tognozzi
Colunista do Poder360
Era verão na Turquia. Tempo quente em todos os sentidos naquele dia 30 de julho de 2008, uma quarta-feira. Mais de 70 milhões de turcos acompanhavam pela TV, rádio e sites de notícias o julgamento da Suprema Corte sobre o destino do Partido da Justiça e Desenvolvimento, o AKP, de Recep Tayyip Erdoğan. Os 11 juízes do Supremo turco decidiriam se cassariam Erdoğan, seu partido e mais 71 líderes políticos. Tensão total e o início de uma guerra de oito anos.
A regra era clara. Para tornar Erdoğan inelegível, fechar seu partido e banir 71 líderes da vida pública por 5 anos, eram necessários 7 votos. Dos 11 juízes do Supremo turco, seis condenaram Erdoğan e o AKP, quatro absolveram e era esperado o último e decisivo voto do presidente da Corte, Haşim Kiliç. Se votasse contra Erdoğan e seus companheiros, era real o risco de o país enveredar por um abismo institucional sem precedentes e sem volta. Kiliç poupou o AKP e seus líderes. O bom-senso venceu essa batalha.
Leia maisKiliç salvou o homem que anos depois acabaria com o que definira como excessos e abusos do Judiciário. Erdoğan e Abdullah Gül eram grandes parceiros no islamismo político turco. Enquanto o primeiro desempenhava o papel de grande tribuno com sua voz rouca e o sotaque da periferia de Istambul, populista e carismático, Gül era o oposto. Sofisticado, calculista, poliglota, um sujeito cosmopolita. Ambos começaram na política pelo Partido do Bem-Estar Islâmico, fechado pela Justiça em 1988. Fundaram outro partido, também cassado, e acabaram por criar o AKP.
E por que tanta dificuldade? Mustafá Kermal Ataturk, fundador da Turquia moderna, disseminou o secularismo, apartando Estado e religião, e os políticos islamitas foram durante décadas vistos como símbolo do atraso, porque teimavam em misturar política com religião.
Nas eleições de novembro de 2002, o AKP venceu com 34% dos votos, mas Erdoğan foi impedido de assumir, porque, em 1998, fora condenado por incitamento ao ódio religioso. Seu crime: recitar um poema no palanque. Gül assumiu como primeiro-ministro interino. Em março de 2003, a inelegibilidade de Erdoğan acabou derrubada pelo Parlamento. No dia em que tomou posse como premier, Gül foi nomeado ministro das Relações Exteriores.
Em 2007, chegou a hora de eleger um novo presidente da República. Na Turquia parlamentarista de então, o chefe de Estado era escolhido pelo Congresso, indicado pelo líder do partido vencedor. Erdoğan escolheu Abdullah Gül, seu parceiro de décadas.
A oposição entrou em pânico. Gül era muçulmano, sua mulher usava hijab, o tradicional véu islâmico, e seria a primeira-dama. Para os herdeiros de Ataturk, era inaceitável aquele símbolo do Islã ocupar o Palácio Presidencial.
O Partido Republicano do Povo, CHP, decidiu radicalizar: boicotou a votação e levou o caso à Suprema Corte, alegando ser a sessão inválida por falta de quórum. O AKP entendia que bastava 1/3 dos deputados presentes, mas o CHP insistia serem necessários ⅔, ou 367 dos 550 parlamentares, para abrir a votação e não só para eleger.
Na primeira rodada, compareceram 361 deputados. Gül obteve 357 votos. O Tribunal anulou tudo. Ficou evidente que a decisão era política e que a elite jurídica da Turquia não aceitava o resultado das urnas. Erdoğan usou seus poderes de primeiro-ministro e convocou eleições antecipadas. Ganhou com 46% dos votos e voltou ao Parlamento com mandato renovado. Gül foi eleito presidente em agosto de 2007.
Em março de 2008, o procurador-geral Abdurrahman Yalçınkaya apresentou ao Tribunal Constitucional um pedido de fechamento do AKP por “atividades antissecularistas”. A acusação citava 61 discursos de Erdoğan e 10 de Gül de quando ainda era ministro, além de outros. Os 71 líderes do partido foram encurralados e enfrentavam o risco de banimento da política por 5 anos.
Até que, naquela fatídica 4ª feira, 30 de julho, a Corte decidiu, por 1 voto, manter vivos o AKP e Erdoğan. Mas a sentença veio envenenada: 10 dos 11 juízes concordaram ter o partido se transformado “num centro de atividades antissecularistas”. Ou seja: numa trincheira política do Islã. Com isso, o AKP perdeu metade do financiamento público, coisa de US$ 20 milhões. Erdoğan, quieto, fez seu recuo estratégico.
Passados oito anos, na noite de 15 de julho de 2016, tanques bloquearam pontes em Istambul. Helicópteros militares sobrevoaram Ancara. Uma facção das Forças Armadas tentou derrubar Erdoğan. Ele apareceu na televisão pelo celular, via FaceTime, convocando os cidadãos às ruas. A tentativa de golpe de Estado foi sufocada em horas. Era o momento de dar o troco.
Na madrugada seguinte, 2.745 juízes e promotores foram presos ou suspensos. Nas semanas e meses seguintes, cerca de 4.000 integrantes do Judiciário foram demitidos por decreto de emergência, sem processo individual, sem direito de defesa, com o simples argumento de serem simpatizantes do golpe. No total, mais de 130 mil funcionários públicos foram afastados em todos os setores do poder público.
Em 2025, a imprensa descobriu que muitas das demissões foram baseadas não em provas, mas num algoritmo batizado de Fetômetro, programado para cruzar dados de comportamento e identificar supostos simpatizantes do golpe. O sistema mirava críticos do governo indiscriminadamente.
A crise no Judiciário turco provocou um estrago insolúvel, causado pela militância que contaminou a magistratura. Juízes usaram e abusaram do texto constitucional para barrar governos eleitos, anulando a eleição presidencial, quase fecharam o partido vencedor de três eleições consecutivas, além de derrubarem emendas aprovadas por larga maioria permitindo o véu islâmico nas universidades. O Judiciário abraçou a ideologia derrotada nas urnas e pagou caro.
Erdoğan impôs a reforma do Judiciário, agora vassalo do Executivo. Ele nomeia, promove e pune os juízes, controlando o que eles decidem. A lição da guerra entre Erdoğan e os juízes pode ser traduzida na simplicidade terrivelmente realista do ex-deputado mineiro Fabinho Liderança explicando o impeachment de Dilma: “Eles levaram a vaca e não deram nem um dedal de leite pra nós. Agora nós fomos lá e tomamos a vaca deles, uai”.
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Por Betânia Santana – do Blog da Folha
Em um gesto de pragmatismo político e na tentativa de mostar foco na gestão, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), afirmou ontem (24) que a relação institucional entre o Palácio do Campo das Princesas e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) transcende figuras individuais ou bandeiras partidárias.
“A parceria não acaba até porque ela é muito maior do que nós”, disse a gestora, ao lado de quatro ministros do presidente Lula, durante a abertura da 14ª edição do Governo do Brasil na Rua. A Feira da Cidadania se estende até hoje, na Escola Técnica Miguel Batista, no bairro de Macaxeira, Zona Norte do Recife.
Leia maisA declaração ocorre em um momento de especulação sobre que posição ela vai adotar nas eleições deste ano ou se vai repetir 2022 e não declarar apoio a nenhum candidato a presidente. Questionada sobre as alianças para os próximos pleitos, ela se recusou a entrar no mérito eleitoral, mantendo o foco no que chama de “união por Pernambuco”.
“A eleição vai acontecer no tempo certo, mas agora é trabalho, trabalho, trabalho e entrega”, sustentou, reiterando que a prioridade é a “bandeira de Pernambuco unida à bandeira do Brasil” para combater a desigualdade e gerar empregos.
Ministros
Estavam com a governadora,, que chegou ao evento com quase uma hora de atraso, os ministros André de Paula (Agricultura); Frederico Siqueira (Comunicação); Guilherme Boulos (Secretaria-executiva da Casa Civil); e Wolney Queiroz (Previdência Social).
Nos últimos dias, também estiveram em agenda com Raquel Lyra no estado os ministros Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional) e George Santoro (Transportes).
Entregas
Waldez Góes autorizou, na quinta-feira (16), o início das obras em dois lotes da Adutora do Agreste, para reforçar o abastecimento de água na região. Também entregou dessalinizadores para melhorar a qualidade da água em algumas localidades.
Santoro inaugurou a duplicação da BR-104, importante rodovia de acesso ao polo de confecções, também no Agreste, e representou o ministro das Cidades, Vladimir Lima, na entrega de moradias para 123 famílias em Caruaru. “Todo dia a gente faz obra junto, serviço junto, entrega junto, mas o mais importante de tudo é dizer que o que aqui nos une não é bandeira partidária, mas um sentimento muito profundo de trabalho que deve ser feito de maneira efetiva para a população que mais precisa”, enfatizou.
Raquel Lyra relembrou que o estado sofreu no passado com disputas políticas que impediam o avanço de projetos e reforçou que sua gestão buscou, desde janeiro de 2023, uma aproximação estratégica com Brasília. “Pernambuco sofreu muito com disputas que ultrapassaram o campo do palanque eleitoral e foram para o governo. Brigar com o governo federal não faz sentido algum. Precisamos de união, especialmente em um estado desigual como o nosso”, pontuou.
Segundo a governadora o presidente Lula prometeu ajudar o estado e exerce hoje um papel diferente. “Ele traz pra cá o governo do Brasil”, disse, em referência aos serviços encontrados na Feira da Cidadania. “O governo do Brasil hoje não é mais em Brasília, é no Recife. Estão aqui várias ofertas de serviço desde o BPC e INSS a serviço do governo do estado que dialogam com o governo federal, um galpão de direitos que a gente roda no estado inteiro”, informou.
Também marcaram território na abertura da Feira da Cidadania os pré-candidatos ao governo Ivan Moraes (Psol) e ao Senado a vereadora do Recife Jô Cavalcanti (Psol); a ex-deputada Marília Arraes (PDT); e o deputado federal Túlio Gadêlha (PSD). O deputado federal Pedro Campos (PSB) participou e o prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), foi representado pela secretária de Saúde, Luciana Albuquerque.
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Com aval de Lula, PT lança manifesto e convoca “mutirão” em defesa da democracia contra o bolsonarismo
Sob orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a cúpula do PT vai apresentar, no 8º Congresso do partido, neste fim de semana, o manifesto “Construindo o Futuro”, que propõe a formação de um mutirão em defesa da democracia contra o bolsonarismo. O texto também antecipa diretrizes do programa de governo e busca repetir o movimento de 22, ampliando o apoio político além da base tradicional da legenda.
“Faz-se necessário consolidar um amplo processo de concertação social que supere a fragmentação e institua um novo pacto pelo desenvolvimento nacional”, diz o manifesto, ao defender a articulação entre setor produtivo, trabalhadores e movimentos sociais.
A menos de seis meses das eleições, o partido retirou da versão final temas considerados sensíveis e priorizou pontos de convergência interna. Ficaram de fora discussões como mudanças no estatuto, guinada à esquerda e propostas mais amplas na economia.
Leia maisNo lugar, o texto destaca medidas como soberania nacional, fim da jornada 6×1, tarifa zero no transporte e fortalecimento da educação pública como política de Estado, além de reforçar o convite à formação de uma frente ampla para enfrentar a extrema direita.
“O manifesto vai dar as linhas gerais do programa, da campanha, sinalizar para a sociedade nossos compromissos e ajudar a organizar a base do PT”, afirmou o secretário de Comunicação do partido, Éden Valadares.
QG definido – Lula já definiu o quartel-general e o núcleo da campanha de 2026, com base em Brasília e coordenação de Edinho Silva. José de Filippi Júnior ficará com a tesouraria e Sérgio Gabrielli com o programa de governo. Na comunicação, atuam Sidônio Palmeira e Raul Rabelo, com Paulo Okamotto nas redes. Wellington Dias e Camilo Santana assumem a articulação nos estados.

Lealdade reafirmada – O vice-presidente Geraldo Alckmin subiu ao palco do Congresso do PT para reafirmar alinhamento com Lula, de quem será novamente vice em 2026. “A segunda é lealdade. Presidente Lula, conte conosco”, disse. Ao citar que Lula “salvou” a democracia, reforçou o discurso que o partido pretende sustentar na campanha.
Pelo voto moderado – Nos bastidores, aliados do senador Flávio Bolsonaro estruturam uma estratégia para ampliar sua aceitação no centro. A orientação é tomar alguma distância dos irmãos, especialmente Eduardo e Carlos, e evitar temas como a nomeação de um deles de cargos em um eventual governo. Também há cautela com episódios que possam reacender desgastes ligados à atuação digital do grupo, coordenado por Carlos.
Discurso conveniente – A governadora Raquel Lyra voltou a exaltar a parceria com o governo Lula durante a abertura do programa Governo do Brasil na Rua, na Escola Técnica Miguel Batista, na Macaxeira, ao lado de ministros, entre eles Guilherme Boulos, aliado de primeira hora do presidente. “A parceria não acaba até porque ela é muito maior do que nós”, disse. Questionada sobre que palanque abraçará na eleição, desconversou: “Agora é trabalho, trabalho, trabalho”.

Se fez de desentendida? – Raquel afirmou não ter conhecimento do outdoor na Região Metropolitana do Recife que a coloca ao lado do senador Flávio Bolsonaro e do ex-ministro Gilson Machado, em peça divulgada como homenagem ao parlamentar. “Não estou sabendo disso”, disse, ao ser questionada durante agenda pública no Recife. A peça também traz a imagem do ex-prefeito de Paulista Nena Cabral, apontado como responsável pelo material.
CURTAS
Gilmar mantém inquérito – O ministro Gilmar Mendes afirmou que o Brasil vive um “estágio de paz política” graças ao inquérito das fake news e indicou que a investigação não deve ser encerrada antes das eleições de 2026. Para ele, a medida funciona como instrumento de proteção institucional em períodos de pressão sobre o Supremo.
Reação no Congresso – A fala de Gilmar provocou reação no Congresso. O senador Alessandro Vieira classificou o ministro como “ator político” e disse que sua atuação representa “desserviço” à Justiça. O episódio amplia o embate entre Judiciário e Legislativo em torno da atuação do STF.
Mais um retrocesso – O governo Donald Trump anunciou a retomada do pelotão de fuzilamento como método de execução federal, ao lado da injeção letal, em uma revisão da política de pena de morte. A medida faz parte de um pacote para acelerar execuções e ampliar os métodos disponíveis diante da dificuldade de obtenção de drogas letais.
Perguntar não ofende: Afinal, até quando Raquel vai conseguir se equilibrar entre as duas frentes?
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A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favoravelmente ao pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para realização de uma cirurgia no ombro direito. Em manifestação enviada ao relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que não vê impedimentos para a autorização do procedimento.
O pedido foi apresentado pela defesa de Bolsonaro, que pretende realizar a cirurgia entre os dias 24 e 25 de abril. O procedimento poderá ocorrer em outra data, tendo em vista que depende de autorização de Moraes. As informações são do jornal O GLOBO.
Segundo os documentos médicos anexados ao processo, o ex-presidente apresenta lesões no ombro direito que demandam intervenção cirúrgica para reparação do manguito rotador e de estruturas associadas.
Leia maisDe acordo com a manifestação da PGR, os relatórios médicos indicam que Bolsonaro sofre de dores recorrentes e intermitentes, tanto em repouso quanto durante movimentos do braço direito. Diante desse quadro, o órgão concluiu que não há óbice ao atendimento do pedido.
“A Procuradoria-Geral da República não se opõe aos pedidos formulados”, escreveu Gonet na manifestação apresentada nesta sexta-feira ao STF, ressaltando que a autorização pode ocorrer sem prejuízo da adoção de eventuais medidas cautelares consideradas necessárias pelo relator. A decisão caberá a Moraes.
O ex-presidente cumpre prisão domiciliar temporária autorizada por Moraes desde o final de março após duas semanas internado no hospital DF Star, em Brasília, para tratar uma broncopneumonia.
Relatório médico de 14 de abril indica a necessidade de procedimento cirúrgico para reparação de estruturas afetadas. O documento também afirma que o ex-presidente está apto para a realização da cirurgia.
Na solicitação, a defesa sustenta que o procedimento tem caráter “estritamente humanitário e sanitário”, com o objetivo de preservar a integridade física, a funcionalidade do membro, a qualidade de vida e a dignidade do paciente. Os advogados argumentam que a manutenção do quadro clínico pode representar restrição ao direito fundamental à saúde.
O pedido inclui autorização para todos os atos relacionados ao tratamento, como etapas pré-operatórias, internação, cirurgia, pós-operatório e reabilitação. A defesa também solicita que o procedimento seja realizado nos dias 24 ou 25 de abril.
A rotina de Bolsonaro em casa inclui acompanhamento médico frequente e um acirramento da tensão entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e os filhos do ex-mandatário, em um momento em que o acesso a ele está restrito, como mostrou O GLOBO.
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A Prefeitura de Bom Jardim autorizou a contratação de operação de crédito de até R$ 46 milhões junto à Caixa Econômica Federal, por meio do programa Finisa. A medida consta na Lei Municipal nº 1.269/2026, publicada no Diário dos Municípios da Amupe nesta sexta-feira (24), e destina os recursos a despesas de capital, como execução de obras, elaboração de projetos, contratação de serviços e aquisição de equipamentos e materiais. Com informações do Portal da Cidade Surubim.
De acordo com a legislação, o financiamento poderá ser contratado com ou sem garantia da União. Em caso de aval federal, o município poderá oferecer receitas como contragarantia; sem essa garantia, poderão ser vinculadas receitas próprias, como transferências constitucionais. A lei também prevê a inclusão dos valores no orçamento municipal e a abertura de créditos adicionais para cobrir amortizações e encargos. O texto foi aprovado pela Câmara e sancionado pelo prefeito Arsênio Medeiros de Oliveira em 22 de abril.
O presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, deputado Álvaro Porto, recebeu, nesta sexta-feira (24), apoio político de lideranças do município de Pombos para seu projeto de reeleição. Entre os apoiadores estão o médico e ex-prefeito Dr. Marcos, além de vereadores, ex-parlamentares e representantes de entidades locais.
Também declararam apoio a pré-candidata a vereadora Lucinha da Maternidade, o vereador Naninho de Baé, o ex-vereador Marcos de Porteiras, o ex-secretário de Agricultura Jairo de Lima e a presidente da Associação Mães de Anjos Azuis, Andréia Silva. As articulações contaram ainda com a participação do gestor público Alberes Lopes.
Segundo Álvaro Porto, o apoio amplia a interlocução com o município. “Temos trabalhado, desde o primeiro mandato, em favor da Mata, do Agreste, do Sertão, do Grande Recife e com Pombos não será diferente”, afirmou. “Nosso compromisso é seguir dialogando para conhecer as demandas da população e contribuir com o desenvolvimento do município”, completou.
