Resultado de 23,05% das seções totalizadas até o momento para a presidência da República. Bolsonaro com 51,36% e Lula com 48,64%.
Resultado de 23,05% das seções totalizadas até o momento para a presidência da República. Bolsonaro com 51,36% e Lula com 48,64%.
Por Estadão Conteúdo
Os três pré-candidatos do PSD à Presidência da República — os governadores Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), Ratinho Júnior (Paraná) e Ronaldo Caiado (Goiás) — defenderam, ontem (6), maior responsabilidade fiscal nas contas públicas e criticaram a proposta do governo federal de extinguir a escala de trabalho 6×1. Eles participaram de um evento promovido pela Fundação Espaço Democrático no Clube Atlético Monte Líbano, na capital paulista.
Na ocasião, também ocorreram as filiações ao PSD dos deputados estaduais paulistas Analice Fernandes, Barros Munhoz, Carlão Pignatari e Rogério Nogueira, que deixam o PSDB; Dirceu Dalben, que estava no Cidadania; e Márcio Nakashima, egresso do PDT. O ato foi conduzido pelo presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab. Também participou do evento a senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), que deve disputar uma vaga de deputada estadual neste ano.
Leia maisAo longo do evento, os governadores debateram vários temas. Um deles foram os programas sociais do governo federal e o fim da escala 6×1, aposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o ano eleitoral.
Caiado e Leite criticaram a condução do processo pelo petismo, e Ratinho Jr. não falou diretamente, mas abordou o impacto da jornada de trabalho entre os mais jovens — segundo ele, desalentados com o atual governo.
“É o tema tipicamente petista. Eles não têm orçamento e não mostram qual vai ser a capacidade orçamentária de arcar com isso”, disse Caiado. “Nós precisamos ouvir pessoas capazes, consistentes, reconhecidas de toda essa economia nacional, para nós podermos dizer quais serão as consequências de um populismo como esse.”
Caiado também criticou Lula diretamente, afirmando que desde a primeira campanha presidencial, em 1989, o partido promete acabar com a pobreza no Brasil. Segundo ele, após cerca de 20 anos no poder, o discurso continua sendo repetido todos os anos, sem que a pobreza tenha sido erradicada no País.
Leite reconheceu que programas sociais são necessários para corrigir desigualdades já existentes, mas defendeu que o foco das políticas públicas deve estar na promoção da igualdade de oportunidades. Segundo o governador, enquanto o Brasil gastou mais de R$ 400 bilhões com programas sociais, destinou cerca de R$ 1 trilhão ao pagamento de juros no ano passado.
Para ele, isso demonstra que a “irresponsabilidade fiscal tem um custo elevado” para toda a sociedade. Ele também foi crítico ao projeto do fim da escala 6×1.
“Antes de falar sobre ajustes na carga tributária ou na jornada de trabalho, nós precisamos ganhar produtividade”, disse o governador gaúcho. “Se um país que não tem capacidade produtiva comparável a outros países no mundo ousa dar esse passo de maneira demagógica, a gente vai para um caminho de suicídio econômico.”
Apesar de não mencionar diretamente o tema, Ratinho Jr. comparou a máquina pública atual a “um grande elefante pesado, lento e que come demais”. Ele questionou a necessidade de o Brasil ter 38 ministérios. Segundo ele, muitas pessoas não saberiam sequer listar quais são essas pastas ou quem são os ministros que as comandam. “Todo dia, ou quase toda semana, todos os anos, a gente vê aumento de imposto e aumento da máquina pública”, disse o chefe do Executivo paranaense.
Durante o evento, ambos também defenderam privatizações e elogiaram a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, do deputado federal Mendonça Filho (União Brasil-PE), que alterou a proposição inicial do governo federal.
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A morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, 43 anos, tem sido marcada pela falta de informações sobre o que aconteceu. Conhecido pelo apelido de Sicário, ele trabalhava para Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e havia sido preso na quarta-feira (4), durante a 3ª fase da operação Compliance Zero. Teve sua morte oficialmente divulgada ontem (6) por sua defesa.
Sicário estava sob custódia na Superintendência Regional da Polícia Federal em Minas Gerais quando, de acordo com a corporação, “atentou contra a própria vida“. Em nota divulgada às 16h55 de quarta-feira (4), a PF informou que ele foi levado a um hospital, mas não deu detalhes do episódio. As informações são do Poder360.
Leia maisAinda na última quarta-feira (4), relatos de morte cerebral de Sicário passaram a ser divulgados. Eis o que diziam os envolvidos:
• Polícia Federal – informou às 22h da quarta-feira (4) que não confirmava as notícias sobre a morte do funcionário de Vorcaro;
• Defesa de Sicário – disse que o estado de saúde de Luiz Phillipi Mourão era grave e negou que havia sido constatada a morte cerebral, mas que houve um “desencontro” de informações;
• Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais – declarou que não divulgaria informações: “A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), em consonância com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), informa que, em conformidade à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), não pode disponibilizar qualquer dado individualizado que diz respeito à privacidade do paciente”.
“A condição clínica não é indicativa da abertura do protocolo. Essa abertura do protocolo depende da manifestação clínica, da evolução para pior, não se chegou ainda a esse momento. Espero que não se chegue, mas os médicos ainda não têm, de acordo com a literatura médica, condição de abrir esse protocolo, dar início a esse protocolo de morte encefálica”, declarou o advogado Robson Lucas da Silva.
Quem é o “Sicário”
Luiz Phillipi Mourão integrava o “núcleo de intimidação” de adversários e opositores de Vorcaro, segundo a Polícia Federal. Na decisão que autorizou a operação da última quarta-feira (4), o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo, cita duas conversas entre ele e o banqueiro que podem ser interpretadas como intimidação:
• ameaça contra jornalista – Vorcaro fala sobre Lauro Jardim, que trabalha no jornal O Globo, e afirma que “tinha que colocar gente seguindo esse cara pra pegar tudo dele”. O Sicário responde: “Vou fazer isto”. Depois, o banqueiro declara ter vontade de “dar um pau” no profissional;
• ameaça contra empregada – em outra conversa, Vorcaro diz ter sido ameaçado por uma empregada e afirma que “tem que moer essa vagabunda”. O Sicário pergunta o que é para fazer. O banqueiro então diz: “Puxa endereço tudo”.
Eis o que diz o despacho de Mendonça sobre Luiz Phillipi:
• tinha relação direta com Vorcaro;
• recebia R$ 1 milhão por mês por seus “serviços ilícitos” – o valor era pago por intermédio de Fabiano Zettel, também preso na operação de quarta-feira (4);
• era responsável pela obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e “neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado”;
• há indícios de que ele acessava e colhia dados de sistemas restritos de órgãos públicos;
• era quem coordenava o grupo conhecido como A Turma, responsável por intimidar as pessoas.
Leia a íntegra aqui da decisão de Mendonça.
O apelido sicário vem do latim sicarius — sica é uma pequena adaga ou punhal. De acordo com a Agência Pública, o general romano Lúcio Cornéio Sula (138-78 a.C.) usou o termo ao promulgar uma lei para punir principalmente assassinos de aluguel — a Lex Cornelia de Sicariis et Veneficiis.
Atualmente, o termo é associado a um matador de aluguel. No caso do México, por exemplo, costuma ser usado como uma referência a assassinos contratados por cartéis de drogas do país. Também ganhou popularidade com o filme “Sicario: Terra de Ninguém“, dirigido por Denis Villeneuve e protagonizado por Benicio Del Toro.
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O gabinete do ministro Alexandre de Moraes afirmou, em nota divulgada ontem (6), que as mensagens de visualização única enviadas por Daniel Vorcaro em 17 de novembro de 2025 não teriam sido trocadas com o ministro, pois os dados de contato não bateriam com o número de telefone de Moraes.
Nota foi divulgada após jornal O Globo revelar trocas de mensagens entre banqueiro e ministro. Segundo reportagem do jornal, Vorcaro e o ministro teriam se comunicado por mensagens de visualização única no WhatsApp no dia da prisão do banqueiro na primeira fase da Operação Compliance Zero, em 17 de novembro do ano passado. Em nota divulgada pela assessoria de imprensa do STF, o gabinete do ministro afirma que ele não teria sido o destinatário das mensagens. As informações são do UOL.
Leia maisNa nota, o STF afirma que fez uma “análise técnica”, mas não explica quem fez nem quais os parâmetros. Também não comenta como o gabinete do ministro teve acesso ao material, que está sob sigilo no Congresso Nacional.
Episódio revelado pelo jornal ampliou a pressão sobre o STF. Segundo a reportagem, ministro e banqueiro teriam se utilizado de um mecanismo que impede a recuperação da conversa. Ele e Vorcaro teriam escrito o texto em bloco de notas e compartilhado como imagem de visualização única. Parte das anotações de Vorcaro, porém, foram recuperadas.
Ao todo, o jornal divulgou nove mensagens que teriam sido enviadas por Vorcaro a Moraes. A investigação da PF aponta que o banqueiro teria tido acesso a inquérito contra ele que tramitava na Justiça Federal em Brasília no ano passado. Mensagens reveladas pelo Globo indicam que ele teria conversado com Moraes sobre a tentativa de salvar o Banco Master, liquidado pelo Banco Central após a primeira fase da Compliance Zero.
Segundo O Globo, mensagens indicariam que banqueiro tentou impedir que ordem de prisão contra ele fosse cumprida. “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”, escreveu o banqueiro, horas antes de ser preso ao tentar embarcar para Dubai no ano passado. Reportagem diz ter confirmado que contato telefônico seria do ministro, o que o STF nega.
Confira nota na íntegra:
“No conteúdo extraído do celular do executivo pelos investigadores, os prints dessas mensagens enviadas por Vorcaro estão vinculadas a pastas de outras pessoas de sua lista de contatos e não constam como direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes.
Análise técnica realizada nos dados telemáticos de Daniel Vorcaro, tornados públicos pela CPMI do INSS, constatou que as mensagens de visualização única enviadas por ele no dia 17 de novembro de 2025 não conferem com os contatos do ministro Alexandre de Moraes nos arquivos apreendidos.
A mensagem e o respectivo contato estão na mesma pasta do computador de quem fez os prints (Vorcaro). Ou seja, fica demonstrado que as mensagens (prints) estão vinculadas a outros contatos telefônicos no computador de Daniel Vorcaro, jamais ao ministro Alexandre de Moraes.
Os nomes e contatos das pessoas vinculadas aos respectivos arquivos não serão mencionados na presente nota em virtude do sigilo decretado pelo ministro André Mendonça, mas constam no arquivo que a CPMI do INSS disponibilizou para toda a imprensa.”
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Após assumir em janeiro deste ano quatro linhas intermunicipais que eram operadas pela Logo Caruarense — que encerrou as atividades após irregularidades envolvendo a companhia ligada ao ex-governador João Lyra (PSD), pai da governadora Raquel Lyra (PSD) —, a Auto Viação Progresso afirmou que ainda faz ajustes na operação das rotas.
Segundo a empresa, a ligação entre Recife e Caruaru conta atualmente com 92 horários diários, com saídas das 5h30 às 23h. A companhia afirma que a frota pode ser reforçada conforme a disponibilidade de veículos e que há planejamento de renovação, condicionado aos prazos de fabricação das montadoras.
O babado mais comentado entre os políticos do Sertão do Pajeú: a primeira-dama do município de São José do Egito, Lúcia Brito, estaria atuando de forma abusiva em órgãos públicos estaduais, promovendo desligamentos de profissionais sob a justificativa de cumprir determinações da governadora Raquel Lyra (PSD).
Segundo lideranças da oposição, a forma autoritária e truculenta dela agir, com a retórica de que tem o aval da governadora, tem provocado desconforto e insatisfação entre aliados da própria Raquel. Esses mesmos, que também, como Lúcia, batem continência para a governadora, não entendem o silêncio e a conivência de Raquel, sobretudo por se tratar de um ano eleitoral.
Por Mário Sabino
Do Metrópoles
Sob Paulo Gonet, a Procuradoria-Geral da República parece ter virado puxadinho do STF. Ou melhor, dos gabinetes de alguns ministros do STF. É uma mancha para a instituição que deveria primar pela independência em relação a todos os poderes.
No caso das barbaridades estreladas por Daniel Vorcaro, Gonet se comporta como um nadador que não vê problema em dar braçadas em um mar de lama. A sua atuação seria cômica, não fosse trágica para a democracia brasileira.
Leia maisDescobriu-se que o escritório de advocacia da mulher do ministro Alexandre de Moraes assinou um contrato de inacreditáveis R$ 129 milhões de reais com o Banco Master, em troca do qual não fez absolutamente nada de relevante, e o PGR não viu motivo nenhum para abrir uma investigação.
Veio à tona que Dias Toffoli é sócio oculto dos irmãos em uma empresa suspeita de lavagem de dinheiro, que negociou a venda de um resort no Paraná com um fundo de investimento cujo único cotista era o cunhado de Vorcaro, e Gonet já tinha achado que a ligação comercial não era motivo para apontar a suspeição do ministro na relatoria do caso Master.
A última do PGR fez André Mendonça perder a paciência. Como novo relator do caso, depois que o STF inventou a desistência de relatoria por não suspeição, uma jabuticaba para livrar a cara de Toffoli, o ministro terrivelmente evangélico indignou-se porque Gonet deu parecer contrário à necessidade de prender novamente Vorcaro, como pedia a representação da PF.
O PGR considerou que o tempo era curto para analisar a representação e achou que as provas apresentadas pela polícia não eram robustas o suficiente.
O diligente Gonet não viu “perigo iminente” na liberdade de um criminoso que mantinha uma milícia privada, encomendou uma surra em um jornalista, invadiu os sistemas da Justiça, da PF, da própria PGR, do FBI e da Interpol — e que continuava a operar para ocultar a dinheirama que roubou. Tudo devidamente documentado pela polícia na representação que o PGR menosprezou.
Ao decretar a prisão e demais cautelares contra Vorcaro, o ministro Mendonça deu uma bronca pública em Gonet:
“Diante desse robusto quadro fático-probatório, lamenta-se que a PGR diga que ‘não se entrevê no pedido, nem no encaminhamento dos autos [..] a indicação de perigo iminente, imediato, que induza a extraordinária necessidade de tão rápida e necessariamente sucinta análise do pleito’, razão pela qual conclui que ‘não pode ser favorável aos pedidos cautelares, não podendo aboná-los’ antes que sua manifestação seja apresentada “no mais breve tempo possível”. Lamenta-se (i) porque, as evidências dos ilícitos e a urgência para adoção das medidas requeridas estão fartamente reveladas na representação.”
O jornalista Caio Junqueira apurou que investigadores dizem que a amizade entre Gonet e o ministro Moraes, cuja relação com Vorcaro parece ser mais estreita do que se imaginava, é um dos principais obstáculos para que tudo seja passado a limpo no caso do Banco Master.
Não se esqueça também que Gonet é amigo e ex-sócio de Gilmar Mendes, que hoje está na posição estrategicamente confortável, na balança de poder no interior do Supremo, de fiador dos ministros diretamente atingidos pelo mar de lama de Vorcaro.
A esperança é que Mendonça esteja mesmo tomado de espírito messiânico para limpar toda essa imundície e não apenas varrê-la para debaixo do tapetão do STF.
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Por Marlos Porto*
Nas últimas décadas, o jornalismo brasileiro passou por uma transformação silenciosa e devastadora. A informação rápida e, sempre que possível, detalhada — aquela que chega ao cidadão em tempo real, com a riqueza de fatos disponíveis naquele instante, para que ele forme sua própria opinião — foi sendo gradualmente sacrificada em nome de uma pretensa autoridade interpretativa. O resultado é um quadro grave: o debate público empobreceu e o direito do cidadão de ser informado foi sequestrado por uma mídia que se arvora como tutora da verdade.
Houve um tempo em que o cidadão sabia exatamente onde encontrar cada tipo de conteúdo. O jornal diário, impresso ou televisivo, era o território do fato bruto, da notícia bruta, do acontecimento. Nessa época, o colunista político era uma figura central — talvez “rei” seja uma palavra forte demais, mas ele era, sem dúvida, o ponto alto desse espírito da notícia. O colunista político trazia suas notas curtas, seus bastidores, seus fatos miúdos que, juntos, compunham o grande mosaico da conjuntura. Era uma informação quase artesanal, que chegava ao leitor sem grandes mediações, permitindo que ele próprio conectasse os pontos.
Leia maisA revista semanal – como Veja, IstoÉ, Época e a antiga e saudosa Manchete, que marcou época com seu jornalismo ilustrado de periodicidade semanal — oferecia a síntese, a análise, o contexto da semana. Já as publicações especializadas de periodicidade mensal — como a National Geographic, com suas reportagens sobre ciência, natureza e geopolítica, e a Superinteressante, que desde 1987 leva ao público brasileiro divulgação científica e cultural — entregavam o aprofundamento, o ensaio, a grande reportagem.
Essa divisão de tarefas não era apenas organizacional; era um pacto de transparência com o leitor. Sabia-se que a notícia diária vinha com a urgência e as limitações do tempo real, mas também com o compromisso de citar fontes e permitir que o público fizesse seu próprio juízo.
A televisão por assinatura, nesse mesmo período, viveu sua era de ouro. Canais internacionais como a CNN, a BBC, a TVE (Televisión Española), a TV5 (francesa), a RTP (portuguesa), a RAI (italiana) e a CBS Telenotícias — que transmitia em português e espanhol para a América Latina — chegaram ao Brasil via satélite e cabo, oferecendo ao assinante um leque jamais visto de perspectivas sobre os acontecimentos mundiais. Era uma verdadeira revolução: o mundo cabia na sala de estar, e o cidadão podia comparar versões, contrastar narrativas e formar suas próprias convicções.
No final dos anos 1990 e início dos 2000, a internet potencializou essa arquitetura. Portais como o saudoso Último Segundo, do iG, levavam ao leitor, em texto puro e atualização constante, o que acontecia no mundo — da Guerra do Kosovo à tentativa de golpe na Venezuela. Não eram análises profundas, mas informações cruas, vindas de fontes minimamente confiáveis, com a transparência de dizer: “quem informou foi fulano, em tal fonte”. Era a notícia como serviço público. Havia algo profundamente reconfortante naquela dinâmica: o leitor não se sentia enganado, não se sentia tutelado. Ele recebia a informação e, com seu senso crítico, podia construir seu entendimento.
Não se tratava apenas de velocidade, mas de um compromisso com a transparência: a notícia chegava rápida e, sempre que possível, detalhada — com todas as informações disponíveis naquele instante, ainda que provisórias ou sujeitas a correções futuras. O leitor recebia a matéria-prima e podia acompanhar seu desdobramento natural, sabendo que aquilo poderia se confirmar, ganhar novos contornos ou até ser refutado. Era a informação como processo vivo, não como produto acabado.
Com a migração de todos os veículos para o ambiente digital, a clareza dessa arquitetura se perdeu. Jornais, revistas e portais passaram a disputar o mesmo espaço em tempo real. O problema não está na convivência entre notícia e análise — ambas são legítimas e necessárias. O problema é que os grandes veículos de comunicação privilegiaram a interpretação em detrimento da informação bruta. Em vez de correr pela notícia rápida, adotaram uma postura de “só publicamos depois de verificar exaustivamente”, que na prática se traduz em publicar menos, mais tarde e, sobretudo, com uma narrativa já enquadrada.
O jornalismo diário, que deveria ser o espaço do fato, passou a querer ser uma “revista diária”: entrega a notícia já acompanhada de interpretação, de viés, de enquadramento. A velocidade da interpretação mata a possibilidade de compreensão própria. O leitor não recebe mais a matéria-prima; recebe o produto acabado, mastigado e digerido por uma redação que decide o que ele deve pensar.
Essa confusão de papéis desorienta. Não se distingue mais o que é notícia do que é editorial, o que é relato do que é opinião. E num ambiente já polarizado, isso só aprofunda as bolhas e a desconfiança. A função primordial do jornalismo — informar o cidadão para que ele exerça sua cidadania — é substituída por uma lógica de engajamento e fidelização de assinantes, baseada na oferta de narrativas prontas que confortam convicções prévias.
Por trás dessa metamorfose, há um discurso recorrente: “as pessoas não têm estrutura emocional ou educacional para lidar com informação complexa”. Esse paternalismo é a justificativa para o controle informativo. Decide-se, nas redações, o que o público pode ou não saber, sob o pretexto de protegê-lo das “fake news”. Mas o que se esconde aí é uma forma de tutela antidemocrática. O mundo é complexo, sim. Se as pessoas não têm ferramentas para lidar com essa complexidade, a solução não é escondê-la, mas sim educar. O papel do jornalismo não é proteger o leitor de si mesmo, mas fornecer a matéria-prima para que ele pense, erre, acerte, questione e, finalmente, forme sua própria convicção.
A experiência de canais como a WION (World Is One News), da Índia, mostra que é possível outro caminho. Eles publicam com um aviso honesto, algo mais ou menos assim: “não podemos verificar todas as notícias, mas as divulgamos com transparência para que você saiba que essa informação existe”. Isso não é irresponsabilidade; é respeito à inteligência do público. É devolver ao cidadão o direito de saber, mesmo com as imperfeições do processo.
Curiosamente, esse espírito das notas curtas e da informação viva sobrevive em alguns espaços. O blog de Magno Martins é um caso exemplar. Jornalista forjado nas redações de outrora, Magno é daqueles que não abdicaram de se modernizar. Em sua coluna diária, publicada sempre pela manhã e compartilhada via WhatsApp com os inscritos, ele traz notícias curtas, notas de bastidor, fatos específicos da política pernambucana e nacional — uma verdadeira revisitação daquele estilo antigo do jornal impresso. Ali convivem harmonicamente a notícia viva e a interpretação, sem que uma sufoque a outra.
Mas vai além. Diariamente, às 18 horas, comanda o programa Frente a Frente na Rede Nordeste de Rádio, recuperando esse veículo centenário de comunicação. Vale lembrar que o rádio no Brasil tem mais de cem anos e foi em Pernambuco, com a Rádio Clube de Pernambuco – a pioneira PR8 – que ocorreu a primeira transmissão oficial do país em 1919. A Rede Nordeste, por onde Magno transmite seu programa, vem crescendo e alcançando cada vez mais emissoras em vários estados do Nordeste.
Aos domingos, publica sua célebre crônica domingueira – um texto mais pessoal e reflexivo, que foge à dureza da notícia e toca o leitor pela via da emoção e da memória. E há ainda o programa semanal Direto de Brasília, em parceria com a Folha de Pernambuco, que traz o olhar da capital federal para o Nordeste. Em todas essas frentes, o que se vê é um ecossistema rico e plural.
O mais impressionante, porém, é seu espírito democrático e sua generosidade intelectual. Em seu blog, Magno abre espaço para cronistas e colunistas dos mais variados espectros político-ideológicos, permitindo que diferentes vozes se expressem e apresentem seus pontos de vista. Além disso, compartilha em tempo real, de forma ágil, notícias de outros veículos conceituados, atuando como um curador que leva ao leitor o que há de mais relevante na imprensa. Essa pluralidade, tão rara nos dias de hoje, faz de seu blog um espaço extremamente rico e autêntico, uma prova viva de que é possível fazer jornalismo com transparência, agilidade e, sobretudo, com respeito à inteligência do leitor.
Além disso, uma nova forma de jornalismo emerge, paradoxalmente, nas redes sociais. Perfis individuais, muitas vezes mantidos por pessoas sem formação formal em jornalismo, mas movidas por uma ética de garimpagem e pelo desejo genuíno de informar, têm feito o que as instituições abandonaram. Eles citam fontes, mostram seus processos, admitem incertezas e, principalmente, tratam o leitor como um adulto capaz de pensar.
São os “consumidores de notícias decepcionados” que, cansados do controle paternalista, resolveram eles mesmos exercer a função de informar. Esses comunicadores artesanais representam uma esperança. Eles resgatam a essência do jornalismo: a divulgação honesta de fatos, com transparência sobre suas limitações, para que o público exerça seu julgamento. Não querem ser donos da verdade; querem ser pontes entre o acontecimento e o cidadão.
O que está em jogo não é apenas uma crise de um setor profissional, mas a própria qualidade da democracia. Uma sociedade informada apenas por narrativas prontas, sem acesso ao fato bruto, é uma sociedade manietada, incapaz de debater com autonomia. O jornalismo que abdica da notícia rápida e da transparência para se tornar uma “revista diária” não está se protegendo; está desertando de sua função mais elementar.
É preciso, portanto, reivindicar o direito de ser informado sem tutela. Exigir que os veículos voltem a separar o fato da opinião, a notícia da análise. E apoiar, com audiência e reconhecimento, aqueles que, nas bordas do sistema, mantêm viva a chama do verdadeiro jornalismo — aquele que confia no público, que publica com honestidade e que entende que informação não é propriedade, mas serviço. A gravidade da nossa miséria informacional exige nada menos que isso: a restauração do direito do cidadão de saber, de pensar e de decidir por si mesmo.
NOTA
O presente texto é fruto de minha reflexão e análise, desenvolvidas a partir de minha trajetória. As ideias, críticas e posicionamentos aqui expressos são de minha inteira autoria e responsabilidade, baseados em observações sobre a evolução do jornalismo, o impacto das redes sociais e os direitos da cidadania no Brasil e no mundo.
Para a redação final e aprofundamento de alguns pontos, contei com o auxílio do DeepSeek, ferramenta de inteligência artificial que atuou como suporte na organização das ideias, na pesquisa de contextos históricos e na estruturação dissertativa. Esse trabalho colaborativo, no qual a tecnologia serviu como instrumento de aprimoramento, resultou em um texto que busca traduzir, com fidelidade e rigor, as inquietações e convicções que venho amadurecendo ao longo dos anos.
A transparência sobre esse processo é, em si, uma defesa do espírito crítico que norteia esta reflexão: a informação, seja ela gerada exclusivamente por humanos ou mediada por máquinas, deve sempre servir à liberdade de pensamento.
*Bacharel em Direito e analista político
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Por Cláudio Soares*
No contexto do Dia Internacional da Mulher, histórias de liderança, trabalho e superação ganham ainda mais relevância. Entre elas está a trajetória de Mineia Kazume, agricultora que se consolidou como uma das vozes femininas mais representativas da fruticultura irrigada no Vale do São Francisco, um dos maiores polos exportadores de frutas do Brasil.
Filha de um dos pioneiros da cultura da manga na região, Mineia cresceu observando de perto o esforço, a persistência e o espírito empreendedor que ajudaram a transformar o semiárido em referência mundial em produção frutícola. Seu pai integrou o pequeno grupo de famílias que, décadas atrás, apostaram no potencial da mangicultura no Vale e ajudaram a construir a base de um setor que hoje gera milhares de empregos e movimenta a economia regional.
Leia maisEmbora tenha se afastado do campo em determinado momento da vida, Mineia decidiu retornar às origens por convicção e propósito. Hoje, lidera diferentes atividades dentro do agronegócio, tendo a produção de manga como eixo central de seu trabalho. Ao lado da família e de uma equipe de colaboradores comprometidos, ela participa ativamente da gestão produtiva, das decisões estratégicas e do relacionamento com mercados internacionais cada vez mais exigentes.
O Vale do São Francisco reúne características naturais e tecnológicas que o tornaram um território singular para a fruticultura irrigada. O clima favorável, os sistemas avançados de irrigação e o constante investimento em pesquisa permitiram que produtores da região alcançassem elevados padrões de qualidade, consolidando o Vale como responsável pela maior parte da manga exportada pelo Brasil.
Dentro desse cenário, Mineia se destaca não apenas pela produção, mas também pela postura de liderança e visão estratégica. Em sua rotina no campo, ela acompanha de perto as atividades agrícolas, participa de decisões técnicas e incentiva práticas de manejo responsáveis, com atenção ao uso racional da água e à adoção de insumos mais sustentáveis.
Outro ponto marcante de sua atuação é a valorização da inovação. Tecnologias voltadas para monitoramento da lavoura, controle de qualidade e melhoria da produtividade passaram a integrar o cotidiano das propriedades, contribuindo para reduzir erros, otimizar recursos e elevar o padrão dos frutos destinados ao mercado externo.
Ao mesmo tempo, Mineia representa uma geração de mulheres que conquistam espaço em um setor historicamente dominado por homens. A produtora reconhece que um dos maiores desafios de sua trajetória foi precisar demonstrar constantemente competência e autoridade técnica para ser ouvida e respeitada. Ainda assim, ela defende que o cenário vem mudando gradualmente, com mais mulheres assumindo funções de liderança no campo.
Para ela, o Dia Internacional da Mulher é também um momento de reflexão sobre a importância de ampliar oportunidades, garantir acesso a crédito, conhecimento e visibilidade para as trabalhadoras rurais. Em sua visão, o agronegócio brasileiro precisa reconhecer cada vez mais o papel feminino na produção, na gestão e na construção de um futuro sustentável para o campo.
Ao lado de seus familiares e colaboradores, Mineia Kazume segue fortalecendo um legado iniciado por gerações anteriores. Sua história simboliza não apenas o sucesso de uma produtora rural, mas também a força coletiva de mulheres que, diariamente, transformam o campo em espaço de inovação, trabalho digno e liderança.
No coração do Vale do São Francisco, entre pomares de manga que abastecem mercados ao redor do mundo, Mineia reafirma uma convicção que ecoa cada vez mais forte no agronegócio brasileiro: o campo também é território de protagonismo feminino.
*Advogado e jornalista
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Por Marcelo Tognozzi
Colunista do Poder360
Em 1840, Alexis de Tocqueville terminou o segundo volume de “A Democracia na América” descrevendo o que seria o Brasilzão de Lula. Falou de uma tirania não violenta, que não prende e não tortura, apenas tutela. Não quebra nem confronta vontades, as amolece. Não destrói, mas impede o progresso. Um poder a manter os cidadãos numa infância perpétua, provendo o suficiente para não se revoltarem e deixando tudo no mesmo lugar.
Tocqueville batizou de despotismo suave. No Brasil do século 21, virou política social. Em 2025, o desemprego foi de 5,1%, registrado como o menor da série histórica do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), iniciada em 2012. O número é real? Depende. A pesquisa não inclui quem desistiu de procurar emprego ou está entre os beneficiários de programas sociais — ou seja, mais da metade dos brasileiros.
Leia maisPor baixo desse número pulsa outro terrível: a produtividade do brasileiro está travada há 40 e tantos anos. Dados publicados pelo Drive do Poder360 ontem (6) mostram a realidade nua e crua: nosso trabalhador produz quatro vezes menos do que o norte-americano.

Chilenos, uruguaios e argentinos produzem mais que nós. Num ranking de 131 países, o Brasil amarga um medíocre 78º lugar. Está na 2ª divisão da estagnação.
Na última quarta-feira (4), numa palestra para integrantes do CFA (Conselho Federal de Administração), mostrei que não se trata de mera tabela do campeonato mundial de produtividade, mas uma longa marcha à ré de 46 anos. Em 1950, a produtividade do trabalhador brasileiro era 24,5% da norte-americana — maior que a de hoje. Em 1980, chegou a 46%. Em 2023, retornamos ao patamar de 1950, ou seja: regredimos 73 anos. Quase 1 século.
Voltamos ao Brasil de Dutra, Getúlio e JK. De 2010 a 2023, a produtividade por hora trabalhada no Brasil cresceu apenas 0,3% ao ano. Só o agronegócio se salvou, com alta anual de 5,8%. O tal agro rotulado de fascista e atrasado.
A profecia de Tocqueville virou realidade por aqui 186 anos depois. Em 2024, o Bolsa Família custou R$ 168,2 bilhões, dados a 20,7 milhões de famílias. Deveria ser ajuda temporária até a pessoa largar as muletas do Estado. O BPC (Benefício de Prestação Continuada), de um salário mínimo mensal, custou R$ 75,8 bilhões até julho de 2024. Em 2025, engordou 40% e foi a R$ R$ 119,1 bilhões. Só o Bolsa Família cresceu 500% nos últimos 20 anos, descontada a inflação.
De 2020 até o fim de 2025, o governo federal pagou quase R$ 1,6 trilhão em benefícios assistenciais, mais do que o dobro do PIB da Argentina (US$ 633,27 bilhões em 2024). A pobreza continua sendo ativo político de primeira.
O resultado é tocquevilleano: a relação entre governante e governado não é representação, mas clientelismo. O benefício vira voto e garante o mandato. O mandato perpetua o benefício. O círculo se fecha e aprisiona a prosperidade. Adeus, riqueza.
Um exemplo desbotado de tanto uso, mas segue válido. A Coreia do Sul em 1960 era pobre. Apostou em educação de excelência, indústria de alto valor agregado e exposição à competição internacional. Hoje, sua produtividade a fez rica. O Vietnã vai pelo mesmo caminho. A Irlanda, igual.
Os governos do PT (Partido dos Trabalhadores), de 2003 a 2016, desprezaram oportunidades reais. O boom das commodities dos anos 2000 injetou muito dinheiro na economia brasileira. Em vez de transformar a estrutura produtiva do país, como fez a Noruega com o petróleo, gastaram na expansão do consumo, subsídios a indústrias ineficientes via BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e assistencialismo. Quando o ciclo das commodities terminou, a recessão de 2014 revelou a fragilidade estrutural escondida debaixo do tapete.
Mais revelador ainda é o dado salarial: empregados com carteira assinada tiveram ganhos reais de só 6,39% desde 2019. No mesmo período, informais e autônomos viram seus rendimentos subirem de 25% a 31%. Para quem quer melhorar de vida, melhor ser MEI (Microempreendedor Individual), Uber ou camelô.
No Brasil, a maioria esmagadora da população tem baixa escolaridade, baixa capacidade cognitiva e baixa renda (menos de US$ 500 por mês, em média). A cada eleição, a escolha racional de quem depende de um benefício foi votar em quem o mantém. Andamos para trás sem nos darmos conta.
É a democracia delegada do cientista político argentino Guillermo O’Donnell: o eleitor entrega poder total ao eleito e a relação entre governante e governado é de tutela, não de representação. Os donos do poder agem como se tivessem direito natural ao governo, como se representar os pobres fosse um mandato permanente. As urnas apenas ratificam.
O Brasil aprisionou a prosperidade. Escolheu encarcerá-la. Prosperidade é fruto de uma conjunção de fatores do ciclo de riqueza: educação, produtividade e crescimento. O Brasil falhou na educação. Formamos jovens que saem da faculdade sem saber português, incapazes de falar outras línguas e sem conseguir interpretar um texto. Não passariam num ditado. Tremenda pobreza num mundo onde a riqueza passou a ser o conhecimento.
Estamos condenados à estagnação num mundo onde os povos se dividem entre prósperos e estagnados. Prosperidade é a riqueza permanente, sustentável (palavrinha muito na moda, mas mal-usada), capaz de criar mais riqueza e assim sucessivamente. Estagnação é pobreza perene.
Ao retornarmos aos patamares de 1950, viramos o refugo da História. Naquela época, o Brasil tinha mais jovens do que velhos, hoje é o contrário. Éramos 52 milhões, hoje somos 213 milhões. O mundo ouvia rádio, TV era um sonho, telefone era coisa de rico e os jornais eram de papel.
Sem prosperidade, iremos ao fundo do poço da subserviência aos donos do conhecimento. Se os portugueses seduziram nossos indígenas com espelhinhos e ferramentas, agora somos seduzidos pelas redes sociais, celulares e carros elétricos dos países prósperos.
O texto de Tocqueville é tão realista que dá arrepios: “É em vão que se pode encarregar esses mesmos cidadãos, tornados tão dependentes do poder central, de escolher os representantes desse poder. Esse emprego tão importante não impedirá de perderem pouco a pouco a faculdade de pensar, de sentir e de agir por si mesmos, nem de caírem gradualmente abaixo do nível da humanidade”.
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Pressão de Raquel Lyra não muda ritmo de Eduardo da Fonte
Por Larissa Rodrigues – repórter do blog
A pressão nos bastidores para que o deputado federal Eduardo da Fonte, presidente do PP em Pernambuco, anuncie que será candidato ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD) estaria desgastando a relação entre a gestora e o parlamentar. O impasse se dá porque Raquel quer que Dudu, como é mais conhecido, apresente uma definição na próxima semana. O deputado, porém, aguarda o momento ideal para tomar uma decisão.
Como disse, em reserva, um aliado de Dudu, “é preciso cabeça fria neste momento e a governadora está ansiosa”. Raquel estaria afirmando a pessoas próximas de Eduardo da Fonte que ele teria pulado para o lado do prefeito do Recife, João Campos (PSB), por não ter escutado ainda do parlamentar o que gostaria de ouvir.
Leia maisA governadora se queixa de que seu adversário na disputa deste ano “está andando com três ou quatro pré-candidatos ao Senado ao seu lado”, enquanto ela não anunciou nenhum. Ela refere-se aos nomes que circularam com João Campos desde o ano passado em agendas, como Miguel Coelho (UB), Silvio Costa Filho (RP), Marília Arraes e Humberto Costa (PT), sendo Costa o único que já teria vaga garantida na chapa de Campos, por causa da aliança nacional entre PT e PSB.
Acontece que ao afirmar que Eduardo da Fonte fechou com João Campos, a governadora atrapalha o PP nesse período de janela partidária, período de 30 dias em que deputados estaduais e federais podem trocar de partido sem risco de perder o mandato. Alguns nomes têm resistência ao ingressar na sigla caso não seja ao lado de Raquel.
A leitura de um dos aliados de Dudu é a de que Raquel está fazendo tudo de caso pensado, justamente para desidratar a chapa do parlamentar, facilitando, assim, a negociação com ele. “Como Dudu está com João Campos se ninguém sabe disso?”, questionou uma pessoa próxima ao deputado, em conversa com este blog.
O fato é que Eduardo da Fonte aguarda a homologação da federação entre União Brasil e Progressistas, que deve se dar até o dia 20 de março, e também o fim da janela partidária, no início de abril, para anunciar qualquer que seja a decisão, inclusive porque já disse, em outras ocasiões, que tudo será resolvido em conjunto com aqueles que estiverem no grupo após o fim da janela. A pressão não vai mudar o ritmo dos prazos.
Data Magna – A governadora Raquel Lyra (PSD) comandou a solenidade de promoção da Data Magna de Pernambuco, ontem (6), no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual. A gestora realizou o hasteamento das bandeiras ao lado da vice-governadora, Priscila Krause, e do Comandante Militar do Nordeste, o general Francisco Carlos Machado Silva. A cerimônia também contou com o desfile dos destacamentos da PMPE, do Corpo de Bombeiros e das principais lojas maçônicas de Pernambuco. A governadora participou ainda de uma homenagem aos heróis da Revolução de 1817, na Praça da República, em frente ao Palácio.

Recurso negado – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou, ontem (6), o recurso da defesa do ex-assessor da presidência Filipe Martins para retornar à unidade prisional de Curitiba. Na decisão, Moraes entendeu que Martins deve continuar em Ponta Grossa, uma vez que a ida para Curitiba foi uma decisão do sistema penitenciário que não tinha autorização do STF.
Lula e Eduardo Paes – O presidente Lula (PT) disse, ontem (6), que “não se escolhe adversários, mas, sim, aliados” para as eleições. Em entrevista ao jornal O Dia, o petista fez elogios ao prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), do mesmo partido da governadora Raquel Lyra. Lula disse que a prioridade é construir uma “chapa forte” capaz de vencer a disputa pelo governo estadual. Eduardo Paes vai concorrer ao Governo do Rio de Janeiro.
O que declarou Lula – “O Eduardo Paes é um excelente prefeito e trabalhamos muito bem juntos. Sobre as eleições, temos que lembrar que não se escolhe adversários, mas, sim, aliados. Paes tem o meu apoio político e o importante agora é construir uma chapa forte, capaz de vencer não apenas a disputa pelo governo, mas também de conquistar cadeiras no Senado, na Câmara e na Alerj e não deixar que o autoritarismo e o retrocesso voltem a ganhar espaço no Rio de Janeiro e em nosso país”, declarou o petista.

Fala às mulheres – Por falar em declarações de Lula, o presidente Lula gravou um pronunciamento alusivo ao Dia da Mulher, que será veiculado próximo domingo (8) na cadeia nacional de rádio e televisão. A gravação foi no último dia 5, segundo o Estadão. A fala transmitida ocorre em meio a um interesse de Lula em conquistar votos do eleitorado feminino. O pronunciamento foi gravado no Palácio da Alvorada. A convocação da cadeia nacional, com o horário de transmissão, deve ser publicada hoje.
CURTAS
Direto de Brasília – O deputado federal Augusto Coutinho, que assumiu, há pouco, a liderança do Republicanos na Câmara dos Deputados, é o convidado do podcast Direto de Brasília, em parceria com a Folha de Pernambuco e transmissão para 165 emissoras do Nordeste, da próxima terça-feira (10). Na pauta, sucessão presidencial, os escândalos do INSS e Banco Master, além do projeto que regulamenta os aplicativos.
Por falar em Brasília – A troca de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem sacudido a capital federal e arrastou o STF de volta para o centro da crise. Com a credibilidade questionada por muitos, o Supremo volta a enfrentar um cenário delicado, porque novamente aparece no centro de um escândalo.
Semana da mulher – A pré-candidata ao Senado Marília Arraes postou um vídeo nas redes sociais, na última semana, no qual afirma que nunca sofreu tanta violência política de gênero como neste momento, após divulgar que sua participação na disputa é irreversível. “Algumas pessoas que vieram conversar comigo diziam que eu não podia ser candidata, ou que não queriam que eu fosse candidata, porque eu tiraria uma vaga de A, B ou C, ou seja, pela minha grande chance de ganhar eleição. Vocês não acreditam nisso?”, comentou.
Perguntar não ofende: Raquel Lyra vai segurar a aliança com Dudu da Fonte, diante da pressão que vem colocando contra o deputado?
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O influenciador Pablo Marçal se filiou, nesta sexta-feira (6), ao União Brasil. Em seu primeiro discurso no partido, Marçal pregou a “união”, evitou falar em cargos específicos que quer disputar, acenou aos seus eleitores das eleições municipais de 2024 e pediu perdão a adversários políticos.
Em sua primeira fala no evento de filiação, em São Paulo, Marçal disse, ao lado do presidente do União, Antonio Rueda, e do presidente do PP, Ciro Nogueira, que ele só não irá dar certo no partido “se esses dois não quiserem”. As informações são do jornal O Globo.
Leia mais“Esse ano vai ser um ano onde pessoas que não dependem de política e não precisam da política vão invadir a política, eu quero deixar a minha declaração para vocês. Esse é o último partido meu, se esses dois falarem ‘você vai ser gandula’, eu vou ser gandula. Eu vou ajudar a eleger o maior time” falou.
O partido pretende lançar Marçal ao cargo de deputado federal ou senador, como um dos principais puxadores de voto para o Legislativo federal em São Paulo. Entretanto, para a candidatura se concretizar, ele teria que reverter uma inelegibilidade de oito anos.
Em dezembro, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) manteve uma condenação de Marçal por uso indevido dos meios de comunicação no pleito de 2024. A condenação se refere à realização de um “concurso de cortes”, revelado pelo Globo, em que colaboradores eram incentivados a produzir vídeos para as redes sociais da campanha, com promessa de remuneração e distribuição de brindes. Em outro processo, constatou-se que a maquiadora da esposa de Marçal financiou anúncios no Google que direcionavam usuários ao site oficial do candidato.
Na ocasião, a Corte também confirmou a multa de R$ 420 mil aplicada por descumprimento de ordem judicial, também durante o período eleitoral de 2024. O influenciador recorreu, e aguarda julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Outra ação que tramita no tribunal eleitoral foi suspensa no mês passado após Marçal fazer um acordo com a Justiça. O caso se refere à propagação de um laudo falso contra o então candidato Guilherme Boulos (PSOL).
Na véspera do primeiro turno de 2024, Marçal divulgou um documento falso de internação por uso de drogas — a falsidade do documento foi atestada por perícias das Polícias Federal e Civil. Poucas horas após a publicação, a Justiça Eleitoral determinou a derrubada da publicação das redes sociais. Marçal foi o terceiro colocado na disputa eleitoral daquele ano, enquanto Boulos foi para o segundo turno contra Ricardo Nunes (MDB).
Para que a ação fosse paralisada por dois anos, o empresário aceitou um acordo com a Promotoria Eleitoral do Ministério Público que prevê a imposição de uma série de restrições, como comparecimento judicial a cada três meses, proibição de sair de sua cidade sem prévia autorização, além de não poder frequentar bares, boates e casas de prostituição. No âmbito cível, o caso do laudo falso foi julgado no mês passado. Na ocasião, Marçal foi condenado a pagar uma indenização de R$ 100 mil a Boulos.
Perdão a Nunes e Tarcísio
No palco, Marçal se dirigiu ao prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), e ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), e pediu “perdão” para os dois. Na campanha de 2024, o influenciador fez uma série de ataques ao prefeito, que era seu principal adversário na disputa de votos na direita, e o governador foi um dos principais apoiadores de Nunes e foi crítico de Marçal durante a campanha.
“Eu quero fazer um pedido que a gente possa se unir. Ao prefeito de São Paulo, eu te peço perdão publicamente porque não há união sem arrependimento, se a pessoa não tiver humildade. Ricardo, a gente conversava antes da eleição, todo mundo veio bater em mim e eu acabei devolvendo com muita força em você. Exagerei, passei da conta. Você não vai ter nunca mais um cara como eu contra você. E ao governador Tarcísio, que quase esteve entre nós, eu passei do limite também com o governador. Tarcísio, peço perdão público para você, porque eu sei o homem honesto e correto que você é”, falou.
Marçal disse não ter “ego com cargos” e que se os presidentes da federação disserem que ele não será candidato, ele vai “servir”, e não deixará o partido. “Se for para ser qualquer coisa, me coloque. Se eu tiver que esperar, eu vou esperar. Eu entrei em partido que não tem palavra, deu tudo errado. Em partido pequeno, deu tudo errado. Só vocês para fazer não dar errado agora”, disse para Ciro e Rueda.
O influenciador levou sua esposa e seus quatro filhos ao palco, fez elogios ao presidente municipal do União Brasil, o ex-vereador Milton Leite, e ao partido, e acenou aos seus 1.719.274 de eleitores nas eleições de 2024. “O voto que você fez na urna está aqui dentro, você não perdeu seu voto. Esse voto vai dar fruto, eu vou carregar ele. Eu não vou desperdiçar seu voto”, disse.
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Um avião que seguia de São Paulo para Fernando de Noronha precisou realizar um pouso de emergência no Recife, nesta sexta-feira (6), após suspeita da presença de um artefato explosivo a bordo. Nenhuma irregularidade foi confirmada, e todos os passageiros desembarcaram em segurança na capital pernambucana.
O voo G3 1774, da companhia Gol Linhas Aéreas, partiu do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, e alternou o trajeto durante o percurso após a companhia ter sido comunicada sobre uma “possível ameaça à segurança de voo”. Com informações da Folha de Pernambuco e do Diário de Pernambuco.
Leia mais“O pouso ocorreu normalmente. Todos protocolos exigidos foram seguidos, com acionamento das equipes de emergência e a Polícia Federal para acompanhamento do desembarque, que aconteceu normalmente. Os clientes e tripulantes desembarcaram em total segurança”, destacou a Gol, por meio de nota.
Após a liberação da aeronave pelas autoridades no solo, a companhia informou que prestou toda a assistência necessária aos passageiros. Segundo a Gol, os clientes foram atendidos conforme determina a Resolução 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A Gol destacou ainda que procedimentos desse tipo são adotados como medida preventiva para assegurar a segurança de suas operações aéreas.
A Aena, empresa administradora do Aeroporto do Recife, reforçou que a aeronave solicitou um pouso não programado no terminal aéreo. “As equipes de emergência e a Polícia Federal foram acionadas para acompanhar a aterrisagem, que transcorreu normalmente. Todos os passageiros desembarcaram em segurança”, ressaltou a Aena.
Após o pouso, equipes especializadas da Polícia Federal realizaram inspeções nos passageiros, nas bagagens e na aeronave. Até o momento, conforme a corporação, não foram identificados indícios de risco efetivo à operação aérea. “As investigações prosseguem para apurar a autoria do comunicado relacionado à presença de possível artefato explosivo”, complementa a PF.
Na mesma ocasião, um passageiro que estava com a perna enfaixada foi detido pela Polícia Federal após o pouso do voo que seguia com destino ao Aeroporto de Fernando de Noronha. O homem teria causado incômodo durante a viagem por se movimentar bastante na aeronave. Ao pousar no Recife, foi algemado por agentes da Polícia Federal que aguardavam no aeroporto.
Ainda não foram divulgados detalhes oficiais sobre as circunstâncias da ocorrência.
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