Resultado de 23,05% das seções totalizadas até o momento para a presidência da República. Bolsonaro com 51,36% e Lula com 48,64%.
Resultado de 23,05% das seções totalizadas até o momento para a presidência da República. Bolsonaro com 51,36% e Lula com 48,64%.
Por Antonio Coelho*
Há trajetórias que se confundem com a própria história de uma região. Assim é a de Geraldo de Souza Coelho, cujo centenário de nascimento celebramos como um marco de reconhecimento a uma vida dedicada à transformação do Sertão do São Francisco.
Nascido em Petrolina, em 5 de abril de 1926, filho de Clementino e Josepha de Souza Coelho, e irmão de lideranças igualmente marcantes como Nilo Coelho e Osvaldo Coelho, Geraldo Coelho construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com o desenvolvimento regional. Engenheiro civil por formação, fez da política um instrumento de transformação da realidade.
Leia maisIniciou sua caminhada na vida pública como vereador de Petrolina, por dois mandatos, entre 1963 e 1973. Foi presidente da Câmara Municipal duas vezes, oportunidade na qual contribuiu para a realização de ações estruturantes como a criação da Cooperativa de Eletrificação Rural de Petrolina (CERPEL). Uma iniciativa que ampliou o acesso à energia e impulsionou o desenvolvimento regional.
À frente da Prefeitura de Petrolina, entre 1973 e 1977, imprimiu uma gestão voltada à modernização urbana e à realização de obras, as quais lançaram as bases da cidade próspera que hoje conhecemos e tanto orgulha nosso Pernambuco e o Brasil. Sua visão administrativa era clara: desenvolver o Sertão não era apenas possível, era necessário.
Foi, contudo, na Assembleia Legislativa de Pernambuco que Geraldo Coelho consolidou o seu legado. Ao longo de seis mandatos consecutivos, entre 1987 e 2011, teve atuação destacada. Desempenhou um papel central na organização institucional do Estado ao presidir a Comissão de Sistematização da Constituinte de 1989. Nesse período, participou e contribuiu diretamente para a elaboração da Constituição pernambucana. Além disso, também atuou como relator da Comissão responsável pelo Regimento Interno da Casa e integrou a Comissão Interestadual Parlamentar do São Francisco.
Há um ponto na trajetória política de Geraldo Coelho que me toca de maneira especial. Por diversas vezes, ele foi presidente da Comissão de Finanças, Orçamento e Tributação, o mesmo colegiado que hoje tenho a honra de presidir. Isso não é apenas uma coincidência institucional, mas uma responsabilidade histórica. Por isso, reafirmo o compromisso de honrar esse legado. Geraldo Coelho compreendia como poucos o poder transformador do orçamento público. Para ele, cada investimento significava uma oportunidade concreta de desenvolvimento, ou seja, uma estrada que se abria, uma escola que se erguia, uma esperança que surgia especialmente para o interior. Foi essa visão que permitiu o Sertão ser incluído de forma efetiva nas prioridades do Estado.
Sua atuação foi decisiva para consolidar políticas públicas que mudaram o destino do Vale do São Francisco. Foi um dos grandes articuladores da expansão da agricultura irrigada, contribuindo para transformar Petrolina em referência mundial na fruticultura. Também teve papel fundamental na viabilização do Aeroporto Internacional Senador Nilo Coelho e na implantação da Faculdade de Petrolina (FACAPE), sempre acreditando que o desenvolvimento sustentável do Sertão passava pela educação e pela qualificação de sua própria gente.
Não era um político de discursos vazios, mas de ação concreta. Não por acaso, ficou conhecido como o “Trator do Sertão”. Uma expressão que traduz, com precisão, sua capacidade de mover estruturas, criar oportunidades e transformar realidades. Geraldo Coelho foi mais do que um homem público: foi um realizador.
Ao celebrarmos seu centenário, reafirmamos não só a importância de seu exemplo, mas reconhecemos que seu legado permanece vivo, como inspiração para que a política continue sendo um verdadeiro vetor de transformação social e desenvolvimento para Pernambuco.
Geraldo Coelho enxergava o mundo a partir do Sertão e fazia dele o centro de suas prioridades. Honrar sua memória é, portanto, reafirmar o compromisso com uma política que inclui, transforma e constrói oportunidades!
*Deputado estadual
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O prefeito do Brejo da Madre de Deus, Roberto Asfora, recebeu, em visita institucional, a Confederação Nacional de Municípios (CNM), representada pelo Diretor para a região Nordeste, Eduardo Tabosa. O encontro teve como principal objetivo fortalecer o diálogo em torno de pautas municipalistas, buscando soluções e estratégias que contribuam para o desenvolvimento sustentável e a melhoria da gestão pública no município.
Durante a reunião, foram debatidos temas relevantes para os municípios brasileiros, com foco especial nas necessidades locais, além da importância da união entre as gestões municipais para o enfrentamento dos desafios atuais. Na ocasião, também foi apresentado o convite para que o município do Brejo da Madre de Deus integre o ConClima, uma importante iniciativa voltada para ações de enfrentamento às mudanças climáticas, promoção da sustentabilidade e construção de políticas públicas mais resilientes.
“A gestão municipal segue empenhada em buscar parcerias e iniciativas que tragam resultados positivos para a população, com planejamento e compromisso com o desenvolvimento do município”, destacou o prefeito Roberto Asfora.
Por Cláudio Soares*
No submundo da política brasileira e, por extensão, de tantas democracias fragilizadas há um mercado silencioso, mas amplamente conhecido, o da compra e venda de consciências. Não se trata apenas de corrupção tradicional, de contratos superfaturados ou desvios milionários.
Trata-se de algo ainda mais corrosivo, a banalização moral do processo democrático.
O primeiro personagem desse cenário é o político que compra votos. Ele não disputa ideias, não apresenta propostas consistentes, não constrói confiança. Ele negocia. Transforma cidadania em mercadoria, reduz o eleitor a um preço seja ele um favor, um emprego, uma cesta básica ou alguns reais no bolso. Ao fazer isso, não apenas frauda a eleição, mas destrói o próprio conceito de representação.
Leia maisMas esse mercado não existe sem quem venda. Há também o eleitor que se dispõe a negociar seu voto. Muitas vezes pressionado pela necessidade, outras vezes movido por oportunismo, ele aceita participar desse jogo. Ao fazê-lo, abre mão do seu poder mais legítimo o de escolher livremente e se torna cúmplice de um sistema que, depois, inevitavelmente o abandonará.
No mesmo ambiente, circula o político que se vende. Não ao eleitor, mas a interesses ocultos. Ele chega ao poder com um discurso, mas governa com outro. Troca decisões por apoio, princípios por conveniência, mandato por vantagens. É o agente duplo da democracia: eleito pelo povo, mas a serviço de poucos.
E, claro, há o velho conhecido, o político corrupto. Aquele que utiliza o cargo para enriquecer, manipular contratos, desviar recursos públicos. Esse personagem já não causa surpresa o que, por si só, é um sintoma grave. A corrupção deixou de ser exceção para se tornar expectativa.
Mas há um elemento mais sutil, menos discutido e igualmente perigoso, a manipulação das pesquisas eleitorais. Quando distorcidas, encomendadas ou divulgadas de forma estratégica, elas deixam de ser instrumento de informação para se tornarem ferramenta de indução. Criam candidaturas artificiais, enterram outras, moldam percepções e influenciam decisões.
Nesse contexto, a pesquisa eleitoral, quando corrompida, transforma-se na “prostituta da política”. Não porque a metodologia em si seja ilegítima ao contrário, é fundamental em qualquer democracia -, mas porque seu uso deturpado serve a interesses que nada têm a ver com a verdade ou com o eleitor.
O problema não está apenas em quem manipula, mas em um sistema que permite que tudo isso coexista: o voto comprado, a consciência vendida, o mandato negociado, a corrupção institucionalizada e a informação distorcida.
O resultado é uma democracia enfraquecida, onde o eleitor já não sabe em quem confiar, onde o discurso vale menos que o dinheiro e onde a verdade disputa espaço com a conveniência.
Enquanto esse ciclo não for rompido com educação política, fiscalização rigorosa e responsabilidade coletiva -, a política continuará sendo um terreno onde muitos atuam, poucos acreditam e quase ninguém confia.
*Advogado criminalista e jornalista
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Os deputados federais Eduardo da Fonte (PP) e Lula da Fonte (PP) apresentaram o Projeto de Lei nº 1370/2026 que concede isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para professores em efetivo exercício da docência.
A proposta altera a legislação vigente para garantir o benefício aos profissionais da educação básica e superior que atuam diretamente em sala de aula, em instituições públicas ou privadas. O texto estabelece que a isenção se aplica exclusivamente à remuneração vinculada à atividade de ensino, sem incluir funções administrativas ou afastamentos.
Leia maisO projeto também define critérios claros para caracterizar o efetivo exercício da docência, incluindo atividades presenciais ou mediadas por tecnologia, desde que haja interação pedagógica com os estudantes. Como forma de compensação da renúncia fiscal, a proposta prevê ajustes na tributação sobre prêmios de apostas e na destinação de receitas de loterias, em conformidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Segundo Eduardo da Fonte, a medida reconhece a importância dos professores e fortalece a educação no país. “Estamos tratando da valorização dos profissionais que estão na sala de aula, formando o futuro do Brasil. É uma medida de justiça e também de desenvolvimento”, afirmou o deputado. A iniciativa busca incentivar a permanência dos professores na atividade de ensino e contribuir para a melhoria da qualidade educacional, ao mesmo tempo em que sinaliza a prioridade da educação na agenda pública.
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As vendas para a nova rota aérea entre Recife e Cabo Verde já começaram e a operação dos voos diretos está prevista para iniciar no dia 6 de maio de 2026. A ligação será operada pela companhia Cabo Verde Airlines, com duas frequências semanais, marcando a retomada de uma conexão estratégica entre o Nordeste brasileiro e o arquipélago africano.
A nova rota foi articulada pelo ex-ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, com o embaixador de Cabo Verde no Brasil, S.E. José Pedro Máximo Chantre D’Oliveira, e faz parte de uma estratégia mais ampla do governo brasileiro para ampliar a conectividade internacional e fortalecer as relações econômicas e culturais com países africanos, especialmente os de língua portuguesa.
Leia maisSegundo Costa Filho, o retorno da ligação direta representa um passo importante para a integração entre os dois lados do Atlântico. A rota contará com duas frequências semanais entre o Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes e a cidade de Praia. As partidas do continente africano ocorrerão às quintas e sábados, às 18h30, com chegada ao Recife às 22h30. Já os voos de retorno sairão da capital pernambucana às sextas e domingos, à 0h30, com pouso previsto para as 4h30.
“Essa rota é estratégica para Pernambuco e para o Brasil. Ela aproxima dois mercados com grande potencial econômico, fortalece o turismo e abre novas oportunidades comerciais entre o Nordeste brasileiro e a África”, afirmou o ex-ministro.
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Com a proximidade das eleições, este blog vai ampliar sua cobertura e abrir espaço para novos talentos no time de reportagem. Se você é formado em Jornalismo, tem experiência na área de política e quer fazer parte do Blog do Magno, esta é a sua oportunidade.
Envie seu currículo para o e-mail blogdomagno.redacao@gmail.com com o assunto VAGA PARA REPÓRTER. Informações sobre salário e carga horária serão discutidas durante a entrevista.
Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
O deputado Luciano Ducci (PSB-PR) começou a recolher na terça-feira (7) assinaturas para uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que, entre outros pontos, propõe o estabelecimento de um mandato de 12 anos para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
No momento, então, em que conversou com o Correio Político, Ducci ainda não medira a receptividade da sua proposta. Mas já avaliava que ele ao menos abria a discussão em um momento oportuno. O caso Master colocou as “excelências” da Corte na berlinda. Cresce a sensação de que aqueles onze senhores (no momento, dez) precisam descer um pouco do Olimpo em que se encontram. Precisam ser menos “supremos”.
Leia maisUm sinal importante de que a PEC pode avançar foi a aprovação, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado do projeto que acaba com a aposentadoria compulsória como forma de punição de juízes. Parece, portanto, um momento propício para rediscutir a forma de escolha dos ministros do Supremo. Além de estabelecer um mandato, a PEC de Ducci propõe um modelo mais democrático e menos personalista de indicação.
Hoje, um ministro do STF pode entrar com 35 anos e sair com 75. Pode ficar, assim, 40 anos na Corte. Ducci propõe um mandato de 12 anos. E sugere aumentar a idade mínima de entrada para 45 anos, o que já forçaria a entrada de juristas mais experientes. Mas principalmente o deputado reduzirá o caráter personalista das escolhas, hoje feitas exclusivamente pelo presidente da República. Isso faz com que a Corte hoje tenha ministros “contra” e “a favor” do presidente da vez, conforme quem os indicou. Ducci propõe um modelo compartilhado.
A PEC de Ducci divide as escolhas, num modelo próximo ao que hoje existe no Tribunal de Contas da União (TCU). O presidente escolheria cinco ministros. A Câmara dos Deputados, dois. O Senado Federal, outros dois. E o próprio Supremo Tribunal escolheria mais dois. A composição final permaneceria a mesma atual: o STF teria onze ministros no total.
Mas, mesmo no caso do poder que tiver a prerrogativa da escolha, ela não se dará ao seu bel prazer. As escolhas terão de sair de listas tríplices feitas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), Tribunal Superior do Trabalho (TST), Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
A escolha, então, teria de sair dos nomes dessa lista. Independentemente do notório saber jurídico de alguém da preferência, não mais seria possível escolher alguém por mera preferência pessoal: o advogado pessoal do presidente, por exemplo. Se não estiver na lista tríplice, não poderá ser indicado.
Embora seja um parlamentar da base do governo, Ducci não tem ideia de como sua proposta repercutirá entre os aliados do governo, que parecem mais próximos do STF. É uma ideia que talvez possa evoluir mais na oposição, que critica mais a Corte e sonha formar uma bancada capaz de aprovar impeachment.
Por outro lado, há hoje um esforço de descolamento da crise envolvendo o Master. Em entrevista ao site ICL, na quarta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a dizer que teria aconselhado o ministro Alexandre de Moraes a não permitir que o Master viesse a manchar a biografia que construiu como relator dos atos antidemocráticos.
Os que defendem o STF avaliam que a Corte precisou se empoderar diante dos riscos de ruptura democrática. No caso, o natural sistema de freios e contrapesos no qual um poder atua para evitar excessos dos outros. Mas, a essa altura, já houve a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e dos demais envolvidos.
Assim, cresce, inclusive, a ideia de que já seria hora de acabar com o inquérito dos atos antidemocráticos. Hora de o STF abdicar dos superpoderes que adquiriu porque o risco de ruptura democrática já teria sido sanado. Hora, talvez, de fazer um debate mais amplo quanto à forma como a Suprema Corte se compõe.
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O deputado federal Fernando Monteiro (PSD) assumiu, ontem, a presidência da Frente Parlamentar em Defesa do Saneamento Básico, em cerimônia realizada no Instituto das Cidades (IDC), em Brasília. A posse consolida a atuação do parlamentar em uma pauta que já acompanha sua trajetória no Congresso Nacional, marcada pelo engajamento em iniciativas voltadas à ampliação do acesso ao saneamento e à melhoria da infraestrutura no país. A Frente integra a Coalizão das Cidades, iniciativa do IDC.
Com a presença do ministro das Cidades, Vladimir Lima; do presidente do Conselho do Instituto das Cidades, Bruno Sindona; e da diretora executiva da instituição, Beatriz Nóbrega; Fernando destacou o impacto direto do saneamento na vida da população e reforçou o compromisso com o avanço da pauta no Congresso. “O saneamento básico é uma das agendas mais importantes para o Brasil. Estamos falando de saúde e dignidade para fazer a diferença na vida das pessoas”, afirmou.
O parlamentar também enfatizou a importância da fiscalização e do fortalecimento das agências reguladoras para garantir resultados efetivos no setor. “Não adianta termos muitas regras e normas se não houver fiscalização. Precisamos fortalecer as agências reguladoras para garantir que o que está no papel se transforme em serviço chegando à ponta”, destacou. Na nova função, Fernando deve intensificar o diálogo com o governo federal, estados e municípios, além de representantes do setor, com foco na implementação de políticas que assegurem a universalização dos serviços.
O depoimento do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ainda não havia acabado na CPI do Crime Organizado e ele já era alvo de críticas de petistas e assessores no Palácio do Planalto. A reclamação central era que Galípolo teria “poupado” seu antecessor, Roberto Campos Neto, apontado pelos petistas e pelo presidente Lula como responsável pelas facilidades criadas para o Banco Master praticar suas fraudes bancárias.
O presidente do Banco Central já vinha sendo criticado por assessores de Lula e petistas por causa dos juros altos. Agora, foi criticado por ter dito na CPI que não há nada dentro do BC apontando que Roberto Campos Neto tenha feito algo de errado desde a criação do Master até o processo de liquidação do Banco Master. As informações são do blog do Valdo Cruz.
Leia maisO fato é que Galípolo fez um depoimento estritamente técnico, institucional, como deve ser uma fala de um presidente do Banco Central. Foi assim quando falou de Campos Neto. Foi na mesma direção quando garantiu que Lula determinou a ele que não perseguisse nem poupasse ninguém na análise sobre a situação do Banco Master logo depois de uma reunião com o banqueiro no Palácio do Planalto.
Lula e o PT estavam mirando em Campos Neto para se distanciar da crise causada pelo dono do Master, Daniel Vorcaro. Contavam com uma fala de Galípolo levantando, no mínimo, suspeitas sobre a administração de Campos Neto para reforçar os ataques ao governo Bolsonaro. Galípolo, porém, se limitou a falar o que as auditorias e sindicâncias dentro do BC apontaram sobre a novela do Master.
O vice-líder do governo na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), publicou mensagem no X dizendo: “Gabriel Galípolo escolheu o caminho de tentar blindar Roberto Campos Neto. Ao afirmar que não existe auditoria, sindicância ou conclusão interna que aponte responsabilidade do ex-presidente do Banco Central, ele demonstra que o controle interno é insuficiente e pode servir de escudo para proteger quem comandava a instituição”.
Reservadamente, dentro do Palácio do Planalto, assessores também se mostravam frustrados pelo depoimento de Galípolo. Só que tudo o que um manual de um banqueiro central não recomenda é que ele entre no jogo político.
Campos Neto sofreu com isso ao aparecer com a camisa verde amarela da seleção brasileira para votar em 2022, símbolo adotado pelos bolsonaristas. Apesar do deslize, o presidente do BC de Bolsonaro aumentou os juros em plena campanha eleitoral, prejudicando seu chefe.
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Por Antonio Magalhães*
O ovo, uma maravilha da engenharia biológica, vem transcendendo suas funções vitais de reproduzir a vida em seres ovíparos e alimentar animais e humanos para atuar na política brasileira com muito destaque: um poderoso togado, conhecido como “cabeça de ovo” por sua calvície, complica mais a vida dos brasileiros do que os efeitos negativos pelo consumo descontrolado do alimento.
Como efeito colateral por críticas a esta figura ovoide, o fulano corre o risco de sofrer uma investigação policial, processo judicial ou até mesmo prisão. Um perigo pior do que a infecção pela bactéria Salmonela, que infecta 1% dos ovos de galinha e pode levar à morte crianças e idosos. E, curiosamente, como o ciclo reprodutivo das galinhas que libera um ovo a cada 24 horas, o espaço de tempo das crises políticas nacionais têm quase o mesmo ritmo: uma denúncia de corrupção ou outro mal-feito é substituída por um crime semelhante em dias, assim sucessivamente.
Leia maisDias desses, o próprio presidente Lula fez uma analogia com o ovo de uma serpente e o bolsonarismo. No entender do governante petista, a transparência natural do ovo permite claramente ver o réptil já perfeito que nascerá. Lula repete uma metáfora, difundida por um filme de Ingmar Bergman, de 1977, para algo que parece inofensivo no início, mas que guarda um mal terrível em gestação, prenúncio de uma catástrofe futura. Esta é a visão própria do presidente, sem comprovação, de que seria um risco para a democracia a eleição de Flávio Bolsonaro para a Presidência da República. Pura falação.
E neste mundo da política, o ovo tem sido também uma arma de protesto contra autoritários, uma saraivada de claras e gemas voadoras contra aqueles que traem seus eleitores ou cidadãos. Uma expressão crítica costumeira que vem atingindo governantes e seus egos gigantes. Hoje, os seguranças das “celebridades” têm sempre à mão um guarda-chuva, o instrumento mais eficaz para proteger o chefão ou chefona do bombardeio aéreo do “Gallus gallus domesticus”
Diante de tanta negatividade registrada nos parágrafos anteriores, há uma metáfora antiga que aponta o ovo com um poder criativo e de inovação de quem fez algo primeiro: é o chamado “Ovo de Colombo” que apresenta soluções simples e óbvias para problemas que pareciam impossíveis, mas que só são reconhecidas após serem reveladas. A lenda diz que Cristóvão Colombo, descobridor da América, equilibrou um ovo quebrando sua ponta, respondendo aos críticos que qualquer um poderia fazê-lo, mas só ele teve a ideia.
Talvez o Brasil precisasse de um Cristóvão Colombo com suas soluções simples e óbvias para desfazer este nó jurídico que foi imposto ao país pelos ministros da Suprema Corte. O Colombo imaginário apenas sugeriria obediência a Constituição Federal de 1988 na sua plenitude, determinando o respeito a toda legislação infraconstitucional. Simples assim. Seria um passo gigantesco em direção à democracia plena.
Já o ovo na história, no mundo da imaginação e na fé cristã aponta para a possibilidade de renascimento. A casca rompida é a vida que recomeça. Durante séculos ele tem estado à mesa como símbolo de celebração e abundância, sentimentos tão bem registrados plasticamente pelo artista pernambucano Francisco Brennand nas suas esculturas defronte do Marco Zero do Recife. É o alimento do dia a dia dando lições profundas de vida. É isso.
*Jornalista
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Nota de esclarecimento
A minha empresa RI Consulting, fundada em 2019, presta serviço de consultoria política e empresarial para várias associações e federações do setor produtivo nacional. Faço acompanhamento de projetos de lei de interesse dos clientes que estão tramitando nas câmaras municipais, assembleias legislativas e Congresso Nacional.
Com o Banco Master, a RI Consulting fez contrato para acompanhar a tramitação da reforma tributária no Congresso Nacional e acompanhamento de projetos de lei nos estados e municípios.
Nunca fiz reunião com Banco Central, BRB ou qualquer instituição citada nas investigações do Banco Master. Enquanto durou o meu contrato, enviei mensalmente relatório de serviços que, inclusive, tive o cuidado de registrar em cartório uma ata notarial.
Silvio Costa – ex-deputado federal e proprietário da RI Consulting
Metrópoles
O banco Master repassou R$ 1,1 milhão para a RI Consulting, empresa do pai do ex-ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho. Os dados foram repassados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado no Senado e obtidos pela reportagem.
O ex-deputado federal de Pernambuco Silvio Costa, pai do ex-ministro de Lula, configura como sócio na RI Consulting. O administrador é o empresário Carlos Antônio da Costa Cavalcanti Neto. Os repasses recebidos do Banco Master pela empresa foram feitos ao longo de 2025.
A RI Consulting Assessoria e Consultoria Empresarial e Governamental Ltda é registrada na Receita Federal como uma empresa de consultoria em tecnologia da informação, publicidade, organização de feiras, congressos e exposições e serviço de levantamento de fundos. O ex-ministro ainda não se manifestou sobre o caso.
