Resultado de 18,19% das seções totalizadas até o momento para o Governo de Pernambuco. Raquel com 55,72% e Marília com 44,28%.
Resultado de 18,19% das seções totalizadas até o momento para o Governo de Pernambuco. Raquel com 55,72% e Marília com 44,28%.
Foi com sigilo máximo que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)André Mendonça tratou do pedido que fez na semana passada para que a Polícia Federal identificasse interlocutores de algumas mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro. A conversa citava conteúdos graves, como pedido de blindagem por meio do chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O retorno veio em 72 horas, prazo dado pelo ministro para que a PF identificasse os interlocutores das mensagens enviadas pelo banqueiro. Seu colega no STF, Alexandre de Moraes, era o receptor das mensagens que Vorcaro trocava sobre a Operação Compliance Zero, que viria a prendê-lo no fim de 2025. Mendonça não deu nem mesmo à PGR ciência do relatório policial que mostrava as conversas entre o banqueiro e Moraes. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisNo fim de semana, o ministro, que é o relator das investigações do Banco Master, procurou o presidente do STF, Edson Fachin, e relatou o conteúdo bombástico das mensagens. Como informou a colunista Malu Gaspar, o presidente da Corte não escondeu o temor pelo desgaste que o Supremo pode amargar com a crise em plena campanha eleitoral. Mendonça também se reuniu com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, que, assim como ele, foi indicado ao tribunal por Jair Bolsonaro. Além de tratar de temas eleitorais, Mendonça falou sobre o conteúdo das mensagens e disse que o material seria remetido à PGR.
Na segunda-feira (31), ministros relataram que o clima de que uma “bomba estava prestes a estourar” pairava no tribunal. Veio a explosão. Alexandre de Moraes teve conhecimento do relatório policial em que aparece sua troca de mensagens com Vorcaro. Irritado, buscou Mendonça e o bate-boca começou. Acusou Mendonça de investigar colegas da Corte. O relator do caso Master rebateu, dizendo que fez o pedido sem saber quem era o interlocutor e questionou como Moraes teve acesso ao documento, que ainda era sigiloso.
Segundo aliados de Moraes, foi só depois do “calor” que houve entre ele e Mendonça que o ministro decidiu encaminhar o documento para a PGR se manifestar. Já interlocutores de Mendonça relataram que o ministro já iria encaminhar o relatório, que também cita o procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao órgão que ele chefia.
O documento foi encaminhado à PGR e, na terça-feira (1º), as mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro se tornaram públicas, por ordem do ministro. A essa altura, os ministros do STF já estavam em polvorosa. A ala ligada a Moraes saiu em defesa do magistrado, em reservado. O principal argumento a favor dele é questionar a legalidade das ações feitas por Mendonça. Para esses ministros, o relator do caso Master teria ferido o rito do tribunal ao investigar um colega da corte sem a autorização do presidente do STF ou do plenário.
Integrantes do gabinete de Mendonça argumentam que ele não investigou colegas e que dirigiu o pedido à PF para saber quem eram os destinatários das mensagens com Vorcaro, sem saber que Alexandre de Moraes seria citado.
O caso também fez entornar de vez o caldo com a Polícia Federal. A decisão de Mendonça causou revolta e indignação no diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A interlocutores, o delegado acusa Mendonça de atuar de maneira ilegal, cometendo abuso de autoridade e desvio de finalidade. A crítica central é que Mendonça assumiu a função de investigador, o que não compete ao juiz. A mesma crítica passou a ser entoada por aliados de Gonet e ministros do STF ligados a Moraes.
O caso agora será decidido no plenário do STF, a pedido do relator e deixará claro se Mendonça ou Moraes ganhará a queda de braço. Seja qual for o desfecho, o fato é que o STF hoje vive uma crise sem precedentes.
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A bola está com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Luis Edson Fachin. Ele não pode demorar a se manifestar sobre a máxima gravidade das revelações feitas nesta terça-feira a respeito da relação absolutamente inadmissível do ministro Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, primeiro por meio de uma série de reportagens do jornal O Estado de S.Paulo e depois tornadas públicas quando o ministro André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero, levantou o sigilo de um relatório de 218 páginas da Polícia Federal sobre o caso.
Diante dos achados da PF, Mendonça se dirigiu a Fachin cobrando dele a convocação de uma sessão aberta e pública do pleno, independentemente da manifestação da Procuradoria-Geral da República, para analisar, “de modo técnico e eminentemente jurídico” as novas revelações trazidas pela PF. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisCom essa manifestação dirigida diretamente a Fachin, Mendonça torna explícita uma realidade: as citações ao procurador-geral Paulo Gonet no material da PF também tornam sua situação delicada e o deixam sujeito a uma investigação nos mesmos termos que Moraes.
Não é de hoje que o STF vem empurrando com a barriga e evitando mexer na ferida aberta na corte com o caso Master. Em relação a outro ministro, Dias Toffoli, o que a corte fez foi instá-lo a se afastar da relatoria do caso e, a partir daí, passar a se julgar impedido de julgar o caso. E só. Até aqui, as relações de sua família com empresas e fundos ligados ao Master não foram objeto de inquérito próprio pela PF.
Não é o mesmo procedimento que o STF tem usado para investigações similares, quando elas não atingem os seus. Sobretudo não é a maneira como Alexandre de Moraes procede nos muitos casos nos quais é relator.
Não é suficiente nem aceitável, agora, discutir se André Mendonça avançou o sinal em relação ao que dizem o Regimento Interno do STF e a Lei Orgânica da Magistratura. Diante dos fatos trazidos ao conhecimento do país, o STF tem de abrir as cortinas e cortar na própria carne.
Numa só tacada, veio à tona que Moraes editou o contrato do escritório de sua mulher, Viviane Barci, com o Master, que foi consultado por Vorcaro sobre a conveniência e o momento de deixar o país para não ser preso, que recebeu dele vários pedidos para influenciar em decisões da PF e da PGR e que seus filhos receberam cartões de crédito e transporte em aeronaves franqueados pelo Master. É uma bomba atômica em termos de gravidade criminal e institucional.
Fachin não tem como hesitar. Moraes é vice-presidente do STF, a imagem da corte está em seu pior momento e temas como impeachment de ministros do Supremo estão na pauta das eleições. Tudo isso contribui para a urgência da manifestação de Fachin e dos demais ministros, em público, como eles mesmos fizeram questão de fazer em casos paradigmáticos da história recente, como a trama golpista.
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O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a nulidade do relatório da Polícia Federal que detalha a relação do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e com ele próprio. O parecer foi enviado ao ministro André Mendonça, relator do caso Master na Corte, que na segunda-feira solicitou uma manifestação do órgão a respeito das informações encontradas na investigação.
Segundo o procurador-geral da República, a ordem de Mendonça para que a PF identificasse o destinatário de mensagens de Vorcaro, sem um pedido prévio do Ministério Público ou da Polícia Federal, não é válida por “exceder os limites de competência do magistrado”. Além disso, Gonet pontua que a lei prevê autorização do plenário do STF para que um integrante da Corte seja investigado. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia mais“Mesmo que, casualmente, fosse encontrado algum indício do que o relator entendesse ser irregularidade de interesse penal, não caberia a ele aprofundar as pesquisas sobre o Colega – vale dizer, não caberia a ele determinar que se investigassem com mais detimento referências ao Colega. Impunha-se, antes, que, acreditando haver o que merecesse ser investigado, se dirigisse ao Presidente do Tribunal, para que o Plenário pudesse avaliar o acerto da sua impressão, concordando ou não com a investigação”, afirma o Gonet.
O relatório da PF teve como ponto de partida mensagens identificadas no celular de Vorcaro, apreendido durante a Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Master. Na semana passada, Mendonça pediu que os investigadores identificassem os interlocutores do banqueiro sob argumento que Vorcaro teria montado uma “rede de monitoramento e influência, com potencial infiltração nas mais elevadas instâncias de diversas instituições da República”.
Em despacho na segunda-feira, Mendonça solicitou que o plenário da Corte delibere sobre as informações encontradas pela PF. Segundo o ministro, a análise pelo colegiado ocorrerá independentemente da manifestação que viesse a ser apresentada pela PGR. A inclusão na pauta do plenário depende de uma decisão do presidente da Corte, Edson Fachin.
Segundo Gonet, contudo, como a ordem de Mendonça é nula, o relatório elaborado pela Polícia Federal, com o detalhamento das mensagens que citam o ministro, também é nulo. Assim, na visão do PGR, o caso deve ser extinto.
“Por outra causa mais, é nula. Mesmo que, casualmente, fosse encontrado algum indício do que o relator entendesse ser irregularidade de interesse penal, não caberia a ele aprofundar as pesquisas sobre o Colega – vale dizer, não caberia a ele determinar que se investigassem com mais detimento referências ao Colega. Impunha-se, antes, que, acreditando haver o que merecesse ser investigado, se dirigisse ao Presidente do Tribunal, para que o Plenário pudesse avaliar o acerto da sua impressão, concordando ou não com a investigação.”
Em uma manifestação de oito páginas, o PGR afirma ainda que o nome de Moraes já havia sido incluído em informes policiais anteriores e que, ao pedir que houvesse o detalhamento, “é certo que o relator quis que fossem minudenciados”.
“Não importa o grau de investigação que a providência constitui, é inegável que houve imersão em elementos dos autos para buscar indicativos de envolvimento do Ministro Alexandre de Moraes em ilícitos”, afirma Gonet.
Como revelou O GLOBO, uma ala da Corte mais próxima a Moraes já avaliava que a validade do relatório do STF deveria ser um dos principais pontos a serem discutidos pelo colegiado. O principal argumento desse grupo é que a investigação de ministros do STF tem de ser autorizada pelo tribunal previamente. Como não houve essa consulta por parte da PF, a avaliação dé que as informações coletadas no celular de Vorcaro podem ser declaradas nulas, ou seja, sem valor para embasar eventuais atos processuais.
Do outro lado, interlocutores de Mendonça sustentam que não houve nenhum ato de investigação acerca de Moraes e que não se sabia quem era o destinatário das mensagens de Vorcaro até então. Para aliados do ministro, os investigadores apenas identificaram o interlocutor das mensagens e isso não consistiria uma apuração. Nessa visão, o rito foi seguido: as mensagens foram encontradas e remetidas para a PGR e o plenário para a devida apreciação.
As mensagens apreendidas pela PF mostram que Vorcaro também mantinha relações com Gonet. Um diálogo revela um pedido para que o banqueiro bancasse uma viagem para o filho do Procurador-Geral da República para Londres. Na conversa, de março de 2025, o advogado Ciro Soares, ex-defensor do Master, pergunta ao banqueiro se poderia incluir Pedro Gonet no grupo que iria participar de um evento na capital inglesa, ao que Vorcaro confirma.
Nas conversas apreendidas pela PF, Ciro Soares chegou a enviar uma fotografia na qual aparecia ao lado de Gonet, e, na sequência, afirmou que o chefe da PGR queria falar com o então dono do Master. Depois das mensagens, foram registradas quatro ligações entre Vorcaro e o telefone de Ciro.
Segundo a PF, a fotografia foi enviada por Ciro a Vorcaro às 14h13 do dia 15 de março de 2025. Logo depois, o advogado escreveu “Liga aqui” e acrescentou: “Ele quer falar com você”.
A partir das 14h23, o celular registra quatro chamadas de voz entre Vorcaro e Ciro. As ligações tiveram duração de 57 segundos, 27 segundos, 17 segundos e três minutos e 49 segundos.
O relatório não esclarece se Gonet participou das chamadas nem confirma que tenha conversado diretamente com Vorcaro. Os registros mostram apenas que as ligações foram feitas para o telefone de Ciro depois que o advogado enviou a foto com o procurador-geral e afirmou que ele queria falar com o banqueiro.
A sequência foi localizada pela PF durante uma pesquisa por referências a Gonet nos dados extraídos do aparelho. Os investigadores afirmam que não havia no celular de Vorcaro um contato salvo com o nome do chefe da PGR. As menções foram encontradas principalmente nas conversas entre o banqueiro e Ciro.
Duas semanas depois, em 28 de março de 2025, o advogado encaminhou a Vorcaro outras três mensagens e afirmou que elas haviam sido enviadas por Gonet. Entre os textos estavam “Que bom! Estou na torcida por vocês!” e “Já estou com saudades de você! Estou embarcando para Roma”.
Vorcaro agradeceu pelas mensagens. Na sequência, Ciro afirmou que o procurador-geral “lhe adora” e que iria a Londres com o grupo. No dia seguinte, o advogado perguntou ao banqueiro se o filho de Gonet poderia acompanhá-los na viagem. Vorcaro respondeu: “Óbvio, né”.
Em abril daquele ano, uma funcionária consultou Vorcaro sobre quais convidados poderiam viajar a Londres com as despesas pagas pela organização. O banqueiro autorizou o custeio para Ciro e para Pedro Gonet, filho do procurador-geral.
A PF não atribui, nesse relatório, uma conduta criminosa a Gonet. O documento reúne mensagens e registros encontrados no telefone de Vorcaro em cumprimento a uma ordem de Mendonça para identificar pessoas citadas nas comunicações do banqueiro e apresentar as interações relacionadas a elas
O documento produzido pela PF tambpem indica que Vorcaro recebeu orientações Moraes no auge da crise da instituição financeira. Durante um período de 13 dias, mensagens extraídas do celular do banqueiro mostram que ele pediu a intervenção do magistrado para impedir a liquidação do banco e o avanço das investigações. Nas conversas, Vorcaro faz apelos para “sensibilizar” autoridades e pergunta sobre como deveria proceder para “desarmar” e “reverter” a situação.
No dia 17 de novembro de 2025, Vorcaro envia uma mensagem a Moraes, perguntando se havia “alguma novidade”. “Conseguiu ter notícia ou bloquear?”
Não é possível saber ao que especificamente Vorcaro se referia, mas ele foi preso algumas horas depois do diálogo no Aeroporto Internacional de Guarulhos durante a Operação Compliance Zero. Os agentes o interceptaram quando ele se preparava para embarcar em um jato particular para Dubai. A PF o prendeu na ocasião por suspeita de tentativa de fuga.
Um dia antes, em 16 de novembro, a troca de mensagens entre Vorcaro e Moraes foi intensa. E o banqueiro fez um pedido a Moraes para que ele tentasse “sensibilizar” o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
“Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”, diz ele, no print, provavelmente referindo-se à operação da PF que seria deflagrada no dia seguinte. “Voce acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manha”, completa.
Na ocasião, Vorcaro demonstra receio de ser alvo da PF e aparenta ter informações privilegiadas sobre o andamento das apurações. O banqueiro tentava ganhar tempo para conseguir vender os ativos do Master a um consórcio formado pela Fictor Holding Financeira com fundos de investimentos do Emirados Árabes, o negócio não prospera em razão da Operação Compliance Zero.
Ainda no dia 16 de novembro, Vorcaro pede a “leitura” de Moraes sobre a situação que o Master estava enfrentando.
“Ele tá sabendo das soluções? E quer antecipar pra não deixar acontecer? Qual a sua leitura? O que tá havendo? E com Andrei da pra segurar”, diz o texto.
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes continua a dever explicações convincentes sobre suas relações com Daniel Vorcaro, o ex-dono do Banco Master preso por ter comandado a maior fraude bancária da História do Brasil. O relatório da Polícia Federal (PF) revelado nesta terça-feira traz indícios que expõem um grau de proximidade entre Vorcaro e Moraes incompatível com a isenção e a imparcialidade indispensáveis a qualquer magistrado, ainda mais a um ministro da mais alta Corte do país.
No relatório, cujo conteúdo foi revelado pelo jornal O Estado de S.Paulo, a PF atribui a Vorcaro mensagens endereçadas a Moraes, enviadas por um sofisticado mecanismo destinado a proteger a comunicação. Segundo a apuração dos investigadores, é possível afirmar que Moraes é o destinatário dessas mensagens. Suas respostas a Vorcaro não foram encontradas, porém, porque seu celular não foi periciado. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisO ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, solicitou à Procuradoria-Geral da República que se manifestasse sobre as conclusões da PF, levantou o sigilo do caso e pediu uma sessão pública, transparente e presencial para examinar as evidências. “O caminho inevitável dos presentes autos leva ao plenário deste STF”, afirmou. A PGR se pronunciou, alegando que a investigação deveria ser anulada, pois não cabe a Mendonça investigar Moraes, prerrogativa exclusiva do Ministério Público.
Independentemente do desfecho jurídico do caso, com tudo o que já se sabia mais o conteúdo revelado nesta terça-feira, torna-se verossímil a versão segundo a qual Vorcaro contava com Moraes para protegê-lo de investigações que sabia estarem em andamento. Caso o ministro não consiga explicar os fatos, poderá ser ele próprio investigado.
Desde o ano passado, quando a colunista do GLOBO Malu Gaspar revelou o contrato de R$ 130 milhões entre o Master e o escritório de advocacia da mulher de Moraes, o ministro tem escolhido o silêncio ou se manifestado por meio de notas lacônicas, emitidas por vezes semanas depois dos fatos. No início do ano, a própria Malu Gaspar revelou uma mensagem enviada por Vorcaro ao celular de Moraes horas antes de ser preso: “Conseguiu ter notícia ou bloquear?”.
Segundo o relatório da PF, essa foi a mensagem culminante numa sucessão de outras nos dias anteriores. “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei?”, dizia, dois dias antes da prisão, uma mensagem em que, na interpretação da PF, Vorcaro se referia ao procurador-geral Paulo Gonet e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues — ambos convidados dele numa viagem a Londres em abril de 2024, coroada por degustação de uísque. “O Paulo só disse que tava olhando pessoalmente”, afirmava outra mensagem. “E com Andrei dá pra segurar?”, perguntava uma terceira, a menos de 24 horas da prisão. “Acha que segunda já tenho que estar fora?”, questionava, insinuando estar preparado para deixar o país caso necessário. “Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você. Muito obrigado por tudo”, afirmava outra mensagem, sugerindo que Moraes já havia respondido a demandas de Vorcaro no passado.
A PF encontrou evidências de que a minuta do contrato do Master com o escritório de advocacia foi editada pelo próprio Moraes. O escritório confirmou que envia contratos ao ministro e alegou que ele buscava “eventuais impedimentos legais para a contratação nos termos propostos na minuta contratual”. Mas a dúvida ética persiste.
Todos os citados no relatório da PF têm esclarecimentos a prestar. Gonet era mesmo o Paulo das mensagens? E, se era, deu algum acesso especial a Vorcaro? Rodrigues era o Andrei citado? Foi instado ou tentou “segurar” alguma investigação? Por fim, a Moraes cabe não apenas se dizer honesto, mas demonstrar sua honestidade. Ninguém pode ser ou será considerado culpado de antemão. Mas a sociedade precisa de explicações. O silêncio ou notas lacônicas não serão suficientes.
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O senador Carlos Viana (PSD-MG) afirmou, nesta terça-feira (1º/9), que o número de assinaturas suficientes para abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) contra Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não foi alcançado.
Segundo Viana, nem os parlamentares da oposição querem se comprometer e colocar seu nome do pedido. As informações são do Metrópoles.
Leia maisPara abrir uma CPMI são necessárias pelo menos 198 assinaturas do Congresso ao todo, sendo 171 assinaturas de deputados federais (correspondentes a 1/3 da Câmara) e 27 assinaturas de senadores (1/3 do Senado Federal).
O empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, está sendo investigado em três inquéritos abertos pela Polícia Federal (PF) por indícios de corrupção e de tráfico de influência a favor de empresas junto ao governo federal.
As investigações foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no fim de julho, com duas relatorias de André Mendonça e uma do ministro Flávio Dino. Lulinha, por sua vez, nega as acusações.
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O deputado federal Coronel Meira (PL-PE) assinou, nesta terça-feira (1º), um requerimento de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento, protocolado com a participação de outros parlamentares, cita mensagens atribuídas a Moraes e ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, além de contratos envolvendo o banco e o escritório da esposa do ministro.
Segundo o requerimento, as mensagens teriam sido obtidas no curso de investigações e indicariam interlocuções entre Vorcaro e Moraes sobre temas relacionados à Operação Compliance Zero e à atuação de autoridades públicas. O documento também questiona um contrato entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes e pede a apuração de possíveis conflitos de interesse e eventual interferência em investigações. As acusações ainda deverão ser submetidas à apuração e ao contraditório.
“Assinei o pedido de impeachment porque acredito que ninguém está acima da Constituição e das leis. Se existem mensagens, contratos, pagamentos milionários e indícios de possível interferência em investigações, tudo precisa ser investigado até o fim”, afirmou Coronel Meira. O requerimento pede que o Senado Federal receba e processe a denúncia, além da realização de diligências, análise de documentos, preservação de provas e oitivas dos envolvidos.
Por Andreza Matais – Metrópoles
Ao saber que o ministro André Mendonça havia pedido o aprofundamento de investigações que acabaram por descortinar suas conversas com Daniel Vorcaro, o ministro Alexandre de Moraes quase chegou às vias de fato com o colega do Supremo.
Moraes pediu ontem (31/08) uma conversa com Mendonça, que o recebeu em seu gabinete. O encontro desandou. A coluna apurou que o clima esquentou, o tom ficou ríspido de parte a parte e, por pouco, a discussão não descambou para agressões físicas.
Leia maisMoraes descobriu que Mendonça havia determinado à PF que revelasse quem era o interlocutor de Vorcaro em uma conversa na qual eram citados o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A PF averiguou que se tratava de Moraes. No diálogo, revelado pela coluna, Vorcaro pede a Moraes “proteção” de Gonet e Andrei Rodrigues.
Mendonça quis saber como Moraes tomou conhecimento dessa investigação, que é sigilosa e está sob sua relatoria. “Eu tenho minhas fontes. Fui ministro da Justiça”, respondeu Moraes.
Moraes acusou o colega de direcionar as investigações para ele. Para investigar um ministro do Supremo, é preciso ter a concordância de todos os ministros da Corte.
A coluna apurou que, antes de os bombeiros entrarem em ação, haverá um “fogo de encontro”. Moraes está se municiando para contra-atacar Mendonça.
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Representantes da concessionária responsável pelo trecho da BR-116 que integra o projeto Rota dos Sertões estão em Salgueiro nesta terça-feira (1º/9) para uma reunião com a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
A informação foi confirmada pelo inspetor Carlos Evaldo, durante entrevista concedida ao programa A Hora é Agora, na Rádio Salgueiro FM.
A reunião é mais um passo no processo de implantação da nova concessão da BR-116 no Sertão pernambucano e deve envolver discussões relacionadas à operação, segurança e à futura administração do trecho concedido. As informações são do Blog do Vinícius Oliveira.
Leia maisO corredor rodoviário, com aproximadamente 502 quilômetros entre Salgueiro, em Pernambuco, e Feira de Santana, na Bahia, integra o projeto denominado Rota dos Sertões e passou recentemente pelo processo de concessão à iniciativa privada.
O trecho será administrado pelo Consórcio 116 Sertões, vencedor do leilão de concessão realizado pelo Governo Federal e pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em maio de 2026.
O contrato prevê uma concessão com duração de 30 anos, período em que deverão ser realizados investimentos e intervenções na rodovia. Entre as mudanças previstas está a implantação de praças de pedágio ao longo do corredor.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera as intenções de voto para o primeiro turno das eleições presidenciais, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira 1º pelo instituto Real Time Big Data.
Foram testados dois cenários: com e sem o nome de Pablo Marçal (PRTB), que tenta concorrer mesmo tendo sido declarado inelegível. Em ambos, o petista aparece em primeiro, seguido por Flávio Bolsonaro (PL). As informações são da Carta Capital.
O levantamento foi mais um a registrar alta expressiva nas intenções de voto de Augusto Cury (Avante). Na última pesquisa do mesmo instituto, divulgada em 21 de julho, o escritor tinha um ponto percentual. Neste, oscila entre os 10 e os 11 pontos, a depender do cenário.
Leia maisConfira os percentuais:
Primeiro turno – Cenário 1
Lula (PT) – 38%
Flávio Bolsonaro (PL) – 29%
Augusto Cury (Avante) – 10%
Renan Santos (Missão) – 6%
Ronaldo Caiado (PSD) – 4%
Pablo Marçal (PRTB) – 3%
Romeu Zema (Novo) – 2%
Outros* – 2%
Nulo/branco – 3%
Não sabe/não respondeu – 3%
Primeiro turno – Cenário 2
Lula (PT) – 38%
Flávio Bolsonaro (PL) – 30%
Augusto Cury (Avante) – 11%
Renan Santos (Missão) – 7%
Ronaldo Caiado (PSD) – 4%
Romeu Zema (Novo) – 2%
Outros* – 2%
Nulo/branco – 3%
Não sabe/não respondeu – 3%
*Nos dois cenários, Clariana Barão (DC), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara (UP), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU) e Wilson Grassi (Democrata), somados, chegaram a 2%, sem que nenhum isoladamente alcançasse 1%, e foram listados como “outros”.
Foram realizadas 2 mil entrevistas telefônicas entre os dias 27 e 31 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O código de registro no TSE é BR-03490/2026.
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Com o início da propaganda eleitoral, a comunicação ganha outro foco na disputa eleitoral. Para o estrategista e analista de dados Alek Maracajá, a inteligência artificial será o grande desafio deste pleito, e possivelmente dos próximos. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, o especialista analisou a evolução da comunicação digital nas últimas décadas e falou das perspectivas para o cenário atual.
“Em 2000, todo o planejamento de uma campanha era para o guia eleitoral e para a rua. Em 2010, já entra o poder da internet, as pessoas interagindo sobre o guia. Em 2018, na campanha de Jair Bolsonaro (PL), já vimos o movimento presente do digital, então as pessoas estavam muito conectadas. A primeira tela do brasileiro hoje é o smartphone, já há mais de 15 anos. E em 2026, além de toda a conectividade, a gente tem um ponto extremamente importante, que é a inteligência artificial, que acelera, não apenas o vídeo, a manipulação, mas a facilidade de espalhar o conteúdo de forma massiva para o Brasil todo. Hoje o grande desafio nessas eleições é a IA”, pontuou Alek.
Leia mais“As campanhas passaram por muitas mudanças, mas a grande mudança é que o guia hoje é pensado mais para a internet, para os cortes, do que para o próprio guia. Poucas pessoas acompanham aquele momento do horário eleitoral. Eu acompanho sempre pelo rádio, porque estou no carro, mas hoje o guia é direcionado para o mundo conectado. Todos estão conectados e dentro das suas bolhas”, completou.
Por esse ambiente conectado é que Maracajá considera que o grande desafio é fiscalizar o uso correto da IA. “O grande trabalho que o ministro Kássio Nunes (presidente do Tribunal Superior Eleitoral) tem nesse pleito de 2026. A velocidade das informações e o combate à desinformação. Hoje a pauta do TSE é sobre se pode ou não usar um vídeo manipulado, se vai condenar ou não esse uso. Hoje a Justiça Eleitoral não tem braço nem perna para poder fiscalizar e combater isso. O Brasil moderno, de 25 anos de uma conectividade muito presente na vida dos brasileiros, a gente cresceu, mas não amadureceu. Temos uma sociedade não madura para entender se algo é fake news ou não, se é verdade ou mentira. Hoje o combate à desinformação básico é muito presente no dia a dia dos brasileiros”, concluiu.
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A PF (Polícia Federal) reuniu mensagens, contratos, registros de encontros e outros arquivos encontrados no celular de Daniel Vorcaro que mostram a relação do fundador do Banco Master com o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e pessoas de seu entorno.
O material integra a Petição 16.662, que teve o sigilo derrubado nesta terça-feira (1º) pelo ministro André Mendonça. Entre os documentos tornados públicos está um relatório de 218 páginas elaborado pela PF a partir da análise do celular de Vorcaro. O aparelho havia sido apreendido durante a operação Compliance Zero. As informações são do Poder 360.
Leia maisO relatório reproduz conversas de Vorcaro com um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA” e reúne referências a encontros entre os 2, além de mensagens relacionadas ao escritório Barci de Moraes Advogados, ligado à mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes. A PF identificou que o número atribuído a Moraes foi compartilhado com Vorcaro em dezembro de 2023 e, depois, salvo na agenda do banqueiro.
Entre os anexos estão a íntegra das conversas com o contato identificado como Moraes e documentos de 2 contratos envolvendo o escritório Barci de Moraes. O primeiro, firmado com o Banco Master em janeiro de 2024, previa honorários de R$ 108 milhões líquidos em 3 anos –R$ 131,3 milhões em valores brutos. O segundo, firmado com a Viking Participações em maio de 2025, tinha valor de R$ 50 milhões. Há ainda um acordo relacionado ao pagamento do segundo contrato, envolvendo a transferência de ativos.
Eis as íntegras dos documentos da Petição 16.662:
DOCUMENTOS CENTRAIS
O escritor e candidato a presidente Augusto Cury (Avante) surpreendeu a classe política nacional ao pontuar com 11% em duas pesquisas de intenção de voto nos últimos dias. Para o estrategista e cientista de dados Alek Maracajá, é preciso acompanhar nas próximas semanas se a situação inusitada se manterá, mas já dá para cravar um novo rumo para a disputa pelo Palácio do Planalto.
“Acredito muito que a gente está indo para o despertar da terceira via. Cury é a grande surpresa, ele furou a bolha e chegou em várias pessoas. Agora a decisão está nas pessoas. Ele vai aparecer mais ainda e vai despertar o interesse de muita gente, então acredito que ele vai crescer ainda mais”, afirmou Maracajá, em entrevista ao podcast Direto de Brasília.
Leia maisPara o profissional, o crescimento de Cury se deveu a uma estratégia ousada e assertiva no marketing eleitoral da campanha. “Ele está no debate esta semana constantemente. Ele está envolvido e cria um cenário antes do último debate, cria um movimento. Então ele precisou entrar no discurso e movimentou o digital. Alguns especialistas falaram que ele comprou seguidor, mas não comprou. Ele foi rápido, teve velocidade de crescimento, engajamento, velocidade de busca sobre o nome dele, compartilhamentos, comentários. Ele conseguiu capturar um personal trainer aqui, um influencer ali, e movimentou vários tipos de classes para furar a bolha. Ele sabe que o digital é um ambiente de nichos e bolhas, precisou entrar com essa estratégia, que foi a mais acertada até esse momento da eleição presidencial do Brasil”, analisou.
Segundo dados levantados por Maracajá, que não integra a campanha de Cury, o candidato saiu de 8,3 milhões de seguidores para 10,8 milhões. “Ele participou do debate em TV aberta, que, em termos de comunicação, não tem bolhas, não tem nichos. Ela vai para a massa e a massa vai consumir. O digital trabalha com bolhas, então é difícil furar uma. Ele foi para o primeiro debate e já começou a furar a bolha. Quando vai para a sabatina no Jornal Nacional, que é um canhão na comunicação, isso fez com que ele crescesse muito. Mas apenas a audiência do JN não significa tudo. Ele pegou cortes e colocou na internet, e chegou a um crescimento exponencial de mais de 2,4 milhões de novos seguidores. Por isso esse crescimento no digital fez uma diferença na pesquisa”, completou.
“Os cortes e a estratégia dos microinfluenciadores ajudaram. Ele conseguiu pegar pessoas da direita, conseguiu pegar influenciador de saúde, de política, vários, e com isso conseguiu furar a bolha e agregar atenção. O grande segredo hoje do mundo digital é atenção, e ele conseguiu puxar a atenção para ele. É uma das estratégias também do Renan Santos (Missão). Os dois têm estratégias muito parecidas, mas um tem discurso um pouco mais radical, e o outro tem habilidade mais para o debate centrado”, concluiu Maracajá.
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