Resultado de 18,19% das seções totalizadas até o momento para o Governo de Pernambuco. Raquel com 55,72% e Marília com 44,28%.
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Combate ao crime exige respeito ao Brasil
A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas abriu uma nova frente de tensão diplomática com o Brasil e reacendeu um debate sensível sobre os limites da cooperação internacional e o respeito à soberania nacional.
Embora o combate ao crime organizado seja uma preocupação compartilhada por diversos países, a medida adotada pelo presidente Donald Trump (republicano) levanta questionamentos sobre o alcance de decisões unilaterais que produzem efeitos além de suas fronteiras e impactam diretamente políticas de segurança definidas por governos estrangeiros.
O governo brasileiro reagiu de forma firme e acertada ao rejeitar qualquer tentativa de interferência externa na definição de como o país enquadra e combate suas organizações criminosas. Não há dúvida de que PCC e CV representam algumas das maiores ameaças à segurança pública nacional, espalhando violência, controlando territórios e movimentando bilhões de reais por meio do tráfico de drogas, armas e outras atividades ilícitas. No entanto, a gravidade desses crimes não elimina a necessidade de precisão jurídica e política na classificação dessas organizações.
Leia maisA legislação e a doutrina internacional costumam associar o terrorismo a ações motivadas por objetivos ideológicos, religiosos ou políticos. As facções brasileiras, por sua vez, atuam essencialmente para ampliar seus lucros e fortalecer suas estruturas criminosas. A distinção pode parecer meramente conceitual, mas tem implicações práticas relevantes. Misturar categorias distintas pode gerar insegurança jurídica, dificultar a cooperação internacional e criar precedentes para que governos estrangeiros passem a enquadrar problemas internos de outros países segundo seus próprios critérios.
A preocupação manifestada pelo Palácio do Planalto também encontra respaldo no histórico recente das relações entre Brasil e Estados Unidos. O presidente Lula (PT) já havia alertado para a necessidade de respeito mútuo entre as nações e de diálogo antes da adoção de medidas que possam produzir reflexos econômicos e diplomáticos. O combate ao crime organizado exige cooperação internacional, troca de inteligência e atuação conjunta contra a lavagem de dinheiro e o tráfico internacional de armas. Contudo, essa cooperação só é eficaz quando construída em bases de confiança e não por meio de decisões impostas unilateralmente.
Outro ponto que reforça a posição brasileira é o fato de o país não estar inerte diante do avanço das facções. Nos últimos meses, o Congresso Nacional aprovou legislação que endurece penas para integrantes de organizações criminosas, enquanto o governo federal ampliou operações de inteligência e repressão financeira contra grupos criminosos. Além disso, o Brasil apresentou aos próprios Estados Unidos propostas de cooperação voltadas ao rastreamento de recursos ilícitos e ao enfrentamento das redes transnacionais que alimentam o crime organizado. Isso demonstra que o debate não é sobre tolerância com criminosos, mas sobre quem tem legitimidade para definir os instrumentos de combate.
Ao afirmar que a soberania nacional é inegociável, o governo brasileiro adota uma posição coerente com os princípios que regem as relações internacionais. Nenhum país aceitaria que uma potência estrangeira determinasse unilateralmente como seus problemas internos devem ser classificados ou enfrentados. O Brasil tem o dever de combater as facções com rigor máximo, mas também tem o direito de fazê-lo de acordo com suas leis, suas instituições e sua Constituição.
Governo analisa situação minuciosamente – Ministros e auxiliares do governo brasileiro passaram o dia de ontem em reuniões para fazer um exame detalhado das possíveis implicações do anúncio dos Estados Unidos. Por determinação de Lula, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, convocou uma reunião com os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Dario Durigan (Fazenda), o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Chico Lucas, e o número dois da Assessoria Especial da Presidência, Audo Faleiro. O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, estava em viagem para o Paraguai e antecipou a volta para Brasília. Os auxiliares apresentaram o impacto da decisão da Secretaria de Estado dos EUA na segurança pública, no mercado financeiro e até no turismo. Segundo integrantes do governo, se tratou de uma reunião de trabalho, em que os ministros olharam todas as ações do país em parceria com os EUA e levantaram números.

Alerta ao sistema financeiro – O governo Lula (PT) passou a tratar como prioridade a proteção do sistema financeiro brasileiro após a decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Em entrevista ao jornal O Globo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, alertou para o risco de sanções que possam atingir bancos, fintechs, fundos de investimento e até a infraestrutura do Pix. A preocupação do governo é que medidas adotadas unilateralmente por Washington acabem ampliando artificialmente a percepção de risco sobre o Brasil e elevem o custo do crédito e dos investimentos. Segundo Durigan, a estratégia seguirá a mesma linha adotada durante o tarifaço imposto por Donald Trump: diálogo diplomático, defesa das instituições brasileiras e eventual suporte aos setores afetados.
Lula dobra a aposta – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ontem que pretende indicar novamente o advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. O nome de Messias sofreu uma rejeição histórica no Senado após articulação liderada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), episódio considerado uma das maiores derrotas políticas do governo neste mandato. Ao comentar o caso durante evento da Petrobras em Sergipe, Lula atribuiu o revés a uma decisão “simplesmente política” e afirmou que não pretende recuar. A declaração reabre o embate entre Palácio do Planalto e Senado justamente num momento em que o governo tenta reconstruir pontes com o Congresso para avançar em pautas prioritárias.

JK foi assassinado pela ditadura – A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos aprovou relatório concluindo que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar em 1976. A decisão contraria a versão oficial consolidada ao longo de décadas, segundo a qual JK teria morrido em um acidente automobilístico na Via Dutra. O documento aprovado recomenda a alteração da certidão de óbito para registrar que a morte foi causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição política do regime instaurado em 1964. O relatório reúne conclusões de investigações anteriores, aponta dezenas de inconsistências na apuração original e sustenta que há elementos suficientes para responsabilizar o regime militar pelo episódio.
CURTAS
Raquel na mira do TCE – Matéria publicada ontem pela Revista Veja divulgou que o Tribunal de Contas de Pernambuco determinou a abertura de uma auditoria para investigar contratos firmados pelo governo Raquel Lyra (PSD) com a Cetus Construtora. A decisão foi tomada pelo conselheiro Rodrigo Novaes a partir de representação apresentada pelo deputado estadual Romero Albuquerque (PSB). O foco da apuração são supostas irregularidades em contratos de manutenção de escolas que, somados, ultrapassam R$ 185 milhões. O TCE listou doze pontos que deverão ser analisados durante a auditoria.
Empresa inidônea – Um dos principais questionamentos envolve a contratação da Cetus Construtora durante o período em que a empresa constava como inidônea no cadastro da Controladoria-Geral da União. Segundo a denúncia, a construtora estava impedida de contratar com o poder público entre março de 2025 e março de 2026, mas teve contrato assinado com a Secretaria de Educação de Pernambuco em junho de 2025. O processo também aponta ausência de análise prévia da Procuradoria-Geral do Estado antes da formalização do acordo.
R$ 224 milhões sob análise – A auditoria do TCE também vai apurar indícios de superfaturamento, pagamentos em duplicidade, subcontratações irregulares e possível desvio de finalidade dos contratos. Segundo a representação, serviços de obra, reforma e ampliação teriam sido executados sob a rubrica de manutenção. O documento cita ainda adesões à mesma ata de registro de preços por outros órgãos estaduais, como a Secretaria de Saúde e o Lafepe, elevando o volume total dos contratos para mais de R$ 224 milhões.
Perguntar não ofende: Alcolumbre aceitará comprar a mesma briga duas vezes?
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O prefeito de Araripina, Evilásio Mateus, assinou, na última quinta-feira (28), a ordem de serviço para a construção de 50 unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida. As moradias serão construídas por meio de parceria com o Governo Federal e integram as ações voltadas à ampliação do acesso à habitação no município. A iniciativa contou com articulação junto ao deputado federal Fernando Filho, à deputada estadual Roberta Arraes e ao senador Fernando Dueire.
As obras serão executadas pela empresa Zeta Engenharia, vencedora da licitação. Durante a assinatura da ordem de serviço, Evilásio Mateus destacou a importância do projeto para as famílias beneficiadas. “Esse é um momento muito importante para Araripina. Estamos trabalhando para trazer mais dignidade, qualidade de vida e oportunidades para o nosso povo. Essas 50 casas representam esperança e a realização do sonho de muitas famílias”, afirmou o prefeito. Segundo a gestão municipal, além de ampliar a oferta habitacional, o empreendimento também deve gerar empregos e movimentar a economia local.
O deputado federal Eduardo da Fonte voltou a defender publicamente a pré-candidatura de Léo do Ar à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) durante o Congresso da União dos Vereadores de Pernambuco (UVP), realizado em Triunfo, no Sertão do Estado. Pré-candidato ao Senado, o parlamentar destacou a atuação de Léo à frente da entidade e reforçou seu apoio ao nome do aliado para representar os vereadores pernambucanos nas eleições de 2026.
Ao discursar para vereadores e lideranças de diversas regiões do Estado, Eduardo da Fonte ressaltou a importância do Legislativo municipal e afirmou que a pré-candidatura de Léo do Ar vem sendo construída com base no trabalho desenvolvido junto às bases políticas. Atualmente em seu quarto mandato como vereador de Gravatá e presidente da UVP, Léo tem ampliado sua articulação estadual por meio da entidade e busca fortalecer sua presença no cenário político pernambucano.
A Comissão Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), órgão de Estado vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos, aprovou relatório concluindo que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar, de acordo com o teor antecipado por reportagem da Folha de 7 de maio.
Segundo nota publicada pelo MPF (Ministério Público Federal), o relatório da historiadora Maria Cecília Adão aprovado pela CEMDP afirma que JK “foi morto pela ditadura em 1976, contestando a conclusão da época de que ele teria sido vítima de um acidente automobilístico”. As informações são da Folha de S. Paulo.
Leia maisO relatório foi aprovado na manhã desta sexta (29), com 6 votos a favor e uma abstenção. A comissão conclui que a batida de um ônibus na traseira do veículo jamais ocorreu —essa foi a conclusão da época, repetida depois pela Comissão Nacional da Verdade.
O apontamento da CEMDP se dá no ano em que se completam 50 anos da morte de JK. Pelo relatório aprovado, a certidão de óbito do ex-presidente deverá ser modificada, com base em resolução do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), para que conste como causa da morte: “Não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política do regime ditatorial instaurado em 1964”.
O reexame do caso pela comissão não incluiu novas investigações, mas compila os trabalhos pregressos –com ênfase no mais recente, do MPF, feito de 2013 a 2019 e divulgado em 2021. O inquérito descartou que tenha havido choque entre o ônibus e o Opala, mas concluiu ser “impossível afirmar ou descartar” a hipótese de atentado, “vez que não há elementos materiais suficientes para apontar a causa do acidente ou que expliquem a perda do controle do automóvel”.
A relatora da comissão, no entanto, apresentou arcabouço jurídico para sustentar a tese de responsabilidade do Estado calcada na teoria do “in dubio pro victima” (na dúvida, a favor da vítima), defendida por juristas como Gilberto Bercovici (professor titular de direito da USP) e o argentino Luis Moreno Ocampo (ex-procurador-chefe do Tribunal Penal Internacional).
A finalidade da CEMDP é reconhecer pessoas mortas ou desaparecidas em razão de atividades políticas de 1961 a 1988, buscar localizar seus corpos e emitir pareceres sobre os requerimentos feitos por seus familiares.
Revelada no ano passado pela Folha, a decisão de reexaminar o caso da morte de JK, com o argumento de esclarecimento da verdade histórica, manteve acesa uma novela que mobiliza versões e inflama correntes políticas desde que o ex-presidente morreu, em 22 de agosto de 1976.
Naquele domingo, o Opala em que estava o político mineiro, conduzido por seu motorista e amigo Geraldo Ribeiro, foi atingido por uma carreta na via Dutra. Desgovernado, o veículo atravessou o canteiro central e invadiu a pista oposta, sendo destruído pela colisão. Ribeiro também morreu no desastre.
Diversas investigações buscaram elucidar por que o motorista perdeu o controle do Opala. As conduzidas pela ditadura concluíram que logo antes da batida o carro foi atingido por um ônibus da viação Cometa ao tentar ultrapassá-lo. Foi o mesmo veredito de uma comissão externa da Câmara dos Deputados em 2001 e da Comissão da Verdade em 2014. Por essa versão, tratou-se de um acidente.
Outras apurações concluíram que JK foi, na verdade, vítima de um atentado político, reunindo indícios de que não houve batida entre o Opala e o ônibus e de que o carro se desgovernou por alguma ação externa —sabotagem mecânica ou mesmo um tiro ou envenenamento do motorista.
Essa foi a conclusão das Comissões Estaduais da Verdade de São Paulo —amparada por um grupo de trabalho com pesquisadores das universidades USP e Mackenzie— e de Minas Gerais e da Comissão Municipal da Verdade de São Paulo.
Entre os elementos reunidos pela investigação coordenada por Maria Cecília Adão estão relatos de ameaças dirigidas a JK, referências à Operação Condor e à chamada Operação Código 12 — descrita como um mecanismo para camuflar atentados políticos sob a aparência de acidentes —, além de uma suposta tentativa de atropelamento sofrida pelo ex-presidente no Rio de Janeiro.
O documento afirma que JK foi alertado sobre riscos à sua vida. Destaca que, duas semanas antes de sua morte, já teria circulado a informação de que o ex-presidente havia sido morto na mesma rodovia onde o fato ocorreu.
A investigação identificou 37 indícios de fraude na apuração oficial, incluindo a ausência de exames toxicológicos em JK e em Geraldo Ribeiro, e a retirada de fotografias dos autos por serem consideradas “muito chocantes”. Por fim, recomenda um pedido de desculpas a Josias Nunes de Oliveira, motorista do ônibus envolvido na versão oficial, injustamente responsabilizado pelo episódio e, segundo o relatório, alvo de uma tentativa de suborno para assumir a culpa pela colisão.
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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse, em entrevista ao GLOBO que a designação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, pelos Estados Unidos, levanta preocupações econômicas para o Brasil, especialmente em relação ao Pix e ao setor financeiro, que podem atingir outros setores. Durigan alertou para o risco de sanções discricionárias do governo americano que poderiam atingir bancos, fundos, fintechs e até mesmo a infraestrutura do Pix.
— Há um receio das instituições financeiras de sofrerem com uma discricionariedade de instrumentos de ataque (por parte dos Estados Unidos). Então, se começar a dizer que determinada instituição financeira, que determinada conta, que determinada infraestrutura como o Pix, pode ser utilizada por facções criminosas, denominadas grupos terroristas pela designação norte-americana, e começar a fazer ataque e as instituições serem alvos disso — disse Durigan. — Eu diria que isso é uma primeira preocupação mais operacional, caso haja sanções financeiras advindas como um segundo passo dessa primeira designação. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisSem entrar em detalhes, ele disse que, se for necessário, o governo dará suporte a empresas e setores, como ocorreu no tarifaço imposto pela administração Trump no ano passado. A atuação diplomática do Brasil naquele episódio, segundo o chefe da Fazenda, será o modelo a ser seguido nessa nova crise diplomática. Ou seja, não há previsão de retaliações, mas sim um esforço para explicar que a medida do governo Trump não deveria ser aplicada ao país.
— Como foi feito no tarifaço, agora nós vamos fazer o combate, nós vamos fazer o diálogo e, se for necessário, fazer a proteção do Pix, das instituições financeiras, dos empresários locais — disse. — Caso haja impacto financeiro e prejuízo financeiro injustamente causado por um ato unilateral, é possível pensar em medidas financeiras e econômicas de suporte também — afirmou, indicando que podem repetir a reação ao tarifaço no ano passado.
Ele salientou que a medida unilateral, sem respaldo em tratados internacionais, pode resultar em notificações e sanções arbitrárias contra contas e operações de instituições locais, gerando não só custos, mas também contaminando artificialmente a percepção de risco e o apetite de investidores pelo Brasil, o que atingiria toda a economia.
— Como isso pode artificialmente gerar uma percepção de maior risco no país, pode gerar artificialmente um risco, um maior custo, o que não é fato. Nós estamos caminhando bem com a economia brasileira, no momento de estabilidade, de PIB crescendo, desemprego baixo, inflação sob controle. Um maior custo de capital do Brasil pode prejudicar o agronegócio, pode prejudicar a nossa indústria.
O ministro citou precedentes no México e na Colômbia, onde o Departamento de Justiça dos EUA interveio em instituições financeiras sob alegação de transferências de facções, chegando à liquidação de algumas delas. Essa situação serve como um alerta para o Brasil, que busca proteger sua soberania e infraestrutura crítica, como o Pix, de ataques com motivação política.
O ministro afirmou que acredita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ligar para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. E essa interlocução deve ser buscada em nível ministerial também, mas ainda não há conversas marcadas.
Enquanto isso, comentou, empresas brasileiras com negócios nos EUA e CEOs de grandes bancos já estão reforçando suas medidas de compliance e análises jurídicas diante desse cenáriou. O governo brasileiro pretende dialogar com agências de rating para esclarecer a robustez de suas instituições e evitar que avaliações de risco sejam contaminadas por questões políticas.
Durigan reforçou que o compromisso do país é combater o crime organizado de maneira muito rigorosa e que o presidente Lula deixou claro ao presidente Donald Trump que o país está disposto a cooperar nessa seara.
— E, de fato, essas facções incomodam, elas geram terror para as comunidades brasileiras onde elas estão e atuam. Então é fundamental que a gente deixe muito claro o compromisso do governo, um compromisso que deve ser do país (…) Nós nunca deixamos de ter diálogo com qualquer país que seja, mas em especial os Estados Unidos, para dizer que se houver colaboração entre nações soberanas, tudo que o Brasil quer é ter mais troca, mais colaboração, mais parceria para o combate ao crime organizado. E não foi outra coisa que o presidente fez quando esteve com o Trump nos Estados Unidos, oferecendo a ele mais parceria, reconhecendo o caráter transnacional do crime organizado. Durigan foi enfático em “rechaçar esse tipo de medida” unilateral.
Segundo o ministro, durante a reunião de Lula com Trump na Casa Branca, as autoridades americanas demonstraram receptividade com as propostas brasileiras para reforçar a cooperação dos dois países no combate ao crime organizado. Ele afirmou que não houve qualquer sinalização dos americanos naquele encontro de que poderiam fazer a designação de terrorismo a essas facções e que o Brasil deixou com eles um relatório explicando porque isso não cabia. Mas lembrou que o secretário de Estado, Marco Rubio, que assina a decisão, não estava no encontro com o Brasil.
— O que importa é fazer uma cooperação para que a gente apreenda fuzil, para que a gente apreenda arma, droga sintética que vem dos Estados Unidos para cá. Importa fazer cooperação para que a gente receba essas informações de ativos que estão em Delaware (estado americano considerado paraíso fiscal), de recuperações judiciais que não são concluídas no Brasil porque não existe patrimônio dessas empresas, que estão escondidas lá. Agora, adotar medida para ter discurso eleitoral prejudicando o Brasil mais uma vez é, de fato, algo muito lamentável.
O chefe da economia criticou, sem mencionar o nome, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com quem Trump e Rubio se reuniram poucos dias antes de adotar a medida contra o Brasil. A linha seguiu a lógica de apontar que a atuação do bolsonarista, como no tarifaço, foi contra os cidadãos e empresas brasileiras para tentar desviar o foco dos problemas decorrentes da descoberta de sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.
—Nós estamos falando de um senador, que está com problema de justificativa pública de uma relação que ele teve, viajando para os Estados Unidos e, de novo, trazendo problemas para a economia brasileira, para as famílias brasileiras, para os empresários brasileiros. Isso aconteceu no tarifaço também por um motivo escuso no ano passado — afirmou. – O papel do governo agora, como foi no Tarifaço, é de proteger a soberania brasileira e defender os brasileiros, os bancos brasileiros, as instituições financeiras em geral, as fintechs, os nossos fundos, as nossas gestoras, defender a infraestrutura do Pix, defender os empresários que eventualmente possam ser afetados com isso — completou.
O governo era contra a designação, que foi tomada dois dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, se reunir com o presidente Donald Trump na Casa Branca. Flávio e aliados comemoraram a iniciativa de Trump.
Em nota, o Palácio do Planalto disse, mais cedo, que rejeita qualquer “interferência” e que a soberania é “inegociável”. O texto traz ataques à família Bolsonaro e diz que a medida foi tomada após uma “manipulação política” feita por “falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado”. O próprio presidente também se manifestou em discurso nesta manhã afirmou que as facções são “terroristas para os brasileiros e não como Trump quer”.
O texto lembra ainda a ação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e aliados quando o governo americano impôs o tarifaço a produtos brasileiros.
O comunicado ressalta ainda projetos do governo na área da segurança, como a Lei Antifacção, aprovada no Congresso. Uma das preocupações do Planalto é evitar que a crítica à medida adotada pelos EUA soe como um discurso que “protege bandidos”, já que a esquerda historicamente é vista como mais leniente com o combate ao crime do que a direita. O governo aponta ainda possíveis riscos para o funcionamento do Pix, sem apresentar detalhes.
Depois do encontro de Lula com Trump no dia 8, o governo brasileiro considerava que a possibilidade de classificação do PCC e do CV não estava na perspectiva imediata dos americanos. Por causa do clima amistoso entre os dois presidentes, a expectativa era que um anúncio desse tipo não ocorresse. Assim, o Planalto foi pego de surpresa com a decisão de quinta-feira do Departamento de Estado dos EUA.
Na semana passada, em entrevista ao GLOBO, o ministro Wellington Lima e Silva havia dito que não via possibilidade de a medida ser adotada em um “horizonte próximo”.
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O deputado federal Felipe Carreras esteve em Jupi, nesta sexta-feira (29), para uma agenda voltada ao fortalecimento da zona rural do município. Ao lado da prefeita Rivanda Freire, do vice-prefeito Lêdson Liberato e de lideranças locais, o parlamentar participou de uma reunião com 17 presidentes de associações rurais para ouvir demandas e discutir ações voltadas ao desenvolvimento do campo.
Durante o encontro, Carreras destacou investimentos destinados à aquisição de equipamentos e máquinas agrícolas por meio de seu mandato, com foco no apoio à agricultura familiar e no fortalecimento da produção rural. Segundo o deputado, o diálogo com as associações é fundamental para direcionar iniciativas que atendam às necessidades das comunidades.
Na ocasião, o parlamentar também anunciou a liberação de uma emenda no valor de R$ 1,4 milhão para a área da saúde em Jupi. O recurso, segundo ele, foi articulado em parceria com a gestão municipal e será destinado ao fortalecimento da rede de atendimento, contribuindo para ampliar os serviços oferecidos à população e melhorar a estrutura da saúde pública no município.
O pré-candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) participou, nesta sexta-feira (29), em Serra Talhada, da entrega de 75 veículos destinados à área da saúde para municípios pernambucanos. O evento contou com representantes do Ministério da Saúde, prefeitos e lideranças políticas. Durante a agenda, João relatou encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado na noite da quinta-feira (28), em Brasília, e afirmou que o presidente pretende cumprir novas agendas em Pernambuco. “Em breve nós vamos estar andando Pernambuco juntos, lado a lado, e visitando o Sertão mais uma vez”, disse, ao reproduzir uma mensagem atribuída a Lula.
Foram entregues 39 micro-ônibus e 11 vans para o transporte de pacientes, além de 25 unidades odontológicas móveis. João Campos destacou a importância da cooperação entre os entes públicos e afirmou que pretende manter diálogo com gestores municipais. “Todos os prefeitos que estão aqui, sem distinção de coloração partidária, sabem que tudo o que eu puder fazer para ajudar eu farei”, declarou.
A cerimônia reuniu a prefeita de Serra Talhada, Márcia Conrado (PT), além de prefeitos de diferentes regiões do Estado, das deputadas federais Maria Arraes (PSB) e Iza Arruda (MDB), do deputado federal Carlos Veras (PT) e de representantes do Ministério da Saúde. Após a agenda em Serra Talhada, João Campos seguiu para compromissos em outras cidades do Sertão.
O deputado federal Pedro Campos (PSB) afirmou que Pernambuco perdeu mais de 1,2 mil leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) desde o início da atual gestão estadual. Com base em dados do Ministério da Saúde, o parlamentar atribuiu a redução ao que classificou como um processo de desmonte da rede pública e utilizou as redes sociais para criticar a condução da saúde no Estado.
“Os usuários do SUS sabem da realidade enfrentada todos os dias. Falta leito, falta estrutura e falta prioridade. Os dados do Ministério da Saúde mostram que Pernambuco perdeu mais de 1,2 mil leitos do SUS desde o início da atual gestão. Isso é gravíssimo e revela um verdadeiro desmonte da saúde pública estadual”, declarou. Pedro também relacionou o cenário a problemas estruturais registrados em hospitais da rede estadual, citando episódios recentes no Hospital Agamenon Magalhães, Hospital da Restauração e Hospital Barão de Lucena.
O deputado ainda mencionou o fechamento de unidades como a Fundação de Saúde Amaury de Medeiros (Fusam), em Caruaru, e o Hospital de Retaguarda da Restauração, além da situação do Hospital Central de Paulista. “Fechar hospital não é investimento, é falta de respeito com a população. O mais absurdo é tentar contabilizar esse gasto como ampliação de investimento em saúde, enquanto o povo sofre sem atendimento adequado”, afirmou.
Por Marlos Porto*
Vi, hoje, reportagem na TV Gazeta de Alagoas mostrando as movimentações dos pré-candidatos ao governo alagoano, João Henrique Caldas, ex-prefeito de Maceió, e o ex-ministro Renan Filho. Fiquei impressionado com a quantidade de gente nos eventos e também diversas pessoas com bonés azuis com o nome do candidato Renan Filho. E o apresentador, de forma descontraída, falando sobre sorteios de geladeira e fogão em eventos dessa natureza, como se fosse algo típico e normal.
Pesquisando na Internet, vi no portal G1 que, no dia 10 de maio, o governador de Alagoas, Paulo Dantas, teria feito o sorteio de 50 transferências via PIX no valor de duzentos reais, durante uma festa de Dia das Mães em Rio Largo, em evento que contou com a presença do senador Renan Calheiros.
Leia maisNa reportagem, fica explícita a “lógica” adotada: “Em nota enviada ao g1, a Secretaria de Estado da Comunicação informou que a iniciativa teve ‘caráter estritamente pessoal e privado’, sem relação com a agenda oficial do Governo de Alagoas. Ainda segundo o governo estadual, não houve uso de recursos públicos, servidores ou estruturas vinculadas ao Estado. A nota também afirmou que a ação não teve vínculo com pedido de votos, atividade eleitoral ou utilização da máquina pública”.
É difícil definir o que está acontecendo no nosso país. Existe um período próprio para campanha eleitoral. Antes desse período, não se permite campanha política. A lógica é a da igualdade de condições para a disputa. Fazendo uma analogia esportiva, permitir campanha antecipada é como deixar um corredor “queimar” a largada, dando passadas antes dos demais, que podem fazer a diferença na hora da chegada.
Contudo, é comum, antes mesmo de as campanhas políticas se iniciarem, muitas pessoas já buscarem obter apoios. Anunciam que são pré-candidatos e vão fazendo não só contatos e visitas, mas também promessas e acordos. Tanto é assim que, quando a campanha começa “pra valer”, a gente vai falar com um cidadão e ele, meio ressentido, vai logo dizendo: “Por que você não me procurou antes?”. Ora, por esse simples exemplo se tem a clareza da farsa que é a lógica da igualdade da disputa política no Brasil.
Anos atrás, parecia haver um rigor maior para coibir a propaganda eleitoral antecipada. Inclusive, a chamada “promoção pessoal” era vista como uma forma de se antecipar a propaganda eleitoral e era proibida. Depois, passou a ser aceita, desde que não houvesse o “pedido explícito de voto”. Mas aí é que “a emenda ficou pior que o soneto” e a ficção adotada ficou ainda mais ridícula: desde quando é preciso haver “pedido explícito de voto” no mundo real para que haja a pactuação entre eleitor e o futuro candidato com vistas a que este receba daquele o tão desejado voto? Fazendo outra analogia, no mundo das relações líquidas e promíscuas, infelizmente tão em voga, para combinar relações sexuais com alguém seria absolutamente indispensável o tal “pedido explícito” nesse sentido ou bastaria, muitas vezes, apenas o desejo mútuo e o acordo de vontades, muitas vezes expressos por meio da troca de olhares, sorrisos e carícias? Pois bem. Na seara eleitoral, contudo, o equivalente a tudo isso parece, na prática, estar permitido, desde que não haja o fatídico pedido: “vote em mim!” ou “o(a) senhor(a) poderia votar em mim, por obséquio?”.
Esse “vale-tudo” eleitoral é uma aberração. Afinal, entender a tal “promoção pessoal” com esse sentido amplo que vem sendo adotado, durante o período pré-eleitoral, é abrir a porteira para que os rebanhos eleitorais sejam comprados das formas mais diversas, como se nada de mais estivesse acontecendo. Afinal, aquele simples cidadão (que por acaso é um governante, um parlamentar ou um ex-prefeito ou ex-governador), tratado como uma verdadeira celebridade, apenas “apareceu” durante um evento no qual uma geladeira era sorteada, talvez por uma feliz coincidência, quiçá de passagem, mas é óbvio que ele não está comprando voto (pois nem estamos em campanha, não é mesmo?), ele só está promovendo inocentemente a sua imagem, a sua marca pessoal, sem vinculação nenhuma entre si e a vantagem que, na prática, foi destinada aos participantes de um evento coletivo (ainda que apropriada individualmente por um felizardo).
Democracia de verdade se faz com o respeito absoluto à liberdade de consciência do eleitor, que não pode ser conspurcada por qualquer tipo de vantagem. Foi com base nessa justificativa que até mesmo um simples “santinho” com calendário no verso foi banido das campanhas: afinal, o calendário não deixava de ser um tipo de vantagem, assim como as canetinhas, os bonés, as camisas, os ímãs de geladeira com telefones úteis etc.
Hoje, temos campanhas formalmente mais curtas, submetidas a um rigoroso controle da propaganda, das receitas e das despesas, porém um período pré-eleitoral longo e permissivo, no qual os principais acordos são feitos antes das convenções (que se tornaram mera encenação do que seria um processo decisório real) e em que grande parte dos futuros postulantes aproveita a vagueza do status de “pré-candidato” para, de forma direta ou indireta, terem sua imagem impregnada em toda sorte de eventos, nos quais a única postura que parece proibida é o escrúpulo rigoroso no tocante à livre consciência do eleitor, que termina por ser mercadejada como se fosse banana na feira, tudo sob o lastro de mera “promoção pessoal”.
*Bacharel em Direito
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Se o leitor não conseguiu acompanhar o tributo ao cantor e compositor paraibano Vital Faria, no quadro “Sextou”, do programa Frente a Frente, ancorado por este blogueiro e exibido pela Rede Nordeste de Rádio, não se preocupe. Clique aqui e confira. Está incrível!
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (29), que o governo brasileiro pretende combater internamente o crime organizado e que não vai aceitar intervenções internacionais, após o anúncio dos Estados Unidos de classificar facções criminosas como organizações terroristas estrangeiras.
Nessa quinta-feira (28), o Departamento de Estado dos EUA, chefiado por Marco Rubio, anunciou que vai classificar as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como terroristas. As informações são do g1.Minutos antes da fala, o Planalto divulgou uma nota em que reforça as ações do governo no combate ao crime organizado. As informações são do g1.
Leia maisO texto afirma que é “deplorável” que “mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil”, como já fizeram com o tarifaço.
O presidente está em Sergipe nesta sexta para anúncios de investimentos na Petrobras e visitas a hospitais. Durante seu discurso, ele tocou no assunto afirmando que estava muito “decepcionado” por conta do anúncio norte-americano.
“Estou muito triste hoje, com a notícia de que o Secretário dos Estados Unidos, da América do Norte, um tal de Marco Rubio disse que os nossos criminosos aqui são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção”, afirmou o petista.
Segundo Lula, o CV e o PCC são, de fato, terroristas para cidadãos que moram em regiões de periferia, porque incomodam famílias, bairros e cidades. Por isso, serão combatidos internamente.
“Nós aprovamos uma Lei Antifacção, e aprovamos a lei para combater o crime organizado, e vamos combater. Eles não são os terroristas que o Trump quer, o Trump quer o Osama Bin Laden… e nós queremos os terroristas brasileiros que estão lá”, prosseguiu.
“Porque as armas importadas que estão contrabandeadas pro Brasil vêm dos Estados Unidos. A Polícia Federal entregou um documento para o Trump. O Brasil está disposto a trabalhar para combater o crime organizado, e vamos começar pelo seu estado de Delaware, que tem lavagem de dinheiro de brasileiros”.
A fala de Delaware tem a ver com um monitoramento feito pelo governo sobre lavagem de dinheiro e fraudes tributárias. Segundo a PF, a Receita e o Ministério da Fazenda, criminosos usam o estado americano como paraíso fiscal para tirar ilegalmente dinheiro do país, sem a devida declaração, e depois trazê-lo de volta “lavado”.
Em seguida, Lula citou o caso do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, foragido após ser condenado, junto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por tramar um golpe de Estado no país. Ele mora em território americano enquanto aguarda um pedido de asilo.
Esta foi a primeira vez que Lula comentou o tema. Em discurso durante um evento em Sergipe, o petista defendeu a soberania do país. Ele disse: “Não aceitamos ser tratados como moleques”, ou como uma “republiqueta”.
Ramagem chegou a ser preso em abril e liberado dois dias depois. O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) dos EUA disse à PF que ele poderá aguardar em liberdade nos EUA a conclusão de um processo de pedido de asilo.
“Vamos começar entregando o Ramagem, que está escondido lá. Começar entregando o maior contrabandista de combustíveis do país, o Ricardo Magro [dono da Refit], a PF e a Receita apreenderam R$ 250 milhões de combustível que eles estão contrabandeando e ele está morando em Miami. Eu entreguei para o Trump o nome dele e a fotografia da casa dele. Quer combater o crime organizado? Me entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos”.
O advogado e empresário Ricardo Magro, que comanda o Grupo Refit, dono da Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro, foi alvo de operação da PF e está foragido. O grupo é considerado um dos maiores devedores de impostos do país.
Lula então afirmou: “Não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta”, destacou.
Viagem de Flávio aos EUA
Lula também citou a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, para os Estados Unidos para um encontro com Donald Trump.
Trump e Flávio se encontraram nesta terça-feira (26) em Washington. Os dois posaram para foto após a reunião na Casa Branca. No dia seguinte, ele foi recebido por Marco Rubio.
Na quinta, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou que classificou as duas facções como organizações terroristas.
“Eu tive três horas com o presidente Trump, entreguei quatro documentos a ele. O sr. Marco Rubio não estava lá, possivelmente porque ele estava preparado a ajudar um filho de bolsonarista que é candidato à eleição no país, que não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria, de ir nos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”, afirmou.
Defesa da soberania
Lula, então, falou que o Brasil não é “um país qualquer”. Ele defendeu a soberania afirmando a preocupação com o interesse norte-americano na reserva de minerais críticos e terras raras localizadas em território brasileiro.
O Brasil abriga a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China. São insumos fundamentais para a indústria de ciência e tecnologia, e para a produção de produtos como smartphones, computadores e outros dispositivos.
“Eu tenho preocupação, porque temos muitos minerais críticos, terras raras, muitos minérios e ainda temos muito ouro, ainda temos muito ouro, ainda temos miuto diamante, temos a maior floresta tropical do mundo”, afirmou.
“Daqui a pouco vão dizer: a Amazônia é nossa. Não”, prosseguiu.
O petista então disse: “Eu não falo grosso com a Bolívia e fino com os Estados Unidos. Eu falo educadamente com os dois porque eu quero respeito e preciso ter respeito para respeitá-los. Então, não brinquem, não brinquem com a soberania desse país, não brinquem com a nossa democracia e não duvidem das coisas que nós fazemos aqui nesse país”.
Nota do Planalto
A declaração de Lula seguiu a mesma linha de uma nota publicada pelo Palácio do Planalto momentos antes das declarações.
No texto, o governo afirma que “medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime”.
Além disso, “podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros”.
“Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país”, prossegue o texto.
“A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança”, conclui.
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REVISTA VEJA
O Tribunal de Contas de Pernambuco determinou a abertura de uma auditoria para investigar um contrato para a manutenção de escolas firmado entre o governo do estado e uma construtora que estaria impedida de prestar serviços ao poder público e que, ainda assim, teria tido a contratação determinada por meios supostamente irregulares. O caso aponta também para indícios de superfaturamento da empresa em um contrato que, ao todo, supera os 185 milhões de reais.
A Cetus Construtora, que estava sancionada como inidônea no cadastro da Controladoria-Geral da União, por conta de um contrato com a prefeitura de Belo Horizonte, estava impedida de prestar serviços ao poder público de março de 2025 a março de 2026, mas foi contratada pelo governo de Raquel Lyra (PSD) em 11 de junho de 2025. Segundo a denúncia, o contrato ainda foi assinado sem análise prévia da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), contrariando normas estaduais.
Leia maisOutro ponto que chama a atenção é que a Cetus também oferecia seu serviço com preço média acima de uma concorrente, indicando que a escolha licitatória não teria seguido parâmetros legais pela proposta menos onerosa.
Há ainda uma série de outras suspeitas de irregularidades, como assinatura de contrato por uma pessoa que não possuía vínculo formal com a empresa, ou ainda a execução de serviços de obra, reforma ou ampliação sob o rótulo de “manutenção”, o que é mais caro e desvirtua o contrato. A Cetus Construtora teria sido contratada para fazer serviços de manutenção em prédios de escolas municipais do estado.
A decisão de abrir uma investigação, tomada pelo conselheiro Rodrigo Novaes, foi publicada com base em um pedido do deputado estadual Romero Albuquerque, que é filiado ao PSB do ex-prefeito do Recife João Campos, hoje maior oposição ao governo estadual de Raquel Lyra (PSD).
O texto aponta doze possíveis irregularidades para serem investigadas:
A VEJA questionou o governo Raquel Lyra sobre a auditoria do Tribunal de Contas e a relação com a Cetus Construtora e aguarda retorno.
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