Resultado de 18,19% das seções totalizadas até o momento para o Governo de Pernambuco. Raquel com 55,72% e Marília com 44,28%.
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes autorizou nesta sexta-feira (19) que a Polícia Civil do Distrito Federal colha o depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro no inquérito sobre a arma de fogo apreendida em uma blitz no início da semana.
A pistola, registrada no nome de Bolsonaro, estava no carro de um militar do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) que atua na segurança do ex-presidente. A arma foi apreendida por não estar acompanhada do certificado de registro. As informações são do g1.
Leia maisA Polícia Civil tinha pedido a Moraes para ouvir Bolsonaro por videoconferência na próxima quarta-feira (24).
Moraes, no entanto, determinou que o depoimento seja colhido de forma presencial, no condomínio em que Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, na tarde da próxima terça (23) – “uma vez que há restrição legal para uso de comunicações eletrônicas”.
“Esclarece-se que a tentativa de cumprimento da intimação pessoal restou infrutífera, uma vez que a equipe de escolta responsável não permitiu a efetivação do ato, impossibilitando a ciência pessoal do intimando”, diz o ofício.
A arma – uma pistola Glock 9mm – seria levada para o reparo, mas foi apreendida durante uma blitz da Polícia Militar em Brasília na última segunda-feira (15). Uma consulta ao sistema do Exército confirmou o registro no nome do ex-presidente.
Apesar de ter documentação regular, a pistola foi recolhida pela Polícia Civil porque o Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf) não estava no veículo. O caso é investigado pela Polícia Civil do DF.
➡️O carro era dirigido pelo militar Estácio Leite da Silva Filho, vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e cedido à Casa Civil para atuar na segurança de Bolsonaro.
➡️O militar prestou depoimento e foi liberado. Ele afirmou à Polícia Civil que a arma estava sendo transportada porque precisava passar por reparos, e seria devolvida em seguida ao ex-presidente.
🔎 Bolsonaro cumpre atualmente uma pena de 27 anos e 3 meses de prisão. Desde o dia 24 de março deste ano, ele está sob prisão domiciliar humanitária, autorizada por Moraes por um prazo inicial de 90 dias, para que o ex-presidente se recupere de uma broncopneumonia.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, nesta sexta-feira (19), decreto que prevê o bloqueio imediato de recursos financeiros de bets ilegais – empresas de apostas de quota fixa que funcionam irregularmente no mercado. Após o congelamento pelos bancos e o fim de um processo legal, o dinheiro será transferido para o Fundo Nacional de Segurança Pública, para ser utilizado no combate ao crime organizado no país.
O Decreto nº 13.033/2026 foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União.
De acordo com o Ministério da Fazenda, a medida foi possível com a aprovação, pelo Congresso Nacional, da Lei Antifacção. Um dos mecanismos previstos é o “perdimento de bens”. As informações são da Agência Brasil.
Leia maisSegundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, desde 2025, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda solicitou à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o bloqueio de quase 50 mil sites de apostas ilegais, de responsabilidade de cerca de 350 operadores, também bloqueados.
“Esses 350 operadores utilizaram 37 instituições financeiras, em geral, fintechs e instituições de pagamento com baixa supervisão”, disse Durigan em entrevista coletiva à imprensa, explicando que há notificação sobre essas instituições em diversos órgão competentes.
“O que a Lei Antifacção nos permitiu? [..] Um novo documento, que vai ser apurado pela SPA, vai ser enviado diretamente aos bancos e às instituições financeiras com ciência do Banco Central. Uma vez que a instituição financeira receber essa nova notificação, a obrigação legal passa a valer, e a instituição financeira tem que bloquear todas as contas que ela tiver identificado por onde passou recurso dessas bets ilegais. É um bloqueio administrativo imediato”, explicou.
Como autoridade reguladora e supervisora das bets, a SPA, ao identificar um operador não autorizado, formalizará a irregularidade por meio de um auto de constatação, que registra e fundamenta a exploração ilegal.
Emitido o auto, a secretaria notifica as instituições financeiras e de pagamentos para que bloqueiem, em até 24 horas, os valores existentes em contas relacionadas à empresa irregular e interrompam novas transações. As instituições devem reportar o cumprimento da medida em até 48 horas.
O Banco Central também será comunicado simultaneamente para supervisionar a execução. Uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) regulamentará os procedimentos operacionais de bloqueio das contas e dos valores.
Já a instauração e a condução dos processos administrativos caberão à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que notificará a parte envolvida para apresentar defesa. Durante o processo, podem ser realizadas diligências e requisições de documentos e informações a instituições financeiras e entidades públicas.
Caberá ainda à Senasp adotar as medidas necessárias à instrução do processo, inclusive a produção de provas para o esclarecimento dos fatos, observados o contraditório e a ampla defesa.
Após a decisão administrativa final que declara o cabimento do perdimento de bens, o Ministério da Justiça e Segurança Pública remeterá os autos à Advocacia-Geral da União (AGU) com os elementos necessários ao ajuizamento da ação judicial. Após a abertura da ação, os valores bloqueados serão convertidos, então, em depósito judicial para que permaneçam à disposição do resultado da ação.
Nesta quinta-feira (18), o Ministério da Fazenda também publicou a Portaria nº 1.766/2026, que regulamenta a responsabilidade tributária solidária das instituições financeiras que derem movimentação a recursos de bets ilegais.
“A gente estende essa responsabilidade solidária, evidentemente com o intuito de desincentivar que instituições financeiras deem guarida a essas bets ilegais, dado que hoje o mercado está muito bem regulado pela SPA. Então, a bet que não tem autorização, ela é claramente ilegal, não deve ter essa guarida das instituições financeiras”, disse Durigan.
“Caso a instituição financeira dê curso [às movimentações], a Receita Federal vai notificar junto com a SPA, já atribuindo responsabilidade solidária e fazendo a devida cobrança das obrigações tributárias [quer seriam das casas de apostas]”, explicou.
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O prefeito de Surubim, Cléber Chaparral (União Brasil), comentou o adiamento do show de Gusttavo Lima, que estava previsto para abrir a programação do Polo Vaquejada do São João de Surubim na última quinta-feira (18). Em entrevista ao Integração Podcast, o gestor afirmou que a Prefeitura foi comunicada sobre a decisão da equipe do cantor poucas horas antes do evento e que a situação foi resolvida com a definição de uma nova data para a apresentação.
Segundo Chaparral, o artista confirmou presença no município no próximo dia 27 de junho, data de encerramento da programação do Polo Vaquejada. “Fomos surpreendidos com essa desistência de Gusttavo Lima, em cima da hora. Acredito que foi uma decisão ali do momento, precipitada, mas aí ele voltou atrás logo em seguida, disse que cantaria em Surubim”, declarou o prefeito durante a entrevista.
O gestor também afirmou que a administração municipal pretende manter uma relação institucional com a equipe do cantor e destacou a expectativa para a realização do show na nova data. A apresentação de Gusttavo Lima já foi confirmada pela Prefeitura de Surubim e pela equipe do artista, enquanto a programação do São João do município segue normalmente.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o chefe do Executivo brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é uma pessoa “muito volátil”. Em entrevista ao site americano Axios divulgada nesta sexta-feira, Trump disse também que “não poderia se importar menos” com o líder brasileiro. Nesta semana, os dois se encontraram no G7, na França, onde Lula disse esperar que o americano “não se meta nas eleições” do Brasil.
— Eu observei o Brasil, o líder de lá, que conheço um pouco. Tivemos alguns contatos. Ele é uma pessoa muito volátil — afirmou Trump após ser questionado sobre o que definiria um “grande líder”. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisUtilizada por Trump, a expressão em inglês “volatile” pode ser traduzida para o português como volátil, instável ou imprevisível.
Trump afirma, em seguida, que “não poderia se importar menos” com Lula:
— Para ser sincero, eu não penso nele (Lula). Realmente não penso nele. Não poderia me importar menos. Mas agora ele é um tipo diferente de pessoa. Muito volátil. Eu o vi fazendo um discurso. Foi um discurso muito volátil, e tudo bem.
No fim da declaração, Trump pondera e defende que todos os líderes mundiais são “inteligentes”:
—Você não chega a esse nível sem ser inteligente. Sabe quem é muito inteligente? O presidente Xi, da China. Ele é um homem muito inteligente. Você não alcança esses níveis, governando um país, mesmo que seja um país pequeno, sem ter algo especial. Em alguns casos, as coisas não dão certo, mas é preciso ter algo especial. Não é uma tarefa fácil.
Encontro no G7
Durante o G7, Trump disse que conversou com Lula durante a cúpula e chamou o Brasil de um “país politicamente difícil”. A declaração ocorreu após o americano ser questionado se conversou com o brasileiro sobre o novo tarifaço e a designação das facções Primeiro Comando Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas.
O questionamento pela repórter da TV Globo Bianca Rothier, durante uma entrevista à imprensa.
— Sim, eu passei bastante tempo com ele (Lula), na verdade — Trump, que não detalhou o conteúdo da conversa. — Tornou-se um país um pouco complicado, não é? Politicamente. Tem sido um pouco perigoso politicamente.
O americano também fez um paralelo entre os processos eleitorais no Brasil e nos Estados Unidos.
— Eles (Brasil) jogam duro, mas ninguém joga mais duro do que os Estados Unidos.
Ao ser questionado em entrevista coletiva sobre uma declaração de Trump sobre a família Bolsonaro, Lula reagiu:
— Ele tem direito de ter as preferências eleitorais dele. Eu só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania, só espero isso. Para mim ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema. Agora, não se meta nas eleições do Brasil porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil. A única coisa que eu quero é o respeito pelo Brasil.
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Se o leitor não conseguiu acompanhar a entrevista com o cantor Assum Preto ao quadro “Sextou”, do programa Frente a Frente, ancorado por este blogueiro e exibido pela Rede Nordeste de Rádio, não se preocupe. Clique aqui e confira. Está incrível!
Por Áureo Cisneiros*
Artigo em tom de sátira política e humor crítico
O Brasil é um país fascinante.
Aqui, as pessoas brigam por futebol, religião, política, ideologia, costumes e até pela forma correta de fazer café.
A direita acusa a esquerda.
A esquerda acusa a direita.
Leia maisLulistas e bolsonaristas transformaram a divergência em esporte nacional.
Religiosos e ateus vivem em debates intermináveis.
Empresários e trabalhadores enxergam o mundo por lentes diferentes.
Executivo, Legislativo e Judiciário disputam protagonismo diariamente.
Em resumo: ninguém concorda com ninguém.
Diante dessa realidade, durante décadas ouvimos discursos sobre a necessidade de união nacional.
Presidentes tentaram.
Governadores tentaram.
Prefeitos tentaram.
Partidos tentaram.
Líderes religiosos tentaram.
Intelectuais tentaram.
Especialistas tentaram.
Ninguém conseguiu.
Até que apareceu Daniel Vorcaro.
Eis que surge um homem capaz de realizar aquilo que parecia impossível.
Conseguiu unir direita e esquerda.
Conseguiu unir lulistas e bolsonaristas.
Conseguiu unir religiosos e ateus.
Conseguiu unir empresários e trabalhadores.
Conseguiu unir governistas e oposicionistas.
Conseguiu unir quem vota e quem não vota.
Conseguiu unir comentaristas de internet, jornalistas, influenciadores e especialistas.
Mas o feito mais impressionante foi outro.
Conseguiu unir Executivo, Legislativo e Judiciário dentro da mesma grande conversa nacional.
Um acontecimento que merece registro histórico.
Enquanto o país se dividia em milhares de disputas, surgiu um tema capaz de romper barreiras ideológicas e criar algo raríssimo na política brasileira: um debate que atravessa todas as correntes de pensamento.
Talvez os cientistas políticos precisem estudar esse fenômeno por décadas.
Talvez as universidades precisem criar uma disciplina específica para compreender o acontecimento.
Talvez os livros de história reservem um capítulo exclusivo para esse episódio.
Porque uma coisa é certa: unir o Brasil sempre foi considerado impossível.
Nem Lula conseguiu.
Nem Bolsonaro conseguiu.
Nenhum partido conseguiu.
Nenhuma frente ampla conseguiu.
Nenhuma coalizão conseguiu.
Mas, de alguma forma, Vorcaro conseguiu.
Diante de tamanho feito histórico, proponho duas medidas urgentes para apreciação da nação:
Primeira: a imediata indicação ao Prêmio Nobel da Paz Nacional.
Segunda: uma reflexão séria sobre sua candidatura à Presidência da República.
Afinal, quando alguém consegue colocar praticamente todo o país para discutir a mesma coisa ao mesmo tempo, estamos diante de um fenômeno que ultrapassa a política, a economia e até a sociologia.
Estamos diante de um verdadeiro milagre republicano.
O homem não é apenas um banqueiro.
É um patrimônio da integração nacional.
E, convenhamos, em tempos de tanta divisão, talvez seja exatamente disso que o Brasil estivesse precisando.
*Presidente do SINPOL-PE e Defensor da Segurança Pública como Direito Fundamental
A senadora Teresa Leitão (PT-PE) foi incluída na edição 2026 da lista “Cabeças do Congresso Nacional”, elaborada pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar. O levantamento reúne 100 parlamentares apontados como os mais influentes do Legislativo federal, entre 69 deputados e 31 senadores. Segundo a entidade, a seleção considera critérios como capacidade de liderar debates, articular negociações, influenciar votações, formular propostas e pautar discussões estratégicas no Congresso Nacional.
Familiares e amigos do advogado Roberto de Freitas Morais participarão, no próximo dia 25 de junho, da missa de sétimo dia em sua memória. A celebração será realizada às 19h, na Basílica dos Salesianos, no Recife. Roberto Morais faleceu esta semana após enfrentar complicações decorrentes de uma isquemia medular. Advogado com atuação na área eleitoral, ele integrou o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco pelo quinto constitucional destinado à advocacia e era irmão do desembargador Bartolomeu Morais. O convite para a celebração foi divulgado pela viúva, Maria Helena Cavalcanti de Freitas Morais.
O Portal PluralPE divulgou uma nota de repúdio à assessoria de comunicação da Prefeitura de Petrolina após não conseguir realizar o credenciamento para a cobertura do São João de Petrolina 2026. Segundo o veículo, a exigência de cadastramento prévio até o dia 3 de junho não teria sido amplamente divulgada nos canais oficiais do município, o que teria impedido a participação de profissionais e veículos de comunicação no evento.
Confira o comunicado na íntegra:
“O PluralPE manifesta seu repúdio à falta de divulgação oficial sobre a necessidade de cadastramento prévio para o credenciamento da imprensa no São João de Petrolina 2026.
Leia maisA informação de que o cadastro deveria ser realizado até 03 de junho de 2026 não foi amplamente divulgada nos canais oficiais da Prefeitura de Petrolina, prejudicando profissionais e veículos de comunicação interessados na cobertura do evento.
A imprensa desempenha papel fundamental na divulgação das ações públicas e dos eventos culturais da cidade. Por isso, defendemos mais transparência, comunicação eficiente e igualdade de acesso às informações.
Solicitamos esclarecimentos e a reavaliação do processo de credenciamento”.
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Patrícia Moraes Machado – JORNAL OPÇÃO
Quem passa de carro, mesmo numa velocidade de 40 ou 60 km, às vezes não percebe uma outra Brasília. Nos canteiros centrais, com árvores e grama, moram, em pequenas barracas improvisadas, dezenas, talvez centenas, de famílias. São adultos, adolescentes e crianças. Pobres de várias partes do país, inclusive da própria capital da República. A impressão que se tem é que o governo de Celina Leão, do pP (de Ciro Nogueira), não tem um olhar, aquele que gesta dignidade, para tais pessoas. A gestora do Distrito Federal parece atribuir pouca ou nenhuma importância àqueles que, em vez de “cidadãos”, são “meros indivíduos” não assistidos pelo governo.
José Roberto Arruda, que planeja ser candidato a governador do Distrito Federal pelo PSD, tem um olhar agudo tanto para os pobres de Brasília quanto pelos moradores do Entorno do Distrito Federal. Ele pergunta: de que adianta ter uma Brasília rica cercada por vizinhos pobres, desassistidos? Arruda está atento às pessoas, ouvindo-as com mais paciência, humildade percepção.
Leia maisNa segunda-feira, 15, José Roberto Arruda conversou longamente com Patrícia Moraes Machado, editora e diretora-responsável do Jornal Opção, em Brasília. O que se viu, de cara, foi um Arruda mais ponderado, paciente e sábio — que trata o oponente político como adversário e não como inimigo. Por exemplo: Celina Leão responde a um processo, mas seu adversário sugere que é preciso deixá-la disputar a reeleição. Quem deve decidir sobre seu possível “afastamento” são os eleitores, soberanos da democracia.
Brasília, o Distrito Federal, na opinião de José Roberto Arruda, precisa ser “reinventada”. Porém, não com retóricas vazias, e sim a partir da perspectiva criativa e ousada de Juscelino Kubitschek, que atraiu para a construção de Brasília arquitetos que eram verdadeiros artistas, como Lucio Costa e Oscar Niemeyer. O ex-governador sugere que se deveria colocar placas nas entradas de Brasília com os dizeres: “É proibido pensar pequeno”.
Há recursos financeiros para a “reinvenção” — ou reconstrução — de Brasília? Quando o gestor é competente e criativo, os recursos “aparecem”, frisa o mineiro (de matiz tancrediano) Arruda. Os 16 bilhões de reais do “rei” dos escândalos, o que envolveu o BRB e o Banco Master, prejudicará a capital e seu entorno. Mas não se pode ficar sentado, esperando a banda passar. É preciso agir, sugere o ex-governador.
O leitor saberá muitas coisas de Arruda lendo esta entrevista. Por exemplo, é fã ardoroso do compositor, cantor e escritor Chico Buarque, autor de “Construção”. O ex-governador também acaba de lançar um livro de poesia, que é lírica, dorida, e, ao mesmo tempo, guarda aquele modernismo distanciado de Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto.
Político sem mandato costuma cair no esquecimento. O sr. está há 16 anos fora da política, no entanto sempre aparece entre os dois nomes com mais chance de vitória para a próxima eleição ao governo do Distrito Federal. A que credita sua alta intenção de voto?
Sinceramente, não sei explicar. Agradeço muito a Deus por me dar uma nova oportunidade. É muito gratificante andar pelas ruas e ouvir das pessoas que mudamos para melhor a vida delas. Há poucos dias, numa visita ao Buritizinho, uma senhora me abraçou e disse, emocionada, que hoje tem moradia própria devido à nossa gestão. Outra disse que era advogada porque recebeu bolsa universitária. Um outro caso que também me emocionou muito foi uma senhora junto com a filha de 17 anos que, segundo ela, tinha o sonho de me conhecer devido ao enxoval que recebeu pelo nosso projeto Mãezinha Brasiliense. Ela me disse: “Eu não tinha roupa para sair com a minha filha do hospital. E hoje ela tem 17 anos”.
Então, acredito que muitas obras e ações sociais e de desenvolvimento colaboraram para a lembrança de meu nome como gestor. Porque marcaram a vida das pessoas. Então, fico muito feliz com essa lembrança. Isto faz meu nome estar sempre bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto para o governo.
Apesar dos números positivos nas pesquisas, a oposição alimenta a dúvida junto ao eleitor se o sr. poderá disputar mandato de governador este ano. O que tem a falar sobre isso?
A minha visão é muito simples. O Congresso Nacional votou e aprovou a lei a 219/25, sancionada pelo presidente da República, que determina de 8 a 12 anos de inelegibilidade a partir da decisão do segundo grau. No meu caso, foi em junho de 2014. Vence agora em junho de 2026, se for 12 anos, que é o máximo. Portanto, pela lei vigente, estou elegível. Só tem um jeito de eu ficar inelegível — se a lei cair. Mas não acredito que, a três meses da eleição, se modifique a legislação eleitoral. Confio na Justiça do país e trabalho com a legislação em vigor.
Portanto, estou elegível. O que falo para os meus adversários é o seguinte: aceita que dói menos — vamos disputar no voto.
O que o sr. tem a dizer sobre a Operação Drácon?
Saiu a notícia de que a governadora do Distrito Federal deve ser condenada pela Justiça por causa da Operação Drácon. Celina Leão é acusada de desvio de 30 milhões de reais de emendas da saúde. Uma repórter me questionou e respondi que essa ação também tem 12 anos. Se não foi julgada até agora, também não acho que seja justo julgar a trâmite da eleição.
Deixa a governadora disputar a reeleição. Essas interferências à véspera da eleição geram uma instabilidade jurídica e uma visão de que as pessoas são tiradas no tapetão. O bom da democracia é a disputa do voto. Quero que Celina Leão tenha o direito de disputar a eleição, assim como todos os postulantes. Só quero que me deixem disputar também. Quem vai decidir o futuro da cidade é a população, por meio do voto.
A dúvida se pode ou não disputar prejudica suas articulações políticas para a construção da sua candidatura?
Atrapalha muito, sem dúvida. Nas ruas, as pessoas me encontram e falam: “Arruda, o meu voto é para você. Mas, como não sei se será candidato, então não sei”. Como grande parte da mídia de Brasília, que recebe publicidade do governo, bate na tecla de que a minha candidatura pode não estar segura, isso gera instabilidade na decisão de voto e dos apoios políticos também. Conversamos com outras agremiações políticas e fica sempre essa dúvida. À medida que se aproxima a eleição, estamos a pouco mais de três meses do pleito, acredito que vai ficando claro para as pessoas que estou no páreo, e posso ser uma opção.
O que move o sr. a ser candidato a disputar o governo do Distrito Federal?
Duas coisas me movem a ser candidato —— melhorar o setor de saúde e ampliar o metrô. Brasília vive um mau momento. Quem precisa da saúde pública, quem tem filho em escola pública e quem precisa andar de ônibus está morrendo à míngua. Meu sonho e de todo o nosso grupo político é resgatar a Brasília da época do [Joaquim] Roriz e do meu governo. As pessoas eram ouvidas. A pessoa chegava no hospital e tinha médico para atender. Havia 200 escolas de educação em tempo integral. Há 16 anos construímos o Hospital de Santa Maria — com 400 leitos. E depois mais nenhum outro foi feito. Então, quero voltar ao governo de Brasília, mas olhando tanto para o presente quanto para o futuro. Quero construir o hospital do Recanto das Emas, o de São Sebastião, o do Sol Nascente e o Hospital do Câncer.
O que o sr. tem a dizer a respeito do metrô?
Quando governador, levei o metrô da Praça do Relógio até a Ceilândia. Fizemos oito novas estações, 48 novos trens. Passamos de 50 mil para 160 mil passageiros por dia. Tem 16 anos que meu mandato terminou. Não fizeram mais nada. Eleito governador, irei levar metrô de Ceilândia ao Condomínio Privê, ao Sol Nascente e até Águas Lindas, no Entorno de Brasília. Mais da metade da população de Águas Lindas trabalha em Brasília. Quero levar o metrô para o Gama em Santa Maria e para os municípios de Novo Gama, Valparaíso, Cidade Ocidental, até Luziânia. Por causa da conurbação, grande parte da população economicamente ativa do Entorno do DF passa boa parte do dia em Brasília. Também quero fazer o VLT do aeroporto pela W3. Quando saí do governo, deixei o contrato assinado. Na época, cheguei a trazer o presidente da França, Nicolas Sarkozy, no dia 7 de setembro de 2009, em Brasília, para assinar o financiamento de 800 milhões de euros. Licitação feita, contrato assinado, obra iniciada. E ainda assim, com tudo pronto, não conseguiram fazer. E por último, a linha da saída norte. Nós temos que levar o metrô até a UnB, e temos que fazer a quarta ponte já com trilhos do VLT, subir para Itapuã, Paranoá, Sobradinho, Planaltina, bifurcar para Jardim Botânico, Mangueirão e São Sebastião. Com todas essas obras que tenho como objetivo realizar, ao assumir o governo de Brasília, podem me perguntar se há recursos financeiros. Todas essas obras irão custar para o governo menos que os 16 bilhões desviados do BRB. É questão de prioridade.
Quem passa de carro, mesmo numa velocidade de 40 ou 60 km, às vezes não percebe uma outra Brasília. Nos canteiros centrais, com árvores e grama, moram, em pequenas barracas improvisadas, dezenas, talvez centenas, de famílias. São adultos, adolescentes e crianças. Pobres de várias partes do país, inclusive da própria capital da República. A impressão que se tem é que o governo de Celina Leão, do pP (de Ciro Nogueira), não tem um olhar, aquele que gesta dignidade, para tais pessoas. A gestora do Distrito Federal parece atribuir pouca ou nenhuma importância àqueles que, em vez de “cidadãos”, são “meros indivíduos” não assistidos pelo governo.
José Roberto Arruda, que planeja ser candidato a governador do Distrito Federal pelo PSD, tem um olhar agudo tanto para os pobres de Brasília quanto pelos moradores do Entorno do Distrito Federal. Ele pergunta: de que adianta ter uma Brasília rica cercada por vizinhos pobres, desassistidos? Arruda está atento às pessoas, ouvindo-as com mais paciência, humildade percepção.
Na segunda-feira, 15, José Roberto Arruda conversou longamente com Patrícia Moraes Machado, editora e diretora-responsável do Jornal Opção, em Brasília. O que se viu, de cara, foi um Arruda mais ponderado, paciente e sábio — que trata o oponente político como adversário e não como inimigo. Por exemplo: Celina Leão responde a um processo, mas seu adversário sugere que é preciso deixá-la disputar a reeleição. Quem deve decidir sobre seu possível “afastamento” são os eleitores, soberanos da democracia.
Brasília, o Distrito Federal, na opinião de José Roberto Arruda, precisa ser “reinventada”. Porém, não com retóricas vazias, e sim a partir da perspectiva criativa e ousada de Juscelino Kubitschek, que atraiu para a construção de Brasília arquitetos que eram verdadeiros artistas, como Lucio Costa e Oscar Niemeyer. O ex-governador sugere que se deveria colocar placas nas entradas de Brasília com os dizeres: “É proibido pensar pequeno”.
Há recursos financeiros para a “reinvenção” — ou reconstrução — de Brasília? Quando o gestor é competente e criativo, os recursos “aparecem”, frisa o mineiro (de matiz tancrediano) Arruda. Os 16 bilhões de reais do “rei” dos escândalos, o que envolveu o BRB e o Banco Master, prejudicará a capital e seu entorno. Mas não se pode ficar sentado, esperando a banda passar. É preciso agir, sugere o ex-governador.
O leitor saberá muitas coisas de Arruda lendo esta entrevista. Por exemplo, é fã ardoroso do compositor, cantor e escritor Chico Buarque, autor de “Construção”. O ex-governador também acaba de lançar um livro de poesia, que é lírica, dorida, e, ao mesmo tempo, guarda aquele modernismo distanciado de Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto.
Político sem mandato costuma cair no esquecimento. O sr. está há 16 anos fora da política, no entanto sempre aparece entre os dois nomes com mais chance de vitória para a próxima eleição ao governo do Distrito Federal. A que credita sua alta intenção de voto?
Sinceramente, não sei explicar. Agradeço muito a Deus por me dar uma nova oportunidade. É muito gratificante andar pelas ruas e ouvir das pessoas que mudamos para melhor a vida delas. Há poucos dias, numa visita ao Buritizinho, uma senhora me abraçou e disse, emocionada, que hoje tem moradia própria devido à nossa gestão. Outra disse que era advogada porque recebeu bolsa universitária. Um outro caso que também me emocionou muito foi uma senhora junto com a filha de 17 anos que, segundo ela, tinha o sonho de me conhecer devido ao enxoval que recebeu pelo nosso projeto Mãezinha Brasiliense. Ela me disse: “Eu não tinha roupa para sair com a minha filha do hospital. E hoje ela tem 17 anos”.
Então, acredito que muitas obras e ações sociais e de desenvolvimento colaboraram para a lembrança de meu nome como gestor. Porque marcaram a vida das pessoas. Então, fico muito feliz com essa lembrança. Isto faz meu nome estar sempre bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto para o governo.
Apesar dos números positivos nas pesquisas, a oposição alimenta a dúvida junto ao eleitor se o sr. poderá disputar mandato de governador este ano. O que tem a falar sobre isso?
A minha visão é muito simples. O Congresso Nacional votou e aprovou a lei a 219/25, sancionada pelo presidente da República, que determina de 8 a 12 anos de inelegibilidade a partir da decisão do segundo grau. No meu caso, foi em junho de 2014. Vence agora em junho de 2026, se for 12 anos, que é o máximo. Portanto, pela lei vigente, estou elegível. Só tem um jeito de eu ficar inelegível — se a lei cair. Mas não acredito que, a três meses da eleição, se modifique a legislação eleitoral. Confio na Justiça do país e trabalho com a legislação em vigor.
Portanto, estou elegível. O que falo para os meus adversários é o seguinte: aceita que dói menos — vamos disputar no voto.
O que o sr. tem a dizer sobre a Operação Drácon?
Saiu a notícia de que a governadora do Distrito Federal deve ser condenada pela Justiça por causa da Operação Drácon. Celina Leão é acusada de desvio de 30 milhões de reais de emendas da saúde. Uma repórter me questionou e respondi que essa ação também tem 12 anos. Se não foi julgada até agora, também não acho que seja justo julgar a trâmite da eleição.
Deixa a governadora disputar a reeleição. Essas interferências à véspera da eleição geram uma instabilidade jurídica e uma visão de que as pessoas são tiradas no tapetão. O bom da democracia é a disputa do voto. Quero que Celina Leão tenha o direito de disputar a eleição, assim como todos os postulantes. Só quero que me deixem disputar também. Quem vai decidir o futuro da cidade é a população, por meio do voto.
A dúvida se pode ou não disputar prejudica suas articulações políticas para a construção da sua candidatura?
Atrapalha muito, sem dúvida. Nas ruas, as pessoas me encontram e falam: “Arruda, o meu voto é para você. Mas, como não sei se será candidato, então não sei”. Como grande parte da mídia de Brasília, que recebe publicidade do governo, bate na tecla de que a minha candidatura pode não estar segura, isso gera instabilidade na decisão de voto e dos apoios políticos também. Conversamos com outras agremiações políticas e fica sempre essa dúvida. À medida que se aproxima a eleição, estamos a pouco mais de três meses do pleito, acredito que vai ficando claro para as pessoas que estou no páreo, e posso ser uma opção.
O que move o sr. a ser candidato a disputar o governo do Distrito Federal?
Duas coisas me movem a ser candidato —— melhorar o setor de saúde e ampliar o metrô. Brasília vive um mau momento. Quem precisa da saúde pública, quem tem filho em escola pública e quem precisa andar de ônibus está morrendo à míngua. Meu sonho e de todo o nosso grupo político é resgatar a Brasília da época do [Joaquim] Roriz e do meu governo. As pessoas eram ouvidas. A pessoa chegava no hospital e tinha médico para atender. Havia 200 escolas de educação em tempo integral. Há 16 anos construímos o Hospital de Santa Maria — com 400 leitos. E depois mais nenhum outro foi feito. Então, quero voltar ao governo de Brasília, mas olhando tanto para o presente quanto para o futuro. Quero construir o hospital do Recanto das Emas, o de São Sebastião, o do Sol Nascente e o Hospital do Câncer.
O que o sr. tem a dizer a respeito do metrô?
Quando governador, levei o metrô da Praça do Relógio até a Ceilândia. Fizemos oito novas estações, 48 novos trens. Passamos de 50 mil para 160 mil passageiros por dia. Tem 16 anos que meu mandato terminou. Não fizeram mais nada. Eleito governador, irei levar metrô de Ceilândia ao Condomínio Privê, ao Sol Nascente e até Águas Lindas, no Entorno de Brasília. Mais da metade da população de Águas Lindas trabalha em Brasília. Quero levar o metrô para o Gama em Santa Maria e para os municípios de Novo Gama, Valparaíso, Cidade Ocidental, até Luziânia. Por causa da conurbação, grande parte da população economicamente ativa do Entorno do DF passa boa parte do dia em Brasília. Também quero fazer o VLT do aeroporto pela W3. Quando saí do governo, deixei o contrato assinado. Na época, cheguei a trazer o presidente da França, Nicolas Sarkozy, no dia 7 de setembro de 2009, em Brasília, para assinar o financiamento de 800 milhões de euros. Licitação feita, contrato assinado, obra iniciada. E ainda assim, com tudo pronto, não conseguiram fazer. E por último, a linha da saída norte. Nós temos que levar o metrô até a UnB, e temos que fazer a quarta ponte já com trilhos do VLT, subir para Itapuã, Paranoá, Sobradinho, Planaltina, bifurcar para Jardim Botânico, Mangueirão e São Sebastião. Com todas essas obras que tenho como objetivo realizar, ao assumir o governo de Brasília, podem me perguntar se há recursos financeiros. Todas essas obras irão custar para o governo menos que os 16 bilhões desviados do BRB. É questão de prioridade.
A negociação feita pela governadora Celina Leão para tentar salvar o BRB não irá inviabilizar as próximas gestões, e, consequentemente, seus projetos — caso consiga ser eleito?
Está sendo assinado um contrato pelo qual, durante 15 anos, o governo terá de pagar um empréstimo e neste período fica proibida a contratação de novos concursados. Assim como dar aumento salarial.
Este acordo do BRB é escandaloso — por sua incompetência — e só aumenta o prejuízo para nossa capital. É o mesmo que uma pessoa muito endividada procurar o agiota e pegar dinheiro a qualquer preço. A negociação que a governadora Celina Leão está fazendo é pegar um empréstimo de 6,6 bilhões para pagar 15 bilhões. E, pior, enquanto se paga esse vultoso empréstimo, o governo estará proibido de fazer tudo.
O governo está sem rumo?
No dia 29 de abril de 2026, o secretário da Fazenda, o goiano Valdivino Oliveira — técnico experiente —, disse, ao jornal “Correio Braziliense”, que o governo está “desgovernado”. Além de ter praticado irresponsabilidade fiscal. É o maior sincericídio que vi na política brasileira até hoje. Não preciso falar nada. O economista disse tudo.
É um governo desgovernado, desorientado, com irresponsabilidade fiscal. Sabe casa que não tem pão, na qual todo mundo grita e ninguém tem razão? É o que está acontecendo. O avião está caindo, o piloto começa a brigar com a copilota. Enquanto isso, todo o governo, em vez de administrar, virou uma máquina de fazer campanha política.
A estratégia da governadora Celina Leão é se desvincular do ex-governador Ibanês Rocha. É possível a vice-governadora se eximir da responsabilidade das ações do governador — sendo que foram eleitos na mesma chapa?
Com o dinheiro que eles têm, 200 milhões, para gastar com publicidade, tudo é possível. Eles estão em campanha política ao invés de gerir o caos administrativo do governo. Ibanês escolheu Celina como vice-governadora e lhe deu todo o espaço que ela quis durante quatro anos.
Tem mais de 500 vídeos dos dois fazendo juras de amor e de lealdade. Agora, de uma hora para outra, dizem que não era bem assim, e cada um vai para um lado. Enfim, a população é que tem de julgar.
Celina Leão mantinha uma estrutura no governo de Ibanês?
Precisa ser avaliado o fato de que os 443 cargos comissionados que eram de Celina Leão, como vice-governadora, foram mantidos quando se tornou governadora. Mas o cargo de vice-governador está vago, não existe. Ainda assim, a vice-governadoria continua com 443 cargos comissionados — que custam 3,5 milhões por mês e quase 40 milhões de reais por ano.
Quem são os comissionados da vice-governadoria?
São figurinhas carimbadas da política de Brasília. Muitos conheço pelo nome. Ninguém vai trabalhar. Até porque, se for, não cabe. A casa cabe no máximo dez pessoas. Na verdade, são cabos eleitorais pagos com dinheiro público. Estão fazendo campanha pela reeleição.
No Rio de Janeiro, o ex-governador Cláudio Castro foi condenado pelo TSE por algo parecido. Porém, a mesma coisa está acontecendo na capital do país. Trata-se do uso da máquina pública numa campanha eleitoral. Vale tudo. Além do gasto excessivo com verba publicitária, tem o “projeto copia e cola”. Tudo que eu falo, eles copiam, tentam imitar. Só que não dão conta, porque não têm experiência de gestão. Para piorar, há mais de 27 mil cargos comissionados no governo.
Diante da crise instalada no governo de Brasília, o que o sr. pretende fazer para conseguir colocar em prática todos os seus projetos, caso seja eleito governador?
De cara, terei de fazer um ajuste fiscal rigoroso. Cortar parte substancial dos 27 mil cargos comissionados, por exemplo. Meu governo funcionava bem com 8 mil comissionados. Depois, entregar os prédios chiques alugados no centro de Brasília e mudar para o centro administrativo que está pronto. É vital diminuir as secretarias de 35 para no máximo 18. É crucial acabar com empreguismo de cabo eleitoral. O morador do Distrito Federal precisa saber que tem deputado com 300 cargos comissionados no governo. É um absurdo. Vamos acabar com essa politicagem.
Comissionados são vitais em algumas áreas do governo, não é?
É importante ter especialistas comissionados em determinadas áreas, mas impondo limites. Há uma regra que não está sendo obedecida: 50% dos cargos profissionais devem ser para concursados. Na educação tem mais professores temporários do que concursados. É preciso convocar os concursados. Governante que não privilegia o servidor de carreira está fazendo politicagem.
Eleito, o sr. vai cortar outras despesas?
Sim, cortar despesas, de maneira ampla, é vital. Depois, o governo deverá obter superávit e reconquistar a letra A do nível de endividamento. Com isso, poderá obter recursos para investimento. Hoje, o governo do Distrito Federal figura na letra C. É o pior desempenho do governo em toda a história de Brasília. Há outra questão. Deputados federais, senadores e até os deputados distritais fazem emendas para fora de Brasília. Porque, quando fazem emendas para o DF, o governo não as executa. O governo não dialoga com sua bancada.
O sr. planeja buscar recursos federais?
Sim, vamos buscar recursos federais de fomento, inclusive os internacionais, que são fundamentais. No meu governo, fui a Washington, peguei 250 bilhões de dólares para fazer a Estrada Parque Taguatinga (EPTG). Em 15 meses, fizemos a nova EPTG. Hoje, não teríamos como pegar empréstimo, pois o índice de financiamento não permite.
O que, se eleito, fará com o Banco de Brasília?
Será preciso fechar as 19 agências que ficam fora de Brasília. O BRB tem escritório em Dubai, Nova York, em Correntes (Piauí). Será vital acabar com patrocínios malucos (Fórmula 1, por exemplo) que não têm vínculo com Brasília. Com o banco menor, vamos focar em Brasília e região. Com a ajuda dos deputados e senadores, tanto os de Brasília quanto os de Goiás e outros Estados do Centro-Oeste, vamos operar para pegar 15 bilhões de reais/ano do FCO, que estão no Banco do Brasil, e repassá-los para o BRB. Com 15 bilhões, podemos fazer giro para fomentar a economia regional do Centro-Oeste e entregar ao Banco de Brasília. Eu defendo o banco público, mas, obviamente, orientado como banco regional.
O senhor não é favorável à privatização do BRB?
Não. Privatizar é perder o banco, e, consequentemente, perder um instrumento importante de política econômica. A pior privatização o governo Ibanês/Celina já fez, que é pegar todas as subsidiárias do BRB e vender a participação. Daniel Vorcaro, do Banco Master, seria dono de 25% das ações do BRB, caso a transação tivesse sido aprovada pelo Banco Central.
O Master é que estava comprando o BRB?
O escândalo que se discute é: o BRB queria comprar o Master. Mas isso já foi a virada de mesa, porque, na verdade, era o Master que estava comprando o BRB, em nome do Vorcaro e de seus laranjas, inclusive, com empresários de Brasília. A ideia que foi levada, inclusive, à Câmara Legislativa era de que o Master compraria as ações do BRB e teria a presidência do Conselho. Sabe o que teria acontecido se isso tivesse dado certo? Vorcaro seria o presidente do Conselho do BRB, e nem mesmo o próximo governador poderia tirá-lo, porque ele seria o dono das ações. Essa é a operação mais escandalosa da história do sistema financeiro de Brasília. Aquelas CPIs dos bancos lá de trás, do Banco Marka (de Salvatore Cacciola) e do Banco FonteCindam, se tornaram juizado de pequenas causas perto do estrago que tiveram coragem de fazer com o BRB.
Como é que estão suas composições políticas?
Hoje temos dois partidos políticos com a gente: o PSD, presidido pelo Paulo Octávio, que fez uma composição muito interessante e trouxe Lucas Kontoyanis para a vice-presidência. Ele era o presidente do PRD, partido que me apoia. Então, a nominata construída pelo Paulo Octávio e pelo Lucas Kontoyanis é muito forte. O Avante, presidido pelo ex-senador Gim Argello, está conosco. Há conversas com líderes de outros partidos, que irão até julho, mês das convenções. Nossa expectativa é que novos partidos irão nos ajudar. Não é uma composição fácil, porque os partidos têm cargos no governo, têm interesses ligados ao poder local.
O sr. já foi filiado ao PL e mantém boa relação com integrantes do partido, inclusive com o senador Izalci Lucas. No entanto, a ex-primeira-dama Michele Bolsonaro insiste em manter apoio à reeleição da governadora Celina Leão. Qual sua expectativa em relação ao apoio do PL?
O PL está dividido. Uma ala tem ligação mais próxima com Celina Leão. A outra, a do Izalci Lucas e dos deputados federais Alberto Fraga e Bia Kicis, é mais ligada a mim. Eles estão me ajudando muito. Somos amigos. Fraga e Izalci foram secretários de meu governo. Eram deputados federais e se licenciaram do mandato para trabalhar conosco. Fraga foi um grande secretário do Transporte. Izalci fez um trabalho brilhante na Secretaria de Ciência e Tecnologia. Me ajudaram muito. Nós estivemos juntos em todas as eleições. Bia era minha procuradora-geral adjunta. Nós temos uma ligação histórica, independentemente das diferenças partidárias.
Por que trocou o PL pelo PSD?
A minha filiação aconteceu porque Gilberto Kassab me convidou para ser o candidato ao governo pelo PSD. O PL não me dava essa garantia. Além disso, o PSD é um partido que me atrai muito pela forma que Kassab trabalha. É um partido equilibrado, liberal, de centro-direita. Juscelino Kubitschek se elegeu presidente pelo PSD. Também foi o partido do Tancredo Neves e Pedro Ludovico Teixeira [o construtor de Goiânia]. Eu fico honrado de poder liderar esse momento do PSD em Brasília.
Mas o sr. mantém expectativa de ter o PL ao seu lado?
Sim. Até porque sonhar não paga imposto [risos]. Assim como acredito que ainda poderemos contar com muitos outros partidos. As conversas estão acontecendo e vão acontecer com todos os partidos. Tem muita água para passar. Estamos a pouco mais de três meses da eleição, e daqui até julho, nas convenções, vai ter muita emoção.
Denúncias sobre o caos na saúde de Brasília são recorrentes: faltam insumos e vagas nos leitos hospitalares. Tanto que o último hospital inaugurado foi na sua gestão, o de Santa Maria. Quais são seus projetos para promover melhorias na saúde?
Vamos mudar radicalmente o modelo de gestão e voltar ao que era na época do Jofran Frejat e do José Geraldo Maciel. A saúde funcionava, tinha médicos nos hospitais, não faltavam insumos. A saúde de Brasília era exemplo.
Na nossa gestão moradores do Entorno eram atendidos na rede pública de Brasília. Quase 30% dos atendimentos da rede pública eram de pessoas do Entorno. Agora, o prefeito de Novo Gama, Carlinhos do Mangão (PL), mantém uma tenda de saúde no município que administra para atender moradores de Santa Maria. O processo inverteu-se. A saúde do Entorno está dez vezes melhor do que a saúde pública de Brasília.
Como avalia a gestão do ex-governador Ronaldo Caiado na saúde?
Ronaldo Caiado fez uma grande gestão. Adotou projetos muito interessantes na saúde no social. O Goiás Social é um show de bola. Assim como o fundo que ele construiu no Protege e também o fundo da infraestrutura. Por que Goiás, de um dia para a noite, virou o melhor índice do Ideb e Brasília caiu para o 12º lugar? Alguma coisa está errada… em Brasília. No caso da saúde em Brasília, politizaram a gestão. O negócio ficou tão ruim que o governo colocou um delegado para gerir o Iges. Quer dizer, reconheceu que o Iges é um caso de polícia.
O que sr. pretende, caso eleito, fazer com o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (Iges) do Distrito Federal?
O modelo de Iges é um desastre total. Precisa ser repensado totalmente. Precisa ser profissionalizado. Quando a política com “p” minúsculo — ou seja, a politicagem — entra em áreas estratégicas do Estado, a eficiência sai por outra porta. A saúde foi tomada pela politicagem, gente indicada sem concurso, uma bagunça.
Como avalia a segurança pública do Distrito Federal?
Um deputado manda nos coronéis da Polícia Militar. Outro deputado manda nos coronéis do Corpo de Bombeiros. Outro deputado manda nos delegados da Polícia Civil. Não tem como dar certo.
O Entorno de Brasília era um antro da criminalidade. Hoje, depois do governo de Ronaldo Caiado e agora com o governador Daniel Vilela, vive em paz. Já em Brasília a insegurança é total. Na capital do país, os bares têm de funcionar com grades! As pessoas estão sitiadas pelo crime. Sim, insisto, os bares ficam fechados, com medo da violência. Ora, Brasília tinha e tem de ser exemplo.
Mas Brasília tem recursos suficientes para melhorar a segurança pública, não é?
Brasília é igual aquele menino que cresceu, mas recebe mesada do pai, briga com o pai, desobedece o pai em praça pública, e não faz o dever de casa, nem estuda. Nós recebemos 24 bilhões por ano do Fundo Constitucional do Distrito Federal para manter a segurança pública. Mas nos tornamos uma capital violenta, porque a segurança pública perdeu o comando. Foi para o vinagre, mas continua recebendo mesada. Está errado.
O primeiro dever de Brasília é manter a segurança pública na capital do país de forma exemplar. Por isso se justifica o fundo, que os outros Estados não têm. Perdemos a mão. Em segundo lugar, Brasília é hospedeira dos poderes da República. O governador de Brasília, independentemente de diferenças partidárias, tem que manter uma relação respeitosa com o presidente da República, com o presidente do Congresso, com o presidente do Supremo Tribunal Federal. Não pode deixar acontecer episódios como o de 8 de janeiro.
Uma das características de sua gestão é que sempre destacava atenção à região do Entorno de Brasília. Qual a razão?
Porque Brasília não existe sem o Entorno, e o Entorno não existe sem Brasília. Essas cidades do Entorno, embora sejam de Goiás e uma [Unaí] de Minas Gerais, cresceram em função do desenvolvimento de Brasília. A atividade econômica é muito integrada. Metade da população de Valparaíso de Goiás — cidade que cresceu enormemente — vem trabalhar em Brasília. Tanto que pela manhã e no final do dia o trânsito da 040 para. Ou fazemos o metrô, ou iremos inviabilizar a vida das cidades do Entorno.
Brasília e o Entorno do DF são praticamente uma coisa só?
Quando foi feito o quadrilátero Cruls, ele era de 14.400 quilômetros quadrados. Abarcava toda essa região do Entorno. Quando Juscelino Kubitschek foi construir Brasília, Juca Ludovico [governador de Goiás] foi quem fez a desapropriação. Mas gestor goiano desapropriou só 5.800, porque não dava para desapropriar a área inteira. A diferença dos 5.800, que é o Distrito Federal, para os 14.400 que era do quadrilátero Cruls, continuou sendo de Goiás. O quadrilátero Cruls tinha sido tão bem pensado que esses 14.400 são igual um tabuleiro. Ele é um planalto linear mil metros acima do nível do mar.
O que aconteceu?
A história deu razão para o quadrilátero Cruls. Para onde a cidade cresceu? Exatamente para essa área que ele [Luiz Cruls] tinha demarcado. Principalmente para o Entorno Sul — que abraça a região de Águas Lindas e a região de Luziânia. É onde tem água, onde é plano. E o que precisa ser feito? Quando senador, fui autor de uma lei que criou a Região Integrada do Desenvolvimento do Entorno (Ride). Para que a Ride? Para que o governo de Brasília pudesse investir recursos nessa região do Entorno.
O Entorno do DF e Brasília precisam se integrar mais?
É uma utopia achar que Brasília vai ter uma vida maravilhosa sem os vizinhos do Entorno. Não funciona. É preciso ter transporte digno para a região do Entorno, assim como saúde e educação de qualidade. No meu governo, eu fazia convênio com as 21 cidades do Entorno e pagava médicos para trabalhar lá. Fiz convênio para asfaltar os bairros mais pobres da região e fui criticado. Por isso, respondi processo, e não me arrependo. Sabe por quê? Porque, ao fomentar a melhoria da qualidade de vida das cidades do Entorno, diminuo a pressão sobre os equipamentos públicos de Brasília. No meu governo, as pessoas que vivem nas cidades do Entorno e trabalham em Brasília eram tratadas com dignidade. Tudo que temos em Brasília de metrô foi construído por mim. A primeira parte como secretário de obras de Joaquim Roriz. Fizemos do Plano Piloto-Guará, Águas Claras, Taguatinga e Samambaia. E a segunda parte quando fui governador — de Taguatinga a Ceilândia. Depois não fizeram mais nenhum novo trecho. Brasília precisa de novas linhas de metrô para que as pessoas possam viver um pouco mais distantes do Plano Piloto, mas com qualidade de vida e dignidade no transporte.
Se eleito, qual será seu primeiro projeto de transporte para região do Entorno?
Serão dois. O de Águas Lindas e o de Luziânia. A Infra, empresa de infraestrutura do governo federal, já está estudando esses dois projetos. Estão meio adiantados. E com coragem a gente dá conta de tirar do papel e fazer. É ousado? É. Mas penso que com os 16 bilhões do negócio do BRB com o Master daria para fazer as quatro linhas de metrô; os hospitais que quero fazer; voltar com as escolas em tempo integral, e ainda sobra muito para outras realizações.
Como governador, Ibanês Rocha manteve uma relação de muito desgaste com o também governador Ronaldo Caiado. Como o sr. avalia que deva ser a relação do governo de Brasília com o de Goiás?
Tem que andar de mãos dadas. O governador de Brasília e o governador de Goiás têm que trabalhar juntos para a região do Entorno. Para mim está muito claro. Sou amigo de todos os prefeitos do Entorno. Tenho uma relação muito próxima com a região, que vi crescer. Eu lembro de Águas Lindas, por exemplo, quando chamava Parque da Barragem e tinha 3 mil habitantes. Hoje, oficialmente tem mais de 250 mil habitantes. Na realidade, tem mais habitantes. Em qualquer obra que se visitar em Brasília, 70% dos peões moram em Águas Lindas. O mesmo acontece nos escritórios do centro da cidade, e nos restaurantes. A maioria dos funcionários mora em Valparaiso, Cidade Ocidental e Luziânia.
O governo do Distrito Federal, o de Ibaneis Rocha e Celina Leão, “fechou” as portas para o Entorno do DF?
De fato, o governo atual de Brasília criou um muro, similar àqueles da Idade Média, para isolar os cidadãos do Entorno do DF. É uma visão míope de desenvolvimento. Precisamos construir um modelo de desenvolvimento integrado entre Brasília e o Entorno, dentro do espírito da Ride. Somente assim o crescimento da cidade será organizado. Caso isso não seja feito, Brasília vai cometer os mesmos grandes erros das outras grandes cidades brasileiras: a favelização das periferias.
A desigualdade social em Brasília é gritante?
Brasília hoje tem uma desigualdade social que é incrível. Brasília tem a maior renda per capita do Brasil, mas, ao mesmo tempo, tem o maior índice de desigualdade social. Basta andar 15 minutos do centro de Brasília, pela via estrutural até Santa Luzia, que se poderá constatar a maior miséria humana. Crianças famintas, doentes, brincando no esgoto a céu aberto. As pessoas sofrendo. A maior favela do Brasil também está aqui — é a Sol Nascente.
O que fazer, Arruda?
Ou levamos infraestrutura a esses lugares e condições de vida dignas à população, ou Brasília vai cometer os mesmos erros do Rio de Janeiro e São Paulo. Só que aqui ainda dá tempo de corrigir. O meu olhar não é de crítica, é de esperança. Dá para fazer. O orçamento anual de Brasília é 75 bilhões. Goiás tem mais do dobro da população e conta com orçamento de 50 bilhões. Goiás é 70 vezes maior que o Distrito Federal, tem o dobro da população, conta com menor orçamento mas faz mais pelo Estado que Brasília — que possui maior orçamento.
Qual o seu projeto para as regiões menos favorecidas de Brasília?
Primeiro, levar infraestrutura. Meu projeto para essa região é fazer o que fiz no meu governo, no Arapoanga, no Mestre D’Armas, na Estância, no Itapuã, na Estrutural, na Vila São José, em Brazlândia, no Porto Rico, em Santa Maria, nas quadras oitocentos e mil em Samambaia. Todas essas regiões eram terra e esgoto a céu aberto. Eu entrei, fiz galerias de águas pluviais, fiz redes de esgoto, redes de água, iluminação pública, posto policial e escola. Asfaltei todas as ruas. Transformei numa cidade. É o que precisa ser feito em Sol Nascente, na Santa Luzia, no Vicente Pires, na Arniqueira, no 26 de Setembro, na Ponte Alta. É isso. Quero fazer no futuro bem próximo — há urgência — o que já fiz no passado. Levar infraestrutura e dar dignidade de vida às pessoas.
A falta de escolas em tempo integral é outra queixa da população. Como pretende resolver a demanda?
No meu governo criamos 200 escolas de educação integral. Hoje reduziram para trinta e poucas. Tenho um sonho: que todas as escolas públicas de Brasília sejam de educação integral. A capital nacional precisa também ser um grande exemplo de educação pública para o país. O grande educador Anísio Teixeira sonhou com uma cidade onde o filho do senador estudaria na mesma escola pública do filho do motorista do parlamentar. No começo de Brasília era assim. Isso se perdeu. E dá para resgatar? Dá. Brasília tem que ser exemplo, tem que ser modelo, porque é a capital do país. Brasília devia ter uma placa na entrada da cidade com o seguinte texto: “Aqui é proibido pensar pequeno”. Porque nós somos herdeiros da página mais bonita da história do país.
Juscelino Kubitschek, do seu PSD, deu o exemplo, não é?
Visionário, JK, em cinco anos, como num passe de mágica, construiu estradas, usinas hidroelétricas e transferiu a capital do país do Rio de Janeiro para o centro do Brasil. Ele integrou as várias regiões do país, e criou aqui o berço de uma nova civilização brasileira, onde o nordestino se relaciona com o gaúcho, o carioca se relaciona com o amazonense. Aqui é uma nova página sociológica do Brasil. Brasília mudou o Brasil. Não é só uma cidade bonitinha com cara de capital. Juscelino redescobriu e redesenhou o Brasil. O Brasil moderno, que vem com a indústria automobilística, com os anos JK, redescobriu o Brasil. Nós somos herdeiros disso. Juscelino estaria satisfeito com o que se está fazendo em Brasília? Se não estivesse morto, há 50 anos, certamente daria uma bronca coletiva. Então, é preciso resgatar a cidade, inclusive o seu entorno. Observe-se que a grande produção agrícola de Goiás tem a ver com a existência de Brasília no coração do Centro-Oeste.
O sr. pretende fazer campanha casada com o governador de Goiás, Daniel Vilela?
Já tenho uma campanha muito coligada com Ronaldo Caiado, por ele ser o candidato a presidente do meu partido. Daniel Vilela, como se sabe, é o candidato a governador apoiado por Caiado.
O sr. avalia que Ronaldo Caiado tem chance de ser eleito presidente da República, apesar da polarização entre Lula da Silva, do PT, e Flávio Bolsonaro, do PL?
Ronaldo Caiado é o candidato mais preparado à Presidência da República. Foi deputado federal, senador, governador por dois mandatos e terminou com 86% de aprovação. Ele tem experiência. Se fôssemos analisar friamente, Caiado pode ser o melhor nome para o Brasil ter uma nova página de desenvolvimento econômico. Além de desenvolvimento político também. Embora tenha aquele jeitão duro, ele é do diálogo, de composição, tem habilidade. Então, é uma relação natural seguirmos juntos. Todos os prefeitos do Entorno também estão muito ligados ao Caiado, e também são meus amigos. É uma coisa muito natural.
Há alguns dias, o sr. teve de desmentir sobre uma possível aliança política com o PT. O que aconteceu?
A mídia — blogs e sites — ligada ao governo de Brasília fica tentando arranjar um jeito de atrapalhar minha vida. Estão dizendo até que sou careca (risos). Publicaram que vou compor com o PT. Tenho uma história política de mais de 30 anos. Todas as minhas eleições foram contra o PT — sempre com o maior respeito. Fui governador com Lula da Silva na Presidência e tivemos um bom relacionamento. O petista me ajudou em tudo que era possível. Isso é uma coisa. Outra coisa é o modelo de governo. Não acredito na forma de o PT governar. É o inchaço da máquina pública, produção de déficit público. Sou, economicamente, liberal. Acredito no Estado mais enxuto e na busca do capital privado nos investimentos públicos. Há uma dicotomia total, mas sempre com muito respeito. Então, esta composição não está nos meus planos.
Como o sr. avalia o maniqueísmo instalado no debate político do país?
A polarização excessiva não está alimentando o debate brasileiro sobre o que se deve construir em termos de sociedade. Na verdade, está emburrecendo o debate. Todo sectarismo, todo maniqueísmo, emburrece. Porque, ao invés de se discutir os reais problemas do Brasil, e os reais problemas de Brasília, no caso, fica-se discutindo questões ideológicas, se é de direita ou de esquerda. Sou de centro-direita, mas eu estou absolutamente aberto para discutir políticas públicas e pontos de convergência que sejam do interesse de Brasília. Sabe o exemplo que eu gosto de dar? Roriz era tido como um político de direita. E ele fez, na minha opinião, o maior e mais bem-sucedido programa habitacional de baixa renda da história do país. Melhor que BNH, que Minha Casa Minha Vida, melhor que tudo isso. Ele deu moradia e dignidade para 100 mil famílias. Lotinho de 10 por 20, com água, esgoto e luz, e cada um se virava para fazer a sua casa e deu certo. Esse programa social do Roriz é de direita ou de esquerda? Porque em tese é um programa de erradicação da pobreza, de dar dignidade. Então, em tese, estaria no compêndio dos progressistas. E ele, o político de direita, fez [nota do Jornal Opção: Joaquim Roriz, ao lado de Henrique Santillo, chegou a ser filiado ao PT, na década de 1980]. Então, essa coisa de “apelidar” as pessoas é menos importante, na minha opinião, do que as políticas públicas de interesse da sociedade. Uma das maiores defesas que faço, a escola de educação integral, é de direita ou de esquerda? Sei lá, não importa. O que sei é que beneficia as pessoas, sobretudo as mais pobres e que precisam de mais assistência do governo. Investir em educação pública é, em si, um programa social à parte e muito relevante. É o social inclusivo, e não meramente assistencial.
Como estão as conversas sobre a escolha do seu candidato a vice-governador?
O processo de escolha do candidato a vice-governador é de responsabilidade de Paulo Octávio, presidente do PSD, e do Gim Argello, presidente do Avante. Eles vão conversar com os líderes dos partidos. A escolha dos candidatos a senador também passará pelo dois.
Como o sr. avalia o Arruda de 16 anos atrás e o Arruda de hoje?
Uma pergunta interessante e pertinente. Eu era mais impulsivo, e a vida ensina, não é? A gente aprende mais com o erro do que com os acertos. Dezesseis anos de travessia do deserto. Então, a gente reflete muito. Hoje tenho um pouco mais de paciência. Tenho a mesma vontade, os mesmos sonhos, a mesma determinação de fazer as coisas. Mas muda talvez a forma de fazer as coisas. Talvez também uma mudança importante é ter mais cuidado com as pessoas. A política radicaliza as relações humanas. Conheci os melhores seres humanos na política. Vilmar, por exemplo (o ex-deputado e ex-presidcente do PSD em Goiás Vilmar Rocha estava na entrevista). Mas os piores também. A gente tem que ter muito cuidado, porque, quando está no poder, aparece muito puxa-saco, e a gente adora um puxa-saco. Quem não gosta? (risos) Só que você se deixa levar por eles e aí passa a se considerar perfeito, sem defeito e se torna o dono da verdade. Então, é importante saber conviver com aqueles que têm coragem de te criticar, de discordar. E trazer pessoas que sejam íntegras, que tenham bons propósitos. É isso. Hoje sou uma pessoa um pouco mais paciente, mais cuidadosa, um pouquinho mais sábia.
O primeiro livro escrito pelo sr. foi sobre a trajetória de Lúcia Rocha, mãe do cineasta brasileiro Glauber Rocha, diretor do filme “Terra em Transe”. Agora, lançou um livro de poesias, “Minhas Estações”. A mudança de um livro biográfico para um livro de poesia reflete essa sua mudança?
Talvez faça parte dessa transição. Tenho uma tese: só faz poesia quem está triste. Gente alegre não faz poesia. Tem até uma música — “Samba da Bênção” —, cuja letra é de Vinicius de Moraes, que diz: “Pra fazer um samba com beleza, é preciso um bocado de tristeza. Senão, não se faz um samba não”.
O sr. sofreu muito com a perda do mandato?
Como vivi 16 anos de travessia do deserto, sofri muito. Sofri com processos judiciais. Sofri na vida pessoal. Sofri com humilhações. Fui preso. Sofri tudo que o sujeito pode sofrer. Então, esse sofrimento faz com que você se torne mais introspectivo e tira daí uma visão humana diferente daquela cartesiana, do engenheiro que eu era, que via as coisas tudo de uma forma muito prática e objetiva. Você fica mais lúdico.
E gosto muito de brincar com as palavras. Eu adoro, aliás, quem escreve bem, porque eu gosto muito de ler. Gosto do jogo de palavras quando traduz sentimentos. A poesia é esse jogo de palavras com ritmo que traduz sentimentos. Eu vou falar uma coisa para você, Patrícia. Se eu tivesse escrito um verso de uma das letras das mais de 500 que o Chico Buarque escreveu, vocês não iam me tolerar, eu ia ser o cara mais metido do mundo (risos).
O sr. é mesmo fã de Chico Buarque, o compositor da extraordinária música “Construção”?
Chico Buarque é o maior poeta da língua portuguesa. O que é aquilo? De onde ele tira tanta inspiração? O jogo de palavras, e ainda de forma rítmica, para serem musicadas. Então, sou só um sonhador. Eu escrevo mesmo por aí. Morro de vergonha. Mas acho que você falou certo, sim. Faz parte dessa minha transição, sim. Eu sou mais humano.
O sr. se sente injustiçado?
Tudo o que vivi, comparado com o que o Brasil vive hoje, devia ser julgado no juizado de pequenas causas. Estou há 16 anos fora da política. Não vou falar se me considero injustiçado ou não. Deixo para que as pessoas reflitam. Do que eu fui acusado? De receber 20 mil reais, dois anos antes de ser governador, que foram declarados no TRE.
Aí vocês veem: 16 bilhões do Banco Master! A minha vida foi vasculhada de cabeça para baixo. Não acharam nada errado. Sabe por quê? Porque não tenho fazenda, não tenho avião, não tenho mansão. Moro no mesmo apartamento que morava 33 anos atrás. Minha vida é aberta. Não tenho mordomia, vivo com a minha aposentadoria de engenheiro, abri mão da minha aposentadoria de Senado e deputado.
O sr. é professor?
Dou aulas para complementar a minha renda. Quem me conhece sabe. Agora, tudo tem uma razão de ser. Ninguém passa por isso por acaso. Então, talvez no plano superior tenha uma razão de eu ter vivido tudo isso. Tendo essa oportunidade de voltar, e desde logo estou aproveitando para fazer da minha convivência com as pessoas, as que estão ao meu lado, acreditando no projeto, e as que estão em caminhos diferentes, uma convivência mais harmônica, mais cordial, e sempre colocando o interesse de Brasília, de seus moradores, acima de tudo. Já fui ambicioso em termos de poder.
Qual é sua ambição hoje?
Hoje a minha ambição é menor que o meu senso de responsabilidade. Sei que ganhando essa eleição, vou enfrentar muitas dificuldades. Não vai ser fácil colocar ordem nas contas; não vai ser fácil mudar o modelo de gestão da saúde; não vai ser fácil construir as novas linhas de metrô; voltar com as escolas de educação integral vai ser muito difícil. Eu sei o tamanho do problema que me espera. Então, esse meu senso de responsabilidade hoje é maior. O poder pelo poder não me interessa, pois já fui governador, já fui senador.
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O Sextou de hoje, programa que ancoro às sextas-feiras, no lugar do Frente a Frente, trará o mais autêntico forró. O entrevistado é o cantor Assum Preto, ícone do ritmo nordestino. O artista, que fez história no grupo Brasas do Forró, agora segue em carreira solo, com agenda cheia durante os festejos juninos.
Antes de integrar o Brasas do Forró, Assum Preto fez parte da banda Os Três do Nordeste. Durante o período no Brasas, sua voz inconfundível foi consagrada nas canções “Irreverência” “Eu Te Amei” e “Maria Tchá Tchá Tchá”. Seu mais recente álbum, lançado em abril, inclui sucessos como: “O Dia”, “Saudade pra sempre”, “Paraíso do Vaqueiro” e “Quem Muito Fala Muito Erra”.
O Sextou vai ao ar das 18h às 19h, pela Rede Nordeste de Rádio, que reúne 48 emissoras em Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Bahia, tendo como cabeça de rede a Rádio Folha 96,7 FM, no Recife. Para ouvir pela internet, acesse o link do Frente a Frente no topo desta página ou baixe o aplicativo da Rede Nordeste de Rádio na Play Store.
O pré-candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) cumpriu agenda nesta sexta-feira (19) em Exu, no Sertão do Araripe, onde participou de entregas, ouviu demandas da população e anunciou a proposta de criação dos Jogos Escolares da Cultura de Pernambuco. Segundo ele, a iniciativa prevê etapas regionais envolvendo estudantes da rede pública em atividades ligadas à música, dança e outras manifestações culturais.
Durante a passagem pelo município, João visitou o Museu do Gonzagão e defendeu ações voltadas ao fortalecimento da cultura pernambucana e à preservação da memória de Luiz Gonzaga. “Os Jogos da Cultura terão etapas regionais em todas as partes do estado, envolvendo escolas públicas e estudantes de Pernambuco inteiro”, afirmou.
Na agenda, João Campos participou ainda da entrega de uma retroescavadeira e de ordenhadeiras destinadas a produtores rurais por meio de emendas parlamentares do deputado federal Pedro Campos (PSB). O pré-candidato também promoveu mais uma edição do projeto Anota Aí!, espaço de escuta popular em que moradores apresentaram demandas relacionadas à saúde, infraestrutura, segurança pública e educação na região.