Por Luiz Queiroz – Capital Digital
Uma associação privada que reúne algumas das maiores mineradoras com atuação no Brasil bancou passagem e hospedagem do diretor-geral da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mauro Henrique Moreira Sousa, em viagem à Austrália para encontros com empresas, investidores e autoridades do setor. A missão oficial termina nesta quinta-feira, 29 de outubro.
A viagem foi autorizada pela Portaria de Pessoal ANM nº 578, de 17 de setembro, “com ônus parcial para a ANM”. Os registros públicos da agenda do próprio diretor-geral apresentam, porém, outra classificação: “Viagem – Custeio Privado”. A Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro (ADIMB) aparece como ofertante de R$ 13.594,92 pelas passagens da Latam e R$ 10.815 pela hospedagem no Novotel Sydney on Darling Harbour. São R$ 24.409,92 nas duas principais despesas da viagem.
Leia maisA aparente contradição ainda não foi explicada. Se passagem e hotel foram oferecidos pela ADIMB, a ANM precisa esclarecer quais gastos ficaram sob sua responsabilidade e o que justificou a classificação oficial de “ônus parcial” para a agência. A situação chama atenção também pelo momento vivido pelo setor. Mauro comanda a agência responsável por conceder e administrar direitos minerários, e algumas das empresas australianas presentes na agenda de Sydney possuem projetos no Brasil que ainda passam por procedimentos e decisões da ANM.
É o caso da St George Mining, participante do Brazil Mining Day. A australiana desenvolve em Minas Gerais o Projeto Araxá, de nióbio e terras raras. Um dos títulos que integram o empreendimento, processo ANM nº 831.972/1985, está na fase de requerimento de concessão de lavra, e a própria companhia informa aos investidores que novas submissões à ANM ainda são necessárias para concluir o processo.
A Alvo Minerals, também presente no encontro, está expandindo o projeto Bluebush, de terras raras, em Goiás. Operações da companhia estão vinculadas ao cumprimento de etapas do regime minerário administrado pela ANM, incluindo relatórios de pesquisa e, posteriormente, o Plano de Aproveitamento Econômico.
Já a Meteoric Resources pretende colocar em produção em 2028 o Projeto Caldeira, de terras raras, em Minas Gerais. O conjunto de direitos minerais relacionado ao empreendimento possui áreas em diferentes etapas, incluindo processos ainda na fase de requerimento de lavra. A empresa também está sendo adquirida pela australiana Lynas Rare Earths por cerca de A$ 968 milhões. Como informou o Capital Digital, a própria documentação apresentada pelas duas companhias aos investidores reconhece que a conclusão do negócio poderá depender de aprovação ou homologação exigida pelo novo regime brasileiro de minerais críticos.
O Ministério de Minas e Energia chegou a anunciar que a operação da Lynas viabilizaria no Brasil uma refinaria de terras raras, mas a empresa não confirmou até agora a implantação da unidade no país e trata essa possibilidade como uma alternativa ainda em avaliação. A operação, portanto, acrescenta à relação da Meteoric com o governo brasileiro não apenas os processos minerários de Caldeira, mas uma possível decisão regulatória sobre a mudança de controle do projeto e uma negociação ainda em aberto sobre o processamento das terras raras no Brasil.
Não há documento indicando que St George, Alvo, Meteoric ou qualquer outra mineradora tenha pago diretamente despesas de Mauro Sousa, nem evidência de tratamento diferenciado dessas empresas pela ANM. O ponto relevante é que companhias com interesses regulatórios concretos perante a agência participaram dos encontros enquanto a viagem de seu diretor-geral tinha despesas assumidas por uma associação privada ligada ao próprio setor.
Apesar do nome de “agência”, a ADIMB não pertence ao governo. É uma associação privada sem fins lucrativos. Atualmente é presidida por Mario Caramori, ligado à Anglo American, e tem como vice-presidente Leonardo Faria, da Vale. Oito das 12 vagas de seu Conselho Superior são ocupadas por representantes eleitos pelas empresas associadas.
Entre os associados aparecem Anglo American, Vale, Rio Tinto, Meteoric Resources, Alvo Minerals, Ero, Bemisa, Jaguar Mining e Nexa, além de outras mineradoras e empresas de pesquisa e serviços. A própria ANM participa da ADIMB como “sócia nata”, juntamente com o Ministério de Minas e Energia (MME), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).
A relação institucional não permite concluir que exista irregularidade. Mas cria uma situação pouco usual para uma agência reguladora: sua principal autoridade viajou ao exterior com despesas relevantes assumidas por uma associação privada cujo comando e financiamento envolvem empresas submetidas às decisões do setor público.
O Brazil Mining Day foi realizado em Sydney no dia 26 justamente para aproximar governo, investidores e empresas interessadas no potencial mineral brasileiro. O encontro foi promovido pela ADIMB em parceria com a Australia-Brazil Chamber of Commerce (ABCC), com apoio institucional da Embaixada da Austrália, Austrade e Trade and Investment Queensland.
Há pelo menos um patrocinador privado identificado. O escritório australiano Reid Legal Group declarou publicamente ter patrocinado o Brazil Mining Day. Não foi localizada, entretanto, a relação completa dos patrocinadores nem os valores desembolsados por cada um.
Um dos debates do evento tratou da visão das companhias australianas que investem no Brasil, incluindo oportunidades, dificuldades e sua experiência no mercado brasileiro. Outro foi dedicado às cadeias de terras raras, lítio, grafita e outros minerais críticos.
Nesse painel estavam Thiago Amaral, da St George Mining; Stuart Gale, CEO da Meteoric Resources; e Rob Smakman, CEO da Alvo Minerals. Mauro participou da abertura ao lado do secretário nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do MME, Anderson Barreto Arruda; do diretor-executivo da ADIMB, Roberto Perez Xavier; e de representantes australianos e do Consulado-Geral do Brasil em Sydney.
Relato no LinkedIn de participante ligado à organização, Luiz Curado, ligado à Terra Goyana Mineração e integrante do Conselho Superior da ADIMB, informou que a delegação passou de nove integrantes em 2025 para 36 neste ano. O Brazil Mining Day teria sido inicialmente planejado para cerca de 40 pessoas, mas acabou transferido para um espaço com aproximadamente 100 lugares diante da procura.
Durante a missão, Anderson Barreto Arruda deixou claro o interesse do governo em ampliar a presença australiana no setor mineral brasileiro. O secretário destacou que alguns dos projetos mais relevantes de minerais críticos em desenvolvimento no país são conduzidos por empresas australianas, particularmente em terras raras, e afirmou que o Brasil pretende ampliar essa parceria e atrair novos investimentos.
A aproximação vinha sendo preparada desde o início do ano. Em fevereiro, a embaixadora australiana Sophie Davies esteve na sede da ANM em Brasília e se reuniu com Mauro e outros diretores. Na ocasião, o diretor-geral destacou o crescimento do interesse australiano pelo potencial mineral brasileiro e já mencionou a futura delegação ao IMARC.
O movimento ocorre no meio de uma corrida internacional pelos direitos sobre minerais críticos brasileiros. Dados divulgados pela própria ANM mostram que as autorizações de pesquisa para terras raras cresceram 485,4% entre 2021 e 2025. A agência informou recentemente a existência de 3.067 áreas em fase de pesquisa mineral e outras 78 com relatório final aprovado ou requerimento de concessão de lavra com potencial para novos projetos.
Levantamento da Repórter Brasil em parceria com a Associated Press identificou 2.727 requerimentos relacionados a terras raras até junho de 2026. Segundo a investigação, 42% estavam nas mãos de empresas estrangeiras ou subsidiárias, com presença relevante de companhias australianas.
A Austrália, portanto, não é apenas o país anfitrião de um congresso internacional. Empresas australianas disputam espaço na nova fronteira mineral brasileira justamente quando o governo procura atrair capital estrangeiro para desenvolver terras raras e outros minerais considerados estratégicos.
Há outra questão administrativa a esclarecer. A portaria autorizou oficialmente o afastamento de Mauro entre 26 e 29 de outubro, mas as passagens oferecidas pela ADIMB registram saída em 23 de outubro e retorno no dia 30, enquanto a hospedagem cobre o período de 25 a 30. A diferença pode decorrer do longo deslocamento entre Brasil e Austrália, mas os documentos públicos localizados até agora não explicam como esses dias foram enquadrados.
Até a manhã desta quinta-feira, 29, a ANM também não havia publicado em seu site um balanço da missão. Não foi localizado relato da agência identificando eventuais reuniões individuais de Mauro com empresas ou autoridades nem os assuntos tratados nesses encontros. Isso não significa que os compromissos não tenham sido registrados administrativamente, já que as agendas das autoridades são encaminhadas ao sistema oficial e-Agendas, mas o portal institucional não oferece até agora um quadro público dos encontros realizados durante a missão.
Parte das respostas pode estar no processo administrativo 48051.009632/2026-15, que fundamentou a autorização. A Portaria nº 578 informa que o afastamento foi aprovado pela Diretoria Colegiada durante a 361ª Reunião Administrativa, mas a íntegra do processo, com convite, justificativa e detalhamento das despesas, não foi localizada nas consultas públicas realizadas até agora. Esses documentos poderão esclarecer também o que a diretoria sabia sobre o custeio pela ADIMB quando aprovou a viagem.
Falta ainda identificar a origem dos recursos dentro da própria associação. O estatuto da ADIMB permite receitas provenientes de contribuições dos associados, atividades próprias, doações, auxílios, subvenções e convênios e prevê a organização de missões internacionais. Não foi localizada prestação de contas que permita saber de qual dessas fontes saiu o dinheiro destinado às despesas de Mauro.
Não há base documental para atribuir o pagamento diretamente a uma mineradora. O que os registros mostram é que a ADIMB foi a ofertante. Cabe agora à associação informar quem financiou a delegação e o Brazil Mining Day, quanto os patrocinadores aportaram e de qual receita saíram os recursos utilizados na viagem do diretor-geral.
A ANM, por sua vez, precisa explicar a aparente divergência que aparece nos próprios documentos oficiais: uma viagem autorizada “com ônus parcial para a ANM”, registrada na agenda do diretor-geral como de “custeio privado” e com passagem e hospedagem, no total de R$ 24,4 mil, atribuídas a uma associação privada integrada também por empresas do setor regulado.
Diante do cenário que coloca o Brasil como potencial fornecedor de minerais críticos ao mundo, não seria conveniente evitar misturar interesses públicos com os privados?
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O deputado federal André Janones (Avante-MG), um dos principais responsáveis pela vitória petista nas eleições, cancelou dias de descanso no Rio de Janeiro e embarcou na manhã desta quinta-feira (29) para Brasília após ser chamado para uma conversa com o presidente Lula.
Segundo interlocutores, foi o próprio Lula que telefonou a Janones na quarta-feira (28) para que ele fosse a Brasília hoje. A conversa nao está prevista na agenda oficial do presidente. As informações são da CNN.
Janones foi o criador do canal do WhatsApp “Exército do Lula”, feito após a derrota para Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno e que virou símbolo da mobilização digital e da estratégia de ocupação de ruas e rede social, apontada como essencial para a virada no segundo turno. No último domingo, o canal chegou a a ter mais de 10 milhões de integrantes.
Leia maisO presidente Lula tem dito a interlocutores que pretende reformular de forma drástica a comunicação com a população no próximo mandato, apontada como um dos erros do governo Lula 3 e que quase o levou à derrota na eleição deste ano.
O desenho do que seria a comunicação no governo Lula 4 ainda não está definido, mas a premissa será de comunicar decisões e propostas diretamente por meio digital.
Há especial interesse de Lula em usar as redes como instrumento para influenciar discussões no Congresso Nacional, ainda mais diante do controle do Centrão e da direita na próxima legislatura.
Janones é do Avante — mas há possibilidade de migrar para o PT — e exerce atualmente seu segundo mandato como deputado federal por Minas Gerais, tendo sido reeleito para o terceiro mandato com 78.780 votos. Seu nome é cotado para a Secretaria de Comunicação da Presidência da República.
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Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
Atribui-se ao atacante Claudiomiro, que foi ídolo do Internacional, a frase que entrou para o folclore do futebol. Ao explicar como teria feito um gol, Claudiomiro assim explicou: “Fiz que fui, não fui, acabei fondo”. Na sua mirabolante fuga para os Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato derrotado nas eleições presidenciais, imitou Claudiomiro: fez que foi, não foi, acabou “fondo”.
Numa tática de despiste, deixou vazar a informação de que já estaria nos Estados Unidos na terça-feira (27). Na verdade, embarcou somente na manhã desta quarta, a partir de Puerto Iguazu, na Argentina. Dos EUA, Flávio Bolsonaro pretende imprimir uma liderança de oposição no estilo da que fez Juan Guaidó na Venezuela: denunciar que o Brasil não é uma democracia, mas uma “ditadura de toga” comandada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Leia maisFoco de Valdemar nunca foi a candidatura
Nessa linha, Flávio Bolsonaro dirá que é um “perseguido político”. Fica a dúvida: essa estratégia funcionará? O primeiro ponto é que ela precisará, para ser bem-sucedida, do apoio do partido de Flávio, o PL. E, como mostrou Tales Faria na sua coluna de terça no Correio da Manhã, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, já está em outra rota. Na verdade, a candidatura de Flávio nunca foi o foco principal de Valdemar. Sua preocupação sempre foi mais com eleger a maior bancada de deputados.
Só entrou quando Michelle rachou
Nós contamos aqui no Correio Político em julho. Valdemar tinha delegado o comando da campanha de Flávio ao seu coordenador, Rogério Marinho. E iria cuidar somente do seu plano de eleger pelo menos cem deputados para continuar recebendo as maiores fatias dos fundos partidário e eleitoral. Valdemar só voltou para interferir quando Michelle Bolsonaro gravou o seu famoso vídeo acusando seu enteado. Naquele momento, a campanha correu seríssimo risco de rachar completamente.
Voltou da Copa para uma ordem unida
O episódio do vídeo poderia comprometer não apenas a campanha de Flávio, mas também a dos parlamentares. Mesmo a de Michelle para o Senado. Na ocasião, Valdemar estava tão alheio que tirava férias nos Estados Unidos, para assistir aos jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo. Recebeu o vídeo de Michelle dentro do estádio onde o Brasil jogava contra a Escócia em Miami. Tomou no dia seguinte um avião.
Resolveu, saiu
Quando, de certa forma, Michelle reconciliou-se com Flávio e o problema foi contornado, Valdemar de novo afastou-se da campanha presidencial e foi cuidar de eleger seus mais de cem deputados, para ter fundo eleitoral e partidário. Elegeu 121. Valdemar conquistou seu objetivo, Flávio, não. Ele não estava com Flávio no domingo.
Não estava
Valdemar não estava na casa do advogado Vicente Santini, de onde Flávio Bolsonaro acompanhou a apuração dos votos do segundo turno da eleição presidencial. Ele não aparece nas fotos no momento em que Flávio afirmou que não reconheceria o resultado da eleição e pediria anulação do segundo turno, ideia abandonada depois.
Reconheceu
No dia seguinte, Valdemar reconheceu o resultado das eleições, embora, no seu comunicado, tenha dito que eram necessários esclarecimentos sobre “medidas eleitoreiras”. Daí, porém, a endossar a ideia seguinte, de pedir a cassação da chapa Lula/Alckmin, vai uma grande diferença. Valdemar é escaldado com 2022. Escapou por um triz.
Voto Legal
Valdemar contratou o Instituto Voto Legal para fazer o parecer que embasou a ação do PL que contestava as eleições, alegando fraude nas urnas eletrônicas. O presidente do Instituto Voto Legal, Carlos Rocha, o contratado, acabou condenado por tentativa de golpe. Valdemar, o contratante, não. Rocha fugiu do país em dezembro do ano passado.
Trump
A versão Guaidó de Flávio depende também da adesão de Trump. Resta agora saber o quanto o presidente dos EUA embarcará. Trump chega às eleições parlamentares de meio de mandato com uma popularidade de somente 32%. Corre risco real de perder a maioria, especialmente na Câmara, que se renova por inteiro.
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O jornalista Francisco José receberá o título de Cidadão Juazeirense na próxima quinta-feira, dia 5 de novembro, às 15h, em ato solene promovido pela Câmara Municipal de Juazeiro do Norte, no Ceará. A cerimônia será realizada no Plenário Dra. Yanny Brena, na sede do Legislativo municipal, no bairro José Geraldo da Cruz. A concessão da honraria foi aprovada pela Câmara em agosto deste ano.
Natural do Crato, Francisco José nasceu em 1944 e mudou-se ainda criança para o Recife, onde se formou em Direito e iniciou a carreira jornalística no Jornal do Commercio, em 1966, como repórter esportivo. Depois, ingressou na Globo Nordeste e construiu uma trajetória de mais de quatro décadas na emissora, com atuação em coberturas nacionais e internacionais. Participou de Copas do Mundo e Olimpíadas, acompanhou a Guerra das Malvinas e percorreu os cinco continentes em reportagens sobre meio ambiente, cultura, comportamento e questões sociais. No Globo Repórter, realizou mais de 100 edições do programa e teve uma reportagem sobre o povo indígena Enawenê-Nawê entre os trabalhos finalistas do Emmy Internacional.
Francisco José também presidiu a Associação dos Cronistas Esportivos de Pernambuco e a Associação Brasileira de Cronistas Esportivos. Em 2016, lançou o livro 40 Anos no Ar – A Jornada de um Repórter pelos Cinco Continentes. Mesmo após deixar a Globo, em 2021, segue em atividade, com produção de documentários, conteúdos audiovisuais e palestras.
O ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP), Paulo Pereira, informou nesta quinta-feira (29) que o chamado “PIXMei” de até R$ 5 mil, anunciado durante a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, deverá ser implementado por meio de aplicativo para que o acesso seja facilitado.
O dinheiro será concedido a fundo perdido, ou seja, sem necessidade de devolução e sem cobrança de juros.
O recurso deverá ser usado na compra de máquinas, equipamentos e ferramentas profissionais, além de melhorias na estrutura do negócio, segundo a regras do programa. As informações são do g1.
Leia maisEm entrevista ao programa “Bom dia, ministro”, da EBC, Paulo Pereira lembrou que, como o valor de até R$ 5 mil será disponibilizado para os microempreendedores individuais realizarem investimentos para aumentar sua capacidade produtiva, ou seja, para melhorar seus negócios, será necessário apresentar a nota fiscal da compra realizada posteriormente.
“São investimentos de até R$ 5 mil, não precisam ser de R$ 5 mil, que possam aumentar capacidade produtiva. É a primeira vez que a gente faz na história do Brasil. Brasil faz subvenção ao agro, indústria, mas ninguém tinha feito ao empreendedor. A gente está preparando em um valor específico, de 1 a 1,5 milhão de MEIs,. Se der certo, a gente pode fazer isso de maneira permanente'”, afirmou o ministro do Empreendedorismo.
Paulo Pereira avaliou, na entrevista, que “nem todos os MEIs vão pedir o dinheiro”, pois “nem todos vão ter projetos de investimentos”.
“Vamos testando, vamos ter uma linha específica para empreendedoras, para os MEIs que faturam menos, os ‘nanoMEIS’. Vão ter critérios para ir construindo as políticas públicas”, acrescentou o ministro.
Ele lembrou que o PIXMei não está disponível neste ano, que ele será ofertado somente a partir de 2027, e observou que já há fraudes na internet pedindo cadastramento de microempreendedores para o acesso ao benefício.
O ministro pediu que os MEIs tenham atenção para não cair em golpes, pois as regras do programa ainda não saíram e ainda não há cadastramento ativo iniciado.
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Por Osvaldo Matos*
Continuo conservador, de direita, católico e contrário à esquerda. Não mudei minhas convicções. Mas isso nunca me obrigou a concordar com tudo o que fazem aqueles em quem deposito minha confiança.
Como brasileiro, acredito no capitalismo, na liberdade de empreender e numa economia que permita às pessoas viver do próprio trabalho. Defendo um Estado que entregue os serviços essenciais, cuide da segurança, respeite o contribuinte e incentive a produção. Já pagamos caro demais para receber tão pouco.
Acredito no trabalho, na dignidade e no respeito. Sei que há pessoas que precisam de ajuda, e uma sociedade decente não pode abandoná-las. Minha crítica é ao uso dessa necessidade para manter famílias dependentes do governo, como se o dinheiro público fosse uma generosidade de quem está no poder. A assistência precisa oferecer condições de saída da pobreza. Quando a dependência se torna permanente, alguma coisa está errada.
Leia maisTambém não se pode aumentar indefinidamente a despesa pública e esperar que ninguém pague a conta. Ela aparece no imposto, no endividamento e, quando a economia perde o equilíbrio, na inflação e na falta de emprego. Quem tem menos recursos costuma sentir primeiro.
Por isso me incomoda tanto ver a direita desperdiçar oportunidades. Precisamos marchar unidos, com capacidade de conviver com diferenças e trabalhar por um objetivo comum. Na minha avaliação, o primeiro turno deixou evidente o custo das nossas divisões. Não podemos exigir confiança do eleitor enquanto brigamos entre nós e improvisamos nas decisões mais importantes.
É nesse ponto que entra minha crítica a Flávio.
Considero intempestiva a maneira como conduziu a divulgação da carta. Era um momento para medir as palavras, conversar com os interlocutores e saber exatamente onde pretendia chegar. Em vez disso, vimos versões, correções e até a circulação de um documento com um brasão antigo da República. Para quem buscava reconhecimento internacional, foi um erro difícil de justificar.
Minha experiência em comunicação, gestão e inteligência competitiva me faz olhar para esse episódio com preocupação. Antes de uma manifestação dessa dimensão, é preciso antecipar reações e preparar os próximos passos. Uma carta não pode carregar uma pretensão tão grande e revelar tamanho descuido na execução.
Se havia questionamentos sobre o processo eleitoral a apresentar ao mundo, eles precisavam vir acompanhados de provas verificáveis e argumentos capazes de resistir ao escrutínio. A condução acabou permitindo que os erros do documento ocupassem o lugar da discussão que se pretendia abrir.
Quanto a Trump, não conheço os entendimentos de bastidores. Mas considero arriscado agir contando com um respaldo que não esteja claramente acertado. Pela leitura que faço de seu comportamento político, ele quer conduzir as iniciativas das quais participa. Uma articulação mal resolvida pode fechar justamente a porta que se pretendia abrir.
Faltaram preparo e senso político. Esperava mais de quem se propõe a exercer uma liderança dessa responsabilidade.
E faço essa cobrança porque me preocupa o futuro do Brasil. Vejo com apreensão a pressão tributária, a corrupção, a violência e o espaço conquistado pelo crime organizado. Quem tenta manter uma empresa, sustentar uma família ou simplesmente trabalhar em paz sabe o peso disso na vida cotidiana.
No comércio exterior, confiança interfere diretamente nas decisões. Ninguém compromete recursos por anos sem avaliar se os contratos serão respeitados e se as regras continuarão valendo. Quando essa confiança diminui, o investimento é adiado ou procura outro destino. O empresário brasileiro também faz essa conta.
Para quem pode, reorganizar a vida e os negócios no exterior volta a ser uma possibilidade. Não é uma decisão simples. Há família, história e patrimônio construído aqui. Tampouco vejo a Europa como resposta automática; tenho sérias reservas quanto aos rumos políticos e econômicos de parte do continente.
Quem fica, por vontade ou necessidade, precisa de condições para seguir em frente. Preocupa-me ver um Parlamento que considero excessivamente submisso e uma concentração de poder entre o Executivo e setores do Judiciário que, a meu ver, compromete o equilíbrio democrático.
Quero continuar acreditando que é possível construir uma vida no Brasil sem depender de favor político nem precisar procurar segurança em outro país. Mas essa esperança exige responsabilidade de quem pretende nos representar.
A direita precisa se unir e aprender a cobrar suas lideranças. Não vou deixar de apontar um erro porque ele veio do meu lado. Há brasileiros demais confiando em nós para que continuemos tratando despreparo como algo aceitável.
*Cientista político e social, publicitário e empresário. Especialista em marketing, gestão, comunicação pública, inteligência competitiva e comércio exterior
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Em meio à recente tensão entre Brasil e Estados Unidos causada pela fuga de Flávio Bolsonaro (PL) após perder as eleições para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Palácio do Planalto e o Itamaraty pregam cautela sobre possíveis reações contra o governo norte-americano e defendem que o tema não seja politizado.
Depois da derrota no pleito que reelegeu Lula para seu quarto mandato, Flávio Bolsonaro deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos, onde chegou nessa quarta-feira (28/10).
A partida para outro país implica descumprimento de decisão judicial por Flávio, que havia sido impedido de deixar o Brasil após ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Leia maisA medida foi tomada depois que a Polícia Federal (PF) alertou sobre o risco de o senador fugir do país, onde é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
A chegada do filho 01 de Jair Bolsonaro em território norte-americano ocorreu após a Casa Branca afirmar que o Departamento de Estado norte-americano forneceria a ele e sua família vistos para entrarem e permanecerem no país — onde também já reside o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro —, em um movimento que é interpretado como mais um aceno do governo de Donald Trump ao clã Bolsonaro.
Mesmo assim, interlocutores do Itamaraty ouvidos pelo Metrópoles, sob condição de reserva, indicam que a diplomacia brasileira não deve se envolver no assunto, ao menos neste primeiro momento. A situação, explicam, deve ser observada com cautela e sob a ótica judicial, evitando tensões com o governo norte-americano.
Fontes diplomáticas afirmam que a fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA é vista como um “assunto da alçada exclusiva do Poder Judiciário”, onde o Poder Executivo e a diplomacia “não se metem, como já foi o caso de outros foragidos” da Justiça do Brasil.
Entre eles, o irmão do senador, Eduardo Bolsonaro, condenado a quatro anos e seis meses de prisão por coação no curso do processo após articular tarifas econômicas e sanções norte-americanas contra autoridades brasileiras. O ex-deputado federal está nos EUA desde fevereiro do último ano, após abandonar o cargo na Câmara dos Deputados.
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Por Andréia Sadi – G1
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, avalia a possibilidade de negociar um acordo político que envolva conter a pressão por impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e discutir um eventual indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O foco é o componente de sobrevivência política nessa movimentação: a tentativa de construir um acordo que viabilize sua reeleição à presidência do Senado.
Leia maisA avaliação feita por esses interlocutores é que, caso Alcolumbre consiga uma aproximação com o grupo de Bolsonaro, sua situação na disputa pelo comando da Casa muda significativamente.
Isso porque um entendimento com o bolsonarismo poderia dificultar a construção de uma candidatura alternativa, especialmente Rogerio Marinho (PL-RN) ou a da senadora Tereza Cristina (PP-MS), nomes considerados por uma ala da direita para a presidência do Senado.
Na prática, Alcolumbre tentaria neutralizar a resistência do PL à sua permanência no cargo, oferecendo como contrapartida uma negociação em torno de duas pautas sensíveis para o bolsonarismo: a situação judicial de Jair Bolsonaro e a pressão contra ministros do Supremo.
O discurso público seria o da pacificação institucional.
Nos bastidores, Alcolumbre tem argumentado que o país precisa de pacificação e que é necessário construir um novo ambiente de diálogo entre os Poderes depois das eleições.
Nos bastidores, porém, integrantes do próprio PL reconhecem que a negociação também atenderia aos interesses eleitorais de Alcolumbre dentro do Senado.
O que está na mesa, portanto, é a possibilidade de um acordo político que combine a redução das tensões entre o Congresso e o Supremo com a construção de uma maioria capaz de garantir a reeleição de Alcolumbre.
Ainda não há acordo fechado. Mas a hipótese já é discutida nos bastidores e expõe como a disputa pelo comando do Senado se mistura às negociações sobre o futuro político e judicial de Bolsonaro.
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Quatro dias após a surpreendente virada do presidente reeleito Lula (PT), no segundo turno contra o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, aceitei o desafio da Câmara de Olinda, através do presidente Saulo Holanda (MDB), para uma palestra seguida de um debate sobre o resultado das eleições e o novo cenário nacional.
Como ficou a composição do Congresso? Quais os partidos que elegeram maior número de senadores e deputados? Nos Estados, quais os partidos que emplacaram o maior número de governadores? Lula governa com o novo Congresso, de perfil extremamente conservador e de centro direita?
Tudo isso e outras ‘cositas’ vão dar o molho do debate em seguida a minha explanação, que acontece hoje, a partir das 20 horas, no plenário da Câmara Municipal de Vereadores de Olinda, cidade libertária e revolucionária, vanguarda nas discussões nacionais.
“O País foi às ruas para garantir a democracia”, diz Saulo, adiantando que, independentemente de qualquer resultado, já tinha amadurecido a ideia da palestra-debate, que é aberta ao público em geral.
Integrei, ontem, o grupo de jornalistas que passaram suas experiências aos estudantes de Jornalismo de faculdades do Recife, João Pessoa e Caruaru no primeiro Festival Nacional de Jornalismo, promovido pela Engenho Comunicação, da jornalista Kátia Cubel, com atuação nacional, com destaques nos mercados de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro.
Realizado no auditório da OAB, o evento foi aberto pelo prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), seguido de saudações da presidente da OAB no Estado, Ingrid Zanella, e do superintendente do Banco do Nordeste em Pernambuco, Hugo Luiz de Queiroz. Cubel fez a primeira fala aos jornalistas e de forma muito feliz destacou o papel da imprensa comprometida com o bom e verdadeiro jornalismo.

“O jornalismo é um remédio para as fake news, uma ciência de registro de fatos”, destacou. “A rede social democratizou a informação, mas o jornalismo tem ciência, e a gente precisa realçar isso para manter, para alimentar e destacar perante a sociedade a credibilidade que vem do jornalismo e não das fake news”, acrescentou.
A programação, construída em parceria com acadêmicos e professores de cursos de Jornalismo, refletiu-se no público. Muitos estudantes tiveram a oportunidade de ouvir e interagir com grandes nomes da profissão, como Breno Pires, da revista Piauí; Basília Rodrigues, do SBT News; e o experiente Francisco José, célebre repórter.

Participei de uma mesa sobre a temática do futuro do jornalismo em Pernambuco ao lado da editora-chefe da Folha de Pernambuco, Leusa Santos, e de Laurindo Ferreira, diretor de jornalismo do Sistema de Comunicação Jornal do Commercio (SCJC).

Aos futuros jornalistas, jovens estudantes que lotaram o auditório da OAB, tive a preocupação de centrar minhas ideias em três pilares básicos: o jornalismo analógico e o digital, a vocação para a profissão e a necessidade de ousar num mercado tão competitivo como o de hoje.
Disse que a internet acabou com o conceito de jornalistas nacionais e regionais, porque qualquer veículo, mesmo localizado numa aldeia nordestina, passa a ter relevância se gerar uma notícia de impacto, pelo poder do seu compartilhamento não apenas no Brasil, mas no mundo, graças às ferramentas digitais.

Sobre a mudança do jornalismo analógico para o digital, com o advento da internet, relatei as dificuldades no início de carreira no Diário de Pernambuco nos anos 80, quando as ferramentas mais velozes ao nosso dispor em reportagens que exigiam viagens a locais distantes eram o telex e o fax.
“Hoje, com um smartphone nas mãos faço textos, fotos e vídeos. Instantaneamente, a notícia ganha o mundo no meu blog e pelas redes sociais”, destaquei. Como se tratava de uma plateia com sede de informações sobre o futuro da profissão, deixei uma mensagem em cima da ousadia.
“Agamenon Magalhães dizia que em política feio é perder. No jornalismo, feio é não ousar. Sejam ousados”, preguei, para, em seguida, me colocar como exemplo de alguém que soube ousar ao introduzir no Nordeste o jornalismo digital com a criação do primeiro blog de política na região, há 20 anos.
Também exortei os jovens e futuros jornalistas a lerem muito para entenderem o que é jornalismo e se prepararem para a guerra do mercado de trabalho. Sugeri três livros fantásticos: Chatô, o rei do Brasil, de Fernando de Moraes, Rota 66, a história da polícia que mata, de Caco Barcelos, e 40 anos no ar, do grande e audacioso jornalista Chico José, que roubou a cena no evento com uma palestra sensacional.
O festival foi riquíssimo em conhecimento para os estudantes e trouxe ainda os seguintes painéis: O Papel do Jornalismo, com Breno Pires, da revista Piauí, Carla Egydio, da Ajor, e Patrícia Blanco, do Instituto Palavra Aberta e do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional.
O painel “O que o Mercado espera de você” reuniu os jornalistas Eduardo Scolese, da Folha de S.Paulo, Eldo Gomes, do Blog do Eldo, de Brasília, e Felipe Resk, do Diário de Pernambuco, e Rodrigo Rangel, ex-editor do site Platô.
Ainda no painel “Precisão da Informação e o Impacto na Sociedade”, participaram os jornalistas Basília Rodrigues, do SBT News, e Roberta Aureliano, da TV Guararapes.
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Empreitada golpista de Flávio nos EUA sofre revés já no primeiro dia
Horas depois de desembarcar nos Estados Unidos, ontem, Flávio Bolsonaro (PL) colocou em marcha a estratégia com a qual pretende contestar do exterior a derrota para o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em carta dirigida aos brasileiros e à comunidade internacional, acusou o adversário de fraude eleitoral sem apresentar provas, descreveu o país como um “regime de exceção”, pediu que governos estrangeiros não “normalizem” a situação e anunciou que comandará dos EUA a oposição ao governo. Foi além: derrotado nas urnas por cerca de 4,4 milhões de votos, apresentou-se como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”.
O documento começou a mudar quase tão rapidamente quanto circulou. A primeira versão distribuída por aliados trazia um brasão adotado no início da República e mantido até os primeiros anos da ditadura militar, com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”. Treze minutos depois, surgiu outro arquivo com as Armas Nacionais e a denominação “República Federativa do Brasil”, já com o nome do país grafado com “s”, mas Flávio continuava apresentado como o verdadeiro presidente eleito. Na versão publicada pelo próprio senador nas redes sociais, a reivindicação da Presidência foi mantida.
Leia maisA carta também buscava respaldo internacional. Flávio agradeceu nominalmente a Donald Trump pelo acolhimento nos Estados Unidos e apresentou sua permanência no país como reação ao que chamou de “perseguição política no Brasil”. Questionado sobre o episódio, porém, o presidente americano confirmou que seu governo havia autorizado a entrada do brasileiro, voltou a classificar a eleição como “muito estranha”, sem apontar qualquer prova de irregularidade, e estabeleceu um limite: “Não vou me envolver”. Disse ainda que não havia conversado com Flávio depois da votação.
Cerca de meia hora depois da declaração de Trump, veio a mudança mais significativa. Flávio apagou a publicação em que reivindicava para si a vitória e divulgou uma nova versão. Deixou de ser o “verdadeiro presidente” e passou a se apresentar como “líder do Brasil”. Outra passagem em que se dizia “presidente eleito” também foi alterada. A acusação de fraude, no entanto, permaneceu.
A contestação se apoia principalmente na prorrogação do horário de votação no segundo turno. Os números oficiais, porém, mostram a dimensão reduzida do episódio: pouco mais de 34 mil votos foram computados depois das 17h, quantidade insuficiente para alterar o resultado da eleição. A própria campanha de Flávio havia solicitado a extensão do horário em algumas localidades. Além disso, Flávio não apresentou boletins de urna divergentes nem qualquer evidência material de adulteração.
Aliados barraram nova ofensiva contra urnas – Antes de deixar o Brasil, Flávio Bolsonaro (PL) chegou a cogitar pedir uma auditoria das urnas, mas foi desaconselhado por aliados e advogados da campanha. Um dos argumentos foi o precedente de 2022, quando o PL acabou multado em R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé após contestar o resultado da eleição presidencial sem apresentar provas. A avaliação era de que reeditar a estratégia poderia terminar novamente em derrota judicial e prejuízo para o partido.

Centrão reconhece resultado – MDB, PSD, União Brasil e PSDB reafirmaram, ontem, a legitimidade da vitória de Lula após a divulgação da carta de Flávio. O MDB declarou “total confiança no sistema eleitoral brasileiro”; o União Brasil afirmou que a democracia “não depende de quem vence ou perde uma eleição”; e o PSD reiterou o compromisso com o resultado das urnas. Aécio Neves, presidente do PSDB, classificou a atitude de Flávio como “absolutamente imprópria” e “inacreditável e inaceitável”.
Tarcísio manda respeitar as urnas – Um dos principais aliados de Flávio Bolsonaro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também se afastou da contestação eleitoral. Embora tenha dito compreender a “indignação” e a “revolta” do senador, afirmou que a eleição terminou e que cabe agora à direita construir uma oposição forte dentro das instituições. “O caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, declarou.
Marinho nega fraude – Coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou que não existem provas para sustentar a acusação de fraude feita pelo aliado. “O PL não pode fazer essa afirmação, nem eu posso fazer essa afirmação, porque não há prova nesse sentido”, disse. Marinho atribuiu a primeira versão da carta, em que Flávio se apresentava como “verdadeiro presidente eleito”, a um possível “erro de confecção”. Também afirmou esperar que Donald Trump não interfira nos assuntos internos do Brasil.

“Jumentos”, diz Malafaia – Silas Malafaia reagiu com ataques à ofensiva de Flávio. Em mensagem enviada a aliados, o pastor chamou os filhos de Jair Bolsonaro de “jumentos” e criticou a condução da estratégia lançada nos Estados Unidos. “Esses filhos de Bolsonaro são uns jumentos. Só se aconselham com gente errada! Faz carta, fala bobagem, depois corrige”, escreveu. Malafaia também avaliou que Trump não pretende abraçar a ofensiva: “Deixei ele vir para a América, mas não me meto nessa questão. Um bando de amadores babacas”.
CURTAS
JONES CRITICA RAQUEL POR “BAGUNÇA” NA COMPESA – O deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL) fez duras críticas, ontem, ao governo Raquel Lyra (PSD) pela condução da concessão dos serviços da Compesa. Em vídeo publicado nas redes sociais, afirmou que as concessionárias ainda não estariam preparadas para assumir integralmente as operações e citou prorrogações de prazo, fechamento de lojas de atendimento e indefinições sobre a situação dos funcionários. “Tá uma bagunça generalizada”, resumiu. Jones afirmou, ainda, que se opôs ao processo desde o início e cobrou responsabilidade da governadora com o abastecimento de água e o saneamento no Estado.
EMPRÉSTIMO – O empréstimo de R$ 2,2 bilhões pedido pelo Governo Raquel Lyra (PSD) terá como relator na Comissão de Constituição, Legislação e Justiça da Alepe o deputado Diogo Moraes (PSB), líder da oposição à governadora. Sorteado para analisar a matéria, ele pediu vista do projeto, enquanto a base governista espera a apresentação do parecer na próxima semana. Aliado de Raquel, o deputado Antônio Moraes (PSD) minimizou o adiamento. “Como relator, ele queria, naturalmente, entender melhor o projeto. Acredito que na semana que vem Diogo deve apresentar o relatório e que vamos aprovar o projeto”, afirmou.
ISABELLA ROLDÃO DEIXA A VIDA PÚBLICA – A ex-vice-prefeita do Recife Isabella de Roldão (PDT) anunciou, ontem, que deixará a vida pública após 16 anos de atuação política. Vereadora entre 2013 e 2016 e vice-prefeita entre 2021 e 2024, ela afirmou que já havia decidido não disputar novos cargos. “Saio desse ciclo diferente de quando entrei. Mais madura, mais consciente”, declarou. Isabella também anunciou sua saída da Secretaria de Trabalho e Qualificação Profissional do Recife, onde está desde 2025. Hoje será seu último dia à frente da pasta.
Perguntar não ofende: Se até o PL reconheceu o resultado, como Flávio pretende vender a tese de fraude?
Só agora, depois de um jantar de confraternização no Bode Entre Amigos, da Rua da Hora, respirei aliviado: o primeiro Festival Nacional de Jornalismo no Recife foi um sucesso total.
Jornalistas amigos de Brasília e São Paulo vieram ao Recife, convidados pela jornalista Kátia Cubel, para transmitir suas experiências a estudantes de Jornalismo de Pernambuco e da Paraíba, no auditório da OAB, que ficou completamente lotado.
Entre os amigos jornalistas que vieram, Basília Rodrigues, do SBT News, em Brasília, Breno Pires, da revista Piauí, em Brasília, Rodrigo Rangel, ex-chefe do Platô, Eduardo Scolese, da Folha, em São Paulo, Patrícia Blanco, presidente do Conselho de Comunicação do Congresso Nacional e do Instituto Palavra Aberta, e Eldo Gomes, titular do Blog do Eldo, de Brasília. Participei da mesa sobre o futuro do jornalismo em Pernambuco ao lado dos jornalistas Laurindo Ferreira, editor do JC, e Leusa Santos, editora da Folha de Pernambuco.
Mas quem roubou a cena foi o jornalista Francisco José, com uma palestra sensacional sobre a sua trajetória profissional, revelando bastidores dos 45 anos em que atuou na Globo e especialmente suas aventuras na produção de mais de cem edições de O Globo Repórter.
