O Ministério das Relações Exteriores convocou a encarregada de negócios da Argentina para pedir informações sobre o envolvimento do governo Javier Milei na fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos. O candidato derrotado nas eleições fugiu do Brasil na quarta-feira (28/10) em uma rota entre a Argentina e o Equador, até desembarcar em Miami, onde deve ficar com a família após receberem vistos do governo norte-americano.
A conversa durou poucos minutos e ocorreu entre um embaixador brasileiro responsável pelas relações com os países do Mercosul e a ministra-conselheira Emilia Cortés, que é responsável pela representação argentina em Brasília. A conversa ocorreu nessa quinta-feira (29/10). A informação foi inicialmente revelada pelo UOL e confirmada pelo Metrópoles. As informações são do Metrópoles.
Leia maisCortés assumiu a condução da embaixada após a crise diplomática entre Brasil e Argentina que culminou na remoção dos embaixadores, brasileiro e argentino, das respectivas embaixadas.
A medida, de acordo com fontes diplomáticas, não teve a intenção de repassar uma reprimenda ou repr0vação do governo brasileiro sobre o recente caso de fuga de Flávio Bolsonaro. A presença de Cortés é tratada como uma conversa a fim de colher novas informações sobre o caso. A tratativa converge com a orientação do Palácio Planalto de não tensionar a relação com a Argentina de Milei e com os EUA de Donald Trump.
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A cantora Vannick Belchior, filha caçula de Belchior, escreveu uma emocionante carta aberta ao pai por ocasião dos 80 anos que o cantor e compositor cearense completaria se estivesse vivo. Recentemente, entrevistei Vannick no Sextou, programa musical que ancoro às sextas-feiras, no lugar do Frente a Frente. No texto, ela fala sobre a dimensão alcançada pela obra do pai, a relação com o legado artístico que recebeu e a construção da própria trajetória como cantora.
Na homenagem, Vannick também aborda a ligação de Belchior com o Nordeste, recorda músicos que fizeram parte da história do pai e hoje participam de sua carreira e conta sobre a gravação do primeiro disco. “Carrego teu legado com amor e responsabilidade, mas quero fazer dele uma ponte, não uma fronteira”, escreve.
Leia, abaixo, a carta na íntegra:
Leia maisCarta aberta ao meu pai, nos seus 80 anos
Pai,
Eu tô muito feliz por poder te dar continuidade artística e criativa justamente no ano em que você completaria 80 anos. Queria tanto que você estivesse aqui para ver as homenagens feitas em torno de você e da sua obra, hoje uma das mais importantes do Brasil, da América Latina e, quiçá, como diz esta tua filha caçula e amante incondicional do teu trabalho, do mundo.
Filósofo, pensador, poeta, compositor, artista arrebatador e de canto cortante: esse é você, meu pai. Um dos artistas mais aclamados e revisitados da música brasileira, alguém que parece crescer a cada ano, como se o tempo, em vez de nos afastar, nos aproximasse ainda mais da dimensão do que você fez.
É bonito ver você sendo conhecido pelo Brasil. Às vezes, me pergunto o que será melhor: ser descoberto pelo país ou ser redescoberto numa dimensão que talvez nem você imaginasse em vida. Sim, é possível. São blocos de carnaval, multidões, fantasias, bigodes espalhados pelas ruas, camisas listradas e sua imagem estampada em corpos de diferentes gerações.
Existe em você uma mistura de juventude, irreverência, força e inconformismo que atravessou décadas e continua encontrando novos caminhos. Você permanece jovem, pai: na inquietação, na coragem de dizer o que precisa ser dito e na capacidade de nos tirar do lugar.
O Nordeste também mudou. Hoje somos muito mais do que a ficção que tantas vezes fizeram de nós. Somos pensamento, invenção, inteligência, arte e futuro. Ainda lutamos contra o preconceito e contra as tentativas de diminuir nossa força, nosso saber e nossa maneira de enxergar o Brasil. Ainda precisamos afirmar que o Nordeste não é margem: é centro, origem, linguagem e mundo.
E tua música mudou muita coisa. Você ajudou a abrir caminhos para que nossa voz chegasse mais longe, sem pedir licença para existir.
Sou grata pela herança sanguínea de luta, pela vontade de permanecer, insistir e continuar nas estradas pelo Brasil, fazendo música e encontrando pessoas. Sou grata também por conhecer teus amigos, ouvir suas histórias e me aproximar um pouco mais de você através desses encontros.
E eu tô aqui, pai. Tua filha caçula, a única cearense, a única nordestina, seguindo a estrada que, de alguma maneira, a gente sonhou. Te dando continuidade dentro da obra, mas também na vida, na luta dos palcos e nesse ofício tão bonito e difícil que é ser cantora. Descobrindo minha própria voz, minha maneira de criar, interpretar, pensar e existir artisticamente.
E olha só: nós gravamos meu primeiro disco! Meu trabalho de maior fôlego até agora, concebido a partir das minhas ideias, da minha direção artística e da minha vontade de criar.
E sabe o que é impressionante? A própria vida se encarregou de colocar no meu caminho musical pessoas muito especiais para você, como Tarcísio Sardinha, Lu D’Sosa, Sérgio Zurawski — teu querido amigo e parceiro musical —, Rick Ferreira, Fernando Pacheco e tantos outros que fizeram parte da tua história e hoje também fazem parte da minha.
Isso é mágico, pai. É a vida mostrando sua força em cada encontro, criando continuidades que a gente nem sempre consegue explicar.
Nesse disco, um grande amigo teu canta comigo. Talvez você nunca imaginasse que isso aconteceria: eu e Renato Teixeira dividindo uma canção que, misteriosamente, fala de “Tudo Outra Vez”.
E sei que você também gostaria da ousadia que trouxe para “Meu Cordial Brasileiro”, ao lado do rapper cearense Don L, que representa um universo ligado à minha geração, às minhas inquietações e à minha maneira de olhar o mundo.
Você sempre foi inovador, aberto ao novo e disposto a aproximar mundos, gerações e linguagens. Afinal, gravar Luiz Gonzaga em rock, como você fez em “Forró no Escuro”, não é para qualquer um!
Neste ano dos teus 80 anos, celebro a possibilidade de olhar para tua obra não apenas como filha, mas como artista. De mergulhar nela com minhas próprias ideias, direção e sensibilidade. De conversar com aquilo que você deixou sem deixar de dizer o que é meu.
Porque dar continuidade não é repetir: é compreender a força de uma semente e permitir que ela floresça de outras maneiras.
Queria que você pudesse assistir a tudo isso, ver os encontros, ouvir os aplausos e conhecer as pessoas que chegam até mim porque te amam. Queria te contar das estradas, dos shows, dos medos e da força que aparece quando as luzes se acendem.
Queria dizer que sigo aprendendo e que, mesmo diante das incertezas, escolhi continuar.
A vida de artista não é feita apenas de aplausos. É feita de insistência, coragem, trabalho, tropeços e recomeços. É preciso sustentar a própria voz, inclusive quando ela treme, e aceitar o risco de ser vista, ouvida e julgada.
Nessa caminhada, descobri que honrar você também é honrar a mim mesma.
Sigo por aqui, aguerrida pela música popular brasileira, pela tua obra e pelo meu próprio processo de descoberta. Descobrindo-me mulher, cantora e artista. Ainda há muito a revelar dentro da minha voz, da minha sensibilidade e da artista que continuo me tornando.
Sou sua filha, mas também uma artista em construção, com desejos, perguntas, inquietações e canções próprias, nascidas das minhas experiências de vida.
Carrego teu legado com amor e responsabilidade, mas quero fazer dele uma ponte, não uma fronteira. Quero que as pessoas cheguem até você através de mim e que também cheguem até mim através do que sou capaz de criar.
E sei que você teria orgulho disso.
Obrigada, pai, por representar tanto, por traduzir um país com suas contradições, dores, desejos e esperanças. Por cantar o povo brasileiro com honestidade e transformar tua experiência em palavras nas quais tantas pessoas se reconhecem.
Obrigada por dar voz ao que tantas vezes não conseguia ser dito e por olhar para o Brasil e para o Nordeste sem esconder suas feridas nem sua grandeza.
Aos 80 anos, você segue encontrando o futuro. E eu sigo encontrando meu lugar no mundo, levando comigo tua palavra, nossa terra e a certeza de que a arte não termina quando termina uma vida. Ela se transforma, encontra outras vozes e atravessa gerações.
Feliz aniversário, pai. Feliz 80 anos.
Que tua obra continue provocando, emocionando e abrindo caminhos. E que eu siga caminhando ao lado dela, honrando o que recebi de você e descobrindo tudo aquilo que também posso oferecer.
Com todo o meu amor,
Tua filha caçula,
Vannick Belchior
As inscrições para o Prêmio FIEPE de Jornalismo 2026 foram prorrogadas até o dia 10 de novembro. Promovida pela Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE), a premiação distribuirá R$ 28 mil e reconhecerá trabalhos jornalísticos relacionados ao setor industrial pernambucano. Entre as temáticas previstas estão política industrial, comércio exterior, infraestrutura, inovação e tecnologia, sustentabilidade, formação profissional e ambiente de negócios. Os interessados podem consultar o regulamento e realizar a inscrição através do site https://www.premiofiepedejornalismo.com.br/.
Por Flávio Chaves*
Existem invenções humanas que modificaram a maneira de viver, outras que alteraram o curso das civilizações, algumas que encurtaram as distâncias entre os povos, mas poucas conseguiram realizar uma transformação tão silenciosa e profunda quanto o livro.
Essa extraordinária criação que permitiu ao homem atravessar os séculos sem precisar carregar consigo o próprio corpo, deixando sobre as páginas aquilo que a morte não conseguiu recolher de sua inteligência, de suas inquietações, de seus sonhos e de sua capacidade de interrogar o mundo.
Leia maisO livro é, talvez, a mais delicada forma de resistência contra a natureza passageira da existência, porque nele a palavra encontra uma morada que não depende da permanência de quem a escreveu, e a vida, mesmo submetida à inexorável passagem do tempo, consegue prolongar-se na consciência daqueles que ainda não nasceram.
Neste 29 de outubro, quando o Brasil celebra o Dia Nacional do Livro, a homenagem não deveria restringir-se às solenidades, às fotografias de bibliotecas ou às manifestações protocolares que costumam acompanhar as datas comemorativas, porque celebrar o livro significa, antes de tudo, reconhecer a existência de uma das mais poderosas conquistas da humanidade, responsável por oferecer ao pensamento uma liberdade que nenhuma fronteira geográfica conseguiu aprisionar completamente.
A data recorda a fundação da Biblioteca Nacional, em 1810, quando o Brasil ainda se encontrava submetido à monarquia portuguesa e começava a organizar instituições que participariam da formação de sua identidade cultural. Mas existe algo de profundamente simbólico nessa origem, pois uma nação que ainda não havia conquistado a própria independência política começava a reunir, em um espaço destinado aos livros, parte dos instrumentos com os quais os homens poderiam aprender a pensar para além das limitações impostas pelo poder.
O livro possui uma singularidade que nenhuma outra criação humana conseguiu substituir inteiramente. Ele permite que um homem nascido em determinada época converse com outro separado dele por centenas de anos, que uma mulher desconhecida encontre na experiência de uma personagem a explicação de sentimentos que jamais conseguiu revelar, que um menino de uma pequena cidade descubra, entre as páginas de uma obra, a existência de universos que não cabiam nas dimensões de sua rua, de sua escola ou de sua própria imaginação. Quem lê não abandona necessariamente o lugar onde nasceu, mas aprende que esse lugar não representa os limites de sua existência, porque a leitura amplia a geografia interior do indivíduo e lhe oferece a possibilidade de reconhecer como humanas experiências que jamais viveu.
Penso, particularmente, nas crianças que descobrem os livros nas escolas públicas, muitas vezes sem dispor de uma biblioteca em casa, sem conhecer escritores, sem imaginar que a literatura possa fazer parte de seu destino. Uma criança diante de um livro encontra-se diante de uma possibilidade que ainda não sabe nomear, pois aquelas páginas podem representar o primeiro contato com uma realidade diferente daquela que lhe foi entregue pelas circunstâncias sociais, e talvez esteja justamente nessa experiência uma das mais belas manifestações da democracia, quando o conhecimento deixa de ser patrimônio dos privilegiados e começa a pertencer também àqueles que nasceram distantes dos lugares onde historicamente se concentrou o saber. A escola que oferece um livro a uma criança não lhe entrega apenas uma história, oferece-lhe instrumentos para que ela própria venha a escrever, com maior liberdade, a história de sua vida.
Entretanto, seria insuficiente celebrar a grandeza dos livros sem reconhecer as contradições de um país que ainda não conseguiu transformar o acesso à leitura em uma experiência verdadeiramente universal. Uma sociedade pode multiplicar discursos sobre a importância da educação e, ao mesmo tempo, permitir que bibliotecas escolares permaneçam insuficientes, que professores enfrentem dificuldades para formar leitores e que milhares de crianças cresçam sem estabelecer com a literatura aquela intimidade capaz de transformar a palavra escrita em instrumento de emancipação. O problema não está apenas na ausência material do livro, mas na distância social que impede tantas pessoas de reconhecê-lo como parte legítima de suas vidas. Quando a leitura se converte em privilégio, a desigualdade deixa de ocupar somente os espaços da economia e passa também a determinar os horizontes da imaginação.
É preciso compreender, igualmente, que a literatura não existe para oferecer respostas confortáveis a todas as inquietações humanas. Os grandes livros frequentemente nos perturbam mais do que nos tranquilizam, porque colocam diante de nossos olhos as contradições que preferiríamos ignorar, revelando a complexidade moral de homens e mulheres que não cabem nas classificações simplificadoras com as quais costumamos julgar o comportamento alheio. Dostoiévski nos conduz às regiões mais atormentadas da consciência, Tolstói transforma a experiência individual em uma vasta investigação sobre a sociedade e o destino, Fernando Pessoa multiplica a identidade humana até demonstrar que nenhum indivíduo se esgota na pessoa que acredita ser, enquanto João Cabral de Melo Neto, com o rigor de sua arquitetura verbal, nos ensina que a poesia também pode nascer da resistência da linguagem à facilidade das emoções. Cada um deles, à sua maneira, demonstra que a literatura não representa uma fuga da realidade, mas uma forma extraordinariamente exigente de penetrar em suas profundezas.
Também não podemos esquecer que os livros acompanharam algumas das mais dolorosas experiências da história humana, atravessando guerras, perseguições religiosas, ditaduras, exílios e períodos em que o simples exercício de pensar foi considerado uma ameaça. Governantes autoritários compreenderam, em diferentes épocas, que uma população capaz de interpretar criticamente a realidade se torna menos disponível à obediência cega, razão pela qual bibliotecas foram destruídas, escritores perseguidos e obras retiradas de circulação. Existe uma ironia histórica nessa tentativa de silenciar os livros, porque muitas vezes os nomes daqueles que ordenaram sua destruição desapareceram da memória coletiva, enquanto as palavras que desejavam eliminar continuaram sendo lidas por gerações que sequer conheceram os rostos de seus perseguidores.
Vivemos agora uma época marcada pela velocidade das informações, pela multiplicação das telas e pela permanente disputa pela atenção humana, circunstâncias que modificaram profundamente a relação entre o indivíduo e a palavra escrita. A tecnologia ampliou possibilidades de acesso ao conhecimento e permitiu que obras antes restritas a determinadas instituições chegassem a leitores de diferentes regiões do planeta, conquista que não pode ser desprezada em nome de uma nostalgia incapaz de reconhecer as transformações do presente. Contudo, a disponibilidade de informações não corresponde necessariamente à formação do pensamento, assim como a rapidez com que uma mensagem circula não garante a profundidade de sua compreensão. Podemos receber milhares de palavras durante um único dia e terminar a noite sem que nenhuma delas tenha conseguido permanecer verdadeiramente dentro de nós.
O livro, nesse cenário, continua oferecendo uma experiência que se tornou particularmente preciosa, a possibilidade de permanecer diante de uma ideia sem a obrigação de abandoná-la imediatamente para acompanhar a próxima novidade. A leitura literária exige uma disposição interior que contraria a pressa dominante, porque um romance não se entrega inteiramente ao leitor que deseja apenas conhecer seu desfecho, assim como um poema não revela sua força àquele que procura somente identificar o assunto de que trata. Existem páginas que precisam ser revisitadas, palavras que amadurecem lentamente em nossa memória e personagens que continuam vivendo dentro de nós muito depois de encerrada a narrativa, como se a última página não representasse o encerramento da obra, mas o início de uma convivência que já não depende de sua presença material.
Talvez por isso os livros participem de maneira tão profunda da formação de nossa identidade. Somos constituídos também pelas palavras que encontramos, pelas histórias que nos ensinaram a reconhecer a dor dos outros, pelos poemas que modificaram nossa percepção da beleza e pelas ideias que nos obrigaram a abandonar certezas anteriormente consideradas inabaláveis. Um leitor nunca termina um grande livro exatamente como começou, porque alguma coisa se desloca em sua maneira de compreender a existência, ainda que essa transformação não possa ser imediatamente percebida. A leitura trabalha em regiões silenciosas da consciência, onde determinadas experiências permanecem guardadas até encontrarem, muitos anos depois, uma circunstância capaz de lhes devolver significado.
O escritor, por sua vez, conhece uma dimensão particularmente comovente dessa experiência, porque escreve sem saber inteiramente a quem suas palavras chegarão. Pode imaginar um leitor, desejar determinada compreensão, esperar que suas páginas encontrem acolhimento, mas nunca conhecerá todas as vidas que sua obra poderá alcançar. Um poema escrito na solidão de uma madrugada talvez seja encontrado, décadas depois, por alguém que atravessa uma perda semelhante àquela que lhe deu origem, e nesse encontro entre duas existências separadas pelo tempo acontecerá uma forma de reconhecimento que dispensa apresentações, parentescos ou qualquer outra espécie de vínculo anterior. A literatura realiza esse milagre inteiramente humano de aproximar pessoas que jamais se viram, fazendo com que uma consciência desconhecida encontre abrigo na linguagem de outra.
Por isso, celebrar o Dia Nacional do Livro deveria significar também um compromisso público com a preservação das bibliotecas, a valorização dos escritores, o fortalecimento das editoras, o reconhecimento dos professores e a formação de leitores, sobretudo entre aqueles para quem o acesso à cultura ainda representa uma conquista difícil. Não existe política cultural verdadeiramente democrática quando a palavra escrita permanece distante das populações socialmente vulneráveis, nem se pode falar seriamente em desenvolvimento nacional enquanto a formação intelectual de crianças e jovens não ocupar lugar central nas prioridades do país. Construir bibliotecas, distribuir livros e estimular a leitura não constituem gestos ornamentais da administração pública, mas investimentos na capacidade de uma sociedade compreender sua própria história e participar conscientemente da construção de seu futuro.
A grandeza de um livro, entretanto, não se mede somente pela importância de seu autor, pelo número de exemplares vendidos ou pelo reconhecimento que recebe das instituições literárias. Algumas obras modificam o pensamento de uma época, outras transformam a vida de um único leitor, e não existe razão para considerar insignificante essa segunda possibilidade, porque uma existência humana, quando recupera a esperança, encontra uma linguagem para sua dor ou descobre novos caminhos para compreender o mundo, representa por si mesma uma vitória da inteligência e da sensibilidade. Um livro pode não alterar o destino de uma nação, mas, se conseguir modificar profundamente a consciência de alguém, terá realizado uma parte essencial daquilo que justifica sua existência.
Neste dia dedicado ao livro, prefiro imaginar não apenas as grandes bibliotecas, com seus acervos extraordinários e sua responsabilidade na conservação do patrimônio cultural, mas também o instante em que uma criança aprende a reconhecer a primeira frase de uma história, o momento em que um trabalhador encontra na leitura uma possibilidade de compreender melhor seus direitos, a emoção de uma pessoa idosa que regressa às páginas de um romance lido na juventude e a silenciosa alegria de um escritor diante da notícia de que suas palavras alcançaram alguém que ele nunca conhecerá. São acontecimentos aparentemente modestos, mas neles se encontra uma das expressões mais legítimas da continuidade humana, porque o conhecimento, quando verdadeiramente compartilhado, deixa de pertencer exclusivamente àquele que o possui.
O homem inventou instrumentos para medir o tempo, máquinas para vencer distâncias e tecnologias capazes de transportar sua voz para lugares que os antigos sequer poderiam imaginar, mas foi por meio da palavra preservada que encontrou uma maneira de conversar com os ausentes e oferecer alguma continuidade à experiência de ter vivido. Talvez resida aí a dimensão mais comovente do livro, nessa capacidade de guardar aquilo que não conseguimos proteger da passagem dos anos, permitindo que a inteligência sobreviva ao desaparecimento de quem pensou, que a ternura encontre novos destinatários e que determinadas perguntas continuem abertas mesmo quando já não existe ninguém capaz de recordar quem primeiro as formulou.
Porque, no fim de tudo, um livro é mais do que aquilo que suas páginas contam. É a possibilidade de uma vida alcançar outra, de uma memória atravessar o esquecimento e de uma voz continuar encontrando ouvidos quando o mundo ao qual pertenceu já se transformou inteiramente. E talvez a humanidade tenha começado a compreender a verdadeira grandeza de sua própria existência no instante em que descobriu que não precisava morrer por completo, desde que alguma palavra sua permanecesse viva na consciência de alguém.
*Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras
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Por Zé Américo Silva*
O Nordeste já mostrou sua força nas urnas. Foi decisivo para o quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva e para a defesa da democracia. Agora, precisa ampliar sua força na cobrança. Na expressão popular, está na hora de sentar a pua: cutucar, incomodar, exigir que compromissos ganhem orçamento, prazo e resultado.
O Nordeste já é uma força econômica, política e cultural. Tem indústria, ciência, universidades, empresas de tecnologia e um grande mercado consumidor. Produz riqueza, conhecimento e soluções. Sua importância ultrapassa o calendário eleitoral.
Leia maisCampina Grande, na Paraíba, tem uma trajetória de desenvolvimento tecnológico ligada à universidade e ao seu parque tecnológico. O Recife abriga o Porto Digital, referência em inovação e economia criativa. O Piauí avança em inteligência artificial e transformação digital. Na Bahia, o Polo Industrial de Camaçari demonstra a dimensão da capacidade industrial nordestina.
No campo, essa força também precisa ser reconhecida. Quem associa o agronegócio apenas ao Sul, Sudeste e Centro-Oeste deixa parte importante do Brasil fora do retrato. A fruticultura irrigada do Vale do São Francisco abastece mercados brasileiros e internacionais. O oeste baiano se destaca na produção de grãos e algodão. O Nordeste tem participação relevante no agro nacional, gerando alimentos, empregos, exportações e tecnologia.
Esse patrimônio produtivo convive com a agricultura familiar, que também precisa de crédito, assistência técnica, água e acesso aos mercados. Uma agenda de desenvolvimento deve fortalecer essa diversidade e ampliar o processamento dos produtos na própria região, agregando valor e renda.
O Nordeste já faz muito. E quer mais. Mais indústria, mais agro, mais pesquisa, mais inovação e mais empregos qualificados. Quer ampliar suas conquistas e fazer a prosperidade chegar a mais cidades e pessoas.
Os programas sociais são direitos e precisam ser preservados. Combater a fome é obrigação permanente do Estado. Mas a política para a região deve combinar proteção social com desenvolvimento, garantindo condições para produzir, empreender e prosperar.
O novo governo Lula precisa traduzir esse compromisso em infraestrutura, segurança hídrica, educação, crédito e investimentos. Cultura, esporte e literatura também exigem financiamento, formação e circulação. O talento nordestino merece condições para crescer e ser remunerado.
Governadores, prefeitos, parlamentares e lideranças econômicas e sociais têm responsabilidade nessa cobrança. Proximidade com o presidente deve produzir propostas e entregas. Apoio político também se demonstra exigindo resultados.
O Nordeste conhece sua força. Quer mais, pode mais e exige condições para realizar mais.
Está na hora de sentar a pua. A força que ajudou a decidir a eleição precisa pesar nas decisões do governo.
*Jornalista e consultor político
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O deputado federal Luciano Bivar (MDB) gravou um vídeo comentando e comemorando a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou o compartilhamento de documentos para investigar a destinação de cerca de R$ 80 milhões em emendas parlamentares do União Brasil para Belford Roxo (RJ). A medida, divulgada na quarta-feira (28), atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A investigação eleitoral envolve o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, e o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella. O inquérito apura suspeitas de abuso de poder político e econômico. Os recursos, destinados entre 2025 e 2026, aparecem em registros oficiais sem identificação dos parlamentares responsáveis pelas indicações.
Durante as apurações, a Polícia Federal encontrou no celular de Canella uma anotação que pode fazer referência a dois deputados federais. O registro, no entanto, não comprova o envolvimento dos parlamentares em eventuais irregularidades. As defesas de Rueda e Canella negam qualquer irregularidade. A autorização de Dino para o compartilhamento dos documentos não representa uma conclusão sobre a existência de crimes.
Antônio Vidal, de 91 anos, e Josefa Morais, de 103, oficializaram a união em uma cerimônia realizada em uma paróquia na zona rural de Sertânia, no Sertão de Pernambuco. O vídeo do casamento, publicado nas redes sociais, já ultrapassou 35 mil visualizações e recebeu centenas de comentários.
Segundo o padre Gilvan Manuel, da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, o casal desejava receber o sacramento do matrimônio havia um ano. Em uma publicação nas redes sociais, o religioso compartilhou a história dos dois.
Segundo Gilvan, o momento foi marcado pela grande emoção dos noivos. O vídeo do casamento foi publicado nas redes sociais do padre. “Vi as lágrimas derramarem no rosto do noivo de 91 anos quando ouviu o padre falar: O que Deus uniu o homem não pode separar. É emocionante participar desse momento depois de toda preparação canônica e por livre consciência saber que eles mesmos desejaram casar-se. Quando eu perguntei: aceita a sua esposa? Eles mostravam as alianças”, conta o padre Gilvan.
Por Fabio Giambiagi*
O escritor e analista político argentino, Jorge Asís, conhecido por sua ironia, é autor de algumas das descrições mais ferinas feitas acerca dos líderes políticos argentinos. A propósito do vazio de Mauricio Macri, comentava que “constrói uma ideia a partir da abstenção intelectual” e que “na medida que ele fala, a gente vai esquecendo o que ele diz”. Do insípido Daniel Scioli, na época candidato a presidente, escreveu que era “mais hábil que inteligente”. Fico pensando em como Asís definiria os membros do clã dos Bolsonaro. São personalidades marcadas pelo extremismo.
Utilizo aqui a análise acerca das convicções esvaziadas de conteúdo feita por Leon Festinger, psicólogo e autor da teoria da dissonância cognitiva, segundo a qual certas pessoas têm uma propensão a ignorar a realidade, quando ela vai contra as suas crenças. Disse ele, sobre tal tipo de indivíduo: “Essa pessoa dificilmente muda de opinião. Mostre-lhe fatos e números – e ele questionará suas fontes. Se você utilizar a lógica, ele não entenderá”.
Leia maisOutro analista argentino, Carlos Pagni, tem uma boa definição: “Veja o número escrito neste papel. Você vê um 6, não? Eu vejo um 9. E ambos estamos certos. Conflitos políticos muitas vezes decorrem de diferentes visões sobre uma mesma realidade. O problema é quando eu viro o papel e a pessoa que via um 6 continua vendo um 6. Esse é o fanático”. Nossa política tem sido sequestrada pelo fanatismo. Precisamos resgatá-la desse pântano.
A base da política é o diálogo. Ulysses Guimarães repetia uma frase: “Em política, até a raiva é negociada”. Aprendi isso cedo, quando cheguei ao Brasil, vindo da Argentina, onde os extremos literalmente se matavam entre si nos anos 70 e aqui, mesmo em pleno governo militar, líderes do quilate de Ulysses e Tancredo, de um lado; e Petrônio Portella e Jarbas Passarinho, de outro, conversavam civilizadamente procurando saídas para o país.
Já tivemos isso, em nossa democracia. Luiz Eduardo Magalhães e Miro Teixeira podiam duelar intensamente no plenário de tarde, mas se encontrar horas depois no Piantella para jantar. Genoíno foi um duro adversário de FH, mas ambos se respeitavam mutuamente.
Na década de 2010, isso se perdeu. Como parte da degradação do país, os eleitores que não simpatizavam com as políticas do PT e que no passado distante puderam votar em candidatos do nível de FH, Alckmin ou Serra, nas últimas três eleições tiveram na outra chapa alguém da família Bolsonaro.
Resultado? Em 2018, um governo com um legado de mais de 700 mil mortos por Covid (uma aberração). Em 2022, a vitória de um partido com todo o legado negativo do “petrolão”. E, em 2026, a eleição pela quarta vez de um rival, agora com mais de 80 anos e rejeitado por quase metade do país. Convenhamos, para uma única família, trata-se de uma verdadeira proeza.
A ironia da situação atual é que se Jair, Eduardo e Flávio Bolsonaro não tivessem mostrado tanto excesso de ambição e – usarei um eufemismo – escassez de visão estratégica, hoje o presidente eleito seria Tarcísio de Freitas.
Em divertida entrevista, tempos atrás, o técnico português Jorge Jesus, falando sobre o fim dos ciclos – tendo em mente a situação de um já decadente Neymar no time que ele dirigia – disse a sua famosa frase: “Tu, finish!”. Pelo bem do Brasil, caberia dizer para essa dinastia: “Vocês, finish!”. A família Bolsonaro já teve três oportunidades de governar — e fracassou em todas.
A primeira, por fazer um governo, aos olhos de qualquer pessoa com um mínimo de sentimento humanitário, trágico. E as outras duas, por perder uma eleição que estava ganha. Para escapar dessa sina, para termos uma disputa política civilizada e uma alternativa ao PT que não faça do país um episódio da família Addams, vamos torcer para que tenha sido a última vez que tenhamos tido um Bolsonaro presente no segundo turno de uma eleição presidencial. Nosso país merece coisa melhor. Essa loucura precisa acabar.
*Economista
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Por Alan Bueno*
Após uma virada surpreendente, o presidente Lula foi reeleito. Mas ele chega ao quarto mandato em um cenário adverso, tendo em vista que a partir de 2027 seu governo terá de administrar pela frente um Congresso majoritariamente conservador. Seu desafio maior agora será manter a mobilização “Exército do Lula”, propulsor de sua campanha no segundo turno nas redes e ruas, para ajudá-lo a garantir a governabilidade do país.
Essa onda digital comandada pelo deputado André Janones pode ter grande utilidade também neste cenário pós-eleição, principalmente para explicar propostas, ouvir críticas e ampliar a participação da sociedade em temas que normalmente ficam restritos aos gabinetes. Mas é preciso entender a diferença entre campanha e governo. Na campanha, a meta é vencer um adversário em uma data definida. Na gestão, é entregar resultados e negociar soluções todos os dias.
Leia maisMobilização pública pode elevar o custo político de bloquear uma pauta de interesse nacional, pressionando parlamentares e tornando votações mais transparentes. Sozinha, porém, não garante votos. A nova correlação de forças também exigirá, é claro, negociação com partidos de centro, diálogo com lideranças regionais e uma comunicação capaz de explicar concessões sem tratar toda divergência como traição.
Mas existe também um risco: manter permanentemente o tom de guerra eleitoral pode fortalecer a militância mais fiel, mas ao mesmo tempo afastar cidadãos que desejam menos conflito e mais resultados reais para as demandas do dia a dia. Será importante que a comunicação do governo fale também com quem não votou em Lula.
O melhor uso do “Exército do Lula” não é produzir uma campanha eterna, mas criar pontes entre decisões de Brasília e problemas reais da população. A rua mostra a intensidade de uma demanda; a rede amplia sua visibilidade; a articulação institucional transforma essa demanda em política pública.
Lula não poderá governar apenas por meio de hashtags. Mas também não poderá se limitar às negociações de bastidor: governabilidade depende de votos no Congresso e de confiança fora dele.
*Estrategista digital, à frente da Libero Digital, segunda empresa que mais elegeu políticos no Brasil, segundo dados do TSE.
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O cantor e compositor Daniel Bueno, o primeiro à esquerda, foi meu colega ginasial em Afogados da Ingazeira. Sou o cabeludão, o terceiro da direita para esquerda, ao lado das colegas Socorro e Virgínia. A primeira da fila é Kátia Lacavo, esposa de Jailson, criador de carneiros de raça no município. Ainda na imagem Tadeu de Enedina e Galega Mariano. No fundo, como se estivesse desolado, Flávio Torreão, o Branco, já falecido, que virou delegado. Esta lembrança maravilhosa é dos arquivos de Bueno.
O presidente da Câmara Municipal de Arcoverde, vereador Luciano Pacheco (MDB), publicou, há pouco, em suas redes sociais, um vídeo em que repudia a decisão do Governo de Pernambuco em estabelecer um teto de atendimentos para usuários do Sassepe no Hospital Memorial de Arcoverde.
É preciso lembrar que o Sassepe é custeado pelos próprios servidores, que contribuem mensalmente para ter acesso à assistência à saúde. Não estão pedindo favor. Estão cobrando um serviço pelo qual pagam todos os meses. É revoltante que trabalhadores que contribuem regularmente tenham que conviver com a incerteza de conseguir atendimento quando precisam”, afirmou Pacheco na ocasião. Confira!
Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
Como mostramos aqui no Correio Político, a desastrada carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfraqueceu na largada sua tentativa de liderar a oposição a partir dos Estados Unidos. Se a sua intenção era denunciar a existência de interferências que teriam, na visão dele, maculado o processo eleitoral brasileiro, uma articulação iniciada no Congresso pode inverter essas suspeitas.
Apesar de Luiz Inácio Lula da Silva ao final ter vencido a eleição, apurações que poderão se dar a partir de iniciativas da Câmara poderão chegar à conclusão de que, se interferência houve, ela pode ter se dado mais em favor de Flávio Bolsonaro. O Instituto Brasileiro de Regulamentação da Inteligência Artificial (IRIA) articula duas frentes para apurar até que ponto se deu a interferência da Meta, a big tech de Mark Zuckerberg que controla Facebook, Instagram, WhatsApp e Threads, no processo eleitoral.
Leia maisPara não entrar no cansativo jogo da polarização política brasileira, o presidente do IRIA, Marcelo Senine, articula os movimentos com dois deputados do Centrão: Fausto Pinato (União Brasil-SP) e Celso Russomanno (Republicanos-SP). As frentes incluem audiências públicas em comissões e uma possível CPI. Pinato articula uma audiência na Comissão de Ciência e Tecnologia e Russomanno na Comissão de Defesa do Consumidor. Pinato recolhe também assinaturas de apoio para instalar uma CPI.
Desde o início do processo eleitoral, Marcelo Senise vem denunciando que o grande risco do processo eleitoral nas redes sociais não seriam as fake news. Mas a produção artificial, a partir do uso de robôs e das fórmulas não conhecidas dos algoritmos que impulsionam os conteúdos, de um sentimento de maioria. Que afeta as pessoas de uma maneira não racional. Um trabalho feito pelo IRIA já verificara que uma em cada quatro interações nas redes nos ambientes políticos foi com robôs nessas eleições.
No caso das audiências públicas, a ideia é dividir entre elas as suspeitas. A Comissão de Ciência e Tecnologia discutiria como se deu o uso de algoritmos para impulsionar ou reduzir os conteúdos políticos. E a Comissão de Defesa do Consumidor a possibilidade de entrada de dinheiro estrangeiro para fazer impulsionamentos. “Se houve dinheiro estrangeiro, é caso de soberania nacional”, diz Senise.
Além do Congresso, há diversas outras frentes abertas para apurar as ações da Meta. O Ministério da Justiça encaminhou notas técnicas ao Ministério Público Federal e à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), solicitando providências para apurar possíveis irregularidades na moderação de conteúdos e bloqueios de contas.
O MP federal instaurou procedimento administrativo. O MP eleitoral encaminhou parecer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontando descumprimentos de determinações judiciais pela Meta relacionados à isonomia das campanhas presidenciais, à publicidade política e ao uso de inteligência artificial. O TSE pediu esclarecimentos.
Nos Estados Unidos, um grupo de 13 congressistas, liderado pela deputada Pramila Jayapal e pelo senador Bernie Sanders, ambos Democratas, encaminhou uma cobrança formal a Mark Zuckerberg sobre possíveis tratamentos desiguais das candidaturas presidenciais. Organizações como Washington Brazil Office também pedem explicações.
No Parlamento Europeu, os deputados Nicola Zingaretti e Sandro Ruotolo apresentaram questionamento formal à Comissão Europeia, mencionando expressamente episódios envolvendo a Meta nas eleições brasileiras. Solicitaram esclarecimentos sobre mecanismos de fiscalização dos algoritmos e distribuição de conteúdos políticos.
A campanha de Lula anunciou também o encaminhamento de denúncia à Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre possíveis interferências da Meta nas eleições. Até o momento, não há confirmação de investigação formal instaurada pelo organismo. Mas várias frentes se abrem, então, para que a Meta explique a sua atuação.
Até onde tudo isso irá evoluir não se sabe. “Mas o fato é que, de um modo geral, políticos de vários matizes sentiram na pele os problemas da campanha via redes sociais”, diz Marcelo Senise. “Não se viram capazes de entender o que movia o alcance ou não das suas postagens. E querem entender”. A Meta deverá ter de se explicar.
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