Por Fernando Dueire*
Fundado em 1945, o Hospital de Câncer de Pernambuco completa, em 2026, 81 anos de uma história dedicada ao cuidado e à esperança. Ao longo dessas oito décadas, consolidou-se como um bastião de esperança, acolhendo e cuidando de gerações de pernambucanos. Sua missão permanece inabalável: oferecer tratamento integral e humanizado, especialmente aos que mais precisam. Contudo, o tempo impõe desafios severos que exigem mais do que resiliência. Impõe transformação.
Nos tempos atuais, o hospital vive um vigoroso processo de reinvenção e plena recuperação. Sob o comando de uma gestão focada na eficiência técnica, a instituição redesenhou seus processos. O grande esforço administrativo priorizou a transparência e a otimização dos recursos. Esse choque de gestão foi a chave para promover a restauração da confiança pública e institucional.
Leia maisCom a credibilidade resgatada, o HCP conseguiu costurar uma união histórica em prol da saúde. A governança transparente aglutinou, de forma inédita, pessoas, instituições e governos diversos. Essa sinergia gerou uma nova e impressionante capacidade de conquistar emendas parlamentares federais e estaduais, além de doações de grandes empresas, por meio de um fundo estadual que recebe e repassa tais valores à instituição.
Demonstrando profunda sensibilidade à causa oncológica, 80% dos deputados federais apoiam a instituição, grupo ao qual me somo como senador, tendo reforçado esse compromisso com a destinação de mais de R$ 3,5 milhões em recursos. Unidos, os parlamentares decidiram investir fortemente na infraestrutura física e tecnológica do hospital. Esses aportes garantem também o custeio diário dos tratamentos essenciais oferecidos à população.
Os números impressionam: são 1 milhão de exames laboratoriais por ano, 9 mil cirurgias e 74 mil procedimentos de quimioterapia no mesmo período. Mas não se trata apenas de números. Estamos falando de pessoas que precisam de atendimento, acolhimento e orientação médica. Essa soma de esforços políticos e civis oxigena uma das maiores engrenagens filantrópicas do estado. A eficiência administrativa converteu as emendas em novos leitos, insumos e equipamentos modernos.
Ao celebrar 81 anos de história, o Hospital de Câncer de Pernambuco reafirma a importância de aliar tradição, compromisso social e capacidade de renovação. Sua trajetória demonstra que a boa gestão da saúde é um elo capaz de transformar a política em bem-estar social. Salvaguardar o hospital é manter vivo o pacto de solidariedade que define a identidade pernambucana.
*Senador da República
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A presidência Sassepe estabeleceu um teto financeiro mensal para os prestadores de serviços do sistema. Em comunicado nas redes sociais, o diretor-médico do Hospital Memorial Arcoverde, Rafael Lucena, informou que a decisão do governo Raquel Lyra (PSD) já levou a suspensão de atendimentos a usuários que ultrapassaram o limite neste mês.
A restrição pode prejudicar pacientes que dependem da unidade para atendimentos de emergência, internações em UTI, tratamentos oncológicos, exames de imagem e cirurgias, obrigando-os a procurar outros serviços de saúde. Confira no vídeo.
O jornalismo esportivo gaúcho perdeu um grande personagem. Adroaldo Guerra Filho morreu, hoje, aos 70 anos. Comentarista da Rádio Gaúcha, Guerrinha ficou marcado pela versatilidade, carisma e frases de efeito. Ele estava internado no Instituto de Cardiologia, em Porto Alegre, devido a uma infecção pulmonar que evoluiu para um quadro generalizado.
Suas tiradas preencheram as ondas do rádio nos últimos 27 anos e as redações por quase cinco décadas. As sentenças certeiras saíam com tamanha facilidade que fazia parecer que era um homem de rádio. Embora sua ligação com o veículo remeta à sua infância devido ao trabalho do pai, foi juntando as pretinhas, como carinhosamente chamava as letras impressas nos jornais, que teve contato do primeiro ao último dia da carreira.
Leia maisGuerrinha, como era chamado pelos colegas de maior tempo de convivência, era filho da funcionária pública Ieda e do rádio-ator e comunicador da Rádio Gaúcha Adroaldo Guerra, popularmente conhecido como Vovô Guerra por apresentar um programa infantil.
“Meu pai foi artista, meu pai fazia novela e ficou conhecido como vovô Guerra pela festa com as criancinhas. Eu entrava na redação e diziam que eu era o filho do vovô”, dizia. Do pai herdou, sobretudo, o gosto pelo turfe. O jornalismo veio de charrete com a atração pelo mundo das corridas de cavalo, pois, apesar de admirar a carreira artística do pai, não imaginava que viria a ter sucesso no rádio. A cerimônia de despedida ocorrerá no Crematório Metropolitano em Porto Alegre. O velório será das 14h às 19h na sala Ecumênica. Guerra deixa a esposa, Kátia, as filhas Michelle e Karine e três netos.
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Por Cláudio Soares
O senador Flávio Bolsonaro está sendo investigado pelo Supremo Tribunal Federal em dois inquéritos: um relacionado ao financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, e outro que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz. As investigações, contudo, não equivalem a denúncia, muito menos a condenação.
E é justamente aí que começa a discussão jurídica que não pode ser abafada pelo ambiente político. Flávio Bolsonaro é investigado. Não foi condenado. E, até o momento, não há notícia de denúncia do Ministério Público recebida contra ele nesses fatos.
Leia maisAinda assim, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, o senador foi proibido de deixar o país e intimado a entregar seus passaportes à Polícia Federal. A decisão também impôs a proibição de contato com Willer Tomaz.
A pergunta que precisa ser feita, portanto, não é se Flávio Bolsonaro deve ou não ser investigado. Todo cidadão pode e deve ser investigado quando existem elementos que justifiquem uma investigação.
A pergunta é outra. Qual é o limite do poder estatal sobre a liberdade de alguém que ainda não foi denunciado, julgado ou condenado? Investigação não transforma suspeita em culpa.
A Constituição Federal é cristalina.
O artigo 5º, inciso LVII, estabelece que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória.
O mesmo artigo protege o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. Isso não significa que uma pessoa investigada esteja imune a medidas cautelares. É importante fazer essa ressalva jurídica.
O Código de Processo Penal admite medidas cautelares durante a investigação, inclusive a proibição de deixar o país e a entrega do passaporte. O artigo 320 prevê expressamente essa possibilidade.
Portanto, a discussão jurídica séria não é simplesmente dizer que o STF jamais poderia restringir a saída do país de um investigado. Poderia, desde que presentes os requisitos legais e constitucionais.
O ponto central é outro. A medida precisa ser necessária, adequada, proporcional, concretamente fundamentada e vinculada aos riscos da investigação ou da aplicação da lei penal.
O próprio artigo 282 do CPP estabelece que as cautelares devem observar necessidade e adequação.
E é justamente sobre isso que cabe questionar a decisão. Qual é o fato concreto que justificaria impedir Flávio de sair do Brasil? Se a justificativa é o receio de uma eventual fuga, é preciso demonstrar elementos concretos que indiquem esse risco.
Não basta transformar uma declaração de terceiro em presunção automática de que o investigado pretende fugir.
A imprensa noticiou que a decisão considerou declarações de Eduardo Bolsonaro sobre a possibilidade de Flávio deixar o país caso fosse derrotado na eleição. Flávio, por sua vez, afirma que jamais manifestou intenção de abandonar o Brasil.
É legítimo perguntar. Uma declaração política de um terceiro pode, sozinha, justificar uma das mais graves restrições à liberdade de locomoção de um cidadão?
Essa é uma questão jurídica, não partidária. O direito de ir e vir não desaparece porque existe um inquérito. A liberdade de locomoção é uma garantia constitucional.
É verdade que nenhum direito fundamental é absoluto. Mas justamente por isso qualquer restrição precisa encontrar fundamento na Constituição e na lei, além de ser proporcional à finalidade pretendida.
Se existe risco concreto de fuga, que esse risco seja demonstrado.
Se existe risco de interferência na investigação, que seja demonstrado.
Se existe risco de destruição de provas, que seja demonstrado.
Se existe risco de contato com determinado investigado capaz de comprometer a apuração, que seja demonstrado.
O que não pode existir é a substituição da prova pelo medo, da fundamentação pela suspeita e da necessidade pela conveniência.
E Contraditório e ampla defesa? Há ainda essa questão processual importante. O próprio CPP estabelece que, ressalvadas situações de urgência ou perigo de ineficácia, a parte deve ser intimada para se manifestar antes da imposição de determinada medida cautelar. Quando a decisão é tomada sem essa manifestação prévia, a excepcionalidade precisa ser concretamente justificada.
Portanto, não basta dizer que “o STF determinou, logo está juridicamente correto.”
Em um Estado Democrático de Direito, nenhuma autoridade está acima da Constituição.
Nem presidente. Nem senador. Nem deputado. Nem ministro do STF.
E isso vale inclusive quando a decisão beneficia aqueles de quem discordamos politicamente.
Aqui é preciso separar opinião política de conclusão jurídica. Eu não afirmaria por enquanto, sem analisar integralmente a decisão e seus fundamentos, que houve crime de abuso de autoridade.
Mas afirmo que é legítimo questionar se uma decisão judicial que restringe a liberdade de locomoção de um investigado sem denúncia ou condenação respeitou rigorosamente os princípios da necessidade, adequação, proporcionalidade e fundamentação concreta.
Se esses requisitos não estiverem presentes, a medida é juridicamente desproporcional e passível de contestação pelas vias processuais adequadas.
E esse questionamento não significa defender Flávio Bolsonaro. Significa defender a Constituição.
O perigo de normalizar a exceção é algo ainda mais preocupante. Hoje é Flávio Bolsonaro. Amanhã poderá ser alguém da esquerda. Depois, alguém da direita. Depois, um empresário.
Um jornalista. Um advogado. Um cidadão comum.
Direitos fundamentais não podem depender da simpatia política que temos pelo indivíduo que está diante da autoridade estatal.
Se acreditamos no devido processo legal somente quando a decisão atinge nosso adversário, não acreditamos realmente no devido processo legal.
Se defendemos a presunção de inocência somente para quem pensa como nós, não defendemos a presunção de inocência.
E se aceitamos restrições excepcionais à liberdade, simplesmente porque o investigado é politicamente indesejado, estamos ajudando a construir um Estado em que o poder passa a valer mais do que a garantia constitucional.
Investigar é dever do Estado. Condenar é outra coisa.
Flávio Bolsonaro deve prestar esclarecimentos?
Sim, se houver investigação regularmente instaurada.
Deve apresentar sua defesa?
Sim. Se forem encontradas provas de crime, deve responder perante a Justiça? Evidentemente.
Mas entre uma investigação e uma condenação existe um caminho chamado devido processo legal.
E esse caminho não pode ser encurtado pela pressão política, pela opinião pública ou pela força de quem ocupa uma cadeira no Supremo Tribunal Federal.
A Constituição não diz que algumas pessoas são presumidamente inocentes. Ela estabelece uma garantia para todos.
O Estado pode investigar.
O Estado pode acusar, dentro da lei.
A Justiça pode julgar.
Mas ninguém pode ser tratado como culpado antes que a culpa seja juridicamente demonstrada.
Porque, no fim, a questão não é Flávio Bolsonaro. A questão é saber se ainda somos uma República em que a liberdade é a regra e a restrição da liberdade é a exceção -, sempre submetida à lei, à necessidade, à proporcionalidade e ao devido processo legal.
E essa é uma discussão que ultrapassa a direita e a esquerda.
É uma discussão sobre o próprio Estado Democrático de Direito.
*Advogado criminalista e jornalista
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Míriam Leitão – O Globo
A nota do governo argentino, o primeiro de um governo sobre o paradeiro de Flávio Bolsonaro, mostra que houve uma ‘operação despiste’ durante todo o dia de ontem.
Ontem, publiquei que não havia informação segura sobre o paradeiro de Flávio Bolsonaro, o que não se sabia era importante: não havia prova de saída dele do Brasil, nem de entrada na Argentina nem nos Estados Unidos. Ou seja, a não informação era um sinal de que ele estaria ainda no Brasil.
Leia maisO mistério do paradeiro de Flávio mostrava que a situação estava em aberto. Ele só saiu do país as 22h50 de ontem, ingressando pela Ponte Tancredo Neves, de apenas 500 metros de extensão, que liga Brasil e Argentina, onde o controle de fronteiras sempre foi muito poroso. É preciso investigar como ninguém viu.
O governo argentino informa que às 23h30 de terça-feira, o senador, a mulher e as duas filhas, embarcaram num voo privado, da companhia Baires Fly, com destino à Guayaquil, no Equador. De lá Flávio Bolsonaro e a família saíram esta manhã com destino à Miami, nos Estados Unidos.
Do ponto de vista político, a fuga de Flávio Bolsonaro e o vídeo de ontem do governador Tarcísio de Freitas, dizendo que a eleição acabou, agradecendo aos 60 milhões de eleitores, e também dizendo que o projeto continua, mostra que a oposição tem um novo líder.
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A decisão do ministro Alexandre de Moraes, acatando pedido da Polícia Federal (PF), de mandar cancelar os passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL) foi criticada por ministros do presidente Lula e do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo eles, PF e Moraes jogaram “gasolina numa fogueira que estava diminuindo de intensidade” e que o ideal seria aguardar alguns dias antes de tomar qualquer medida. As informações são do blog do Valdo Cruz.
Leia maisEm relação ao risco de fuga do ex-candidato do PL à Presidência da República, esses ministros avaliam que era melhor deixar que acontecesse, se esse era realmente o plano de Flávio Bolsonaro, para mostrar que ele estava fugindo da Justiça brasileira.
Agora, dizem, o senador poderá levantar o discurso de que é “vítima de uma perseguição política”. Principalmente porque a decisão foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, principal alvo de bolsonaristas durante as eleições deste ano, resultando na eleição de uma bancada expressiva de senadores e deputados do PL no Congresso Nacional.
“Eu não teria tomado essa decisão. Vão comparar com o caso Lulinha, que saiu do Brasil e está na Espanha. O André Mendonça [relator do inquérito sobre o filho de Lula] não tomou nenhuma medida contra ele, e poderia ter feito algo semelhante”, disse reservadamente um ministro do STF.
Um ministro de Lula se mostrava irritado com a decisão de Alexandre de Moraes, destacando que ele não poderia ter tomado uma decisão dessa minutos depois de anunciado o resultado da eleição, com a vitória do presidente Lula e a derrota de Flávio Bolsonaro.
“Foi um erro político, o Moraes não poderia ter feito isso neste momento, se ele fugisse, ia ficar desmoralizado. Agora ele vai vestir o figurino de vítima”, afirmou o ministro de Lula.
Flávio Bolsonaro, de fato, deixou o país com a família rumo aos Estados Unidos. Segundo interlocutores, o voo partiu da Argentina, teve breve escala no Equador e seguiu com destino a Miami.
A aeronave decolou às 6h22, no horário de Brasília, e segue rumo aos EUA, onde está previsto para chegar ao aeroporto Opa-locka Executive, em Miami, por volta das 10h40, segundo o site de monitoramento aéreo FlightAware.
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Quatro dias após a surpreendente virada do presidente reeleito Lula (PT), no segundo turno contra o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, aceitei o desafio da Câmara de Olinda, através do presidente Saulo Holanda (MDB), para uma palestra seguida de um debate sobre o resultado das eleições e o novo cenário nacional.
Como ficou a composição do Congresso? Quais os partidos que elegeram maior número de senadores e deputados? Nos Estados, quais os partidos que emplacaram o maior número de governadores? Lula governa com o novo Congresso, de perfil extremamente conservador e de centro direita?
Leia maisTudo isso e outras ‘cositas’ vão dar o molho do debate em seguida a minha explanação, marcada para a próxima quinta-feira, a partir das 20 horas, no plenário da Câmara Municipal de Vereadores de Olinda, cidade libertária e revolucionária, vanguarda nas discussões nacionais.
“O País foi às ruas para garantir a democracia”, diz Saulo, adiantando que, independentemente de qualquer resultado, já tinha amadurecido a ideia da palestra-debate, que é aberta ao público em geral.
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O Supremo Tribunal Federal (STF) informou, em nota, hoje, que não há mandado de busca e apreensão direcionado ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e seus endereços.
“Não há nenhuma decisão judicial nesse sentido, tampouco realização de diligência policial ou de busca e apreensão”, diz a nota.
Flávio Bolsonaro deixou o país ontem. A saída do país aconteceu depois que o ministro Alexandre de Moraes determinou a entrega dos passaportes do parlamentar.
Um grande evento do Jornalismo brasileiro ocorre, hoje, no Recife, das 13h às 20h, no auditório da OAB. O Festival de Jornalismo Recife, organizado pela jornalista e ativista Kátia Cubel, é direcionado principalmente aos estudantes de Jornalismo.
A iniciativa vai reunir 15 palestrantes de primeiro nível, entre os grandes nomes da comunicação em Pernambuco, dos quais este blogueiro, que participa de um painel sobre o futuro do jornalismo em Pernambuco.
Entre os jornalistas que atuam no eixo Rio, São Paulo e Basília, Basília Rodrigues, Breno Pires, Rodrigo Rangel, Eldo Gomes e Patrícia Blanco. A conferência magna será realizada por Chico José.
Nesta edição, o Festival de Jornalismo Recife tem o patrocínio do Banco do Nordeste, do Governo do Brasil, da Fiepe, da Alepe e o apoio da Prefeitura do Recife, do Instituto Palavra Aberta, da RXZ, do Jornalistas&Cia e da OAB-PE.
Rubens Figueiredo aponta Congresso oposicionista e custo das promessas como principais desafios de Lula 4
Reeleito para o quarto mandato, Lula (PT) terá pela frente um Congresso com forte presença da oposição e a necessidade de acomodar nas contas públicas propostas apresentadas durante o segundo turno. Em entrevista, ontem, ao podcast Direto de Brasília, o cientista político Rubens Figueiredo, diretor do Centro de Pesquisa e Comunicação (Cepac), apontou esses dois fatores entre os principais obstáculos do presidente a partir de 2027 e afirmou que ele precisará adotar uma postura “mais de estadista e menos de palanquista”.
Na avaliação de Figueiredo, os primeiros movimentos após a vitória não sinalizaram essa mudança de postura. Ele classificou o discurso feito por Lula depois da confirmação do resultado como “revanchista” e criticou a ausência de um aceno mais claro à conciliação. “Não foi um discurso de conciliação, de pacificação, foi mais do mesmo, daquilo que Lula mostrou durante a campanha”, afirmou.
Leia maisO cientista político também chamou atenção para a parcela expressiva do eleitorado que rejeitou o presidente e para a composição do Congresso eleito. “Mais do que nunca, Lula vai ter que provar sua capacidade de negociação e ter uma visão mais de estadista e menos de palanquista. Você não faz política com esse grau de dificuldade que ele vai enfrentar como se estivesse em um palanque”, ressaltou.
À dificuldade política se soma, segundo Figueiredo, a conta das medidas anunciadas durante o segundo turno. Ele estima em cerca de R$ 260 bilhões o chamado “pacote de bondades” e questiona como o governo conciliará a ampliação de benefícios sociais e ganhos reais de renda com uma dívida pública elevada e juros altos. “Tudo isso tem um custo”, alertou, ao citar propostas como aumento do Bolsa Família, reajuste do salário mínimo acima da inflação e elevação das aposentadorias.
Para Figueiredo, existe uma contradição entre a agenda apresentada ao eleitor e a necessidade de controlar o crescimento da dívida. “Em algum momento essa cadeia tem que ser quebrada, mas Lula acha, fala, reverbera e reafirma que gasto é vida. Então é essa equação que precisa ser resolvida”, declarou. Ele também destacou que o custo do financiamento da dívida brasileira torna a situação mais delicada do que a de países com endividamento proporcionalmente maior, mas juros mais baixos.
Ao analisar a eleição que levou Lula ao quarto mandato, o cientista político atribuiu a virada no segundo turno a uma combinação de mobilização da esquerda e erros da campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Segundo ele, Flávio “subiu no salto” depois de vencer a primeira etapa e acreditou que a tendência se manteria naturalmente, enquanto Lula e o PT intensificaram a presença nas ruas e conseguiram levar às urnas parte dos eleitores que haviam se abstido no primeiro turno.
Figueiredo também destacou o desempenho digital da campanha petista, especialmente a atuação do chamado “Exército do Janones”, comandado pelo deputado André Janones (Rede-MG), além da repercussão dos debates presidenciais. “Foi um fenômeno, algo espetacular, que realmente deu outra dinâmica à campanha”, avaliou. Para ele, a combinação desses fatores ajudou a produzir um resultado que considerou tão surpreendente quanto a vitória de Flávio no primeiro turno.
Flávio prepara coletiva nos EUA – Já nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro (PL) prepara uma entrevista coletiva para explicar publicamente os motivos de sua fuga do Brasil após a derrota para Lula (PT) no segundo turno. Segundo aliados ouvidos pelo Metrópoles, a previsão é de que o senador fale ainda nesta semana, possivelmente já hoje, em Washington. Flávio chegou ontem à Flórida acompanhado da esposa e das duas filhas e encontrou o irmão Eduardo Bolsonaro (PL), que vive no país. A saída ocorreu após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar a entrega de seus passaportes e proibi-lo de deixar o Brasil. Na segunda-feira (26), Flávio havia afirmado que “nunca pensou em sair do país” e que entregaria os documentos. Os passaportes, porém, não foram entregues dentro do prazo determinado, encerrado às 11h de ontem, e acabaram cancelados pela Polícia Federal.

Vice de Flávio reconhece resultado das urnas – Candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), Alfredo Gaspar (PL) publicou um pronunciamento nas redes sociais, ontem, em que reconhece o resultado do 2º turno da eleição presidencial, em que eles acabaram derrotados por Lula (PT). O deputado agradeceu os votos recebidos por ele e Flávio e disse que o “sistema mudou as regras” durante a disputa do 2º turno, sem especificar a qual ação se referia. “Nossas bandeiras continuam aí e nós não vamos desistir do Brasil. Nós lutamos até o fim, permanecemos de pé, mantivemos nossos princípios. Há vitórias que representam derrotas e há derrotas que são verdadeiras vitórias. Nós ganhamos, permanecemos firmes naquilo que acreditamos. O Brasil, no futuro próximo, vai vencer”, declarou.
Federação União-PP vai apoiar reeleição de Alcolumbre – A federação formada por União Brasil e PP anunciou, ontem, o apoio à reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) à presidência do Senado. O anúncio foi feito em nota assinada pelos presidentes dos partidos, Antônio Rueda e Ciro Nogueira. A eleição no Congresso será em fevereiro de 2027. Juntos, os dois partidos terão 12 senadores a partir do ano que vem, sendo 6 de cada legenda. Rueda e Ciro Nogueira destacam na nota de apoio “que a continuidade de sua liderança contribui para a estabilidade institucional e o equilíbrio político de que o Brasil precisa para seguir avançando nas pautas de interesse da população”.
Deputados do PT pedem alerta vermelho da Interpol – Os deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ) e Rogério Correia (PT-MG) e a deputada federal eleita Ana Elisa Santos (PT-MG) pediram, ontem, ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a prisão preventiva de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Caso o mandado seja expedido, solicitam também um alerta vermelho da Interpol contra o senador. O pedido aponta descumprimento da ordem de entrega dos passaportes e risco de fuga. Na petição, os parlamentares pedem que a defesa informe o paradeiro de Flávio e que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste com urgência. Solicitam ainda cooperação com a Argentina para obter registros de passageiros e identificar quem contratou o jato mencionado nas notícias que embasaram o pedido. Na segunda-feira (26), o senador afirmou que nunca pensou em deixar o Brasil e que entregaria os passaportes. Ele nega irregularidades nas investigações.

Rubio arquitetou fuga de Flávio – O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, arquitetou a fuga de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil rumo ao território norte-americano. A informação foi divulgada por Simón Levy, um advogado mexicano ligado ao presidente Donald Trump, ontem. “O cérebro por trás dessa operação é o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio”, afirmou Levy em uma publicação no X. A expectativa é de que ele solicite asilo político ao governo Donald Trump. Flávio Bolsonaro deixou o Brasil dois dias após perder as eleições presidenciais para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele é investigado junto com o advogado e amigo Willer Tomaz por suposta lavagem de dinheiro.
CURTAS
DILMA – O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania fixou um pagamento mensal de R$ 17.562,80 para a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) como reparação econômica por perseguição política durante o regime militar. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) de ontem. Em 1970, Dilma foi presa e submetida a torturas, quando tinha 22 anos.
EL NIÑO – A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) realizou, ontem, uma audiência pública para discutir os impactos do El Niño sobre o abastecimento de água e a produção agropecuária no estado. Ao final, foi anunciada a proposta de criação de uma frente parlamentar permanente para acompanhar a situação hídrica pernambucana.
EL NIÑO II – Durante a reunião, representantes de órgãos públicos alertaram para o risco de agravamento da estiagem nos próximos meses, com possíveis prejuízos à agricultura e à pecuária. Segundo dados apresentados por Josimar Fernandes, representante da Secretaria Estadual de Agricultura, 75 municípios pernambucanos estão em situação de emergência hídrica. A previsão é de que a falta de chuvas comprometa a produção de grãos e outras atividades do campo. As informações são do Blog da Folha.
Perguntar não ofende: Depois de prometer liderar a oposição no Brasil, Flávio pretende fazê-lo da Flórida?
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O empresário Eduardo Paes Mendonça morreu nesta terça-feira (27), no Recife, aos 83 anos. Sergipano de nascimento e pernambucano “por adoção e merecimento”, como é descrito em suas memórias, deixa esposa, três filhos, cinco netos e os irmãos João Carlos Paes Mendonça, José Américo Mendonça, Reginaldo Paes Mendonça, Maria Mendonça, Ester Mendonça Ferreira, Josefa Cecinha Mendonça, Joseilde Mendonça Prado. O velório começa nesta quarta (28), às 10h, no cemitério Morada da Paz, em Paulista, seguido de missa às 14h e cerimônia de cremação às 15h. As informações são do JC.
Irmão de João Carlos Paes Mendonça, presidente do Grupo JCPM, Eduardo seguiu um caminho próprio. Trabalhou na rede de supermercados até a venda aos holandeses, presidiu uma das principais gráficas de Pernambuco e, nos últimos anos, dedicou-se a empreendimentos imobiliários e shopping centers com os filhos.
Leia mais“Perdemos um irmão querido. Uma pessoa exemplar. Um homem de muitos amigos e de uma leveza que agregava as pessoas em torno dele. Como diretor no Bompreço, deixou sua marca ao liderar o time a partir da confiança que todos tinham nele e no sentimento de estarem todos juntos pelos mesmos desafios”, comenta João Carlos ao lamentar a morte do irmão.
No Bompreço, Eduardo cuidava do dia a dia da central de distribuição, da segurança, das compras de material, da embalagem, das obras e dos veículos. Foi ali que treinou o olhar para oportunidades de negócio. Ficou na empresa até a venda total da rede e saiu junto com João Carlos.
Ainda na primeira etapa da venda, comprou a Gráfica JC, que pertencia ao Jornal do Commercio e atendia apenas às demandas do Bompreço. O jornal havia sido adquirido em 1987 pelo Grupo JCPM, e a gráfica estava praticamente sucateada. Eduardo assumiu a presidência e rebatizou a empresa de Intergraf.
Com equipamentos modernos, a Intergraf se tornou a primeira gráfica de Pernambuco com máquina de impressão de folha inteira em quatro cores e com certificado ISO 9001 de qualidade. Pouco depois, já era a maior concorrente da Gráfica Santa Marta, líder do mercado na época. Depois de 10 anos, ele decidiu encerrar a participação no segmento, por divergir das práticas comerciais do setor, e desativou a empresa em vez de vendê-la.
Eduardo comprou ainda a Wolk Elevadores, pequena empresa de manutenção. Deu visibilidade à marca e fechou uma parceria com a Hyundai para fazer a manutenção e distribuir os elevadores da fabricante, com exclusividade no Brasil. Mais tarde, desfez-se da empresa.
Passou então a se dedicar à holding Emel Investment, a Eduardo Mendonça Empreendimentos, voltada a empreendimentos imobiliários e shopping centers. A filha Danielle cuida da parte administrativa e financeira, e o filho Eduardo Filho, da operação. A filha Viviane, que mora em São Paulo, é acionista.
Por meio da holding, ele e os filhos mantinham sociedade com os irmãos em vários negócios herdados dos pais. Tinham também participação nos shoppings Recife, Tacaruna, Guararapes, RioMar Recife, RioMar Fortaleza, RioMar Presidente Kennedy e Salvador Shopping, além de uma empresa de investimentos no mercado internacional.
Eduardo nasceu com uma fissura submucosa no palato, que só foi diagnosticada quando tinha 69 anos. Até lá, conviveu com a voz fanhosa e a dificuldade de falar. Na infância, a mãe o levou a um otorrino, que apontou adenoide, e ele foi operado sem que nada mudasse. Por volta dos 16 anos, viajou ao Rio de Janeiro com o irmão João Carlos para consultar um neurocirurgião famoso, que também não encontrou explicação.
A busca por respostas o levou a São Paulo e, depois, ao Recife, onde começou a fonoterapia com a fonoaudióloga Patrícia Balata. Em 2012, já com diagnóstico de doença de Parkinson, que pode afetar voz, fala, mastigação e deglutição, decidiu aceitar a doença e começar uma luta diária contra ela, com pilates, musculação, osteopatia e alongamentos.
Ainda em 2012, o cirurgião plástico Diógenes Rocha confirmou a fissura e propôs a correção. Eduardo foi, segundo o próprio médico, o paciente mais velho em que ele fez esse tipo de cirurgia. Houve complicações, com fístulas que reabriram, e novas operações em 2013 e em 2014. Entre uma e outra, passou por duas pontes de safena e uma mamária. O resultado não foi o esperado, mas ele nunca se queixou.
Da própria dificuldade, Eduardo fez causa. Depois de descobrir, aos 69 anos, que tinha uma fissura submucosa no palato, decidiu ajudar quem enfrentava o mesmo problema e criou uma estrutura de acolhimento no Recife, pensada para famílias que viajam à cidade em busca de tratamento especializado. A Casa Sorrir começou a funcionar em 2017, e o Instituto José Eduardo Mendonça, responsável por ela, foi formalizado em janeiro de 2018.
A organização social acolhe pessoas com fissura labiopalatina, malformação congênita que afeta o lábio, o céu da boca ou ambos, e vai além da assistência durante o tratamento. A proposta é dar a pacientes e familiares condições de reconstruir a vida, com acesso a educação, capacitação e oportunidades profissionais. A casa atende sobretudo pacientes do Centro de Atenção aos Defeitos da Face (Cadefi), do Imip, em tratamentos que podem exigir várias cirurgias e anos de acompanhamento. Muitas famílias vêm do interior de Pernambuco e de outros estados e não têm como se manter no Recife.
Nas memórias, Eduardo falava com franqueza dos acertos e dos tropeços. Considerava as experiências menos bem-sucedidas as mais valiosas para repassar aos jovens empreendedores, entre elas a de não estudar antes qual é o melhor negócio para investir.
Defendia que, além de gostar do ramo e trabalhar duro, o sucesso depende de ambiente saudável, bom relacionamento com clientes, fornecedores e parceiros, ética, moral e credibilidade. A recomendação principal era a humildade, sobretudo nas empresas familiares.
Eduardo nasceu na Serra do Machado, pequeno lugarejo do distrito de Ribeirópolis, em Sergipe, terra de almocreves e boiadeiros que rasgavam a caatinga rumo ao Sertão. Foi o terceiro filho homem de Pedro Paes Mendonça e Maria Dudu, gente trabalhadora e de fé, que acordava cedo para a labuta.
A família deixou a Serra do Machado para Ribeirópolis e depois para Aracaju, porque seu Pedro queria os filhos em boas escolas. A infância foi difícil. Eduardo ficou sem falar até os 7 anos e, quando começou, a pronúncia defeituosa o expôs a bullying e a certa retração social, superada aos poucos.
Em 22 de abril de 1959, o armazém do pai, principal fonte de renda da família, foi destruído por um incêndio. Eduardo se uniu aos irmãos João Carlos e José Américo para ajudar seu Pedro a reconstruir o patrimônio. Aos 16 anos, passou a cursar Contabilidade à noite, no Colégio Tobias Barreto, e a trabalhar de dia no novo armazém, embalando mercadorias e organizando produtos nas gôndolas.
A confiança do pai cresceu depressa. Eduardo cuidou da Feira do Alumínio, recebeu a loja do Mercado Público de Aracaju, em frente à de “seu” Pedro, e aos 17 anos já respondia pela distribuição do rum Bacardi na empresa da família. Administrou ainda a loja de Ribeirópolis, que abria toda semana para a feira. Desde cedo, era conhecido pelo capricho com o leiaute das lojas.
Aos 19 anos, assumiu a gerência de uma usina de beneficiamento de arroz e farinha de milho, em Propriá, e tornou-se, segundo livro “O dito e o não dito”, o empresário de arroz mais jovem do Brasil. Foram 5 anos na cidade, dois deles na casa da irmã Joseilde.
Nas horas livres, jogava futebol ao lado de craques sergipanos que fizeram carreira em grandes clubes de Pernambuco e era um dançarino disputado nos salões. Foi num baile em Penedo, em Alagoas, que viu entrar uma moça e avisou ao amigo que se casaria com ela. Era Ana Maria Santa Rita.
Fazia questão de agradecer ao irmão mais velho, João Carlos, que o incentivou nos negócios da família e na fase de expansão do Bompreço.
Quando a pandemia impôs o isolamento, Eduardo passou a revisitar o passado como quem procura uma forma de ocupar o tempo, e descobriu, como ele mesmo registrou, que “uma história puxa outra”. Os dias que pareciam enterrados na memória, mas estavam apenas guardados no fundo da consciência, foram ganhando forma em “A pedra do meu caminho”, em primeira pessoa, e em “O dito e o não dito”, em terceira. Eduardo fez do gosto de lembrar um legado, e deixou para a família, e para quem vier depois, uma trajetória contada com os acertos e os tropeços.
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) planeja dar uma entrevista coletiva à imprensa diretamente dos Estados Unidos para explicar os motivos pelos quais fugiu do Brasil.
A previsão inicial, segundo aliados, é de que a conversa de Flávio com jornalistas aconteça ainda nesta semana — possivelmente em Washington D.C., já na quarta-feira (28/10). As informações são do Metrópoles.
Leia maisFlávio chegou aos Estados Unidos na tarde desta terça-feira (27/10) acompanhado da esposa e das duas filhas. A operação contou com apoio do governo Donald Trump.
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