Ratinho Junior (PSD) informou, nesta segunda-feira (23), que desistiu da pré-candidatura à Presidência do Brasil e vai concluir o segundo mandato no governo do Paraná até dezembro de 2026.
O governador era um dos três possíveis candidatos à Presidência do PSD. Com a desistência, os nomes cotados pelo partido são Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, e Ronaldo Caiado, governador de Goiás. O movimento também impacta na sucessão no Paraná. As informações são do g1.
Leia maisRatinho Junior era o pré-candidato do PSD com melhor desempenho nas pesquisas para as eleições presidenciais deste ano. Na Quaest mais recente, de março, ele aparecia com 7% das intenções de voto nos cenários de primeiro turno, contra 4% de Ronaldo Caiado e 3% de Eduardo Leite.
No cenário de segundo turno, Ratinho aparecia com 33%, nove pontos atrás de Lula, que tinha 42%. A vantagem do presidente é maior contra Caiado (12 pontos) e Eduardo Leite (16 pontos).
O governador apresentava sua pré-candidatura como alternativa à polaridade política, ao mesmo tempo em que defendia o PL da Anistia, que prevê anistia “ampla e irrestrita” aos condenados pelo 8 de janeiro.
Há menos de duas semanas, o senador Rogério Marinho (PL), coordenador de campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se encontrou com o governador do Paraná e pediu que ele desistisse da campanha e apoiasse o filho do ex-presidente no pleito.
Segundo comunicado divulgado pela assessoria de imprensa de Ratinho Junior, a desistência foi decidida na noite de domingo (22) “após profunda reflexão com a família”. A decisão foi levada ao conhecimento do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, nesta segunda. (Leia, na íntegra, ao final do texto)
O comunicado afirma ainda que o governador do Paraná continuará à disposição do PSD “para ajudar o Brasil a virar a página do atraso, criar perspectivas mais otimistas para os jovens, ser destravado com menos burocracia, endurecimento de leis criminais e tenha o agronegócio brasileiro como trunfo na competição global entre nações”.
Segundo o comunicado, depois que encerrar o mandato, Ratinho Junior pretende voltar ao setor privado e presidir o Grupo de Comunicação criado pelo pai, o apresentador Ratinho. Ele não pode concorrer como governador do Paraná em 2026, uma vez que está no segundo mandato consecutivo no cargo.
Disputa para o governo do Paraná
Ratinho Junior ainda não anunciou oficialmente quem apoiará na eleição para o governo do Paraná. Entre os nomes cotados nas discussões internas do partido estão Alexandre Curi (PSD), deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa e Guto Silva (PSD), secretário de Cidades.
Outro nome que fazia parte das articulações era o do secretário de Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca. O ex-prefeito de Curitiba deixou o PSD e anunciou na última quinta-feira (19) que se filiou ao MDB. O anúncio foi feito por meio de um vídeo publicado nas redes sociais em que Greca anuncia também a pré-candidatura ao governo do estado pelo novo partido.
Na última semana, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, afirmou que o senador Sergio Moro deve deixar o União Brasil e se filiar ao PL para disputar o governo do Paraná. Caso confirme a candidatura, Moro deve enfrentar o grupo de Ratinho Junior na eleição.
“É uma grande alegria estar aqui com meu amigo Sergio Moro. Ele é o nosso pré-candidato a governador do Paraná. Uma pessoa que compartilha das mesmas pautas e entende o momento que o Brasil passa”, afirmou o senador Flávio Bolsonaro (RJ).
Leia a íntegra do comunicado:
“O governador Ratinho Junior decidiu concluir seu mandato no Paraná até dezembro deste ano. Portanto, ele deixa de participar da discussão interna do PSD (Partido Social Democrático), que escolherá um candidato disposto a concorrer às eleições presidenciais deste ano.
A decisão foi tomada na noite deste domingo, 22, após profunda reflexão com sua família. O fato foi levado ao conhecimento do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, nesta segunda, 23.
Ratinho está convicto que deve manter o compromisso selado com os paranaenses nas eleições de 2018 e não pode interromper o projeto que tem garantido o ciclo de crescimento econômico do Paraná. Sob a gestão de Ratinho Junior, que alcançou 85% de aprovação, o Estado se consolidou como a melhor educação do Brasil, obteve os menores índices criminais dos últimos 20 anos, o maior investimento em infraestrutura da história, e conquistou, por quatro vezes consecutivas, a excelência em sustentabilidade no Brasil.
O governador do Paraná continuará à disposição do PSD para ajudar o Brasil virar a página do atraso, criar perspectivas mais otimistas para os jovens, ser destravado com menos burocracia, endurecimento de leis criminais e tenha o agronegócio brasileiro como trunfo na competição global entre nações.
Eleito com quase 70% dos votos válidos em 2022, Ratinho permanecerá pautando a sua vida para ajudar o Brasil a partir do Paraná, ao defender um estado menor e mais eficiente, que tem a educação como instrumento para melhorar a vida de jovens e apostando na pacificação e no diálogo como alicerces do Estado Democrático de Direito.
Carlos Massa Ratinho Junior nasceu numa família humilde em Jandaia do Sul. Mudou para Curitiba ainda criança, onde o pai chegou desempregado na década de 80. A trajetória simples do governador permitiu que ele jamais fosse contaminado pelas benesses do Poder.
Ao encerrar em dezembro essa fase de sua vida, Ratinho Junior pretende voltar ao setor privado e presidir o Grupo de Comunicação criado pelo pai, o apresentador Ratinho.”
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Policiais militares de Pernambuco relatam atraso no pagamento do Programa de Jornada Extra de Segurança (PJES) referente ao serviço da Patrulha Escolar, com valores ainda pendentes dos meses de janeiro e fevereiro. A atividade é realizada por agentes que atuam em seus períodos de folga, em ações preventivas voltadas às escolas da rede estadual.
De acordo com relatos da categoria, não há previsão informada pelo governo estadual para a regularização dos pagamentos. Os profissionais apontam dificuldades para cumprir compromissos financeiros diante dos atrasos e destacam que a situação já teria ocorrido em outras ocasiões.
O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e foi transferido para um quarto no Hospital DF Star, em Brasília, nesta segunda-feira. A infomarção foi confirmada pelo médico de Bolsonaro, doutor Brasil Caiado. A transferência ocorreu por volta das 17h30.
Boletim médico divulgado nesta segunda-feira aponta que Bolsonaro apresenta evolução clínica favorável. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisInternado desde o dia 13, após passar mal enquanto estava preso, Bolsonaro segue em tratamento contra uma pneumonia bacteriana bilateral decorrente de broncoaspiração. De acordo com a equipe médica, ele permanece em uso de antibioticoterapia endovenosa, com resposta considerada positiva, mas ainda depende de suporte clínico intensivo, além de fisioterapia respiratória e motora.
“O ex-presidente mantém evolução satisfatória, sem intercorrências, em uso de antibioticoterapia endovenosa. Segue com suporte clínico intensivo e fisioterapia respiratória e motora e deverá receber alta da UTI nas próximas 24 horas”, informou o boletim.
A broncoaspiração, que deu origem à infecção, ocorre quando conteúdo do estômago ou secreções entram nas vias respiratórias, podendo evoluir para um quadro infeccioso pulmonar com impacto na oxigenação. Bolsonaro foi internado após apresentar febre, vômitos e queda na saturação.
Desde a internação, a evolução tem sido descrita como gradual. Apesar da melhora dos indicadores clínicos, a permanência na UTI até aqui foi mantida por cautela, diante da necessidade de monitoramento constante, fisioterapia respiratória e prevenção de complicações, comuns em quadros desse tipo.
A situação de saúde do ex-presidente passou a ter impacto direto nas discussões jurídicas sobre o regime de cumprimento da pena. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já se manifestou favoravelmente à concessão de prisão domiciliar, e a expectativa entre aliados é de que, com a melhora do quadro clínico, Bolsonaro possa cumprir a pena em casa.
A equipe médica trabalha com a previsão de que o período total de internação deve chegar a cerca de 14 dias, a depender da resposta ao tratamento.
Anotações dos advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro têm menções à delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid
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O pré-candidato a deputado federal Gabriel Porto se filia ao PSB nesta quinta-feira (26), em ato marcado para as 20h30 na sede do partido, no Recife. O ingresso ocorre a convite do prefeito do Recife e presidente nacional da legenda, João Campos, que confirmou recentemente sua pré-candidatura ao Governo de Pernambuco.
Gabriel é filho do presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), deputado estadual Álvaro Porto, que deixou o PSDB e se filiou ao MDB neste mês, em meio às articulações políticas no estado. Aliado de João Campos e integrante da oposição à governadora Raquel Lyra, Álvaro afirmou que a mudança partidária também considerou o cenário eleitoral para viabilizar a candidatura do filho à Câmara Federal.
“Recebemos o convite de João como um aval ao trabalho que temos feito para construir a nossa pré-candidatura. Temos dialogado com lideranças políticas e com a população em diversas regiões do estado”, afirmou Gabriel. “Chegar a um partido com a história do PSB é a certeza de que estamos em sintonia com o projeto de João Campos”, completou.
O prefeito de Caetés, Nivaldo Tirri (Republicanos), anunciou nesta segunda-feira (23) apoio às pré-candidaturas de João Campos (PSB) ao Governo de Pernambuco e de Marília Arraes (PDT) ao Senado. A adesão foi formalizada no Recife e ocorre após articulação do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, com quem Tirri mantém relação política.
Segundo o prefeito, a decisão foi motivada por alinhamento com o grupo político do ministro. “Recebi um pedido do ministro Silvio Costa Filho para apoiar essa chapa e não poderia deixar de estar junto. Ele e Carlos Costa são para mim como irmãos”, afirmou. O vice-prefeito Ronaldo Melo também confirmou o apoio. “Nós vamos apoiar os candidatos do ministro Silvio Costa Filho”, disse.
A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) recebeu, nesta segunda-feira (23), a visita da cônsul-geral da China no Recife, Lan Heping, para tratar de oportunidades de investimento e cooperação na região. O encontro, realizado na sede da autarquia, contou com a participação do superintendente Francisco Alexandre e teve como foco o fortalecimento das relações institucionais entre o Nordeste e o país asiático.
Durante a reunião, foram apresentadas diretrizes do plano quinquenal chinês, com ênfase em inovação tecnológica, sustentabilidade e ampliação de parcerias internacionais. A Sudene apresentou o Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE) e mecanismos de financiamento como o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). Também foi discutida a possibilidade de cooperação na área de mecanização agrícola voltada à agricultura familiar, com estudos para instalação de uma unidade fabril no Rio Grande do Norte.
“A agricultura familiar é responsável por mais de 70% dos alimentos que chegam às mesas dos brasileiros. Precisamos assegurar mais competitividade e geração de renda para esse setor”, afirmou Francisco Alexandre. A reunião também contou com a presença de diretores da Sudene e reforçou o interesse na ampliação de investimentos chineses em áreas como energia renovável, infraestrutura e indústria na região.
Em meio a especulações sobre uma possível substituição do senador Humberto Costa na disputa ao Senado, o presidente estadual do PT em Pernambuco, deputado federal Carlos Veras, afirmou ao blog que a prioridade da legenda segue sendo a reeleição do parlamentar. Em nota, Veras reforçou o posicionamento oficial do partido no estado.
“A reeleição do senador Humberto Costa é a prioridade máxima da legenda para as eleições de 2026. Qualquer cenário fora desse eixo é mera especulação”, diz o texto. A nota também informa que a direção estadual do PT se reunirá no próximo dia 28 de março para ratificar essa posição.
Confira o comunicado na íntegra:
A reeleição do senador Humberto Costa é a prioridade do PT para 2026 em PE
O Partido dos Trabalhadores em Pernambuco já definiu a reeleição do senador Humberto Costa como a prioridade máxima da legenda para as eleições de 2026. A decisão busca fortalecer o protagonismo da sigla e consolidar uma aliança vitoriosa no estado. No próximo dia 28 de março, a direção estadual do PT-PE irá reunir-se oficialmente para ratificar essa posição. O encontro será o marco inicial da estratégia partidária rumo à vitória. Qualquer cenário fora desse eixo é mera especulação.
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Áreas que antes eram marcadas pelo descarte irregular de lixo, acúmulo de resíduos sólidos, mau cheiro e riscos à saúde pública estão passando por uma transformação em diversos pontos do Jaboatão dos Guararapes. A Prefeitura vem realizando um trabalho contínuo de recuperação desses locais, que durante muito tempo foram utilizados como pontos de descarte inadequado, comprometendo a qualidade de vida da população e contribuindo para a proliferação de insetos, animais e riscos à saúde. Os espaços estão sendo resgatados por meio de ações de limpeza, urbanização, pintura e melhoria da iluminação, devolvendo aos moradores ambientes mais seguros, organizados e dignos.
O trabalho integra uma operação mais ampla de limpeza urbana que vem sendo executada em diferentes bairros da cidade. Depois da retirada completa dos resíduos acumulados, as equipes realizam a limpeza profunda das áreas e instalam placas educativas que orientam a população sobre o descarte correto do lixo. A iniciativa também busca fortalecer a conscientização dos moradores, reforçando que manter a cidade limpa é uma responsabilidade de todos.
Leia maisComo forma de valorizar a participação da população e incentivar a preservação desses espaços, a gestão municipal também está instalando placas educativas nos pontos recuperados, agradecendo aos moradores que contribuem para manter os locais limpos. A Prefeitura reforça que o descarte irregular de resíduos prejudica a própria comunidade.
Além desse trabalho de recuperação dos pontos de descarte irregular, a Prefeitura do Jaboatão, por meio da Secretaria de Infraestrutura, também intensificou as ações de limpeza em canais e canaletas em diversas regiões da cidade. As equipes atuam na retirada de resíduos, vegetação e sedimentos acumulados, contribuindo para melhorar o escoamento da água e reduzir riscos de alagamentos.
A Prefeitura também orienta a população a colocar o resíduo apenas próximo ao horário da passagem do caminhão de coleta. Quando as sacolas permanecem por muito tempo nas calçadas, acabam sendo rasgadas por animais, espalhando resíduos pelas ruas e gerando novos pontos de sujeira. A gestão municipal segue investindo na operação de limpeza em toda a cidade e reforça que, com a colaboração da população, é possível avançar na construção de uma cidade mais limpa, organizada e com mais qualidade de vida para todos.
*Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes
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A direção nacional do PT já cogita substituir o senador Humberto Costa pelo deputado federal Carlos Veras na disputa ao Senado em Pernambuco, diante do desgaste provocado pela resistência do senador ao alinhamento do partido com a candidatura de João Campos ao governo do estado. A avaliação em Brasília é que Pernambuco seguirá o acordo nacional entre PT e PSB, e que a insistência de Humberto em outra composição pode levar o partido a rever sua indicação na chapa.
A cúpula do Partido dos Trabalhadores tem intensificado, nos bastidores, as discussões sobre o papel do senador Humberto Costa no cenário político de Pernambuco. Segundo relatos de integrantes da direção partidária, cresce o incômodo com a postura do parlamentar, frequentemente descrita como marcada por insatisfação e episódios de tensão interna.
De acordo com essas avaliações, o desconforto deixou de ser pontual e passou a integrar de forma recorrente a pauta da direção nacional. O tema ganhou ainda mais relevância diante das articulações políticas em curso para as eleições de 2026.
Leia maisNesse contexto, dirigentes do partido consideram como irreversível o apoio à reeleição do prefeito do Recife, João Campos (PSB). A aliança é vista como parte de uma construção política mais ampla, que envolve partidos da base do governo Luiz Inácio Lula da Silva, com destaque para o Partido Socialista Brasileiro, que, além de ter o vice-presidente Geraldo Alckmin, cumpre todos os acordos construídos nos estados.
A avaliação predominante é de que não há espaço para rupturas que possam comprometer esse arranjo político nacional. Paralelamente, interlocutores do partido indicam que já há movimentações em torno de possíveis alternativas dentro do próprio PT em Pernambuco.
Um dos nomes mencionados é o do deputado federal Carlos Veras (foto acima), atual primeiro-secretário da Câmara dos Deputados e presidente estadual do PT. Com bom trânsito entre lideranças nacionais e estaduais, Veras é visto como um quadro com capacidade de diálogo e articulação.
Embora tenha mantido, publicamente, alinhamento com Humberto Costa nos recentes desencontros, há quem aposte que, ao fazer isso, ele empurra Humberto para o precipício e, com isso, teria chances de ser o candidato do PT ao Senado.
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Por Cláudio Soares*
O ambiente político de Pernambuco começa a expor fissuras relevantes dentro do campo governista, especialmente na relação entre João Campos e o PT estadual. Nos bastidores do Agreste e do Sertão do Pajeú, cresce a avaliação de que o senador Humberto Costa pode não marchar ao lado do socialista em 2026, uma hipótese que, até pouco tempo, parecia improvável.
Lideranças já tratam o distanciamento como algo concreto. Prefeitos da região, inclusive aliados do grupo político de Caruaru, relatam que a relação entre Humberto e o PSB vem se desgastando de forma contínua. Mais do que um ruído pontual, o que se desenha é a possibilidade real de o senador rever sua própria candidatura à reeleição, abrindo espaço para uma reconfiguração mais ampla, que pode, inclusive, envolver aproximação com a governadora Raquel Lyra.
Leia maisO movimento ganha densidade quando se observa o comportamento do PT no interior. Em Tabira, o prefeito petista, aliado direto do deputado federal Carlos Veras, desde o início do seu mandato demonstra alinhamento com o governo estadual, evidenciando que o partido está longe de atuar de forma homogênea em Pernambuco.
E o ruído não se restringe ao PT. Há relatos de que outro prefeito do Pajeú, fora da sigla e próximo ao prefeito de Caruaru, tem afirmado, ainda que de forma reservada –, que Humberto Costa não estará no palanque de João Campos em 2026. A leitura, mesmo informal, reforça a percepção de que o afastamento deixou de ser especulação e passou a integrar o radar político das lideranças regionais.
A origem desse desgaste remonta a 2024. À época, Humberto articulou para emplacar Carlos Veras como vice na chapa de João Campos no Recife. A estratégia era clara, com uma eventual saída de João para disputar o Governo do Estado, o PT assumiria o comando da capital. A proposta, no entanto, foi descartada.
Ao optar por um nome de confiança pessoal, João Campos sinalizou autonomia, gesto que, dentro do PT, foi interpretado como desprestígio político. O resultado foi o aprofundamento da insatisfação em setores do partido, especialmente entre Humberto Costa e Carlos Veras, que acabaram excluídos da composição.
Paralelamente, um movimento fora do eixo tradicional adiciona complexidade ao quadro, o prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro, herdeiro e aliado político do grupo de Raquel Lyra, já declarou apoio a Humberto Costa. O gesto revela que, na prática, as fronteiras entre governo e oposição estão cada vez mais flexíveis, guiadas menos por ideologia e mais por estratégia.
Nos bastidores petistas, não há decisão fechada. Humberto Costa e seu grupo devem aguardar as próximas pesquisas eleitorais antes de qualquer movimento definitivo. A lógica é pragmática: o desempenho nas sondagens será determinante para definir manutenção de alianças, reposicionamento ou até mudança de palanque.
O que se observa, portanto, é um processo de desalinhamento progressivo, no qual alianças históricas deixam de ser automáticas e passam a obedecer a cálculos frios. Dependendo da evolução desse movimento, Pernambuco pode assistir, em 2026, a uma profunda reorganização política, com impactos diretos na disputa pelo governo e nas vagas ao Senado.
No fim, a dúvida que paira nos bastidores não é apenas sobre o rompimento, mas sobre sua motivação, estratégia eleitoral da executiva nacional, ou acerto de contas político do PT de Pernambuco?
*Advogado criminalista e jornalista
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Por Luiz Queiroz – Capital Digital
Alguém precisa avisar ao presidente Lula, uma vez que a equipe dele não faz, que o Brasil já está em franco processo de colonização na área de minerais críticos. O avanço silencioso de pedidos de exploração mineral na Agência Nacional de Mineração (ANM, antiga DNPM), revela uma camada ainda mais profunda da disputa global por terras raras no Brasil e reforça, na prática, o alerta feito pelo presidente Lula sobre uma nova forma de colonização econômica, durante a Cúpula da Celac-África, na Colômbia.
Dados recentes da própria ANM levantados pelo blog, mostram que o Brasil registrou mais de nove mil novos requerimentos de pesquisa mineral em 2025, um crescimento de 81% em relação ao ano anterior. Esse volume inclui não apenas terras raras, mas também lítio, níquel, grafita e outros minerais críticos ligados à transição energética e à indústria de alta tecnologia.
Leia maisO aumento abrupto da demanda criou um efeito imediato: um estoque relevante de processos ainda em análise, formando uma espécie de fila regulatória que, na prática, define quem terá acesso às futuras jazidas estratégicas do país. Embora a ANM não divulgue oficialmente um recorte detalhado por nacionalidade dos requerentes, o cruzamento com o perfil das empresas que já atuam no Brasil e com os movimentos do mercado indica que essa corrida foi puxada majoritariamente por grupos estrangeiros, sobretudo da Austrália, Canadá e Estados Unidos.
São empresas que operam globalmente na exploração de minerais críticos e que passaram a mirar o território brasileiro com mais intensidade a partir de 2023, antecipando a disputa por áreas com potencial geológico conhecido. Na prática, o movimento não começa na mina, mas no papel: quem registra primeiro o requerimento assegura prioridade sobre a área e transforma aquele ativo em base para captação de recursos, valorização em bolsa ou futura venda para grandes grupos.
O efeito disso é que a ANM se tornou, sem alarde, um dos principais campos dessa disputa geopolítica. Parte significativa desses pedidos ainda aguarda análise técnica e decisão administrativa, o que cria uma janela de indefinição sobre o futuro do controle mineral no país. Ao mesmo tempo, o mercado já se reorganiza em torno desses ativos.
Empresas estrangeiras têm adquirido projetos já protocolados, firmando parcerias com detentores de direitos minerários e consolidado posições em regiões consideradas estratégicas, especialmente em Minas Gerais, Goiás e Bahia. Esse mercado secundário de áreas, pouco visível ao debate público, antecipa a formação de um mapa de controle que pode se consolidar antes mesmo da exploração efetiva.
Outro ponto relevante é o caráter altamente seletivo da mineração. Estudos do próprio setor indicam que, de centenas de requerimentos apresentados, apenas uma fração mínima se transforma em operação produtiva. Isso significa que muitos pedidos têm função estratégica ou especulativa: garantir posição, bloquear concorrentes ou criar ativos financeiros, ou seja, uma reserva de mercado. Ainda assim, é justamente essa etapa que define quem estará apto a explorar as jazidas quando os projetos amadurecerem. Em outras palavras, a disputa real acontece agora, na fase administrativa, e não apenas quando as minas entram em operação.
Ausência de Política Industrial
A ANM também se prepara para novas rodadas de disponibilização de áreas, o que deve atrair ainda mais interesse internacional. Sem uma estratégia clara de priorização ou mecanismos de política industrial associados à concessão desses direitos, o país corre o risco de aprofundar mais um modelo em que o controle das reservas minerais é definido antes mesmo de qualquer contrapartida em termos de industrialização, tecnologia ou agregação de valor no território nacional.
Nesse contexto, a presença de empresas brasileiras na fase de requerimentos também existe, mas é significativamente menor e menos estruturada. Companhias nacionais enfrentam limitações de capital, dificuldade de acesso a financiamento de risco e ausência de instrumentos públicos direcionados para minerais críticos. Enquanto grupos estrangeiros operam com suporte de fundos globais e, em muitos casos, com respaldo indireto de políticas industriais de seus países de origem, as empresas brasileiras ainda buscam espaço em um ambiente altamente competitivo e financeiramente intensivo.
O resultado é um cenário em que o Brasil pode estar transferindo, de forma antecipada, o controle sobre suas futuras jazidas estratégicas. Se na fase de produção o domínio estrangeiro já é evidente, a análise dos pedidos em tramitação mostra que essa lógica começa muito antes, no momento em que as áreas são requeridas e registradas. A colonização a que Lula se refere, nesse caso, não ocorre com ocupação física, mas com a captura gradual de direitos econômicos sobre recursos naturais.
A fila de processos na ANM, portanto, não é apenas um problema administrativo ou de capacidade operacional do órgão regulador. Ela é, na prática, um indicador de quem está desenhando o futuro da mineração estratégica no Brasil. E, até aqui, esse desenho tem sido feito majoritariamente fora do país.
Regulação do setor
As terras raras, insumos críticos para a indústria de alta tecnologia, energia limpa e defesa, colocam o país em posição privilegiada no mapa geológico. Mas a legislação vigente indica que essa vantagem pode não se traduzir em protagonismo econômico. Ao contrário, há sinais claros de que o país tende a repetir o papel de exportador de matéria-prima, com baixa captura de valor agregado.
O marco regulatório da mineração brasileira, baseado no Código de Mineração e em normas complementares da Agência Nacional de Mineração, estabelece obrigações formais para pesquisa, lavra e licenciamento ambiental, além da cobrança da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM). Trata-se de um modelo que garante arrecadação e algum nível de controle estatal sobre a atividade, mas que não avança sobre o ponto central da disputa contemporânea: a captura do valor econômico e tecnológico associado aos minerais estratégicos.
*Alguma semelhança com o Redata em discussão no Congresso Nacional?
Na prática as empresas, inclusive controladas por capital estrangeiro, podem obter autorização para explorar terras raras no país, cumprir exigências ambientais e pagar royalties que, em geral, variam entre 2% e 4% sobre o faturamento líquido. Não há, contudo, exigência de processamento industrial no território nacional, tampouco obrigações de transferência de tecnologia, desenvolvimento de cadeias produtivas locais ou integração com a indústria brasileira. Isso significa que o país pode extrair e exportar minerais críticos enquanto importa produtos de alto valor agregado, como ímãs permanentes, componentes eletrônicos e tecnologias associadas à transição energética.
Esse desenho regulatório cria um descompasso entre o potencial geológico e o posicionamento econômico do Brasil. Ao não estabelecer contrapartidas industriais, a legislação limita o país à condição de fornecedor de insumos, deixando para outros mercados como China, Estados Unidos e Europa as etapas mais lucrativas da cadeia. No caso das terras raras, essa lacuna é ainda mais relevante, já que a etapa de separação e refino, dominada globalmente pela China, é justamente onde se concentra o maior valor estratégico.
Outro ponto sensível é a ausência de uma política específica para minerais críticos. Diferentemente de outros países, que tratam esses recursos como ativos estratégicos e vinculam sua exploração a objetivos industriais e tecnológicos, o Brasil ainda os enquadra no regime geral da mineração. Isso impede a criação de instrumentos diferenciados, como restrições à exportação, exigências de conteúdo local ou incentivos direcionados à industrialização.
O resultado é um modelo que favorece a entrada de capital estrangeiro e acelera o desenvolvimento de projetos, mas não assegura que os benefícios econômicos permaneçam no país. Ao contrário, reforça uma lógica em que o Brasil participa da cadeia global de forma periférica, como fornecedor de matéria-prima. Nesse contexto, a legislação atual não posiciona o país como um player global relevante na indústria de terras raras, mas sim como mais um elo de base em cadeias produtivas controladas externamente.
A crítica do presidente Lula, de que o país corre o risco de uma nova forma de colonização econômica, encontra respaldo nesse arranjo. Não há perda de soberania territorial, mas há transferência de valor, tecnologia e controle econômico. Sem mudanças estruturais na legislação e na política industrial, o Brasil tende a repetir, em pleno século XXI, o padrão histórico que marcou sua inserção na economia global: exportar recursos naturais e importar desenvolvimento.
O que faz o CNPM?
No último dia 6 de novembro do ano passado este blog registrou que o Ministério de Minas e Energia (MME) publicou a Resolução nº 1/2025 do Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM), aprovando o novo Regimento Interno do órgão. O Conselho passou a ser a principal instância de assessoramento direto da Presidência da República na formulação de políticas e diretrizes do setor mineral. Mas desde então ´pouco se sabe sobre o que tem feito este conselho na direção de uma política industrial e reformulação da regulação do setor mineral. A Renovação do CNPM veio acompanhada de regras rígidas de participação – que no caso da sociedade é restrita – e impos sigilo absoluto sobre tudo o que tem sido tratado.
Desde a publicação da matéria do blog houve avanços concretos. O conselho foi efetivamente instalado, grupos de trabalho começaram a operar e o tema dos minerais críticos passou a ocupar a agenda governamental. Mas o que vem sendo discutido e qual rumo o país está pensando em tomar não é dito oficialmente. E isso agrava a possibilidade de o Legislativo acabar errando numa proposta de regulação do setor, que manterá o Brasil condenado à exportador de matérias primas.
Projeto de Lei
Em paralelo a agenda do CNPM, o Congresso Nacional passou a trabalhar com o PL 2.780/2024 de autoria do deputado Zé Silva (Solidariedade-MG), que conta com outras prpropostas de leis apensadas. A metéria está pronta para ir para o plenário da Câmara, mas ainda não foi pautada a votação. E o conteúdo do projeto é ruim. Revela o eterno dilema central sobre o país sonhar em caminhar para se tornar um player global, enquanto apenas organiza na área regulatória uma nova roupagem para a função histórica de fornecedor de matéria-prima.
A proposta surge em meio à corrida global por insumos essenciais à transição energética, semicondutores e inteligência artificial, com o objetivo declarado de dar previsibilidade, segurança jurídica e atrair investimentos para o setor. Entre os principais instrumentos previstos estão incentivos fiscais e financeiros, criação de fundos garantidores para reduzir riscos de crédito e prioridade regulatória para projetos considerados estratégicos, inclusive com aceleração na análise pela Agência Nacional de Mineração.
Também há previsão de estímulo à pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico, além da possibilidade de integração com políticas industriais e ambientais. O projeto ainda estabelece critérios dinâmicos para definição do que são minerais críticos, permitindo que o governo atualize a lista conforme interesses estratégicos, e prevê mecanismos de planejamento de longo prazo e coordenação estatal. Em tese, esse ponto poderia aproximar o Brasil de modelos adotados por potências globais.
No entanto, a análise mais detalhada do texto revela limitações estruturais. Apesar de mencionar “transformação mineral” e agregação de valor, o projeto não estabelece obrigações concretas de industrialização no país, nem exige processamento local ou transferência de tecnologia. Na prática, os incentivos são direcionados à expansão da mineração e à atração de capital, sem condicionar esses benefícios à construção de uma cadeia produtiva nacional robusta.
Há também um elemento central pouco debatido: o próprio projeto foi concebido para inserir o Brasil nas cadeias globais de fornecimento de minerais críticos, respondendo à demanda de países desenvolvidos por matérias-primas estratégicas. Isso significa que, embora o discurso oficial fale em protagonismo, o desenho da política pode consolidar o país como elo fornecedor dessas cadeias; não como centro de decisão ou tecnologia. Ou seja, a tese do colonialismo dito pod Lula na reunião dos países da Celac faz sentido.
Outro ponto sensível é a articulação do projeto com interesses do setor mineral e de investidores internacionais. A ampliação de incentivos, a criação de instrumentos financeiros e a priorização de projetos estratégicos tendem a reduzir barreiras para grandes empresas, muitas delas estrangeiras, que já atuam no Brasil. Ao mesmo tempo, não há mecanismos claros que garantam vantagem competitiva para empresas nacionais ou que equilibrem essa disputa.
A proposta também abre espaço para uma atuação mais coordenada do Estado, mas dentro de uma lógica que privilegia a atração de investimentos e a segurança jurídica. Isso pode acelerar projetos e ampliar a produção, mas não necessariamente alterar a posição do Brasil na cadeia global de valor.
O resultado é um projeto que avança na organização institucional do setor e reconhece a importância estratégica dos minerais críticos, mas ainda não resolve o ponto central: quem ficará com o valor gerado por esses recursos. Sem exigências de industrialização e sem instrumentos claros de soberania econômica, o país pode sair desse processo mais eficiente na mineração, mas não mais relevante na economia global.
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