Por Osvaldo Matos*
Não precisa entender muito de economia e sociologia política para fazer uma previsão razoável do que poderá acontecer com o Brasil em cada um desses dois cenários.
Vou tentar resumir o que penso, com base na minha experiência profissional, na observação do mercado e no comportamento dos governos. Quem tiver dúvidas pode pesquisar, consultar os indicadores econômicos e tirar suas próprias conclusões.
Leia maisSe Flávio ganhar, acredito que a Bolsa de Valores terá uma reação muito positiva, com a entrada de investidores estrangeiros e a recuperação da confiança no Brasil. O dólar poderá cair, o risco do país diminuir e muitos empresários voltarão a enxergar boas oportunidades de investimento.
Com mais investimentos, juros menores e redução de impostos, novas empresas poderão ser abertas e as existentes terão condições de ampliar suas unidades produtivas. Isso significa empregos, renda, aumento da produção e mais dinheiro circulando na economia.
É assim que uma economia começa a recuperar sua capacidade de crescimento. Não adianta estimular o consumo se não houver produção suficiente para atender à demanda.
Se Lula ganhar, acredito que acontecerá o contrário. A Bolsa poderá cair, o dólar subir e muitos investidores poderão procurar outros mercados. As agências de classificação de risco observarão com ainda mais atenção as contas públicas, e grandes empresas poderão suspender investimentos ou direcioná-los para outros países.
O resultado poderá ser mais desemprego, inflação, preços elevados e perda do poder de compra. Dependendo da condução econômica, não descarto um período de recessão.
E existe uma questão que considero ainda mais grave.
Se Lula ganhar e continuar aumentando as despesas públicas, de onde sairá o dinheiro para obras, investimentos, saúde, educação, segurança, aposentadorias e salários dos servidores?
O governo já tem enormes dificuldades para equilibrar suas contas. A dívida pública cresce, os juros consomem recursos que poderiam ser destinados a investimentos e a população continua pagando impostos elevados sem receber serviços públicos na mesma proporção.
Se a atividade econômica diminuir, a arrecadação ficará comprometida. A inadimplência poderá aumentar e as empresas terão ainda mais dificuldades para produzir, vender e contratar.
Não existe milagre em economia. Quando as despesas crescem acima da capacidade de financiamento do Estado, a conta aparece em algum lugar. Pode ser no aumento dos impostos, na inflação, no endividamento ou na redução dos investimentos.
E quem paga é o povo.
Se Flávio ganhar, espero que tenha coragem para fazer uma ampla reforma do Estado. Cortar despesas desnecessárias, eliminar estruturas que não produzem resultados, combater a corrupção, reduzir impostos e criar condições para que o setor produtivo volte a investir.
O Brasil precisa aumentar suas exportações, fortalecer a indústria, ampliar a produção agrícola, atrair empresas estrangeiras e aproveitar melhor as oportunidades comerciais com outros países.
Tenho 36 anos de experiência de mercado e aprendi que nenhuma organização consegue crescer de maneira saudável gastando mais do que pode e deixando de investir naquilo que produz resultados.
O Estado tem suas particularidades, mas não está dispensado de fazer contas.
Se Lula ganhar, minha preocupação também será com a segurança pública.
A criminalidade organizada está cada vez mais poderosa. Existem comunidades onde o tráfico determina quem entra, quem sai, quem pode trabalhar e até como as pessoas devem viver.
Enquanto isso, continuamos discutindo benefícios penais, progressão de pena e saídas temporárias, muitas vezes deixando em segundo plano o sofrimento das vítimas e suas famílias.
Não concordo com um sistema que permite a determinados criminosos condenados por crimes gravíssimos voltar à liberdade antes de cumprir integralmente suas penas.
Também considero necessária uma revisão da legislação aplicada aos adolescentes que cometem homicídios, estupros e outros crimes violentos. Hoje, um jovem de 16 ou 17 anos pode cometer um crime dessa natureza e ficar submetido a uma internação socioeducativa limitada a três anos.
Quem perdeu um filho, uma filha, um pai ou uma mãe para a violência dificilmente considera isso uma resposta suficiente.
Se Flávio ganhar, espero mudanças profundas nessa área.
Defendo o endurecimento das penas para crimes violentos, a revisão das regras de progressão, mudanças nas audiências de custódia e maior rigor contra criminosos reincidentes.
Defendo também que os recursos e bens apreendidos das organizações criminosas sejam utilizados, nos limites da legislação, para reparar os prejuízos das vítimas e de suas famílias.
Mas existe outra questão que me chama muito a atenção: a tecnologia.
O Brasil poderia utilizar muito mais inteligência artificial, drones, sensores, câmeras inteligentes e sistemas integrados de informação na segurança pública.
Estamos falando de um país com dimensões continentais, milhares de quilômetros de fronteiras e organizações criminosas que movimentam bilhões de reais.
Não podemos continuar combatendo estruturas criminosas altamente organizadas utilizando métodos ultrapassados e informações que muitas vezes nem sequer são compartilhadas entre os órgãos de segurança.
Precisamos integrar nossas polícias, investir em inteligência e monitoramento, utilizar tecnologia para prevenir crimes e identificar a movimentação financeira das organizações criminosas.
Também considero fundamental ampliar a cooperação com os países das Américas para enfrentar o narcotráfico, o tráfico de armas e as organizações criminosas transnacionais, inclusive discutindo instrumentos jurídicos mais rigorosos de combate a esses grupos.
Não basta prender o traficante da esquina enquanto os responsáveis pelo financiamento e pela estrutura das organizações continuam movimentando dinheiro.
É preciso atingir o comando e, principalmente, o dinheiro do crime.
Vou ficar por aqui para não tornar este artigo cansativo. Poderia continuar falando sobre educação, saúde, infraestrutura, relações internacionais e administração pública, mas acredito que esses exemplos sejam suficientes para explicar minha preocupação com o futuro do Brasil.
Na minha avaliação, estamos diante de dois caminhos bastante diferentes.
Acredito que Flávio poderá representar uma mudança importante na condução econômica e administrativa do país. É jovem, tem a oportunidade de reunir uma equipe de ministros técnicos e poderá estabelecer relações mais próximas com países que defendem a liberdade econômica e o fortalecimento da iniciativa privada.
É claro que tudo dependerá das decisões que tomar, da equipe que escolher e da capacidade de conseguir apoio político para executar as mudanças.
Quanto a Lula, não vejo motivos para acreditar que um novo mandato representará uma mudança profunda na maneira como administra o país. Minha expectativa é de continuidade de um modelo que considero excessivamente dependente dos gastos públicos e pouco comprometido com a redução do tamanho do Estado.
Posso estar errado em algumas previsões. Economia não é uma ciência de resultados automáticos, e nenhum presidente controla sozinho o mercado, o Congresso ou os acontecimentos internacionais.
Mas tenho minhas convicções, construídas ao longo de muitos anos de trabalho, estudo e observação da realidade brasileira.
E uma delas é que não existe prosperidade duradoura sem produção, investimento, segurança e respeito ao dinheiro de quem trabalha.
Quem governa pode fazer promessas. Quem produz precisa pagar a folha de salários, os fornecedores, os impostos e todas as demais despesas, independentemente de como esteja a economia.
E quem vive do próprio trabalho sabe muito bem o que significa chegar ao final do mês e descobrir que o dinheiro não foi suficiente.
Por isso, quando penso nesses dois cenários, não penso apenas em quem estará ocupando a Presidência da República.
Penso no empresário que poderá fechar as portas, no trabalhador que precisa de emprego, na família que não consegue pagar suas contas e no cidadão que tem medo de sair de casa.
É sobre essas pessoas que as decisões de governo produzem consequências.
Tenho minha posição e não escondo.
A escolha é sua. Mas as consequências não serão apenas suas. Serão de todos os brasileiros.
*Publicitário, cientista político e social
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O prefeito Lula Cabral anunciou, pelo segundo ano consecutivo, o pagamento de um bônus de R$ 1 mil aos professores da Rede Municipal do Cabo de Santo Agostinho pelo Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro. Serão contemplados 2.354 professores ativos em sala de aula, efetivos e contratados, admitidos até setembro de 2026. A medida soma-se aos investimentos da gestão em formação, intercâmbios e melhores condições de trabalho para os educadores.
Neste ano, Lula Cabral viabilizou a primeira edição do Programa Professores sem Fronteiras, com uma imersão de dois meses na Universidade de Aveiro, em Portugal, para oito professores da Educação Básica e dois integrantes da equipe técnico-pedagógica. Realizada no primeiro semestre, a iniciativa tornou o Cabo o primeiro município brasileiro a firmar convênio com a instituição portuguesa para esse programa.
Leia maisA gestão também retomou o Programa Do Cabo para o Mundo, que selecionou dois professores e 16 estudantes para intercâmbio educacional em Córdoba, na Argentina. Os docentes retornaram nesta semana, após um mês de estudos. O programa custeia passagens aéreas de ida e volta, seguro-saúde, translados, hospedagem e auxílio financeiro.
Para apoiar o trabalho em sala de aula, os professores receberam, no início do ano, kits pedagógicos com mochila, agenda, apagador, pincéis para quadro branco, borracha, caderno, canetas, estojo, squeeze e outros materiais.
A valorização dos profissionais também marcou o primeiro ano da gestão. Em 2025, além do bônus de R$ 1 mil pelo Dia do Professor, Lula Cabral garantiu um benefício de R$ 600 para utilização na 15ª Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, contemplando 3.044 profissionais, entre educadores, técnicos e servidores da Secretaria Municipal de Educação.
Ainda em 2025, o prefeito quitou cerca de R$ 20 milhões em salários atrasados deixados pela gestão anterior e pagou valores pendentes do Programa de Bônus por Desempenho Educacional (PROBON), referentes a 2023.
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O deputado federal Eduardo da Fonte (PP), coautor da proposta pelo fim da escala de trabalho 6×1, comemorou a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 221/2019) pelo Senado Federal, na noite de ontem. A matéria foi aprovada em dois turnos, com 75 votos favoráveis e apenas um contrário, e segue para promulgação.
A proposta extingue o modelo de seis dias de trabalho para um de descanso e estabelece a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial. O texto também prevê dois dias de descanso remunerado por semana, preferencialmente incluindo o domingo.
A mudança será implementada de forma gradual. Dois meses após a promulgação, a jornada máxima semanal será reduzida para 42 horas. Após mais um ano, chegará ao limite de 40 horas semanais. Para Eduardo da Fonte, a aprovação representa um avanço na valorização dos trabalhadores brasileiros, ao reconhecer a importância do descanso, da convivência familiar e da qualidade de vida.
O Grupo Globo anunciou, hoje, o desligamento de Frederic Kachar (na foto, à esquerda), diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio da empresa. A demissão do profissional foi anunciada após vazamento de mensagens polêmicas trocadas entre ele e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde março.

Em comunicado à imprensa, o Grupo Globo afirmou que o conteúdo das conversas privadas mantidas entre Frederic Kachar com Daniel Vorcaro entre outubro de 2023 e julho de 2025 “revela uma relação inadequada do executivo com um anunciante”. As informações são do portal Metrópoles.
Leia mais“A Editora Globo reforça seu compromisso com a ética e a transparência e reafirma a absoluta independência editorial do jornalismo de seus veículos, premissa essencial de sua atuação”, disse o Grupo Globo, por meio de nota.
A empresa afirmou que teve acesso, ontem, ao material vazado. “O protagonismo da cobertura crítica, isenta e independente que tem feito do caso Master é a demonstração concreta do compromisso inegociável de seus veículos com os Princípios Editoriais do Grupo Globo”, ressaltou.
“A empresa reconhece os 29 anos de dedicação de Kachar ao desenvolvimento de seus negócios de mídia e informa que o nome de seu substituto à frente da Editora Globo e do Sistema Globo de Rádio será divulgado em breve”, encerrou o Grupo Globo.
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Uma comissão mista do Congresso Nacional aprovou, hoje, o parecer de uma medida provisória que torna obrigatório o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) para estudantes de Medicina. O texto tem até amanhã para ser votado nos plenários Câmara dos Deputados e no Senado. Caso contrário, a medida provisória perde a validade.
O parecer aprovado é do deputado Doutor Luizinho (PP-RJ), relator da proposta. A medida provisória que instituiu o exame foi editada pelo governo em junho. O Enamed é uma prova anual aplicada desde 2025 pelo MEC por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para avaliar a formação médica no Brasil.
Leia maisO exame vai aferir a proficiência dos estudantes de medicina e avaliar os cursos de graduação a partir da média acumulada nas etapas, com peso maior para a última avaliação. O texto original da medida provisória previa duas provas durante a graduação. O texto aprovado, entretanto, propõe três etapas de avaliação, realizadas:
Os critérios de aprovação e o nível de desempenho exigido ainda serão definidos por uma comissão responsável. Os participantes que não obtiverem nível proficiente após o resultado final do Enamed poderão refazer a terceira etapa do exame em outras edições.
Os médicos graduados com diploma reconhecido nacionalmente e obtido antes da publicação da medida provisória, em 19 de junho de 2026, não serão submetidos ao Enamed.
Os médicos formados em instituições estrangeiras que tenham sido aprovados na primeira etapa do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira (Revalida) até a data de publicação da MP também não serão submetidos ao Enamed. Eles permanecerão habilitados a realizar o exame de habilidades clínicas nas duas edições seguintes do Revalida.
A exigência de nível proficiente no resultado final do Enamed para o exercício da Medicina não se aplica aos estudantes que já estavam matriculados em cursos de graduação em Medicina no Brasil antes da publicação da MP. Esses estudantes permanecerão submetidos às normas vigentes à época de seu ingresso na instituição de ensino superior.
A nota individual obtida no resultado pelo participante que alcançar nível proficiente no Enamed também poderá ser utilizada no processo seletivo para ingresso direto em programas de residência médica.
Os cursos de graduação em medicina receberão um conceito anual, calculado com base na proporção de estudantes que alcançarem nível proficiente na terceira etapa do Enamed. Um resultado insatisfatório levará à abertura de processo de supervisão e à aplicação de medidas.
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Do G1/PE
Uma delegada do Pará foi presa, hoje, numa operação interestadual que investiga tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio, além de corrupção de agentes públicos.
Segundo o Ministério Público do Pará (MPPA), que auxiliou nas investigações, Maria Virgínia Grimwood Pinto é suspeita de repassar informações sigilosas à facção Primeiro Comando da Capital (PCC).
Leia maisA Operação Sinalagma foi deflagrada pela Polícia Civil de Pernambuco. A delegada foi presa em Brasília, num hotel onde estava hospedada. Também há mandados de prisão cumpridos em Belém, São Paulo e no Recife.
Um dos suspeitos foi encontrado em um apartamento de luxo no Cais José Estelita, no bairro do Cabanga, na área central da capital pernambucana.

Conforme as investigações, Maria Virgínia Grimwood Pinto mantinha “laços de intimidade e confiança” com um membro do PCC. Ela, que atuava na Divisão de Polícia Administrativa da Polícia Civil do Pará, teria recebido dinheiro em troca de informações sigilosas e proteção institucional a membros da facção.
As investigações também apontam indícios de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio por meio de contas de terceiros, com a finalidade de esconder a origem dos valores e repassá-los à delegada.
Segundo a Polícia Civil de Pernambuco, as investigações foram iniciadas em janeiro de 2025, com a prisão de um membro da cúpula do PCC em Ipojuca, no Grande Recife.
Nesta quinta-feira, são cumpridos, ao todo, três mandados de prisão, além de 11 de busca e apreensão e ordens judiciais de sequestro de bens e bloqueio de ativos financeiros. Todos foram expedidos pela ara Criminal da Comarca de Ipojuca. Os nomes dos outros envolvidos não foram divulgados.
Os crimes apurados são corrupção passiva e ativa, violação de sigilo funcional e falsidade ideológica. Entre os órgãos que participam da Operação Sinalagma, além das Polícias Civis de Pernambuco, do Pará e de São Paulo, estão os Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaecos) desses três estados, vinculados ao Ministério Público. A Força Integrada de Combate ao crime Organizado no Distrito Federal (Ficco-DF) também atua na operação.
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O Globo
Em uma vitória política do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva, o Senado aprovou ontem, com apoio do PT ao PL, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1. O texto garante dois dias de folga aos empregados formais e reduz a jornada máxima de 44 horas semanais para 40. Após tecer reiteradas críticas à iniciativa, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), oponente de Lula na disputa pelo Palácio do Planalto, mudou de posição e também se juntou à maioria da Casa, que deu aval à PEC por um placar de 75 a 1 – tanto em primeiro quanto em segundo turno.
Com o resultado, a PEC deve ser promulgada na próxima terça-feira. Em publicação nas redes, Lula disse que era o momento de “comemorar uma conquista histórica de milhões” de trabalhadores.
Leia mais“O fim da 6×1 é mais do que uma mudança na jornada. É mais tempo para viver, descansar, estar com a família, acompanhar os filhos crescerem, cuidar de si e aproveitar a vida”, escreveu o presidente. No plenário do Senado, após o placar ser anunciado, parlamentares puxaram o coro de “olê, olê, olá, Lula, Lula”, dando o tom de euforia que deve ser transferido à campanha petista na reta final do segundo turno presidencial.
Do outro lado, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro vem tentando conter eventuais desgastes que possam prejudicar a posição de liderança conquistada no primeiro turno. Sem comparecer aos debates no plenário, registrou sua posição favorável de forma remota, em Porto Alegre, onde tinha agenda de campanha, apesar de ter se manifestado anteriormente contra.
Marinho não vota
Em plenário, o PL votou sim de forma unânime, mas com a ausência de três parlamentares, entre eles o coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), que havia apresentado uma alternativa à proposta abraçada pelo governo. Durante a votação, mesmo votando a favor, parlamentares da oposição fizeram ressalvas à iniciativa e afirmaram que a mesma legislação poderia ser alterada no caso de uma vitória eleitoral de Flávio, ideia levantada até mesmo pelo próprio candidato.
O único a votar contra foi o ex-vice-presidente de Jair Bolsonaro, o senador Hamilton Mourão, eleito pelo Republicanos do Rio Grande do Sul.
O líder do PL, Carlos Portinho (RJ), ironizou governistas ao liberar a sua bancada: – Vocês não vão ver um “sim” do Lula no painel. Vão ver um “sim” do Flávio.
Já Jorge Seif (PL-SC) fez coro aos colegas, e defendeu a proposta de jornada flexível, diferente do texto em votação: – Temos que nos preocupar com o trabalhador, mas também com as empresas que geram empregos.
Líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE) criticou os adversários pela adesão de última hora: – Depois de tanta coisa que ouvi, preciso repetir: prestem atenção! Esses votos não vêm solteiros. Alguns vêm casados com a coerência de sempre defender o fim da escala 6×1. Historicamente defendi a luta dos trabalhadores. Agora, há votos que estão vindo para Flávio melhorar na eleição. Mas esses votos vão mudar depois.
Líder do PSB, o senador Cid Gomes (CE) disse durante a sessão que Lula ganharia a eleição, e emendou: – Fora Bolsonaro!
Dificuldade reconhecida
De forma reservada, integrantes da campanha de Lula relativizam o impacto eleitoral da aprovação da PEC. Há o entendimento de que a nova regra destinada a trabalhadores com carteira de trabalho não será suficiente para operar uma virada no segundo turno – Flávio teve 47,03% dos votos válidos no primeiro, e Lula, 45,16%.
Na avaliação de interlocutores de Lula, a aprovação da medida pode já estar precificada no eleitorado e não ter efeito em pesquisas, especialmente por não impactar o eleitor “autônomo”. Por isso, o governo também atacou essa frente anteontem, ao anunciar o perdão de dívidas aos MEIs, os microempreendedores, e com a promessa de até mesmo um Pix de R$ 5 mil a cada dos cadastrados nessa modalidade. No Brasil, há atualmente 17 milhões de MEIs ativos.
A expectativa é que a participação de Lula nos debates da Band, no próximo domingo, e da TV Globo, dois dias antes do pleito, possam produzir oscilações positivas para o petista.
Na campanha de Flávio, a mobilização de apoiadores de Lula nas ruas e nas redes sociais nas últimas semanas surpreendeu e levou o candidato a rever decisões para evitar um revés no segundo turno.
Em dois dias, o senador anunciou que votaria a favor do fim da escala 6×1, depois de meses de críticas à proposta, e voltou atrás na decisão de não participar do debate da Band. Segundo pessoas próximas, Flávio passou a ser cobrado a sair do “jogo parado”, ou seja, abandonar a postura passiva diante da vantagem obtida no primeiro turno.
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O líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), apresentou uma sugestão de alteração à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança com o objetivo de reduzir a maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos. A proposta está na pauta do plenário do Senado de hoje.
A mudança sugerida por Camilo Santana é uma reação à proposta apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que reduz a maioridade penal para 16 anos na maior parte dos crimes e para 14 anos em uma lista de crimes graves. Marinho é coordenador da campanha presidencial do também senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que publicou um vídeo defendendo a mudança.
Historicamente, a bancada governista no Congresso sempre se posicionou contra a redução da maioridade penal. Um dos principais argumentos é de que o sistema carcerário brasileiro ficaria ainda mais sobrecarregado e que a ida de jovens para esses presídios os colocaria em contato direto com facções criminosas. O período eleitoral, no entanto, pode impactar a discussão. A proposta vai a votação a dez dias do segundo turno das eleições presidenciais e tem o apoio de 61% da população, segundo pesquisa Quaest desta terça-feira (14).
Por Tales Faria – Correio da Manhã
A equipe de campanha de Flávio Bolsonaro (PL), se dobrou ao “tudo ou nada” da reta final da eleição, mas está preocupada em evitar que a perda de credibilidade acabe tirando votos do candidato a presidente da República.
As idas e vindas das declarações do candidato tiveram a concordância de sua equipe. Até foram incentivadas como única possibilidade em algumas situações, mas, segundo pesquisas internas, não convenceram a uma parcela de seus possíveis eleitores.
Leia maisPor exemplo: o candidato teve que sinalizar em conversas reservadas com empresários de São Paulo, com quem se encontrou nesta quarta-feira, 14, que seu eventual governo poderá rediscutir o projeto de livre negociação da escala de trabalho entre patrões e empregados.
Ele vinha defendendo outro texto, apresentado ao Congresso pelo seu coordenador de campanha, o senador Rogério Marinho (RN), mas foi derrotado com a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que aprovou a derrubada da escala 6×1 com a adoção da chamada escala 5×2 – cinco dias de trabalho semanais por dois de folga.
O candidato do PL chegou a se manifestar publicamente contra a 5×2 e a favor da flexibilização proposta por Marinho, mas acabou anunciando que votaria a favor do projeto do governo. Seu adversário na campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que é candidato à reeleição, o havia desafiado a “mostrar a cara” aos eleitores votando “contra o povo” na noite desta quarta-feira.
Lula sabia que Flávio entraria em choque com a maioria do eleitorado, que defende a derrubada da 6×1, se votasse contra a proposta. Por isso ele mudou o voto. Mas o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcanti (RJ), deixou claro em entrevista à imprensa que, se vitorioso nas urnas, o governo Bolsonaro irá retomar a flexibilização.
A credibilidade do candidato já vinha ameaçada pelo escândalo envolvendo o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Antes de o ex-banqueiro ser preso, em março, Flávio dizia que os dois não tinham qualquer envolvimento. Em maio, foram reveladas mensagens entre o senador e Daniel Vorcaro. De início, o candidato negou que elas existiam. Depois, admitiu que conversou com o ex-banqueiro, mas negou qualquer irregularidade e insistiu que prestaria contas do dinheiro que pediu e recebeu de Vorcaro, mas acabou afirmando que não cabia a ele prestar contas.
Isso sem contar o caso do debate com Lula a ser transmitido pela Band no próximo domingo, 18. Na terça-feira, 13, enquanto o presidente Lula anunciava que estaria presente, Flávio Bolsonaro afirmou que não iria. No dia seguinte, diante da insistência da emissora em manter o programa, ele se saiu com uma explicação quase infantil:
“Lula, como você é previsível, né? Bastou eu falar que não ia no debate da Band para você, no minuto seguinte, falar que vai no debate. É claro que eu vou no debate, eu só queria que você confirmasse”.
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O candidato a vice-presidente da República na chapa de Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar, participou, na noite de ontem (14), de uma moto-carreata e caminhada em Carpina, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. O ato reuniu apoiadores da candidatura presidencial e lideranças políticas que integram a campanha no estado.
Durante a mobilização, Alfredo Gaspar destacou a recepção dos participantes e afirmou que Pernambuco e os demais estados do Nordeste terão atenção especial em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. O candidato também fez críticas à gestão do presidente Lula (PT) e defendeu mudanças na condução das políticas públicas voltadas à região.
Leia maisEntre as propostas mencionadas por Gaspar estão o fortalecimento da segurança pública, o combate às facções criminosas e a ampliação de investimentos para estimular a geração de empregos e o desenvolvimento econômico. Segundo ele, o enfrentamento ao crime organizado será uma das prioridades da chapa, caso seja eleita.
A mobilização contou ainda com a presença do deputado federal Mendonça Filho (PL), do deputado federal eleito Gilson Machado (Podemos) e do deputado estadual eleito Gilson Filho (Podemos). O evento integrou a agenda de campanha da chapa de Flávio Bolsonaro em Pernambuco.
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Por Luiz Queiroz – Capital Digital
O governo federal chega ao fim de 2026 com uma contradição difícil de ignorar na política de segurança digital. Enquanto o Tribunal de Contas da União constata que nenhuma das 239 organizações federais com avaliações completas conseguiu implementar integralmente sequer o conjunto básico de medidas considerado necessário para proteção contra os ataques cibernéticos mais comuns, a estrutura nacional que o próprio governo chegou a considerar necessária para coordenar, regular e fiscalizar a cibersegurança continua sem existir.
O Acórdão 2.829/2026, aprovado ontem (14) pelo TCU, reconhece que houve evolução desde a auditoria realizada em 2024, mas conclui que a situação “continua de alto risco”. Nenhuma das organizações avaliadas alcançou integralmente o chamado IG1, sigla para Implementation Group 1, ou Grupo de Implementação 1, dos CIS Critical Security Controls. A denominação técnica pode esconder a dimensão do problema. O Center for Internet Security, responsável pelo padrão utilizado como referência, denomina esse primeiro grupo de Essential Cyber Hygiene, ou “higiene cibernética essencial”. São 56 medidas fundamentais destinadas à proteção contra os ataques mais frequentes.
Leia maisNão se trata, portanto, de um padrão reservado a sistemas militares, infraestruturas ultrassensíveis ou organizações submetidas a ataques excepcionalmente sofisticados. É o primeiro patamar de defesa cibernética. É isso que torna o resultado particularmente relevante. O problema encontrado pelo TCU não é que os órgãos federais tenham deixado de alcançar um nível avançado de segurança. Nenhuma das 239 organizações com respostas completas conseguiu implementar integralmente nem mesmo esse conjunto básico de proteção.
Os números, por outro lado, demonstram que houve progresso. Na auditoria anterior, apenas duas organizações tinham mais de 90% das 56 medidas implementadas e 14 superavam 70%. Agora, 12 passaram da faixa de 90% e 44 ultrapassaram 70%.
O avanço não foi suficiente para o TCU considerar atendida a recomendação feita em 2024. Para o Tribunal, o objetivo não é simplesmente aumentar a quantidade de controles implantados, mas reduzir a exposição aos ataques até um nível compatível com a continuidade dos serviços e das políticas públicas. Esse patamar ainda não foi alcançado. Acórdão e TC cibersegurança
Defesa básica
As deficiências encontradas ajudam a compreender o que significa não completar essa “higiene cibernética”. Não se está falando apenas de ferramentas sofisticadas destinadas a enfrentar grupos avançados de ransomware, operações patrocinadas por Estados ou ataques de alta complexidade. Entre os controles examinados estão providências elementares, como saber quais equipamentos estão conectados às redes, manter inventário dos programas utilizados, identificar softwares não autorizados, controlar o acesso aos dados, definir regras para retenção e descarte de informações e proteger dados críticos armazenados nos equipamentos dos usuários.
Apenas 43% das organizações alcançaram os níveis considerados completos ou aprimorados para inventário de ativos institucionais. No inventário de software, eram 42%. O percentual cai para 32% no tratamento de softwares não autorizados.
Na gestão de dados, os números são ainda menores. Somente 15% apresentavam nível completo ou aprimorado em processo de gestão de dados, 16% em inventário de dados, 22% nas regras de retenção, 11% no descarte seguro e 16% na criptografia de dados críticos nos dispositivos dos usuários.
Há, porém, uma ressalva no próprio trabalho do TCU que torna necessária ainda mais cautela na interpretação desses percentuais: a avaliação depende em grande medida daquilo que as próprias organizações declaram ter feito. O atual modelo do PPSI utiliza autoavaliações e a apresentação de evidências que demonstrem a efetiva implementação dos controles ainda não é obrigatória de forma generalizada.
Para o TCU, isso mantém o risco de uma organização informar um estágio de maturidade superior àquele que efetivamente possui e, com isso, formar uma falsa sensação de segurança.
A Secretaria de Governo Digital pretende endurecer o procedimento no ciclo de 2027. Para determinadas medidas que forem declaradas como implementadas, deverá passar a ser obrigatório registrar evidências. É um avanço, mas não elimina completamente a dependência da autodeclaração.
Isso acrescenta uma ressalva importante ao principal número da auditoria: nenhuma organização chegou aos 100% das medidas básicas e, mesmo nos percentuais declarados como implementados, o TCU ainda identifica dificuldades para comprovar documentalmente a efetividade de parte dos controles.
ANCiber
É nesse cenário que ganha peso a decisão política de não levar adiante a criação da Agência Nacional de Cibersegurança, a ANCiber, concebida pelo Gabinete de Segurança Institucional ainda no início do atual governo e que tem apoio para ser implementada no Congresso Nacional.
Em 2023, o GSI colocou em discussão uma arquitetura institucional bem mais robusta do que a existente hoje. A proposta incluía um Sistema Nacional de Cibersegurança, uma agência especializada, um Comitê Nacional de Cibersegurança, estrutura para gerenciamento de crises e um complexo nacional dedicado à área.
A ANCiber seria uma agência reguladora especializada. O primeiro desenho previa implantação gradual durante cinco anos e aproximadamente 800 servidores, sendo 550 especialistas em cibersegurança, 225 profissionais administrativos e 25 procuradores federais. Não se tratava de contratar todos imediatamente. A implantação começaria com 81 servidores e chegaria ao quadro completo somente no quinto ano.
Durante as discussões dentro do Executivo, a estrutura foi reduzida. O desenho posteriormente examinado pelo TCU apontava aproximadamente 687 cargos e custo anual próximo de R$ 540 milhões quando a agência estivesse completamente implantada. Mesmo reduzida, a proposta não prosperou.
A Casa Civil, na gestão Rui Costa, não encaminhou ao Congresso a estrutura legislativa necessária para criar a agência. Em dezembro de 2023, o governo instituiu pelo Decreto 11.856 a Política Nacional de Cibersegurança e criou o Comitê Nacional de Cibersegurança, o CNCiber, mas deixou a ANCiber de fora. A diferença é relevante, pois o CNCiber funciona como espaço de articulação e formulação de políticas. Já a ANCiber havia sido concebida como instituição permanente, dotada de corpo técnico próprio e capacidade regulatória, fiscalizatória e operacional.
As restrições fiscais acabaram pesando contra a agência. Posteriormente, o próprio GSI reconheceu a dificuldade de propor a criação de centenas de cargos e de assumir uma nova despesa permanente. O governo passou então a estudar um desenho menos oneroso, aproveitando instituições já existentes.
A discussão evoluiu para a criação de uma Autoridade Nacional de Cibersegurança, sem que isso necessariamente implique constituir uma nova agência. Entre as alternativas consideradas está entregar as atribuições a uma estrutura regulatória já existente. O governo, portanto, desistiu da instituição originalmente desenhada, mas não conseguiu eliminar a necessidade das funções que ela deveria desempenhar.
O novo monitoramento do TCU acrescenta um dado especialmente relevante a essa discussão. A estrutura atualmente encarregada de conduzir o PPSI (Programa de Privacidade e Segurança da Informação) enfrenta limitações para obrigar outras organizações federais a cumprir suas determinações. A própria SGD informou não possuir competência legal para aplicar sanções orçamentárias, funcionais ou de desempenho às altas administrações dos demais órgãos. O problema, portanto, não é apenas saber quem coordena a política.
É saber quem tem poder para fazê-la ser cumprida.
Entre os riscos que o TCU considera ainda existentes estão justamente a insuficiência dos mecanismos de enforcement, a falta de recursos financeiros para implantar medidas priorizadas e a inexistência de uma metodologia formal que diferencie organizações com tamanhos, funções e características muito distintas.
Isso não significa que a criação da ANCiber resolveria automaticamente essas deficiências, nem o TCU faz essa associação no acórdão. Mas a constatação recoloca a decisão política em perspectiva: o governo abriu mão de uma agência especializada alegando restrições financeiras enquanto a estrutura existente continua enfrentando falta de recursos e limitações de poder para fazer cumprir a política de segurança.
O contraste se torna ainda maior porque o próprio TCU já havia apontado, em fiscalização anterior, falta de prioridade nacional para a cibersegurança e questionado a paralisação da proposta institucional preparada pelo GSI.
A conta, portanto, não pode ser feita apenas sobre os aproximadamente R$ 540 milhões anuais que custaria a ANCiber plenamente implantada. Há também um custo potencial na manutenção de uma estrutura fragmentada e com capacidade limitada para impor padrões mínimos a uma administração cada vez mais dependente de sistemas digitais.
Falta pessoal
O dinheiro não é a única carência, segundo o TCU. Há um problema estrutural de pessoal especializado, limitações quantitativas e de qualificação tanto na Secretaria de Governo Digital quanto nas organizações integrantes do Sisp. A própria SGD reconheceu que a chegada de novos servidores não foi suficiente para suprir a demanda e apontou a necessidade de novos concursos e de ampliação da estrutura da carreira de Analista em Tecnologia da Informação.
Mesmo quando consegue contratar profissionais, o governo enfrenta dificuldade para mantê-los. O TCU registra elevada rotatividade nas equipes de tecnologia e considera que as medidas tomadas até agora não foram suficientes para reverter a evasão. O problema está associado, entre outros fatores, à capacidade de retenção e à atratividade da carreira. O tema já havia provocado outra manifestação do Tribunal: o Acórdão 1.475/2026 recomendou ao MGI medidas específicas para enfrentar os problemas da carreira de ATI.
A fragilidade chega ao comando da segurança da informação dentro de algumas instituições. Entre as 239 organizações que responderam ao levantamento, 15 ainda não possuíam gestor de segurança da informação formalmente designado. Houve uma melhora significativa, porque o problema atingia 21% das organizações na fiscalização anterior e caiu para cerca de 6%.
Mas as 15 organizações remanescentes estão em desacordo com as normas que exigem a designação. O TCU considera que a ausência dessa figura fragiliza a governança, pode produzir ações descoordenadas e controles inconsistentes e aumentar a exposição a incidentes. É mais um indicador de que parte dos problemas não está apenas na tecnologia disponível, mas na capacidade administrativa de organizar a própria defesa.
Avanços
O diagnóstico do TCU, porém, não é de paralisia. O Programa de Privacidade e Segurança da Informação 2.0, implantado a partir de mudanças normativas feitas em 2025 e 2026, corrigiu parte das deficiências encontradas na auditoria anterior. Foram criados indicadores para acompanhar a maturidade do programa, as responsabilidades da alta administração ficaram mais explícitas, a escala utilizada para avaliar a implementação dos controles foi aperfeiçoada e o acompanhamento passou a contar com o SisPPSI. Também houve reforço das regras relacionadas à gestão de riscos de privacidade e segurança da informação. Acórdão e TC cibersegurança
Parte dos riscos encontrados em 2024 foi mitigada e é justamente por reconhecer esses avanços que o Tribunal não trata a situação atual como equivalente à encontrada dois anos atrás.
O problema é que as providências adotadas não foram suficientes para reduzir todos os riscos a níveis aceitáveis, razão pela qual a recomendação dirigida à SGD foi considerada apenas parcialmente implementada. Essa distinção é importante. A política avançou, mas o nível de proteção ainda não acompanhou integralmente essa evolução institucional.
Omissões
O monitoramento também revelou problemas no cumprimento das obrigações mais elementares do programa. Nos ciclos 4/2025, 5/2025 e 1/2026 deveriam ter sido realizadas 743 entregas de diagnósticos e planos de ação. Em 45 casos, os diagnósticos não foram apresentados.
Isso não significa necessariamente 45 organizações diferentes, porque uma mesma instituição pode ter deixado de cumprir a obrigação em mais de um ciclo.
Para o TCU, a falta dos documentos não é mera falha burocrática. Sem os diagnósticos, fica prejudicada a capacidade de conhecer a maturidade das organizações, identificar onde estão os principais problemas e decidir onde recursos e ações corretivas precisam ser concentrados.
Mas desta vez, o Tribunal resolveu avançar sobre a responsabilidade dos dirigentes. O Plenário determinou a abertura de processo separado para apurar individualmente a atuação da alta administração das organizações responsáveis pelas entregas ausentes. A medida não significa condenação antecipada. Cada situação deverá ser analisada individualmente, com direito ao contraditório e à ampla defesa.
O ponto é particularmente relevante porque o próprio PPSI 2.0 reforçou a responsabilidade dos dirigentes pela segurança. A gestão do risco cibernético não deve ser tratada apenas como atribuição da equipe técnica ou do setor de TI.
Risco real
Há uma última fragilidade que o TCU considera necessário corrigir. O governo consegue perguntar a uma organização se ela possui um processo formal de gestão de riscos. Isso, entretanto, não responde à questão fundamental: o risco de um ataque cibernético está ou não em um nível que aquela organização considera aceitável?
Para o Tribunal, são duas coisas diferentes. Uma instituição pode ter comitês, procedimentos, formulários e processos formalmente instituídos e, ainda assim, continuar excessivamente exposta. Por isso, o TCU determinou que a SGD passe a incluir nos próximos ciclos perguntas capazes de verificar se a exposição efetiva aos ataques está em nível compatível com a continuidade dos serviços e das políticas públicas. Acórdão e TC cibersegurança
Parte das informações que permitiriam conhecer com maior precisão as fragilidades de cada organização continuará fora do alcance público. O TCU classificou peças do processo como reservadas justamente porque revelar quais controles não foram implementados por determinada instituição poderia oferecer aos atacantes um roteiro de vulnerabilidades.
Essa restrição também exige cuidado na leitura do resultado. O Tribunal não afirma que as 239 organizações estejam igualmente vulneráveis nem que todas estejam prestes a sofrer ataques. Há instituições que já superam 90% das medidas do IG1.
O que o monitoramento demonstra é suficientemente grave sem necessidade de extrapolação: 1 – nenhuma das organizações avaliadas conseguiu implementar integralmente o patamar de higiene cibernética básica; 2 – parte dos controles informados ainda depende de autodeclaração sem comprovação obrigatória; 3 – faltam profissionais especializados; 4 – 15 organizações sequer haviam formalizado um gestor de segurança; 5 – faltam recursos para determinadas medidas; 6 – e a estrutura coordenadora possui limitações para impor o cumprimento das regras.
Nesse quadro, a decisão de não criar a ANCiber deixa de ser apenas uma discussão sobre economia administrativa ou criação de cargos. O governo pode considerar aproximadamente R$ 540 milhões anuais um preço elevado para manter a agência especializada que chegou a propor.
Mas o diagnóstico do TCU mostra que existe outra conta, muito mais difícil de estimar: quanto custa manter um Estado cada vez mais digital sem conseguir assegurar nem mesmo que toda a sua estrutura alcance o patamar básico de proteção contra os ataques cibernéticos mais comuns?
*Essa pergunta deveria ser feita pelo governo brasileiro ao governo da França, agora sob um suposto “ataque” russo.
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Criado em Brasília, o Festival de Jornalismo chega ao Recife, no próximo dia 28 de outubro, no auditório da OAB-PE, em sua primeira edição no Nordeste. O evento já desperta grande interesse entre estudantes e profissionais da comunicação, com uma procura expressiva por inscrições, mas ainda há vagas disponíveis. A iniciativa da minha amiga, a jornalista Kátia Cubel, vai reunir profissionais da imprensa, professores, pesquisadores e representantes do setor para debater a formação jornalística, a ética, o combate à desinformação e os desafios da profissão.
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