Por Luiz Queiroz – do Capital Digital
Um comunicado divulgado pela Casa Branca em 7 de agosto expôs o tamanho da ofensiva montada pelo governo Donald Trump para reduzir a vulnerabilidade dos Estados Unidos em minerais críticos e ajuda a dimensionar o desafio que o Brasil enfrenta ao tentar transformar suas reservas, especialmente de terras raras, em instrumento para atrair indústria, tecnologia e processamento para o país.
Ao anunciar mais de US$ 2 bilhões em novos investimentos em mineração e projetos relacionados, a Casa Branca informou que o governo Trump já assinou ou aprovou, desde sua posse, 160 acordos no setor mineral, totalizando aproximadamente US$ 40 bilhões. O pacote anunciado na sexta-feira incluiu ainda mais de US$ 180 milhões destinados à formação de trabalhadores para a indústria mineral americana.
Leia maisO comunicado foi divulgado após Trump reunir representantes da indústria de mineração na Casa Branca, em encontro apresentado pelo governo americano como a maior mesa-redonda do setor em mais de 120 anos. Três investimentos anunciados ajudam a compreender o alcance da estratégia.
A Sila Nanotechnologies anunciou US$ 1,4 bilhão para ampliar a produção de materiais de silício-carbono usados em ânodos de baterias e células de íon-lítio na Califórnia. A Sunrise Energy Metals comprometeu US$ 400 milhões com o desenvolvimento da primeira mina primária de escândio dos Estados Unidos. E a Niron Magnetics anunciou US$ 150 milhões para ampliar em Minnesota a produção de ímãs permanentes fabricados sem terras raras.
Os projetos mostram que Washington não está procurando apenas novas minas. A estratégia americana alcança diferentes pontos da cadeia: extração mineral, processamento, materiais avançados, componentes para baterias, ímãs e tecnologias capazes até mesmo de substituir minerais considerados críticos. É a partir dessa ofensiva que precisa ser analisada a estratégia brasileira de usar suas reservas como instrumento de negociação com os Estados Unidos.
O problema para o Brasil não é falta de interesse americano. Washington continua investindo em projetos brasileiros e já comprometeu centenas de milhões de dólares em operações relacionadas às terras raras no país. O problema é que, simultaneamente, os Estados Unidos estão construindo alternativas suficientes para reduzir a dependência de qualquer fornecedor individual.
Essa diferença pode ser decisiva nas negociações entre os dois países. O governo Lula defende que o Brasil não repita com os minerais críticos o modelo histórico de exportação de matérias-primas de baixo valor agregado. A intenção é utilizar as reservas brasileiras, entre as maiores do mundo em determinados minerais, para negociar investimentos em processamento, separação, refino, metais, ligas, ímãs e outras etapas industriais.
A premissa brasileira é transformar vantagem geológica em poder de negociação. A estratégia americana segue uma lógica diferente: transformar diversificação geográfica, financiamento público e capacidade industrial em segurança de abastecimento.
Washington financia simultaneamente projetos no Brasil, nos próprios Estados Unidos, na África, Austrália e outros países aliados ou parceiros. Ao mesmo tempo, coloca recursos em processamento, estoques estratégicos e tecnologias destinadas a diminuir a vulnerabilidade americana a determinados minerais. O comunicado da Casa Branca de 7 de agosto é a expressão mais recente dessa política, mas não representa uma iniciativa isolada.
Em março de 2025, Trump determinou medidas para ampliar a produção mineral americana e acelerar projetos considerados estratégicos. O objetivo declarado pela Casa Branca era transformar os Estados Unidos em líder na produção e no processamento de minerais não combustíveis, incluindo terras raras.
Em janeiro de 2026, o governo avançou para a negociação de acordos com parceiros comerciais sobre minerais críticos processados e produtos derivados. Em julho, Trump reforçou a vinculação entre minerais, indústria de defesa e segurança nacional, determinando novas medidas para proteger as cadeias necessárias à fabricação de equipamentos militares.
A política americana, portanto, combina produção doméstica, acordos internacionais, financiamento de projetos no exterior, processamento industrial, estoques e substituição tecnológica. Isso altera a correlação de forças em uma eventual negociação com o Brasil.
Quanto maior o número de fornecedores disponíveis para os Estados Unidos, menor tende a ser a capacidade de qualquer país individual de usar exclusivamente o acesso às suas reservas para negociar instalação de fábricas, transferência de tecnologia ou participação maior nas etapas industriais da cadeia.
O Brasil continua relevante. Mas relevância não significa indispensabilidade. Essa diferença aparece concretamente nos projetos brasileiros já apoiados por Washington. Em Goiás, os Estados Unidos aprofundaram sua presença na Serra Verde, produtora de terras raras pesadas estratégicas como disprósio e térbio. No projeto Carina, também em Goiás, a DFC americana participa do financiamento.
O desenho industrial do Carina, porém, expõe o limite da estratégia brasileira. A previsão é produzir carbonato misto de terras raras no Brasil e encaminhá-lo para uma futura unidade da Aclara na Louisiana, onde ocorreriam etapas mais sofisticadas, como separação em óxidos e produção de metais e ligas.
Ou seja, o Brasil pode receber investimento, aumentar sua produção mineral e integrar-se à cadeia americana sem necessariamente capturar as etapas mais valiosas dessa cadeia. É nesse ponto que os interesses dos dois países começam a divergir. Brasília pretende utilizar sua riqueza mineral para desenvolver uma cadeia industrial. Washington procura garantir matéria-prima para construir e proteger sua própria cadeia industrial. A diferença se torna mais relevante porque os Estados Unidos possuem alternativas.
Rede global
A Casa Branca já formalizou acordos com alguns de seus principais parceiros. Em outubro de 2025, Estados Unidos e Austrália estabeleceram um marco bilateral para mineração e processamento de minerais críticos e terras raras. Os dois governos estabeleceram como objetivo apoiar cadeias envolvendo mineração, separação e processamento e previram pelo menos US$ 1 bilhão em financiamento para projetos em cada país.
Poucos dias depois, Washington estabeleceu com o Japão outro marco para minerais críticos e terras raras. O acordo prevê apoio governamental e privado por meio de empréstimos, garantias, participação acionária, contratos de compra e seguros, além da identificação conjunta de projetos considerados estratégicos.
A arquitetura americana, portanto, começou a ser construída antes do anúncio de 7 de agosto e está sendo progressivamente ampliada. Na África, os Estados Unidos financiam novos projetos minerais e infraestrutura. Congo e Zâmbia estão sendo incorporados a uma cadeia ligada ao Corredor do Lobito. No Malawi, Washington apoia um projeto de terras raras. Na Austrália, os americanos procuram garantir novas fontes de minerais e já estabeleceram uma parceria formal que inclui mineração e processamento.
Dentro dos próprios Estados Unidos, o governo Trump acelera produção, processamento e fabricação de materiais avançados. É nesse contexto que precisam ser interpretados os US$ 40 bilhões e os 160 acordos anunciados pela Casa Branca. Não se trata simplesmente de uma soma de investimentos em minas.
Washington está construindo uma rede destinada a reduzir vulnerabilidades em diferentes pontos da cadeia mineral. O anúncio da Niron Magnetics é particularmente ilustrativo. Enquanto Washington procura novas fontes de terras raras no Brasil e em outros países, também financia uma tecnologia de ímãs permanentes que pretende dispensar justamente as terras raras. A lógica é reduzir dependências por vários caminhos simultaneamente.
Brasil
Para Brasília, a consequência é direta. A simples existência das reservas brasileiras talvez não seja suficiente para garantir que os Estados Unidos incorporem aos acordos todos os objetivos brasileiros de política industrial, como maior conteúdo local, transferência de tecnologia e processamento no país.
Washington pode incorporar esses objetivos quando forem economicamente convenientes, politicamente negociados ou necessários para assegurar determinado mineral. Mas, quanto maior sua rede internacional de fornecedores, menor será a capacidade brasileira de utilizar exclusivamente suas reservas como elemento de negociação para obter essas contrapartidas.
Isso ganha importância adicional no momento de deterioração das relações entre Lula e Trump. A tensão política não provocou, até agora, uma retirada dos investimentos americanos em minerais críticos do Brasil. O levantamento dos principais projetos brasileiros mostra justamente o contrário: Washington continua financeiramente envolvido em ativos considerados estratégicos.
Mas o movimento global revelado pela Casa Branca mostra que os Estados Unidos também estão construindo uma política capaz de sobreviver a crises diplomáticas com fornecedores específicos. Uma deterioração das relações com Brasília não significa necessariamente que Washington precise abandonar o minério brasileiro. Mas também não significa que os americanos precisem esperar indefinidamente por um entendimento com o Brasil.
Podem acelerar projetos concorrentes.
Não significa que os Estados Unidos consigam substituir imediatamente todos os minerais brasileiros. Terras raras pesadas como disprósio e térbio continuam sendo ativos particularmente importantes, e projetos como Serra Verde possuem características difíceis de reproduzir rapidamente.
Mas Washington não precisa substituir completamente o Brasil. Precisa possuir alternativas suficientes para evitar dependência excessiva do país. Essa é uma das mensagens mais importantes que emerge do comunicado da Casa Branca.
Janela brasileira
A estratégia americana também introduz um componente de tempo na política brasileira. Hoje, a dependência ocidental da China cria uma oportunidade excepcional para países detentores de minerais críticos. Mas essa janela não necessariamente permanecerá aberta nas mesmas condições.
Novas minas entrarão em produção. Novas unidades de processamento serão construídas. Estoques estratégicos serão formados. Cadeias africanas e australianas poderão amadurecer. Tecnologias capazes de reduzir a utilização de determinados minerais continuarão recebendo investimentos.
O recurso continuará debaixo do solo brasileiro. O prêmio geopolítico associado à sua escassez, porém, pode diminuir. Por isso, o principal desafio brasileiro talvez não seja convencer Washington de que o Brasil possui minerais que os Estados Unidos desejam. Isso os americanos já sabem.
O desafio é transformar essa vantagem geológica em capacidade industrial enquanto a reorganização mundial das cadeias ainda aumenta o valor estratégico das reservas brasileiras. O comunicado da Casa Branca de 7 de agosto ajuda a dimensionar essa corrida.
Quando Washington anuncia mais de US$ 2 bilhões em novos projetos, US$ 180 milhões em formação profissional e informa ter alcançado 160 acordos que somam aproximadamente US$ 40 bilhões, sinaliza que sua resposta à dependência mineral não está concentrada em encontrar um novo fornecedor privilegiado. A resposta é multiplicar fornecedores, financiar diferentes tecnologias e reconstruir capacidade industrial dentro dos Estados Unidos.
É nesse ambiente que o Brasil negocia. A premissa brasileira é transformar concentração de recursos em poder de negociação. A resposta americana é construir diversificação suficiente para diminuir os riscos dessa concentração. Nesse cenário, as reservas brasileiras continuam extremamente valiosas, mas podem não ser suficientemente exclusivas para garantir, por si mesmas, que os objetivos brasileiros de industrialização sejam incorporados aos futuros acordos.
A questão central passa a ser quanto tempo o Brasil possui para converter riqueza mineral em indústria antes que a vantagem estratégica proporcionada pela atual escassez seja diluída pela diversificação que os Estados Unidos estão financiando em escala global.
*Portanto é preciso dosar o discurso de campanha, quando ele parte do governo central, para não fechar definitivamente as portas a uma futura boa negociação. Cautela e caldo de galinha não fazem mal à ninguém.
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Por Paloma Amado*
Sempre foi assim. Quando o dia não coincidia, a distância entre o dia dos pais e o aniversário de papai era de no máximo dois dias. “Quero dois presentes, nada de dar um só melhorzinho”, ele dizia rindo e a gente, criança ainda, corria para fazer um desenho, escrever uns versinhos. Hoje é dia dos pais, amanhã meu paizinho fará 114 anos, onde quer que ele esteja.
Meu presente foi especial este ano, valeu por muitos. Levei à Fundação Casa de Jorge Amado, no último dia da Flipelô, seu amigo querido, o poeta Carlos Pena Filho. Vieram do Recife trazendo a poesia, o amigo e sua trágica morte aos 31 anos Antônio Campos e Mário Hélio Gomes. Na nossa Festa do Livro, que na sua décima edição teve Myriam Fraga como homenageada, foi a poesia baiana, com seus braços abertos, recebendo a poesia pernambucana, dizendo: Você é de paz, pode entrar.
Leia maisFoi lindo, nem sei como contar. Aliás, não conto, o deslumbramento ficou para quem assistiu, plateia cheia. Não posso, no entanto, deixar de repetir aqui que Carlos foi meu amigo pessoal, eu menina de 8 anos, ele o grande e jovem poeta. Para ele fiz meu primeiro e único poema da vida — “Para Carlos Pena uma pluma, para uma pomba uma pena” —, em resposta aos belíssimos versos que recebi dele — “Só para Paloma esse verso é feito, pois só ela entende um verso desfeito” — honra e orgulho.
Homenageio meu paizinho transcrevendo o trecho, escolhido por Antônio Campos, do que escreveu ao saber da morte de seu amigo Carlinhos. “Porque eras simples como o pão e profundo como a água do rio, estavas plantado no chão de tua gente como certas plantas trepadeiras aparentemente frágeis, porém mais resistentes e permanentes que as grandes árvores. Eras a rosa e o musgo, a fruta sumarenta e o cacto de espinhos. Tua flor tinha riso e sangue, levavas nos ombros de toda fragilidade a dor e esperança de teu povo, sua solidão, o cangaço e a multidão no frevo. Foste tão tua gente que muito tempo vai passar antes que surja outro poeta assim, para ser tão amado por seu povo. Eras frágil de carne e osso, tão leve na balança, um vento mais forte podia te arrastar como uma folha de árvore ou um pedaço roto de poema. Por isso, talvez, sempre me deste a ideia de um anjo por amor perdido nas ruas do Recife. mas como eras denso de vida por dentro, como eras tão homem e tão povo, tão pernambucano e universal!”
Meu pai querido, eu te amo. Carlinhos entrou na nossa casa, Ângela Fraga o trouxe com Antônio e Mário Hélio. O presente que posso dar a você, não dois, mas um imenso, é cuidar do seu legado que dá sentido à minha vida.
Bom domingo a todos. E viva Myriam Fraga! Viva Carlos Pena Filho! Viva a Poesia! E viva meu pai, que escreveu poesia em prosa por toda a sua vida!
*Escritora e Presidente da Fundação Casa de Jorge Amado entre 2001 e 2003. Filha de Jorge Amado e Zélia Gattai.
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Fora da disputa por um novo mandato, o senador Fernando Dueire (PSD) deve declarar apoio à reeleição de Humberto Costa (PT), inclusive, já tem prefeitos que haviam declarado voto em Dueire que recebem essa orientação. O blog Dantas Barreto apurou que na Frente Popular, encabeçada pelo candidato a governador João Campos (PSB), já existe a expectativa para essa união. Amanhã (10), tem um “Encontro com Dueire”, às 11h, no Centro Debate, quando deve comunicar a decisão.
No período da pré-campanha, quando ele tentava se cacifar para compor a chapa da governadora Raquel Lyra (PSD), quase 100 gestores lhe hipotecaram apoio, em reconhecimento às ações e emendas parlamentares que chegaram aos municípios. Fernando Dueire figurou como suplente do senador Jarbas Vasconcelos (MDB) nas eleições de 2018, que foi eleito. Por motivo de saúde, o emedebista renunciou ao mandato e Dueire assumiu a titularidade, em setembro de 2023. Neste ano, trocou o MDB pelo PSD a convite de Raquel Lyra e passou a ser uma opção para a chapa majoritária. As informações são do blog Dantas Barreto.
No entanto, depois de muita espera e negociações, os escolhidos para disputar o Senado foram os deputados Túlio Gadêlha (PSD) e Eduardo da Fonte (PP). Fernando Dueire chegou a ser cogitado para a vice, mas Priscila Krause (PSD) foi mantida na vaga.
Fernando Dueire demonstrou insatisfação ao não comparecer à Convenção Estadual do PSD, que ocorreu no domingo passado. Nas pesquisas de intenção de votos, o senador apareceu com apenas um dígito.
Por Carlos Eduardo Queiroz Pessoa Motta*
Na condição de ex-seminarista católico diocesano, minha formação propedêutica foi realizada em Patos (PB). Era apenas um ano de discernimento vocacional, em preparação para o ingresso no Seminário Maior São João Maria Vianney, em Campina Grande (PB). Em 2000, dois proeminentes sacerdotes paraibanos foram formadores de minha turma: Padre Elias Ramalho e Padre Paulo Jackson Nóbrega, sendo este atual Arcebispo de Olinda e Recife. Ambos com mestrado e doutorado na Universidade Gregoriana de Roma, na Itália, e que marcaram minha jornada acadêmica e cristã.
Foi um momento breve, mas profundo de descobertas teológicas, pastorais, litúrgicas, vivência comunitária, bastante estudo e amadurecimento espiritual. Ciência e fé deveriam ser incorporadas inexoravelmente à compreensão de Deus, da sociedade e da própria humanidade no mundo. Nunca perdi a amizade com os dois intelectuais e guias espirituais de uma Igreja marcadamente dedicada aos pobres. Em Patos me dediquei à pastoral numa comunidade periférica violenta e muito carente. Em Campina Grande, inclui a equipe da pastoral carcerária, prestando serviços culturais e educacionais aos apenados nos presídios da cidade.
Leia maisDom Francisco era o Bispo da diocese afogadense, Dom Gerardo da igreja particular de Patos (PB) e Dom Luís Gonzaga da prelazia de Campina Grande (PB) criaram uma escola pastoral de sacerdotes e leigos dedicados a um cristianismo encarnado. Enquanto Bispos Conciliares, participaram do Pacto das Catacumbas, evento litúrgico realizado em Roma, durante o Concílio Ecumênico, realizado em Roma entre 1962 a 1965, por João XXIII, o Papa Bom.
Optaram por assumir o cristianismo despojado e vida austera, baseada na mística da espiritualidade das primeiras comunidades pobres do cristianismo primitivo. Ser pobre com os pobres para Cristo em busca de estabelecer o Reino de Deus não era apenas um mantra devocional, mas projeto de vida sacerdotal e eclesial.
Surgia um cristianismo pernambucano comprometido em superar os dilemas sociais do povo nordestino, com ação pastoral e formação política de militância cristã, sob liderança Arquidiocesana de Dom Helder Pessoa Câmara. No Sertão do Pajeú, o Concílio Vaticano II foi introjetado no âmago da teologia pastoral, litúrgica e catequética. Era preciso ser igreja peregrina com os pobres. A ortodoxia seria aprimorada com a ortopraxia em contato permanente com o povo pobre. A Igreja Católica deveria aprender a ser cristã com a experiência mística de fé da religiosidade, preferencialmente, popular. Um catolicismo imanente comprometido com a transformação da sociedade tornava-se missão radical e evangelicamente bíblica e politicamente cívica.
O nacionalismo desenvolvimentista prefigurava um vigoroso escopo de projeto de nação internamente soberana e internacionalmente independente. Uma visão de país estrategicamente pensado, desde a década de 60, com a implantação nacional do Movimento de Educação de Base (MEB) no Brasil, revigorava os movimentos sociais e pastorais. A educação, através das Escolas Radiofônicas, eliminaria a chaga social do analfabetismo galopante, que afetava os pobres, impedidos de votar. A Rádio Pajeú se tornava um dos maiores sistemas de rádio educação com maior número de alunos.
A impertinente diocese contribuiria com a construção de uma nova cidadania política para os trabalhadores rurais, alfabetizados com mais consciência crítica, lendo não apenas o mundo da vida, mas assumindo a responsabilidade de promoverem uma revolução política, econômica e cultural.
Através do sindicalismo rural surgiria uma nova classe política, com novo protagonismo histórico, contra o coronelismo espúrio, marcada pela autonomia de assumir um novo projeto de sociedade. Os pobres e trabalhadores do campo e da cidade começavam a pensar a histórica a partir de mais consciência de classe, considerando as contradições do processo de formação social.
Aprendi na prática a ser igreja com grandes Sacerdotes diocesanos com a contribuição de Pe. Luizinho, Pe. Edilberto, Pe. Otaviano, Pe. Josenildo, Pe. Aldo Guedes, Pe. Cláudio, Pe. Jorge, Pe. Claudivan e, mais recentemente, com meus contemporâneos Pe. Erinaldo e Pe. Mairton, entre tantos outros. Cada um e a seu modo enriqueceram o cristianismo militante de leigos conscientes político e socialmente. A religião pode e deve ser um sinal de transformação e libertação histórica de qualquer cidadão. Mas nunca de opressão e alienação!
Na Diocese de Santa Maria Madalena, a teologia profética de ação religiosa reivindicatória sempre dilacerou padrões morais de dominação cultural nefastos instituídos. Qualquer tipo de opressão é denunciado publicamente de acordo com os ensinamentos doutrinário do magistério da igreja católica. Do púlpito da Catedral do Senhor Bom Jesus dos Remédios, ressoava a catequese episcopal revolucionária, forjada pela reflexão exegética e voz profética inconfundível de Dom Francisco, diluída pelas ondas da Rádio Pajeú de Educação Popular no sertão pernambucano.
Desde Dom Motta, inclusive parente próximo de minha família Motta, os Bispos subsequentes, como Dom Pepeu e Dom Egídio, preservaram a fé cristã e protegeram a tradição católica, sem cair em armadilhas de persistentes crises societárias. A religião católica afogadense forma cristãos e cidadãos conscientes de seu protagonismo político e social sem fugir de sua missão de guardiã dos fragilizados na circunscrição canônica do Pajeú.
A defesa intransigente da dignidade humana por mais igualdade, oportunidade, paz e justiça referenda a Doutrina Social da Igreja do ser cristão como cidadão. O testemunho vivo da fé verdadeiramente cristã está plasmado à identidade católica. Ser e fazer integram-se ao poder de servir como missão do discipulado genuinamente cristão. Conquistar mais direitos e defender à vida contra a miséria da fome e a desgraça da morte deve unir qualquer cidadão.
Foi assim que a democracia conseguiu consolidar valores básicos que salvaguardaram uma ética minimamente civilizatória: liberdade, igualdade e fraternidade associados à justiça social e à paz emancipadora. Entre o mundo secular e o cristão, a cultura ocidental consagrou, com a participação da Igreja Católica e o laicato cristão, direitos fundamentais e constitucionais contra a barbárie.
Tentativas de desconstruir conquistas inalienáveis pairam sobre a sociedade a partir de regimes populistas autoritários revestidos de pseudodemocráticos, perversamente gestados sob o domínio tecnoburocrático inescrupuloso das chamadas Big techs (Google, Meta, Amazon, Apple e Microsoft), que desafiam fronteiras nacionais, regulamentações estatais e ameaçam os fundamentos das democracias ditas liberais.
As redes sociais são utilizadas para influenciar o voto popular, driblar o sistema político eleitoral e subverter a opinião pública, desestabilizando pactos sociais constituídos. Impera o caos da desinformação e fake news no contexto da pós-verdade. Neste cenário disruptivo o penoso processo de conquistas sociais encontra-se fragilizado.
Entretanto, opção preferencial pelos mais pobres fundamentou a trajetória de evangelização apostólica da tradição católica afogadense. No centro do projeto missionário de caráter pastoral, a autoridade eclesial na diocese sempre se dedicou a caminhar com o povo, formar, organizar e mobilizar os leigos para criar novas condições sociais, tendo em vista superar os desafios da violência, do ódio, da intolerância e do autoritarismo; sobretudo, contra a opressão da dominação ideológica para eliminar a mentira e qualquer tipo de desinformação.
A diretriz teológica de formação cristã é procurar permanentemente transcender o assistencialismo pastoral por meio de estratégias de implantação de políticas públicas estruturantes no âmbito da representatividade institucional de governabilidade civil. Cabe aos leigos cristãos reforçarem a responsabilidade social como critério religioso para testemunhar a fé da vida pastoral no meio de sua própria dinâmica de atuação profissional. Inclusive a Igreja Católica formulou alternativa de regime político de caráter social-democrático, assegurando direitos e preservando a garantias de bem-estar social atribuídas ao Estado com o desenvolvimento econômico na sociedade de mercado.
Por isso, o verdadeiro cristão evangelizador seria portador de uma fé convicta porque necessariamente esclarecida, independente de escolarização, mas por meio de conscientização. Além de incorporada à experiência do mundo secular como missão profética sem medo de denunciar e superar os desafios da contemporaneidade. Apesar de equívocos e até erros, avanços significativos foram alcançados com a ajuda decisiva diocesana do cristianismo católico afogadense e devemos lutar contra retrocessos civilizatórios. O medo da crise do presente não pode nos levar às incertezas e cairmos na tentação de reproduzir erros assustadores do passado!
Fé e esperança são virtudes morais distintivas do cidadão cristificado. Depois de quatro anos de marcante experiência de formação religiosa católica em seminários, tendo cursado Licenciatura em Filosofia à época, em 2004, resolvia deixar por vontade própria o projeto de vida sacerdotal para nunca mais abandonar a Igreja de Cristo.
Atualmente, é preciso combater o cristofascismo, alimentado por denominações religiosas até mesmo cristãs, que fomentam “Guerras Santas”, ocasionando divisões ideológicas no seio do cristianismo. Templos religiosos não podem ser usados como partidos políticos clandestinos. Cristo não estará nunca a serviço da violência, do medo e do ódio, nem a Palavra de Deus servirá de anúncio de discórdias, baseadas em mentiras e narrativas de fatos sistematicamente distorcidos.
Enquanto leigo casado e pai, vejo na figura de Dom Limacêdo Antônio da Silva a necessária e inequívoca tradição de renovação de Aliança inquebrantável entre Cristo, a Igreja e os Pobres, consubstanciada através revelação dos Textos Sagrados em defesa de toda sociedade. Um novo profeta em seu tempo. Não se trata de escolha política de uma liderança do mundo civil com múnus apostólico, como muitos querem descaracterizar o episcopado combativo de Dom Limacêdo Antônio, na Diocese de Afogados da Ingazeira e seu qualificado Clero, mas por necessidade existencialmente cristã e teologicamente católica, investidos de autêntico cristianismo que brota da força vivificante e sempre atualizada dos Evangelhos de Cristo.
A Igreja Católica sempre figurou inescapavelmente como farol luminoso enquanto guia espiritual e depuradora da racionalidade sociocultural da humanidade, sem, contudo, jamais abandonar sua missão profética de autoridade religiosa comprometida ideológica e unicamente com a verdade, proveniente da integração entre fé e razão. Contra a ideia de força sempre a força das ideias.
*Professor universitário, Mestre em Ciências Sociais e Doutor em Educação pela UFCG.
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A governadora Raquel Lyra (PSD) prestou queixa sobre uso de seus dados pessoais e sua imagem para pedidos de Pix. Ontem (8), ela divulgou vídeo nas redes sociais para alertar o crime e se colocando como vítima dos adversários políticos. Ela cita que sempre trabalhou honestamente, tendo passado por concursos públicos da Polícia Federal e Procuradoria. As informações são do portal Dantas Barreto.
“É impressionante até onde algumas pessoas estão dispostas a ir durante uma eleição. Pegaram meus dados pessoais, produziram um vídeo truncado com a minha imagem e começaram a pedir Pix em meu nome. Uma ação coordenada do gabinete do ódio, para espalhar informação falsa e tentar enganar as pessoas”, postou Raquel Lyra.
A governadora, que tenta a reeleição, não citou nomes, mas espera que a investigação policial descubra quem são os responsáveis. “Mas não se preocupem. Eu jamais vou entrar no vale-tudo deles. Vou fazer uma campanha limpa, debatendo Pernambuco e apresentando o trabalho que estamos fazendo. E vou continuar fazendo o que sempre fiz: trabalhar com seriedade”, acrescenta.
Por Mariana Teles*
Há sete anos eu não saio procurando me encaixar na sua agenda de compromissos do final de semana. Painho nunca ficou um dia dos pais sem trabalhar, e isso diz muito do que ele me ensinou todos os dias. Eu saía me encaixando na sua programação para passar o final de semana inteiro com ele, não importava onde fosse. Ele só dizia: “que horas é a sua primeira aula na segunda feira?”. A preocupação com os estudos que me faz ouvir sua voz até hoje quando eu começo ou termino um livro, um curso, um processo.
Esses dias eu disse que uma das coisas que mais me faz administrar o luto inadministrável é a sensação de ter vivido 25 anos ao seu lado com muita intensidade, em todos os extremos. Eu disse todos os dias a painho o quanto o amava, não acordava nem dormia sem lhe pedir a benção e tive sempre verdadeira devoção pelo seu jeito tão peculiar mas tão apaixonado de ser pai.
Leia maisHoje eu resolvi não chorar. Rezei, comunguei, e agora estou aqui assistindo o que foi a nossa vida juntos, a nossa casa cheia, mergulhada em milhares de vídeos no YouTube e nas tantas poesias que já lhe escrevi.
O senhor continua sendo, continua no meu jeito de procurar o lado bom em todas as coisas, na minha indisciplina muitas vezes, mas é tudo que eu sei sobre coragem, perseverança e talento.
Eu não estava pronta para caminhar sem sua direção, me perdi tantas vezes sem seu grito para me trazer de volta para mim mesma, mas aprendi a lhe encontrar na beleza dos recomeços, na eternidade dos serenos, na melodia das violas, na graça singular do improviso e nessa teima que eu tenho de não desistir fácil do que eu acredito.
Tudo que construo tem o senhor, tem a essência que foi plantada em mim pelas suas lições. Hoje é celebração, porque Deus me permitiu ter um pai e saber a real dimensão disso na vida. Que bom que eu disse tanto que amava o senhor, que eu vivi tanto a sua vida e aprendi como seguir a minha.
Gratidão por tudo que continuamos sendo juntos, o senhor será sempre o soneto mais bonito da minha existência!
Bibi
*Advogada e poetisa
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Do UOL
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem explicou hoje, em uma rede social, o que fazia em uma piscina posando para foto ao lado de políticos e do advogado Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal.
A imagem foi encontrada pela Polícia Federal no celular do senador Weverton Rocha e obtida pela revista Piauí. O registro é de 23 de abril de 2023, durante um evento privado na propriedade de Willer Tomaz, em Planaltina (DF), com a presença de diversos parlamentares.
Leia maisHavia diversos políticos entre os presentes: deputado Arthur Lira (PP-AL), deputado Juscelino Filho (PSDB-MA), senador Weverton Rocha (PDT-MA), deputado Elmar Nascimento (União-BA), deputado Paulo Azi (União-BA) e senador Efraim Filho (PL-PB). Ramagem justificou que o encontro contou com familiares dos convidados e o show de um cantor de quem o anfitrião é advogado.
Ramagem afirmou que o anfitrião atende clientes de diferentes espectros políticos, de direita à esquerda. “O advogado é proprietário de escritório que representa diversos parlamentares, de direita, esquerda e centro, diversas empresas brasileiras e estrangeiras, além do próprio artista que se apresentou. Entre diversos segmentos políticos, estão na foto um senador candidato a governo pelo PL, dois outros candidatos ao Senado apoiados pelo Flávio [Bolsonaro] e dois candidatos à reeleição a deputado que farão palanque para a direita na Bahia, onde precisamos virar votos”, declarou.
O ex-parlamentar destacou que mantém sua postura crítica, inclusive contra aliados de ocasião na imagem. “Entre os candidatos ao Senado, está o então presidente da Câmara [Lira], a quem nunca deixei de criticar e ser voz pública ativa sempre que entendi haver condução com irregularidades ou contra a direita. Não deixarei de contestar tudo que considero ser errado, seja contra a esquerda, o centro, a própria direita ou qualquer pessoa”, afirmou.
Ele associou a repercussão da foto a uma suposta perseguição política, semelhante à que sofreria o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Assim como ocorre com a maior figura política de direita do nosso país, podem revirar minha vida, tentar difamar, inventar, constranger, que não vai ter resultado. Não tenho nada de desvio, corrupção ou favorecimentos. Tiveram que inventar uma farsa de golpe para me perseguir e tentar me afastar da vida pública. Ainda assim, não interrompo a luta nem deixo de defender meus ideais”, disse Ramagem.
Fraudes no INSS
O advogado Willer Tomaz (na piscina com o punho cerrado) foi alvo de buscas na Operação Sem Desconto, que apura fraudes na previdência. A PF aponta um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo repasses de mais de R$ 11 milhões de empresas de Tomaz para a esposa do senador Weverton Rocha.
A PF também investiga a compra de uma casa de R$ 6 milhões usada pelo senador Weverton em Brasília. Embora a foto na piscina não conste na decisão do ministro André Mendonça, do STF, ela faz parte do material em análise pelos investigadores federais.
Defesas negam irregularidades
Willer Tomaz repudiou o vazamento da imagem privada e negou qualquer envolvimento em ilegalidades. O advogado declarou que os repasses financeiros para a esposa do senador correspondem a honorários advocatícios e que não é investigado na operação.
O senador Weverton Rocha pediu ao STF que apure o vazamento do celular, que chamou de criminoso. Ele alegou que as transações financeiras são lícitas e declaradas, e vê viés político-eleitoral na divulgação da foto.
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No Dia dos Pais, o almoço com os filhos Magno Filho e João Pedro no Leite, meu restaurante preferido, que eles adoram também.
A Agência de Desenvolvimento Econômico e Social do Araripe (Adesa) formalizou nesta semana um pedido à Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) para alterar os estudos do novo ramal da Ferrovia Transnordestina. A iniciativa visa conectar o Vale do São Francisco ao Sertão do Araripe, com objetivo de estimular o setor mineral em Pernambuco. As informações são do portal Movimento Econômico.
Em ofício direcionado ao superintendente da Sudene, Francisco Ferreira Alexandre, o presidente da Adesa, Daniel Torres, sugeriu uma rota alternativa para o trecho entre Petrolina e Trindade, com uma extensão de 237 quilômetros, e solicita que o órgão realize os estudos técnicos necessários.
Leia maisO percurso defendido pela entidade parte de Petrolina, passa por Lagoa Grande e pelo trevo de Jutaí, segue até Santa Cruz da Venerada e cruza o distrito de Jacaré, em Ouricuri. A conexão final é prevista no município de Trindade, onde o ramal se integraria à malha ferroviária existente.
A rota sugerida passa por Jacaré, localidade com reservas estimadas em 1,5 milhão de metros cúbitos de calcário calcítico, insumo básico para a fabricação de cimento, e áreas de calcário dolomítico voltado à agricultura. De acordo com a Adesa, a estrutura ferroviária poderia viabilizar a futura instalação de uma fábrica de cimento por um grupo empresarial do Maranhão que detém direitos de lavra no local.
“O traçado apontado por nós é uma sugestão. Estamos solicitando a Sudene e a UFPE que, ao fazerem o estudo técnico do traçado indicado no edital da Infra S/A, Juazeiro-BA a Juazeiro do Norte-CE passando por Petrolina, indo em direção a Salgueiro-PE, que seja levada em consideração outra alternativa: Petrolina-Trindade”, explica Daniel Torres ao Movimento Econômico.
Durante os seminários Conexões Transnordestina, promovido pelo Movimento Econômico em 2025, a Sudene anunciou um contrato com a UFPE para estudar um ramal ligando Petrolina e o Vale do São Francisco a Salgueiro. Posteriormente, em julho passado, a Infra S.A. lançou um edital para estudar a viabilidade do trecho entre Juazeiro (BA), Petrolina e Juazeiro do Norte (CE), via Salgueiro, para se conectar à malha principal da Transnordestina.
“Não tem estudo técnico elaborado ainda para as nossas sugestões. O edital da Infra é para fazer este estudo. Só que, antes de ser feito como consta no último edital, estamos sugerindo a possibilidade de estudar outra alternativa”, acrescenta.
Modelagem financeira e redução de custos operacionais
A respeito do financiamento e da redução nos custos de frete para o setor produtivo, Torres defendeu a união de capital público e privado. “Na análise da viabilidade econômica em questão, neste novo traçado por nós proposto será analisado o valor do investimento, e que tipo de financiamento, se público totalmente ou aporte do setor privado. Nós defendemos uma PPP – (Parceria Público Privada)”.
A Adesa é uma ONG que tem uma diretoria ativa composta de membros de vários setores da sociedade, principalmente técnicos em várias áreas, ressalta Daniel Torres. O órgão é sediado na região do Araripe pernambucano, onde foca sua atuação e está envolvido em vários outros projetos, além de participar do Comitê Prol Canal do Sertão. “Esse projeto de irrigação pretende atender a 120 mil hectares de terras no Araripe. É um projeto público”, conclui.
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Por José Américo Silva*
Pai nunca morre. Hoje eu sei disso.
Meu pai partiu há quase 15 anos. No próximo dia 10 de novembro, serão 15 anos sem sua presença física. Mas o tempo produziu em mim um efeito estranho: em vez de afastá-lo, aproximou. Em vez de diminuí-lo, tornou-o ainda maior.
Ele não era homem de muitos abraços ou declarações. Falava pouco. Mas ensinava muito. Seus ensinamentos vinham em frases simples, quase parábolas, que ele soltava pelo caminho e deixava para a vida explicar depois.
Leia maisUma delas nunca me abandonou: “A única herança que eu quero deixar para vocês é o estudo. Por favor, estudem.” Demorei anos para compreender a grandeza dessas palavras.
Meu pai talvez soubesse que bens acabam, dinheiro se perde, patrimônio muda de mãos. Mas aquilo que aprendemos ninguém consegue nos tirar. Por isso apostava no saber como a maior riqueza que poderia deixar aos filhos. Para ele, estudar era também uma forma de conquistar liberdade, dignidade e a possibilidade de escolher o próprio caminho. E foi exatamente isso que aconteceu comigo.
O estudo me levou mundo afora. Deu-me uma profissão, abriu portas, apresentou pessoas, lugares, ideias e possibilidades que talvez meu pai nem imaginasse quando repetia aquelas palavras. Hoje percebo que essa foi a maior herança que recebi dele.
Talvez um pai de verdade seja exatamente isso: alguém que não precisa deixar uma estrada pronta, mas ensina aos filhos como caminhar quando ele já não estiver por perto.
Meu pai se foi, mas nunca deixou de ser meu pai. Com o passar dos anos, tornou-se até mais. Virou memória, referência, consciência. E gosto de acreditar que virou também meu anjo da guarda.
Ele apenas mudou de lugar. Antes caminhava ao meu lado. Hoje caminha dentro de mim. E enquanto seus ensinamentos continuarem guiando meus passos, meu pai continuará vivo. Porque pai nunca morre.
*Jornalista
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A ausência da Secretaria de Cultura e do Conselho de Cultura de Paulista chamou atenção na reunião que discutiu, na última quinta-feira (6), o andamento das obras do Cineteatro Paulo Freire. O encontro foi realizado pela Secretaria de Infraestrutura, no Centro Administrativo, em Maranguape I, e reuniu artistas, representantes da sociedade civil e vereadores.
A obra está com 33% de execução, segundo a Secretaria de Infraestrutura. A pasta informou que os trabalhos foram intensificados após o trânsito em julgado, em fevereiro, dos processos judiciais que haviam afetado o cronograma. A estrutura terá 250 lugares, além de acessibilidade, climatização e tratamento acústico.
A reunião contou com a participação da secretária de Infraestrutura, Jaina Poesi; do secretário executivo de Imprensa, Flávio Alves; do vereador João Pereira e de Caio Luiz, assessor parlamentar do vereador Fabiano Paz. Entre os representantes da cultura estavam o ator e produtor Vinícius Coutinho, a atriz e poetisa Bernadete Serpa Lopes, o presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Paulista, Ricardo Andrade, além de Nivaldo Souza, José Ricardo e Fernando Cunha.
Como encaminhamento, foi criada uma comissão com representantes da classe artística, sociedade civil e Legislativo para acompanhar a obra por meio de visitas periódicas. Os artistas também sugeriram a criação de um espaço dedicado à preservação da memória do cineteatro, com fotografias e registros históricos do equipamento.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) se enfrentam neste domingo (9) pela primeira vez no debate entre os candidatos ao governo paulista, promovido pela Band, a partir das 20 horas.
Nos bastidores, a expectativa das campanhas é de um confronto com cara de segundo turno, já que os dois são os únicos candidatos que aparecem competitivos nas pesquisas de intenção de voto.
Tarcísio, que lidera as sondagens, deve usar o debate para defender o legado de sua gestão. Haddad, por sua vez, pretende explorar as principais fragilidades do governo paulista, sem deixar de lado a defesa do governo Lula (PT) e a tentativa de associar Tarcísio à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), numa estratégia para nacionalizar a disputa estadual. As informações são do Estadão.
