No próximo dia 22 de agosto, Tabira ganha mais uma importante contribuição para sua literatura, a trilogia “Ser Tão Pra Sempre”, do poeta Jotta Messias. O lançamento será realizado às 19h, no Centro Cultural Poeta Zé de Mariano. A obra reúne 90 poemas, divididos em três livros: Ser Tão Nordestino, Ser Tão Raiz e Ser Tão Muderno. Em seus versos, Jotta percorre as tradições, as memórias e as transformações do sertão, construindo uma poesia que preserva suas raízes sem deixar de olhar para o futuro.
Com uma linguagem que mistura identidade nordestina, inovação e humor, a trilogia apresenta um sertão que vai além dos estereótipos e se reinventa através da poesia. Em “Ser Tão Nordestino”, aparecem elementos como cuscuz, mandacaru, forró e vaqueiro. “Ser Tão Raiz” mergulha nas origens e na memória sertaneja. Já “Ser Tão Muderno” rompe com o passado e apresenta um Nordeste conectado ao presente, com poemas como Drones, PoesI.A. e Oxente online. “O novo sempre vem” é a provocação central da obra — um convite para reconhecer as raízes, celebrar o presente e imaginar o que ainda está por vir.
Ponta de Pedras celebrou, hoje, seus 525 anos com uma programação que reuniu moradores, estudantes, autoridades e representantes da comunidade em momentos de homenagem à história do distrito do município de Goiana e de anúncio de novos investimentos.
As atividades começaram pela manhã, na sede da Subprefeitura de Goiana, com o desfile da Escola Municipal Manuel César de Albuquerque e da Escola de Referência em Ensino Médio Frei Campo Mayor. Em seguida, foram hasteadas as bandeiras do Brasil, de Pernambuco e de Goiana, em uma cerimônia acompanhada pela execução do Hino de Goiana.
Leia maisDa sede da Subprefeitura, a programação seguiu para a orla, onde foi lançada a pedra fundamental do obelisco que será construído em homenagem aos 525 anos de Ponta de Pedras. Como símbolo da memória da comunidade, foram depositados no local documentos relacionados à história do distrito, moedas e outros objetos representativos da trajetória de seus moradores.
A programação também foi marcada pelo anúncio de investimentos em infraestrutura e serviços públicos. Entre eles está a construção de uma nova Unidade Básica de Saúde (UBS) no bairro Malvinas. Atualmente, o atendimento funciona em uma estrutura provisória, e a previsão apresentada durante a solenidade é de que a nova unidade seja entregue nos próximos seis meses. O prefeito Marcílio Régio anunciou, ainda, a retomada da obra da UBS Malvinas. Segundo ele, após o abandono dos serviços pela empresa responsável, a Prefeitura realizou o distrato e providenciou uma nova licitação para viabilizar a conclusão da unidade.
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Quando governador do Piauí, Hugo Napoleão, hoje à frente de um concorrido escritório de advocacia em Brasília, esteve com Luiz Gonzaga em duas oportunidades. Nesta, em Jaicós, nos anos 80, o Rei do Baião fez um belíssimo e emocionante show. A imagem é do acervo de Napoleão. Se você tem uma foto histórica no seu baú, mande agora para o blog através do WhatsApp: (81) 9.8222-4888.
Por Milton Coelho
O Brasil aprendeu a reconhecer no esporte uma poderosa ferramenta de inclusão e transformação social. Em milhares de comunidades, clubes e escolinhas, crianças começam a treinar carregando sonhos que vão muito além dos limites dos espaços esportivos. Sonham com uma carreira, com reconhecimento e com a possibilidade de mudar a vida de suas famílias. O poder público não pode ser indiferente ao que acontece durante esse caminho.
Foi essa convicção que me levou a propor a mudança na Lei Geral do Esporte que resultou na Lei nº 15.387/2026, sancionada pelo presidente Lula em 13 de abril. A nova legislação estabelece que os programas de formação de atletas sejam inscritos no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) como requisito para o reconhecimento de uma organização esportiva formadora.
Leia maisA mudança parte de uma ideia simples: antes de formar atletas, estamos formando crianças e adolescentes. E nenhuma promessa de sucesso esportivo pode se sobrepor ao direito à educação, à convivência familiar, ao desenvolvimento humano e, sobretudo, à integridade física e psicológica.
Quem conhece o universo das categorias de base sabe da enorme assimetria existente nessa relação. De um lado, treinadores, dirigentes e instituições com o poder de decidir quem joga, quem permanece e quem terá uma oportunidade. Do outro, crianças e adolescentes que depositam naquele ambiente seus sonhos e, muitas vezes, as expectativas de suas famílias. É dever do Estado estabelecer mecanismos capazes de prevenir humilhações, constrangimentos, violência, assédio e qualquer forma de abuso.
Em 2011, uma alteração na Lei Pelé instituiu o Certificado de Clube Formador, criando mecanismos para reconhecer e proteger as entidades que investem na formação de atletas. Foi um avanço importante. Mas era preciso avançar também na proteção de quem está sendo formado.
É isso que a nova lei acrescenta. Ao envolver os Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente, aproximamos a fiscalização da realidade cotidiana desses jovens e reforçamos a responsabilidade das instituições com educação, assistência e proteção.
O Brasil pode e deve continuar formando grandes atletas. Mas quero um país que forme, antes de tudo, cidadãos. Porque talento esportivo algum retira de uma criança a sua condição de sujeito de direitos.
Foi por essa razão que mudei a Lei Geral do Esporte: o sonho de ser campeão jamais pode custar a uma criança o direito de crescer protegida, educada e respeitada.
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No último domingo, quando esteve em Petrolina para a largada oficial da campanha de rua, a governadora Raquel Lyra (PSD) serviu aos dois senhores rivais: o grupo Coelho e seu adversário figadal Júlio Lóssio, ex-prefeito do município, que fez um discurso diante da governadora fazendo indiretas ao crescimento inexplicável do patrimônio da família Coelho, especialmente Miguel Coelho, preterido da chapa de Raquel para o Senado.
“Não foi uma indireta, foi direta mesmo. Quem mais apresentou evolução patrimonial tão grande?”, declarou Lóssio, há pouco, ao blog. Confira abaixo o vídeo do discurso:
O primeiro dia de campanha do deputado estadual Diogo Moraes (PSB), que disputa a reeleição em busca do quinto mandato consecutivo na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), já deu mostras da força e da amplitude do seu projeto político. No úttimo domingo (16), o parlamentar cumpriu agenda em duas cidades, no Agreste Meridional e Setentrional, reunindo multidões nas ruas e reafirmando a confiança da população na sua trajetória.
Pela manhã, Diogo Moraes esteve em São Bento do Una, ao lado do prefeito Alexandre Batité, de vereadores e de lideranças locais. Em seguida, a agenda seguiu para Santa Cruz do Capibaribe, onde o deputado se encontrou com o candidato a deputado federal Carlinhos da Cohab. Nas duas cidades, o parlamentar foi recebido com grandes motociatas, que mobilizaram eleitores, amigos e apoiadores que acreditam no seu trabalho.
Emocionado com a recepção, Diogo Moraes destacou o significado de ver esse apoio se repetir em tantas cidades diferentes. “É muito bom ver tantas pessoas confiando no meu trabalho, indo às ruas em diferentes cidades para demonstrar esse carinho e essa confiança. Isso mostra que a nossa caminhada não é de uma região só, é de todo o nosso Pernambuco. Cada motociata, cada rua, cada abraço reforça a minha gratidão por tudo que já conquistamos juntos e a nossa responsabilidade de continuar lutando por quem mais precisa”, afirmou o deputado.
A movimentação, no entanto, não ficou restrita ao Agreste. Ainda no primeiro dia de campanha, bases do parlamentar no Sertão de Pernambuco também foram às ruas em apoio à candidatura, evidenciando que o projeto político de Diogo Moraes tem representatividade em diferentes regiões do estado, e não apenas em um único território.
O candidato ao Senado e deputado federal Eduardo da Fonte (PP) recebeu mais um importante apoio à sua candidatura. O prefeito de Bonito, Dr. Ruy, oficializou apoio a Eduardo da Fonte para o Senado Federal.
“Eduardo da Fonte tem um grande trabalho prestado a Pernambuco e tenho certeza de que levará essa atuação para o Senado Federal. Conheço de perto o seu compromisso com a causa a saúde e com Pernambuco. Pode contar com o nosso time nas ruas para defender o seu nome e trabalhar pela sua eleição ao Senado”, afirmou o prefeito.
A campanha de Breno Araújo, candidato a deputado estadual pelo PT, ganhou as ruas de Serra Talhada, ontem, com a inauguração do comitê de campanha marcada por uma grande motoada e pela participação da juventude.
O ato marcou oficialmente a abertura do espaço de campanha e reforçou o clima de mobilização para as eleições de 4 de outubro. “É muito simbólico começar essa caminhada aqui, em Serra Talhada, ao lado da nossa juventude e da nossa gente. A gente quer fazer uma campanha que esteja nas ruas, ouvindo as pessoas e apresentando um projeto que tenha Pernambuco como protagonista”, afirmou Breno Araújo.
Ligado ao campo político do presidente Lula, Breno tem apresentado sua candidatura como uma alternativa para ampliar a representação do Sertão na Assembleia Legislativa de Pernambuco e defender pautas como saúde, educação, geração de emprego e renda, proteção às mulheres e oportunidades para a juventude.
Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
Uma volta às origens. Os atos iniciais de campanha tanto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto do seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), tiveram a mesma característica. No caso de Lula, de maneira mais explícita, tanto que o comício em São Bernardo do Campo (SP) ganhou o título de “Onde tudo começou”.
Mas a escolha de Flávio Bolsonaro em fazer seu comício inaugural na Praia de Copacabana parece ter um propósito parecido. Foi ali que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, reuniu quando era presidente os maiores números de pessoas em seu favor. Temos, então, na principal disputa pelo Palácio do Planalto em outubro, duas propostas conservadoras. No sentido de proporem aos eleitores a continuidade de projetos. A de Lula, a continuidade do seu próprio projeto, desde o início dessa construção, há 47 anos.
Leia maisA de Flávio, a continuidade do projeto de direita proposto no país por Jair Bolsonaro. A entrada de Duda Lima como o marqueteiro da campanha de Flávio parece marcar uma mudança grande na estratégia. Se no começo Flávio procurou se apresentar como o Bolsonaro mais moderado, que tomou vacina, etc, o início da campanha de fato parece aprofundar a ideia de que ele é mesmo o representante do bolsonarismo raiz nesta campanha. Até porque – e isso pesou na escolha do tom – o Centrão resolveu ficar neutro.
Ou seja, se Flávio Bolsonaro mostra-se forte na disputa com Lula, é porque ele tem esses votos da direita, e não atraiu o centro. De nada adiantaria, então, ele tentar vestir a essa altura uma indumentária mais moderada. Desde a convenção, com a apresentação do avatar de Jair Bolsonaro, é ele a figura invocada por Flávio a todo momento. Como disse em Copacabana: “Eu sei que pareço com ele, mas é difícil comparar o filho do Pelé com o Pelé”. Flávio parece, então, evocar a ideia de que será o representante do pai nestas eleições.
Um pouco, talvez, como foi Fernando Haddad o representante de Lula nas eleições de 2018. Agora, é Jair quem, em prisão domiciliar e inelegível, não pode disputar. Em 2018, quem estava preso e inelegível era Lula. Na ocasião, porém, Haddad perdeu a eleição para Jair Bolsonaro. Seguindo na linha de replicar seu pai, Flávio Bolsonaro faria uma motociata em Juiz de Fora (MG). Cancelou por causa do mau tempo.
A campanha de Lula também parece propor uma volta à origem. Em 2002, quando se elegeu pela primeira vez, o “Lulinha paz e amor” era alguém mais moderado, disposto a gestos para atrair o centro. Talvez agora pelo mesmo motivo de o Centrão ter declarado neutralidade, Lula propõe um retorno ao começo.
O convite de Lula é para a adesão a uma trajetória. Há, porém, em todo o discurso uma leitura subliminar. Não necessariamente essa volta à origem proposta significa uma radicalização de discursos e gestos agora. No discurso que fez, Lula se lembra da recusa dos metalúrgicos à proposta feita pelos empresários de reposição salarial na greve.
Lula defendia a proposta, mas os trabalhadores a recusaram. A opção foi radicalizar. O processo tornou-se mais duro, mas, do contrário, talvez não obtivesses as consequências políticas que produziu. Assim, o que Lula parece ter procurado demonstrar é que teria havido da parte dele um amadurecimento ao longo de todo esse caminho.
Curioso é que pode ser também pela linha da trajetória que Flávio Bolsonaro pode encontrar o caminho para bater em Lula. Esboça-se a ideia de mostrar que casos de corrupção surgiram sempre nos governos de Lula e do PT. Desde o Mensalão, em 2002, passando pelo “Petrolão” da Operação Lava Jato, e agora o filho do presidente, o Lulinha.
Novas informações sobre o envolvimento de Fábio Luiz Lula da Silva no escândalo do INSS, em diálogos com Roberta Luschinger, sócia do “Careca do INSS”, comprometem mais Lulinha. E a intenção de Flávio Bolsonaro é dizer que a corrupção, nesse caso, bateu à porta do Palácio do Planalto. E reforçar que assim tem sido desde 2002.
Estão, portanto, os eleitores diante de duas propostas conservadoras. O que as duas principais candidaturas sugerem é a adesão a modelos antes propostos. Se Lula propõe a continuação do que fez o PT, a antítese que Flávio propõe não é a novidade, mas o retorno ao sentimento de oposição a essa era que Jair Bolsonaro representou em 2018.
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O ex-deputado federal Maurício Rands inaugura, nesta quinta-feira (20), a partir das 19h, seu comitê de campanha na Avenida Governador Agamenon Magalhães, no Derby, no Recife. Filiado ao Avante, Rands tenta retornar à Câmara dos Deputados e entra na disputa com o espólio eleitoral deixado por Túlio Gadêlha, que foi um dos principais incentivadores de sua volta à política e da candidatura a um novo mandato federal. A inauguração do espaço marca mais um passo na estratégia de Rands para reconstruir sua presença eleitoral em Pernambuco e buscar uma vaga na Câmara nas eleições deste ano.
Fernando Balleroni, bisneto de Laura Cardoso, homenageou a atriz após a morte dela, aos 98 anos, hoje. Em um story no Instagram, ele publicou o anúncio da morte de Laura e escreveu “minha estrela”. Em outra publicação, na qual aparece fotografando a bisavó, disse: “Sempre juntos… até o final”.
A relação entre os dois também havia sido destacada pela própria Laura nas redes sociais. Em 2024, a atriz publicou uma mensagem sobre seu marido, Fernando Balleroni, que morreu em 1980 e foi ator, redator e diretor de novelas. O bisneto recebeu o mesmo nome em homenagem a ele.
Leia mais“Fernando Balleroni, meu falecido e amado marido, foi um grande ator, redator e diretor de novelas. Ele se foi muito cedo, mas seu legado continua vivo! Para manter essa maravilhosa memória, meu bisneto foi batizado com o seu nome: Fernando Balleroni. Tenho orgulho dessa história que atravessa gerações, trazendo uma conexão inimaginável”, publicou a atriz.
Em maio, Fernando também havia compartilhado uma publicação em que aparecia ao lado da bisavó em uma imagem produzida com inteligência artificial. Segundo ele, a ideia surgiu durante um almoço de Dia das Mães, quando Laura perguntou como os dois ficariam em uma representação feita com a tecnologia.
“No almoço de Dia das Mães, Laura (@atrizlauracardoso) me perguntou ‘como ficaríamos nessa tal de inteligência artificial?’ Mostrei o resultado e a resposta foi ‘adorei, posta’ – postado então! Feliz Dia das Mães!”
Laura Cardoso morreu na madrugada desta terça-feira, aos 98 anos, semanas antes de completar 99. A morte foi confirmada em uma publicação nas redes sociais no perfil da própria atriz: “Nossa grande estrela se despediu de nós. Laura Cardoso estará para sempre em nossos corações. Obrigada por tudo, nossa amada e eterna Laura Cardoso”. O velório ocorre hoje, das 8h às 14h, na Funeral Home, na Bela Vista, em São Paulo.
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Por Diana Câmara*
As redes sociais mudaram definitivamente a forma de fazer campanha eleitoral. Se antes candidatos dependiam principalmente do horário eleitoral, dos comícios e da militância nas ruas, hoje uma publicação feita por alguém com grande audiência pode alcançar milhares – ou milhões – de eleitores em poucos minutos.
Nesse cenário, os influenciadores digitais passaram a ocupar um espaço relevante também no debate político. E, em período eleitoral, surge uma pergunta cada vez mais frequente: um influenciador pode apoiar publicamente um candidato nas redes sociais?
Leia maisPoder, pode. Mas existe uma diferença fundamental entre apoio espontâneo e publicidade eleitoral remunerada. Esta última não pode.
A legislação eleitoral preserva a liberdade de manifestação política das pessoas naturais na internet. Isso significa que um influenciador, assim como qualquer eleitor, pode declarar seu voto, elogiar uma candidatura, compartilhar conteúdos, publicar fotos ou vídeos de apoio, utilizar hashtags, comparecer a atos de campanha e incentivar seus seguidores a conhecer determinado candidato.
O fato de possuir milhares ou milhões de seguidores não retira do influenciador sua condição de cidadão nem seu direito de participar do debate político.
E a regulamentação do Tribunal Superior Eleitoral deixa isso especialmente claro. A Resolução TSE nº 23.610/2019 estabelece que a manifestação espontânea de pessoas naturais na internet sobre matéria político-eleitoral, inclusive por meio de elogios ou críticas a candidatos e partidos, é admitida.
A norma vai além e reconhece expressamente a licitude da veiculação de propaganda eleitoral em canais e perfis de pessoas naturais que alcancem grande audiência na internet, observados os limites estabelecidos pela própria resolução. Também admite atos de mobilização destinados a ampliar organicamente a mensagem, como compartilhamentos simultâneos, convocação para eventos virtuais ou presenciais e utilização de hashtags.
Ou seja: ter muitos seguidores não transforma, por si só, uma manifestação política em propaganda irregular. O problema começa quando existe dinheiro, monetização ou alguma vantagem econômica por trás daquela publicação.
E isso precisa ficar claro também para os candidatos: uma campanha não pode contratar um influenciador para publicar propaganda eleitoral remunerada em seu perfil pessoal.
O art. 28 da Resolução TSE nº 23.610/2019, ao permitir a produção de conteúdo eleitoral por pessoa natural em blogs, redes sociais e outras aplicações da internet, estabelece expressamente duas vedações: a contratação de impulsionamento ou disparo em massa e a remuneração, monetização ou concessão de outra vantagem econômica como retribuição ao titular do canal ou perfil, seja ela paga pelos beneficiários da propaganda ou por terceiros.
Além disso, o art. 29, § 8º, da Resolução, com a redação vigente para as Eleições 2026, inclui entre as modalidades de propaganda eleitoral paga vedadas a contratação, sob qualquer modalidade, que ofereça direta ou indiretamente vantagem econômica a pessoas físicas ou jurídicas para realizarem publicações político-eleitorais em seus perfis, páginas, canais ou espaços semelhantes.
Na prática, isso impede que a campanha pague pelo conhecido “publipost eleitoral” e não adianta simplesmente dar outro nome à contratação. Pagamento por postagem, cachê, permuta, prêmio, bonificação ou qualquer vantagem econômica utilizada como contrapartida pela divulgação político-eleitoral pode atrair a incidência da proibição. Para as Eleições 2026, a regulamentação passou a mencionar expressamente, inclusive, mecanismos de competição, ranqueamento ou premiação que ofereçam vantagem econômica direta ou indireta em troca dessas publicações.
A lógica é relativamente simples: a influência política espontânea é legítima; a compra dessa influência para simular uma manifestação pessoal não é.
Há outra distinção importante. O influenciador pode ser contratado profissionalmente para prestar serviços à campanha, como produção de conteúdo, participação na elaboração de peças ou gravação de material destinado aos canais oficiais da própria campanha, desde que a contratação seja regular e devidamente contabilizada.
O que não se pode fazer é utilizar uma aparente contratação profissional como meio para remunerar o influenciador pela divulgação político-eleitoral em seus próprios perfis. Uma coisa é contratar o trabalho profissional daquela pessoa; outra, juridicamente distinta, é comprar o acesso à audiência que ela construiu em suas redes sociais pessoais.
Também merece atenção o impulsionamento. Ainda que esteja apoiando espontaneamente uma candidatura, o influenciador, como pessoa natural, não pode contratar impulsionamento de conteúdo eleitoral nem disparo em massa. A vedação consta expressamente do art. 28, IV, “b”, da Resolução TSE nº 23.610/2019.
O impulsionamento eleitoral permitido pela legislação possui regras próprias. Durante a campanha, a propaganda eleitoral paga na internet é, como regra, proibida, ressalvado o impulsionamento realizado nas condições legais, identificado de forma inequívoca e contratado exclusivamente por partidos políticos, federações, coligações, candidatos ou seus representantes.
E existe ainda um limite que vale para influenciadores, candidatos e qualquer outro usuário das redes: liberdade de expressão não significa liberdade para praticar ilícitos.
Conteúdos sabidamente inverídicos, ataques à honra, desinformação eleitoral e outras formas de abuso podem gerar responsabilização. Da mesma forma, mobilizações digitais que, em princípio, são legítimas não podem ser utilizadas para finalidades ilícitas, hipótese em que organizadores, criadores, distribuidores do conteúdo e participantes poderão responder na proporção de suas respectivas condutas.
Isso ganha dimensão ainda maior quando estamos diante de perfis com grande audiência. Quanto maior o alcance, maior pode ser a repercussão eleitoral de uma conduta irregular.
Por isso, campanhas e influenciadores precisam compreender que a legislação não proíbe a participação dessas novas lideranças digitais no processo eleitoral. Ao contrário: reconhece que pessoas com grande audiência também têm direito de se manifestar politicamente.
O que a norma procura impedir é que uma manifestação aparentemente espontânea seja, na realidade, publicidade eleitoral comprada.
O influenciador pode ter candidato. Pode declarar voto. Pode participar de ato político. Pode publicar foto, vídeo, opinião e conteúdo espontâneo de apoio. Pode mobilizar sua audiência organicamente dentro dos limites legais. O que não pode é vender esse apoio eleitoral para a campanha.
Nas eleições digitais, talvez essa seja a linha mais importante a ser observada: influência política pode ser exercida; influência política não pode ser comprada como publicidade disfarçada de opinião pessoal.
*Advogada especialista em Direito Eleitoral, pós-graduada em Direito e Processo Eleitoral e em Direito Público, presidente de honra do IDEPPE, coordenadora jurídica de várias campanhas eleitorais, ex-presidente da Comissão de Relações Institucionais da OAB-PE, membro fundadora da ABRADEP – Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político e atual candidata ao Quinto Constitucional da advocacia para o TJPE.
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