Só soube, hoje, da morte do jornalista Leonel da Mata, ex-repórter da TV-Globo, em Brasília. Foi embora novo, aos 71 anos, vítima de uma pneumonia. Leonel fumava muito. O conheci numa viagem juntos pela selva amazônica, no final dos anos 80.
Leonel era repórter do Jornal Nacional, eu, chefe de Comunicação do Projeto Rondon, em Brasília, presidido por Silvio Amorim. Fizemos uma incursão de três dias para conhecer um dos programas mais interessantes e apaixonantes do Rondon em Benjamin Constant, já na fronteira com o Peru.
Leia maisSilvio adorava aventuras. E de colocar nossas vidas em risco também. Fomos de avião de carreira até Manaus e de lá seguimos num Sêneca. Três horas de voo. Só selva e rios. O avião balançava tanto que, na descida, parecia que ia desabar.
Acostumado com aventuras, na condição de um dos mais requisitados repórteres do Jornal Nacional, Leonel nos divertia contando o sufoco que já havia passado em voos. Fez uma belíssima reportagem para o JN. Na viagem, relatou o trabalho humanitário das brigadas do Rondon e o drama de um garoto picado por uma cobra, salvo pelos estagiários do projeto.
A experiência nos fez amigos. E passamos, já mais na frente, a nos encontrar em outras coberturas políticas no Congresso. Leonel da Mata era gente da melhor qualidade, um papo agradabilíssimo. Nunca foi deslumbrado por ser repórter do JN. Pelo contrário, tinha os pés no chão e vivia projetando seu futuro.
Tanto que, ainda na Globo, entrou no ramo da gastronomia, abrindo um restaurante em Brasília, que acabou virando uma rede, Peixe na Rede. Foi rápida a morte do meu amigo. Ele estava internado em um hospital da capital federal desde a última sexta-feira (17). O velório foi na quinta-feira. Deixou três filhos e uma neta.
A rede de restaurantes Peixe na Rede, que Leonel da Mata comandava, remonta ao ano de 1995. À época, ele havia iniciado um projeto de piscicultura na Fazenda Capão dos Mata, em Cristalina, Goiás. Depois, segundo conta o amigo comum Luís Jorge Natal, o Natalzinho, com quem trabalhei no Correio Braziliense, Leonel e a esposa decidiram montar uma pequena cozinha industrial para vender pratos congelados utilizando os filés de tilápia.
Foi assim que, em 2004, em uma pequena loja da quadra 308 Norte, surgiu o embrião do que se tornou uma rede de restaurantes.
Leonel da Mata era mineiro, natural de Capitólio. Começou no jornalismo como repórter da rádio Itatiaia, de Belo Horizonte. Quem deu o pontapé inicial em sua carreira foi o jornalista Manoel Botelho, que era assessor de Comunicação da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) da Prefeitura de BH.
Ele conta que certo dia, no final dos anos de 1970, Leonel da Mata apareceu na assessoria em busca de um estágio, que era proibido pela legislação da época.
Manoel Botelho disse que como Leonel tinha uma boa voz e era desenvolto, prometeu a ele que iria fazer contato com o dono da rádio Itatiaia, Januário Carneiro, para que lhe arrumasse uma oportunidade de trabalhar como repórter. Dias depois, Leonel da Mata começava no jornalismo. “Aí ele deslanchou”, comenta Manoel Botelho.
Além da rádio Itatiaia, Leonel da Mata foi repórter da TV Globo de Belo Horizonte e da TV Globo de Brasília, onde protagonizou um episódio que lhe custou a demissão: foi quando perguntou ao deputado Paes de Andrade, então presidente da Câmara dos Deputados, se ele pintava o bigode.
Leonel da Mata também teve passagens pela assessoria de imprensa do Superior Tribunal Militar (STM) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Grande Leonel! Que Deus o tenha!
Leia menos

















