Ao ser apresentado oficialmente como pré-candidato do PSD à Presidência da República, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, prometeu “desativar” a polarização no país ao conceder uma anistia “ampla, geral e irrestrita” que envolveria o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele também recusou a pecha de radical, afirmou que “acredita na ciência” e alfinetou Flávio Bolsonaro (PL).
– O Brasil não suporta mais viver uma situação que tem sido constante nos últimos anos. Posso afirmar que a polarização não é um traço da política nacional. Ela é sustentada por um projeto político por aqueles que realmente se beneficiam dela. Pode ser desativada? Sim, pode. Por alguém que não é parte dela. É o que pretendo fazer chegando a presidência – disse ele. — Não entramos no jogo ainda. Vamos para o debate. Bolha foi feita para ser rompida. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisEle, então, disse que concederia a anistia como primeiro ato no cargo. A medida dependeria de aprovação no Congresso.
– Meu objetivo é pacificar o Brasil ao anistiar todos, inclusive o ex-presidente, dando mostras que a partir dali vou cuidar das pessoas.
Caiado disse que o PSD tem uma “estrutura sólida” para concorrer em outubro e rejeitou a pecha de radical, mas não a de candidato pertencente à classe política.
Ele aproveitou o momento para criticar o governo Lula e acenar a eleitores do agronegócio e que cobram endurecimento ao crime organizado.
— O agro era um setor que não era pop, nem era tech, e o Caiado já o defendia desde 1976. Hoje, sem dúvida é o setor mais competitivo do país, que mostra o que existe de mais moderno e com respeito ao meio ambiente. (…) Ninguém atinge a aprovação que tenho em Goiás sendo radical. Sou uma pessoa que aprendi a cuidar de vidas. Um homem que acredita na ciência, na pesquisa, no avanço tecnológico.
Ao final do pronunciamento, alegou que um bom governo é necessário para inviabilizar o PT no futuro, em uma indireta a Flávio.
— Difícil é governar para o PT não ser mais opção no país. Ganhar não é a maior dificuldade, e vamos ganhar. Mas (quem ganhar) vai saber governar, ou vai aprender a governar na cadeira?
Caiado foi escolhido pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, após a desistência do governador do Paraná, Ratinho Júnior, na semana passada. Ele venceu a concorrência interna com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.
Caiado deve renunciar ao segundo mandato como governador até o dia 4 de abril, de modo a cumprir as exigências da Justiça Eleitoral. Ele também foi deputado federal, por cinco mandatos, uma vez senador e concorreu, pela primeira vez, a presidente em 1989.
Em pesquisa Datafolha recente, marcou 4% das intenções de voto, ainda longe dos favoritos Lula (PT), atual presidente, e Flávio Bolsonaro (PL), senador pelo Rio de Janeiro.
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