Por Larissa Rodrigues – Repórter do blog
A deputada estadual Débora Almeida (PSDB) encaminhou um ofício circular internamente na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) a todos os gabinetes e superintendências da Casa no qual faz questionamentos sobre o ritmo da Procuradoria da Alepe quanto aos pedidos enviados pelo seu gabinete. O documento, de número 18/2026, foi criado no último dia 5, às 8h13 (veja anexo).

No texto, a deputada, uma das mais fiéis à governadora Raquel Lyra (PSD), relata que seu gabinete protocolou diversas solicitações de pareceres consultivos-opinativos à Procuradoria, mas não obteve resposta em tempo hábil e, segundo ela, “compatível com o bom exercício da atividade parlamentar”. Ela exemplifica com ofícios de 2024 e de 2025 que nunca teriam sido respondidos. O mais antigo é de 2024 e estaria sem resposta há 611 dias.
Leia maisEssa atitude de Débora Almeida surge em meio à tensão na Assembleia provocada desde que a governadora convocou o período extraordinário e encaminhou quatro projetos para serem votados, sendo que dois deles foram enviados primeiro à Procuradoria, enquanto os outros dois estão nas comissões, por decisão do presidente da Casa, deputado Álvaro Porto (PSDB).
No ofício, a parlamentar indaga: “só este gabinete encontra dificuldades em obter resposta de solicitações de pareceres consultivos-opinativos por parte da Procuradoria-Geral da Alepe ou trata-se de um problema generalizado?”
Em conversa com este blog, a deputada explicou que o presidente Álvaro Porto tem baseado suas decisões em pareceres da Procuradoria, portanto, ela gostaria de ter acesso aos documentos, porque são públicos. Débora não escondeu o incômodo com Porto e com a Procuradoria da Casa, expondo o clima interno tensionado entre as bancadas de governo e oposição e que se estendeu para além do Plenário.
“Parecer é público”
“A partir do momento em que a Procuradoria emite um parecer, ele é público. Eu solicito para poder fazer o contraditório. Mas não respondem, não sei se é porque têm muito trabalho. Acho que os pareceres são dados para embasar o entendimento dele (de Álvaro) sobre as questões. Ele se exime do ônus e justifica as decisões com pareceres da Procuradoria”, argumentou.
“Censura prévia”
Para Débora, a decisão de Porto de enviar dois projetos para análise da Procuradoria antes das comissões parlamentares é uma espécie de “censura prévia”. “A governadora mandou quatro projetos e somente dois foram para as comissões. Os outros dois estão na Procuradoria. Vai ter censura prévia? Só publicam o que é conveniente? Não existe parecer com poder de lei. A Procuradoria não pode usurpar o trabalho dos deputados. Com certeza, os deputados não estão felizes com a falta de soberania do Plenário”, disparou.
O outro lado
O procurador-geral da Alepe, Hélio Lúcio Dantas, negou que as solicitações do gabinete da deputada Débora Almeida não tenham sido atendidas. Em conversa com este blog, defendeu o trabalho do órgão ressaltando que a Procuradoria é um setor técnico e consultivo e que não faz distinção entre bancadas na Casa.
Hélio Lúcio mencionou que algumas demandas enviadas pela parlamentar por vezes pareceram ter “tom intimidatório” contra a equipe de procuradores da Assembleia, algo que lamentou e disse nunca ter visto em mais de duas décadas de atuação na Alepe. O procurador ainda defendeu a análise das duas matérias do governo enviadas à Procuradoria, porque explicou que a Presidência necessita de orientação legal quanto à tramitação, já que um dos projetos tem decisão judicial (da LOA) e o outro tem prazo vencido (do TJPE).
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