Por Rudolfo Lago – Coluna Correio Político do Correio da Manhã
Há uns dias, comentamos aqui os movimentos de xadrez em torno das eleições em Goiânia. A movimentação ali merece atenção, porque ela pode projetar alguns movimentos nacionais. Se por um lado PSD e PT conversam para formar ali uma aliança, por outro há os planos do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União). Caiado aquece suas turbinas para tentar se lançar candidato à Presidência da República em 2026. Tenta repetir assim, avaliando que agora com maiores chances, o que o lançou na vida política, que foi a candidatura à Presidência nas primeiras eleições diretas após a redemocratização, em 1989. Caiado era, então, o presidente da União Democrática Ruralista (UDR), o primeiro movimento notadamente de direita da política brasileira pós-redemocratização.
Caiado passou na quarta-feira (16) por uma cirurgia na próstata. Aparentemente, não é algo de maior gravidade. Ele foi diagnosticado com hiperplasia prostática benigna. Corrigido o problema, retorna recuperado à vida política pavimentando seu projeto.
Caiado enxerga que pode ter à sua frente uma avenida. Há uma herança dos votos de direita que foram dados ao ex-presidente Jair Bolsonaro em 2018 e 2022. Bolsonaro está inelegível, e não há clareza de quem poderá de fato herdar esses votos. Caiado coloca-se nesse páreo.
Caiado considera que pode ter um trunfo a seu favor. Ele é de direita há mais tempo que todos os demais nomes no páreo. No final da década de 1980, no momento em que o país se redemocratizava, ele criou a UDR, que fez certo barulho naquele momento. A UDR já teve naquela época um papel importante para conter pontos mais à esquerda e garantir conquistas conservadoras na elaboração da Constituição, em questões como a reforma agrária, por exemplo. Ficou famosa uma passeata que ele fez na época quando entrou na Esplanada dos Ministérios montado em um cavalo branco. De lá para cá, o movimento ruralista cresceu, e hoje o agronegócio domina a economia brasileira.
Essa é a aposta de Caiado. Ele pretende, assim, disputar com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, esse espólio dos votos de direita de Bolsonaro. Considera que, talvez, possa ter uma vantagem na discussão sobre a questão da segurança. É uma de suas apostas.
Enquanto São Paulo patina no tema da segurança, Goiás pode ter números melhores para apresentar. É verdade que a polícia do estado sofre críticas de ser extremamente violenta. Mas parece ter reduzido a criminalidade no estado relacionada especialmente ao narcotráfico.
Goiás é rota do tráfico de entorpecentes que entra no Brasil pela fronteira com os demais países da América do Sul. As ações de Caiado no estado teriam conseguido sufocar pelo menos em parte essa ação dos narcotraficantes, ainda que à custa de violência policial.
Diante desse plano nacional, pela falta de um nome de peso como alternativa, há quem julgue que Caiado pode até ficar mais neutro agora na eleição municipal, como forma de não criar arestas para possíveis apoios futuros nessa sua pretensão presidencial.
Única representante de Pernambuco no ato, a senadora eleita Marília Arraes (PDT) participou, neste sábado (10), da mobilização com o presidente Lula em Natal, no Rio Grande do Norte. Ao lado de governadores e senadores eleitos, Marília levou a força política pernambucana à campanha pela reeleição do presidente, no primeiro compromisso de sua agenda de viagens neste segundo turno, após o ato de ontem (9), em Brasília. Recém-eleita para o Senado, a pedetista se soma às lideranças nordestinas na defesa da continuidade das políticas de desenvolvimento e redução das desigualdades.
O ato no bairro do Alecrim reuniu os governadores eleitos ou reeleitos Rafael Fonteles (PT), do Piauí; Jerônimo Rodrigues (PT), da Bahia; Elmano de Freitas (PT), do Ceará; e Lucas Ribeiro (PP), da Paraíba. Além de Marília, participaram os senadores eleitos Rui Costa (PT), da Bahia, e Samanda de Lula (PT), do Rio Grande do Norte. A governadora potiguar Fátima Bezerra (PT) e Cadu de Lula (PT), candidato ao governo estadual no segundo turno, também integraram a mobilização.
A presença de Marília ocorre em uma região decisiva para a disputa presidencial: no primeiro turno, Lula conquistou cerca de 21,5 milhões de votos no Nordeste, abrindo vantagem de 11,1 milhões sobre Flávio Bolsonaro. A mobilização em Natal marca uma nova etapa da campanha para ampliar esse apoio e assegurar a reeleição do presidente.
“Este ato mostra um Nordeste unido e mobilizado pela reeleição de Lula. Nossa unidade tem um propósito: defender a democracia, a soberania do Brasil e as conquistas que mudaram a vida do nosso povo. Pernambuco faz parte dessa luta, e vou dedicar toda a minha força política a essa vitória. É hora de somar forças, estar nas ruas e conversar com as pessoas. O futuro do Brasil exige compromisso e coragem de todos nós”, afirmou Marília.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Renan Santos, ex-candidato à Presidência pelo partido Missão, criticou a declaração de apoio de Augusto Cury (Avante) a Flávio Bolsonaro (PL), que vai disputar o segundo turno contra o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Esse cara é um comédia. As pessoas votaram em um comédia”, declara Renan. Ele afirmou também que o movimento seria uma manobra do Avante para negociar posições em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.
Na quinta-feira (8) o escritor Augusto Cury declarou apoio a Flávio Bolsonaro mediante o compromisso com oito prioridades, estabelecidas em um termo assinado pelo candidato do PL. Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) já haviam afirmado apoio.
Em outro vídeo, Renan Santos afirmou que depois do anúncio de apoio dos outros ex-presidenciáveis, ele e membros do partido Missão foram procurados para também apoiar o candidato do PL. “Ninguém vai vir empurrar a mim, ninguém vai vir empurrar ao nosso grupo. Nós temos dignidade, não somos iguais aos demais candidatos”, afirmou na publicação.
O político disse ainda que o bolsonarismo “virou dono da direita”. “É impossível ganhar uma eleição no campo da direita sem ser bolsonarista”, declarou. Segundo Renan, ele só foi considerado de direita apenas agora depois do primeiro turno, tendo sido demandado por sua posição política.
“Me chamaram de esquerdista e comunista a campanha toda. Chega o segundo turno, agora sou direitista. Agora, tenho obrigações com a direita. Que conversa é essa? Mesmo minhas propostas têm sido muito mais à direita que as do Flávio”, relata.
Ainda no vídeo, ele diz que “não estava fechado com ninguém”, apenas com a sua dignidade e a de seus seguidores. Além disso, afirma que seus seguidores sabem o que deve ser feito no segundo turno, mas que ele não irá se expor em brigas e campanhas.
Renan Santos obteve mais de 2,6 milhões de votos no primeiro turno das eleições, ficando em 4º lugar no primeiro turno.
A Fundação Altino Ventura (FAV) celebra 40 anos de atuação com uma solenidade marcada para a próxima sexta-feira (16), às 9h, no Auditório Senador Sérgio Guerra, na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), no bairro da Boa Vista, no Recife. O evento terá homenagens a autoridades, personalidades e instituições parceiras que participaram da trajetória da entidade, fundada oficialmente em 13 de outubro de 1986.
Voltada à assistência oftalmológica e à reabilitação de pessoas com deficiência, a FAV informa já ter realizado mais de 29 milhões de procedimentos médicos e terapêuticos e viabilizado mais de 7 mil transplantes de córnea. A instituição também mantém o Centro Especializado em Reabilitação Menina dos Olhos (CER IV), além de unidades no Recife, Salgueiro, Jaboatão dos Guararapes e Serra Talhada, com expansão prevista para Petrolina.
Na área de ensino e pesquisa, a fundação afirma ter formado mais de 780 médicos especialistas do Brasil, da América Latina e da África, além de desenvolver pesquisas relacionadas, entre outros temas, à Síndrome Congênita do Vírus Zika. Em maio de 2026, a instituição recebeu a acreditação ONA Nível 3.
O Rio Grande do Sul enfrentou pelo menos quatro cheias significativas nos últimos três meses. As inundações atingiram diversos municípios, de norte a sul do estado, provocando prejuízos à população e à infraestrutura das cidades. O que mostra que é cada vez mais urgente a necessidade de reforçar as estruturas de proteção contra inundações.
Falta celeridade
De acordo com o Governo Federal, já foram destinados mais de 3,5 bilhões em recursos para a construção de 730 pontes, 118 obras de drenagem e contenção e 570 obras de estradas e pavimentação. Em setembro, o Governo Federal cobrou maior rapidez na execução dessas obras, que, segundo o governador do Rio Grande do Sul, ainda estavam em desenvolvimento.
O que preocupa é que os sinais de alerta já estavam claros. As previsões climáticas indicavam que a intensificação do fenômeno El Niño aumentaria as chances de chuvas mais volumosas no Sul do Brasil.
Oceanos mais quentes favorecem a evaporação da água e aumentam a quantidade de água na atmosfera. Em determinadas condições, isso pode contribuir para chuvas mais intensas. Além disso, o aquecimento global acelera o derretimento de geleiras e grandes massas de gelo dos continentes, contribuindo para a elevação do nível do mar.
No Sul do Brasil, episódios fortes de El Niño costumam favorecer chuvas acima da média, aumentando o risco de cheias e inundações. E essa preocupação não se limita ao Rio Grande do Sul. Santa Catarina e Paraná também estão vulneráveis a eventos extremos, como tempestades severas, vendavais, descargas elétricas e queda de granizo.
Efeito das mudanças climáticas
Mas o aquecimento dos oceanos não se limita ao Oceano Pacífico, onde o El Niño é caracterizado. Nos últimos anos, as temperaturas dos oceanos no mundo todo também atingiram níveis muito elevados, um comportamento diretamente associado ao avanço do aquecimento global.
A grande questão é que a velocidade com que estamos nos preparando para enfrentar os eventos climáticos extremos é muito menor do que a velocidade com que seus impactos estão atingindo nossas cidades.
Enquanto os fenômenos se tornam mais preocupantes, as cidades avançam lentamente com as obras de drenagem, contenção de cheias e proteção das áreas vulneráveis, em um comportamento que menospreza os efeitos das mudanças climáticas sobre a população.
Prevenir é melhor que remediar
É importante compreender que prevenir costuma ser muito mais barato do que reconstruir. As perdas econômicas provocadas pela paralisação do comércio, dos serviços e das atividades produtivas, somadas aos custos de recuperação de estradas, pontes, moradias e equipamentos públicos, podem superar e muito os investimentos necessários em prevenção.
Precisamos deixar de tratar os desastres como acontecimentos inesperados e começar a planejar nossas cidades considerando os riscos climáticos que já conhecemos. Investir em sistemas de alerta, obras de drenagem, recuperação de áreas naturais de inundação, planejamento urbano e infraestrutura de proteção não é apenas uma questão ambiental. É uma necessidade econômica e social.
O clima está mudando, e nossas cidades precisam acompanhar essas mudanças. O custo de não agir pode ser muito maior do que o investimento necessário para proteger a população.
*Engenheiro civil, doutor em Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atualmente, é tecnologista do Cemaden (MCTI) em São José dos Campos (SP).
Dentre todas as postagens neste blog pós-eleição em Pernambuco, a que mais viralizou até o momento foi a que identifiquei a traição do PT a João Campos (PSB), num movimento liderado pelo senador reeleito Humberto Costa, que teve 40 prefeitos aliados de Raquel apoiando a candidatura dele oficialmente, a começar por Rodrigo Pinheiro (PSD), de Caruaru.
Tudo acertado entre Raquel e o próprio Humberto, que agora, neste segundo turno presidencial, foi usar o seu prestígio com a governadora, para ela apoiar Lula e recebeu um tremendo não. A postagem, feita ontem no início da tarde, está caminhando para 400 mil visualizações. Confira!
A neutralidade adotada pela governadora Raquel Lyra (PSD) no segundo turno das eleições presidenciais foi alvo de críticas da campanha de Lula em Pernambuco.
Em plenária realizada ontem (9), no comitê de Lula (antigo comitê de Rosa Amorim), área central do Recife, o deputado federal reeleito e coordenador da campanha do presidente em Pernambuco no 2° turno, Carlos Veras (PT), afirmou que Raquel sabe que é melhor governar com Lula do que com Flávio Bolsonaro (PL).
“É um direito dela, mas eu tenho certeza que ela sabe e tem consciência que com Flávio Bolsonaro a BR-232 não termina a sua duplicação até Serra Talhada, o Arco Metropolitano não sai. A quantidade de moradias populares, de recursos que ela recebe através do governo do presidente Lula, ela não receberá de outro governo”, afirmou.
Ivan Moraes (Psol) também criticou a falta de posicionamento de Raquel na disputa nacional. O psolista, no entanto, admitiu ter esperança de que a governadora preste apoio a Lula. “Acho que a governadora ainda está devendo para o povo de Pernambuco. Não existe neutralidade numa campanha importante como essa. Ela sabe mais do que ninguém a diferença entre governar com Lula presidente e governar com Bolsonaro presidente. Tenho esperança que ela vai chegar junto da gente”
O senador reeleito Humberto Costa (PT) afirmou que existem pessoas na campanha que estão em contato com Raquel. Na visão do petista, o natural seria a governadora apoiar a candidatura à reeleição de Lula.
“As pessoas que ficaram de travar esse debate com ela devem estar fazendo isso. Eu acho que seria natural que ela apoiasse o presidente Lula. Ele fez muitos investimentos em Pernambuco, isso pesou até para a própria popularidade dela”, avaliou.
Neste sábado (10), às 19h, o canal da ABRAPEL (Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais) no YouTube transmite a live “O que dizem as pesquisas para além da intenção de voto?”.
A partir da primeira pesquisa nacional IPESPE (Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas)/ABRAPEL de 2º turno, os convidados Antonio Lavareda (IPESPE/ABRAPEL) e Mara Telles (presidente da ABRAPEL e professora da UFMG) discutirão como interpretar indicadores de percepções, expectativas, valores, avaliações de governo e preocupações dos eleitores. A proposta é mostrar o que esses dados revelam, e o que não permitem concluir, sobre o comportamento do eleitorado e a dinâmica das eleições presidenciais.
As campanhas dos candidatos à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) iniciam a corrida pelo segundo turno com estratégias voltadas à ampliação de suas bases eleitorais e à disputa por narrativas da eleição.
Enquanto o senador do PL busca consolidar alianças políticas e explorar a vantagem obtida no primeiro turno, o presidente petista aposta na mobilização de aliados e no reforço de sua comunicação digital. Nesse cenário, os eleitores indecisos e os brasileiros que se abstiveram da primeira votação ganham importância para os dois lados.
Segundo analistas, Flávio busca consolidar sua força no Sudeste, estreitando alianças com governadores eleitos pelo PL e deputados com votações expressivas, como Lucas Pavanato (PL), Nikolas Ferreira (PL) e Eduarda Campopiano (PL), que, juntos, somam mais de oito milhões de eleitores. A neutralidade da governadora Raquel Lyra (PSD) também pode ser explorada pelos bolsonaristas. Para a cientista política Priscila Lapa, Flávio “administra a vantagem”.
Já Lula busca ampliar seu alcance nas redes sociais e conquistar eleitores que ainda não definiram o voto. Os eleitores de baixa renda e escolaridade também são apontados como uma base importante para o petista, assim como os votos de Augusto Cury (Avante), que declarou apoio a Flávio na última quinta-feira (8).
Alvo comum
Os cerca de 33 milhões de brasileiros que não votaram no primeiro turno representam um desafio para as duas campanhas. Para Lula, a mobilização desse grupo pode abrir caminho para uma recuperação. Para Flávio, manter esses eleitores afastados das urnas pode ajudar a preservar a vantagem.
O cientista político e professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI) Elton Gomes vê nesse cenário um risco para o presidente. “Se essa abstenção aumentar muito significativamente, é um prejuízo muito grande para uma campanha que já passou atrás e vê o adversário abrir vantagem com os apoios que recebeu”, alerta.
Aliados
O apoio dos candidatos Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) a Flávio já era esperado, segundo Elton Gomes. Para o professor, o que surpreendeu foi a rapidez com que os acordos foram formalizados.
“Eu acreditava que o espaço negocial seria maior, mas houve uma corrida entre os atores políticos. Eles perceberam que Flávio cresceria rápido e que se eles não apresentassem o seu apoio rapidamente, eles perderiam o espaço negocial. […] (Esses candidatos) se empenham em querer participar da montagem do que futuramente pode vir a ser o seu governo”, analisa.
Sem outros candidatos presidenciais de expressão em seu palanque, com exceção de Renan Santos (Missão), que ainda não definiu seu posicionamento, Lula investe na mobilização de aliados, especialmente jovens deputados federais. Os pernambucanos Pedro Campos (PSB-PE), Jones Manoel (PSOL-PE) e Rosa Amorim (PT-PE) foram convocados para reforçar a comunicação digital do presidente.
“A campanha está tentando fazer frente à força que a direita já tem no meio digital, inclusive pelo alto volume de recursos que estão sendo investidos pelo núcleo duro do bolsonarismo no impulsionamento nas redes. É uma forma de trazer o campo progressista para uma comunicação mais fluida com eleitores indecisos e que não fizeram uma escolha no primeiro turno”, observa Priscila Lapa.
Ponto fraco
A comunicação digital é um dos desafios de Lula nesta etapa da disputa. Na avaliação de Elton Gomes, o tradicionalismo do PT prejudicou a atuação do partido nas redes, enquanto o bolsonarismo consolidou sua presença nesses espaços.
Flávio, por sua vez, também enfrenta riscos na construção de sua narrativa. Para o professor, declarações feitas após o resultado do primeiro turno podem ser exploradas pela campanha adversária e comprometer a estratégia do senador.
“Acho que houve um deslize discursivo por parte do candidato relativo a reformas constitucionais […] Agora acontece que numa eleição muito acirrada como essa que a gente está vendo, qualquer discurso, seja do Lula, seja do Flávio Bolsonaro, é imediatamente apropriado pela campanha adversária e usado, principalmente na linguagem de cortes ou de meme para satirizar, ridicularizar o adversário ou para poder promover aquela ideia de ameaça”, pondera.
O Pleno do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) elegeu, ontem (9), o desembargador Erik Simões para a Presidência da Corte. Ele assume o cargo neste sábado (10), sucedendo o desembargador Fernando Cerqueira, que encerra seu biênio à frente da instituição.
Erik Simões ficará na Presidência do TRE-PE até fevereiro de 2028. Durante o discurso de posse, no entanto, anunciou que pretende renunciar ao cargo ao final de 2027 para permitir que o desembargador Alexandre Pimentel, previsto para assumir a vice-presidência em janeiro de 2027, tenha mais tempo à frente do tribunal. “Já comuniquei ao desembargador Alexandre Pimentel e comunico a toda a Corte que renunciarei ao final do próximo ano para que ele tenha um período maior na Presidência”, afirmou.
O desembargador substituto Paulo Augusto de Freitas Oliveira assumirá interinamente a vice-presidência até janeiro de 2027, quando Alexandre Pimentel deverá ocupar o posto em definitivo.
Continuidade
Em seu discurso, Erik Simões agradeceu pela escolha e demonstrou emoção ao falar sobre a nova responsabilidade. Ele também destacou a importância dos servidores para o funcionamento do tribunal e afirmou que pretende manter uma gestão próxima das pessoas.
“Eu olho com carinho cada pessoa. Cada pessoa tem a sua importância, do mais invisível ao mais importante. Tenho tratado todos da mesma forma, com o maior respeito e consideração”, declarou.
O novo presidente também reconheceu o trabalho desenvolvido por Fernando Cerqueira e afirmou que terá o desafio de dar continuidade à gestão do antecessor. “Sei do tamanho da minha alegria, que não é menor que a minha responsabilidade. Se Deus quiser, iremos todos juntos cumprir essa missão da melhor forma possível”, disse.
Sobre os desafios imediatos, Erik Simões destacou a realização do segundo turno das eleições presidenciais. Segundo ele, o tribunal está preparado para conduzir mais uma etapa do processo eleitoral. “O desafio é o segundo turno, mas, como deu certo no primeiro, estaremos preparados para o segundo. A população pode ficar tranquila”, afirmou.
O desembargador também demonstrou confiança na equipe da instituição. “As expectativas são positivas. O tribunal é muito competente, o corpo funcional é extraordinário. Tenho certeza de que iremos dar continuidade ao trabalho já feito por Cerqueira”, declarou.
Balanço
Ao se despedir da Presidência, Fernando Cerqueira afirmou que deixa o tribunal em um ambiente de harmonia e com estrutura preparada para o segundo turno das eleições de 2026.
“Concluo a gestão do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco neste dia. Deixo o tribunal pacificado, harmônico, depois de realizar um trabalho exitoso nas eleições de 2026. Deixamos o tribunal preparado para enfrentar uma nova eleição no segundo turno”, afirmou.
Em seu balanço, destacou a redução do acervo processual da Presidência, os investimentos em modernização e as iniciativas voltadas à estrutura do tribunal. “Desde o primeiro dia, estabelecemos uma dinâmica muito clara: aquilo que chegasse à Presidência precisava ser analisado, decidido e encaminhado. Conseguimos algo que, para mim, tem um significado especial: zeramos o acervo de processos da Presidência e deixamos praticamente zerados os processos do PJe”, declarou.
Segundo o desembargador, permaneceram pendentes apenas processos recebidos na última semana de sua gestão. Ele ressaltou que a redução do acervo representa mais do que um resultado administrativo, pois envolve pessoas que aguardam respostas da Justiça Eleitoral.
Entre as entregas mencionadas, Cerqueira citou a criação do Centro de Inteligência, a aquisição de três veículos elétricos e de uma nova van institucional, o avanço da implantação de energia fotovoltaica, projetos de melhoria da estrutura física e a implementação de um programa de jornada extraordinária para policiais militares.
“Essas entregas tinham um propósito: melhorar as condições de trabalho, economizar recursos, dar mais segurança, modernizar a instituição e preparar o TRE-PE para o futuro”, afirmou.
Homenagens
A despedida de Fernando Cerqueira foi marcada por homenagens de integrantes da Corte, servidores e representantes de instituições, entre elas a Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB-PE) e o Instituto de Direito Eleitoral e Público de Pernambuco (Ideppe).
A diretora-geral do TRE-PE, Bruna Barreto Campello, destacou a relação do desembargador com os servidores e afirmou que sua gestão contribuiu para fortalecer o sentimento de pertencimento à instituição.
A grande novidade desta eleição foi a renovação. Gente jovem governando Estados, outros chegando ao Congresso, alguns voltando ou mudando de casa, como Marcel van Hattem, que trocou a Câmara pelo Senado. Teremos a esquerda mínima, com 123 deputados, e a direita máxima a mandar em ambas as Casas.
O espírito da alternância de poder veio forte e não parou no 2º turno. Algumas empresas de pesquisa, especialmente o popular Datafolha, saíram mais uma vez com a credibilidade aos pandarecos. Em 3 de outubro, cravou Lula com 45% e Flávio com 42%. O resultado foi inverso. Flávio terminando com 47,3% e Lula 45,16%. O Datafolha acertou o percentual de Lula, mas passou longe do de Flávio.
Lula pode virar o jogo? Pode, mas será difícil. A pesquisa AtlasIntel indicou o tamanho da dificuldade ao mostrar Flávio e Lula empatados no quesito mais preparado para administrar o país. O eleitor considera Flávio mais competente para lidar com a criminalidade, a economia e a criação de empregos. Resumo da ópera: a maioria confia mais no desafiante que no incumbente.
Flávio tem conversado com as pessoas com proximidade, aparece no supermercado, mostra os preços subindo, a vida ficando mais cara. Fala da realidade com firmeza e simplicidade. Não tem gritaria do bolsonarismo raiz, muito menos a truculência.
Lula usa a caneta e o poder de interferir na economia. Tirou os impostos da gasolina, aumentou o Bolsa Família e faz pressão gigante pela aprovação do fim da escala 6 X 1 num país com cada vez menos jovens querendo Carteira de Trabalho assinada. A gastança será sua herança maldita, seja para ele mesmo ou seu sucessor. A vida ficará ainda mais difícil para quem paga imposto.
Às vezes é difícil entender mudanças. A campanha de Lula tem sido muito diferente das outras. Primeiro, porque será a última. Segundo, porque ele, sempre muito centralizador, perdeu o controle. E, terceiro, porque achou que seria imbatível para sempre. No início de 2025, escrevi um artigo mostrando que Lula estava perdendo seu principal ativo: o encanto. Foi descendo a ladeira e, do alto da sua soberba, talvez não tenha se dado conta.
Perdeu a retórica inteligente e eficiente, o silêncio calculado e a malícia do jogador de poker. Quis ser o que não é: vigoroso, atleta, imbrochável, como diria o velho Jair de guerra. Conseguiu fazer sua campanha ser a pior de todas. Não adianta culpar o marqueteiro, os aliados, os Estados Unidos, o Congresso, a abstenção. A campanha, como sempre, foi uma escolha de Lula.
Ele escolheu disputar o 4º mandato imaginando ser eterno e que o país não se cansaria dele. Mas ninguém é eterno e o país está cansado de Lula. Isso ficou claro em 4 de outubro, não só com a vitória de Flávio no 1º turno, mas com a maioria esmagadora da direita e da centro-direita no Congresso.
Havia muita coisa a ser lida nas pesquisas que chegaram mais perto do resultado do 1º turno. Como, por exemplo, o fato de as mulheres serem maioria entre os indecisos. Mas se a maioria das mulheres estava com Lula, como poderia haver maioria de mulheres dos 17% a 18% de indecisos? Simples: elas não queriam dizer que votariam em Flávio. Seja por medo ou vergonha, preferiram o voto silencioso. Agora, há o risco de Lula ter menos votos no 2º turno do que no 1º, como Alckmin em 2006.
O PT acabou naquela situação do ditado: “Em casa que falta pão, todos brigam e ninguém tem razão”. Faltou voto e sobrou desavença. A ex-senadora Kátia Abreu (PT) foi a única com coragem de dar um freio de arrumação e dizer com todas as letras o que ninguém teve coragem: “Menos Janja e mais Alckmin”.
A primeira-dama tropeçou no bom senso inúmeras vezes, especialmente quando xingou o deputado Nikolas Ferreira (PL) de “piá de bosta“. Com 3,1 milhões de votos, o deputado e o governador eleito Cleitinho (Republicanos) ajudaram a derrotar Lula em Minas. Janja foi uma espécie de Carla Zambelli de Lula, a aloprada deputada bolsonarista que perseguiu de arma na mão o eleitor que a provocou.
O Supremo também ajudou a desidratar Lula com os ministros se digladiando num barraco jurídico durante a sessão histórica de 15 de setembro. O eleitor, mostraram as urnas, acha que Lula e o STF andam abraçados. Agora, o ministro Alexandre de Moraes piorou as coisas mandando prender o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e a porteira Nailze Aparecida Ribeiro da Silva, 54 anos, condenada a 14 anos por participar do 8 de Janeiro. Se esperasse o fim do 2º turno, não daria combustível à oposição. Lembrei do ex-deputado Roberto Jefferson enfrentando a polícia no melhor estilo sangue, tiro e porrada.
Flávio deve estar olhando toda esta movimentação e lembrando daquela máxima de Napoleão: nunca atrapalhe seu inimigo quando ele estiver cometendo um erro. O tempo corre contra Lula. E está a favor de Flávio neste momento. A ansiedade aumenta, a adrenalina também. Uma derrota para Flávio doerá fundo em Lula, porque ele sempre desprezou o adversário e não imaginava perder.
Poderia sair do governo como o presidente defensor da democracia, sua narrativa preferida nestes últimos 4 anos. Se quisesse, viraria orixá e se transformaria num oráculo com poder e influência, a exemplo dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e José Sarney. Souberam sair da política sem uma derrota final.
Na Roma de 2.000 anos atrás, o escravo público (sim, o poder público tinha escravos) caminhava atrás do imperador, ou dos generais triunfantes, repetindo “memento mori” (lembre da morte). Era a forma de manter a conexão dos poderosos com a realidade, porque muitos se achavam semideuses e até imortais. Nesta campanha faltou a Lula alguém que cumprisse este papel.
Povo nas ruas, um Lula que aderiu até às selfies, agressões duras a Flávio Bolsonaro, o presidente Lula, o PT e a militância entraram no jogo do tudo ou nada depois das primeiras pesquisas de intenção de voto na corrida ao Planalto apontando o candidato do PL na dianteira.
Fui rever as últimas eleições presidenciais no Brasil e constatei, via pesquisas, que desde a redemocratização nunca um candidato que passou ao segundo turno em desvantagem conseguiu virar o jogo e sair vitorioso da disputa presidencial.
Mas também nunca foi tão apertada a distância entre os dois postulantes mais bem votados na primeira volta: apenas 1,87 ponto percentual separa os 47,03% de votos válidos do senador Flávio Bolsonaro (PL) dos 45,16% do atual mandatário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), obtidos no último domingo.
Na pesquisa Datafolha divulgada ontem, a primeira de segundo turno desde então, os dois somaram 52% e 48%, respectivamente. Logo após o resultado das urnas, a vantagem do nome do PL acendeu alerta máximo na campanha petista.
Depois de medidas tomadas às vésperas da eleição, como o fim das bets e o reajuste no Bolsa Família, não terem sido suficientes para alcançar a liderança, Lula reuniu seus aliados, convocou jovens parlamentares da esquerda eleitos pelo Brasil e apostou no aumento da rejeição do rival com vídeos curtos para as redes sociais, seara na qual o presidente pouco mergulhara até agora.
Mas, de zero a dez, qual a chance de Lula reverter o cenário contra Flávio no segundo turno? O antipetismo é maior do que Flávio e dá ao senador o favoritismo. Lula tem chance se a eleição deixar de ser um plebiscito sobre o PT e virar uma comparação sobre a vida real.
A escala 6×1 fala com quem quer tempo para viver, mas Flávio tem vantagem na segurança. A virada exige mais do que lembrar o passado: depende de o eleitor enxergar quem pode organizar melhor a vida futura. Antipetismo é sentimento. Escala 6×1 é vida concreta.
CHANCES EM 30% – As chances de Lula reverter a derrota no primeiro turno são de cerca de 30%, segundo analistas políticos ouvidos pelo jornal O Globo. Por um lado, segundo eles, “nunca um derrotado no primeiro turno reverteu no segundo. Por outro, os padrões de antes de 2018 não parecem valer para o novo mundo em que vivemos. Lula precisaria mudar a direção da campanha e ganhar tração — possível, mas improvável”.
Medidas de efeitos duvidosos – No mesmo jogo do tudo ou nada, o governo Lula (PT) anunciou, ontem, a renovação e a ampliação da desoneração de impostos federais sobre etanol e gasolina e a criação de uma subvenção exclusiva à importação do diesel, faltando 16 dias para o segundo turno das eleições presidenciais. A medida zera os impostos federais sobre a gasolina (R$ 0,89/litro), renova o subsídio do etanol anunciado em setembro (R$ 0,19/litro) e acrescenta a subvenção à importação do óleo diesel (R$ 1,40/litro). Para garantir o diferencial competitivo do etanol, o governo também ampliou a subvenção para produtores do combustível, com custo de R$ 800 milhões.
Em alta após pesquisa – A Bolsa brasileira está em alta desde ontem e renovou o recorde intradiário ao atingir a máxima de 209.713 pontos. O recorde anterior havia sido registrado na última segunda-feira, quando o Ibovespa chegou aos 209.605 pontos, no primeiro pregão após Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno das eleições presidenciais à frente de Lula (PT). A alta de ontem também reflete a repercussão do cenário eleitoral. Na véspera, a primeira pesquisa Datafolha feita após a definição da disputa de segundo turno mostrou Flávio com 52% dos votos válidos, ante 48% do presidente Lula. Os votos válidos excluem brancos, nulos e indecisos e são usados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para contabilizar o resultado final da eleição.
A guerra paulista – De um lado, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), passaram a primeira semana após o primeiro turno empenhados na reta final da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência. Do outro, o PT redefiniu a estratégia após a derrota de Fernando Haddad (PT) para Tarcísio e retornou às ruas ontem para começar, do zero, uma nova campanha pelo presidente Lula (PT) no maior colégio eleitoral do país. No primeiro turno, Flávio teve 51,93% dos votos válidos no Estado de São Paulo, contra 38,20% do petista. Já na capital paulista, maior cidade do país, o petista alcançou 46,58% dos votos válidos, contra 42,13% do rival.
Reconstrução da Federal – A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, anunciou, ontem, durante visita à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), um aporte emergencial de R$ 40 milhões para a recomposição dos equipamentos destruídos pelo incêndio que atingiu o antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), na última quarta-feira. O montante se soma aos recursos divulgados, ontem, pelo ministro da Educação, Leonardo Barchini, que confirmou a liberação de cerca de R$ 100 milhões para a construção de um novo edifício e ações de reconstrução no campus. “Essa é uma ajuda emergencial. Junto ao que o ministro da Educação relatou ontem, vamos somar esforços para atender a outras necessidades. Concomitantemente, a equipe do reitor Alfredo Gomes está reunida fazendo levantamentos, de modo que possamos, da maneira mais célere possível, garantir a retomada plena das atividades de pesquisa e desenvolvimento que existiam aqui”, afirmou Luciana.
CURTAS
EM CARUARU – Na noite da última quinta-feira, um incêndio atingiu uma área de vegetação no entorno do Centro Acadêmico do Agreste (CAA) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Caruaru. De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE), o acionamento ocorreu ainda na noite da quinta. Ao chegar ao local, a equipe constatou que os próprios funcionários da instituição haviam controlado o princípio de incêndio.
LACERDA – “Troquem o presidente pelo governador e vocês entenderão como me sinto”, escreveu o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), reproduzindo um sentimento de Carlos Lacerda ao falar sobre a sua derrota na Justiça Eleitoral para o governador eleito com a anulação dos votos de Anthony Garotinho, Douglas Ruas (PL).
BOLSA MANTIDO – No dia seguinte à decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que beneficiou a eleição de Douglas Ruas (PL) no primeiro turno no Rio, o governador esteve ao lado do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) numa reunião com políticos fluminenses na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste. O encontro, que começou ao meio-dia de ontem, contou com a presença de dezenas de apoiadores e correligionários, como Netinho Reis (MDB), prefeito de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, que fez campanha para Eduardo Paes (PSD), mas apoia o senador à presidência. Na saída do evento, Flávio negou que tenha intenção de acabar com o Bolsa Família.
Perguntar não ofende: Lula vai reagir ou a eleição está decidida?
Integrantes da PF (Polícia Federal) e a defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro não confirmaram o conteúdo e a autenticidade do áudio divulgado pela revista Veja no qual o ex-controlador do Banco Master diz ter negociado o financiamento de um filme sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.
À CNN Brasil, a PF disse na manhã desta sexta-feira (9) que a corporação recusou a delação premiada de Vorcaro por ausência de elementos mínimos que pudessem dar credibilidade ao que ele disse. Segundo o órgão, a PGR (Procuradoria-Geral da República) teve a mesma avaliação sobre o caso.
Ainda pela manhã, fontes próximas a Vorcaro ouvidas pela CNN haviam confirmado a autenticidade do áudio em que ele relata tratativas com governistas para financiar um filme sobre o presidente Lula. Segundo os relatos, porém, a gravação não chegou a integrar um depoimento formal às autoridades.
As fontes levantaram a possibilidade até mesmo de se tratar de uma gravação clandestina porque há uma distorção no início do áudio que indicaria, para os aliados de Vorcaro, a presença de uma terceira pessoa no ambiente de conversa. Asseguram, entretanto, que o áudio é posterior à prisão do ex-banqueiro, em 17 de novembro de 2025.
Na tarde desta sexta, como também mostrou a CNN, a defesa do ex-banqueiro divulgou uma nota dizendo não confirmar a veracidade do áudio divulgado pela Veja.
“A defesa de Daniel Vorcaro repudia a divulgação de supostos anexos que estariam relacionados a tratativas de colaboração premiada que não foi celebrada. A defesa não confirma o conteúdo de qualquer material divulgado, cuja origem, autenticidade e integridade não são reconhecidas”, diz a nota assinada pelos advogados Sérgio Leonardo e Engels Augusto Muniz.
Ambos afirmam que “o material preliminar da colaboração foi disponibilizado a um número restrito de autoridades que possuem dever legal de confidencialidade” e que “Vorcaro não prestou nenhum depoimento à PF ou à PGR no âmbito das tratativas de colaboração premiada”.
No comunicado, também destacam que Vorcaro tem “informações personalíssimas e relevantes para o caso e segue disponível para contribuir com as autoridades”.
O advogado Daniel Bialski, que integra a defesa de Daniel Vorcaro, também afirmou à CNN que desconhece o relato atribuído ao ex-banqueiro pela revista.
Bialski disse que não atuava na defesa quando foram apresentadas as propostas de colaboração premiada e afirmou que Vorcaro não prestou novo depoimento sobre o assunto à PF ou a qualquer outro órgão.
Um integrante da PGR ouvido pela CNN chegou a dizer que o áudio não foi enviado à equipe que conduzia as tratativas de delação na instituição.
Entenda o caso Mensagens e documentos obtidos pela Veja e divulgados na madrugada desta sexta voltaram a repercutir supostas negociações envolvendo Vorcaro e o extinto Banco Master.
O site afirmou que Vorcaro teria liberado R$ 30 milhões em espécie ao Instituto Lula, gerenciado por Paulo Okamotto, para financiar o documentário do cineasta Oliver Stone sobre o atual presidente Lula. A intermediação teria sido feita entre o empresário e o ex-tesoureiro do PT (Partido dos Trabalhadores), João Vaccari Neto.
Segundo a revista, a aproximação de Vorcaro com o PT foi articulada pelo então CEO do Master, Augusto Lima. Além disso, o então líder do governo Lula no Senado, senador Jaques Wagner (PT-BA), teria articulado o primeiro encontro com Vaccari.
Segundo a reportagem, o detalhamento do esquema teria sido enviado à PGR em forma de documentos e de um áudio atribuído ao ex-banqueiro na segunda tentativa de uma delação premiada. A PGR, no entanto, alegou falta de provas e não avançou no caso.
“Banco do Brasil a gente estruturou isso com ele [Vaccari]. É… O Augusto adianta ali para o Okamotto do Instituto Lula… E aí tem o negócio do filme também. O cara [Vaccari] pede para colocar dinheiro no filme do Lula”, diz gravação divulgada pela Veja e cuja autenticidade não foi confirmada.
Segundo informações do analista de política da CNN Caio Junqueira, a leitura no governo e no PT é de que está em curso um “acórdão” para eleger o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e soltar Vorcaro. O combinado seria que o ex-banqueiro apresentaria denúncias contra o presidente Lula para ajudar na eleição do candidato do PL. O senador, uma vez eleito, ajudaria em uma composição para tirá-lo da prisão.
A avaliação é de que Vorcaro busca agora uma “bala de prata” contra Lula para encaminhar uma vitória de Flávio e viabilizar um ambiente institucional que acabaria levando à sua soltura. A defesa de Vorcaro, como mostrou a CNN, apresentou em setembro um pedido para que ele deixe a prisão e aguarde o julgamento em prisão domiciliar.
Há também o entendimento de que a denúncia busca desviar o foco das relações entre Flávio e Vorcaro. O candidato do PL admitiu ter pedido recursos ao ex-banqueiro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os dois negociaram um repasse de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões. Há um áudio de Flávio pedindo o dinheiro, além de mensagens cobrando os valores.
Mais cedo, os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida, que representam o Grupo Prerrogativas, chegaram a acionar a PF pedindo investigação sobre uma suposta articulação entre Vorcaro e a campanha de Flávio.
Eles mencionam a existência de negociações para uma entrevista televisionada com o ex-banqueiro. No pedido, citam que depoimentos de Vorcaro teriam sido entregues a terceiros e alegam que o conteúdo não teria respaldo em elementos de prova e teria sido concebido para produzir efeito político durante o período eleitoral.
Os advogados pediram que as autoridades priorizem a investigação e a identificação dos interlocutores que estariam negociando a entrevista com emissoras de televisão.