Do UOL
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), deve deixar o posto após ser alvo da operação Compliance Zero, que investiga as fraudes do banco Master, afirmou a jornalista Daniela Lima no UOL News, do Canal UOL. A colunista apurou que Wagner só não anunciou sua saída ainda para evitar a impressão de admissão de culpa.
“O que eu posso adiantar agora é basicamente o seguinte. Uma fonte me disse: ‘Daniela, o Wagner vai sair, não tem ambiente para ficar. O Lula não gostaria de tirá-lo porque é uma das poucas figuras que ainda o presidente conversa de igual para igual, o presidente escuta. Mesma idade, uma trajetória semelhante, 40 e tantos anos de amizade, mas o Wagner vai sair’.”
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“Eu falei: ‘por que não saiu ontem? Porque ele está impondo um desgaste pavoroso pro Palácio do Planalto, para o presidente Lula, para a candidatura do presidente Lula à reeleição. Que tipo de aliado é esse que impõe ao presidente o custo da barafunda na qual se meteu?'”, questionou Daniela.
“A fonte me respondeu basicamente o seguinte: ‘Conhecendo como eu conheço, entendo que não quis sair no dia porque ali seria uma coisa de quase que de admissão de culpa, mas então logo a coisa assente deve sair exatamente para preservar a própria candidatura, preservar o Palácio do Planalto e preservar o presidente Lula'”, continuou.
A colunista destacou que o descontentamento no Palácio do Planalto foi imenso porque Wagner não só não prestou informações convincentes, como empurrou para Lula, que mantém silêncio sobre o tema, a responsabilidade de resolver a situação dele.
“O Lula ganha tempo porque, ao não falar, o que o Jaques fez? O Jaques disse: ‘Eu conto com a solidariedade do presidente. Ele me ligou para dizer que é solidário, que confia em mim’. O Lula poderia ter dito publicamente, mas não disse. Fica o dito pelo não dito. A palavra do Jaques contra o silêncio do Lula.”
“O silêncio pode ter, nesse caso, duas interpretações. Quem cala, consente, ou seja, endossa. Ou se não pode falar bem, não fale nada. Lula ganha tempo para não tomar uma decisão que vai ser traumática do campo do ponto de vista pessoal, talvez no calor da crise”, continuou a colunista.
A colunista citou pontos da entrevista concedida por Lula ao UOL em fevereiro deste ano que explicariam a postura do presidente diante da crise envolvendo Jaques Wagner. “Pontos da entrevista que a gente fez me chamaram atenção porque achei ela sintomática para entender um pouco o processo de tomada de decisão do presidente Lula. Ele falou: ‘Daniela, eu não tomo decisão com febre alta'”.
“Ou seja, se a crise tá bombando, se a crise tá latejando, ele recua e aguarda. Parece ser o que tá fazendo agora. Não acho que seja a medida mais inteligente, porém é o que o ‘Lula 3’ aos quase 80 anos de idade tem a oferecer”, disse. “É uma figura que se já fez história por ser três vezes presidente da República, entende que foi assim que chegou, até onde chegou, mudar não vai. E, aliás, é o que muitos dos aliados dele hoje dizem. Lula escuta muito pouca gente e ainda assim os poucos que ele escuta nem sempre conseguem convencê-lo de que o que está acontecendo merece uma abordagem diferente da que ele entendeu”, finalizou Daniela.
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