A ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, afirmou que continuará no cargo e que uma eventual decisão sobre seu afastamento cabe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi feita após relatos de assédio moral e racismo envolvendo funcionárias e ex-funcionárias do ministério.
O site Alma Preta revelou as acusações, que apontam Cida Gonçalves e a secretária-executiva Maria Helena Guarezi como responsáveis. Segundo o veículo, 17 testemunhas, sob anonimato, relataram que a ministra teria demitido uma secretária por priorizar a campanha eleitoral em de em detrimento de suas funções. Há ainda relatos de racismo praticado por Guarezi e alegações de omissão por parte de Cida ao ser informada dos casos.
A ministra afirmou que continuará trabalhando normalmente e informou que o ministério está preparando uma nota oficial para se posicionar sobre as acusações.
Os relatos de assédio moral contra a ministra envolvem a secretária de Articulação Institucional, Ações Temáticas e Participação Política, Carmen Foro, exonerada em 8 de agosto. Depois da demissão, a ministra teria usado uma reunião para “ameaçar” o emprego de funcionárias que faziam parte da equipe de Foro. Em uma gravação obtida pelo Alma Preta, é possível ouvir a ministra dizendo “quem é dela e quem veio com ela, tinha que ir”.
A ministra também foi acusada de contribuir para um ambiente de trabalho marcado por assédio moral e perseguição. O site registrou laudos de problemas como síndrome de burnout, crises de pânico e de ansiedade por causa do ambiente de trabalho. Ao todo, foram 59 demissões registradas no DOU (Diário Oficial da União) desde o início da gestão de Cida Gonçalves.
Já a secretária-executiva, Maria Helena Guarezi, foi acusada de racismo por supostamente ter pedido a Carmen Foro, que tem cabelo crespo, para se sentar durante uma reunião. Segundo relatos, o cabelo de Foro estaria “atrapalhando a visão do espaço”.
As funcionárias e ex-funcionárias alegam que a ministra das Mulheres sabia do caso, mas não agiu. Outras relataram ser comum ouvir comentários como “de novo isso de racismo?” e “já vem essa de mulher negra”.
Meu amigo Gonzaga Patriota, decano da Câmara dos Deputados, está aniversariando hoje. Em meio aos paparicos que recebe desde cedo, aproveito para lamentar a sua não reeleição. Patriota foi um excelente parlamentar, sério, trabalhador, criativo e extremamente devotado às suas bases.
Uma pena não ter emplacado o 11º mandato por um triz. Perdeu o Sertão, o Agreste, Pernambuco, enfim. Não é fácil se eleger federal por dez mandatos seguidos, 40 anos de parlamento nacional. Mas é fácil de explicar. Patriota nunca desapontou a sua legião de eleitores e fãs.
Que construiu, diga-se de passagem, com muito suor no rosto, serviço prestado ao Estado e à sua gente. Diferente do que acontece hoje, as emendas parlamentares de Patriota se destinavam a projetos estruturadores do Nordeste, como a Ferrovia Transnordestina, da qual foi autor do projeto original.
Nunca fiz uma viagem ao Agreste ou Sertão para não encontrar Patriota em suas bases, ouvindo o povo, colhendo sugestões e reivindicações. Tem a sabedoria inerente a um político: ouvir a voz rouca das ruas. Patriota honrou todos os seus mandatos, e sou prova disso porque faço a cobertura do Congresso Nacional desde que aportou em Brasília para cumprir o seu primeiro mandato.
Patriota não se reelegeu por falta de votos. Teve quase 70 mil votos. Não emplacou o décimo primeiro mandato por um único motivo: foi traído por deputados do seu próprio partido, o PSB, que invadiram as suas bases.
O Governo Raquel Lyra (PSD) autorizou que laudos de mamografia do programa Caminhão da Mulher fossem distribuídos fora da rede oficial de saúde e entregues na residência de um vereador aliado no Cabo de Santo Agostinho. Em vídeo nas redes sociais, o vereador Sargento Almeida (PSD) anuncia que os exames “acabaram de chegar” e orienta as pacientes a buscá-los em sua casa, na Charneca, com documento em mãos, além de divulgar telefone de gabinete.
Ao deslocar a guarda e a entrega de exames médicos para um endereço privado e sob comando político, o governo estadual assume a responsabilidade por um fluxo que expõe o sigilo do paciente e converte uma política pública de saúde em instrumento de promoção de aliado, pré-candidato a deputado federal pelo próprio PSD, em ambiente pré-eleitoral.
O Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (SINPOL-PE), em parceria com a ADEPPE, realizou nesta terça-feira (27) uma passeata no Recife em defesa da valorização profissional da categoria e do cumprimento da ação da carga horária, direito já reconhecido pela Justiça.
A mobilização teve início na sede do SINPOL e seguiu em caminhada pelas avenidas Cruz Cabugá e Conde da Boa Vista, passando pela Rua da Aurora, até chegar ao Palácio do Governo, no bairro de Santo Antônio. Ao longo do percurso, Policiais Civis ativos, aposentados e recém-ingressos na carreira reforçaram a cobrança por respeito, diálogo e pela efetivação das decisões judiciais.
No Palácio do Governo foi realizada uma assembleia onde foram deliberadas as seguintes ações: – 4 de fevereiro: paralisação da Polícia Civil por 24 horas; – 11 de fevereiro: nova passeata, às 15h, com saída da sede do SINPOL, em conjunto com a ADEPPE, com POSSIBILIDADE DE DECRETAÇÃO DE GREVE; – Abertura de agenda conjunta com a governadora, a partir do dia 5 de fevereiro; – Entrega do PJES, que passa a ocorrer no mês de março.
A categoria também voltou a denunciar a falta de investimentos estruturais na Polícia Civil de Pernambuco. O estado segue entre os que possuem os piores salários do país, além de delegacias funcionando em condições precárias, muitas vezes sem manutenção adequada, água potável e material básico de trabalho.
De acordo com o presidente do SINPOL-PE, Áureo Cisneiros, a valorização da Polícia Civil precisa ir além de discursos e publicações institucionais. Para ele, é necessário que o Governo do Estado transforme o reconhecimento público da importância da categoria em ações concretas. “Valorização é carreira, é estrutura, é Lei Orgânica e, principalmente, o cumprimento daquilo que já foi garantido pela Justiça. A Polícia Civil não pode continuar sendo desrespeitada após anos de decisões judiciais favoráveis e promessas que não saem do papel”, afirma.
Ainda de acordo com o presidente do SINPOL-PE, Áureo Cisneiros, a Polícia Civil de Pernambuco não pode continuar sendo utilizada ou exposta em meio a disputas políticas. Ele destacou que a instituição, com mais de 200 anos de história, precisa ser respeitada e preservada. “A Polícia Civil não pode ser desmoralizada, nem colocada em situações que levantem questionamentos sobre ordens, interesses ou interferências externas. É uma instituição bicentenária, formada por servidores que cumprem a lei, e que não pode ser desrespeitada por decisões políticas. Quem determina investigações precisa ter responsabilidade, transparência e respeito com a Polícia Civil e com a sociedade pernambucana”, enfatiza.
O Governo de Pernambuco realiza, de hoje (28) até sexta-feira (30) as cerimônias de entrega de certificados do Programa Qualifica PE para mais de 200 pessoas privadas de liberdade em unidades prisionais de Igarassu, Abreu e Lima e Caruaru. A iniciativa é executada pela Secretaria de Desenvolvimento Profissional e Empreendedorismo (SEDEPE) e integra a política estadual de qualificação profissional, que desde 2024 passou a incluir o sistema prisional.
Ao todo, serão certificados 249 reeducandos: 75 no Presídio de Igarassu, 75 no Centro de Observação e Triagem Everaldo Luna (COTEL), em Abreu e Lima, e 99 na Penitenciária Juiz Plácido de Souza, em Caruaru. Os cursos ofertados abrangem áreas como gastronomia, instalações elétricas e hidráulicas e preparo de alimentos e bebidas, além de possibilitarem a remição de pena, conforme a legislação. As cerimônias ocorrem no Presídio de Igarassu, no dia 28; no COTEL, no dia 29; e na unidade prisional de Caruaru, no dia 30, com apoio da Secretaria de Administração Penitenciária.
O presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), desembargador Ricardo Paes Barreto, prestigiou, na noite desta terça-feira (27/1), a entrega de 103 títulos de propriedades a moradores da comunidade Laura Ramos de Brito, em Afogados da Ingazeira.
A ação faz parte do Programa Moradia Legal do TJPE em parceria com a prefeitura do município do Sertão.
Os beneficiados com a iniciativa, compostos por uma população de baixa renda, receberam os documentos dos imóveis de forma gratuita.
Na ocasião ainda, pelo zelo e pelas ações realizadas no município e arredores, o presidente do TJPE recebeu o título de cidadão Afogadense, concedido por unanimidade pela Câmara dos Vereadores de Afogados da Ingazeira.
Estiveram presentes também: o desembargador Mozart Valadares; os juízes Oswaldo Lobo e Daniela Rocha; a coordenadora adjunta do Moradia Legal, Sara Lima; o prefeito e o vice-prefeito de Afogados da Ingazeira, Alessandro Palmeira e Daniel Valadares, respectivamente; o presidente da Câmara dos Vereadores, Vicente Zuza; o prefeito de Iguaracy, Pedro Alves; o tabelião Carlos Gomes; a advogada Diélida Lima, representando a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no município; a engenheira Tamara Pires, representando o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (CREA-PE); e o ex-prefeito de Afogados da Ingazeira, Totonho Valadares; além de diversos representantes da comunidade e de organizações civis.
O pernambucano-brasiliense Aurélio Macêdo Rodrigues será empossado nesta quarta-feira (28) como associado correspondente do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP), em cerimônia realizada no Recife. Administrador de empresas, empresário e historiador, ele reside há mais de 30 anos em Brasília, onde construiu trajetória profissional ligada à Câmara dos Deputados, atuando por décadas como assessor parlamentar em diferentes gabinetes e setores da Casa.
A indicação de Aurélio Rodrigues ao instituto está relacionada ao seu interesse por pesquisas históricas e projetos voltados à preservação da memória. Atualmente, ele desenvolve o site “Genealogia do Pai Chico”, plataforma colaborativa dedicada ao mapeamento genealógico de sua família, que reúne mais de 3 mil descendentes distribuídos em oito ramos familiares e sete gerações documentadas. Ele também é um dos coautores do livro A Máquina do Tempo.
Segundo o presidente do IAHGP, George Cabral de Souza, a escolha levou em consideração a afinidade do indicado com os objetivos da instituição. No convite, Cabral destacou a “trajetória em defesa das causas que nos são comuns”. A posse ocorre às 15h, durante a sessão magna comemorativa dos 164 anos de fundação do instituto, na sede localizada na Rua do Hospício, no bairro da Boa Vista, ocasião em que também serão empossados outros membros honorários, efetivos e correspondentes.
A Assembleia Legislativa deve instaurar uma comissão especial para investigar a governadora Raquel Lyra, com base na violação do dever de decoro, moralidade e imparcialidade, com a perda do mandato e inabilitação por abuso de poder, por ter exercido interferência policial contra um adversário político, com atos cominados contra a lei.
A denúncia é gravíssima. Onde deveria haver segurança jurídica, deu-se o desrespeito a essas premissas. Raquel é delegada licenciada da Polícia Federal e sabe que não pode agir nem acima, nem, muito menos, fora da lei.
Raquel atacou a democracia com suas ações ilegais. Seus delegados agiram em direção oposta ao que estabelece a lei. Raquel negou o Estado de Direito, na medida em que não foi emanada ordem judicial para grampear e rastrear o carro oficial da Prefeitura do Recife.
Raquel e seu trio de delegados macularam princípios e agiram com desídia e claramente de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções.
Raquel, craque em show de horror, mandou reabrir pela segunda vez um inquérito arquivado e polêmico, tomando decisões de ofício, sem a participação do Ministério Público e sem ordem judicial, sem finalidade específica para as investigações, gerando controvérsias jurídicas e políticas.
Raquel perseguiu João de Eduardo Campos, foi parcial, ilegal e atentou à honra, dignidade e decoro de suas funções. Raquel, sobrinha de Fernando Lyra, o ministro da Justiça de Tancredo Neves que removeu o entulho autoritário no país, agora, ao contrário do tio, flerta com o Tribunal da Censura e do Rastreamento de adversário.
A Constituição Federal, no artigo 5º, XXXVII, diz que não haverá juízo ou tribunal de exceção. O artigo 5º, IV, da mesma Constituição assegura o direito ao devido processo legal, que inclui a garantia de que nenhuma punição será imposta sem que haja um processo justo, isento e transparente.
Raquel violou o direito à liberdade e à segurança, com provas parciais, sem base em provas lícitas e formalidades observadas, sem o devido processo legal.
Raquel é um emblema do arbítrio. O Pernambuco de Raquel não é o dos Leões do Norte, de Agamenon Magalhães, Cid Sampaio, Miguel Arraes, Nilo Coelho, Marco Maciel, Jarbas e Eduardo Campos.
Raquel, o que tu tens, ó musa de ar magoado, em teu rosto afloram, lado a lado, a loucura e a aflição.
Uma pesquisa da consultoria mexicana Áltica Research com dados sobre avaliação presidencial e intenção de voto no pleito de outubro foi divulgada nas redes sociais na segunda-feira sem que a empresa tivesse feito seu registro na Justiça Eleitoral, conforme prevê a legislação. O relatório aponta uma ligeira vantagem, dentro da margem de erro de 2,8 pontos percentuais, do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um possível cenário de segundo turno na disputa pelo Planalto. O filho de Jair Bolsonaro aparece com 48%, e o petista soma 47%.
A divulgação dos dados foi feita pela Áltica Research na rede social X. O caso foi antecipado pelo portal Jota, especializado na cobertura do Judiciário, e confirmado pelo GLOBO. A legislação eleitoral estabelece que todas as pesquisas divulgadas em anos com pleito devem ser documentadas junto ao TSE. A divulgação sem o prévio registro das informações sujeita os responsáveis à multa entre R$ 53.205 e R$ 106.410. As informações são do jornal O GLOBO.
Questionado sobre quais medidas serão tomadas diante da divulgação desta pesquisa, o TSE não respondeu. Em resposta à reportagem, a Corte se limitou a apontar as punições previstas na legislação e destacou que, no mês que vem, realizará audiências públicas para receber sugestões da sociedade destinadas ao aperfeiçoamento das resoluções que vão orientar as Eleições de 2026.
Professor de direito eleitoral da FGV-SP, Fernando Neisser destaca que pesquisas divulgadas no ano eleitoral influenciam a cobertura noticiosa e a aproximação de doadores, contribuindo para beneficiar ou prejudicar campanhas. Por conta dessa sensibilidade, há a necessidade do registro no TSE.
— Outros países adotam um sistema semelhante, que permitam a fiscalização das pesquisas. Isso ocorre para evitar que eventuais relatórios fraudulentos possam influenciar de forma indevida a corrida. No caso em discussão, vemos uma empresa estrangeira veiculando a pesquisa sem o registro. Ela ser mexicana não a isenta de sofrer um processo no âmbito da Justiça brasileira e ser apenada — avalia.
O relatório da empresa mexicana afirma que a sondagem foi realizada entre os dias 23 e 25 de janeiro, com 1.200 entrevistados acima dos 18 anos. Por meio de um painel online e recrutamento via internet, os pesquisadores ouviram eleitores de todos os estados. A metodologia adota é conhecida como river sampling.
A consultoria afirma no documento que o estudo foi executado e financiado de forma independente. Procurada pelo GLOBO, a Áltica Research não se manifestou.
A utilização da metodologia foi criticada pelo estatístico Raphael Nishimura, que também é diretor de amostragem na Universidade de Michigan (EUA). Segundo o pesquisador, estudos recentes mostram que relatórios que utilizam destes painéis “têm enfrentado inúmeros problemas de qualidade de dados”.
— Há problemas com relação a vieses de seleção, por decorrência de que, em geral, pessoas mais engajadas politicamente tendem a responder esses anúncios para esses tipos de pesquisa online. Também há inúmeras questões com a qualidade dos dados, desde respondentes que não prestam muito atenção nas perguntas até, mais recentemente, haver robôs respondendo essas pesquisas, que estão cada vez mais difíceis de serem detectados — afirma Nishimura.
A expressão “pato manco” (lame duck) na política americana refere-se a um(a) governante ou político(a) que continua no cargo após perder a reeleição, anunciar aposentadoria ou estar em seu último mandato permitido. Ele(a) detém o poder formal, mas perdeu influência, autoridade e capacidade de implementar novas medidas, tornando-se um “morto-vivo” (ou “morta-viva”, no caso em pauta) político, com foco restrito no final de seu mandato. Ladeira abaixo, tropeçando ao descer as escadas.
Pernambuco assiste, como o restante do país, estarrecido, à incrível capacidade da desastrada, incompetente e arbitrária governadora Raquel Teixeira Lyra de conduzir com equilíbrio e prudência os mais comezinhos assuntos do Estado. Duas trapalhadas reveladas recentemente, mas que vêm de longe, provocaram escândalos nacionais e perplexidade internacional. Nunca, jamais em tempo algum, sob as regras de um regime democrático, um Executivo de qualquer nível usou a estrutura governamental para, no completo desrespeito às leis, determinar medidas ilegais, imorais e sujeitas ao defenestramento do cargo e à condenação da História.
O que fez de tão ruim essa simpática mulher? Para ficar apenas nesses dois casos: primeiro, nomeou um primo afim para a presidência da entidade que também controla o transporte rodoviário. A empresa Caruaruense, fundada por seu avô e nos extertores dirigida por seu pai, agonizava. Raquel Teixeira Lyra determinou, por meio do preposto, que nenhuma fiscalização fosse feita, nenhuma taxa fosse cobrada, e a empresa circulou ainda por três anos sem as mínimas condições operacionais. Com riscos reais à integridade e até à vida de milhões de passageiros. A governadora foi forçada, ela em pessoa, a anunciar a falência da empresa, cuja operação já foi assumida por outra concessionária no último fim de semana. Um jogo marcado e previsto. Como, aliás, O Poder anunciou com exclusividade — tanto a data da substituição como a empresa sucessora.
Incrível, mas o pior ainda vem.Explodiu no Domingo Espetacular, da Rede Record. Uma coisa que nós aqui, de O Poder, vínhamos denunciando há meses. O uso direcionado da Polícia Civil para fins políticos. Com o objetivo de perseguir adversários. Alertamos. Ninguém quis ouvir. Tentaram desmoralizar as denúncias, coisa que ninguém nesse governo e nos seus arredores áulicos tem condições morais de fazer. Temos história e conceito. Raquel Teixeira Lyra tem histórico familiar, conceito indefinido e lealdade duvidosa à trajetória dos seus familiares, predecessores na política.
Virou um “pato manco”. Está no cargo, mas já não governa; dá ordens, mas já não manda; mantém a pose, mas já não é respeitada. Melhor seria abreviar a sangria, a estas alturas inevitável. Porém isso, só ela pode decidir.
Com uma corridinha de 8 km, ontem, na Praça das Mangueiras, em Paulo Afonso (BA), encerrei uma viagem de 5 mil km por terra, num período de 14 dias, entre Alagoas, Bahia e Minas Gerais, ao lado da minha Nayla e suas primas Tayse e Kelly Lira. Nas férias, resolvi andar pelo Brasil de carro, aventura que não fazia há muito tempo.
Dividi o comando da direção com meu amigo Cid Severo, esposo de Kelly, que já me acompanha nas viagens pelos rincões do Estado nos lançamentos do livro Os Leões do Norte. Viajar de carro é cansativo, mas extremamente agradável. Saímos sem pressa. Paramos onde identificamos roteiros de puro relax, descontração, curtição e passeios maravilhosos.
A primeira parada foi numa estação de história e de águas, onde se abre a janela ao acordar saudado por um braço do Rio São Francisco: Piranhas. Encontramos uma Piranhas apinhada de turistas em busca da rota do cangaço e do passeio nos cânions do Velho Chico.
Alugamos uma lancha e nos encantamos com o 5º maior cânion navegável do mundo com o passeio náutico pelos Cânions do São Francisco. Paisagens majestosas, piscinas naturais cristalinas em paradinhas para banho. A aventura proporciona uma imersão completa na beleza natural da região, com a oportunidade de saborear a culinária local em um dos restaurantes durante a parada para o almoço.
Vale entrar na Gruta do Talhado, a parte mais estreita dos cânions, visão única e espetacular deste magnífico fenômeno natural. De Piranhas, alcançamos Milagres, na Bahia, onde pernoitamos, para atingir nosso segundo roteiro: Vitória da Conquista, no sudoeste baiano. Com 370 mil habitantes, é a segunda melhor cidade em qualidade de vida no Nordeste.
Lá, o roteiro foi familiar, sentimental e extremamente emocionante: rever e apresentar a minha Nayla à tia Maria Lídia, a Lila, a única remanescente das seis Marias, entre elas Maria Margarida, minha saudosa mãe. Na companhia da sua filha Ivone, do genro Sinval e do neto Guilherme, tia Lila nos recebeu para um almoço que se prolongou até o final da tarde. Muita conversa dos arcos da velha sobre mamãe e meu pai Gastão, além de Zizi, esposo da tia Lila, que Deus chamou com pouco mais de 60 anos.
De Conquista, fizemos uma paradinha, também de caráter sentimental e familiar, para conhecer Medina, já em Minas, terra do meu amigo José Maria Trindade, da Jovem Pan de Brasília. Ele não estava na cidade, mas fomos recebidos pelo casal Juliana e Franck, amigos-irmãos de Zé Maria, que nos ofereceram um churrasco com direito a todos os quitutes mineiros.
De lá, alcançamos Diamantina, a primeira das cinco cidades históricas de Minas no nosso roteiro — Ouro Preto, Mariana, São João del-Rei, Tiradentes e Diamantina. Que rota espetacular! De todas as cidades históricas de Minas Gerais, Tiradentes foi a que mais sincronizou com a modernidade: fez suas pousadas virarem butique, suas cozinhas ganharem chefs, seu casario se manter pintado. Nossa estada lá coincidiu com o festival de cinema, famoso nacionalmente.
De lá, alcançamos Diamantina, a primeira das cinco cidades históricas de Minas no nosso roteiro — Ouro Preto, Mariana, São João del-Rei, Tiradentes e Diamantina. Que rota espetacular! De todas as cidades históricas de Minas Gerais, Tiradentes foi a que mais sincronizou com a modernidade: fez suas pousadas virarem butique, suas cozinhas ganharem chefs, seu casario se manter pintado. Nossa estada lá coincidiu com o festival de cinema, famoso nacionalmente.
Outro deslumbre foi a cidade de Mariana, com sua rica história que remonta ao período colonial do Brasil. Isso porque, desde sua fundação em 16 de julho de 1696, faz parte da tradição e cultura de toda Minas Gerais. Mariana foi um arraial chamado Nossa Senhora do Carmo. Porém, rapidamente se tornou um importante fornecedor de ouro para Portugal e, em 1711, foi elevada à categoria de vila, recebendo o nome de Vila de Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo.
Lá, estivemos em vários pontos turísticos, entre eles a Basílica de São Pedro dos Clérigos, construção no século 18, em madeira dourada, pinturas e esculturas. Sua fachada tem uma grande cúpula, com duas torres, o que a destaca no alto da cidade.
Passamos também pela Catedral Basílica da Sé, igreja central, fundada em 1704. Tornou-se catedral desde a criação da Diocese de Mariana, em 1745. Conhecemos ainda as igrejas Nossa Senhora do Carmo e São Francisco de Assis. As duas ficam uma ao lado da outra, na Praça Minas Gerais, atual sede da Câmara de Vereadores de Mariana. Ambas possuem estilos arquitetônicos próprios, ainda que contem com artes de pedra-sabão e fachadas barrocas.
Ouro Preto foi a cidade que mais nos encantou. Patrimônio Mundial da Unesco, tem um conjunto de igrejas barrocas, ladeiras históricas e minas de ouro. Emocionante passar na Praça Tiradentes, no Museu da Inconfidência, na Igreja de São Francisco de Assis (Aleijadinho) e na Basílica do Pilar, além das Minas de Chico Rei ou da Passagem. A gastronomia mineira e o artesanato em pedra-sabão são espetaculares. Comemos muito bem, com preços razoáveis, inclusive as pousadas também bem acessíveis e confortáveis.
As janelas magníficas de Ouro Preto são grandes, iguais às suas subidas e descidas. Ouro Preto é o cheiro do café fresco, o som dos sinos e o pôr do sol dourando os telhados. É a cidade onde o barroco se mistura com a resistência.
Além dos seus sítios históricos, andar por Minas Gerais é se deparar com montanhas onduladas que se perdem no horizonte. Minas Gerais não tem mar, mas tem montanhas lindas e cheias de história. Tem também um povo educado, com grandeza e retidão. O mineiro sabe receber os turistas com muita alegria e bom humor.
Perguntaram a Rubem Alves, meu cronista favorito, sobre seus sonhos. Ele assim sintetizou: “Meus sonhos? Sonho em ter tempo para curtir as montanhas e cachoeiras das Minas Gerais”.
Com o anúncio do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, de que deixará o União Brasil para se filiar ao PSD de Gilberto Kassab, o partido embaralha o tabuleiro eleitoral de 2026 e mexe nas articulações dos palanques estaduais.
O objetivo inicial e principal — segundo lideranças — é se colocar como alternativa de centro-direita sem Bolsonaro, com nomes para um pós-bolsonarismo. As informações são do g1.
Nos bastidores, o movimento é visto como o mais relevante no campo desde o anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em dezembro do ano passado, apresentado por Jair Bolsonaro como seu escolhido.
Agora, Caiado passa a integrar um trio com os governadores Ratinho Júnior (PSD-PR) e Eduardo Leite (PSDB-RS). Pelo desenho atual, um desses nomes deve sair como cabeça de chapa numa futura candidatura presidencial.
Caiado afirmou que o compromisso firmado com Kassab é garantir liberdade total ao escolhido para compor palanques. “Se eu for o candidato, por exemplo, subo no palanque do Neto, na Bahia”, disse o governador goiano.
Fator Tarcísio Nos bastidores, o movimento de Kassab foi visto também como uma sinalização clara de que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), está saindo do jogo.
Kassab sempre defendeu o nome de Tarcísio como sucessor natural de Bolsonaro. Mas com o anúncio do nome de Flávio, o PSD passou a trabalhar com a hipótese de candidatura própria.
Se Tarcisio for candidato, Kassab estará com ele. Por isso, quem acompanha as articulações de bastidor avalia que Kassab não faria esse movimento ousado se não estivesse apostando que Tarcisio está fora.
Ainda assim, mesmo com a candidatura de Tarcísio cada vez mais remota, já que depende do recuo de Flávio, se algo mudar até a consolidação das candidaturas, para Tarcísio é mais fácil negociar com Kassab e com o PSD no campo da centro-direita.
Incluindo o nome de um vice na chapa, por exemplo. Ou, em outro cenário, até a negociação da retirada do PSD da disputa torna-se mais fácil, uma vez que o presidente do partido é aliado do governador paulista e sonha com o Palácio dos Bandeirantes.
E quem observa os movimentos do governador vê na jogada de Kassab — se levada até o fim — uma saia justa para Tarcisio. Motivo: o governador – apesar dos apoios públicos à família Bolsonaro – sempre se colocou como um perfil diferente do ex-presidente e dos filhos, mais moderado.
Com a candidatura de Flávio posta, e, agora, uma alternativa de centro-direita, como ele fará? Não vai subir no palanque do Flávio?
Por ora, a posição oficial de Flávio Bolsonaro é comemorar. Disse ao blog achar “muito bom” movimento do partido.
Com essa nova configuração para concorrer ao Planalto, a aposta de lideranças partidárias do partido é de que o — com esses candidatos — racha o centro com o qual Lula está contando — e em um eventual segundo turno, uni-se ao petista. “Criou se uma alternativa de um nome que vai buscar centro-direita nessa discussão”, Caiado disse ao blog.
Sobre um cenário de segundo turno, o governador de Goiás disse que “não foi feito um compromisso” por ora. Mas descarta apoio a Lula, por exemplo. “Eu não tenho como ir com Lula, por exemplo. Ordem pessoal de cada um”.
Enquanto isso, no PT, a expectativa é atrair a ala lulista que está dentro do PSD de Kassab e discutir apoios regionais caso por caso, mas, até o momento, os primeiros relatos ouvidos pelo blog mostram que agora um apoio fechado embarcando com Lula fica mais difícil com esse trio (Caiado, Ratinho Júnior e Eduardo Leite) encabeçando as discussões, por conta dos perfis marcadamente antipetistas de todos eles.
Até que ponto o Estado pode vigiar um cidadão? Onde termina o dever de investigar e começa a violação da privacidade? Um recente episódio envolvendo a Polícia Civil de Pernambuco e um secretário da Prefeitura do Recife não apenas reacende esse debate, mas serve como um alarmante estudo de caso sobre o desrespeito às garantias fundamentais e o potencial uso político do aparato policial.
Segundo noticiado, uma investigação sigilosa, que durou três meses e mobilizou uma estrutura considerável de delegados e agentes, foi iniciada com base em uma simples denúncia anônima. Durante esse período, teria sido utilizado um rastreador veicular para monitorar os passos do secretário. O mais alarmante, contudo, foi a tentativa de usar o Clearview AI, uma controversa tecnologia de reconhecimento facial, para identificar e obter dados de todas as pessoas que se aproximassem do alvo. Tudo isso sem a devida autorização judicial.
Para o cidadão comum, a questão pode parecer complexa, mas a ilegalidade de tal procedimento é cristalina e repousa sobre pilares básicos do nosso Estado de Direito.
Primeiro, a denúncia anônima não é um cheque em branco. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem uma posição pacífica de que uma delação apócrifa, por si só, não pode dar início a medidas invasivas. Ela pode, no máximo, justificar uma apuração preliminar e discreta para verificar se os fatos narrados têm alguma verossimilhança. Iniciar uma operação de grande porte, com vigilância contínua por meses, com base apenas nisso, é um abuso flagrante. A denúncia anônima pode ser uma ferramenta para a vingança pessoal ou, como o contexto sugere, para a perseguição política.
Segundo, e mais grave, é a vigilância em massa sem autorização de um juiz. O uso de tecnologias como o Clearview AI representa um salto qualitativo na capacidade de vigilância do Estado. Esse software não apenas identifica uma pessoa; ele vasculha bilhões de imagens da internet para mapear sua vida, seus contatos e seus hábitos. Ao mirar não apenas o investigado, mas todos que com ele se relacionam, a polícia promove uma devassa indiscriminada na vida de cidadãos que não são alvo de qualquer suspeita.
A Constituição Federal, em seu artigo 5º, protege de forma rigorosa o direito à intimidade, à vida privada, à imagem e, mais recentemente, à proteção dos dados pessoais. O uso de reconhecimento facial para criar um mapa de relações sociais é uma das mais profundas invasões de privacidade imagináveis e, por isso, submete-se à cláusula de reserva de jurisdição. Apenas um juiz, de forma imparcial e fundamentada, pode autorizar uma medida tão extrema, garantindo que ela não seja usada de forma arbitrária. Quando a polícia decide por conta própria quem e como vigiar, ela usurpa uma função que não é sua e coloca em risco a liberdade de todos.
As provas obtidas por esses meios são consideradas ilícitas. No direito, vigora a “Teoria dos Frutos da Árvore Envenenada”: se a origem da prova é ilegal (a árvore), tudo o que dela derivar (os frutos) também estará contaminado e não poderá ser usado em um eventual processo. A consequência jurídica para uma investigação conduzida dessa forma é, invariavelmente, a sua completa anulação.
O cenário se torna ainda mais preocupante quando adicionamos a variável política. A investigação mirou um auxiliar direto do prefeito do Recife, João Campos, em um governo estadual comandado por sua adversária política, Raquel Lyra. Quando o aparato policial é utilizado em um tabuleiro de xadrez político, a democracia adoece. A força do Estado, que deveria servir para proteger a sociedade, passa a ser uma arma para intimidar e desgastar oponentes.
A eficiência na luta contra o crime não pode servir de desculpa para o arbítrio. Os fins não justificam os meios, especialmente quando os meios atropelam a Constituição. O caso de Pernambuco deve servir de lição: a vigilância sem controle judicial não é investigação, é arbítrio. E em uma democracia, não há espaço para isso.
*Advogado com especializações em Direito Penal e Processo (ESMAPE); Governança Corporativa, Conformidade e Análise de Risco (UFPE); Compliance (COIMBRA); Gestão Pública e Processo Legislativo (UPE).