Lula enche os cofres da Globo
Os veículos de comunicação do conglomerado Globo, entre os quais a TV, carro-chefe do grupo, voltaram a ter privilégio em publicidade oficial com a volta do PT ao poder. Ganhou R$ 462 milhões com anúncios do governo federal (administração direta) desde 2023, mais que o dobro do que teve nos primeiros três anos de Bolsonaro. Record, SBT e Band perderam espaço.
No governo anterior, de Jair Bolsonaro (PL), as verbas direcionadas à Globo nunca chegaram a 30% do total. O dinheiro era distribuído de forma quase igual em proporção com a Record e o SBT — a emissora da família Abravanel ganhava um pouco menos. Com Lula, a distância da Globo para outras TVs disparou já no primeiro ano de mandato e se manteve dessa forma ao longo dos dois anos seguidos, conforme levantamento do site Poder360.
Leia maisOs canais do Grupo Globo ganharam quase metade (49,4%) do valor gasto em publicidade via televisão pela administração direta do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste terceiro mandato até agora. As verbas são de anúncios da Secom (Secretaria de Comunicação Social) e dos ministérios e alguns órgãos controlados exclusivamente pelo Poder Executivo, o que se chama de administração direta. Não são divulgados pelo governo os gastos de empresas estatais federais.
O dinheiro gasto com publicidade estatal federal pela administração direta ficou distribuído da seguinte forma nos três primeiros anos do atual governo Lula: 2023: R$ 345,1 milhões em propaganda via TV, sendo que R$ 175,5 milhões ficaram com as emissoras da Globo; 2024: o conglomerado de mídia levou R$ 169,8 milhões dos R$ 351,9 milhões distribuídos para televisão; 2025: os canais da Globo ganharam R$ 116,3 milhões dos R$ 236,9 milhões do total da TV.
Esses dados são parciais e ainda vão crescer com as atualizações de fim de ano. Sob Lula, os canais da Globo foram os únicos que cresceram na participação da publicidade estatal federal. Todos os outros grandes grupos perderam espaço na comparação com 2022.
INTERNET AVANÇA – Em 2024, último ano com dados fechados, a administração federal direta gastou R$ 770 milhões com publicidade estatal. Desse total, 45,7% foram para anúncios na televisão, num padrão semelhante ao de anos anteriores. A internet é o segundo meio preferido do governo pelo menos desde 2019. Em 2023 e 2024, representou 18,5% e 21,0% dos gastos totais com propaganda federal, respectivamente. Agora, em 2025, com números ainda parciais, essa proporção saltou para 35,2%.

A previsão de José Múcio – Em entrevista ao último programa Frente a Frente de 2025, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, arriscou um palpite: em Pernambuco, o presidente Lula terá palanque duplo na campanha da reeleição este ano, distribuindo simpatias para os eleitores de Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB). Se isso se concretizar, Raquel perderá os votos do eleitorado bolsonarista, responsável pela vitória dela no segundo turno em 2022 contra Marília Arraes.
Humberto fará travessia? – Se o ministro tiver certo, o palanque duplo pode levar o senador Humberto Costa (PT) a disputar a reeleição na chapa da governadora. Há dez dias, ele recebeu convite formal de Raquel num encontro reservado. O petista é uma das lideranças estaduais mais próximas ao chefe da Nação e sua travessia não será nenhuma surpresa porque o deputado estadual João Paulo e o deputado federal Carlos Veras, integrantes do grupo do senador, já são aliados de Raquel.
Prefeito petista com Raquel – Em Tabira, terra natal do deputado Carlos Veras, primeiro-secretário da Câmara dos Deputados, o prefeito Flávio Marques, também do PT, apoia a reeleição da governadora. Numa recente entrevista, ele se derramou em elogios a Raquel e deu a entender que Veras também vai trabalhar internamente no PT pelo alinhamento ao palanque da governadora.

Dudu da Fonte com João – Se Humberto mudar de lado, aderindo a Raquel, o deputado Eduardo da Fonte (PP) pode fazer a travessia inversa, saindo da chapa de Raquel para a de João Campos como candidato a senador. João sai lucrando: Dudu, como é mais conhecido, lidera a maior federação no Estado, PP-União Brasil, com o maior fundo eleitoral, tem a maior bancada de deputados na Assembleia Legislativa e ainda o mais amplo, fiel e robusto batalhão de prefeitos espalhado em todas as regiões do Estado.
CURTAS
EMENDAS 1 – Um dos principais focos de tensões entre o Executivo, o Judiciário e o Congresso nos últimos anos, o avanço do Legislativo sobre o Orçamento por meio das emendas parlamentares se consolidou em um patamar historicamente elevado e atingirá novo recorde em 2026. A previsão é de R$ 61,2 bilhões enviados aos redutos eleitorais de deputados e senadores neste ano, quando parte deles tentará se reeleger.
EMENDAS 2 – Em 2025, esse valor chegou a R$ 59 bilhões. A conta inclui as chamadas “emendas paralelas”, valores que são contabilizados como recursos dos ministérios, mas que ficam a critério dos congressistas dizer como e onde devem ser aplicados. Na prática, esses recursos extras servem como instrumento de barganha política pelo governo, que negocia a liberação da verba com o parlamentar em troca de votações de interesse do Palácio do Planalto.
PODCAST – No primeiro podcast Direto de Brasília deste ano, na próxima terça-feira, o entrevistado será o ex-senador Roberto Freire, que reassumiu a presidência nacional do Cidadania, defensor da candidatura presidencial do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.
Perguntar não ofende: Quem soma mais numa chapa ao Senado: Humberto Costa ou Eduardo da Fonte?
Leia menos

















