Por Cláudio Soares*
Em uma operação militar sem precedentes na América Latina, os Estados Unidos capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro na madrugada de 3 de janeiro de 2026, pondo fim a mais de uma década de um regime autoritário que transformou a Venezuela em um Estado de miséria, repressão e fuga em massa da população.
A ação, descrita pela Casa Branca como parte da “Operação Absolute Resolve”, incluiu ataques aéreos coordenados em Caracas e outras regiões, resultando na detenção de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que foram levados sob custódia americana e transportados para os Estados Unidos. Lá, ambos enfrentarão acusações criminais, incluindo “narcoterrorismo” e conspiração para importação de drogas, conforme um mandado de prisão federal emitido em 2020.
Leia maisPara os críticos do regime chavista, a captura representa o desfecho de um ciclo de corrupção sistemática, opressão política e crises econômicas que arruinou uma nação que já foi uma das economias mais promissoras da América Latina. Durante anos, relatos de prisões arbitrárias, torturas e perseguições foram documentados por organizações de direitos humanos, afetando opositores, jornalistas e líderes religiosos, incluindo padres e pastores.
A Venezuela, que dispõe da maior reserva de petróleo comprovada no mundo, viu seu potencial dilapidado sob a gestão chavista, enquanto a população enfrentava escassez de alimentos, hiperinflação e serviços públicos em colapso. Milhões de venezuelanos abandonaram o país, buscando sobreviver em países vizinhos ou além-mar, um êxodo que se reflete nas ruas brasileiras, onde venezuelanos são frequentemente vistos pedindo ajuda em sinais de trânsito e praças.
O envolvimento direto dos Estados Unidos vai além de uma simples questão de justiça criminal. Para Washington, a operação é vista como uma resposta à longa narrativa de um Estado que, segundo autoridades americanas, facilitou o tráfico de drogas e ameaçou a segurança regional. Líderes políticos nos EUA sustentaram que Maduro protagonizou um regime que se tornou um “narco-Estado”, justificando uma ação robusta para capturá-lo e submetê-lo à lei americana.
Por outro lado, a intervenção gerou uma onda de críticas internacionais. A ação foi considerada por muitos como uma violação flagrante do direito internacional e da soberania venezuelana, suscitando ceticismo sobre os interesses reais por trás da operação, inclusive a possibilidade de controle estratégico sobre as vastas reservas petrolíferas venezuelanas.
Com a saída de Maduro, a liderança do país tornou-se objeto de disputa. Enquanto os EUA indicam apoio ao reconhecimento de líderes da oposição eleitos democraticamente, setores chavistas e autoridades remanescentes no país rejeitam categoricamente a legitimidade da operação. No plano interno, grupos opositores venezuelanos afirmam que Edmundo González, reconhecido por aliados internacionais como presidente legítimo eleito, deve assumir o comando da República e liderar a transição para a restauração institucional.
A captura de Maduro provocou reações divididas. Parte da população, dentro e fora do país, celebrou o fim simbólico do que muitos chamam de “narcoditadura”; outros alertam para os riscos de uma escalada de violência, instabilidade política e repercussões econômicas que podem afetar toda a região do Caribe e América Latina.
Para milhões de venezuelanos que sofreram nas últimas décadas, a queda do regime pode significar o começo de uma reconstrução. Mas a história mostra que o caminho para a recuperação democrática, social e econômica será longo e repleto de desafios sobretudo em um país devastado pelo autoritarismo e pela crise.
*Advogado criminalista e jornalista
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