











Se o leitor não conseguiu acompanhar o tributo ao cantor e compositor Nilton César, ícone da música romântica brasileira, no quadro “Sextou”, do programa Frente a Frente, ancorado por este blogueiro e exibido pela Rede Nordeste de Rádio, não se preocupe. Clique aqui e confira. Está incrível!
A ex-senadora Heloísa Helena confirmou presença no meu podcast em parceria com a Folha de Pernambuco, o ‘Direto de Brasília’, da próxima terça-feira (03). De volta ao Congresso Nacional após 18 anos fora do Legislativo, agora na condição de deputada federal pela Rede de Alagoas, substituindo por seis meses o deputado federal Glauber Braga (PSol-RJ), ela vai falar sobre a sua proposta de uma CPI sobre o escândalo do Banco Master e os desdobramentos da política nacional com foco nas eleições deste ano.
Recentemente, ao tomar posse na Câmara, Heloisa prometeu incomodar os congressistas durante seis meses. “Quem me odeia vai se ver livre de mim rapidamente e eu espero dar motivos para que me odeiem mais ainda”, disse em entrevista ao Brasil de Fato.
Leia maisHeloisa Helena tem um perfil forte. Ela não se furta em dizer que é preciso enfrentar quem se apodera do que é público, critica de maneira contundente as emendas parlamentares e questiona a “relação promíscua” entre governo e Congresso. Mesmo chegando agora na Câmara, a deputada afirma que “não veio fazer amigos” e que pretende bater de frente com a extrema direita.
Enfermeira e professora, Heloísa foi a terceira mulher que recebeu mais votos em uma campanha rumo à presidência da República, atrás apenas de Marina Silva e Dilma Rousseff.
Em 1998, foi eleita senadora por Alagoas, com a maior votação daquela eleição. Discordou de políticas do PT, que tinha por conservadoras e, em 2003, foi expulsa da legenda. No ano seguinte, foi uma das pessoas que fundaram o PSol, sendo a primeira presidente do partido. Participou, em 2013, da fundação da Rede Sustentabilidade, partido do qual, atualmente, é a Porta-Voz Nacional.
Heloísa é ligada, desde muito jovem, aos movimentos sociais. Durante a década de 1990, participou no PT em Maceió, de ações que visavam à defesa de minorias e segmentos sociais menos favorecidos. Candidata pela primeira vez em 1992, se elegeu vice-prefeita de Maceió na chapa do então governador Ronaldo Lessa (PSB). Dois anos depois, foi eleita deputada estadual, a primeira pelo PT em Alagoas.
Em 2006 foi candidata à Presidência da República pela coligação PSOL-PSTU-PCB, tendo conquistado a terceira colocação. Foi eleita vereadora de Maceió em 2008.
O ‘Direto de Brasília’ vai ao ar das 18h às 19h, com transmissão pelo YouTube da Folha de Pernambuco e do meu blog, e também em cerca de 165 emissoras de rádio no Nordeste. Retransmitem ainda o programa a Gazeta News (Grupo Collor) em Alagoas; a Rede Mais Rádios, com 25 emissoras na Paraíba; a Mais-TV, sob o comando do jornalista Heron Cid; e ainda a Rede ANC, no Ceará, com mais de 50 emissoras, além TV LW, de Arcoverde.
Entram como parceiros na mídia institucional o Grupo Ferreira, de Santa Cruz do Capibaribe, a Autoviação Progresso, o Grupo Antonio Ferreira Souza, a Água Santa Joana, a Faculdade Vale do Pajeú e o grupo Grau Técnico.
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Do G1/PE
Nove dias após ser empossado, o presidente da Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal (EPTI), Yuri Coriolano, pediu demissão. Ele deixou o cargo após o vazamento de e-mails enviados por ele em 2012, com conteúdos racista e misógino. O gestor divulgou nota à imprensa reconhecendo o erro e pedindo desculpas.
“As frases divulgadas hoje na imprensa não deveriam ter sido ditas e não refletem meus valores, minha trajetória pessoal nem profissional. Reconheço o erro e peço desculpas por qualquer interpretação ou impacto causado”, diz a nota enviada por Yuri Coriolano.
Leia maisYuri Coriolano assumiu o cargo no lugar de Antônio Carlos Reinaux, exonerado após a repercussão de denúncias de que a Logo Caruaruense, empresa de ônibus intermunicipal do pai da governadora Raquel Lyra (PSD), o ex-governador João Lyra (PSD), passou os últimos três anos atuando de forma irregular.
Na nota, Yuri Coriolano disse que sua vida e atuação “sempre foram pautadas pelo respeito às pessoas e pela rejeição a qualquer forma de preconceito”. Tais valores, segundo ele, “fazem parte da minha formação pessoal, familiar e profissional”.
“Entendo que, neste momento, a decisão de deixar o cargo é a medida mais responsável para preservar a instituição, o governo, e o regular funcionamento da administração pública, evitando que questões de natureza individual produzam ruídos indevidos”, diz a nota.
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Em função da morte do cantor e compositor Nilton César, ícone da música romântica brasileira que faleceu na última quarta-feira, aos 86 anos, o Sextou de logo mais, ás 18h, vai reprisar a entrevista concedida pelo artista ao programa, exibida originalmente em 2023, como forma de homenagem à sua trajetória e ao seu legado na música brasileira.
Natural de Ituiutaba (MG), Nilton César ganhou projeção nacional a partir do fim da década de 1960, especialmente com a canção Férias na Índia, gravada em 1969, que vendeu mais de 500 mil cópias e rendeu diversos discos de ouro. Ao longo da carreira, emplacou sucessos como ‘A Namorada que Sonhei’, ‘Espere um Pouco’, ‘Amor, Amor, Amor’ e outras músicas que marcaram o gênero romântico no país.
Na entrevista, Nilton César falou sobre sua vida pessoal, a trajetória artística, os momentos de sucesso e os desafios ao longo da carreira. A conversa, marcada por relatos emocionados e memórias da música brasileira, será reapresentada como um registro histórico e uma homenagem ao artista.
O Sextou vai ao ar das 18h às 19h, pela Rede Nordeste de Rádio, que reúne 48 emissoras em Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Bahia, tendo como cabeça de rede a Rádio Folha 96,7 FM, no Recife. Para ouvir pela internet, acesse o link do Frente a Frente no topo desta página ou baixe o aplicativo da Rede Nordeste de Rádio na Play Store.
Por Rinaldo Remígio*
Petrolina viveu, na manhã de hoje, um daqueles dias que não se apagam da memória coletiva. Um dia emblemático, histórico, carregado de significado não apenas para a população petrolinense, mas para todo o Sertão do São Francisco e suas vastas fronteiras humanas.
Porque Petrolina não é apenas uma cidade. Petrolina é um polo, um farol, uma vanguarda permanente dos acontecimentos políticos, sociais e institucionais do Nordeste. É daqui que muitas transformações partem. É daqui que o Sertão se reinventa.
Leia maisE hoje, mais uma vez, a história foi escrita com letras de esperança.
Foi lançada a pedra fundamental do futuro Hospital de Olhos da Fundação Altino Ventura, em um espaço destinado à construção da unidade – terreno doado pelo município e aprovado pela Câmara Municipal de Petrolina. Um passo gigantesco para ampliar o acesso à saúde oftalmológica especializada em nossa região.
A chegada da Fundação Altino Ventura ao Sertão representa muito mais do que uma obra física: representa um compromisso com o bem-estar da população sertaneja, envolvendo não apenas Pernambuco, mas também municípios do Piauí, Bahia, Ceará e tantos outros estados nordestinos que reconhecem em Petrolina um centro de referência e acolhimento.
O evento contou com a presença de grandes lideranças, como o Dr. Marcelo Carvalho Ventura Filho, vice-presidente da Fundação, além de figuras públicas que reforçam a importância desse momento.
Mas para mim, particularmente, este dia teve um sabor ainda mais profundo.
Voltei no tempo.
Recordei-me do ano de 1974, quando eu tinha apenas 14 anos de idade. Naquele tempo, eu me preparava para ser empossado como menor aprendiz do Banco do Brasil, em Afogados da Ingazeira. Era um jovem cheio de sonhos, atravessando as primeiras responsabilidades da vida.
Foi justamente naquele período que fiz meu primeiro exame de vista com o inesquecível Dr. Altino Ventura na sua clínica no bairro da Boa Vista em Recife.
Um médico que não apenas examinava olhos – mas enxergava pessoas. Um homem cuja missão ultrapassou o consultório e se transformou em legado.
E hoje, décadas depois, tive o privilégio singular de conhecer um de seus filhos, o Dr. Marcelo Ventura.
Foi, sem dúvidas, um momento muito importante. Um encontro simbólico entre passado e futuro. Entre a memória de um adolescente sertanejo em 1974 e a esperança concreta de milhares de sertanejos que agora terão, em Petrolina, uma nova porta aberta para a saúde, para a dignidade e para a visão.
A Fundação Altino Ventura chega como quem planta luz no Sertão.
E Petrolina, mais uma vez, confirma sua vocação: ser ponte, ser referência, ser chão firme onde grandes projetos se tornam realidade.
Hoje não foi apenas o lançamento de uma pedra fundamental.
Hoje foi o lançamento de um novo tempo.
*Professor universitário aposentado e memorialista!
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Em agenda pelo Agreste hoje, o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) participou da cerimônia de entrega de um trator para o Assentamento Normandia, em Caruaru. A máquina foi adquirida por meio de uma emenda parlamentar destinada ao fortalecimento da agricultura familiar na região.
Eduardo da Fonte foi recebido pelo integrante da Direção Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra Jaime Amorim. Com mais de 30 anos de existência, o Assentamento Normandia é referência em agricultura familiar e agroecologia, abrigando cerca de 40 a 41 famílias em uma área de 545 hectares. O espaço se destaca pela produção de alimentos orgânicos, pelo cooperativismo e pelo Centro de Formação Paulo Freire.
Durante a entrega, o parlamentar ressaltou a importância do investimento para o desenvolvimento sustentável da comunidade. “Esse trator chega para fortalecer a agroecologia, garantir mais produtividade e melhorar as condições de trabalho das famílias que vivem da agricultura familiar. Nosso mandato tem o compromisso de apoiar quem produz alimento com responsabilidade social e ambiental”, afirmou Eduardo da Fonte.
O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) instaurou auditoria especial para apurar a regularidade do Contrato de Gestão nº 45/2021, que movimentou mais de R$ 9 milhões em recursos públicos, firmado durante a gestão do ex-prefeito de São José do Egito Evandro Valadares, período em que a Secretaria de Saúde era comandada por Paulo Jucá, seu genro.
O contrato teve como objeto a transferência da gestão do Hospital Maria Rafael de Siqueira para a Associação Beneficente João Paulo II, organização social responsável pela unidade entre os anos de 2021 e 2023. As informações são do blog do Nill Júnior.
Leia maisPor meio do Ofício TCE-PE/IRAR – AEPSJE1.1, datado de 29 de janeiro de 2026, o TCE-PE solicitou ao atual gestor municipal uma série de documentos e informações, com base no art. 17 da Lei Estadual nº 12.600/2004. O volume de recursos envolvidos – superior a R$ 9 milhões – levou o Tribunal a aprofundar a fiscalização, alcançando todas as fases do contrato, desde a qualificação da organização social até a rescisão contratual ocorrida em 2023.
Entre os documentos exigidos estão:
A auditoria coloca sob escrutínio um dos principais contratos da área da saúde da gestão Evandro Valadares, executado sob a responsabilidade direta do então secretário Paulo Jucá, que concentrava decisões estratégicas em um setor sensível e de alto impacto social.
Com cifras milionárias envolvidas, o Tribunal busca verificar se houve observância aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, bem como se os bens públicos e os recursos financeiros foram corretamente geridos.
O TCE-PE alertou que, caso algum documento não seja apresentado, deverá ser encaminhada justificativa formal, reforçando o caráter rigoroso da auditoria. Eventuais irregularidades poderão resultar em responsabilização dos gestores que atuaram à época, mesmo não ocupando mais cargos públicos.
A apuração reacende o debate político em São José do Egito e lança luz sobre a condução da saúde municipal nos últimos anos da gestão Evandro Valadares, agora analisada tecnicamente pelo órgão de controle externo, com mais de R$ 9 milhões em recursos públicos sob auditoria.
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Por Aldemar Santos (Dema)*
O racismo nunca foi apenas ofensa, sempre foi projeto de exclusão. Um projeto que tenta decidir quem pode existir, quem pode mandar, quem pode ocupar espaços de poder. Um projeto que fracassou e continua fracassando.
As recentes declarações racistas atribuídas a um ocupante de importante cargo no Governo do Estado de Pernambuco não são “opiniões do passado”, nem “deslizes juvenis”. São expressões cruéis de uma mentalidade que trata pessoas negras como subumanas, como ameaça, como erro histórico. Isso é inadmissível, sobretudo quando parte de alguém investido de função pública.
Leia maisÉ um absurdo inaceitável que pessoas que pensam assim continuem ocupando cargos no Governo de Pernambuco ou em qualquer outro espaço de poder. Quem nega a humanidade do povo negro não tem condições morais, éticas ou políticas de representar o Estado, seja lá em qual escalão for.
Os racistas se imaginam donos do mundo. Mas o mundo não é deles.
Fica aqui consignada a minha mais absoluta indignação.
*Advogado, servidor do Tribunal de Contas de Pernambuco, ex-secretário de Governo do Recife e superintendente Geral da Alepe.
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A Paraíba encerrou o ano de 2025 com saldo positivo de 31.043 empregos formais e registrou a segunda maior variação relativa do país em relação ao estoque de trabalho com carteira assinada. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem, pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
No total, o estado teve 266.631 admissões e 235.588 desligamentos em 2025. O saldo representa crescimento de 6,03% no estoque de empregos formais, ficando atrás apenas do Amazonas (8,41%) e à frente do Distrito Federal (5,11%). As informações são do blog do Maurílio Júnior.
Leia maisOs setores que mais contribuíram para o desempenho foram o de serviços (23.935 postos) e o comércio (4.896 postos). A indústria gerou 1.926 postos, seguida da construção civil (562). Apenas a agropecuária fechou o ano com saldo negativo de -279 postos.
Na série histórica, o resultado de 2025 é o segundo melhor dos últimos 13 anos no estado, ficando atrás apenas de 2022. No acumulado dos sete anos de gestão do governador João Azevêdo, o saldo chega a quase 150 mil empregos formais, segundo a Secretaria de Estado da Fazenda.
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A Corregedoria da Polícia Federal no Rio de Janeiro abriu um processo administrativo disciplinar sumário contra o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por faltas injustificadas ao serviço, o que pode configurar abandono do cargo de escrivão na corporação.
O novo processo administrativo contra Eduardo foi aberto na última terça-feira (27) e pode levar à demissão do servidor. Uma comissão analisará o caso do filho de Jair Bolsonaro. As informações são do portal G1.
Leia maisDiferentemente de outro procedimento aberto contra o parlamentar, em setembro do ano passado, o processo sobre faltas injustificadas, por ser sumário, deve ser concluído mais rapidamente.
Conforme portaria da Corregedoria da PF no RJ, o processo administrativo vai apurar a responsabilidade de Eduardo por ter, supostamente, se ausentado ao serviço de forma intencional e sem justificativa por mais de 30 dias consecutivos após a perda do mandato de deputado em 18 de dezembro de 2025.
Com o fim do mandato na Câmara, a Polícia Federal determinou o retorno de Eduardo Bolsonaro ao cargo na corporação, do qual estava afastado para ser deputado federal. A volta ao cargo não aconteceu e essa situação pode configurar o abandono do cargo pelo servidor público.
Eduardo Bolsonaro está morando nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Ele deixou o Brasil alegando que está sendo perseguido pela justiça. O filho de Bolsonaro é réu por coação no curso do processo em razão de sua atuação nos EUA contra autoridades brasileiras.
Eduardo está no Bahrein com Flávio
Hoje, Eduardo postou uma foto com o irmão, Flávio Bolsonaro, em uma visita ao Bahrein, país do Oriente Médio. “Satisfação encontrar Sheik Salman bin Hamad Al Khalifa, Príncipe Herdeiro e Primeiro-Ministro do Reino do Bahrein, junto com senador Flávio Bolsonaro”, afirmou o ex-deputado.
Filho mais velho de Jair Bolsonaro, Flávio se colocou como pré-candidato ao Palácio do Planalto em 2026, com o apoio do ex-presidente. Se a candidatura se confirmar, o senador tende a enfrentar Luiz Inácio Lula da Silva, que deve ser o candidato do PT à reeleição.
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O União Brasil avalia mudanças em sua direção no Rio Grande do Norte, atualmente comandada pelo ex-senador José Agripino Maia, após o desgaste provocado pela Operação Mederi, deflagrada na última terça-feira (27) pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU).
Integrantes da direção nacional do partido discutem a possibilidade de troca no comando estadual depois que a operação teve como alvo o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, investigado por suspeitas de fraudes e desvios de recursos na área da saúde do município.
Por Inácio Feitosa*
Durante muitos anos, o GOV.BR foi apresentado como uma das maiores conquistas do governo digital brasileiro. Para quem acompanha a evolução da tecnologia pública, a plataforma simbolizava eficiência, integração e modernização administrativa. Eu sempre defendi esse projeto. Considero-me uma pessoa atualizada em tecnologia, habituada a sistemas digitais, assinaturas eletrônicas e autenticação de serviços.
Justamente por isso, a experiência recente com o GOV.BR não pode ser interpretada como dificuldade individual, mas como sintoma de um problema mais profundo: o sistema que deveria simplificar a vida do cidadão tornou-se, em muitos casos, um obstáculo.
Leia maisA dificuldade de assinar documentos pelo smartphone é um exemplo emblemático. O procedimento, que deveria ser simples, retorna reiteradamente erro de autenticação. No computador, às vezes é possível avançar, mas o processo permanece instável e imprevisível. Trata-se de um problema aparentemente banal, mas que se arrasta por meses, sem solução concreta.
O mais grave não é o erro técnico em si, mas a ausência de resposta institucional. O cidadão fica preso a um sistema que exige múltiplas validações, solicita documentos repetidos e impõe etapas burocráticas, sem oferecer canais efetivos de solução quando há falhas.
Essa experiência individual encontra eco em milhares de relatos disponíveis na internet. No Reclame Aqui, por exemplo, o GOV.BR possui reputação classificada como “não recomendada”, com menos de 50% das reclamações respondidas e milhares de queixas registradas por usuários.
As reclamações mais recorrentes envolvem exatamente os problemas vivenciados cotidianamente pelos cidadãos: impossibilidade de acesso ao sistema, falhas de login, instabilidade do aplicativo, lentidão do site, excesso de etapas de validação e ineficácia do suporte. Em relatos concretos, usuários afirmam que precisam assinar documentos, mas não conseguem sequer realizar login no aplicativo, apesar de conseguirem acessar o site, o que evidencia incoerências técnicas e falhas de integração.
O paradoxo é evidente: o GOV.BR concentra milhares de serviços públicos e se tornou infraestrutura crítica do Estado, mas não evoluiu na mesma proporção em usabilidade, suporte e experiência do usuário. O sistema parece ter sido desenhado para proteger o Estado, não para servir ao cidadão. A lógica da desconfiança substituiu a lógica do serviço. O resultado é a burocracia digital — uma versão tecnologicamente sofisticada, porém administrativamente mais complexa, da velha burocracia estatal.
Nesse contexto, surge a pergunta que poucos formulam de maneira direta: a quem recorrer quando o GOV.BR não funciona? O próprio governo oferece canais formais de atendimento e orientação, mas eles se revelam insuficientes diante de problemas persistentes e estruturais.
Há também plataformas institucionais de manifestação e reclamação, como o Fala.BR, destinadas ao registro de solicitações, denúncias e reclamações contra órgãos públicos. Contudo, na prática, esses mecanismos não oferecem respostas rápidas nem soluções técnicas efetivas para falhas do sistema.
O cidadão fica em um limbo institucional: não há um órgão externo claramente responsável, não há instância reguladora específica, não há uma autoridade digital com competência inequívoca para resolver o problema. O Estado digital criou um sistema centralizado, mas não estruturou, com a mesma clareza, os mecanismos de responsabilização e suporte.
Defender o GOV.BR, portanto, não é negar suas falhas, mas reconhecê-las. Um sistema público digital não pode ser avaliado apenas por sua complexidade tecnológica, mas pela sua capacidade real de servir ao cidadão. Quando até usuários habituados à tecnologia enfrentam dificuldades persistentes para realizar tarefas elementares, a pergunta deixa de ser retórica e se torna institucional: o GOV.BR ainda funciona?
Há, porém, uma crítica ainda mais reveladora — que merece um artigo próprio. Talvez a maior ironia do GOV.BR seja o fato de que cartórios de registro de pessoas jurídicas, em cidades como Recife, frequentemente não aceitam assinaturas realizadas pela plataforma governamental.
Em vez disso, exigem reconhecimento tradicional de assinaturas e cobram taxas elevadas para validar assinaturas digitais. O Estado cria uma identidade digital oficial, mas o próprio sistema jurídico-administrativo resiste a reconhecê-la. Esse paradoxo revela que o problema do GOV.BR não é apenas tecnológico, mas institucional, cultural e econômico. Mas essa é outra discussão, que ficará para um próximo artigo.
Por ora, resta uma constatação incômoda: o GOV.BR continua sendo uma das maiores conquistas do governo digital brasileiro, mas corre o risco de se transformar em um símbolo de sua própria crise. Quando o cidadão precisa lutar contra o sistema para exercer direitos básicos, a tecnologia deixa de ser instrumento de emancipação e passa a ser mecanismo de exclusão. E, nesse cenário, a pergunta permanece aberta — e urgente: o GOV.BR ainda funciona?
*Advogado, escritor e diretor do Instituto IGEDUC
(projetos@igeduc.org.br)
