











O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconsiderou sua decisão e rejeitou a visita do assessor do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Darren Beattie, ao ex-presidente Jair Bolsonaro na Papudinha, onde o antigo mandatário está preso. Em sua decisão, Moraes citou o ofício do Ministério das Relações Exteriores que comunicou que a concessão de visto para o assessor de Trump não tinha qualquer pedido de visitação a Bolsonaro.
Segundo o documento assinado pelo chanceler Mauro Vieira, o visto concedido a Beattie previa apenas sua participação no Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos, que será realizado em São Paulo. Segundo Moraes, a visita do assessor a Bolsonaro não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro e também não foi comunicada previamente às autoridades brasileiras. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia mais“Ressalte-se que, somente após a solicitação de informações ao Ministro das Relações Exteriores, a Embaixada dos Estados Unidos da América solicitou a realização de novos compromissos diplomáticos pelo Darren Beattie em Brasília, que seriam realizados, se eventualmente confirmados, no dia 17 de março”, afirmou Moraes.
No documento, o chanceler Mauro Vieira afirmou que a visita poderia ser vista como indevida ingerência em ano eleitoral.
“Diante do exposto, nos termos do artigo 4º, IV da Constituição Federal e dos artigos 21 e 341 do Regimento Interno do STF, reconsidero a decisão anterior e indefiro a visita requerida pela Defesa de Jair Messias Bolsonaro”, afirmou Moraes.
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Marlos Porto*
Era segunda-feira, 9 de março de 2026, quando o padre Pierre El Raii, pároco maronita de Qlayaa, no sul do Líbano, ouviu o bombardeio que atingiu a casa de um paroquiano. Sem hesitar, correu com dezenas de jovens para socorrer os feridos. Foi então que um segundo ataque atingiu o mesmo local. O sacerdote de cinquenta anos ficou gravemente ferido. Morreu quase à porta do hospital, para onde foi levado sem conseguir entrar.
A operação militar israelense que matou o padre chama-se “Rugido do Leão” — uma ofensiva lançada contra o Irã e que se estendeu ao Líbano, pretensamente contra posições do Hezbollah. Por sua vez, o Papa Leão XIV, líder máximo da Igreja Católica, da qual os maronitas do Líbano fazem parte, expressou, por meio da Sala de Imprensa da Santa Sé, “profunda dor”. Na hora do Angelus, implorou que “cesse o barulho das bombas”. Palavras justas, mas que soam como um débil sussurro diante do rugido dos caças e das bombas.
Leia maisFoi nesse contexto que outras vozes da hierarquia católica se ergueram. O Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano, foi contundente: “Se aos Estados fosse reconhecido o direito à ‘guerra preventiva’, o mundo inteiro correria o risco de ser incendiado. A justiça deu lugar à força; a força do direito foi substituída pela lei da força.”
O Cardeal Robert McElroy, arcebispo de Washington, também não se calou. Em entrevista ao The Guardian, o cardeal americano revelou a ansiedade dos fiéis e disparou: “Uma das mais importantes doutrinas católicas sobre a guerra é que as nações têm a obrigação de acabar com um conflito o mais rápido possível. Isto é particularmente verdade quando a decisão de ir à guerra não era moralmente legítima.”
A frase é uma bomba. McElroy, no coração do império, disse claramente que a guerra em curso é moralmente ilegítima. Sem rodeios.
Se Parolin e McElroy podem falar com essa firmeza, o que impede o Pontífice de fazer o mesmo? A pergunta é ainda mais pertinente porque Leão XIV é o primeiro papa estadunidense da história. Precisamente por isso, ele conhece a linguagem do poder em Washington. Sabe que palavras como as de McElroy, se fossem ditas pelo Sumo Pontífice, teriam ainda mais autoridade moral.
A “profunda dor” e os apelos genéricos são o mínimo. Mas o mínimo, quando um padre é morto enquanto socorre feridos, é manifestamente insuficiente. A comunidade maronita, que sempre olhou para Roma como mãe e protetora, vê-se órfã de uma palavra forte.
Tão preocupante quanto o relativo silêncio do Papa foi o que se passou no Vatican News. No dia 10 de março, o site oficial do Vaticano publicou um artigo do Padre Stefano Caprio intitulado “A ortodoxia russa como religião universal”. O texto é uma peça de ironia corrosiva contra o Patriarca Kirill, líder da Igreja Ortodoxa Russa. Caprio ridiculariza as condolências de Kirill pela morte do aiatolá Khamenei, insinua que o patriarca serviu “fielmente ao regime ateu de Brejnev” e compara números de fiéis para concluir que a fé russa é “vazia”.
O problema não é a crítica teológica. É o local e o momento. O Vatican News é a voz oficial do Papa. Publicar um ataque pessoal a um líder ortodoxo, precisamente quando o Oriente Médio está em chamas e o diálogo ecumênico deveria ser prioridade, é um erro monumental. Mais que erro: é uma contradição quanto ao discurso de fraternidade que o próprio Papa defendeu no início de seu pontificado, inclusive ecoando a postura do seu antecessor, Papa Francisco, que fez do diálogo inter-religioso uma das marcas de seu ministério.
Quando o Patriarca Kirill expressou condolências pela morte de Khamenei, não estava fazendo apenas um gesto político. Estava reconhecendo a dor de uma comunidade de fé pela perda de seu líder espiritual. Tal gesto deveria ser acolhido por uma instituição que se propõe a construir pontes entre religiões. Em vez disso, o que se viu foi escárnio, o que não condiz com a abertura preconizada pelo próprio Papa no início de seu pontificado, ao se reunir com líderes religiosos do mundo inteiro.
Num mundo globalizado, onde a informação corre em segundos, o sussurro é interpretado como cumplicidade. Os católicos do Líbano não precisam de “profunda dor” institucional. Precisam de uma voz que grite: isto é inaceitável. Precisam de um pastor que aponte o dedo aos agressores e diga, como McElroy disse, que esta guerra não é moralmente legítima.
Parolin e McElroy mostraram que é possível falar com coragem sem sair da doutrina. Mostraram que a Igreja tem palavras para este momento. O que falta é que essas palavras saiam da boca de quem tem a autoridade suprema para dizê-las.
*Analista político
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O deputado federal Pedro Campos (PSB-PE) e o ex-candidato a prefeito de Olinda Vinícius Castello se reuniram, nesta quarta-feira (12), em Brasília, com a ministra da Cultura, Margareth Menezes, e com o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, para discutir a restauração e reabertura do Cine Olinda. O equipamento cultural é considerado um espaço histórico para o município e para o audiovisual pernambucano. Segundo os participantes, as reuniões buscaram discutir caminhos institucionais e técnicos para viabilizar a recuperação do local.

Durante a audiência no Ministério da Cultura, também participaram a secretária do Audiovisual, Joelma Gonzaga, além de representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Agência Nacional do Cinema (Ancine). “Olinda tem uma história profunda com o cinema e com a cultura. A restauração do Cine Olinda significa recuperar um espaço simbólico para a nossa gente e criar novas oportunidades para a produção e difusão cultural”, afirmou Pedro Campos.
Vinícius Castello destacou a importância da reabertura do equipamento cultural para a cidade. “O Cine Olinda precisa voltar a ser um ponto de encontro da cultura. Queremos um espaço vivo, que dialogue com a produção contemporânea e também preserve a história do cinema na cidade”, disse. Segundo os participantes, também foram discutidas possibilidades de articulação entre órgãos do governo federal para estruturar o projeto de requalificação do espaço.
Por Antonio Magalhães*
Música de protesto não derruba governo; serve mais para agregar a oposição contra um regime ditatorial, como aconteceu no período militar com as obras de Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Geraldo Vandré, entre outros. Mas, neste estranho Brasil de hoje, um comediante de esquerda, Murilo Couto, criou uma canção para debochar do pré-candidato presidencial da direita Flávio Bolsonaro que se transformou, contra a vontade do autor, no seu hino de campanha pré-eleitoral. Em poucos dias chegou a ser um dos temas mais comentados nas redes sociais por milhões, e a canção “Meu amigo Flávio” foi apresentada em muitas versões e ritmos.
O tiro saiu pela culatra. O que seria um deboche ganhou o ciberespaço espantosamente. Ao lançar a música, Murilo Couto disse que compôs depois que Flávio Bolsonaro passou a segui-lo nas suas redes sociais. Disse também que passou a considerar a possibilidade de segui-lo de volta. “O filho do Bolsonaro quer ser meu amigo. Flávio. O meu amigo Flávio. Ele é muito sábio. Flávio Bolsonaro”, cantou no seu stand-up.
Leia mais“Eu não sei o que fazer/ Não sei o que responder/ O filho do Bolsonaro quer ser meu amigo/ Amigo/ Ele já tá me seguindo/ Seus amigos perseguindo/ O filho do Bolsonaro quer ser meu amigo/ Esse mundo gira, esse mundo dá volta/ Ontem eu tava xingando/ Hoje eu tô pensando em seguir de volta/ (Será que eu sigo de volta?)”.
Depois, arrependido pela canção e pressionado pela militância de esquerda, ele disse que a repercussão foi uma coisa perturbadora. “Fiz o jingle de campanha de Flávio em 2026 e não voto nele, nem o apoio”, revelou apreensivo. Seu desmentido não valeu de nada. Zoaram com versões novas da música, vídeos produzidos por Inteligência Artificial abraçando o pré-candidato e até desenhos animados em companhia do ex-presidente e sua família.
Do mesmo modo, o compositor e militante de esquerda Chico Buarque não pode controlar a cantoria popular das suas composições por qualquer campo político. Ele compôs nos anos 1970, em pleno regime militar, a música “Apesar de Você”, criticando em versos o arbítrio brasileiro da época, estranhamente liberada pela censura.
Cantava Chico: “hoje você é quem manda/ Falou, tá falado/ Não tem discussão/ A minha gente hoje anda/ Falando de lado/ E olhando pro chão, viu/ Você que inventou esse estado/ E inventou de inventar/ Toda a escuridão/ Você que inventou o pecado/ Esqueceu-se de inventar/ O perdão”
“Apesar de você/ Amanhã há de ser/ Outro dia/ Eu pergunto a você/ Onde vai se esconder/Da enorme euforia/ Como vai proibir/ Quando o galo insistir/Em cantar/ Água nova brotando/ E a gente se amando”, completava.
E muitas destas obras antiautoritárias não perderam a atualidade. Se Chico Buarque profetizava na época que apesar dos ditadores haveria um dia para a mudança de regime, a metáfora também vale para os dias de hoje no Brasil. A obra do compositor, admirador em Paris, onde passa temporadas, de ditaduras de esquerda e de Lula, pode ser cantada hoje, para chateação de Buarque, no “sereno” do STF, da Polícia Federal ou do presídio onde o ex-presidente Bolsonaro está cumprindo pena por uma tentativa inexistente de golpe de estado.
Já em outra música de protesto a favor da liberdade de criação artística durante o regime militar, o mesmo Chico Buarque, que hoje se cala diante da censura à liberdade de expressão imposta por togados e petistas, compôs nos anos 1970 a música “Cálice”, numa alusão ao silêncio forçado. Dizia numa das estrofes: “ Como é difícil acordar calado/ Se na calada da noite eu me dano/ Quero lançar um grito desumano/ Que é uma maneira de ser escutado/ Esse silêncio todo me atordoa/ Atordoado eu permaneço atento/ Na arquibancada pra a qualquer momento/ Ver emergir o monstro da lagoa”.
Enquanto o histérico Caetano Veloso e sua turma do dendê gritam hoje em shows “sem anistia” para os condenados do 8 de janeiro, o baiano tem no portfólio do seu passado de compositor libertário a música “É proibido proibir” de 1968, um hino à desobediência. “E eu digo não/ E eu digo não ao não/ Eu digo: É proibido proibir/ É proibido proibir”. Hoje, Caetano diz ‘sim’ às verbas públicas e só quer proibir quem o critica.
Paulinho da Viola, compositor de sambas críticos ao regime militar, pedia humildemente à censura para não cortar seus versos: “Tá legal, eu aceito o argumento. Mas não me altere o samba tanto assim”. E recomendava na música “Argumento” que o artista deve ser como um velho marinheiro durante o nevoeiro que tem que levar o barco devagar. Sua composição continua atual no regime autoritário de hoje, mas Paulinho da Viola sumiu da cena artística. Com o arbítrio não se dialoga ou pede favores, aprendeu o compositor.
A canção de protesto mais forte contra o regime militar veio do paraibano Geraldo Vandré, com a irônica “Pra dizer que não falei de flores”. Cantava que caminhando e cantando os brasileiros eram todos iguais e com braços dados ou não, exortando no palco “vem, vamos embora que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Fez a hora. Foi preso, exilado, voltou e ficou deprimido pela má recepção da esquerda. Mergulhou no ostracismo artístico.
Tudo o que vem acontecendo no Brasil autoritário de hoje é uma repetição do passado recente. Foi trocada a farda pela toga. E a bandeira até agora é vermelha. É isso.
*Jornalista
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O ministro Flavio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou uma nota nesta quinta-feira (12) em que afirma que a área responsável pela sua segurança foi alertada em 2025 que os seus deslocamentos em São Luís, no Maranhão, estavam sendo monitorados ilegalmente.
A Polícia Federal (PF) cumpriu, na terça-feira (10), na capital maranhense, um mandado de busca e apreensão contra o blogueiro Luís Pablo, no âmbito de uma investigação que apura o crime de perseguição contra o ministro Flávio Dino. As informações são do g1.
A medida foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes. Na operação, foram apreendidos aparelhos celulares e um computador.
Leia maisA Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgaram uma nota conjunta nesta quinta-feira (12) na qual classificam como preocupante a decisão do ministro Alexandre de Moraes.
Ainda de acordo com a nota do ministro Flávio Dino, houve a publicação das placas dos veículos e da quantidade e dos nomes dos agentes de segurança.
As informações, segue a nota do ministro Flávio Dino, foram enviadas para a PF e para a Procuradoria Geral da República (PGR) para a instauração do procedimento investigativo cabível.
“Portanto, a questão em investigação deriva da necessidade de apurar os citados monitoramentos ilegais dos procedimentos de segurança do ministro Flávio Dino.”
O assunto, prossegue a nota, “não tem correlação com crimes contra a honra ou liberdade de expressão ou inquérito das fake news.”
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Por Anthony Santana – Blog da Folha
O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, revelou que a ex-deputada Marília Arraes teve conversa com a governadora Raquel Lyra (PSD) por telefone para articular a participação dela como candidata ao Senado na chapa da gestora. Em entrevista coletiva concedida na tarde desta quinta-feira (12), o líder partidário afirmou que a governadora manifestou interesse em ter Marília na sua chapa.
“Liguei para ela, ela mostrou interesse, manteve uma conversa com Marília que foi muito boa. Agora a gente vai dar sequência. Vou falar com ela de novo”, expôs Lupi.
Em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (12), na Ilha do Leite, no Recife, o líder partidário afirmou que não ficou animado com a conversa que teve com o prefeito do Recife, João Campos (PSB), com intenção de garantir que Marília componha a chapa do prefeito.
Leia mais“Não fiquei animado, porque ele já colocou uma posição que praticamente… Ele até disse que não está nada certo depois, mas já estava colocado o fechamento dele, o vice e as duas vagas do Senado. Então, não me quer”, disse Lupi.
O dirigente trabalhista afirmou que depois da conversa, o prefeito voltou a ligar para dizer que estava aberta a conversa sobre ter Marília Arraes na chapa da Frente Popular. Com isso, Lupi afirmou que deve procurá-lo para um novo diálogo.
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Não se passa um mês sem que a gestão da governadora Raquel Lyra (PSD) não esteja imersa em escândalos. O mais recente, divulgado pelo portal Metrópoles, indica que o governo dela já repassou mais de R$ 160 milhões à Cetus Construtora, uma empreiteira de Minas Gerais contratada quando já estava inscrita no Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS), o que torna ilegal a formalização de novos vínculos com a administração pública. Nos bastidores, o caso já vem sendo apelidado de “Raquelão da Educação”, em referência ao Petrolão ou ao Mensalão.
Há ainda outros agravantes, como a seleção da empresa sem processo licitatório e sem aval da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), o que é obrigatório para contratações acima de R$ 1 milhão. Também pesa o fato de que, na mesma época, o Governo do Estado tinha sobre a mesa uma proposta mais vantajosa na mesma ata de registro de preços – da empresa BDT Engenharia –, mas, ainda assim, optou por pagar mais caro e ficar com os valores ofertados pela Cetus Construtora.
Leia maisO contrato, inicialmente de R$ 148,2 milhões, era referente à manutenção predial de escolas da rede pública estadual, mas ganhou um aditivo de R$ 37 milhões em novembro do ano passado, chegando ao máximo de R$ 185,3 milhões. Também foram denunciadas irregularidades como cobranças em duplicidade, superdimensionamento de serviços e subcontratações atípicas, além de obras em escolas não atestadas por quem vivencia a rotina das unidades, como alunos e professores.
Vale lembrar que as denúncias de irregularidades ocorrem um mês depois de outro escândalo atingir o Governo Raquel Lyra. Entre o fim de janeiro e o início de fevereiro, o Brasil se surpreendeu ao descobrir que a Polícia Civil de Pernambuco usou um aparato ilegal para monitorar adversários políticos da governadora. O caso gerou reação de políticos, juristas e entidades de defesa dos direitos humanos. Dias depois, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal investigasse o caso, causando um constrangimento nacional para o governo pernambucano.
Um pouco antes, outro escândalo. Denúncias indicaram que a Logo Caruaruense, empresa que tinha familiares de Raquel no quadro societário, operava em situação irregular havia três anos. A companhia de ônibus acabou fechada na mesma semana, e o presidente da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI), Antônio Carlos Reinaux, caiu. Seu sucessor, Yuri Coriolano, não ficou nem dez dias no cargo após virem à tona conversas dele com tom racista e misógino. Um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) chegou a ser protocolado na Assembleia Legislativa, mas acabou arquivado.
A lista ainda tem denúncias mais antigas. Em agosto do ano passado, indícios de favorecimento em uma licitação de R$ 1,2 bilhão em dez anos para a publicidade institucional do governo, por pouco, não levou a outra CPI. Já em março do mesmo ano, vieram à tona 25 pagamentos de R$ 3 milhões ao Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns. A unidade de saúde, que tem o marido da vice-governadora como sócio, recebeu os repasses quando Priscila Krause (PSD) ocupava a função de governadora de forma interina, o que reforçou a existência de um possível conflito de interesses.
Na área ambiental, o Governo Raquel Lyra também está em maus lençóis. Denúncias sobre pagamentos ao posto de combustíveis Vila Bela, situado em Fernando de Noronha e pertencente ao irmão do secretário estadual de Meio Ambiente, Daniel Coelho (PSD), já chegaram ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Daniel é a autoridade hierarquicamente superior à administração do arquipélago, o que pode indicar conflito de interesses na operação. A pasta dele também está na mira de denúncias de superfaturamento nos valores pagos para a castração de animais. Enquanto, no Recife, se desembolsa R$ 175 por procedimento, a gestão estadual gasta R$ 601 por cirurgia, gerando um sobrepreço de R$ 14,2 milhões.
Com esse volume de escândalos, Raquel vem apresentando dificuldades para sustentar o argumento de que não tolera corrupção, uma de suas principais bandeiras políticas. Tanto que, no caso da empresa Logo Caruaruense, não houve resposta. Simplesmente se anunciou o fechamento da companhia de ônibus, uma decisão familiar, e não da administração pública. Já no caso do hospital ligado à vice-governadora, a única reação de Raquel foi reclamar junto ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, sobre uma fiscalização do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DenaSUS). Sinal de que a pressão de um escândalo atrás do outro vem tirando o sono de quem sonha com a reeleição em outubro.
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O pacote de medidas para evitar uma alta no preço do diesel anunciado nesta quinta-feira (12) pelo governo federal inclui novos instrumentos de fiscalização no mercado de combustíveis para coibir práticas lesivas ao consumidor.
A ideia é que os postos de combustíveis adotem sinalização clara e visível, informando a redução dos tributos federais e do preço em função da subvenção.
A iniciativa tem potencial de reduzir em R$ 0,64 o preço do litro do combustível, segundo o governo federal. As informações são da CNN.
Leia maisA MP atribui a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) novos instrumentos de fiscalização. Entre elas, o aumento abusivo de preços e a retenção especulativa de estoques com a finalidade de provocar escassez ou a venda do produto por valores mais altos.
Segundo o ministro da Casa Civil, Rui Costa, as medidas que possibilitam o aperfeiçoamento o trabalho de monitoramento e de fiscalização dos órgãos de controle têm caráter permanente.
“Nós vamos criar condições para aperfeiçoar o trabalho de monitoramento e de fiscalização dos órgãos de controle. Dá mais instrumentos e ferramentas para a ANP poder acompanhar, monitorar a prática de preços no Brasil e dá mais instrumentos para os órgãos de defesa do consumidor ter referências objetivas para atuar”, diz o ministro Rui Costa.
Em caso de descumprimento, a multa pode chegar a R$ 500 milhões.
Na avaliação de Rui Costa, as medidas vão coibir abusos. “Quando é para diminuir, eles [postos e distribuidores] retardam a diminuição e quando é para aumentar, eles antecipam. Para coibir essa prática lesiva ao consumidor, os órgãos poderiam estar atuando. O que nós vamos”, declarou.
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O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que a visita do assessor do governo Donald Trump, dos Estados Unidos, Darren Beattie, ao ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão pode abrir risco de ingerência estrangeira em assuntos internos do Brasil.
“A visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-Presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”, afirmou Mauro Vieira em ofício encaminhado a Moraes. As informações são da CNN.
Leia maisMais cedo, o ministro havia determinado que o Itamaraty enviasse informações à Corte sobre a existência de agenda diplomática de Darren Beattie, funcionário do Departamento de Estado americano, no Brasil.
Na resposta a Moraes, Vieira cita ainda que, até quarta-feira (11), não havia nenhuma agenda diplomática previamente acordada entre o assessor de Trump e o Ministério das Relações Exteriores.
O chanceler destaca ainda que o pedido de visita a Bolsonaro não se enquadra nos objetivos oficialmente comunicados pelo Departamento de Estado.
Segundo o Itamaraty, a viagem do conselheiro de Trump foi comunicada por nota diplomática em 10 de março. Beattie chega a Brasília na segunda-feira (16), segue para São Paulo no dia seguinte e retorna aos EUA no dia 18.
“O visto de entrada foi concedido com base em pedido que indicava a participação do funcionário do Departamento de Estado em evento para promover as relações bilaterais e em reuniões oficiais”, esclarece Vieira.
A CNN Brasil procurou a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, mas ainda não obteve resposta.
No início desta semana, a defesa de Bolsonaro pediu a Moraes que Beattie pudesse visitá-lo na prisão. Os advogados afirmam que o assessor americano ficaria poucos dias no Brasil e teria disponibilidade para ir ao presídio apenas nos dias 16 e 17 de março, que são segunda e terça-feira.
Na Papudinha, as visitas aos presos são permitidas somente às quartas e aos sábados, em três faixas de horários.
Moraes autorizou a visita do assessor, mas afirmou que não há previsão legal para alterar datas específicas de visitação, que devem seguir as regras administrativas do estabelecimento prisional.
“Os visitantes devem se adequar ao regime legal do estabelecimento prisional e não o contrário”, afirmou. O encontro foi então marcado para a próxima quarta-feira (18) pela manhã.
Horas depois da autorização, a defesa do ex-presidente pediu a Moraes que reconsiderasse a data, argumentando novamente a passagem curta do assessor pelo Brasil.
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A PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestou nesta quinta-feira (12) a favor de que a Receita Federal assuma a custódia das joias dadas de presente pela Arábia Saudita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sua esposa, Michelle Bolsonaro (PL).
Segundo o procurador-geral Paulo Gonet, não há mais interesse criminal na apreensão dos itens e a transferência de custódia é necessária para a instrução de um procedimento fiscal. As informações são da CNN.
Leia maisAs joias estão guardadas em uma agência da Caixa Econômica Federal, em Brasília, desde 3 de novembro de 2025, sob responsabilidade da Polícia Federal, em razão da investigação em curso.
Segundo a Receita, porém, a transferência da custódia é essencial para a continuidade do procedimento fiscal que poderá resultar na incorporação dos itens ao patrimônio da União.
O pedido da foi apresentado no âmbito do inquérito que investiga Bolsonaro no STF (Supremo Tribunal Federal). O relator do caso é o ministro Alexandre de Moraes. Embora a PGR tenha se manifestado favoravelmente à transferência, a decisão final caberá ao ministro.
A Polícia Federal indiciou Bolsonaro, em 2024, pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e apropriação de bens públicos por tentar vender as joias sauditas dadas ao governo brasileiro nos Estados Unidos. Segundo o relatório da corporação, a venda dos itens teria como objetivo o enriquecimento ilícito do ex-presidente. O valor da operação é estimado em cerca de R$ 6,8 milhões.
Na semana passada, porém, a PGR pediu o arquivamento da investigação, argumentando que não há uma legislação clara que regulamente esse tipo de situação. Para o órgão, não é possível responsabilizar criminalmente alguém com base em cenários marcados por lacunas legislativas ou por forte divergência interpretativa sobre o que é lícito ou ilícito.
Gonet ressaltou, no entanto, que sua análise se limita à esfera penal e não impede a apuração de eventuais responsabilidades em outras áreas, como na esfera civil ou administrativa.
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O advogado Walber Agra vai reunir, daqui a pouco, em sua residência no Recife, um grupo de lideranças políticas em torno do ex-ministro e presidente nacional do PDT, Carlos Lupi. Agra, que atua como advogado do PDT nacional, convidou também a recém-filiada Marília Arraes, o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, além do pai dele, o ex-prefeito de Caruaru Zé Queiroz, e a vice-prefeita do Recife, Isabella de Roldão.
O encontro deve contar ainda com representantes do partido em diferentes esferas e com a presença do deputado federal Túlio Gadelha, hoje no Rede, mas que já integrou o PDT e estuda a possibilidade de retornar à legenda.
A deputada estadual Gleide Ângelo oficializou, nesta quinta-feira (12), sua filiação à Federação União Progressista. A ficha foi assinada pelo presidente da federação em Pernambuco, deputado federal Eduardo da Fonte (PP), e pelo deputado federal Lula da Fonte (PP), segundo secretário da Câmara dos Deputados.
Segundo a direção da federação, um dos desafios colocados à parlamentar é a elaboração de um plano de governo voltado ao enfrentamento da violência contra as mulheres em Pernambuco, a partir do Conselho em Defesa das Mulheres. De acordo com Eduardo da Fonte, Gleide terá autonomia para definir prioridades de atuação e posicionamentos políticos. Delegada da Polícia Civil, a deputada foi eleita em 2018 com a maior votação já registrada para o cargo no estado e mantém atuação ligada à segurança pública e à proteção das mulheres.
