











Para a bancada governista da Alepe, “é proibido cochilar”
Por Larissa Rodrigues – repórter do blog
O período extraordinário da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), aprovado ontem (2), “morgou” (em bom pernambuquês) o recesso parlamentar dos deputados da base governista. O clima na bancada aliada à governadora Raquel Lyra (PSD) é de total mobilização e concentração para tentar enfrentar sem sustos a tramitação dos projetos enviados pelo Poder Executivo à Casa.
Como diz o forró do paraibano Antônio Barros: “A poeira sobe, o suor desce, a gente vê o sol raiar, o sanfoneiro padece, mas não pode reclamar”. Nesse caso, são os deputados governistas que estão vendo o recesso padecer, porque sabem que com a oposição pernambucana “é proibido cochilar”. Teve até deputado que cancelou viagem, como Luciano Duque (SD).
Leia maisO presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto (PSDB), estará de férias a partir da próxima segunda-feira (5) e a reunião de instalação do período ficará sob responsabilidade do primeiro vice-presidente, deputado Rodrigo Farias, do PSB, partido de oposição à gestão de Raquel. Em uma das vezes nas quais isso ocorreu, em fevereiro de 2025, o governo “cochilou” e perdeu as presidências de quase todas as comissões da Assembleia, o que lhe rendeu dor de cabeça o ano passado inteiro.
Como nada é tranquilo entre o Governo Raquel e a Alepe, o embate do período extraordinário já começou desde ontem, quando nenhum deputado da oposição compareceu à votação para analisar a necessidade do pedido da governadora. Em seguida, houve polêmica sobre o envio de parte dos projetos para a Procuradoria da Assembleia, antes de passarem pelas comissões.
Os deputados governistas argumentaram que a atitude se trata de uma manobra para atrasar a tramitação e prejudicar o governo. Débora Almeida (PSDB) chegou a declarar: “O que ele (Álvaro) quer é levar à Procuradoria para que ela dê um parecer do entendimento dele próprio”. A parlamentar ainda acrescentou que “quem recebeu votos do povo para apreciar matérias fomos nós, deputados e deputadas, não os procuradores”. “A constitucionalidade dos projetos é avaliada pela Comissão de Justiça”, enfatizou Débora.
Mas Álvaro Porto rebateu apresentando um inciso do Regimento Interno que o autoriza a mandar projetos para a Procuradoria antes de serem submetidos às comissões. “A prerrogativa do Presidente em solicitar pronunciamento da Procuradoria está prevista no inciso XIX do artigo 63 do Regimento Interno combinado com o parágrafo primeiro do mesmo artigo. A competência da Procuradoria decorre dos incisos VI, VII, IX e XVI do artigo terceiro da lei 15.161/2013. A análise prévia por parte do Presidente está prevista no artigo 213 do Regimento”, declarou, em nota.
Balanço positivo – Apesar da temperatura alta na relação entre os dois Poderes, marcando o início do último ano do primeiro mandato de Raquel Lyra, a líder do governo, Socorro Pimentel (UB), fez um balanço positivo de 2025, ano em que assumiu a liderança na Casa. Para ela, foi um período “marcado por grandes desafios, intensos debates e divergências políticas, mas também por avanços importantes e pela prevalência do interesse público acima das diferenças partidárias”. Segundo Socorro, o ano foi um dos mais intensos já vividos pela Alepe, “com embates duros, posições divergentes e debates acalorados que, naturalmente, provocaram desgaste político”. Ainda assim, ela avaliou que o saldo final é positivo. “Encerramos o ano com o sentimento de que, apesar das divergências, os interesses do povo de Pernambuco se sobressaíram. O diálogo e a democracia prevaleceram”, afirmou.

Parecer da Procuradoria – O presidente Álvaro Porto fez questão de destacar que apenas duas das quatro matérias enviadas à Casa foram remetidas à Procuradoria. As outras duas já estão nas comissões. Para a Procuradoria, foram enviados os projetos nº 70/2025 e nº 71/2025. “O nº 70 altera a Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2026, objeto de veto pelo Executivo com rejeição liminar pelo presidente da Casa e decisão judicial que sustou os efeitos desse ato. Há necessidade de se definir qual rito do processo legislativo será adotado e se a tramitação é compatível com a pendência do exame dos vetos”, explicou Porto. O nº 71 trata sobre autorização excepcional de repasse de recursos pelo Tribunal de Justiça ao Executivo, mas o prazo expirou no último dia 30, necessitando de análise prévia da legalidade e constitucionalidade.
Reação de Débora – Por volta das 19h30 de ontem (2), a deputada Débora Almeida enviou nota à imprensa na qual subiu o tom contra o presidente Álvaro Porto, por causa do envio das matérias à Procuradoria da Alepe. “Ele pode consultar quem ele quiser, mas não pode usurpar a competência e o poder do Plenário e decidir de forma monocrática. E pior ainda não assumir o ônus das decisões autoritárias, tentando justificar que faz com base em pareceres da procuradoria da Casa”, declarou.
Cadê o capitão? – Chamou a atenção a propaganda institucional do PL com Anderson Ferreira, que foi candidato a governador em 2022 tendo como principal cabo eleitoral o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas o escondeu da peça publicitária. O spot vai ao ar no rádio e na TV e ignora o ex-presidente, que não aparece nem no texto nem nas imagens. “Ser de direita é acreditar que, com coragem, podemos renovar a nossa confiança no futuro, com equilíbrio, compromisso com a liberdade e com a democracia. Simbora trabalhar!”, diz Anderson, em sua rede social. A postura foi diferente da de Gilson Machado, que mantém a fidelidade política a Bolsonaro. As informações são do blog do Nill Júnior.

Por falar em Bolsonaro – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou, ontem (2), os filhos do ex-presidente, Flávio, Carlos, Renan e Laura, a visitarem o pai sem a necessidade de nova autorização judicial. A visita, no entanto, deve ser dentro dos horários da portaria da Polícia Federal (PF), que prevê que elas ocorram nas terças e quintas, entre 9h e 11h, sendo apenas duas pessoas por dia e com limitação de 30 minutos cada. As informações são da CNN. Segundo a decisão, os filhos e a enteada, Letícia da Silva, podem visitar o ex-presidente sem nova autorização.
CURTAS
Ainda no campo bolsonarista – Repercutiu no plano nacional a prisão, ontem (2), por ordem do ministro Alexandre de Moraes, de Filipe Martins, ex-assessor de assuntos internacionais de Jair Bolsonaro (PL). Ele é apontado como um dos articuladores da tentativa de golpe de Estado em 2022. Martins foi preso de manhã pela PF.
Usou redes sociais – A justificativa para a prisão de Martins foi o descumprimento de medidas cautelares ao utilizar as redes sociais, mesmo com o conhecimento de que estava proibido de fazer isso. “Essas circunstâncias por si sós evidenciam o desprezo do réu pelas medidas impostas e pelo próprio sistema jurídico, pois não respeita as normas e não cumpre as decisões judiciais”, escreveu Moraes na decisão.
Direto de Brasília – De volta à presidência do Cidadania, o ex-senador Roberto Freire estará no primeiro podcast do ano ‘Direto de Brasília’, comandado pelo titular deste blog, na próxima terça-feira (6). Na pauta, o cenário nacional, os escândalos do INSS e do banco Master e a eleição presidencial. Freire é defensor da pré-candidatura ao Planalto do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD).
Perguntar não ofende: A oposição na Alepe prepara quantas surpresas para a bancada do governo no período extraordinário?
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Em Triunfo, cidade que está no cantinho especial do meu coração, com minha Nayla e sua prima, a engenharia Tayse Lira, curtindo a seresta.
Por Larissa Rodrigues – Repórter do blog
Uma tragédia abala a família do deputado federal Pedro Campos (PSB) na noite desta sexta-feira (2). O sogro do parlamentar, Augusto Carneiro, de 56 anos, morreu em um acidente de moto na Avenida Cruz Cabugá, no Recife, após se envolver em uma colisão com outra motocicleta por volta das 17h30, nas proximidades do supermercado Mix Mateus, no bairro de Santo Amaro.
Na outra moto, estava um casal. O homem de 48 anos também morreu no local. A esposa dele tem 47 anos e é enfermeira do Procape. Ela foi socorrida com vida. Uma irmã de Augusto Carneiro esteve na avenida e precisou ser amparada. Também esteve um irmão dele.
Leia maisAugusto Carneiro é pai da esposa de Pedro Campos, que leva o mesmo nome dele, Augusta Carneiro, conhecida como “Guta”.
Imagens da TV Guararapes mostram o momento do acidente. De acordo com pessoas que estiveram na via e falaram com a reportagem da TV, a suspeita é de que tanto Augusto Carneiro quanto o outro motociclista teriam tentado desviar de um pedestre quando as motos se chocaram. Uma equipe da Polícia Civil esteve no local.
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Uma fonte governista informou o prefeito do município de Pedra, Júnior Vaz, que obteve 65,32% dos votos nas eleições de 2024, deverá anunciar apoio ao prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, para as eleições de outubro próximo. Segundo a fonte, o anúncio é esperado para os próximos dias, embora ainda não haja confirmação oficial por parte dos envolvidos. Com informações do Blog do Finfa.
Tão logo cheguei em Triunfo, há pouco, para a seresta, fui contemplado com o livro O Triunfo da Bola – Meio século de futebol amador no oásis do Sertão, dos jornalistas Ronaldo Vasconcelos e Robério Vasconcelos. Na foto, no Betos Bar, do meu amigo Beto, está Ronaldo Vasconcelos, jornalista triunfense residente no Recife.
O Supremo Tribunal Federal (STF) promove na próxima quinta-feira um evento, em Brasília, para relembrar os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos três Poderes em Brasília. As informações são do jornal O GLOBO.
No evento do ano passado, o ministro Edson Fachin afirmou que os atos golpistas foram a “face visível” de um movimento “subterrâneo” que articulava um golpe de Estado.
— Relembrar esta data, com a gravidade que o episódio merece, constitui, também, um esforço para virarmos a página, mas sem arrancá-la da história — frisou o magistrado durante cerimônia que lembrou os dois anos do 8 de janeiro.
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A equipe jurídica de Jair Bolsonaro (PL) pediu nesta sexta-feira (2) ao STF (Supremo Tribunal Federal) que o ex-ministro de Minas e Energia e ex-secretário de política econômica Adolfo Sachsida passe a integrar a defesa do ex-presidente.
Os advogados apresentaram, no processo de execução penal, o ato de “substabelecimento com reservas”, que consiste em delegar ao novo membro da defesa poderes de atuar no processo representando o cliente, neste caso, Bolsonaro. As informações são da CNN.
Leia maisO ex-ministro também é um crítico do ministro Alexandre de Moraes. Nesta sexta, por exemplo, ele fez uma postagem nas redes sociais em que diz que o magistrado é “a maior ameaça à democracia brasileira”.
Com formação em direito e pós-graduação em economia, Sachsida foi ministro de Minas e Energia no período de maio a dezembro de 2022. Ele também esteve à frente da Secretaria de Política Econômica, no Ministério da Economia, entre janeiro de 2019 e abril de 2022.
Atualmente, fazem a defesa do ex-presidente os advogados Celso Vilardi, Paulo Cunha Bueno e Daniel Tesser. Caso passe a integrar a equipe jurídica, Sachsida também poderá ter acesso ao ex-presidente sem autorização judicial.
Bolsonaro está preso cumprindo a pena de 27 anos de prisão pela condenação pela tentativa de golpe de Estado. Ele cumpre o regime fechado na Superintendência da PF (Polícia Federal), em Brasília.
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O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que perdeu o mandato por faltas, usou as redes sociais nesta sexta-feira (2) para rebater a determinação da Polícia Federal para que ele retorne à função de escrivão. Eduardo é concursado da corporação.
“Não abdiquei de todos os privilégios parlamentares para me sujeitar aos caprichos dos bajuladores de tiranos, que chefiam a Polícia Federal”, escreveu.
Numa referência à polícia secreta da Alemanha nazista, o ex-parlamentar diz que não trocaria a “honra” pela “burocracia pública”. “Que a Gestapo faça o que bem entender com meu concurso público, jamais trocaria minha honra por um emprego na burocracia pública”. As informações são da CNN.
Leia maisO filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) vive nos Estados Unidos desde março de 2025 e, caso não se reapresente, poderá ser demitido do serviço público.
Eduardo estava afastado das funções na PF para exercer o mandato na Câmara dos Deputados. No entanto, em 18 de dezembro de 2025, ele perdeu o cargo de deputado após ultrapassar o limite de ausências previsto na Constituição.
Ao longo de cerca de dez meses, o parlamentar acumulou 59 faltas não justificadas em sessões deliberativas do plenário.
Durante o período em que atuou como deputado federal, Eduardo não recebia salário como escrivão da PF. Com a perda do mandato, para voltar a ter remuneração como servidor público, ele precisa se apresentar novamente à instituição.
Eduardo Bolsonaro ingressou na Polícia Federal em 2010, no estado de Rondônia, e atuou no cargo até 2015, quando foi eleito deputado federal.
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Se o leitor não conseguiu acompanhar a entrevista com o cantor e compositor Juarez Cantor, ex-integrante das bandas de forró Mastruz com Leite e Magníficos e do grupo Amigos Sertanejos, no quadro “Sextou”, do programa Frente a Frente, ancorado por este blogueiro e exibido pela Rede Nordeste de Rádio, não se preocupe. Clique aqui e confira. Está incrível!
Por Flávio Chaves*
O estampido que alguns chamam de tradição cobra caro de quem não tem como se defender. Animais, pessoas em tratamento, idosos e cidadãos com hipersensibilidade sensorial
Há um detalhe que deveria encerrar a discussão antes mesmo de ela começar: dá para celebrar sem ferir. A cidade não precisa escolher entre alegria e responsabilidade, entre beleza e empatia. A tecnologia já entregou alternativas que preservam o espetáculo e eliminam o estrago. Mesmo assim, a cada ciclo festivo, o estampido reaparece como se fosse inevitável, como se a pólvora tivesse mais direito à rua do que a paz pública.
O debate costuma ser empurrado para um canto caricato, como se fosse disputa entre gente “sensível” e gente “raiz”. Mas não é. Fogos com estampido não são uma inocente preferência cultural. São uma forma de agressão coletiva de baixa responsabilidade, porque o prazer é individual e os danos são distribuídos sobre quem não escolheu participar. Numa sociedade minimamente madura, isso se chama externalidade: o conforto de alguns depende do incômodo e do risco imposto a muitos.
Leia maisOs animais são a face mais visível desse custo. Não se trata apenas de vídeos com cães tremendo ou de gatos se escondendo. Há evidência fisiológica de estresse associado a fogos, inclusive com medições de cortisol em cães durante a noite de Ano Novo, quando o barulho atinge o auge. Em pesquisas recentes, esse aumento hormonal acompanha mudanças comportamentais típicas de medo, reforçando que o pânico não é “manha”, é resposta orgânica a um estímulo que o animal não consegue compreender nem antecipar.
E há um lado ainda mais duro, pouco lembrado: o estouro não se limita aos nossos quintais. Ele atravessa parques, áreas de mata, margens de rios, telhados e rotas de aves. A literatura ambiental registra que fogos alteram padrões de comportamento e deslocamento de animais, principalmente aves, que podem levantar voo de forma abrupta, se desorientar e sofrer com gasto energético e colisões. É o tipo de impacto que não deixa sempre um cadáver na calçada, mas deixa um rastro de estresse e fuga na fauna urbana e periurbana.
No campo humano, o discurso da “frescura” cai por terra quando a cidade lembra que nem todo mundo processa ruído do mesmo jeito. O estampido é imprevisível, impulsivo e intenso, justamente o tipo de estímulo que desorganiza quem tem hipersensibilidade sensorial, incluindo pessoas com transtorno do espectro autista, além de afetar bebês, idosos e pacientes em recuperação. Por isso instituições e organizações de referência em autismo insistem em medidas de ambiente sensorialmente amigável em noites de fogos. Não é capricho, é cuidado básico.
Há, ainda, um ponto objetivo e frequentemente ignorado: limites de segurança auditiva. Diretrizes internacionais sobre ruído comunitário apontam que, para evitar perda auditiva por exposição a ruído impulsivo, picos não deveriam ultrapassar 140 dB para adultos, com ressalvas ainda mais rigorosas para crianças. Quando o assunto é explosão, o risco cresce com proximidade, repetição e falta de controle do ambiente. A cidade inteira vira um corredor de impacto, sem mediador, sem dosímetro, sem consentimento.
A consequência mais brutal dessa “festa” está nos prontos-socorros. O Brasil tem números oficiais que desmontam qualquer romantização. Em reportagem baseada em dados do Ministério da Saúde, a Agência Brasil informou que, entre 2019 e 2022, o SUS registrou 1.548 internações por ferimentos causados por fogos de artifício, o que dá uma média de um caso por dia. É uma estatística que fala por si: o estampido não é só incômodo, ele vira queimadura, trauma e mutilação.
E, como se não bastasse, ainda existe a dimensão ambiental e sanitária que quase nunca entra na conversa de esquina: poluição do ar. Estudos científicos em diferentes contextos mostram picos de partículas finas, como PM2,5, durante eventos de fogos, com mudança na composição química do material particulado por conta de metais e sais liberados na combustão. Não é um debate abstrato para “ambientalista de gabinete”. Para quem tem asma, bronquite, DPOC ou cardiopatias, esses picos podem piorar sintomas e agravar crises. A beleza do céu, para muita gente, vira ar pesado no peito.
Em Pernambuco, esse tema já deixou de ser apenas uma disputa moral, porque existe base legal estadual. A Lei Estadual nº 15.736, de 21 de março de 2016, e sua alteração pela Lei nº 17.195, de 8 de abril de 2021, avançam na restrição à queima e soltura de fogos e artefatos pirotécnicos de efeito sonoro ruidoso com estampidos, incluindo a vedação de fogos enquadrados nas classes C e D, conforme a classificação federal citada na própria atualização legislativa. A mensagem é clara: o Estado reconhece que o estampido tem custo social alto demais para seguir como “normal”.
No Recife, o passo municipal foi igualmente simbólico e pedagógico. Em 4 de novembro de 2021, a Prefeitura editou decreto proibindo fogos com estampido em eventos promovidos pelo Poder Executivo Municipal, justamente por considerar o impacto sobre pessoas com TEA e sobre animais. A capital, ao menos no âmbito do que organiza, assumiu que a festa não pode depender de violência sonora. É um gesto de civilização, porque coloca a cidade real acima do ego ruidoso.
O Ministério Público de Pernambuco também tem atuado na linha de reforçar restrições e orientar municípios sobre poluição sonora e uso de fogos com estampido, com recomendações explícitas para que o poder público se abstenha de permitir esse tipo de artefato em eventos e promova campanhas de conscientização sobre os danos a idosos, crianças, pessoas com TEA e animais. Isso não nasce do nada: nasce do acúmulo de ocorrências, queixas e impactos repetidos, ano após ano, sempre com o mesmo roteiro e os mesmos prejudicados.
Quando alguns chamam a crítica de “exagero”, basta olhar para o mundo. Onde a gestão pública leva a sério segurança, saúde e bem-estar, cresce a pressão por restrições a fogos privados e por alternativas menos poluentes e menos violentas. Há debate aberto em grandes cidades internacionais, justamente porque o custo em feridos, ataques a equipes de emergência, incêndios e caos urbano deixa de ser “tradição” e passa a ser um problema de ordem pública.
Nada disso significa acabar com o encantamento. Significa resgatar o sentido da celebração. Fogos de vista e tecnologias de luz podem preservar o espetáculo sem impor pânico. Drones, projeções, lasers, shows de luz sincronizados e até pirotecnia de baixo ruído já viraram solução em vários lugares. Se a cultura muda quando a consciência muda, a cidade precisa admitir o óbvio: insistir no estampido não é amor à tradição, é resistência ao progresso.
Chamar essa prática de “atraso” não é insulto gratuito, é diagnóstico. O estampido se sustenta na lógica mais antiga e mais pobre da convivência: eu faço, eu gosto, eu posso, o resto que aguente. Só que a vida em comunidade é justamente o oposto. Civilização é quando a alegria não exige vítimas, quando o espaço público não é sequestrado por quem grita mais alto, quando a festa não precisa humilhar o silêncio.
A virada, o São João, a comemoração que for, podem continuar sendo lindas. Basta que a beleza do brilho nas alturas não venha acompanhada do barulho que machuca aqui embaixo. E, quando a cidade aprende isso, ela não perde a festa. Ela ganha futuro.
*Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras
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Por Ricardo Noblat – Metrópoles
Conta a lenda que o jornalista Roberto Marinho, fundador das Organizações Globo, costumava dizer aos seus colegas de trabalho em tom de advertência jocosa:
– Se um dia eu lhes faltar…
Espero que este meu último comentário de 2025 não soe como presságio de mau gosto ou desejo velado. Porque não é nem uma coisa nem outra.
Simplesmente é um dado da realidade que não pode ser ignorado: o estado de saúde de Bolsonaro inspira severos cuidados.
Leia maisNa semana passada, ele submeteu-se à oitava cirurgia desde a facada que levou em setembro de 2018. Operou-se de uma hérnia.
De lá para cá, voltou mais três vezes à mesa de cirurgia do hospital DF-Star, de Brasília, devido a crises de soluços intermitentes.
Não cessam os picos de pressão. A alta prevista foi adiada. A essa altura, nem a prisão domiciliar poderá lhe fazer bem.
Torço para que ele se recupere e possa pagar pelos muitos crimes que cometeu nos seus quatros anos como presidente.
Mas, e se isso não acontecer? E se, em breve, ele faltar à sua família e aos muitos brasileiros que ainda o cultuam?
Como a eventual morte de Bolsonaro impactaria a eleição do próximo ano? É por esse caminho que me aventuro.
Às vésperas de sua morte, em agosto de 1954, a popularidade de Getúlio Vargas estava ao rés-do-chão.
Ele governou o país como ditador de 1930 a 1945, e governava há dois anos como presidente eleito pelo voto popular.
Para não ser deposto por um novo golpe militar, em meio ao mar de lama que ameaçava sufocar seu governo, Vargas suicidou-se.
O mesmo povo que até na madrugada do dia 24 de agosto clamava por sua saída chorou sua morte e ocupou as ruas do Rio.
Jornais que se opunham ao governo foram empastelados. Registraram-se tumultos em todas as grandes cidades do país.
Jamais se vira multidão como a que acompanhou seu corpo até o avião que o levou para ser enterrado no Rio Grande do Sul.
Juscelino Kubitschek elegeu-se presidente em 1955 capitalizando a popularidade do legado nacional desenvolvimentista de Vargas.
A repentina saída de cena de Bolsonaro consolidaria de vez a candidatura de Flávio a presidente, seu herdeiro.
O Centrão, que hesita em apoiar Flávio, acabaria arrastado pelo vagalhão do bolsonarismo revivido. Bem como expressiva parcela da direita que se diz civilizada.
Mas alguns pensam o contrário. As viúvas são protagonistas dos velórios. E Michelle teria mais chances de se eleger do que Flávio.
É o que indicam as pesquisas de opinião. Se Flávio herda os votos de Bolsonaro, herda sua elevada rejeição. Michelle, não. Além dos evangélicos, ela atrairia o voto das mulheres.
Lula prefere enfrentar Flávio com Bolsonaro vivo.
Feliz Ano Novo para todos os leitores deste blog, que fará uma pausa em janeiro e só retornará em 2 de fevereiro, por sinal dia de Iemanjá. Odoyá!
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A PF (Polícia Federal) determinou nesta sexta-feira (2) que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) retorne imediatamente ao Brasil para reassumir o cargo de escrivão da corporação. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) vive nos Estados Unidos desde março de 2025 e, caso não se reapresente, poderá ser demitido do serviço público.
Eduardo estava afastado das funções na PF para exercer o mandato na Câmara dos Deputados. No entanto, em 18 de dezembro de 2025, ele perdeu o cargo de deputado após ultrapassar o limite de ausências previsto na Constituição. Ao longo de cerca de dez meses, o parlamentar acumulou 59 faltas não justificadas em sessões deliberativas do plenário. As informações são da CNN.
Leia maisDurante o período em que atuou como deputado federal, Eduardo não recebia salário como escrivão da PF. Com a perda do mandato, para voltar a ter remuneração como servidor público, ele precisa se apresentar novamente à instituição.
A média nacional de remuneração do cargo de escrivão da PF é de R$ 17.750, segundo dados da plataforma Glassdoor. O salário inicial gira em torno de R$ 14 mil, podendo chegar a cerca de R$ 20 mil no topo da carreira.
Eduardo Bolsonaro ingressou na Polícia Federal em 2010, no estado de Rondônia, e atuou no cargo até 2015, quando foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro.
O escrivão é o servidor responsável pela parte burocrática e organizacional da atividade policial, atuando na elaboração, organização e guarda de documentos oficiais, como boletins de ocorrência, inquéritos, depoimentos e mandados. Também auxilia delegados e juízes na condução de processos, garantindo o cumprimento das normas legais.
Entre as atribuições do cargo estão o cumprimento de formalidades processuais, o acompanhamento de investigações, a gestão de bens e valores apreendidos, a condução de veículos oficiais, a execução de medidas de segurança interna e o desempenho de tarefas administrativas e policiais.
Para ingressar na carreira, é necessário possuir diploma de nível superior e ser aprovado em concurso público. Eduardo Bolsonaro é formado em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde concluiu o curso em 2008.
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