O Ministério da Cultura (MinC) e a Agência Nacional do Cinema (Ancine) anunciaram, no Recife, um investimento de R$ 630 milhões para o audiovisual brasileiro com a retomada do edital Arranjos Regionais. A formalização ocorreu em cerimônia realizada no Cinema São Luiz, nesta terça-feira (24).
O certame, lançado em 2025, vai injetar R$ 519 milhões em recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e R$ 111 milhões em contrapartidas de estados e municípios. Durante o evento, foram assinados 41 Termos de Complementação dos Arranjos Regionais. As informações são do JC.
Leia maisA iniciativa tem como objetivo fortalecer a produção audiovisual em todo o país, com apoio a projetos de longa-metragem, séries e telefilmes, além da estruturação de polos regionais e da geração de emprego e renda no setor.
Em entrevista à Rádio Jornal, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou a escolha do Recife para o anúncio.
“É muito importante estar em Recife fazendo isso, porque essa terra tem nos presenteado em relação à potência do audiovisual brasileiro, terra de Kleber Mendonça, terra do Cine São Luís. Então foi uma escolha estratégica lançar essa política dos arranjos regionais aqui”, afirmou.
Criado em 2014, o programa Arranjos Regionais realizou cinco chamadas públicas até 2018, quando foi descontinuado. No período, foram investidos R$ 557,5 milhões em todo o país, somando recursos federais e aportes locais.
Segundo a ministra, a retomada representa um esforço de reestruturação do setor. “É um resgate, porque esse programa existiu antes, mas ficou um tempo sem investimento. Nós reposicionamos esse programa que vai gerar investimento, oportunidades de trabalho e possibilidades nesse momento em que o Brasil se encontra fortalecendo cada vez mais a produção cinematográfica”, pontuou.
O evento de formalização contou também com a participação da secretária do Audiovisual do MinC, Joelma Gonzaga, e da secretária de Cultura de Pernambuco, Cacau de Paula. A realização é uma parceria do MinC com a Secretaria de Cultura de Pernambuco, a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe).
Como vai funcionar
O Arranjos Regionais será destinado a municípios e estados interessados em fortalecer o audiovisual. Segundo a ministra Margareth Menezes, o projeto é voltado para cidades que já têm ativação do audiovisual.
Os governos locais também investirão recursos em ações de difusão, pesquisa, formação, memória e preservação audiovisual, atividades cineclubistas, desenvolvimento de projetos e núcleos criativos, produção de curtas, médias-metragens, jogos eletrônicos, animações e conteúdos voltados ao público infantil.
De acordo com a ministra, não é um trabalho voltado para a primeira formação, mas para a profissionalização. “Foi da ação Arranjos Regionais que surgiram, por exemplo, o Kleber Mendonça, a Rio Filmes, a SPC Filmes, então isso é uma ativação de uma indústria”, pontuou.
Revitalização de cinemas
Além dos investimentos na produção, a ministra também sinalizou ações voltadas à infraestrutura do setor, com foco na recuperação de salas de cinema.
“Nós estamos buscando recuperar os cinemas e trazer novas salas, principalmente olhando essa questão histórica. É um trabalho gigante, porque durante muito tempo a cultura ficou sem investimento, com o Ministério de costas para o setor”, disse.
Entre os projetos em discussão está o Cine Olinda. Abandonado há mais de 40 anos, o equipamento localizado no bairro do Carmo é marcado por anos de impasses nas obras de revitalização e licitações que não andaram.
Segundo Margareth Menezes, já há articulação política para viabilizar a recuperação do equipamento. “Já existe um movimento para isso e nós estamos buscando resgatar esses cinemas que estão parados e abrir novas salas”, contou.
A retomada dos Arranjos Regionais é apontada pelo governo como uma das principais estratégias para descentralizar investimentos e fortalecer a indústria audiovisual brasileira nos próximos anos.
Impacto cultural e simbólico
Durante a cerimônia de formalização dos Arranjos Regionais, realizada no Cinema São Luiz, nesta terça-feira (24), foi ressaltada a importância do investimento anunciado pelo Ministério da Cultura para o fortalecimento do audiovisual e da identidade cultural pernambucana.
A secretária de Cultura de Pernambuco, Cacau de Paula, destacou o simbolismo do local escolhido para o evento e o papel histórico do equipamento cultural.
“É uma simbologia muito forte estarmos aqui no São Luiz, porque ele não é apenas um equipamento cultural: é memória afetiva, é patrimônio, é identidade. É um dos marcos mais emblemáticos do cinema brasileiro. Sua reabertura, após um minucioso processo de requalificação conduzido pela Fundarpe e que ainda segue em andamento, é motivo de orgulho para todos nós, pois restaurar o São Luiz vai além de recuperar paredes, tetos, som e projeção. É devolver a Pernambuco, ao povo pernambucano e ao brasileiro um lugar de encontro, encantamento e pertencimento”, afirmou.
Ela também enfatizou o impacto da articulação entre políticas públicas e o potencial criativo de Pernambuco. A iniciativa amplia o acesso à cultura em todo o estado.
“Essa é mais de uma política que chega a todas as regiões do nosso estado, levando oportunidades através da cultura”, disse.
Já a vice-governadora Priscila Krause destacou o caráter prático do investimento anunciado durante o evento.
“O que nós estamos assistindo, através de um investimento de mais de R$ 630 milhões de reais em recursos públicos, sendo R$ 519 milhões de reais do governo federal, é um mecanismo concreto de política pública para a democratização dos recursos públicos e fomento ao nosso audiovisual. E o governo federal vem fazendo a sua parte, através da Lei Paulo Gustavo, da política Aldir Blanc, das parcerias e do fomento com os outros estados e municípios (…) Nós mostramos que aqui no Brasil, no Nordeste brasileiro, se faz cinema de qualidade”, destacou.
A vice-governadora ainda apontou para a importância do incentivo às novas gerações no setor cultural.
“Quando a gente fala de cultura, a gente fala do passado, das nossas raízes, mas também fala do presente e, sobretudo, do nosso futuro”, concluiu.
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