Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) interpretam a decisão do ministro Alexandre de Moraes de transferir o antigo mandatário para a chamada Papudinha — uma ala no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, no Complexo da Papuda — como um possível passo inicial rumo à concessão de prisão domiciliar.
Embora Moraes não tenha dado qualquer sinal de que pretende autorizar o benefício em breve, integrantes da Corte veem na mudança de custódia um gesto que abre espaço para esse debate, em meio à pressão de aliados e questionamentos sobre a saúde do ex-presidente. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisA Papudinha, com instalações mais amplas e condições logísticas consideradas melhores do que a sala de Estado-Maior da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, foi designada por Moraes após uma série de conversas nos últimos dias. A decisão ampliou o tempo de visitas, permitiu banho de sol livre e o uso de aparelhos para fisioterapia, além de incluir quarto, cozinha, banheiro e espaço externo exclusivo para Bolsonaro.
Nos bastidores, interlocutores do STF afirmam que a mudança pode ser estrategicamente vista como uma maneira de diminuir a pressão do caso, diante de um embate público que vinha crescendo com pedidos repetidos da defesa por domiciliar o cumprimento da pena.
Alguns magistrados defendem a ida para a domiciliar ainda neste primeiro semestre de 2026 como forma de evitar que a Corte seja responsabilizada por agravamentos no quadro de saúde de Bolsonaro, que vem registrando crises de soluço e precisou passar por uma cirurgia no final de 2025.
Nos corredores do STF, aliados de Bolsonaro e aliados políticos próximos recorrem ao argumento de que a mudança para a Papuda e os diálogos com integrantes da Corte são indícios de que uma domiciliar poderia ser concedida em breve. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), chegaram a conversar com ministros da Corte buscando apoio à tese — encontros que, segundo pessoas que acompanham o caso, antecederam a decisão de Moraes.
Ainda assim, dentro do tribunal, a avaliação predominante é de cautela. Magistrados próximos a Moraes reforçam que os critérios legais para a prisão domiciliar humanitária não mudaram e que cada requisição deve ser analisada com base nos parâmetros jurídicos e de segurança pública, e não em interpretações políticas.
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