Um documento elaborado por André Marinho, candidato do Novo ao governo do Rio de Janeiro e aliado de Flávio Bolsonaro (PL), propõe uma parceria entre Brasil e Estados Unidos para exploração, refino e processamento de minerais críticos e terras raras em um eventual governo do senador. A informação foi revelada pelos jornalistas Guilherme Amado e João Pedroso de Campos, no portal Amado Mundo.
A campanha de Flávio Bolsonaro não respondeu se encomendou a produção do documento a Marinho, se tem alguma relação com as ideias ali expostas, se deu anuência a elas e se esperava que o documento fosse apresentado nos Estados Unidos. A campanha também não se pronunciou se recebeu algum recurso financeiro de empresas americanas ligadas ao grupo Rockbridge, formado por investidores trumpistas. A acusação foi feita por Renan Santos, do Missão, adversário de Flávio na disputa pelo Planalto.
Leia maisAndré Marinho admitiu em entrevista ao Amado Mundo ter analisado junto à Rockbridge a instalação de uma célula do grupo no Brasil. Foi Marinho também quem conectou à Rockbridge o empresário Pedro Sang, apontado por Renan Santos como intermediário dos supostos repasses para a campanha de Flávio. Se comprovada, a conduta poderia levar até à cassação da chapa do PL, por receber recursos de governos estrangeiros para financiamento eleitoral, o que é vedado.

O novo documento acrescenta outro elemento à relação entre o entorno de Flávio e o trumpismo. Produzida em inglês, a apresentação de 22 páginas foi elaborada por Marinho em 19 de março. Na capa, aparece a inscrição “Flávio Bolsonaro | 2026 Campaign”, enquanto as demais páginas trazem o nome do senador e o slogan “Prosperity Partnership”.
Segundo os metadados, Marinho é o autor, informação que ele confirmou ao Amado Mundo. Ele, porém, afirma que o estudo foi uma iniciativa pessoal, sem relação com a campanha de Flávio, e que não foi apresentado a autoridades americanas. A campanha do senador não respondeu se encomendou ou tinha conhecimento do material.
Brasil como solução para os EUA
O documento classifica o governo Lula como “pró-China”, enquanto a proposta de Flávio é resumida pela frase: “Lula hesita, Bolsonaro executa”. Na conclusão, destinada a “interlocutores americanos”, o texto afirma: “O OCIDENTE NÃO TEM UM PROBLEMA DE MINERAIS. TEM UM PROBLEMA DE EXECUÇÃO. O BRASIL É A SOLUÇÃO”.

No texto, entre os riscos de uma continuidade do petista na Presidência são citados “tornar-se um mero fornecedor de matérias-primas para a China”, “perder oportunidades industriais” e “perder a janela de oportunidade para o realinhamento da cadeia de suprimentos dos EUA”.
Já a “parceria para a prosperidade”, como o plano descreve suas ideias para um governo Flávio Bolsonaro, em oposição a Lula, teria diretrizes como “claro alinhamento ocidental”, foco na “execução”, “política industrial + integração minerária”, “aceleração regulatória” e “atração de capital”.
O plano estima, em dez anos, investimentos de US$ 50 bilhões a US$ 100 bilhões, criação de 500 mil a 1 milhão de empregos e aumento de 1,5 a 2,5 pontos percentuais no PIB.

Nove dias depois, em 28 de março, Flávio fez declaração semelhante durante a CPAC, em Dallas, ao afirmar: “O Brasil vai ser o campo de batalha onde o futuro do hemisfério será decidido, porque o Brasil é a solução dos EUA para quebrar a dependência da China por minerais críticos, especialmente elementos de terras raras”.
A declaração coloca o Brasil na posição de fornecedor estratégico dos Estados Unidos na disputa com a China.

Ligações com o trumpismo
André Marinho é filho de Paulo Marinho, suplente de Flávio Bolsonaro no Senado. A família também mantém vínculos com integrantes do círculo trumpista: a cantora Giulia Be, irmã de André, é casada com Conor Kennedy, filho de Robert Kennedy Jr., secretário de Saúde do governo Trump.
No início de abril, André esteve nos Estados Unidos e se encontrou com o vice-presidente J.D. Vance. Em maio, Flávio se reuniu com Donald Trump, Vance e o secretário de Estado Marco Rubio. Segundo o senador, terras raras estiveram entre os assuntos tratados com Trump.
Em entrevista ao Amado Mundo, André negou que o documento tenha relação com a campanha de Flávio ou que tenha sido levado a autoridades americanas. Também afirmou que nunca tratou ou presenciou qualquer negociação envolvendo recursos estrangeiros para campanhas no Brasil. A campanha de Flávio não respondeu aos questionamentos sobre o documento nem sobre eventual recebimento de recursos de empresas americanas ligadas à Rockbridge.
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