Lula ainda resiste ao desgaste familiar
A nova pesquisa Datafolha, divulgada ontem, mostra que o presidente Lula (PT) chega ao início efetivo da campanha presidencial ainda ocupando uma posição de vantagem na corrida pelo Palácio do Planalto. No primeiro turno, o presidente aparece com 39% das intenções de voto, contra 33% de Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário no levantamento. Embora a distância tenha diminuído em relação à pesquisa anterior, quando era de oito pontos, Lula continua à frente e preserva uma margem relevante para o segundo colocado.
O dado mais significativo, porém, está na capacidade de resistência eleitoral do presidente diante do ambiente político adverso. A pesquisa foi realizada entre 18 e 20 de agosto, já depois do início oficial da campanha, e revela que Lula não sofreu uma queda expressiva mesmo diante dos episódios negativos que atingiram seu entorno político e familiar, incluindo as controvérsias envolvendo seu filho. O resultado sugere que, até aqui, esse desgaste não foi suficiente para provocar uma migração relevante do eleitorado lulista.
Leia maisNo segundo turno, a vantagem também permanece. Lula aparece à frente de Flávio Bolsonaro por 47% a 43%, embora a diferença seja menor que a registrada anteriormente, quando o placar era de 48% a 43%. Ou seja, o presidente perdeu pouco, mas o adversário ganhou terreno, indicando que a disputa está mais apertada do que estava meses atrás. Ainda assim, Lula permanece numericamente na frente e dentro da margem de segurança que lhe permite iniciar a campanha como favorito.
Politicamente, o levantamento reforça uma característica importante da eleição de 2026: Lula continua sendo o principal polo de votos da disputa, enquanto seus adversários ainda buscam transformar o desgaste do governo e os episódios envolvendo a família presidencial em uma vantagem eleitoral concreta. A redução da distância para Flávio Bolsonaro mostra que existe espaço para crescimento da oposição, mas, por enquanto, não há sinal de desidratação da candidatura petista.
MP Eleitoral pede retirada do PSDB-Cidadania da coligação de Raquel – A Procuradoria Regional Eleitoral de Pernambuco (PRE-PE) defendeu, ontem, a exclusão da federação PSDB-Cidadania da coligação Pernambuco de Coração, que apoia a reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD). O parecer foi apresentado em uma ação da Frente Popular, que questiona a validade da convenção estadual que aprovou a aliança. Segundo a Procuradoria, a direção estadual que realizou a convenção já havia sido destituída pela cúpula nacional da federação no dia anterior. Além disso, qualquer aliança para a disputa ao Governo precisava do aval da direção nacional. “O órgão estadual, portanto, não cumpriu as regras da Federação acerca das deliberações das coligações”, afirmou o procurador Werton Magalhães Costa. A decisão final caberá ao TRE-PE.

Cenário embolado para o Senado – Na disputa para as duas vagas no Senado, o cenário aparece embolado no Estado. Na pesquisa estimulada, Marília Arraes (PDT) aparece como o nome mais lembrado, com 15% das intenções de voto, seguida por Humberto Costa (PT), com 14%, Mendonça Filho (PL), com 12%, e Eduardo da Fonte (PP), com 11%. Considerando especificamente a primeira vaga, Marília amplia a vantagem e chega a 17%, contra 16% de Humberto e 14% de Mendonça. Na segunda vaga, Marília Arraes aparece novamente entre os nomes mais citados, com 12%, empatada com Eduardo da Fonte e Humberto Costa. O levantamento, o primeiro realizado após o início oficial da campanha, revela ainda um cenário de elevada indefinição: 72% dos eleitores não apontaram candidato na pesquisa espontânea.
João diz que Priscila deve explicações – O ex-prefeito do Recife e candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) afirmou, ontem, no Recife, que a vice-governadora Priscila Krause (PSD) deve responder às acusações que motivaram o pedido de impeachment apresentado pelos deputados estaduais Sileno Guedes, Rodrigo Farias e Romero Albuquerque, todos do PSB. A oposição alega que, nos períodos em que assumiu interinamente o Governo de Pernambuco, Priscila autorizou repasses e nomeou servidores para cargos-chave na Secretaria de Saúde, beneficiando um hospital administrado pelo marido, Jorge Branco, em Garanhuns. “Quem deve explicações não sou eu. É a própria vice-governadora, é a gestão estadual que tem que falar sobre isso”, declarou João. O candidato também rebateu Raquel Lyra (PSD), que o acusou de tentar ganhar a eleição “no tapetão”, e afirmou que não discutiu previamente o pedido com os deputados. Segundo ele, os parlamentares exerceram sua função de fiscalização.
Labanca acusa Raquel de intimidação – O prefeito de São Lourenço da Mata, Vinícius Labanca (PSB), acusou, ontem, Raquel Lyra (PSD) de usar politicamente a Polícia Militar para intimidá-lo. A denúncia foi feita após viaturas recém-enviadas ao 20º Batalhão estacionarem, com as sirenes ligadas, em frente à Prefeitura durante o expediente. Segundo Labanca, não havia ocorrência policial que justificasse a movimentação. “É lógico que essa intimidação visa claramente tentar me calar ou me diminuir”, afirmou. O prefeito cobrou explicações sobre quem teria determinado a presença das viaturas no local e pediu o afastamento do responsável. “Quem deu a ordem tem que ser afastado e demitido imediatamente”, declarou.

João terá mais tempo de tela que Raquel – João Campos (PSB) terá vantagem sobre a governadora Raquel Lyra (PSD) no tempo destinado ao Guia Eleitoral, que começa na próxima sexta-feira (28). A Frente Popular contará com 4 minutos e 21 segundos por programa, 18 segundos a mais que a coligação Pernambuco de Coração, que terá 4 minutos e 3 segundos. Essa divisão ainda considera os 21,23 segundos da federação PSDB-Cidadania na chapa de Raquel, embora a permanência das duas legendas na aliança seja julgada pelo TRE-PE na próxima quarta-feira (26). Ivan Moraes (PSOL) terá 35 segundos. João também ficará à frente nas inserções distribuídas ao longo da programação: serão 473 da Frente Popular, contra 441 da coligação governista e 64 da federação PSOL-Rede.
CURTAS
MICHELLE LIDERA NO DF – A pesquisa Datafolha divulgada ontem mostra Michelle Bolsonaro (PL), com 19%, e Leila do Vôlei (PDT), com 16%, à frente na disputa pelas duas vagas ao Senado pelo Distrito Federal. As duas estão tecnicamente empatadas, considerando a margem de erro de três pontos percentuais. Erika Kokay (PT) aparece com 12% e Bia Kicis (PL), com 11%. Na pesquisa espontânea, 67% dos eleitores ainda não indicaram candidato ao Senado.
FLÁVIO SUPERA LULA EM REJEIÇÃO – O Datafolha trouxe um sinal de alerta para Flávio Bolsonaro (PL): 46% dos eleitores afirmam que não votariam nele de jeito nenhum, contra 45% que rejeitam Lula (PT). Os dois estão tecnicamente empatados no indicador, mas Flávio aparece numericamente à frente justamente quando sua campanha aposta na rejeição ao presidente Lula como um dos caminhos para crescer na disputa.
LULA E FLÁVIO DEVEM FALTAR A DEBATE – Lula (PT) decidiu não participar do primeiro debate presidencial, promovido pela Band neste domingo (23). A campanha avalia que o presidente seria o principal alvo dos adversários no palco. Flávio Bolsonaro (PL), que aguardava a definição do petista, também tende a faltar. Aliados entendem que, sem Lula, o senador passaria a concentrar os ataques dos demais candidatos. Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) confirmaram presença.
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