O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quarta-feira (22) que o governo brasileiro nunca encontrou “reciprocidade” durante as conversas com os Estados Unidos sobre o tarifaço.
Segundo Lula, o Brasil “sempre esteve na mesa de negociação” para solucionar o embate sobre tarifas, inclusive, citando a visita presidencial à Washington no início de maio. As informações são da CNN.
“Nunca encontramos reciprocidade na conversa. Eles que digam que não quer negociar, porque estamos sentados na mesa fazendo proposta toda vez. Se algum país pode perder com base em uma mentira é importante vocês saberem que nós não vamos perder. Vamos ganhar porque somos teimosos, porque não podemos fazer bravata, porque somos deficitários”, disse o presidente durante evento de sanção do programa Brasil Soberano.
Leia maisA terceira edição do programa de salvamento para produtores brasileiros contará com R$ 18,5 bilhões para apoiar empresas afetadas por tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, conflitos internacionais e pelo avanço de medidas protecionistas no comércio global.
Lula voltou a subir o tom contra o presidente norte-americano, Donald Trump, justamente no dia em que o novo tarifaço contra o Brasil entra em vigor. A recomendação do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) decidiu impor uma alíquota adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros.
“Vamos fixar na mesa de negociação. Se quiser participar, participe. Se quiser mandar e-mail ou tweet, que mande. Não vamos ficar chorando o produto que não vendemos pra eles porque vamos vender pra outras pessoas. Eu vendia tapioca quando era mais novo. Quando alguém dava as costas, eu não ficava xingando, eu procurava outro. É assim que o Brasil vai fazer”, declarou Lula.
Entre as acusações que embasam a nova tarifa, os Estados Unidos citam a criação do PIX, que, segundo o governo americano, teria prejudicado o comércio de bandeiras de cartões de crédito americanas no Brasil.
Também é mencionado o desmatamento brasileiro, que, na visão americana, permitiria que os fazendeiros brasileiros operassem com custos menores do que os produtores americanos, que precisam seguir uma legislação ambiental mais rigorosa.
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