Por Malu Gaspar – O GLOBO
O apoio declarado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à candidatura de Flávio Bolsonaro, em agosto, não teve impacto sobre as intenções de voto no presidenciável do PL. Permaneceu em 29%, entre junho e agosto, o percentual de eleitores que afirmam que o apoio do presidente americano aumentaria as chances de votar em Flávio Bolsonaro, segundo pesquisa Genial/Quaest.
Para a maioria dos eleitores, 51%, porém, o endosso de Trump teria o efeito contrário: 35% dizem que ele aumenta as chances de votar em Lula, enquanto 16% afirmam que os levaria a optar por outro candidato. Para 15%, a aliança com o líder americano não faz diferença.
Leia maisNo mesmo período, a pesquisa mostra que cresceu em oito pontos percentuais a fatia de brasileiros que defendem que o presidente da República mantenha uma relação independente dos Estados Unidos: passou de 31% para 39%. O maior avanço dessa percepção ocorreu justamente na Região Sudeste, onde Flávio Bolsonaro lidera as intenções de voto. Ali, o índice saltou de 32%, em junho, para 43%, em agosto. Na avaliação nacional, caiu 46% para 41% os que defendem a postura de aliado. A maior queda foi nas regiões Centro-Oeste/Norte, de 16 pontos percentuais: de 53% para 46%.
O último levantamento também indica que o conhecimento da população sobre as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil é menor do que o registrado em relação à taxação do ano passado: 63% dizem conhecer as novas medidas, ante 83% no caso das tarifas de 2025.
A pesquisa mostra ainda que diminuiu a parcela dos brasileiros que percebem impacto negativo das novas tarifas em sua vida ou na de suas famílias. Enquanto 74% avaliavam que a taxação de 2025 teria efeitos negativos, o percentual dos que enxergam prejuízos com a nova tarifa caiu de 63% para 61% entre junho e agosto.
A maioria dos brasileiros continua avaliando que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos não prejudica as empresas americanas, mas esse percentual recuou de 57% para 54%. Já a parcela dos que acreditam que as companhias americanas são prejudicadas aumentou cinco pontos percentuais, passando de 21% para 26%.
Entre junho e julho, também cresceu a avaliação de que o governo reagiu mal ao tarifaço americano. O percentual subiu sete pontos percentuais, de 36% para 43%. Como mostramos no blog, a taxação começa a impor um custo político ao presidente Lula.
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