A ex-líder do governo de Jair Bolsonaro (PL) no Congresso Joice Hasselmann (Podemos) declarou nesta quinta-feira (22) que votará no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em vídeo publicado no Instagram, a ex-parlamentar explica que sua decisão decorre da defesa da democracia, apesar das divergências políticas que mantém com Lula e o PT. “Afinal, perder uma eleição, tudo bem. Perder a democracia, jamais”, afirma. As informações são do Brasil 247.
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Joice apresenta o voto como uma escolha pela preservação das condições que permitem o debate político e o exercício da oposição. “Voto em Lula, sem meias palavras, sem hipocrisia”, declara.
Da campanha de Bolsonaro ao rompimento
No vídeo, Joice relembra sua trajetória de enfrentamento ao PT e sua participação na campanha de Jair Bolsonaro em 2018. Ela afirma que acreditava estar contribuindo para uma mudança política e para o combate à corrupção.
“Em 2018, acreditei em Bolsonaro, sim”, diz. A ex-deputada recorda a proximidade que teve com o então candidato e sua atuação posterior como líder do governo no Congresso Nacional.
Segundo seu relato, a decepção ocorreu ainda no primeiro ano da gestão. Joice afirma que a convivência com o núcleo familiar e com aliados de Bolsonaro revelou práticas incompatíveis com as promessas que a haviam levado a apoiar o projeto.
“Eu vi o clã por dentro”, afirma. Ao reconhecer sua responsabilidade na ascensão do ex-presidente, acrescenta: “Eu errei em ajudar, mas não poderia ficar de braços cruzados”.
Relato de perseguição e denúncia sobre minuta de golpe
Joice afirma que o rompimento foi acompanhado de perseguições, agressões e ataques à sua reputação. No vídeo, relata ter perdido poder, aliados e base política, além de ter sido grampeada e espancada – o que ocorreu em 2021, quando seu apartamento foi invadido.
A ex-parlamentar também afirma que denunciou a existência de uma minuta de golpe ainda em 2019 e que levou a informação ao então presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli.
“Esta minuta já existia no primeiro ano de governo”, declara. Ao revisitar sua trajetória, Joice sustenta que suas denúncias foram feitas quando ainda enfrentava resistência e ataques de antigos aliados.
“Os dois lados não são iguais”
O argumento central da declaração de voto é a distinção entre divergências políticas e ameaça à democracia. Joice afirma que continua discordando da esquerda, mas considera que essas diferenças podem ser enfrentadas dentro das instituições.
“Hoje posso confirmar: os dois lados não são iguais”, diz. Sobre o campo político ao qual se opôs durante décadas, afirma que ele tem ideias que combate, “mas dentro das regras da democracia”.
A ex-deputada faz duras acusações contra a família Bolsonaro e sustenta que o grupo representa um risco à alternância de poder. Em sua avaliação, uma vitória de Flávio Bolsonaro poderia abrir caminho para a continuidade do domínio familiar sobre a Presidência durante décadas, além de assalto aos cofres públicos.
Voto em Lula e oposição após a eleição
Joice afirma estar consciente das consequências pessoais e políticas de seu posicionamento. Prevê críticas, rompimentos de amizades e fechamento de portas, mas diz que esses custos não a farão recuar. “Já perdi muito e não tenho medo de perder”, declara.
A ex-deputada ressalta que seu voto não representa adesão ao programa do PT. Sua intenção, segundo explica, é retomar a oposição depois da eleição, com a garantia de poder exercê-la em um ambiente democrático.
“Sim, volto à oposição, mas dentro do processo democrático, onde é possível fazer oposição”, afirma.
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