Por Agência O Globo
Em seu último ato de campanha na manhã deste sábado (3), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez uma caminhada da Avenida Paulista até a Praça da Roosevelt, no Centro de São Paulo. Em discurso, o candidato à Presidência falou de confronto entre democracia e extrema direita e fez um apelo aos eleitores com mais de 70 anos, que podem diminuir a abstenção possivelmente recorde nesta eleição. E disse que vai comemorar a vitória na Paulista, que esteve no centro de um impasse entre a campanha e a prefeitura de São Paulo ao longo da semana.
Participaram da caminhada o candidato a vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e os integrantes da chapa paulista, liderada pelo ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT).
Leia maisDurante o discurso, o presidente disse que, de um lado, estão aqueles que defendem os direitos humanos e a educação. Do outro, os que, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, teriam acabado com ministérios e políticas públicas.
Lula também citou a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e afirmou que os adversários estariam preocupados com os desdobramentos do caso.
“Esta caminhada é a caminhada que tornou o banqueiro prisioneiro, o Vorcaro. E eles estão com muito medo porque a cada dia aparece uma coisa nova. Só falta aparecer os participantes da orgia”, afirmou. “Nós temos poucas horas para fazer continuamente o maior gesto da revolução democrática desse país. Eles acabaram com tudo. E nós reconstruímos. Agora, o próximo mandato é para fazer a revolução educacional e tecnológica nesse país”, afirmou Lula.
O presidente também fez um apelo aos eleitores com mais de 70 anos, um segmento da população que tem recebido atenção da campanha. “Nós precisamos convencer as pessoas de 70 anos que elas têm que votar pelo seu filho, pelo seu pai, pelo seu irmão. Ninguém pode se considerar incapaz de 70 anos. Eu tenho 80 e me sinto um menino de 15 anos”, afirmou.
O presidente também falou sobre as apostas esportivas e o endividamento das famílias. Lula afirmou que, apesar da pressão de setores como o esportivo, pretende manter a proibição das bets. Em relação ao crédito, criticou as taxas cobradas pelos bancos e defendeu mais responsabilidade do sistema financeiro.
“Cartão de crédito é responsabilidade, porque o juro do cartão de crédito é uma roubalheira. Tem que ter responsabilidade. Por isso, nós vamos moralizar essa coisa do crédito. O sistema financeiro quer ganhar dinheiro? Ganhe dinheiro investindo na produção, não extorquindo o povo brasileiro com taxas de juros impagáveis”, afirmou.
Antes de Lula, Geraldo Alckmin, Simone Tebet, Marina Silva e Márcio França fizeram discursos de convocação da militância, com pedidos de votos para Lula e Haddad.
Tensão com a PM
A concentração do ato teve um princípio de tensão entre a organização e a Polícia Militar. Organizadores da caminhada reclamaram que a PM estava impedindo o ato de percorrer o trajeto combinado. Também houve um desentendimento porque os agentes estavam pedindo pros veículos andarem antes da chegada de Lula para desobstruir as vias.
O presidente municipal do PT, Laércio Ribeiro, orientou os participantes a permanecerem na frente do caminhão de som enquanto a PM pedia que a estrutura avançasse. Houve hostilidade entre parte da militância e os policiais, que depois se afastaram.
Em nota, a PM afirmou que não houve impedimento ao trajeto. Os policiais, de acordo com a corporação, faziam o balizamento para manter a circulação de veículos. A PM afirmou ainda ter recebido a informação preliminar de que uma mulher de 64 anos teria sido atropelada durante a movimentação e levada ao Hospital Beneficência Portuguesa.
A realização do ato chegou a ser questionada pela Prefeitura de São Paulo, que havia informado que a Paulista não poderia receber eventos nos dias 3 e 4 de outubro, em razão de orientações do TRE-SP para garantir a circulação durante o período eleitoral. Na sexta-feira, porém, o TRE-SP autorizou a caminhada, desde que as vias não fossem bloqueadas e que a organização seguisse as orientações da PM e da CET. O trajeto, então, foi da Avenida Paulista até a Praça Roosevelt, através da Rua da Consolação.
Ao falar sobre a Avenida Paulista, Lula afirmou que a avenida não pertence à direita e disse que pretende voltar a ocupá-la após a eleição. “A Paulista não é da direita, é do povo brasileiro. Portanto, amanhã, nós vamos ganhar da direita no primeiro turno e vamos ocupar a Paulista”, afirmou.
Foco no Sudeste
A escolha de São Paulo para o encerramento reforça o foco da campanha no Sudeste na reta final do primeiro turno. Além de concentrar o maior colégio eleitoral do país, a região reúne estados decisivos para a disputa presidencial, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Após o ato, Lula deverá passar a noite no Estado, já que votará em São Bernardo do Campo. Amanhã, acompanhará a apuração dos votos na capital paulista.
Lula aparece numericamente à frente na pesquisa Datafolha divulgada ontem (2), com 42% das intenções de voto. A situação é de empate técnico, no limite da margem de erro de dois pontos, com o opositor Flávio Bolsonaro (PL), que tem 38%.
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