Por Zé Américo Silva*
O Nordeste já mostrou sua força nas urnas. Foi decisivo para o quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva e para a defesa da democracia. Agora, precisa ampliar sua força na cobrança. Na expressão popular, está na hora de sentar a pua: cutucar, incomodar, exigir que compromissos ganhem orçamento, prazo e resultado.
O Nordeste já é uma força econômica, política e cultural. Tem indústria, ciência, universidades, empresas de tecnologia e um grande mercado consumidor. Produz riqueza, conhecimento e soluções. Sua importância ultrapassa o calendário eleitoral.
Leia maisCampina Grande, na Paraíba, tem uma trajetória de desenvolvimento tecnológico ligada à universidade e ao seu parque tecnológico. O Recife abriga o Porto Digital, referência em inovação e economia criativa. O Piauí avança em inteligência artificial e transformação digital. Na Bahia, o Polo Industrial de Camaçari demonstra a dimensão da capacidade industrial nordestina.
No campo, essa força também precisa ser reconhecida. Quem associa o agronegócio apenas ao Sul, Sudeste e Centro-Oeste deixa parte importante do Brasil fora do retrato. A fruticultura irrigada do Vale do São Francisco abastece mercados brasileiros e internacionais. O oeste baiano se destaca na produção de grãos e algodão. O Nordeste tem participação relevante no agro nacional, gerando alimentos, empregos, exportações e tecnologia.
Esse patrimônio produtivo convive com a agricultura familiar, que também precisa de crédito, assistência técnica, água e acesso aos mercados. Uma agenda de desenvolvimento deve fortalecer essa diversidade e ampliar o processamento dos produtos na própria região, agregando valor e renda.
O Nordeste já faz muito. E quer mais. Mais indústria, mais agro, mais pesquisa, mais inovação e mais empregos qualificados. Quer ampliar suas conquistas e fazer a prosperidade chegar a mais cidades e pessoas.
Os programas sociais são direitos e precisam ser preservados. Combater a fome é obrigação permanente do Estado. Mas a política para a região deve combinar proteção social com desenvolvimento, garantindo condições para produzir, empreender e prosperar.
O novo governo Lula precisa traduzir esse compromisso em infraestrutura, segurança hídrica, educação, crédito e investimentos. Cultura, esporte e literatura também exigem financiamento, formação e circulação. O talento nordestino merece condições para crescer e ser remunerado.
Governadores, prefeitos, parlamentares e lideranças econômicas e sociais têm responsabilidade nessa cobrança. Proximidade com o presidente deve produzir propostas e entregas. Apoio político também se demonstra exigindo resultados.
O Nordeste conhece sua força. Quer mais, pode mais e exige condições para realizar mais.
Está na hora de sentar a pua. A força que ajudou a decidir a eleição precisa pesar nas decisões do governo.
*Jornalista e consultor político
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