A história do ex-tesoureiro Paulo César Farias, o PC Farias, será recontada em detalhes pelo jornalista Xico Sá. O livro “O Tesoureiro: o esquema de corrupção, a fuga espetacular e a morte de PC Farias”, que será lançado em setembro, conta bastidores do poder no início da redemocratização e a influência do personagem na eleição e no governo de Fernando Collor de Mello, o primeiro presidente eleito no Brasil após 21 anos de ditadura militar. Segundo Xico Sá, uma das pretensões pouco conhecidas de PC era formar um clã político em Alagoas e rivalizar até com a família de Collor.
“Um sonho do próprio PC era formar um clã forte em Alagoas, que ele não tinha. Ele não era das principais famílias, era de uma família modesta, cujo pai, Gilberto Farias, era um fiscal da Receita Federal, ou seja, de classe média arrediada. O sonho dele era formar um clã que disputasse, inclusive, com a família Collor, com a família Palmeira, com os Bulhões na época. PC não conseguiu isso por conta do fim do governo Collor, mas seus irmãos continuaram operando na política”, conta Xico Sá.
Leia maisUm dos irmãos de PC citados pelo jornalista é o médico Luiz Romero Farias, indicado como suplente de Arthur Lira (PP), ex-presidente da Câmara e candidato ao Senado por Alagoas este ano. Outro irmão de PC, Augusto Farias, foi deputado federal por quatro mandatos, secretário de Estado e segue nos bastidores da política.
“Luiz Romero é muito articulado na política de Alagoas, sempre foi, já havia tentado ser suplente e agora foi confirmado. Como não tem nenhuma condenação, tem todo o direito de seguir na política. O que gera questionamentos na cabeça da gente, na memória. Como pode uma família que foi tão acusada permanecer na ativa? Sim, a família não obteve o sonho de virar um grande clã alagoano, mas está aí de carona com Arthur Lira. Esse sim conseguiu fazer um grande clã e tenta avançar agora em outubro como senador”, analisa Xico Sá.
Leia menos



















