Mesmo de mansinha, cai, neste momento, em Arcoverde, porta do Sertão, a 250 km do Recife, a primeira chuva do ciclo, que espero não seja curto, das tradicionais trovoadas de dezembro.
Confira o vídeo:
Mesmo de mansinha, cai, neste momento, em Arcoverde, porta do Sertão, a 250 km do Recife, a primeira chuva do ciclo, que espero não seja curto, das tradicionais trovoadas de dezembro.
Confira o vídeo:
A Fundação Nilo Coelho convida toda a população de Petrolina para participar da inauguração do Centro de Artesanato “Roque Santeiro”, no dia 05 de março, às 19h, na Orla I da cidade, próximo ao Círculo Militar. O novo espaço irá reunir e comercializar diversos produtos que carregam a identidade, a criatividade e o talento das artesãs e artesãos da nossa terra. O evento contará com a apresentação musical da Camerata 21 de Setembro, gerida e promovida pela Fundação Nilo Coelho e a Prefeitura Municipal de Petrolina, através da Secretaria de Educação, Cultura e Esporte.
O prefeito de São José do Egito, Fredson Brito, anunciou a chegada de 50 novos computadores que irão reforçar a estrutura das secretarias municipais. O investimento tem como objetivo modernizar os setores administrativos, garantir mais agilidade nos serviços e melhorar o atendimento à população.
Para o prefeito, investir em tecnologia é investir na qualidade do serviço público. “Estamos fortalecendo nossas secretarias com mais tecnologia, mais agilidade e mais qualidade no atendimento à população. Investir na estrutura é valorizar nossos servidores e garantir um serviço cada vez mais eficiente para quem precisa”, disse o gestor
Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
Há não muito tempo, havia uma loja de souvenires em uma sala em frente à Chapelaria do Congresso. A loja era um sinal claro para os eventuais visitantes. Demonstrava o quanto naquele tempo a Câmara e o Senado os considerava bem-vindos. Tão bem-vindos que eles poderiam completar a sua experiência comprando ali uma lembrança da visita.
A partir do dia 23 de março, porém, visitantes não terão mais acesso à Chapelaria. Não mais poderão entrar no Congresso por ali. Só poderão entrar pelos anexos tanto da Câmara quanto no Senado. Veículos de aplicativo e táxis não credenciados também não poderão desembarcar ali. Ou seja, o “povo” não será mais bem-vindo na principal entrada da “Casa do Povo”.
Leia maisA justificativa oficial da mudança é “organizar melhor o fluxo”, “garantir a segurança” e “agilizar o deslocamento”. Bem, o Congresso tem 513 deputados e 81 senadores desde a Constituição de 1988. Portanto, é difícil imaginar por que isso só teria se tornado um problema 38 anos depois. Na verdade, parece mais um passo em direção ao claro distanciamento que vai se verificando entre o Parlamento e os cidadãos que ele representa.
Na verdade, os temores com a segurança aumentaram muito no Congresso após os atentados do dia 8 de janeiro. O Congresso chegou mesmo a fazer um projeto de guarita intermediária entre a rampa e a entrada na Chapelaria, mas o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) não permitiu. Então, os parlamentares resolveram partir agora para essa restrição. Entre os temores que hoje ali atrapalham o sono dos parlamentares estaria o risco de alguém parar um carro-bomba ali embaixo.
Mas esse medo soa como um tremendo paradoxo no momento em que boa parte do mesmo Congresso insiste que deveria haver anistia para quem participou dos atentados. Em algum momento, o Congresso terá de analisar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto que propõe redução de penas pelos atos antidemocráticos. Se nada foi grave, então, qual é o medo?
Quando recebeu o pedido de impeachment do então presidente Fernando Collor, o então presidente da Câmara, Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), cunhou uma frase que marcou o momento: “Quando o povo quer, esta Casa acaba querendo”. Alguns processos podem estar invertendo essa frase.
O ex-juiz eleitoral e criador da Lei da Ficha Limpa, Márlon Reis, bate na tecla que o modelo brasileiro de voto proporcional com lista fechado unido ao poder de destinação orçamentária criou uma situação na qual os partidos hoje sabem quem será eleito em cada estado, com margem mínima de erro.
Um processo que, assim, elimina na prática o eleitor do processo. Ele vota somente para legitimar uma eleição decidida por outros meios. É daí a possível inversão da frase de Ibsen: “O que o Congresso quer, o povo acaba querendo”. Ou no mínimo acaba perdido no complicado sistema de voto.
Um processo que dispensa o povo se reflete em um processo que dispensa a sua presença. Mais e mais, sessões da Câmara têm acontecido virando a madrugada e com baixíssima presença de fato de deputados no plenário, a partir da possibilidade das sessões híbridas com votação virtual no processo estabelecido na pandemia.
Tudo isso é parte da crise que hoje envolve o sistema de representação da democracia. Um processo que não acontece somente no Brasil. Que tem a ver com a velocidade do mundo real e com a forma como ele produz frustrações. Frustrações que geram revolta. Revolta aproveitada pelos radicais.
Mas se alguém pode eventualmente querer desaguar suas frustrações estacionando um carro-bomba na Chapelaria, o Congresso não tem responsabilidade nesse clima de revolta? Seja quando instiga, seja quando passa pano? A solução é distanciar o cidadão mais e mais dos seus representantes?
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O ex-prefeito de Petrolina e pré-candidato ao Senado, Miguel Coelho (UB), publicou, há pouco, em suas redes sociais, um vídeo afirmando que não se intimidaria “por aqueles que querem manter Pernambuco no atraso”. A fala acontece dois dias após a deflagração da Operação Vassalos, deflagrada pela Polícia Federal, que investiga crimes licitatórios, peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
“Não vamos nos intimidar por aqueles que querem manter Pernambuco no atraso. Vamos continuar trabalhando e lutando para trazer investimentos para o nosso estado. Durante a última década, transformamos Petrolina na cidade que mais cresce no Nordeste. Não é a primeira vez que enfrentamos ataques. Se acham que vão nos intimidar, estão enganados. Eles não conhecem a força do Sertão”, disse.
O cantor, compositor e sambista Diogo Nogueira é a atração do Sextou de hoje. Dono de hits como “Pé na Areia”, “Alma Boêmia”, “Clareou”, “Sou Eu” e “Fé em Deus”, o músico vai falar sobre a sua carreira e como se sente influenciado pelo pai João Nogueira, um dos sambistas mais conhecidos do País.
Este ano, Diogo celebra 20 anos de carreira com a turnê ‘Infinito samba’. No palco, o cantor vai reunir sucessos e apresentar algumas novidades. A estreia, marcada para o próximo domingo, terá participação especial de Alcione, que deixou uma marca importante na trajetória de Diogo, e um convidado surpresa. Depois do Rio, ele parte para São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Brasília, Salvador, Recife, Fortaleza, Belo Horizonte e Belém.
Leia maisO Sextou vai ao ar hoje, das 18h às 19h, pela Rede Nordeste de Rádio, que reúne 48 emissoras em Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Bahia, tendo como cabeça de rede a Rádio Folha 96,7 FM, no Recife. Para ouvir pela internet, acesse o link do Frente a Frente no topo desta página ou baixe o aplicativo da Rede Nordeste de Rádio na Play Store.
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As fortes chuvas que atingiram o Agreste de Pernambuco nas últimas horas provocaram momentos de tensão na BR-423, no trecho entre os municípios de Jupi e Lajedo. Imagens que circulam nas redes sociais mostram um grande volume de água passando por baixo e acumulado em cima da ponte localizada na rodovia federal.
Uma carreta tentou atravessar o trecho, mas acabou sendo surpreendida pela força da água. O motorista perdeu o controle do veículo, que tombou às margens da pista. Apesar do susto, o condutor não sofreu ferimentos. Foram registrados apenas danos materiais.
Por Orlando Morais Neto*
A democracia constitucional não se sustenta apenas pela realização periódica de eleições. Ela exige condições materiais de participação, igualdade real de oportunidades e abertura efetiva dos espaços de poder. A Constituição de 1988 não consagrou um modelo meramente procedimental de democracia; instituiu um projeto normativo comprometido com dignidade, pluralismo e redução de desigualdades.
Nesse cenário, duas medidas previstas nas resoluções do Tribunal Superior Eleitoral para as eleições de 2026 merecem análise mais profunda: o Programa “Cada Voto Importa”, que garante transporte gratuito a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, e o aperfeiçoamento das regras de financiamento eleitoral voltadas à promoção da diversidade — especialmente para candidaturas indígenas, femininas e de pessoas negras.
Leia maisÀ primeira vista, parecem ajustes técnicos. Contudo, examinadas à luz da tradição filosófica da democracia e dos princípios constitucionais brasileiros, revelam-se instrumentos de concretização do Estado Democrático de Direito (art. 1º, caput), da dignidade da pessoa humana (art. 1º, III), da cidadania (art. 1º, II), do pluralismo político (art. 1º, V) e da igualdade material (art. 5º, caput).
O voto é a expressão direta da soberania popular (art. 14 c/c art. 1º, parágrafo único). Mas soberania popular não é conceito abstrato. Ela exige condições reais para se manifestar. Se barreiras físicas impedem determinados cidadãos de comparecer à urna, há uma limitação concreta da própria soberania.
Aristoteles, na Política, afirmava que o regime democrático pressupõe a participação dos cidadãos na deliberação e na decisão. Para ele, a cidadania se realiza no exercício ativo das funções políticas. Uma democracia que exclui, ainda que por obstáculos práticos, compromete sua própria essência.
O transporte gratuito especial opera justamente nesse ponto. Ele concretiza o princípio da igualdade material, reconhecendo que tratar igualmente os desiguais perpetua a desigualdade. Ao remover barreiras de mobilidade, o Estado não concede privilégio; cumpre o dever constitucional de garantir condições equivalentes de participação.
Rousseau, ao sustentar que a soberania reside no povo enquanto vontade geral, advertia que a legitimidade do pacto político depende da participação efetiva dos cidadãos. Uma vontade geral que exclui parcelas da população por impedimentos materiais deixa de ser verdadeiramente geral.
Sob a perspectiva kantiana, a dignidade da pessoa humana impõe que cada indivíduo seja tratado como fim em si mesmo, jamais como meio. Garantir que a pessoa com deficiência possa exercer seu direito político é reconhecer sua autonomia moral e sua condição de sujeito de direitos plenos.
A Constituição de 1988, ao incorporar a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência com status constitucional, reforçou o dever de acessibilidade e inclusão. O princípio da máxima efetividade dos direitos fundamentais exige que o direito ao voto produza seus efeitos concretos. O transporte especial, portanto, não é política assistencial; é política de concretização de direitos.
Se o transporte especial atua no plano do acesso ao voto, as regras de financiamento com foco na diversidade atuam no plano do acesso à representação.
Montesquieu advertia que as instituições devem ser organizadas de modo a preservar o equilíbrio e evitar concentrações indevidas de poder. Em sociedades marcadas por desigualdades estruturais, o financiamento eleitoral pode se transformar em mecanismo de reprodução de elites políticas homogêneas.
A democracia representativa moderna, como descreveu Alexis de Tocqueville, depende da inclusão de múltiplas vozes e da vitalidade associativa da sociedade. Quando determinados grupos permanecem sistematicamente sub-representados, a democracia se empobrece e perde legitimidade social.
A distribuição proporcional de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha para candidaturas indígenas, bem como os incentivos para candidaturas femininas e de pessoas negras, não configuram privilégio. São instrumentos de realização do princípio da igualdade substancial e da promoção do bem de todos, sem preconceitos ou discriminações (art. 3º, IV).
John Rawls, ao formular o princípio da diferença, sustentou que desigualdades só são justificáveis se beneficiarem os menos favorecidos. Embora situado em contexto filosófico distinto, o raciocínio ilumina a necessidade de políticas institucionais que corrijam desvantagens estruturais no acesso à competição política.
Hannah Arendt, por sua vez, via a política como espaço de aparecimento, onde indivíduos se revelam na pluralidade. Se determinados grupos não conseguem acessar esse espaço em condições minimamente equitativas, há empobrecimento do próprio espaço público.
O pluralismo político, fundamento da República (art. 1º, V), não é apenas coexistência formal de partidos. É reconhecimento da diversidade social dentro das estruturas de poder. A democracia constitucional exige que o Parlamento e os demais espaços decisórios reflitam, ainda que imperfeitamente, a complexidade da sociedade.
A Constituição de 1988 adotou um modelo de democracia substancial. O art. 3º estabelece como objetivos fundamentais a construção de uma sociedade livre, justa e solidária e a redução das desigualdades sociais. Tais objetivos não são meras declarações programáticas; orientam a interpretação e a aplicação das normas eleitorais.
O princípio republicano pressupõe que o poder não seja apropriado por grupos restritos. A concentração reiterada de representação em segmentos socialmente homogêneos compromete a ideia de governo do povo.
A igualdade material autoriza diferenciações normativas quando destinadas a corrigir desigualdades fáticas. Essa compreensão não é incompatível com a liberdade partidária (art. 17), mas a conforma aos princípios constitucionais superiores.
Habermas, ao tratar da democracia deliberativa, destacou que a legitimidade das decisões políticas depende da inclusão simétrica dos participantes no processo discursivo. Quanto mais inclusivo o sistema, maior sua legitimidade normativa.
A democracia não é apenas técnica de escolha; é projeto moral fundado na dignidade e na igualdade. Aristóteles já advertia que a justiça distributiva exige tratar desigualmente os desiguais na medida de suas desigualdades. A Constituição brasileira incorporou essa visão ao privilegiar a igualdade substancial.
Ao remover barreiras físicas ao voto e reduzir barreiras estruturais à candidatura, as resoluções do TSE para 2026 densificam princípios constitucionais centrais: dignidade da pessoa humana, soberania popular, cidadania, pluralismo político, igualdade material e redução das desigualdades.
Não se trata de inovação ideológica, mas de fidelidade ao texto constitucional e à tradição filosófica que compreende a política como espaço de realização da liberdade humana.
Democracia é direito de votar e direito de ser votado. É autonomia individual e reconhecimento coletivo. É igualdade formal e material. Ao atuar nesses dois planos — acesso à urna e acesso à representação — as medidas para 2026 reafirmam a promessa constitucional de que o poder emana do povo em sua pluralidade concreta, e não de uma abstração excludente.
Como lembrava Rousseau, a liberdade consiste em obedecer à lei que se deu a si mesmo. Mas essa lei só é verdadeiramente legítima quando todos têm condições reais de participar de sua formação. A democracia brasileira, ao fortalecer inclusão e pluralismo, aproxima-se dessa exigência moral e constitucional.
*Procurador municipal e advogado
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O Corpo de Bombeiros confirmou 62 mortes causadas pelas chuvas que atingiram os municípios de Juiz de Fora e Ubá, em Minas Gerais. O balanço foi divulgado na noite de ontem, às 22h31, pelas prefeituras dos municípios e pela corporação. Juiz de Fora registrou 56 vítimas. Ubá teve 6 mortos.
Os temporais provocaram deslizamentos, soterramentos e desabamentos nas duas cidades mineiras. As equipes de resgate atenderam 83 chamados relacionados a soterramentos. As operações de busca e salvamento resgataram 239 pessoas com vida. As informações são do portal Poder360.
Nove pessoas permanecem desaparecidas. Sete são de Juiz de Fora. Duas são de Ubá. O Corpo de Bombeiros divulgou inicialmente que o número de mortos havia chegado a 64. A corporação revisou a contagem para 62 ontem, depois da nova verificação dos dados. Os eventos começaram na terça-feira. Ubá não registrou novas vítimas desde a quarta-feira. Clique aqui e confira a matéria completa.
Por Henrique Rosa*
A obsessão de parte da imprensa nacional em enxovalhar Fernando Bezerra é desproporcional. Como se dissesse, te odeio Fernando, em sorriso amargo!
Ele não é um político vencido e imerso em lágrimas, como se fosse uma noite, sem estrelas, uma escuridão, o nu, o nada! Foi uma avalanche de notícias em queda abrupta como se ele perdesse a primavera.
Leia maisFoi espancado, como açougueiro abate animal, correndo as águas do tormento até flutuar como um navio em alto mar.
Irá se defender e se livrar dos répteis e cobras, onde se escondem e velam monstros horríveis em ano eleitoral.
Só existe Céus destroçados com grossas nuvens de luto quando não se admite o contraditório.
O direito de defesa é um pilar constitucional no Brasil, que assegura a ampla defesa aos acusados em geral, essencial para um julgamento justo.
*Advogado
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A Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) emitiu novo alerta de chuvas para Pernambuco. O aviso saiu nas redes sociais e no site da agência, na noite de ontem.
Ele vale para hoje, no Sertão e no Agreste do estado. Existe a previsão de pancadas de chuva, de moderadas até fortes, ao longo do dia. Os moradores do Sertão de Pernambuco, Sertão do São Francisco e do Agreste devem seguir orientações da Defesa Civil.
“Instabilidades atmosféricas, devido um cavado em altos níveis, continuam ocasionando pancadas de chuvas de intensidade moderada e pontualmente forte no Sertão e Agreste de Pernambuco”, explicou a agência. O vídeo abaixo foi registrado pelo Blog do Salles, em Garanhuns.
O ex-ministro da Previdência Carlos Lupi (PDT) é citado na delação premiada dos ex-dirigentes do INSS André Fidelis e Virgílio de Oliveira Filho. As informações são do portal Metrópoles.
A reportagem apurou que um dos anexos aborda a atuação do então ministro da Previdência no governo Lula no esquema de descontos ilegais nos benefícios de aposentados e pensionistas.
Lupi assumiu o ministério na posse de Lula (PT), em janeiro de 2023, e foi demitido pelo petista em maio de 2025, nove dias após a Polícia Federal deflagrar a primeira fase da Operação Sem Desconto, que resultou na prisão de integrantes da cúpula do INSS. À época, o ministro atuou para proteger investigados, o que arranhou a imagem do governo.
Enquanto ministro, Lupi chegou a defender publicamente o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto. Segundo as apurações, Stefanutto recebia mesada de R$ 250 mil do esquema. Os pagamentos ocorreram, segundo a PF, de junho de 2023 e setembro de 2024, enquanto Lupi era ministro.
“A indicação do Stefanutto é de minha inteira responsabilidade. Doutor Stefanutto é um servidor que — até o presente momento — tem me dado todas as demonstrações de ser exemplar”, afirmou à época. Diante da resistência, coube ao próprio presidente Lula exonerar Stefanutto.
O ex-ministro também apadrinhou a indicação de Adroaldo Portal, um jornalista de formação que trabalhou por anos como assessor da bancada do PDT na Câmara dos Deputados.
Portal tornou-se o nº 2 do Ministério da Previdência após a queda de Lupi, e permaneceu no cargo até dezembro passado, quando foi alvo da PF na Sem Desconto. Ele teve a prisão domiciliar decretada.
Como mostrou a reportagem, Lupi era amigo pessoal da advogada Tônia Galleti, ex-coordenadora jurídica do Sindnapi, o Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas da Força Sindical. Familiares de dirigentes da entidade, inclusive de Tônia, receberam ao menos R$ 8,2 milhões da entidade.
Lupi também foi alertado diversas vezes sobre o crescimento dos descontos aplicados aos benefícios de aposentados e pensionistas, mas levou cerca de um ano para adotar qualquer providência.
Nesse ínterim, os valores descontados ilegalmente de aposentados saltaram de R$ 80,6 milhões para R$ 248,1 milhões.
Pesquisa acende luz amarela
A pesquisa Atlas Intel, com Flávio Bolsonaro (PL) encostando em Lula (PT), mostra o presidente ainda na liderança do primeiro turno, mas com sinais de preocupação para sua campanha de reeleição. No cenário principal, o petista aparece com 45% das intenções de voto, contra 37,9% de Flávio Bolsonaro, uma vantagem expressiva que o mantém como favorito.
Os demais candidatos aparecem bem atrás e não alteram o eixo central da disputa neste momento. A vantagem de Lula, contudo, caiu de confortáveis 14 pontos em janeiro para 7 pontos agora. Nos cenários de segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem rigorosamente empatados, com 46,2% para Lula e 46,3% para Flávio.
Leia maisIsso indica que os eleitores dos candidatos menores, ao serem forçados a escolher entre os dois polos, tendem a migrar majoritariamente para Flávio Bolsonaro — o que faz sentido, já que a maioria desses candidatos é alinhada ideologicamente com o campo bolsonarista.
O padrão, aliás, é muito semelhante ao que Tarcísio de Freitas vinha apresentando nos cenários de segundo turno ao longo dos últimos 15 meses — ora ligeiramente à frente, ora ligeiramente atrás de Lula, mas sempre numa faixa de empate técnico. A coincidência não é casual: sugere que o eleitorado potencial de Tarcísio já migrou integralmente para Flávio Bolsonaro e que o teto do campo bolsonarista no segundo turno permanece essencialmente o mesmo, independentemente do nome que o represente.
O retrato final é de um país altamente polarizado, com pouca permeabilidade entre os dois campos e com margens estreitas decidindo o jogo. Para Lula, a equação é clara: precisa chegar ao primeiro turno com pelo menos 10 pontos de vantagem para garantir uma vitória confortável no segundo turno, já que a migração dos votos dos candidatos menores tende a favorecer o campo adversário.
Com sete pontos de vantagem hoje, o caminho existe, mas é estreito. Se ao longo da campanha Lula conseguir recuperar parte da aprovação perdida nos últimos meses — o que o precedente de 2022 sugere ser possível para incumbentes —, a vantagem no primeiro turno pode se ampliar o suficiente para tornar o segundo turno menos incerto.
GESTÃO LULA – Na avaliação presidencial, a Atlas registra oscilação dentro da margem de erro: a aprovação do Governo Lula vai de 48,7% para 46,6%, enquanto a desaprovação passa de 50,7% para 51,5%. Não há ruptura, mas há um leve deslocamento negativo. Outro dado relevante é o índice de rejeição. Lula aparece com 48,2% de rejeição, contra 46,4% de Flávio Bolsonaro, mostrando que ambos carregam níveis elevados de resistência no eleitorado.

RACHADO AO MEIO – A pesquisa também mediu o sentimento de medo ou preocupação em relação aos possíveis resultados eleitorais. Perguntados sobre qual cenário causa mais preocupação, 47,5% disseram temer a reeleição de Lula, enquanto 44,9% afirmaram temer a eleição de Flávio Bolsonaro. Combinados com os índices de rejeição, esses números retratam um país dividido praticamente ao meio, onde o voto é cada vez menos uma adesão entusiasmada e cada vez mais uma escolha contra o adversário.
Quebra de sigilo – Antes de a CPMI do INSS ter decidido, ontem, quebrar o sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, 51 anos, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), essa providência já havia sido tomada pela Polícia Federal, em janeiro de 2026. A PF fez esse requerimento há mais de um mês e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura dos dados bancários, fiscais e telemáticos (e-mails) de Lulinha. Mendonça é o relator no Supremo da investigação que apura fraudes de descontos ilegais em pagamentos a beneficiários do INSS. O magistrado chegou ao STF em dezembro de 2021, indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL). Além de relatar a investigação do escândalo do INSS, Mendonça cuida do caso do Banco Master – liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central e suspeito de ter usado títulos de crédito falsos em seus balanços.
Tumulto e bate-boca – Alvo do pedido de quebra de sigilo aprovado, ontem, na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS (CPMI), Lulinha, o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), volta aos holofotes da política. A sessão da CPMI, que teve como principais personagens os sigilos fiscal e telefônico de Fábio Luiz Lula da Silva, foi marcada por muita confusão no Congresso Nacional. Parlamentares se desentenderam após o anúncio da quebra de sigilos. Houve bate-boca e até troca de empurrões entre representantes do governo e da oposição. Lulinha é o mais velho dos cinco filhos de Lula. Ele é fruto da relação do presidente com a ex-primeira-dama Marisa Letícia, já falecida.

O impacto da operação – A cientista política Priscila Lapa não tem dúvidas de que a operação Vassalos, que atingiu o clã Coelho, vai provocar fissuras no cenário político e afetar diretamente a vitrine eleitoral dos envolvidos. “O capital político passa também por imagem. Quando a imagem sofre algum tipo de arranhão ou de fissura, isso pode impactar na perda de material político na hora de você negociar a formação. Você vai com menos poder na negociação”, avalia. Segundo ela, quando isso acontece já na trajetória do processo eleitoral, cria um elemento de fragilização, considerando que se vive um período muito importante: o da articulação da formação das alianças. “Então, nesse aspecto, isso pode impactar retirando o capital político da família Coelho para fazer os melhores arranjos dentro desse processo de composição dos palanques”, acrescentou.
CURTAS
ÍNDIOS – O TSE aprovou, ontem, algumas mudanças nas regras para as eleições de outubro. Uma das novidades está na distribuição, pelos partidos políticos, de recursos a indígenas. As legendas terão que distribuir recursos de campanha para esse público na mesma proporção de candidaturas registradas. Para entender melhor, se 5% das candidaturas forem registradas, o mesmo percentual terá que ir de recursos para eles. É o mesmo princípio que ocorre para mulheres e negros.
NEGROS – Candidatos negros e mulheres têm garantido um mínimo de 30%, sendo que o repasse também deve ser feito na proporção de candidatos. Além disso, o programa Seu Voto Importa, do TSE, vai oferecer transporte especial individual para pessoas com deficiência e baixa mobilidade.
PRISÃO – Quarenta e sete deputados federais acionaram a Procuradoria-Geral da República (PGR), ontem, pedindo a prisão preventiva de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula, por suposta participação no escândalo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A representação formulada por Rosangela Moro (União-SP) tem coautoria de parlamentares de partidos como PL, Republicanos, PSD, PP e União Brasil.
Perguntar não ofende: Qual será o efeito eleitoral para Lula com o envolvimento do filho Lulinha no escândalo do INSS?
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