A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (10) a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos no Brasil. Agora, o texto segue para análise de uma comissão especial para tratar do tema e, depois, para o plenário da Casa.
A proposta foi aprovada por 44 votos contra 18. Venceu o posicionamento do relator, deputado Coronel Assis (PL-MT), que apresentou parecer favorável. As informações são da CNN.
Leia maisNa prática, a PEC faz com que adolescentes de 16 e 17 anos acusados de crimes hediondos, como homicídio, estupro e latrocínio, passem a responder criminalmente perante a Justiça comum e possam ser condenados à prisão. Hoje, menores de 18 anos não respondem pelo Código Penal e estão sujeitos apenas às medidas socioeducativas previstas no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).
A votação se deu depois de o debate ser adiado três vezes por falta de consenso entre os congressistas de esquerda, sob o argumento de que diminuir a maioridade penal não resolveria o problema da criminalidade entre os mais jovens e poderia levá-los à reincidência. A deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) chegou a apresentar um voto pela rejeição da PEC.
O texto foi apresentado em 2015, pelo então deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE). A proposta original tinha dispositivo que tornava obrigatório o voto em eleições para maiores de 16 anos e permitia com que a faixa etária pudesse se candidatar para o cargo de vereador. Esses trechos foram retirados pelo relator.
Somada à redução da maioridade penal em si, a PEC tramita de forma conjunta a outras duas propostas: uma delas sugere a responsabilização penal de menores de 18 anos nos casos de crimes hediondos ou de maus-tratos e crueldade extrema contra pessoas e animais; a outra prevê a responsabilização para adolescentes a partir de 12 anos que cometerem crimes cometidos com violência ou grave ameaça, crimes hediondos e crimes contra a vida. O parecer do deputado Coronel Assis também foi a favor das duas.
A CCJ não discutiu a PEC da Maioridade Penal em seu mérito. Os deputados fizeram apenas o debate para saber se as regras previstas no texto estão de acordo com as normas constitucionais. Para analisar a proposta em si, a pauta ainda precisa ser analisada por uma comissão específica antes de ser votada no plenário.
Como mostrou a CNN, a PEC ganhou força por conta da articulação do pré-candidato à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nos últimos meses, o tema recebeu destaque após uma série de casos envolvendo menores de idade. Dentre eles, o estupro coletivo de uma adolescente de 12 anos no Rio de Janeiro; e o assassinato de um cão, conhecido como Orelha, em Santa Catarina. Este último foi arquivado sem comprovação de participação dos jovens.
Segundo o coordenador da campanha de Flávio ao Palácio do Planalto, o também senador Rogério Marinho (PL-RN), a intenção é pautar o assunto “no Senado e na campanha”. O objetivo é fazer com que a discussão funcione como um “contraponto” à PEC da 6×1, que visa reduzir a jornada de trabalho, que tem sido protagonizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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Veja
O Tribunal de Contas da União (TCU) detectou um superfaturamento de 41,4 milhões de reais na construção da sede da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás), no município de Goiana, em Pernambuco. A estatal é vinculada ao Ministério da Saúde.
O superfaturamento é referente ao contrato assinado em 2011, durante o governo de Dilma Rousseff, para a execução de obras civis e montagem do complexo fabril de hemoderivados e biotecnológicos. Com base no resultado das investigações, o TCU citou o Consórcio Biotec, responsável pela obra, para que no prazo de 15 dias apresente sua defesa no processo, ou seja, refute a irregularidade ou recolha aos cofres públicos os valores cobrados indevidamente.
Segundo o edital, o valor atualizado que o Consórcio Biotec terá de restituir aos cofres públicos, caso as alegações finais não sejam aceitas pelo Tribunal de Contas da União, atinge o montante de 63,8 milhões de reais. O Consórcio pertence às empresas Mendes Junior e TEP Tecnologia. O débito da Biotec terá de ser pago em solidariedade pelo ex-diretor da Hemobrás Romulo Maciel Filho, o ex-gerente Marcelo Carrilho Pessoa e o assessor Tomás de Albuquerque Borges. As empresas podem recorrer à Justiça.
Faleceu, hoje, aos 96 anos, no Recife, a irmã mais velha do ex-governador Jarbas Vasconcelos, Milita Ferreira Lima. O deputado estadual Jarbas Filho (PSD) postou, em suas redes sociais, a homenagem póstuma descrita abaixo. O velório está acontecendo no cemitério Morada da Paz e, em seguida, o corpo será cremado em uma cerimônia para a família e amigos íntimos.
“Hoje me despeço de uma pessoa que marcou profundamente a história da nossa família. Minha tia, Maria Carmelita Vasconcelos Ferreira Lima, a quem chamava com carinho de Vovó Milita, partiu deixando um legado de amor, generosidade e dedicação aos que tiveram o privilégio de conviver com ela.
Irmã mais velha do meu pai, foi muito mais do que uma tia. Foi presença constante, porto seguro e uma das pessoas que ajudaram a moldar os valores e o caráter de toda uma geração da nossa família. Ao longo da vida, exerceu com grandeza o dom de cuidar, acolher e unir.
Hoje, o coração está apertado pela saudade. Mas também está cheio de gratidão por tudo o que ela representou para nós. Pelos ensinamentos, pelo carinho, pelos exemplos e por tantas lembranças que permanecerão vivas para sempre.
Que Deus conforte toda a nossa família neste momento de dor e receba Milita em Sua infinita misericórdia.
Descanse em paz, Vovó. Sua história continuará viva em cada um de nós”.
Por Fernando Rêgo Barros *
Vai começar mais uma Copa do Mundo. Desde criança, sou apaixonado pelos Mundiais de futebol. Assisto a todos os jogos que posso. Não só aos do Brasil. Sempre liguei a TV até mesmo para ver em campo seleções mais fracas. Só para dar um exemplo, na Copa de 2002, no Japão e na Coreia do Sul, tínhamos jogos às 3 da manhã. Eu colocava o despertador para tocar às 2h50 para não perder nada. Mas, nesta Copa de 2026, amigos, a Fifa resolveu testar a minha paixão com essa história de fazer “a maior Copa de todos os tempos”.
Ampliar de 32 para 48 os países classificados para a competição foi, a meu ver, um desatino. Claro que a entidade máxima do futebol há muito só pensa no lucro e não no espetáculo. E daí que estamos para dar início a uma Copa do Mundo com seleções do nível de Haiti, Curaçao, Panamá, Catar, Cabo Verde e Uzbequistão. Nada contra esses países. Mas que eles tivessem conseguido a vaga por merecimento e não porque a Fifa resolveu alargar tanto o Mundial.
Leia maisPara se ter uma ideia da queda da qualidade da Copa, basta lembrar que a América do Sul, com apenas dez países filiados à Fifa, teve 6 vagas diretas e ainda podia ter mais um país classificado na repescagem. Isso só não aconteceu porque a Bolívia conseguiu perder, pasmem, para a fortíssima seleção do Iraque.
Com a ampliação, o Mundial terá 40 jogos a mais (eram 64 e agora serão 104 partidas). É jogo demais até para os loucos por Copa do Mundo, como eu. Acho que, com essa quantidade de jogos, a Fifa vai acabar por conseguir fazer com que muita gente só se interesse mesmo em seguir os jogos da Copa a partir da segunda fase, com a exceção de algumas poucas partidas da fase de grupos que ainda valem a pena. É o que já ocorre, por exemplo, com a Liga dos Campeões da Europa, em que muitos só passam a acompanhar a partir das oitavas de final.
A FIFA NÃO DIZ NADA – Além do excesso de jogos, também quero pontuar o modo condescendente da Fifa com o governo dos Estados Unidos na organização desta Copa. Em 2014, quando o Brasil sediou o Mundial, os dirigentes da Fifa faziam mil exigências e todas tinham de ser atendidas à risca. Até a venda de bebidas alcoólicas, que já era proibida nos estádios brasileiros, voltou a ser permitida. Agora, temos visto as autoridades americanas impondo uma série de restrições aos atletas de outros países, notadamente à delegação do Irã, não por acaso o país que tem um conflito em andamento com os Estados Unidos.
O Irã, que na fase de grupos fará dois jogos em Los Angeles e um em Seattle, foi obrigado a se hospedar no México e só teve autorização para entrar nos Estados Unidos 36 horas antes das partidas. Outra situação absurda ocorreu com o árbitro Omar Artan, da Somália, considerado um dos melhores árbitros africanos. No último sábado, depois de interrogado por quase onze horas, ele teve a entrada negada pela imigração dos Estados Unidos. O que a Fifa fez diante dessas situações? Absolutamente nada. Nem sequer uma nota de repúdio.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, tem adotado um comportamento de quase submissão ao governo do presidente Donald Trump. E nunca iremos esquecer que, cúmulo da bajulação, Infantino fez a Fifa criar um prêmio da Paz para ser concedido a Trump na cerimônia do sorteio dos grupos da Copa, em dezembro do ano passado. A gentileza serviu quase como um prêmio de consolação para quem queria e não conseguiu ganhar o Nobel da Paz.
É isso. Apesar de todos os absurdos, ainda torço para que o bom futebol se imponha e supere esses despropósitos a que temos assistido. Vou torcer pelo Brasil e quero ver esta Copa pelas boas seleções que estarão presentes, pelos craques que estão se despedindo dos gramados e porque acredito que a Copa do Mundo ainda pode oferecer o melhor do futebol mundial. Ainda espero ver boas exibições individuais ou coletivas. Daquelas que nos fazem amar o futebol e nos maravilharmos com dribles, passes e gols de um Messi, um Cristiano Ronaldo, um Mbappé, um Vini Júnior (ou até um Neymar, vai!). Que venha a Copa!
*Jornalista
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Com o tema “Onde o Forró Faz História”, a Prefeitura de Serra Talhada, por meio da Fundação Cultural de Serra Talhada (FCST), divulgou nesta quarta-feira, 10, a programação oficial do São João 2026. Com atividades que começam no dia 21 de junho e seguem até o dia 24, a festa contará uma programação musical na Estação do Forró, reunindo artistas locais, regionais e nomes consagrados do forró.
A abertura da programação acontece no dia 21 de junho com a Corrida da Fogueira, evento já tradicional no calendário junino do município. No dia 22, será realizada a puxada tradicional com quadrilhas juninas até a Estação do Forró, onde os shows começam com Assisão, Wallas Arrais e Paula Matos. No dia 23, o público poderá conferir as apresentações de César Amaral, Ciel Rodrigues e Tropykalia. Já no dia 24, encerrando a programação, sobem ao palco Henrique Brandão, Josildo Sá e Panda.
Leia maisAlém da programação cultural, o São João movimenta diversos setores da economia local, beneficiando comerciantes, ambulantes, artesãos, empreendedores e prestadores de serviço. A expectativa é de que milhares de pessoas participem das festividades, fortalecendo a circulação econômica durante o período junino.
A prefeita Márcia Conrado destacou os desafios enfrentados pelos municípios de médio porte para montar suas grades juninas, diante da concorrência com os grandes polos do Nordeste. “Não é uma tarefa fácil. Muitas bandas e artistas priorizam os grandes polos juninos, que possuem uma tradição consolidada e uma estrutura diferenciada. Por isso, a montagem da programação exige muito diálogo e planejamento. Dentro da nossa realidade, conseguimos construir uma grade que valoriza a cultura nordestina, contempla diferentes públicos e garante uma grande festa para a população. Com muita alegria estaremos juntos prestigiando esses artistas que vão fazer o nosso São João acontecer”, afirmou.
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O pré-candidato a governador João Campos (PSB) foi recebido, hoje, no Sindicato dos Estivadores nos Portos do Estado de Pernambuco (Sindestiva-PE), no Recife. Em meio a cerca de 200 pessoas que se reuniram no espaço, fundado em 1891, o ex-prefeito do Recife ouviu testemunhos da relação respeitosa dos ex-governadores Miguel Arraes (1916-2005) e Eduardo Campos (1965-2014) com a classe trabalhadora e firmou compromissos em torno do fortalecimento dessa atividade em diálogo com quem move a economia do país.
“Agradecer por nos receberem na casa de vocês e poder fazer parte dessa história de luta e conquista de sonhos em favor dos trabalhadores portuários. Muitos de vocês lembraram aqui a relação de companheirismo que tiveram com meu pai, de como ele tratou vocês com respeito, das vezes em que chamou para tomar café da manhã com vocês e se antecipar aos desafios, fazendo uma escuta do que vocês tinham a relatar. A fruta não cai longe do pé, e eu firmo esse mesmo compromisso com vocês”, declarou.
Leia maisJoão Campos voltou a defender a conclusão da Transnordestina como estratégica para o Porto de Suape e se comprometeu a, eleito governador, trabalhar para que o Governo de Pernambuco assuma a obra e o processo de concessão da operação da ferrovia, a partir de um fundo com aportes federais e estaduais. “Vamos fortalecer a infraestrutura do nosso estado, em todos os seus modais, gerar um ciclo de expansão, porque muita gente não tem noção de que grande parte da riqueza do estado vem da capacidade de produção, da infraestrutura, e isso está ligado aos portos. Vamos trabalhar juntos, caminhar lado a lado”, prometeu.
Durante a reunião, João Campos recebeu do presidente do Sindestiva, Josias Martins, uma carta com solicitação de apoio às demandas da categoria. Também se fizeram presentes o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nos Serviços Portuários de Pernambuco, Severino Francisco dos Santos Filho, o presidente do Sindicato dos Arrumadores Portuários Avulsos de Pernambuco, Cláudio Roberto, o presidente do Sindicato dos Conferentes de Carga e Descarga de Pernambuco, Fernando Marcelo, e outras entidades sindicais.
A agenda foi acompanhada pelo pré-candidato a vice-governador Carlos Costa (Republicanos), pela pré-candidata a senadora Marília Arraes (PDT) e pelo vereador do Recife e pré-candidato a deputado federal Rinaldo Junior (PSB).
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O Globo
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que pediu ao governo Lula (PT) para recuar do regime de urgência do projeto de lei que foi enviado para tratar do fim da escala de trabalho 6×1.
Os deputados aprovaram no fim de maio uma proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre o assunto. Um acordo feito entre Motta e governo estabeleceu que o projeto enviado pelo Palácio do Planalto serviria para regulamentar alguns pontos da PEC.
Leia maisO regime de urgência impede que a Câmara vote outros projetos enquanto o PL do fim da 6×1 não for analisado pelos deputados. Motta se reuniu, ontem, com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães. O presidente da Câmara disse que o governo ainda não decidiu se vai retirar o pedido de urgência.
“Não deram uma resposta firme se vão tirar ou não. A proposta foi votada na Câmara já. Estão avaliando”, declarou ao chegar para participar da reunião de líderes da Casa.
O governo não deve retirar, por ora, a urgência do projeto, segundo uma pessoa que acompanha as negociações de perto. A avaliação é que retirar essa urgência pode esfriar a discussão do tema no Senado, risco que o Planalto não quer correr neste momento. Apesar disso, governistas estão em contato com Hugo Motta para evitar ruído com o presidente da Câmara.
A proposta prevê dois dias de folga na semana já neste ano e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas num período de 14 meses, depois de a votação ser concluída nas duas Casas.
A PEC do fim da escala 6×1 tem sido articulada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma forma de impulsionar a sua popularidade para a campanha de reeleição.
Ela agora precisa ser votada no Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), ainda não definiu qual será o caminho que a PEC seguirá. Assim como Motta, Alcolumbre também se reúne com Guimarães nesta terça para debater a proposta.
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Com uma trajetória consolidada no setor de logística e reconhecido pela capacidade de construir pontes e unir lideranças em torno de projetos coletivos, o pré-candidato a deputado estadual Batista Cabral (PSB) lança, amanhã (11), sua pré-candidatura demonstrando força política e amplo poder de articulação em toda a Metropolitana Sul. O evento contará com a presença do prefeito da cidade, Lula Cabral e dos pré-candidatos da Frente Popular ao Governo, João Campos e ao Senado, Marília Arraes; o deputado federal e candidato à reeleição Pedro Campos, e dezenas de lideranças do município e região.
A presença das principais lideranças do grupo reforça a credibilidade do projeto político de Batista, que vem ampliando apoios em diversas regiões do estado e consolidando seu nome como uma das novas forças da política pernambucana. “Estou colocando meu nome à disposição porque acredito que Pernambuco precisa de representantes que conheçam os desafios da nossa gente e tenham capacidade de transformar diálogo em resultados. Quero trabalhar por mais oportunidades, desenvolvimento e qualidade de vida para a população do Cabo e de todo o estado, levando a experiência da iniciativa privada e a força da boa política para a Assembleia Legislativa”.
Por Marlos Porto*
São 05h37min do dia 10/06/2026. Acordei-me por volta de 5h, de 5h15min me levantei. Fui ao hall do prédio com o notebook, o celular e um livro, mas as muriçocas não me deixaram escrever nada e a tênue luz não me permitia ler. Voltei.
Estou aqui na cama, sentado, digitando.
Daqui da minha cama consigo divisar o mar. Na verdade, o oceano. o Oceano Atlântico, o oceano do gigante que carregava o mundo em seus ombros. E às vezes sinto um pouco essa pressão, como se estivesse com o mundo nas costas. Como se tivesse que cuidar das dores do mundo todo. Como se eu tivesse de ser exemplo para o mundo inteiro. Como se nenhuma falha minha fosse escusável, em virtude desse propósito.
Leia maisMas ninguém cobra isso de mim, nem me enxergam com esse fardo. Pior, talvez zombem até, se lhes relatar esse sentimento.
Ademais, minhas obrigações mais diretas, comigo mesmo, com minha saúde, alimentação, rotinas e estudos, e também com minha família, casa e finanças, por vezes são colocadas em segundo plano. Reluto em dizer que são negligenciadas; nos aspectos mais importantes, sei que não são. Mas em certos detalhes, aqui e ali, forçoso é reconhecer que talvez o sejam.
Essa reflexão eu tenho hoje, aos 45 anos, de forma muito pungente.
Tive um sonho mais cedo, no qual uma psicóloga me aconselhava a ter uma neuropsicóloga para me acompanhar em tempo integral, como uma assistente. Ela estava no colégio do meu filho e depois desse conselho, eu saía e via uma mesa na área em que os pais buscam os filhos. Nessa mesa havia muita bagunça, muito material escolar misturado com brinquedos das outras crianças. Então eu pedia para meu filho organizar, ver se ele tinha esquecido algo dele, e eu mesmo ia tentar arrumar, meio irritado. Mas já estávamos de saída. Mesmo assim, eu voltei para fazer isso. Depois então eu acordei.
Realmente, muitas vezes na vida eu fico tentando organizar coisas que estão fora do meu alcance, preocupando-me com problemas cuja resolução não se encontra sob minha alçada. A minha esfera de atuação não engloba a punição ou reparação diante do genocídio cometido em Gaza, a solução para a crise entre EUA e Irã ou o esclarecimento dos problemas da nossa confusa e suja política interna.
Verdade que posso escrever um artigo e publicar no Instagram ou em algum blog, como o Blog do Magno, que gentilmente costuma abrir espaço para meus textos. Mas me pergunto com frequência se não é muito desgaste para pouco resultado visível. Sem falar que a minha vida, minha família e minha casa reclamam a minha presença ativa, e as ações que posso fazer nesses âmbitos, embora simples, muitas vezes são de grande relevo. Sem falar que muitas não são delegáveis, transferíveis ou dispensáveis.
Defronte ao gigante, o oceano, lembro dos “Quatro Gigantes da Alma”, descritos pelo médico e psiquiatra cubano Emilio Mira y López em seu livro. Tratadas pelo autor como forças fundamentais, são elas: o Medo, a Ira, o Amor e o Dever. Embora o autor didaticamente pontue as duas primeiras como sendo de uma polaridade negativa e as duas últimas como positivas, ressalta que qualquer uma delas, sobrepondo-se excessivamente às demais, pode ser prejudicial ao indivíduo. De fato, o amor em excesso, deslocado do senso de dever, pode se transformar em possessividade egoísta, enquanto o dever, desprovido do amor, pode se resumir à lógica mecanicista implacável de uma sociedade complexa que parece ter se desconectado de seus verdadeiros propósitos.
Após duas décadas de serviço público, tive uma crise de “burnout” – esgotamento – reconhecido pelo médico do próprio órgão, em 2023. Passados mais de dois anos de licenças médicas, fui aposentado por incapacidade permanente para o trabalho. A ironia mais gritante: meses antes, submeti-me a uma avaliação neuropsicológica que constatou superdotação intelectual, mas o órgão sequer me deu a oportunidade de readaptação. Tampouco reconheceu a natureza profissional da moléstia, o que me permitiria receber proventos integrais.
Diante da frieza da “burrocracia” estatal, tomada em sentido amplo, o Medo e a Ira ensaiaram domínio sobre mim. No entanto, ao olhar novamente para o Atlântico nesta manhã, percebo que a suposta invalidez decretada por um sistema doente pode ser, paradoxalmente, a minha libertação. Se o mundo não me deu a readaptação funcional, a vida me impõe uma readaptação existencial, na qual o Amor e o Dever, ressignificados e em equilíbrio, não sejam meras marionetes que entram ou saem de cena conforme os caprichos do destino. Uma existência na qual a escrita possa ter o seu lugar, sem pretensões ou apegos a resultados, mas como expressão genuína de um ser que não abdica da busca por um propósito maior.
*Ensaísta
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Uma corrente de solidariedade está sendo mobilizada para ajudar Daniele, moradora de Petrolina, mãe de uma criança acamada que precisará viajar para Curitiba, no Paraná, onde passará por um tratamento médico entre os dias 3 e 15 de julho. Embora o tratamento tenha sido garantido, a família enfrenta dificuldades para adquirir roupas adequadas para o frio intenso da região.
Quem puder colaborar pode contribuir com qualquer valor ou entrar em contato diretamente com a família. As doações podem ser feitas via Pix pelo número (87) 9.9102-8701. Informações e outras formas de ajuda também podem ser obtidas pelo WhatsApp: (87) 9.9139-4056. Qualquer contribuição será de grande importância para garantir mais conforto e proteção ao bebê durante o período do tratamento.
O cenário político em Inajá ganhou contornos de forte acirramento. Uma ação rápida da Prefeitura expôs o incômodo e o medo político que a atual gestão de Marcelo de Alberto demonstra diante do ex-prefeito Leonardo Martins, que acabou se tornando vítima de uma clara perseguição.
Tudo começou quando Leonardo Martins contratou um outdoor para dar as boas-vindas ao cantor Leonardo, que volta à cidade neste dia 10 de junho após 10 anos – sua última vinda foi justamente na gestão do ex-prefeito. A peça trazia a frase: “Seja bem-vindo, Léo! O que é bom, sempre volta”. Sem qualquer notificação prévia ao ex-gestor, a prefeitura mandou pintar e apagar o anúncio imediatamente. Aliados de Leonardo Martins classificaram o ato como censura e tentativa de silenciar a oposição às vésperas da festa do padroeiro.
Leia maisPara tentar dar legalidade ao ato após a repercussão negativa, a Secretaria de Infraestrutura emitiu uma Notificação Administrativa, datada de 3 de junho e assinada por Rubson Ronniere. O documento alega que a estrutura na PE-300 estava irregular e sem alvará. Apesar da justificativa técnica, a população e as redes sociais criticaram o “timing” cirúrgico da fiscalização, que resolveu implicar com o local justamente quando ele estampava uma homenagem do ex-prefeito. Para os moradores, a ação deixa claro que o grupo governista teme a força política de Leonardo Martins no Sertão.
Diante do primeiro outdoor pintado e censurado pela prefeitura, o ex-prefeito reagiu e colocou uma segunda peça publicitária, desta vez instalada em um terreno de sua propriedade particular. No entanto, a resposta da gestão municipal não demorou: insatisfeita com a nova instalação, a prefeitura foi até o local e montou uma estrutura de grid com outro outdoor bem à frente da propriedade do ex-gestor, bloqueando completamente a visão do anúncio de Leonardo Martins. Considerando a gravidade e o abuso da situação, o ex-prefeito Leonardo Martins acionou a Justiça para garantir o seu direito de manifestação.
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Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
Será nesta quinta-feira (11) que a Executiva Nacional do MDB decidirá se haverá ou não intervenção no diretório do partido no Distrito Federal. E, como mostramos na terça-feira (9) no Correio Política, a situação é das mais complicadas.
Uma Master crise, consequência de todo o rolo provocado pelas negociações do BRB para comprar o banco de Daniel Vorcaro e o rompimento posterior, a partir do episódio, do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) com sua sucessora, a atual governadora Celina Leão (PP). Em torno da crise, se o partido fará parte ou não da chapa de Celina ou se lançará candidato próprio ao GDF – no caso, o deputado federal Rafael Prudente. E se Ibaneis Rocha sairá mesmo para o Senado.
Leia maisNa coluna de terça, reproduzimos avaliação de experiente emedebista que considera que não haveria mais tempo de construir alternativa. Hoje, mostramos que essa é uma situação longe de pacificada. Na avaliação de outro emedebista, há uma chance grande de que haja a intervenção. Numa linha oposta, segundo esse emedebista, porque agora se avalia uma chance real de atrapalhar o jogo eleitoral de Celina Leão.
No caso, o que se avalia é que a entrada de Rafael Prudente no jogo forçaria um segundo turno no DF. E que Celina, pelo desgaste da crise do Master, poderia acabar perdendo a eleição com quem fosse com ela para o segundo turno. Com uma posição mais moderada, caso consiga, Prudente levaria os votos da esquerda, dos eleitores de Leandro Grass (PT) ou Ricardo Capelli (PSB). Resta saber se os eleitores do MDB fariam o mesmo caso um dos nomes da esquerda é que passasse para o segundo turno.
Desde a primeira eleição de Ibaneis, a tática seria eliminar adversários no campo conservador para facilitar o caminho. Em 2018, Ibaneis tirou o deputado federal Alberto Fraga (hoje no PL) e venceu. Em 2022, tirou José Antonio Reguffe e se uniu àquele que era então, seu partido, o União Brasil. Agora, a ideia seria eliminar também adversários para Celina disputar com o PT e vencer.
Prudente presidia o MDB até 2023. Então, Ibaneis tirou-o e colocou o distrital Wellington Dias na presidência. Na ocasião, justamente para evitar uma candidatura de Prudente e pavimentar o caminho que então previa: eleger Celina Leão como sua sucessora e se eleger senador na chapa.
Talvez Ibaneis Rocha a essa altura não tenha mesmo mais um espaço para se candidatar ao Senado. Mesmo se o MDB lançar nome próprio ao GDF. Esse emedebista avalia que seria talvez mais cômodo agora para ele compor com Celina e sair para deputado federal. O jogo já seria mesmo para atrapalhar Celina.
Um raciocínio semelhante envolve a discussão sobre a candidatura do ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca pelo MDB no Paraná. No caso, avalia-se caminhos para garantir um segundo turno no pleito liderado pelo senador Sergio Moro (PL). Greca poderia atrapalhar o nome do governador Ratinho Jr. (PSD), Sandro Alex.
Se Greca for mesmo candidato, ele teria o potencial de atrapalhar os planos eleitorais de Sandro Alex. Por essa razão, Ratinho Jr. tenta negociar que ele aceite ser o candidato a vice-governador na chapa do ex-deputado federal Alex. Ratinho Jr. abandou uma candidatura à Presidência para tentar evitar, segundo ele, a eleição de Moro.
Caso Greca mantenha-se candidato e também Sandro Alex, avalia-se que a divisão no centro possibilitaria uma ida para o segundo turno contra Sérgio Moro do deputado estadual Requião Filho (PDT), que terá na disputa pelo governo paranaense o apoio do PT. Pesquisa divulgada na terça o mostra em segundo.
Bem atrás, porém, Segundo a pesquisa Veritá, Moro teria 60,1%. Requião Filho teria 19,1%. Sandro Alex, 8,8%, e Greca, 6,4%. No DF, não há pesquisas recentes. Mas parece passar hoje pela cabeça de pelo menos parte do MDB a ideia de que o partido tem o condão de embolar algumas corridas eleitorais pelo país.
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