Na rotina da ponte aérea, embarcando para Brasília depois de passar o feriadão da Páscoa em Triunfo, cada vez mais linda e apaixonante. A semana promete!
Na rotina da ponte aérea, embarcando para Brasília depois de passar o feriadão da Páscoa em Triunfo, cada vez mais linda e apaixonante. A semana promete!
Ex-presidente nacional do PSB por 11 anos e atual dirigente da fundação de formação política do partido, Carlos Siqueira dedicou os últimos anos a uma pesquisa sobre o novo perfil do eleitorado brasileiro. O trabalho resultou no livro “O novo perfil eleitoral do Brasil – como vota o brasileiro”, lançado pela Fundação João Mangabeira. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, Siqueira falou sobre a importância da esquerda se atualizar sobre as mudanças da sociedade. “Hoje temos um governo de manutenção da ordem e do status quo. Precisamos ter um governo de transformações que elevem o país a patamar político, econômico e social muito maior do que estamos a viver”, afirmou o ex-dirigente.
Seu livro procura desvendar muitos questionamentos sobre o atual pensamento do eleitorado brasileiro. O que pode falar a respeito?
Nós da Fundação João Mangabeira e do PSB tivemos a preocupação de saber as razões da mudança do perfil do eleitorado brasileiro. Fizemos pesquisas quantitativas e qualitativas em todo o país, com um foco especial no eleitorado evangélico, nas juventudes e em mulheres chefes de família. Isso resultou em uma pesquisa ampla, um estudo das razões pelas quais chegamos nessas mudanças. O eleitorado brasileiro está muito dividido, bem ao meio. Tanto que você tem hoje uma eleição presidencial na qual ninguém pode apostar no resultado. Só depois da apuração. Dois polos foram criados. Antes era PT e PSDB, agora são PT e PL.
Leia maisMas é uma polarização que faz com que, mesmo diante de tantos escândalos, ambos permaneçam praticamente intactos em suas intenções de voto…
Incrivelmente é isso, mas reflete esta divisão. Se observar, não havia uma polarização tão ideológica no passado. Porque as diferenças entre PT e PSDB não são tão grandes quanto eles gostariam que fossem (risos), mas as diferenças entre PT e PL são muito grandes. Portanto, essa polarização persiste. Tanto que você tem outros candidatos, mais moderados, mais ao centro, e mesmo assim persiste a polarização em torno do bolsonarismo e do petismo.
O que aconteceu com a esquerda brasileira? Houve uma perda de espaço? É definitivo?
Que há uma diminuição de espaço, nós estamos conscientes. Tanto que precisamos nos aliar às forças ao centro, e às vezes até com a centro-direita. A esquerda nunca foi majoritária no Brasil, mas há espaço para as forças políticas de esquerda. Mas na América do Sul, por exemplo, estamos cercados. Existe apenas Brasil e Uruguai, o restante é todo de direita e alguns até de extrema-direita.
Isso se encaixa com esse novo perfil do eleitor brasileiro?
Sim, há vários fatores pelos quais a direita e a extrema direita ganharam espaço no Brasil, mais a partir de 2018 com a candidatura de Jair Bolsonaro (PL). Ele politizou e ideologizou a política brasileira muito claramente, porque ele colocou valores extremamente conservadores, que estavam adormecidos em uma parcela da população, que encontrou eco naquele discurso conservador. Mas acredito muito que a esquerda brasileira tem muita possibilidade de continuar no poder. Depende da reeleição do presidente Lula (PT). Mas a esquerda precisa se autorrenovar, porque o mundo mudou, as forças do trabalho mudaram em todo o sistema capitalista e precisamos nos atualizar.
Que tipo de mudança? O discurso do presidente Lula tem que mudar?
De todos nós. Não podemos ser apenas a força da defesa do status quo. A esquerda sempre foi a força de transformação. Hoje quem está propondo transformações é a extrema direita. O Brasil é um país de desigualdades sociais imensas. A esquerda tem papel extraordinário, mas precisa repensar vários de seus dogmas, não pode continuar sendo a esquerda dos anos 60 e 70. Estamos encerrando ciclo com o presidente Lula, que já deu sua colaboração, mas também é preciso que surjam novas lideranças. O capitalismo se renova permanentemente, e a esquerda precisa se renovar. Mas precisamos realçar que as grandes conquistas no Brasil vieram do lado da esquerda. Mas hoje você não tem um governo de transformações.
O que temos então?
Temos um governo de manutenção da ordem e do status quo. E precisamos repensar, precisamos ter governo de transformações que elevem o país a patamar político, econômico e social muito maior do que estamos a viver.
Antes se dizia que fazer um bom governo já ganhava a eleição. Ainda é assim?
Ótima provocação. É fundamental, mas você pode fazer bom governo e pode perder a eleição. Se imaginar o que foi o governo Bolsonaro em matéria administrativa e comparar outros, claro que muitos podem pensar diferente, mas é diferença muito grande. Mas o que importa sobretudo hoje é a política ideológica e de valores. Essa é a grande mudança que existe hoje no brasil. As denúncias de corrupção, os problemas com determinado candidato, não refletem eleitoralmente. Porque as pessoas estão muito ligadas nos valores morais, nos valores éticos e em valores conservadores, que ganharam um espaço muito grande na sociedade brasileira.
O campo progressista brasileiro já aprendeu a operar nas redes sociais como a direita?
Essa é uma das mudanças sobre as quais esquerda ainda não está inteiramente atualizada. A extrema direita saiu na frente em matéria de comunicação digital, e infelizmente continua a frente nessa matéria. Precisamos nos atualizar nesse aspecto, que pode ser utilizado de forma muito positiva. Precisamos nos preparar de maneira adequada. Isso também reflete o que está na nossa pesquisa. Hoje a grande massa da população se informa e é muito influenciada pelas mídias digitais. Então isso é fundamental e indispensável, precisamos estar no mesmo patamar daqueles que já chegaram num nível de eficiência de divulgar suas ideias.
O Nordeste tem vivido uma transformação social e de pensamento, saindo daquele ciclo de assistencialismo e voltando-se mais para o empreendedorismo. Como isso impacta nas eleições, já que foi essa região que levou o presidente Lula à vitória em 2022?
O Nordeste é uma região de muitas potencialidades, e obviamente tem um perfil eleitoral mais à esquerda, o que é natural porque as desigualdades sociais são mais profundas. Ou seja, há espaço para a esquerda crescer. Mas o desejo da população é de um desenvolvimento econômico que se reflita sobre a vida social de todos. Não é viver apenas de programas sociais. Esse é o pior dos mundos. O que precisamos é de desenvolvimento estrutural, melhorar a industrialização. O Nordeste tem vantagem porque pode atrair industrias modernas, tem crescido nas energias renováveis e pode ir muito além, mudar a situação econômica e social da região. É um desejo do eleitor brasileiro, de progresso, não apenas de viver de ajuda do estado. O verdadeiro desenvolvimento dispensa a ajuda do estado, e sim é aquele que dá educação de qualidade, que coloca o filho do pobre no mesmo patamar de disputa do filho do rico. É lamentável que ainda precisamos de ajuda do estado.
Mas existe o dilema do Bolsa Família, que sempre gera um tensionamento quando se fala em mexer nele…
Temos que encontrar uma saída do Bolsa Família, e não aumentar. Isso só se faz com crescimento econômico, industrialização, ensino de qualidade e educação profissionalizante. Infelizmente ainda há uma grande parcela da população, por conta das diferenças sociais abissais que existem no país, e que precisam ser enfrentadas. E só se enfrenta isso com mudanças estruturais. Ainda que admitamos que precisem ser feitas em caráter emergencial.
As pesquisas também mostram que o eleitor não sabe seus candidatos proporcionais. Em quanto essa falta consciência política prejudica o país?
Educação política é fundamental. Isso é muito em função do sistema presidencialista, que põe na pessoa e não nas instituições a solução dos problemas. A América Latina é muito famosa por isso, por seus caudilhos, e você é refém. No dia em que tivermos um sistema parlamentar em se você saiba que isso mudará sua vida, o eleitor terá mais cuidado em conhecer o parlamentar em que vai votar. Mas não é só isso, também precisa ter educação, que deve vir desde a escola, sobre como escolher bem os representantes. Nossa pesquisa tem um dado aterrador. Cerca de 73,9% da população diz que o Congresso Nacional representa mal o povo. Quando é sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), quase metade reprova. Há uma disfunção. Vivemos um sistema político eleitoral e institucional em crise.
O que mudaria se vivêssemos em um parlamentarismo?
Em primeiro lugar, existiria um número menor de partidos, e o eleitor identificaria com maior facilidade quem representa seu pensamento. Em segundo lugar, ele também saberia que existe um salvador da pátria. Nossa pesquisa constata que o eleitor acha que precisa de um governante forte, de um salvador da pátria, o que não existe. O que salva são as instituições funcionando regularmente, com o eleitor votando conscientemente, que pode resultar em um Parlamento e um governo que melhorem a democracia. O que está em xeque no mundo é a democracia. Não é uma questão brasileira. Na Europa ressurgiram partidos de extrema direita, quem diria há 15 anos que isso poderia acontecer? É uma mudança que percorre o mundo e questiona as democracias. É preciso aperfeiçoar a democracia sob o risco de perdê-la.
No Brasil, PT e PSB estão unidos na campanha presidencial, com a retomada da chapa Lula e Geraldo Alckmin (PSB), e em diversos estados, exceto no Distrito Federal. Por que não foi possível unir justo no coração do poder?
Você tem razão, eu lamento profundamente, foi uma falha das direções regionais dos dois partidos, que não encontraras uma solução que desse um candidato que fosse mais capaz de ampliar e ganhar a eleição, justamente em quadro adverso para o atual Governo do Distrito Federal. O ex-governador (Ibaneis Rocha, do MDB) foi envolvido no caso do BRB e do Banco Master, então era uma oportunidade que serie abriu para a esquerda retornar. Acho que falharam as direções regionais e a coordenação política do presidente Lula, que poderia ter interferido. É profundamente lamentável estarmos divididos, e lá na frente pode ter um resultado negativo. Mas o leite está derramado, temos que administrar o que vai acontecer. Mesmo assim tenho esperança que a esquerda possa chegar no segundo turno e até ganhar eleição no Distrito Federal.
Como o PSB, que o senhor presidiu por 11 anos, se coloca hoje, entre a tradição e o mundo moderno? É um partido mais doutrinário ou pragmático?
Não existe partido que não seja ideológico. Quem diz que não o é, é na verdade o mais ideológico (risos). O PSB é um partido ideológico, que nasceu em 1947 discordando da esquerda tradicional e única da época, que era o PCB, que defendia a ditadura de proletariado e não defendia a liberdade de imprensa e religiosa. O PSB nasceu discordando desses ideais, e isso se reproduziu em sua refundação, em 1985, e reafirmado na autorreforma que promovemos entre 2019 a 2022, quando foi feito um novo programa, que mantem as ideias originais do socialismo democrático. Que é o estado de bem estar social, onde pessoas vivem num mundo em que não existe miséria, existe educação qualidade, desenvolvimento econômico e tecnológico. É o mesmo socialismo que hoje governa e que transformou a Espanha economicamente, o mesmo que governou Portugal por mais de 30 anos depois da queda do salazarismo. Que defende religião, liberdade de imprensa. Não temos porquê rever esses conceitos, mas eles se unem ao resultado. Todos os partidos têm que apresentar resultado. Temos resultados em estados que governamos até pouco tempo, como Pernambuco, Paraíba, Espírito Santo, que tiveram governos aprovados. Resultados e posição ideológica se casam, não tem que estar diferente.
Qual é a sua percepção sobre o cenário brasileiro? Tem como diminuir a polarização?
Essas tensões criadas são de natureza política e ideológica, e estão acontecendo no Brasil e no mundo. Demorará ainda algum tempo para que sejam superadas. Mas penso que se o presidente Lula for reeleito, e esperamos que seja, nós possamos promover uma mudança de natureza mais estrutural. O Brasil precisa industrializar os produtos que exporta em grãos e minerais, refinar seu petróleo, industrializar todos os produtos desse grande movimento que é a agricultura brasileira, uma das maiores do mundo e que não traz ainda todos os seus resultados. Também precisamos avançar na modernização da indústria nacional, hoje ainda pouco competitiva frente ao desenvolvimento tecnológico mundial. Ao mesmo tempo, precisamos nos preocupar em elevar o nível da educação brasileira, que é inferior a todos os países da América Latina. Se não elevarmos, não sairemos desse atraso. Estamos num país atrasado desse ponto de vista, precisamos pensar estrategicamente. Não sobre como vai ser avaliado pelas pesquisas, mas como vai ser avaliado para a história. Já disse, a esquerda precisa passar por um processo de renovação, de estudo mais profundo sobre o eleitorado brasileiro, as aspirações, a realidade, e compreender melhor um setor que é o evangélico, que estudamos nessa pesquisa. É um setor que precisa ser compreendido, nas apenas durante as eleições, mas entendendo o papel social que desenvolvem hoje as igrejas evangélicas ou protestantes, inclusive pela ausência do estado. Tudo precisa ser estudado com muita profundidade. É uma das mudanças que a esquerda deve se aprofundar, até porque é um eleitor que vem das classes CDE, que é mais o público alvo das políticas de esquerda.
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A propaganda eleitoral obrigatória, conhecida em Pernambuco como guia eleitoral, começou nesta sexta-feira (28). Na TV, o primeiro dia dos programas dos candidatos ao governo estadual teve o ex-vereador do Recife Ivan Moraes (PSOL) relembrando sua trajetória política; o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) pilotando uma Kombi em várias regiões do estado; e um relato emocionado da governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição.
Apenas esses três candidatos ao governo têm direito a ter propaganda eleitoral no rádio e na TV nas eleições de 2026, já que os demais partidos não atingiram a cláusula de barreira, como determina a Justiça Eleitoral. Além deles, também são candidatos ao governo Guilherme Fonseca (PSTU), Professor Jeremias do Banco (Democrata), Professora Camila (UP), Renan Hallais (Missão) e Victor Assis (PCO). As informações são do portal g1.
Leia maisIvan Moraes (PSOL)
Primeiro candidato a entrar no ar no bloco dedicado aos postulantes ao governo de Pernambuco, Ivan Moraes tem o menor tempo de tela, com 35 segundos por bloco. “Eu dedico a minha vida ao bem-viver”, disse, ao abrir o programa eleitoral.
O candidato apareceu caminhando em diferentes situações enquanto apresentou sua trajetória política. Ex-vereador do Recife por dois mandatos (2017-2025), Ivan Moraes afirmou que participa há mais de 20 anos de grupos que lutam por direitos sociais. Jornalista, ele também já trabalhou como balconista de farmácia e em agência dos Correios e disse que se tornou vereador após ficar “indignado com a política” e que “fez história na cidade”.
Ivan Moraes finalizou seu primeiro programa na TV falando que não tem parentesco com políticos, em uma referência indireta à governadora Raquel Lyra e a João Campos, ambos filhos de ex-governadores de Pernambuco. “Não tenho parente na política e não estou aqui à toa. Agora eu quero governar Pernambuco porque a gente merece muito mais”, afirmou Ivan Moraes. Assim como Campos, Moraes também busca canalizar o voto do eleitorado de esquerda ao alinhar sua candidatura ao plano nacional de Lula.
João Campos (PSB)
Seguindo a ordem de exibição do guia eleitoral de ontem, o ex-prefeito do Recife João Campos tem o maior tempo de propaganda no rádio e na TV. Ao todo, o candidato tem 4 minutos e 21 segundos por bloco.
Na estreia, o candidato mostrou imagens de pernambucanos de várias regiões do estado, além do pai, o ex-governador Eduardo Campos, e do bisavô, o também ex-governador Miguel Arraes. Um narrador destacou que pernambucano “não sabe ser mais ou menos” e lembrou a Revolução de 1817, quando o estado declarou-se uma república independente do Brasil, ainda durante a colonização portuguesa.
O candidato apareceu pilotando uma Kombi com as cores da bandeira do estado e prometeu “entregar as creches que ficaram faltando” em alusão a uma promessa de campanha da governadora Raquel Lyra em 2022.
João Campos exibiu um vídeo com pedido de voto do presidente Lula (PT), também candidato à reeleição, e prometeu a construção de quatro novos hospitais, destacando um hospital no Recife com 900 leitos. “A gente vai mostrar como é que se cuida, porque no nosso governo vai ter cuidado e trabalho”, afirmou.
Raquel Lyra (PSD)
Última dos três candidatos ao governo a exibir seu programa eleitoral, a governadora e candidata a reeleição apostou em uma abordagem intimista. Com a legenda “Raquel sem cortes”, a candidata aparece vestida de branco e sentada em frente a uma sala de estar. Ao todo, Raquel tem o segundo maior tempo de tela deste ano, com 4 minutos e 3 segundos por bloco.
Com semblante emocionado, Raquel Lyra diz que assumiu o governo de Pernambuco no “momento mais difícil” da vida, em referência à morte de seu marido, Fernando Lucena, que faleceu no dia do 1º turno das eleições de 2022. Raquel Lyra afirmou que visitou várias partes de Pernambuco e que estar no cargo a permitiu “seguir em frente” em meio ao luto.
A candidata disse que “Pernambuco voltou” e destacou geração de empregos, reforma de hospitais, reconstrução de estradas e construção de creches. Ela afirmou que os pernambucanos voltaram a “acreditar em si mesmos”.
No fim do programa, foi exibido um jingle citando “Bora com mainha, coração trabalhador”, com imagens de eleitores e da bandeira de Pernambuco.
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Por Gastão Cerquinha Neto*
A chuva que cai sobre a cidade não afeta todas as pessoas da mesma maneira. Para uma parcela da população, uma noite de chuva pode significar apenas uma mudança nos planos ou algum transtorno no trânsito. Para outra, significa o medo de dormir sem saber se a água vai em casa ou se uma encosta poderá cair durante a madrugada. Essa insegurança faz parte da rotina de muitos grupos socialmente vulneráveis, que frequentemente vivem em áreas de risco e têm acesso limitado a condições básicas de moradia e infraestrutura urbana.
Quem vive nessas áreas geralmente conhece os riscos a que está exposto. Tem uma ideia de onde a água costuma subir, quais ruas alagam primeiro e quais encostas já cederam ou que precisa de proteção. Permanecer nesses locais, entretanto, nem sempre é uma escolha. Os custos de moradia, a necessidade de viver próximo ao trabalho, os vínculos familiares e comunitários e o acesso a serviços e oportunidades fazem com que muitas famílias tenham poucas alternativas para morar em locais mais seguros.
Leia maisEssa vulnerabilidade também é resultado da forma desigual como as cidades foram construídas e receberam investimentos ao longo do tempo. Enquanto determinadas áreas concentram infraestrutura, serviços públicos e espaços urbanos de melhor qualidade, bairros mais pobres podem permanecer durante anos sem intervenções capazes de reduzir os riscos e melhorar as condições de vida da população.
Ondas de calor
E essa desigualdade não aparece apenas quando ocorrem enchentes ou deslizamentos. Ela também pode ser percebida na distribuição das áreas verdes, na arborização das ruas, na existência de praças e parques e na própria qualidade dos espaços públicos. Em muitas áreas periféricas, predominam ruas pouco arborizadas, superfícies impermeáveis e escassez de espaços verdes. O resultado é um ambiente urbano mais quente, menos confortável e mais exposto aos efeitos das ondas de calor e das chuvas intensas.
Em muitos centros urbanos, assentamentos precários se estabeleceram justamente em áreas de várzea e encostas, e se desenvolveram sem estrutura adequada ou sem espaços verdes capazes de favorecer a regulação térmica. Assim, um fenômeno natural, como uma chuva intensa, encontra condições sociais e urbanas muito diferentes ao atingir cada parte da cidade.
Insegurança permanente
Para quem vive nesses locais, existe uma condição permanente de insegurança. A possibilidade de perder a moradia, encontrar a escola alagada ou não conseguir chegar a um posto de saúde durante uma chuva passa a fazer parte da vida cotidiana. A repetição desses episódios transforma o desastre, que para parte da cidade pode ser um acontecimento excepcional, em uma ameaça recorrente para quem vive nos territórios mais vulneráveis.
Também é importante perceber que essas populações não desconhecem os riscos do lugar onde vivem. Ao contrário, a convivência cotidiana com as enchentes produz um conhecimento muito particular sobre o território: quais caminhos ficam intransitáveis, aonde a água chega primeiro, como ela se comporta e quais espaços permanecem esquecidos pelo poder público.
Esse conhecimento precisa ser reconhecido e incorporado ao planejamento urbano. Para isso, o poder público deve ampliar os canais e criar espaços efetivos de participação, nos quais a população possa apontar suas necessidades, estabelecer prioridades e contribuir para a construção das soluções. Afinal, compreender o território exige também escutar quem o conhece.
Vulnerabilidade técnica e vulnerabilidade social
Para compreender por que uma mesma chuva produz consequências tão diferentes dentro de uma cidade, é importante distinguir a vulnerabilidade técnica da vulnerabilidade social. A vulnerabilidade técnica está associada às características físicas do território, como a proximidade de rios e canais, a ocupação de áreas de várzea, a declividade das encostas ou a fragilidade geológica do terreno.
Já a vulnerabilidade social está relacionada às condições que limitam a capacidade das pessoas de evitar, enfrentar ou se recuperar desses eventos. Assim, duas famílias podem estar expostas a uma inundação de intensidade semelhante, mas possuir condições muito diferentes para lidar com ela.
Assim, a concentração de populações pobres em áreas de risco não deve ser entendida simplesmente como consequência das características naturais desses lugares, mas também como resultado de decisões políticas e de processos históricos de ocupação e segregação do espaço urbano.
O caso das enchentes do Rio Grande do Sul
As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 são um exemplo de como um evento climático extremo pode revelar desigualdades que já existiam antes de o desastre acontecer. Embora as chuvas tenham atingido uma extensa parcela do estado, bairros periféricos, comunidades ribeirinhas e territórios historicamente marginalizados apresentaram maior exposição aos riscos, enquanto comunidades indígenas e quilombolas sofreram perdas de moradias, áreas de produção e infraestrutura comunitária.
A dimensão alcançada pelo desastre não pode ser explicada somente pela intensidade do fenômeno climático, ela também evidencia problemas acumulados no planejamento territorial, na infraestrutura e nas políticas de prevenção e adaptação. Aos poucos, vamos percebendo que a resposta a essa urgência climática não passa apenas por erguer diques mais altos ou sistemas de drenagem mais largos, mas por identificar os muros invisíveis que produzem segregação socioespacial.
A adaptação climática precisa ser, obrigatoriamente, um projeto de justiça social e direito à moradia. Enquanto o som da chuva no telhado durante a noite continuar sendo sinônimo de terror e insônia para quem vive exposto, nosso modelo de cidade continuará falhando. O futuro só será verdadeiramente seguro quando a água que cai do céu voltar a ser apenas um fenômeno da natureza e não o prenúncio de um desastre.

*Engenheiro civil, doutor em Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atualmente, é tecnologista do Cemaden (MCTI) em São José dos Campos (SP).
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Lulinha vira calcanhar de Aquiles de Lula na campanha
O caso envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, começa a ganhar uma dimensão que ultrapassa a investigação policial e se transforma em um problema político direto para o presidente Lula (PT), justamente quando a campanha presidencial entra em uma fase decisiva. O desgaste tem pelo menos duas frentes: a eleitoral, porque oferece à oposição um novo flanco para atacar o presidente, e a narrativa, porque obriga Lula a explicar publicamente sua relação com pessoas que aparecem no entorno das investigações.
A situação se tornou ainda mais delicada depois da entrevista concedida pelo presidente à TV Globo, na quinta-feira (27), quando o tema ocupou parte relevante da sabatina e colocou Lula diante de perguntas sobre corrupção e sobre as relações de seu filho com a lobista Roberta Luchsinger.
No campo eleitoral, o principal risco para Lula não está necessariamente na existência de uma investigação contra o filho, mas na possibilidade de o caso se transformar em uma narrativa recorrente durante toda a campanha. A oposição tem interesse evidente em associar Lulinha ao Palácio do Planalto e explorar a proximidade de Roberta Luchsinger com integrantes do círculo de poder.
Leia maisReportagem do Diário do Poder reuniu fotografias da lobista com Lula, Janja, Geraldo Alckmin e ministros do STF, entre outras autoridades. A própria publicação ressalva, porém, que as imagens não constituem prova de ilegalidade nem demonstram que os encontros tenham relação com as suspeitas investigadas. Ainda assim, politicamente, as fotografias ajudam a alimentar uma narrativa de acesso privilegiado ao poder.
A entrevista à TV Globo mostrou justamente a dificuldade de Lula em controlar essa narrativa. O presidente classificou como “ilações” as acusações contra Lulinha, negou uma relação próxima com Roberta e, ao mesmo tempo, afirmou que não haverá interferência do governo nas investigações. Também admitiu que seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, errou ao receber valores da lobista e que deve responder por seus atos. A estratégia procura estabelecer uma separação entre o governo e os investigados.
Em meio ao desgaste provocado pelo caso, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou, ontem, que a corporação trabalha com autonomia, rigor técnico e imparcialidade, sem proteger ou perseguir ninguém. Embora não tenha citado Lulinha, a declaração funciona como uma resposta institucional às críticas feitas por Lula sobre os vazamentos e reafirma que a PF pretende preservar sua imagem de independência.
A entrevista à Globo mostrou que Lula ainda consegue responder ao ataque e reafirmar sua versão dos fatos, mas também revelou que o episódio já deixou de ser uma questão restrita à PF e ao STF. O risco para o Planalto agora é permitir que a investigação dite a agenda eleitoral e obrigue o presidente, durante toda a campanha, a explicar não apenas o que seu filho fez ou deixou de fazer, mas também quem circula ao redor do poder de Lula.
Driblando a imprensa – Lula participou, ontem, de um ato político de campanha em Salvador, capital da Bahia. O petista desfilou em carro aberto ao lado do governador Jerônimo Rodrigues, candidato à reeleição. No mesmo carro estava o ex-líder do PT no Senado Jaques Wagner, que deixou o cargo após ter seu nome envolvido com o Banco Master. Antes do evento, a equipe de campanha avisou que Lula iria dar uma entrevista junto com os demais candidatos que o apoiam na Bahia. A entrevista acabou não acontecendo. Ao invés de responder perguntas de jornalistas, o presidente fez um pronunciamento com elogios ao seu próprio governo. Com isso, Lula acabou evitando perguntas sobre as ações de seu filho Fábio Luís e da lobista Roberta Luchsinger no governo petista.

Cola na mão – O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) chamou atenção, ontem, durante a sabatina do Jornal Nacional, da TV Globo, pelas palavras escritas na palma da mão esquerda: “Mudança, Futuro e 7/Set”. O recurso já havia sido usado pelo pai, Jair Bolsonaro (PL), em outros momentos da vida política. Em entrevista ao próprio JN, em 2018, o ex-presidente apareceu com “Deus, família e Brasil” anotados na mão; quatro anos depois, durante a campanha de 2022, levou os lembretes “Nicarágua, Argentina, Colômbia e Dario Messer”.
Flávio nega contrapartida a Vorcaro – Questionado na sabatina sobre os R$ 61 milhões que, segundo as investigações, Daniel Vorcaro teria repassado para financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro (PL) negou qualquer contrapartida ao banqueiro em sua atuação parlamentar. “Não teve nenhuma contrapartida no meu mandato no Senado para esse investidor”, afirmou. O candidato disse que sua única relação com Vorcaro envolveu o longa e classificou o patrocínio como uma operação privada. A Polícia Federal investiga se recursos relacionados ao projeto foram usados para custear despesas de Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos, mas ainda não há conclusão de que isso tenha ocorrido. Flávio também tentou deslocar o desgaste do caso para Lula (PT), ao afirmar que é o presidente quem deve explicações sobre o escândalo do Banco Master.
“Golpe da Disney” – Flávio Bolsonaro (PL) classificou como “golpe da Disney” os atos de 8 de janeiro de 2023 e voltou a contestar a condenação do pai, Jair Bolsonaro (PL), pelo STF no processo sobre a trama golpista. O senador afirmou que o ex-presidente foi vítima de uma “grande farsa armada para tirá-lo da vida pública” e questionou a imparcialidade dos ministros que participaram do julgamento. Apesar das críticas ao processo que levou à condenação de Bolsonaro, Flávio garantiu que respeitará o resultado da eleição presidencial deste ano caso seja derrotado. “Eu não vou perder. E digo mais, vou ganhar no primeiro turno”, declarou.

João tenta trazer Lula a Garanhuns – O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) intensificou as articulações para levar Lula (PT) ao Estado entre os dias 9 e 11 de setembro. A campanha do socialista trabalha para incluir na passagem do presidente uma visita ao Instituto de Prevenção e Diagnóstico de Câncer Dona Lindu, em Garanhuns, cidade natal de Lula. O hospital, também conhecido como Hospital de Amor, foi inaugurado em julho, com participação remota do petista, e homenageia sua mãe, Eurídice Ferreira de Mello. A presença de Lula é considerada estratégica pelo PSB para reforçar a associação de João com o presidente na reta final da campanha. Pesquisa Quaest divulgada na última terça-feira mostrou Raquel Lyra (PSD) com 47% das intenções de voto e João com 37%.
CURTAS
RAQUEL COMENTA AÇÃO CONTRA JOÃO – A governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) comentou, ontem, durante agenda em Jaboatão dos Guararapes, a ação movida por sua campanha contra João Campos (PSB) por declarações que a associam a um suposto “Gabinete do Ódio”. Raquel afirmou que seus advogados estão cuidando do caso e voltou a dizer que “na eleição não vale tudo”.
JOÃO NEGA RELAÇÃO COM AMISADAI – O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) negou, ontem, qualquer vínculo de amizade com Amisadai Andrade, servidor da Caixa cedido ao Governo do Estado e apontado como chefe do suposto “Gabinete do Ódio”. “Não tenho nenhuma relação de amizade, nunca me reuni e muito menos fazia parte da minha equipe”, afirmou. João também acusou Raquel Lyra (PSD) de assumir a liderança da rede de ataques após a exoneração de Amisadai e classificou como “mentira construída” um vídeo publicado pela governadora no Instagram em que ele aparece parabenizando o servidor e a esposa pelo nascimento da filha.
ZÉ QUEIROZ INAUGURA COMITÊ EM CARUARU – O candidato a deputado estadual Zé Queiroz (MDB) inaugura, hoje, às 11h, seu comitê de campanha em Caruaru. O ato, na Avenida Rio Branco, no Centro, terá as presenças do ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, e da deputada federal Iza Arruda (MDB), com quem Zé Queiroz faz dobradinha nestas eleições.
Perguntar não ofende: Flávio vai precisar de cola para enfrentar Lula no debate?
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O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) contestou, nesta sexta-feira (28), o julgamento de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por tentativa de golpe de Estado, ao afirmar que uma das acusações sobre o dia 8 de janeiro não tinha cabimento.
Durante a sabatina no Jornal Nacional, o senador disse que seu pai, que foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, foi julgado por depredação de patrimônio público, mas estava a quilômetros da Praça dos Três Poderes, onde ocorreu o ato de 8 de janeiro. Segundo ele, Jair só teria depredado se fosse via “Wi-Fi”. As informações são da CNN.
Leia maisEle ainda pontuou que o ex-presidente foi julgado “por seus inimigos”.
“Claramente isso tudo foi uma farsa. Olha quem foi que julgou ele: Alexandre de Moraes, inimigo declarado dele, Flávio Dino, indicado pelo Lula, (…) [Cristiano] Zanin, que foi advogado do Lula”, disse o senador.
Na época, Bolsonaro tinha viajado aos Estados Unidos.
Embora não tenha participado fisicamente dos atos, o STF entendeu que Bolsonaro teve responsabilidade indireta e ativa na tentativa de golpe.
Outro ponto que o senador questionou no julgamento foi a condenação por “organização criminosa armada”. Segundo ele, nenhum dos que estavam presentes no ato possuía armas.
“Você (referência ao jornalista) falou alguns crimes, organização criminosa armada. Que organização? As pessoas não se conheciam e não tinham uma arma.”
Por fim, Flávio prometeu que, se eleito, vai trabalhar para “que a anistia seja feita durante a transição”.
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Por Houldine Nascimento – Poder360
O candidato do PSB ao governo de Pernambuco, João Campos, intensificou a negociação com a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que haja uma visita do petista ao Estado daqui a duas semanas, entre 9 e 11 de setembro. A equipe do ex-prefeito do Recife programa uma agenda no Instituto de Prevenção e Diagnóstico de Câncer de Garanhuns dona Lindu –também conhecido como Hospital de Amor–, em Garanhuns (PE), cidade onde Lula nasceu.
Em 3 de julho, o petista inaugurou à distância, do Palácio do Planalto, o hospital que faz uma homenagem à sua mãe, a retirante pernambucana Eurídice Ferreira de Mello (1915-1980). No local, colocaram uma foto de dona Lindu –o presidente tirou uma foto com a imagem no telão da transmissão. “Não quis falar dela para não chorar”, disse Lula.
Leia maisCampos está atrás da principal adversária, a governadora Raquel Lyra (PSD), na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas. Levantamento da Quaest publicado na 3ª feira (25.ago.2026) mostra que Raquel tem 47% no 1º turno, enquanto João Campos surge com 37% das intenções de voto.
A estratégia do PSB é nacionalizar o pleito e associar a governadora ao bolsonarismo. Ter uma agenda com Lula em Pernambuco é essencial para Campos.
Em 29 de julho, durante a Convenção Nacional do PSB, o ex-prefeito do Recife disse que Lula irá ao Estado. Até o momento, não houve definição sobre quando isso se dará.
Uma participação do petista na campanha de Campos frustrará a expectativa da equipe de Raquel, que apostava em um acordo com o ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), para que Lula não fosse ao palanque do adversário.
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O senador e candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, concede nesta sexta-feira (28) entrevista à Globo. Conduzem o programa os jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli.
Flávio Bolsonaro afirmou que não tem “absolutamente nada de errado” em ter buscado o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, do Banco Master, para patrocinar o filme do pai dele, Jair Bolsonaro. As informações são do g1.
Leia maisEm maio, foram revelados áudios de Flávio pedindo R$ 61 milhões ao banqueiro para a produção do filme Dark Horse.
“Esse foi um patrocínio, não teve nenhuma transferência para Flávio Bolsonaro”, afirmou o senador.
O senador afirmou que não buscou recursos públicos para a produção do filme. Questionado sobre a natureza da relação dele com Daniel Vorcaro, a quem enviou uma mensagem dizendo “estarei sempre contigo”, Flávio respondeu:
“A única relação que eu tinha com ele era sobre esse filme, mais nada”, disse Flávio.
“Eu não queria que essa obra de arte fosse perdida, né? Era um sonho que tava se realizando ali. Foi uma forma de garantir que esse filme acontecesse.”
Flávio Bolsonaro foi questionado sobre a falta de detalhes a respeito da origem e do destino dos recursos e do contrato com Daniel Vorcaro para o patrocínio do filme ‘Dark Horse. Ele afirmou que o dinheiro foi integralmente usado na produção e que a produtora apresentou uma prestação de contas antes do prazo de 30 dias estabelecido por ele.
“Eu falei: ‘Quero, em 30 dias, que a produtora apresente uma prestação de contas’. E, antes desse prazo, a prestação de contas foi feita, inclusive na investigação que estava acontecendo na Polícia Civil de São Paulo”, disse.
Segundo reportagem do g1, no entanto, o perito contratado pela produtora afirmou que não teve acesso ao fundo americano que recebeu recursos de Vorcaro e não apresentou notas fiscais, comprovantes de transferências, nomes de financiadores nem o caminho percorrido por R$ 75 milhões.
Questionado sobre a ausência dessas informações, Flávio afirmou que o filme “não tem um centavo de dinheiro público” e que a produção custou mais do que o valor obtido por meio do patrocínio.
O candidato não tornou públicas as planilhas de custos nem o contrato do filme, apesar de ter sido questionado diversas vezes sobre esses documentos.
Questionado se considerava adequado ter visitado Daniel Vorcaro no fim de 2025, quando o banqueiro já havia sido preso e estava de tornozeleira eletrônica, Flávio não respondeu diretamente.
O candidato afirmou que sua relação com Vorcaro era privada, negou ter oferecido qualquer favorecimento e direcionou as críticas ao presidente Lula.
“O que não é adequado é um presidente da República recebendo, em uma reunião secreta, um banqueiro, prometendo ajudá-lo a resolver o problema do seu banco. Então fica a pergunta aqui: quem deve explicações é o Lula”, afirmou.
Flávio disse ainda que a relação com Vorcaro “não teve absolutamente nenhuma contrapartida” de sua parte para favorecê-lo.
Daniel Vorcaro está preso e é investigado pela Polícia Federal (PF) por lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa, intimidação, coerção e invasão de dispositivos informáticos, entre outros crimes.
Questionado sobre quais garantias pode apresentar ao eleitor de que não tentará um golpe de estado como ocorreu nos atos de 8 de Janeiro de 2023, Flávio Bolsonaro criticou a condenação do pai dele, Jair Bolsonaro.
Afirmou que “uma grande farsa foi armada” para “tirar Bolsonaro da vida pública”.
Jair Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a cumprir 27 anos e 3 meses de prisão por cometer sete crimes, entre eles organização criminosa armada, tentativa de golpe de estado e tentativa de abolição violenta do estado democrático de direito.
“Ele foi julgado pelos seus inimigos”, disse o senador, que criticou o ministro do STF Alexandre de Moraes.
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Durante sabatina no Jornal Nacional, da TV Globo, nesta sexta-feira (28), o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) repetiu um recurso já usado pelo pai, Jair Bolsonaro (PL), e levou uma “cola” na palma da mão.
Flavio escreveu na mãe esquerda as palavras “Mudança”, “Futuro” e “7/set”. Ele repete o que o pai, Jair Bolsonaro, já fez em entrevista ao Jornal Nacional.
Jair Bolsonaro levou palavras anotadas na mão durante a campanha de 2022. Na ocasião, estavam escritas “Nicarágua”, “Argentina”, “Colômbia” e “Dario Messer”.
Leia maisO então presidente não chegou a abordar os assuntos que estavam na “cola”. Bolsonaro foi entrevistado durante 40 minutos pelos apresentadores William Bonner e Renata Vasconcellos.
Bolsonaro já havia recorrido ao mesmo artifício na campanha presidencial de 2018. Em entrevista ao Jornal Nacional, escreveu “Deus”, “família” e “Brasil” na palma da mão.
O recurso também apareceu em um debate da RedeTV! naquele ano. Bolsonaro anotou as palavras “pesquisa”, “armas” e “Lula” na mão.
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O senador Flávio Bolsonaro (PL) negou nesta sexta-feira que o elo com o banqueiro Daniel Vorcaro, derivado do financiamento do longa “Dark Horse”, teve “contrapartida” na sua atuação como parlamentar. A declaração ocorreu durante a quinta entrevista da série da TV Globo com os candidatos à Presidência da República, transmitidas ao vivo sempre após a exibição do Jornal Nacional.
O senador disse que “não tem absolutamente nada de errado em um filho buscar financiamento para o filme do próprio pai”. Também argumentou que a “única relação” que tinha com o banqueiro era sobre o filme. As informações são do jornal O GLOBO.
— Não teve nenhuma contrapartida no meu mandato no Senado para esse investidor. Foi um patrocínio que não tem nenhuma transferência para Flávio Bolsonaro — afirmou.
Leia maisEm maio, o site The Intercept revelou mensagens trocadas entre Flávio e Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, nas quais o senador buscava recursos para financiar a produção sobre o pai. Segundo a publicação, foram negociados R$ 134 milhões, dos quais R$ 61 milhões teriam sido efetivamente repassados.
Questionado se apresentaria detalhes dos valores gastos no filme, Flávio afirmou que é “uma relação privada”. Disse também que quem deve explicações sobre o escandâlo do Banco Master é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
—Todo o patrocínio que foi feito foi usado no filme. Eu pedi à produtora que apresentasse a prestação de contas, e isso foi feito na investigação que corre na Polícia Civil de São Paulo. É do completo interesse dar transparência. O que a perícia conclui? Que não tem um centavo de dinheiro público. É uma relação totalmente privada. E mostra que o filme custou mais do que o patrocínio que ele fez.
A Polícia Federal abriu uma investigação para apurar se recursos relacionados ao projeto foram utilizados para custear despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos. Até o momento, não há conclusão da investigação que aponte que isso tenha ocorrido.
O assunto voltou a ganhar exposição nesta semana depois de o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a PF a acessar provas reunidas pela Polícia Civil de São Paulo numa investigação que envolve a Go Up Entertainment, produtora responsável pelo longa. O compartilhamento ocorreu no âmbito de uma apuração sobre a destinação de emendas parlamentares.
Flávio também comentou a condenação de Jair Bolsonaro (PL) no âmbito da trama golpista pelo STF. Ele se referiu aos atos de 8 de janeiro de 2023 como um “golpe da Disney”.
— Grande farsa armada para tirar Bolsonaro da vida pública. Ele foi julgado por seus inimigos. Que organização criminosa armada? As pessoas nem se conheciam, e não foi encontrada uma arma. Como Bolsonaro é condenado por depredação de patrimônio público se ele estava nos EUA? Isso foi uma farsa. Quem julgou ele foi (o ministro) Alexandre de Moraes, inimigo declarado do presidente Bolsonaro. Dino e Zanin, indicados pelo Lula. Você acha que isso foi um julgamento justo?
O senador também foi questionado sobre o depoimento do ex-comandante da Aeronáutica Carlos Almeida Baptista Junior. Em audiência no STF, Baptista Júnior afirmou ter participado de reuniões no Palácio da Alvorada em que o ex-presidente Bolsonaro discutiu uma minuta com teor golpista.
— Não é grave, porque está partindo de uma pessoa, como esse comandante da Aeronáutica, que hoje está pedindo voto para o Lula. Uma pessoa parcial.
Questionado se respeitará o resultado eleitoral mesmo em caso de derrota, Flávio prometeu que sim. Em seguida, afirmou:
— Eu não vou perder. E digo mais, vou ganhar no primeiro turno.
Na pesquisa Quaest divulgada em meados de agosto, Flávio apareceu empatado técnicamente com o presidente Lula na simulação de segundo turno. O levantamento mostra o petista com 43%, contra 40% do filho de Jair Bolsonaro. Os dados indicam a tendência de uma eleição parelha, decidida voto a voto.
Na prática, o resultado faz com que se volte ao patamar anterior ao caso “Dark horse”, quando, em meados de maio, soube-se do elo entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. Depois dali, Lula chegou a abrir oito pontos de distância para o adversário no segundo turno, mas a vantagem caiu. Hoje, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o placar configura empate.
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O vereador de Balneário Camboriú (PL), Jair Renan Bolsonaro, teve um desconto de R$ 4.554,71 aplicado ao salário de julho por faltar a duas sessões na Câmara da cidade catarinense.
O valor foi debitado do salário de R$ 18.218,84, porque ele não justificou as ausências, ocorridas nos dias 14 e 15. O vereador recebeu um total de R$ 13.664,13 naquele mês. Jair Renan concorre às eleições deste ano como deputado federal por Santa Catarina. As informações são da CNN.
De acordo com a assessoria de imprensa da Câmara, o parlamentar pode registrar ausência, sem descontos, desde que apresente justificativa formal via ofício e e esta seja lida durante a reunião.
Leia maisA CNN Brasil contatou Jair Renan, mas não teve retorno.
O filho mais novo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), conhecido como “04”, foi eleito para o cargo em outubro de 2024, aos 26 anos, com 3.033 votos.
Assim como os demais irmãos, Jair Renan é natural do Rio de Janeiro, mas começou a carreira na cidade, reduto do bolsonarismo, em março de 2023, quando foi nomeado para um cargo de assessor no gabinete do senador Jorge Seif (PL-SC). Ele se exonerou do cargo em julho de 2024 para concorrer como vereador.
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Pesquisa do Instituto Revista Total divulgada nesta sexta-feira (28) mostra João Campos (PSB) liderando a corrida para o Governo de Pernambuco, com 47,6% das intenções de voto. Já a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) tem 42,53%. O resultado consolida uma virada no cenário eleitoral, que há dois meses apontava o grupo governista na dianteira.
Em 28 de junho, o mesmo instituto havia indicado que Raquel tinha 51,17% das intenções de voto, contra 41,75% de João Campos, uma diferença de quase dez pontos. Em 13 de agosto, o candidato do PSB virou o jogo, alcançando 48,13% da preferência do eleitorado, ante 45,88% da governadora, em um cenário que ainda era de empate técnico.
Já na pesquisa de hoje, embora tenha oscilado dentro da margem de erro, o líder da Frente Popular de Pernambuco abriu uma distância de cinco pontos em relação ao percentual de intenções de voto da governadora, descolando-se dela. Raquel caiu acima da margem de erro e vem em tendência de queda em pleno início da campanha eleitoral.
Foram entrevistados 1,5 mil eleitores entre os dias 21 e 25 de agosto. A margem de erro é de 2,53 pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada junto à Justiça Eleitoral com o código PE-01621/2026.
O Comitê Olímpico do Brasil (COB) vai enviar uma comitiva a Brasília para discutir adaptações a um inciso da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, aprovada na Câmara e pauta do Senado na quarta-feira, 2. O trecho em questão determina a redução no repasse do dinheiro das bets a entidades esportivas para proporcionar mais investimento na segurança. Essa perda, na soma das instituições que compõem o Sistema Nacional do Esporte, entre elas o COB, é na casa dos R$ 500 milhões.
“Vamos conversar com os senadores, mas não é para votar contra a PEC. Vamos à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para retirar esse inciso, e segue para aprovação normalmente. Estamos mobilizando atletas, todo mundo. Não estamos pedindo mais recursos, mas para não tirar o que já temos”, argumenta Marco La Porta, presidente do COB. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisA transferência direta de recursos das bets, sem passar por Ministério ou outro aparelho, para as entidades esportivas foi instituída pela Lei nº 14.790/2023, em 21 de maio de 2024. Definiu-se que 12% das arrecadações de apostas esportivas, descontados os prêmios e o imposto de renda sobre eles, tenham destinações sociais: educação, saúde, esporte e turismo. Também há 3% reservado à Polícia Federal.
O direito ao recebimento desses valores passou a valer em 2025, mas faltava a regulamentação da aplicação, determinada apenas em julho de 2026, em portaria do Ministério da Fazenda. Até por isso, o COB ainda não havia lançado mão do valor que já havia recebido. “Esperamos para começar exatamente quando tivesse definido mesmo, batido o martelo. Mas tem um fôlego até o próximo mês, depois vai ter que utilizar, não tem jeito”, comenta La Porta.
O artigo 139, inciso I, da PEC diminui para 8,4% a fatia das destinações sociais, mantém uma repasse específico à PF, em 2,1%, e estabelece um novo repasse geral de 4,5% aos fundos de segurança. Não há mudança em relação aos 85% voltados para a cobertura de despesas de custeio e manutenção das próprias operadoras de apostas.
La Porta é a favor da PEC da Segurança pública e propõe, junto aos seus pares, retirar 5% do custeio das bets para preservar a distribuição entre as destinações sociais, sem diminuir o valor que se pretende injetar na segurança.
A senadora e ex-jogadora de vôlei Leila Barros (PDT) propôs esta solução em emenda. Mas o senador Rogério Carvalho (PT-SE), relator da PEC na CCJ, antecipou que vai apresentar relatório favorável à aprovação da proposta da forma como foi aprovada na Câmara dos Deputados.
O COB espera receber anualmente cerca de R$ 110 milhões provenientes das bets, o que equivale a 25% dos recursos que recebe da loteria. A redução sobre essa arrecadação é de 30% e representa uma perda estimada entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões.
Segundo La Porta, essa faixa de valor é exatamente o custo total da entidade para organizar os Jogos Olímpicos da Juventude. “Um evento desse ajuda na questão da segurança pública, afinal são jovens que estão sendo direcionados para uma linha do esporte, um caminho melhor”.
O repasse das bets é uma receita nova para o COB, mas o dirigente argumenta que diminuir este investimento pode gerar “estagnação” no esporte nacional e não vê o setor refém do mercado de apostas fixas.
“O repasse das bets começou no ano passado. O esporte já caminha sem os recursos das bets, ponto. Só que, falando em resultados, chegamos a um ponto em que, se quisermos avançar mais no quadro de medalhas, precisamos de mais investimento. Seria 25% a mais. Talvez para Los Angeles-2028 não dê tempo, mas para Brisbane-2032 causaria impacto significativo. O esporte não vai acabar sem esse recurso, vai voltar ao que era antes, sem crescimento. É um recurso dado por lei, por que agora está sendo retirado?.”
Além do COB, a lei determina repasses também ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos (CBCP), Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU) e Confederação Brasileira do Desporto Escolar (CBDE) e Comitê Brasileiro do Esporte Master (CBEM).
A comitiva que tenta derrubar o inciso chega a Brasília na segunda-feira. O grupo, liderado por La Porta, conta com ex-atletas como Lars Grael, Magic Paula e Emanuel Rego, este último também diretor-geral do COB.
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