Como se viu nesta sexta-feira, o presidente Lula da Silva ao fazer suas primeiras cinco indicações, optou por três nomes de políticos nordestinos – Flavio Dino (Justiça) Rui Costa (Casa Civil) e José Múcio Monteiro (Defesa).
Percentualmente, pode se dizer que o Nordeste está bem contemplado nas primeiras indicações do presidente eleito Lula da Silva com 60% das primeiras cinco indicações. Fernando Haddad é paulista de São Paulo e Mauro Vieira (Itamaraty) é carioca do Rio de Janeiro.
Mas as escolhas de Dino (PSB-MA) e Costa (PT-BA) tem significados bem diferente dos três outros. Chegam aos cargos ancorados em vitórias expressivas depois de terem governado seus estados e fazendo o sucessor. As informações são do colunista Fernando Castilho, do JC.
Leia maisJunto com Wellington Dias (PI) e Renan Filho (AL) chegam a Senado com força nos seus estados formando o grupo de políticos (a lista inclui também a governadora do RN. Fatima Bezerra) e Camilo Santana (CE) que deram as maiores votações a Lula da Silva no Nordeste.
O fato novo nessa lista é que todos revelaram força política nos seus estados e derrotaram adversários apoiados pelo candidato Jair Bolsonaro. Ou seja, são donos de luz própria a ponto de estarem, desde o começo, na lista de ministros fortes no futuro governo.
O terceiro político desse grupo com força junto ao presidente eleito, o senador eleito Wellington Dias (PI) virou coordenador político da negociação pela PEC da Transição. O caso de Wellington Dias (PI) é bem interessante. Ele elegeu no primeiro turno o seu secretário de Fazenda, Raphael Fontelles, no primeiro turno se tornando a maior liderança do Estado.
O fato também revela a força do PT nos estados do Ceará, Piauí e Bahia. Rui Costa (BA) e Camilo Santana (CE) formam a face moderna do PT já que governaram os estados com melhor desempenho econômico do Nordeste. A força de Santana elegeu, numa virada surpreendente, o candidato do PT, Elmano Freitas já no primeiro turno com quase 54% dos votos válidos no estado.
A lista de escolhidos também mostra a fragilidade do PSB uma vez que Dino apenas usou a sigla para concorrer depois de ser historicamente filiado ao PC do B, partido no qual permaneceu por 15 anos.
É importante observar de Dino não apenas se elegeu como elegeu o novo governador do seus estados, Carlos Orleans Brandão Júnior.
O mesmo aconteceu com Rui Costa que derrotou o ex-prefeito de Salvador ACM Neto que entrou na disputa com mais 70% das preferências. Na Bahia, Costa é considerado um “tocador de obra” e fechará o segundo mandato com 85% da aprovação da população.
Isso explica por que Dino e Costa não entraram nos grupos de transição apenas para compor o colegiado de análises de dados O dois liderarem os debates sobre os temas com claras indicações de que seriam escolhidos ministros pelo presidente eleito.
Na verdade, dentro dos grupos não havia nenhuma dúvida de que Dino e Costa estariam na lista de ministros do chamado núcleo duro já nas primeiras indicações. O que foi confirmado nesta sexta-feira.
O caso de Dias (PI) é ainda mais diferenciado. Ele entrou na transição para cuidar na PEC da transição e debateu a questão até o debate subiu para o Senado e para a Câmara com a presença de Jacques Wagner (BA).
Essa movimentação também revela uma perda de importância de Pernambuco cuja presença está na lista de convidados para os grupos de transição sem muita perspectiva de serem escolhidos ministros.
Eles até podem vir a serem chamados para um ministério, secretaria ou a presidência de uma estatal. Mas com certeza não estarão no time com força política e orçamento. O PSB como se sabe nem disputou o segundo turno das eleições para governador. com Danilo Cabral. E a candidata ao Senado, Teresa Leitão também e do PT.
Na verdade, estão naquela lista de grupo que usam a mídia para reivindicar um espaço em nome do partido como é o caso do PSB e PC do B, ou de grupos que defendem estarem representados.
Isso não quer dizer não possam ser escolhidos para o novo governo. Mas, decididamente, estão longe da lista VIP como Flávio Dino e Rui Costa que já chegaram a Brasília como força política e o mais importante: votos.
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