O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou, hoje, como “inaceitáveis” e “ofensivas ao povo brasileiro” declarações recentes do Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Ele também afirmou que Rubio ataca de “forma grosseira e arrogante” um chefe de Estado de um “país amigo”, no caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O chanceler deu as declarações, no Itamaraty, horas depois de os Estados Unidos confirmarem a aplicação de novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Vieira se referiu a afirmações de Rubio que, na madrugada desta quinta, disse que as políticas econômicas do governo de Lula são “ruins para os americanos e ruins para os brasileiros”. Rubio também acusou o petista de não negociar de boa-fé com os Estados Unidos.
Leia mais“As declarações do secretário de estado Marco Rubio, veiculadas na madrugada de hoje nas redes sociais a respeito das tarifas adotadas contra o brasil são inaceitáveis, ofensivas ao povo brasileiro e ao governo brasileiro”, afirmou Vieira. As informações são do portal G1.
“Rubio ataca de forma grosseira e arrogante um chefe de estado de um país amigo. Claramente o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato do Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações”, completou o chanceler.
Vieira também disse que o presidente Lula “buscou o diálogo” desde o primeiro momento e se colocou à disposição para “negociar qualquer tema”. Nos bastidores do Palácio do Planalto, auxiliares de Lula afirmam que o petista não deve responder às críticas feitas por Marco Rubio. O entendimento é de que não cabe a um chefe de Estado reagir a declarações de um secretário. Por essa razão, coube a Mauro Vieira, que ocupa um cargo de mesmo nível de Rubio, a resposta às falas do secretário de Donald Trump.
Não há justificativas, diz ministro
Mauro Vieira também citou uma série de reuniões e contatos do governo brasileiro em busca de uma alternativa à imposição de tarifas, pela gestão Donald Trump, contra produtos nacionais.
“Desde março de 2025, o governo brasileiro manteve mais de 30 reuniões presenciais, virtuais ou por telefone nos níveis presidencial, ministerial e técnico. Somente com [Marco] Rubio e [Jamieson] Greer foram 11 contatos. O Brasil negocia desde antes de 2025, desde o tarifaço original”, acrescentou Vieira.
Ele afirmou que não há justificativa e “lastro” na realidade para a imposição de novas tarifas de 25% anunciada pelo governo dos Estados Unidos.
Segundo Vieira, a motivação da medida foi “política” e houve, na relação entre os países, uma “tentativa de interferência dos Estados Unidos no Judiciário brasileiro”.
“As investigações da Seção 301 são procedimentos unilaterais do governo dos Estados Unidos e não há justificativa para adoção de tarifas contra os produtos brasileiros”, afirmou Vieira.
O chancelar acrescentou que o Brasil não aceitou “demandas de abertura total, irrestrita e exclusiva aos Estados Unidos de setores inteiros da economia brasileira, sem qualquer contrapartida para os produtos brasileiros”.
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