Salvador recebe, no próximo dia 17 de julho de 2026, o Pacto das Pretas, festival que reunirá arte, empreendedorismo negro, formação e debate sobre o futuro das mulheres negras no Brasil. O evento será realizado na Secretaria de Cultura de Salvador, no auditório Makota, a partir das 9h, com o tema “Movimento: Mulheres Negras Criando Futuro”.
A proposta do festival ganha ainda mais relevância diante dos dados recentes do IBGE, que apontam o crescimento da autodeclaração racial no país. A população preta chegou a 10,4% dos brasileiros, enquanto pretos e pardos, somados, representam 55,5% da população. Mais do que estatística, o dado revela um Brasil que passa a reconhecer, com mais nitidez, sua própria identidade negra. O movimento exige oportunidades e protagonismo nos espaços de trabalho, cultura, criação, liderança e tomada de decisão.
Leia maisConcebido como uma ação cultural, formativa e de difusão, o Pacto das Pretas 2026 tem como foco a valorização da cultura brasileira, com ênfase em expressões de matriz afro-brasileira e no enfrentamento ao racismo. A programação reunirá palestras, shows artísticos, feira com 30 empreendedoras negras baianas e atividades voltadas à reflexão sobre criação, carreiras, conhecimento e futuro.
De acordo com Guibson Trindade, cofundador e gerente executivo do Pacto de Promoção da Equidade Racial, o festival nasce da necessidade de transformar presença em potência coletiva. “Quando uma mulher negra cria, empreende, lidera e ocupa espaços de decisão, ela não movimenta apenas a própria trajetória. Ela abre caminho para outras mulheres e reposiciona o debate sobre desenvolvimento, cultura e justiça racial no país”, afirma.
Um dos principais objetivos do Pacto das Pretas é provocar uma discussão objetiva sobre a realidade da população negra no mercado de trabalho e sobre os caminhos possíveis para a construção de carreiras promissoras nas corporações, na economia criativa, no empreendedorismo e nos espaços de liderança.
Segundo a PNAD Contínua Trimestral do IBGE, a taxa de desocupação entre pessoas pretas fechou o primeiro trimestre de 2026 em 7,6%, acima da média nacional, de 6,1%, e superior à taxa registrada entre pessoas brancas, de 4,9%. Entre pessoas pardas, a desocupação ficou em 6,8%. O levantamento também aponta maior vulnerabilidade na informalidade: 40,8% entre trabalhadores pretos e 41,6% entre pardos, contra 32,2% entre trabalhadores brancos.
Para Guibson Trindade, esses números ajudam a evidenciar que o debate sobre equidade racial precisa sair do campo simbólico e avançar para práticas concretas. “Não basta reconhecer a desigualdade. É preciso construir ambientes profissionais capazes de garantir acesso, permanência, reconhecimento e ascensão para mulheres negras. O Pacto das Pretas existe para fortalecer essa agenda com cultura, inteligência, articulação e compromisso público”, destaca.
A programação será organizada a partir de quatro eixos conceituais. Em Criação, o festival discute a potência criativa das mulheres negras nas artes, na música, na tecnologia, na economia criativa e nos novos processos de inovação. Em Carreiras, coloca-se em pauta inclusão, representatividade, desafios estruturais, oportunidades, liderança e empreendedorismo negro.
No eixo Conhecimento, o evento valoriza trajetórias intelectuais, profissionais, acadêmicas, ancestrais e contemporâneas de mulheres negras, reconhecendo seus saberes como fundamentais para a construção cultural e social do país. Já o eixo Futuro convida mulheres negras a ocuparem, simbólica e concretamente, os lugares de decisão, autoria, presença e liderança.
A programação artística contará com shows das cantoras Mariene de Castro e Denise Correia, duas vozes ligadas à cena cultural baiana e às expressões de matriz afro-brasileira. A feira de empreendedorismo, com 30 mulheres negras baianas, reforça o compromisso do festival com a circulação econômica, autonomia, fortalecimento de negócios e valorização da produção realizada por mulheres negras na Bahia.
Leia menos














