Profissionais de saúde denunciam um cenário de colapso na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Imbiribeira, no Recife, administrada pelo Governo de Pernambuco. Segundo denúncias enviadas ao blog, a demanda de pacientes aumentou significativamente nos últimos anos, passando de cerca de 13 mil para 18 mil atendimentos mensais. A estrutura, porém, não teria acompanhado esse crescimento. A consequência seria uma rotina marcada pela superlotação, longas filas de espera e sobrecarga extrema para as equipes médicas.
De acordo com a apuração feita pelo blog, há plantões em que um único médico chega a atender aproximadamente 160 pacientes em 12 horas, número muito acima do recomendado pelo Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe). A pressão constante levou muitos profissionais experientes a deixarem a unidade, que hoje conta com um número crescente de recém-formados. O Cremepe realizou inspeções e emitiu notificações sobre os problemas encontrados, sem que mudanças efetivas tenham sido implementadas.
Leia maisAs condições de trabalho também são alvo de críticas. O repouso destinado aos médicos é inadequado e, em alguns plantões, não há camas suficientes para todos os profissionais escalados. Além disso, a insegurança dentro da unidade estaria se agravando. Apenas entre uma noite e a manhã seguinte, foram registrados três boletins de ocorrência envolvendo agressões e ameaças contra trabalhadores da saúde, situação que tem gerado preocupação entre as equipes.
Outro ponto questionado é o funcionamento do sistema FAST, utilizado para agilizar atendimentos de pacientes considerados menos graves. Devido ao grande volume de pessoas, algumas consultas duram cerca de três minutos. Em alguns casos, os pacientes chegam a ser avaliados apenas pela equipe de enfermagem. Existem relatos de falhas na classificação de risco, houve casos em que pacientes aguardaram horas por atendimento sem aferição prévia da pressão arterial, o que poderia comprometer a identificação de quadros mais graves.
Existem denúncias de pacientes que receberam alta após atendimento inicial e retornaram posteriormente em estado crítico. Alguns deles precisaram ser encaminhados à sala vermelha e evoluíram para óbito. O cenário exige intervenção urgente das autoridades responsáveis, diante dos riscos impostos tanto aos trabalhadores quanto à população que depende do serviço.
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