Pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT) admitiu, nesta quinta-feira (9), que tem conversado com Teresa Vendramini, ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira nas últimas semanas. Ele não confirmou tê-la convidado diretamente para ser vice, mas citou seu nome entre outros que poderiam ocupar a vaga, como os ex-ministros Márcio França (PSB), Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB). No mês passado, Teresa se filiou ao PDT.
— A Teca (como Teresa é conhecida) é uma bela liderança do agro e tem uma grande penetração no interior paulista. Eu penso que estamos com um bom time de pessoas cujos assessores já estão sendo convocados a elaborar um plano de governo para São Paulo. Essa equipe vai se reunir e apresentar um plano de governo. Essas pessoas já estão filiadas, de maneira que nós temos cinco partidos congregados, incluindo o PSOL, fora os que estamos conversando, para se somarem a esse esforço de modernização do estado de São Paulo — falou Haddad em entrevista ao SBT News. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisNo mês passado, Teresa se filiou ao PDT, mas nesta quarta (8) ela disse à CNN Brasil que negou o convite do petista para ser sua vice. Nas últimas semanas, o nome de Teca vem sendo ventilado entre petistas como uma possível vice na chapa de Haddad, de olho em diminuir a resistência histórica que o Partido dos Trabalhadores tem no interior do estado.
O ex-ministro da Fazenda afirmou que conversou com ela e lhe pediu que ela “participasse da vida pública” e considerasse entrar para a política. A filiação dela ao PDT animou os petistas, que ainda não desistiram.
Na entrevista, Haddad aproveitou para acenar ao setor do agronegócio, afirmando que há uma ideia “equivocada” sobre o segmento, afirmando que há um grupo “extremamente moderno, com compromisso ambiental e com a saúde pública” e que Teca “faz parte de um agro que não tem nenhum vínculo com trabalho escravo e infantil”, que “barateia o custo da comida no Brasil” e que Teca é “uma pessoa muito progressista” e não faz parte de “um nicho do agronegócio”.
— Eu sou amigo e admirador da Teca, e nós conversamos nas últimas semanas, ela se filiou a um partido político. E eu falei “olha, Teca, seria muito importante você participar da vida pública”. Nessas conversas, o que houve foi o seguinte: “venha para a política, se dê a oportunidade de pensar, eventualmente, na vida pública e você terá uma grande contribuição a dar”. Vamos ver como é que a coisa se desdobra, com toda tranquilidade — acrescentou.
Conversas com Kassab
Desde que deixou o Ministério da Fazenda, no fim de março, Haddad tem focado em conversar com aliados, definir seu plano de governo e também como será a chapa em São Paulo. Neste momento, o nome mais consolidado na esquerda é de Tebet para uma das vagas ao Senado, enquanto a outra é motivo de impasse entre França e Marina. A vaga de vice também está na mesa. Nesta semana, Haddad conversou com França, que tem insistido em concorrer ao Senado.
Em busca de ampliar as alianças no estado, Haddad afirmou que procurou Gilberto Kassab, presidente do PSD que deixou o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) no mês passado, em meio a divergências sobre a composição da chapa. Haddad afirmou apenas que quer “ouvir” Kassab, que já foi prefeito de São Paulo e foi secretário de Governo de Tarcísio, e que o procurou por mensagem.
— Eu gostaria de ouvir o Kassab, que tem uma visão sobre o estado de São Paulo. Eu gostaria de ouvi-lo, mas não tenho nada agendado, embora eu tenha mandado uma mensagem para ele. Teve uma resposta simpática, ele disse que “oportunamente”. Eu tenho convicção de que vamos apresentar um plano de governo que é melhor do que o que vem sendo aplicado nos últimos quatro anos. Eu converso com todo mundo. E quando se começa uma conversa, não é bom começar com grandes expectativas. Eu quero ouvi-lo, por que ele apoiaria o Tarcísio? Um governo que não teve aderência com o estado — falou.
Publicamente, Kassab e Tarcísio afirmam que a relação dos dois não tem nenhum problema, mas nos bastidores, aliados do governador admitem que houve um distanciamento entre os dois nos últimos meses. Isso porque Kassab tinha o desejo de ser vice de Tarcísio na disputa à reeleição, mas o governador optou por manter Felício Ramuth no posto. Ramuth, por sua vez, trocou o PSD pelo MDB, o que fez com o que a sigla de Kassab perdesse espaço na chapa — as duas vagas ao Senado devem ficar com o PP e com o PL. Ainda assim, ao deixar o governo, Kassab garantiu o apoio do PSD à reeleição de Tarcísio em São Paulo.
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